Valter Pomar: A entrevista do Cavernícola Filho para a Chapeuzinho Platinada

Tempo de leitura: 12 min

Por Valter Pomar*, em seu blog

Para quem não assistiu, faço abaixo um resumo comentado da entrevista que o Cavernícola Filho concedeu, na sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026, à Renata Lo Prete, da Globo.

Mas antes do resumo, uma síntese.

Candidato de direita mente, candidato de extrema direita mente muito, mas o Cavernícola é mais um da Famiglia a precisar, urgente, de acompanhamento especializado em sociopatia galopante.

O Miliciano usou e abusou da entrevista para atacar pesadamente o oponente, bem diferente do que fez Lula na sua respectiva entrevista, realizada no dia anterior.

A entrevista com o Cavernícola pareceu, em vários momentos, ter sido combinada. Diversas perguntas foram formuladas em termos pueris, na prática “levantando a bola para o Cavernícola cortar”. E outras perguntas indispensáveis não foram feitas, por exemplo sobre a relação com os Estados Unidos e Trump.

Em diversas questões, o Traidor da Pátria adotou uma postura explicitamente oportunista e pragmática. É o caso da votação pelo fim da escala 6×1. Seu voto foi a favor foi puro oportunismo, assim como sua promessa sobre os cortes no orçamento público e suas juras de amor em favor dos trabalhadores e pobres.

Ficou confirmado, mais uma vez, que só a eleição de Lula pode garantir a sobrevivência de muitas de nossas políticas públicas, dos reajustes acima da inflação para o salário mínimo, dos reajustes das aposentadorias e dos pisos constitucionais de saúde e educação.

Em algumas poucas questões, como aquela sobre raspar a identificação das capsulas de bala, o Cavernícola se deixou mostrar sem nenhuma maquiagem.

Sua candidatura é a dos EUA, dos fascistas e dos ultraliberais, mas também uma vitória do crime organizado.

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Seguem, agora, o ponto a ponto da entrevista, acompanhado de comentários.

O início da entrevista pareceu ter sido combinado.

A entrevistadora fez três perguntas “bem objetivas”, o entrevistado respondeu laconicamente e, imediatamente, a entrevistadora perguntou se poderia “ir para a próxima”.

As perguntas e as respostas foram, respectivamente:

“O senhor vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação?”

Resposta: “Sim”.

“O senhor vai desvincular o percentual de reajuste do mínimo, daquele usado para corrigir o valor das aposentadorias?”

Resposta “Não.”

“O senhor pretende mudar a Constituição, para eliminar os pisos de gastos com saúde e educação?”

Resposta: “Também não.”

Em seguida o Cavernícola Filho acusou o “concorrente” de promover “terrorismo”. Disse que o maior ajuste fiscal que o Brasil poderia fazer “é tirar o Lula”, que seria “o maior problema para o desencontro de contas”.

Para sustentar esta tese exdrúxula, o Cavernícola Filho usou como um dos argumentos a taxa de juros, que teria crescido 7 pontos percentuais, resultando em 1 trilhão de dívida adicional desde o final do governo do Cavernícola Pai.

Renata Lo Prete insistiu que “sem mexer” nas aposentadorias e nos pisos, não haveria como tesourar os 200 bilhões de reais que a campanha do Cavernícola Filho tem prometido como ajuste fiscal.

O Cavernícola Filho disse que a solução estaria em – que original – atacar despesas e em criar receitas novas.

Prometeu cortar 10 ministérios (não disse quais), atacar a corrupção e a má gestão das estatais, securitizar os imóveis e a dívida ativa da União, bem como utilizar os recursos do petróleo da Margem Equatorial.

Não disse se pretendia contar com Vorcaro, como conselheiro, no mister da securitização.

E, como cereja do bolo, prometeu utilizar a Inteligência Artificial na gestão, único trecho da entrevista em que mostrou que é possível ser Traidor da Pátria e, ao mesmo tempo, manter autonomia em relação a Trump, que como sabemos só admite o uso do termo “Super Inteligência”.

Renata Lo Prete, neste e noutros momentos foi excessivamente educada, apenas frisando que as contas só fecham, ou seja, só daria para cortar 200 bilhões, se o Cavernícola Filho atacasse as aposentadoras e os pisos constitucionais.

Dito isso, passou imediatamente para o tema da escala 6×1. Lembrando que sobre este tema, Lo Prete não fez nenhuma pergunta ao presidente Lula.

