Hugo Souza: Mil e quinhentos por cento

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O presidente Lula Foto: Ricardo Stuckert

No fim de 2022, o Ibre-FGV previu crescimento de pífio 0,2% no primeiro ano do Lula III, mas em 2023 o país cresceu 3,2%, 16 vezes mais. Agora, o Ibre — e a Folha — têm uma nova profecia para você

Por Hugo Souza, no Come Ananás

Na última terça-feira, 3, Come Ananás publicou uma matéria mostrando que de 26 de outubro até aquele dia, das nove manchetes do maior jornal do Brasil, a Folha de S.Paulo, desde a reeleição de Lula da Silva, cinco tinham sido peças nítidas, patentes, explícitas de terrorismo fiscal.

Não fosse a manchete incontornável de 26 de outubro (“Lula vira e será presidente pela 4ª vez”), além da fuga do rebolão miliciano para Miami (o que rendeu as manchetes de quarta, quinta e sexta da semana retrasada), a Folha teria feito no período e no alto de suas capas, em vez da quina, a nona; a nona do contra-ataque — contra a derrota do “ajuste fiscal” nas urnas — movido pelo “mercado”, por “investidores” ou seja lá o nome que se dê àqueles de operações, lucros e ambições no fim das contas incompatíveis com a democracia.

A manchete da última terça tinha sido a mais bandalheira de todas até agora, entre os ataques terroristas pós-eleitorais da Folha de S.Paulo: “Lula pode indicar seis diretores do BC e isolar Galípolo, teme o mercado”. Na Barão de Limeira ou na Faria Lima, ninguém nunca se borrou com a possibilidade de um miliciano de Rio das Pedras indicar até quatro ministros do STF.

Mas eis que neste domingo, 8, duas semanas após o tetra de Lula, às vésperas do governo Lula IV, a Folha estampa na manchete de sua edição de maior circulação — a dominical — que, diante da “ausência de plano fiscal”, o Brasil corre risco de entrar em recessão em 2027. A sustentação — a suposta — está no segundo parágrafo da matéria assinada por Fernando Canzian: “Projeções do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), de consultorias e bancos indicam uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) ao redor de 1% em 2027, com uma recessão não descartada”.

No fim de 2022, às portas do governo Lula III, o Ibre-FGV projetou crescimento de apenas 0,2% para a economia brasileira em 2023, mas em 2023 a economia brasileira cresceu efetivamente 3,2%. A realidade do primeiro ano do governo Lula III superou o prognóstico do Ibre em nada menos que 1.500%. Mesmo assim, lá vamos nós (eles, da imprensa corporativa) outra vez correr atrás do que o Ibre-FGV tem a dizer e, o que o Ibre disser, transformar em manchete de dia de domingo.

O presidente Lula Foto: Ricardo Stuckert

E já que o Brasil corre risco de recessão, segundo a Folha-Ibre-FGV, já que a Folha de S.Paulo põe em manchete “uma possibilidade de recessão não descartada”, espera-se para a semana, na Folha, a manchete “São Paulo pode jogar série B em 2027”, já que hoje, após a 34ª rodada do Brasileirão, o tricolor paulista tem 0,066% de risco de rebaixamento…

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