VIOMUNDO

Diário da Resistência


Leva Para a Escola
Foto: Imagem de Domínio Público/Dreamstime
Amor Nos Tempos de Cólera 28/05/2018 - 15h27

Leva Para a Escola


Por Marco Aurélio Mello

Foto: Imagem de Domínio Público/Dreamstime

por Marco Aurélio Mello

Um jovem estudante me pergunta: como Temer parou o Brasil?

Respondo assim:

Todos nos temos um orçamento.
Se você recebe mil e gasta mil e dez, por exemplo, com o passar do tempo você começa a ter uma dívida.

A nossa dívida pessoal quando é do país chama-se dívida pública.

E todos os países têm.

Os EUA, por exemplo, devem três vezes e meia toda a riqueza deles.
O Brasil deve apenas cerca de 75%.

Para pagar esta dívida os países, assim como as pessoas, pedem empréstimo.
No caso do Tesouro Nacional, ele emite títulos e promete resgatá-los no prazo previsto pagando juros.
Esses são os tais papéis (títulos da dívida pública) negociados pelos bancos com investidores.

Para os juros serem bons a ponto de atrair um investidor estrangeiro para cá, eles têm que ser maiores do que os dos países ricos.
Porque quem sai de um país central para comprar papéis em um país periférico, em tese, corre mais risco.
E quanto maior é o risco, maior deve ser o lucro.

Mas quem avalia o risco?
Agências, bancos de investimento, que operam em países ricos.

E quais são os critérios?
Equilíbrio: das contas públicas (receitas versus despesas), da inflação e do câmbio.

Como um país equilibra as contas públicas?
Gastando só o que pode.

Como ele controla a inflação?
Cobrando impostos, administrando tarifas, preços e dosando desonerações, incentivos fiscais e investimentos.

E como ele controla o câmbio?
Com a balança comercial favorável (exportando mais do que importamos é um jeito, por exemplo).

Mas não é o único jeito.
O câmbio está preso também à moeda de referência, no caso o dólar.
E dólar também se valoriza e se desvaloriza.

Há outros fatores de estabilidade da moeda: títulos atrelados ao câmbio, contratos em dólar para exportação no futuro, etc…

Dito isto, vamos à política econômica temerária.

Temer primeiro anunciou o congelamento de gastos públicos – principalmente da Saúde e da Educação – para não aumentar a dívida interna.
Lembrete: todos os países do mundo emitem títulos da dívida pública.

Aí ele reduziu os repasses para os Ministérios (contingenciamento de despesas).

Depois, adotou medidas para que os bancos públicos emprestassem menos dinheiro com juros baixos, subsidiados.

Decidiu também vender parte do nosso patrimônio para gerar receita extra, fazer caixa.

E aumentou os gastos com publicidade nos veículos de comunicação.

Em seguida começou a dar dinheiro do Orçamento para os parlamentares da sua base aliada em troca da aprovação de Reformas.

Fragilizou as relações de trabalho e tentou mudar regras da aposentadoria, tudo sem discutir com a sociedade.

Diante da desconfiança geral e porque a circulação de dinheiro na economia diminuiu drasticamente, o país parou.

Com o brasileiro comprando menos os comerciantes reduziram seu estoques.

Sem ter que produzir no mesmo ritmo as fábricas começaram a demitir.

Novas relações de trabalho nasceram, só que com os trabalhadores mais vulneráveis.

Com empregos precários o agora “prestador de serviços” passou a contribuir menos e apertou o cinto gastando menos também.

Ao mesmo tempo ele começou a demandar serviços que não demandava antes, como: saúde pública, transporte público, farmácia popular…

Ao arrecadar menos, o risco do Governo não fechar suas contas aumenta.

Para honrar seus compromissos os juros sobem e os impostos tendem a aumentar.

A economia responde com recessão e mais desemprego.

É quando o Governo resolve pedir empréstimo fora, ao FMI, para dar conta dos compromissos assumidos principalmente com os juros.

Mas o Fundo Monetário só empresta se o país se comprometer a obedecer a uma cartilha, cujo compromisso é cortar mais gastos e vender mais patrimônio público.

A população descontente começa a reclamar, vai às ruas, faz greves, paralisações.

A resposta a este arrocho vem na forma de tensão social, com violência do Estado contra o cidadão.

O resto da história quem não conhece pode imaginar, não é?

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