Renata Lo Prete lembrou que o Cavernícola foi desde o início contrário a proposta de acabar com a escala 6×1, mas acabou mudando de posição e votando a favor. E pediu ao Cavernícola Filho que explicasse essa mudança de posição.

Antes de responder, o Cavernícola Filho prometeu que não vai fazer economia “às custas das pessoas que mais precisam” e prometeu, ainda, que não vai atacar os servidores públicos.

Depois o Cavernícola Filho disse ser a favor da “liberdade”, sendo esse um dos supostos motivos que o teria levado a defender o fim da escala 6×1 e sua substituição por outra.

O sofisma passou sem questionamento da entrevistadora.

E que “outra” seria?

O Cavernícola não entrou em detalhes, mas o que ele defende é a proposta do senador Marinho, explicada aqui: Valter Pomar: Para O Globo, lutar contra a escravidão seria “oportunismo”.

O Cavernícola Filho estruturou parte de sua resposta sobre o tema da escala, em torno de uma mãe hipotética, para quem ele prometeu voucher (!!!) para conseguir vaga em creches privadas.

Tudo demagogia, mas é sintomática a preocupação em demonstrar empatia com a situação das mulheres mães solo.

Cobrado pela jornalista, que cobrou uma resposta direta, o Cavernícola filho disse ter votado a favor porque resolveu seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros, favoráveis ao fim da escala 6×1.

No fundo, ele sabia que votar pela manutenção da escala 6×1 anteciparia sua derrota na eleição presidencial.

O Cavernícola filho acrescentou, a seguir, uma tripla promessa: vai garantir o dia de folga a mais, vai devolver o poder de compra do trabalhador e, também, vai garantir que todos possam andar em segurança no seu dia a mais de folga.

Trata-se de demagogia e hipocrisia, que revelam que o Cavernícola Filho está na defensiva, tendo que fazer promessas para os trabalhadores.

Renata Lo Prete perguntou se, caso eleito, o Cavernícola Filho vai se empenhar em reverter o fim da escala 6×1.

Novamente, o Cavernícola Filho respondeu que, “da minha parte”, não fará “nenhum questionamento em relação a isso”. Mas disse também que cada um pode ter sua opinião pessoal, ou seja, a turma do PL vai continuar defendendo o projeto do senador Marinho.

Em seguida, Renata Lo Prete mudou de assunto e passou a perguntar sobre o tamanho do mandato presidencial.

O Cavernícola Filho disse que, independente do que o Congresso decida sobre o tema da reeleição, ele – caso eleito – abriria mão de disputar um segundo mandato.

O motivo de tanto desprendimento é mais que óbvio: tentar conseguir o apoio dos setores da direita que temem que a Famiglia busque perpetuar-se indefinidamente na presidência.

Nesse contexto, como em vários outros da entrevista, o Cavernícola disparou ataques contra o presidente Lula, inclusive com o objetivo de gerar “cortes” lacradores para usar nas redes sociais e no horário eleitoral gratuito.

Vale dizer que Lula, na entrevista concedida a Renata Lo Prete, não adotou esta atitude artificial.

Uma das frases lacradoras do Cavernícola Filho foi dizer que ele não estaria disputando o poder, mas sim o “futuro da Nação”. E prometeu que o centro do suposto governo dele seria “defender o trabalhador”.

É sintomático que os fascistas estejam preocupados em conquistar o voto do trabalhador, enquanto do outro lado existem alguns setores que parecem mais preocupados em buscar os setores médios, os setores de centro e outras quimeras do gênero.

Nesse contexto, o Cavernícola Filho afirmou que o trabalhador estaria perdendo a soberania sobre seu celular, sobre sua bolsa, sobre sua casa, sobre sua família.

O tema da soberania em nenhum momento foi tratado, pelo Cavernícola Filho, em termos de um novo modelo econômico, nem tampouco se fez referência aos planos neocoloniais dos Estados Unidos.

Neste ponto, como em outras passagens da entrevista, Renata Lo Prete “levantou a bola” para o Cavernícola “cortar”, dando a deixa para o Miliciano lembrar de falar que sua proposta de emenda constitucional acaba com a reeleição para presidente da República, não inclui aumentar seu suposto mandato, além de vetar o direito de parentes de até terceiro grau poderem disputar.

Novamente, o que está em jogo é tentar seduzir os setores da direita que temem que a Famiglia busque se perpetuar na Presidência.

