‘O mais importante depoimento sobre a decadência dos Estados Unidos’, diz Cristiano Bodart. VÍDEO
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Por Cristiano Bordart, Café com Sociologia, sugestão de Dinizia Excelsa
Estamos diante do que Hannah Arendt conceituou como banalidade do mal.
Notamos a participação ordinária de indivíduos em sistemas de violência institucional. O mal não se apresenta necessariamente como produto de intenções monstruosas, mas tem emergido da adesão acrítica às normas e da obediência burocrática que sustentam ações desumanas do governo de Donald Trump.
Olhando e lendo as notícias que vêm dos Estados Unidos, observo, estarrecido, um cenário em que parcelas significativas da sociedade demonstram uma postura de indiferença ou passividade diante de práticas estatais que implicam violações de direitos humanos, tanto no âmbito interno quanto nas políticas externas.
A naturalização de intervenções militares, a violência contra imigrantes, o encarceramento em massa e a tolerância a práticas de vigilância e controle social são elementos que me causam profundo choque. Em você não?
Não podemos reduzir tal omissão à ignorância. Trata-se de um fenômeno político e moral mais profundo, relacionado à erosão do julgamento crítico e à fragmentação da responsabilidade coletiva, frequentemente estimulada por dinâmicas associadas à extrema direita. Figuras políticas precisam ser responsabilizadas!
A banalidade do mal tem se manifestado, tanto nos agentes do Estado, quanto na passividade da sociedade estadudinense que permite a continuidade dessas práticas.
Revela-se uma crise na esfera pública e na capacidade de ação ética dos cidadãos estadudinenses.
Causa-me igual perplexidade observar políticos brasileiros que sustentam projetos de subordinação a esse governo desumano.
*Cristiano Bodart (@cristianobodart) é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).




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