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Moradia Compartilhada
Amor Nos Tempos de Cólera 10/10/2017 - 16h32

Moradia Compartilhada


Por Marco Aurélio Mello

por Marco Aurélio Mello

A hóspede faz reserva imediata e só consulta para confirmar a existência ou não de uma vaga de garagem.

Presume-se que ela leu e entendeu tudo antes de reservar, principalmente a lógica do sistema.

Para o anfitrião, trata-se da primeira locação por uma plataforma de alojamento on-line, em que o local é compartilhado com desconhecidos.

Como é tudo muito novo, para hóspedes e anfitriões, é até natural que as pessoas não saibam direito como se comportar no início.

Os hóspedes chegam (check-in) com cinco horas de atraso, por causa de um congestionamento na estrada.

Acontece, afinal, quem poderia imaginar que um caminhão tombaria na pista formando um enorme congestionamento bem na véspera de um feriado.

No entanto, há determinadas situações que chegam a ser inaceitáveis de tão absurdas.

Na hora de devolver o imóvel (check-out), ao contrário do que era esperado, o apartamento estava imundo, o chão sujo e pegajoso, o fogão engordurado, uma pilha de louça para lavar, lixo sem destinação e restos de alimento abertos na geladeira.

Pertences do anfitrião, comida, temperos, cervejas, tudo foi consumido sem dó, numa espécie de “invasão bárbara”.

Acionados a repararem os abusos cometidos, os hóspedes não deram a mínima, ignoraram todos os apelos.

Graças aos mecanismos de avaliação, ao anfitrião foi dada nota máxima, o que elevou sua reputação.

O mesmo não aconteceu com os hóspedes que, além de obterem nota mínima, foram denunciados à plataforma como aquele tipo de pessoa que não é bem-vinda.

Agora, ou eles se adaptam, ou começarão a ter suas reservas rejeitadas, por não saberem cumprir as regras do sistema, conhecido no mundo todo como bed and breakfast.

Situações assim nos enchem de perguntas: será falta de noção, oportunismo (tipo Lei de Gerson), inveja, ou simplesmente má fé?

Será um fenômeno típico da classe média brasileira, que acha que porque está pagando pode tudo?

Será que os dois hóspedes fariam na casa deles tudo o que fizeram na casa de um desconhecido que os recebeu com flores?

Dispor te toda a sua intimidade para pessoas que você nunca viu requer um enorme desprendimento não só material, mas também emocional.

Afinal, em casa estão guardados nossos pertences, fotos, objetos, coisas que juntamos ao longo da vida e que constituem memória afetiva, identidade…

Mas em tempos de economia solidária por que não racionalizar?

Por que não dividir o que está sobrando, no caso aqui, espaço nos fins de semana?

Mesmo porque, é uma relação de ganha-ganha, em que aquele que não pode pagar por um hotel aceita se hospedar na casa de alguém pagando menos, mas obriga-se em contrapartida a respeitar regras de convivência e civilidade.

Alojamento on-line não deixa ninguém rico, mas a renda obtida pode sim garantir todas as despesas fixas do imóvel, incluindo limpeza e manutenção.

Vai depender é claro das instalações, da localização e de algum trabalho, como gerenciar reservas, organizar e manter sempre limpo o espaço, estar disponível para dúvidas e esclarecimentos e ser capaz de se comunicar prontamente.

Experiências assim, conforme se acumulam são difíceis em muitos casos, mas muito úteis, principalmente para quem está disposto a se abrir para um mundo em constante transformação.

Esquisitos ou sem noção, todos nos revelamos na intimidade.

E esta é a primeira e grande lição.

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