Claro que o Cavernícola Filho apresentou isso como prova de que ele teria “desapego ao poder”, acrescentando que ele ser presidente seria “um projeto de Deus”, além de dizer que, na direita, haveria vários nomes para dar continuidade a seu “projeto de Nação”.

Neste momento, Renata Lo Prete introduziu o tema da reforma do judiciário. O Cavernícola Filho aproveitou para falar que o Judiciário tem que contribuir no futuro ajuste fiscal. E atacou Alexandre de Moraes e outros ministros do STF.

Renata Lo Prete perguntou como fica a situação do ministro Kássio Nunes Marques, envolvido com Daniel Vorcaro. O Cavernícola Filho respondeu que todo mundo tem que estar abaixo da lei. E falou da obrigação do Senado Federal iniciar o processo de impeachment contra alguns ministros, voltando a atacar Alexandre de Moraes.

Renata Lo Prete fez um reparo quase incompreensível e passou a tratar do financiamento do filme Dark Horse. Neste ponto, o Cavernícola Filho interrompeu e corrigiu algumas vezes a jornalista. Esta, por sua vez, fez uma pergunta quase cândida: “se não há nada a esconder, porque não trabalhar para que essas informações cheguem ao conhecimento do eleitor?”

Lo Prete, neste momento, pareceu Chapeuzinho Vermelho perguntando ao Lobo disfarçado de Vovó: para que todos esses dentes grandes?

Obviamente o Cavernícola respondeu que as informações acerca do Dark Horse “já vieram a público”. E aproveitou a deixa para atacar, diferenciando o que seria, de seu lado, um patrocínio privado para um filme privado (alardeado como uma “obra prima”), do que seria, de outro lado, a suposta relação de Vorcaro com o concorrente.

Para fazer essa relação, o Miliciano se apoiou no áudio gravado, na prisão, pelo banqueiro ladrão, com o óbvio propósito de prestar um serviço adicional a seu brother.

Depois de deixar o Cavernícola atacar diretamente Lula, Renata Lo Prete explicou, protocolarmente, que tem procurado “pautar as entrevistas com base em fatos estabelecidos, respaldados em investigações de órgãos competentes ou investigações jornalísticas”.

Lo Prete “sugeriu”, ainda, que o tal áudio gravado por Vorcaro na cadeia não seria um “terreno firme para pisar”. Talvez o Manual de Redação da Globo considere que fake news seria sinônimo, não de mentira descarada, mas sim de pântano argumentativo…

A entrevistadora voltou, então, a falar do filme Dark Horse, questionando a diferença entre o valor do filme e o valor que o Cavernícola Filho pediu para Vorcaro.

O Cavernícola Filho deu uma explicação ao estilo conta de padeiro, engatando a seguir três comentários: um sobre o dinheiro que o Master passou para o programa do Luciano Huck, outro sobre a exoneração de um diretor da Globo, por motivos também relacionados ao Master e Vorcaro, e um terceiro comentário atacando Vaccari e o Instituto Lula.

Nesse momento, Renata Lo Prete saiu em defesa da Globo, explicando o ponto de vista da Vênus Platinada, com uma firmeza que faltou em outros momentos da entrevista. E fez mais uma pergunta: por qual motivo o Cavernícola Filho foi pedir um patrocínio justo na empresa de Vorcaro, se havia tantos concorrentes disponíveis no mercado financeiro?

Novamente, o Cavernícola Filho respondeu o óbvio: que teria falado com vários investidores, que Vorcaro topou fazer, numa época em que ele não teria “nada de errado”.

Que essa época nunca existiu, todo mundo sabe, inclusive a Globo.

Que Vorcaro é um bandido, mafioso e proxeneta, idem.

Mas como dinheiro não tem cheiro, a entrevistadora preferiu não seguir adiante no questionamento.

Já o Cavernícola Filho aproveitou a ocasião para fazer novo ataque, desta vez contra Vaccari foi apresentado como sendo “quem toca o Instituto Lula”, informação também falsa.

A entrevistadora novamente explicou os critérios da Globo, numa tentativa – talvez orientada pelo jurídico da emissora – de não se comprometer demais com as barbaridades ditas pelo Cavernícola Filho.

Mas, cá entre nós, não há comprometimento maior do que o almoço entre o Cavernícola e a cúpula das Organizações Globo, ocorrido exatamente antes da entrevista.

