Lelê Teles: Fomos enganados; são os canibais capitalistas que comem criancinhas e não os comunistas
Tempo de leitura: 3 minPor Lelê Teles
Por Lelê Teles*
“eles estão acostumados a encher a barriga com carne humana e os bolsos com dinheiro, há séculos; precisam perceber que o baile dos vampiros está acabando”, putin.
a orelha do diabo deve tá pegando fogo.
desde que vieram à luz os trevosos arquivos do endiabrado jeffrey epstein, o mundo virou a igreja do malafaia: só se fala no satanás.
descobriram que o capiroto era proprietário de uma ilha maldita, frequentada pela nata da elite mundial.
príncipes, sheiks, donos de big techs, banqueiros, toda essa malta formada por parasitas da bunda mole frequentava os cultos macabros celebrados na ilha do diabo.
sabemos agora que mulheres, meninas, crianças e bebês eram levadas ao paraíso às avessas para servirem, como escravas, aos apetites grotescos de uma gente poderosa e sem escrúpulos que comanda o poder econômico, político e midiático a nível global.
com aquele sorriso contido de um autêntico canastrão, o diabo deu uma entrevista a steve bannon, o porteiro do inferno, onde revelou a sua identidade humana.
abandonara o epíteto de legião, com o qual se identificara na bíblia, e passou a perambular por aí com um passaporte gringo onde se lia jeffrey epstein.
assim, à inglesa.
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sabe-se que se vestia como um dandee, comia bem, morava confortavelmente e era cotejado por ricaços poderosos de todo o mundo.
em sua mansão, de uma beleza pavorosa, promovia festas dionisíacas, rufiava orgias e celebrava rituais satânicos com direito a estupros e mutilações.
a coisa funcionava como uma sociedade secreta, com seus ritos iniciáticos e seus assombrosos rituais.
ali, crepitavam fogueiras onde corpos humanos eram oferecidos em sacrifício, outros eram canibalizados, enquanto libações com sangue humano jorravam das taças de cristal.
draculescos vampiros sacudiam suas asas negras, as diabas, nuas, insinuavam-se em suas danças sinuosas: as bocas, rubras, sujas de carne humana; as presas, agudas, salivantes e devorativas.
corrijo-me, não que epstein seja de facto o satanás, que o demônio é como deus, dele só se ouve falar, ninguém o vê; epstein, em verdade, é aquele cão no qual ¹mefistófeles encarnou para conversar e converter o fausto.
diferente da história contada por goethe, nesse breve relato que vos faço esse (in)fausto é uma legião, representada por esses convivas bem vestidos que aportam na ilha do diabo para celebrarem cultos ao eterno príncipe das trevas.
epstein, que era um cachorro de rua, tornou-se um cão domesticado pelas mãos de ²barr, que o adestrou para ser o cavalo do diabo, o receptáculo humano do espírito maligno.
dissimulado e escorregaduo, esse diabo encarnado surgiu do nada e pro nada voltou!
toda vez que epstein ria, correndo atrás de uma criança seminua, o seu esgar de boca revelava a arcada infame de mefistófeles sorrindo nele.
estuprador, traficante de pessoas, pedófilo, canibal, torturador, verme maldito!
encontraram, a pouco, na sua casa macabra, uma cova rasa com restos mortais de mulheres e crianças.
quantas foram sequestradas mundo afora para satisfazer as parafilias grotescas dessa gente bizarra?
nunca o saberemos.
mas é sabido que filhos e filhas de gente poderosa também frequentavam a ilha.
ali, as crianças eram submetidas a um choque de devassidão e perversões.
os pornólotras promoviam esses ritos iniciáticos às suas crias para controlar suas emoções por meio do trauma.
assim, preparavam os pequenos para dominarem o mundo, treinando suas mentes, controlando suas emoções, tornando-os robôs humanos.
insensíveis, insensatos e insanos!
eles devem estar preparados para lidar com o fato de que suas fortunas advêm da miséria humana, e é preciso que sintam prazer nisso.
crianças devem morrer aos montes em guerras sem sentido, porque isso faz parte da ritualística.
é preciso fabricar doenças para se fabricar ainda mais remédios, é necessário promover a fome dos miseráveis para garantir o banquete dos ricos.
o baile dos vampiros exige sangue.
creio, honestamente, que nada acontecerá com nadie, daqui a pouco ninguém fala mais nisso.
epstein desapareceu atrás de uma coluna de fumaça, deixando os espíritos malignos numa vara de porcos, que caíram num precipício.
essa será a narrativa.
já começam, descaradamente, a ventilar que os pobres bilionários, veja você, foram enganados por epstein.
que era o diabo quem atraía essa gente para as orgias de jeffrey, que as filmava sodomizando crianças, para depois chantageá-las.
querem nos fazer crer que essa gente abria a barriga de bebês para comer suas fezes só porque estavam sendo chantageadas por jeffrey.
pelas barbas de baphomet!
e não nos esqueçamos, essa ilha já existiu no passado, chamava-se cuba, e era um enorme prostíbulo onde a gente rica satisfazia suas parafilias em cassinos, cabarés e bordéis.
tomando rum, fumando charutos e ³trottoando no ⁴malecon.
antes da revolução, cuba tinha cem mil prostitutas que serviam a esses depravados.
enganaram-nos com a conversa mole de que os comunistas comiam crianças, hoje sabemos que são os canibais capitalistas que o fazem.
palavra da salvação.
*Lelê Teles é jornalista, roteirista e mestre em Cinema e Narrativas Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS)
¹ mefistófeles é o demônio que oferece ao dr. fausto conhecimento e poder em troca de sua alma, tema central da obra de goethe.
² foi donald barr quem contratou epstein, sem diploma!, como professor na dalton school.
³ trottoir, calçada em francês, lugar onde as prostitutas fazem ponto.
⁴ malecon, calçadão à beira-mar, em havana.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
Lelê Teles
Lelê Teles é jornalista, roteirista e mestre em Cinema e Narrativas Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).




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