Terão repassado as perguntas?

Ou o objetivo tranquilizar o entrevistado e “sugerir” à entrevistadora que não repetisse, com o brother, o que tentou fazer na véspera com o concorrente?

Em seguida, Renata Lo Prete abordou o tema Polícia Federal.

Perguntou se o Cavernícola Filho se “sente a vontade de cobrar uma atitude republicana nessa matéria”, considerando que o Cavernícola Pai demitiu seu ministro da Justiça, para evitar que tivessem prosseguimento as investigações contra sua Famiglia.

Traduzindo, Lo Prete perguntou a um criminoso se ele se sente a vontade, ao ter que mentir para cometer seus crimes.

E foi exatamente isso que o Cavernícola Filho fez: respondeu com novas mentiras descaradas, além de lembrar que hoje Sérgio Moro é, hoje, apoiador e apoiado da Famiglia.

Lo Prete passou, em seguida, à tentativa de anular a condenação do Cavernícola Pai: perguntou se o presidiário, caso solto, teria um cargo no hipotético governo do Filho.

Nesse ponto, o Filho atacou, com riqueza de detalhes, a “farsa” que teria condenado seu pai, negando peremptoriamente que tivesse existido uma tentativa de golpe.

O Filho disse, também, que se eleito presidente da República, seu pai passaria a ser “o povo brasileiro”. E agregou que seu Pai nunca tratou de cargo e nunca disse que gostaria de trabalhar no governo, logo este assunto não estaria no radar.

A resposta é curiosa, por três motivos.

Primeiro, porque o Filho não negou a possibilidade do Pai vir a assumir um cargo no seu hipotético governo.

Segundo, porque o Filho deixou claro que uma decisão a respeito de cargos caberá ao Pai, não a ele, revelando quem seria de fato o presidente.

Terceiro, porque não foi perguntado – pela jornalista da Globo – se, caso eleito presidente, o Filho usaria os poderes previstos em lei para soltar o Pai.

Mas a ausência de menção ao tema é uma confirmação indireta de que esse é o plano: soltar o Cavernícola Pai, além – é claro – de soltar, também, o brother Vorcaro e todos os condenados pela Intentona Golpista de 8 de janeiro de 2023.

Na sequência, Lo Prete perguntou se o Cavernícola Filho poderia vir a nomear seu irmão, aquele “sacrificado” que reside numa mansão na Flórida, para o cargo de Chanceler (ministro das relações exteriores).

Neste caso, o Filho disse que o Irmão não será Chanceler, aproveitando a deixa para voltar a atacar Alexandre de Moraes.

Assunto seguinte: Forças Armadas.

Lo Prete perguntou se, caso eleito, o Cavernícola Filho vai exigir dos comandantes das Armas que endossem a visão cavernícola sobre a transição de 2022 e sobre os eventos de janeiro de 2023.

Ou seja, de que não teve golpe.

A pergunta faz parte da série “Ingenuidades de Chapeuzinho Vermelho”. Afinal, estamos falando de gente que, quase sessenta anos depois, segue acreditando, afirmando e ensinando que, em 1964, não aconteceu um golpe militar.

O Cavernícola foi para cima, dizendo que tudo aquilo foi “armada para tirar o Pai da vida pública”, mas que a “farsa” não acabou com o bolsonarismo, uma vez que o Cavernícola Filho, “em nome de Jesus”, vai – supostamente – se eleger presidente.

Em seguida, o Cavernícola Filho disse que, no seu suposto governo, o papel das Forças Armadas será tomar conta das fronteiras.

Mas, logo depois, disse que, a partir de janeiro de 2027, vai reunir forças armadas e polícias estaduais para declarar guerra ao narcotráfico, tratando Comando Vermelho, PCC e Milícias (sic!) como “organizações narcoterroristas”.

Acrescentou, ainda, que a Marinha vai ser chamada a fazer papel de polícia no Porto de Santos. E agregou que o Brasil fará parte do Escudo das Américas. Acrescentou mentiras sobre o suposto “sucateamento” das Forças Armadas durante os governos petistas. E reafirmou que as FFAA vão cooperar em questões de segurança pública com as polícias estaduais.

Esse foi o momento mais Gotham City da entrevista: um Miliciano criticando as Milícias!

Renata Lo Prete preferiu não comentar que o menino tinha sangue no cabelo, escolhendo voltar ao tema da intentona golpista, perguntando outra obviedade: “o senhor considera que pessoas que fazem” o que foi feito no dia 8 de janeiro de 2023 “devem ser punidas de que forma?”

A resposta, óbvia, foi: “dentro da Lei”.

Em seguida, o Cavernícola Filho engatou novo ataque contra Lula, acusando o presidente de se vingar “dos motoboys de São Paulo” e do prefeito Ricardo Nunes.

Lo Prete pediu, então, que o Cavernícola respondesse à pergunta, mas recebeu de volta outra lacração sem nexo: “quem está depredando o Brasil é o Lula”.

A última pergunta do primeiro bloco da entrevista foi: “se o senhor perder, o senhor vai respeitar o resultado das urnas?”

A resposta foi, de novo, a mais do que óbvia: “sim”, sendo acompanhada de uma série de sandices, entre as quais responsabilizar o governo Lula pela violência contra as mulheres e pelas queimadas na Amazônia, além de dizer que o Brasil estaria sem presidente.

No segundo e último bloco da entrevista, Renata Lo Prete perguntou sobre armas, especificamente sobre um projeto de lei, apresentado pelo Cavernícola Filho, cujo propósito seria retirar a marcação das capsulas de balas compradas pelas forças de segurança.

Foi um dos momentos mais constrangedores da entrevista.

O Cavernícola Filho tergiversou explicitamente, não deixando a Renata Lo Prete outra alternativa senão insistir: “em que retirar a marcação das capsulas das balas ajudaria a combater o crime organizado e combater os bandidos?”

Novamente o Cavernícola tergiversou, falou da PEC da Segurança Pública e prometeu dureza penal, dizendo que isto tudo seria muito maior do que qualquer “detalhezinho” como este das cápsulas.

A coisa foi tão constrangedora que Renata Lo Prete disse ter entendido que ficou sem resposta.

Mas, como sabem os milicianos e criminosos em geral, a resposta existe: retirar a marcação das capsulas de balas ajuda e protege os amigos do Miliciano, a começar pelos envolvidos em roubo e contrabando de armas e munições.

Vale destacar que a Globo sabe muito bem dos riscos derivados de colocar um criminoso na presidência. Já fizeram isso em 1989, voltaram a fazer em 2018, tentaram sem êxito em 2022, mas – como se sabe – os interesses de classe vêm em primeiro lugar.

Lo Prete passou a nova pergunta, mas sobre o mesmo tema, citando pesquisas que mostram que a maioria do povo defende limitar o acesso às armas.

O Cavernícola Filho defendeu a política de liberação de armas e assumiu que vai propor mudanças no Estatuto do Desarmamento, engatando novo ataque contra o presidente Lula, neste caso acerca do Bolsa Família, que no passado, segundo o Filho, teria sido generosamente reajustado pelo Pai.

Quase no final da entrevista, Lo Prete falou sobre a prisão de Márcio Canela, criminoso eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Falou, também, de Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro. E, vestindo novamente o modelito da Chapeuzinho Vermelho, perguntou se essas revelações sobre o envolvimento criminoso de políticos “com os quais o senhor conviveu de perto, surpreenderam o senhor?”

Novamente, a resposta foi óbvia: “Surpreenderam.”

A isso o Cavernícola Filho acrescentou esperar que todos provem sua inocência, mas disse que “não tem que passar a mão na cabeça de ninguém, não”.

Lo Prete perguntou ainda sobre Saúde, levantando a bola para o Cavernícola Filho prometer que, caso eleito, daria autonomia total para um futuro ministro tomar as medidas necessárias numa situação de emergência. E acrescentou a promessa do SUS ter padrão Einstein.

Nas considerações finais, o Cavernícola Filho disse que “a Era Lula vai chegar ao fim”. E assumiu três compromissos: 1/nunca prometer aquilo que não vai conseguir cumprir e entregar; 2/devolver o poder de compra das pessoas; 3/devolver a segurança.

Assim terminou a entrevista da Vênus Platinada com o Miliciano, Ultraliberal e Traidor da Pátria.

Como Vorcaro está preso, não foi ele quem comprou o tratamento vip concedido ao entrevistado.

Que, como se pode constatar, tem uma capacidade intelectual e uma capacidade de mentir que não deixam nada a dever a seu Pai.

Afinal, quem sai aos seus não degenera, especialmente se degenerado já for.

*Valter Pomar é historiador e professor da UFABC (Universidade Federal do ABC)

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo

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