Jeferson Miola: O roubo [coreografado] da maior reserva de petróleo do mundo

Tempo de leitura: 3 min
Ilustração: Javier Royo

O roubo [coreografado] da maior reserva de petróleo do mundo

Por Jeferson Miola, em seu blog

O Ano Novo começou com mais um grave crime cometido pela potência imperial do mundo.

A invasão e o bombardeio da Venezuela, mais o sequestro do presidente Nicolás Maduro, são atos terroristas dos Estados Unidos para se apoderarem da maior reserva certificada de petróleo do mundo.

Os EUA nunca esconderam que jamais aceitariam uma “nova Cuba” no hemisfério americano. Representaria uma derrota humilhante para o poder imperial.

Desde que Hugo Chávez conquistou a presidência e depois o poder pela via eleitoral em 1998, todos governos dos EUA –democratas e republicanos– promoveram mecanismos permanentes de desestabilização política, bloqueio econômico e apoio financeiro à oposição ultradireitista.

Mas, na realidade, é o petróleo venezuelano abundante, em quantidade maior que qualquer outro país do mundo, que sempre esteve na mira do establishment estadunidense e que orientou a política intervencionista adotada nos últimos 27 anos pelos EUA em relação à Venezuela.

Trump retomou com força a Doutrina Monroe em relação às Américas, é verdade, mas a atual estratégia bélica agressiva tem tudo a ver com o objetivo imperialista de dominar as principais fontes de petróleo do mundo com métodos mafiosos.

Na última semana, Trump bombardeou a Nigéria, maior produtor de petróleo da África, sob o pretexto de combater o Estado Islâmico. E retomou as ameaças de agressão militar ao Irã, o segundo produtor de petróleo da OPEP e controlador do Estreito de Ormuz, por onde circula via marítima 20% de todo petróleo do mundo.

Na entrevista sobre a ação ilegal na Venezuela, Trump exaltou a “demonstração estonteante do poderio militar dos EUA”, condição que “nenhuma nação do mundo poderia atingir”.

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O “laranjão” da lista de pedófilos de Jeffrey Epstein foi explícito quanto ao objetivo exclusivo da operação ilegal: a re-apropriação do petróleo e da renda petroleira venezuelana, cujo domínio os EUA perderam com a Revolução Chavista-Bolivariana.

A mentira de que Maduro teria sido “capturado” [na realidade ele foi sequestrado] devido à suposta prática de “narcoterrorismo contra os EUA e seus cidadãos” foi mero adereço no pronunciamento de Trump.

Desta vez a falsidade ficou totalmente desmascarada. Nem será necessário aguardar o laudo de inspetores internacionais para desmenti-la, como foi no caso das falsas armas químicas que pretextaram a invasão e colonização do Iraque em 2003 com o propósito, também, de se apossar do petróleo daquele país.

Trump deixou claríssimo que o motivo central da operação foi para roubar as maiores reservas de petróleo do mundo.

“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, ele disse.

No surto de delírio que não foi questionado por nenhum jornalista durante a entrevista, Trump afirmou que “construímos a indústria de petróleo [na Venezuela], e eles [os chavistas] se apoderaram do ‘nosso’ petróleo”.

Trump disse, ainda, que os EUA vão “administrar o país até que uma transição aconteça”, surpreendendo ao descartar dessa transição a oposicionista Maria Corina Machado, como seria esperável.

“Ela não tem apoio nem respeito dentro do próprio país. É uma mulher muito gentil, mas não inspira respeito”, ele disse ao vivo, a cores e com todas as letras para todo o mundo que o escutava.

A transição, se é que se pode dizer dessa forma, já se consumou em menos de 12 horas depois da agressão ao país, e se caracteriza pela continuidade do regime chavista sem Nicolás Maduro, mas com a vice Delcy Rodriguez no lugar dele.

Trump destacou que Marco Rubio está em contato com a agora presidente da Venezuela, e que “ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”.

A maneira fácil como os EUA invadiram o espaço aéreo venezuelano com apoio de forças militares estadunidenses por terra e sequestraram Maduro causou estupefação e surpresa, e foi considerado por fontes venezuelanas consultadas como sinal de algum tipo de coreografia prévia de países relevantes no tabuleiro mundial em concertação com atores políticos venezuelanos civis e militares que conformam o bloco cívico-militar de poder.

A China e a Rússia, duas potências mundiais rivais dos EUA, já tinham reduzido o apoio ao líder venezuelano, e isso desobrigou o Brasil, uma liderança regional de ínfima capacidade bélica, a defendê-lo com fervor não demonstrado pelos mais poderosos.

Maduro deve ter pressentido esse isolamento internacional e regional e tentou reagir, porém o fez tardiamente.

Na entrevista a Inácio Ramonet no dia 1º de janeiro [minuto 51:30”], Maduro disse, em tom que pode ser interpretado como de rendição, que “os EUA sabem que se querem conversar seriamente de um acordo de combate contra o narcotráfico, estamos prontos. Que se querem petróleo da Venezuela, está pronta a Venezuela para investir nisso como com Chevron – quando queiram, onde queiram e como queiram”.

Pelo visto, quando Maduro entendeu que poderiam haver fissuras no interior do bloco chavista em torno de uma estratégia de sobrevivência do regime sem a liderança dele, já era tarde demais.

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Comentários

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Arnon Silva

Vcs viram ou ouviram em algum lugar a palavra dos paises europeus como França, Italia, Alemanha, Inglaterra ?

É foda, né.

É o teatro do absurdo.

Como pode acontecer uma coisa dessas e ninguem fazer nada. Simplesmente se calam como se nada tivesse acontecido.
Esses paises só sao ricos pq assaltaram a America, Africa e Asia. Explica-se facilmente o sucesso deles nas revolucoes industriais pq roubaram o resto do mundo,

E na Arábia Saudita, os EUA vao fazer o mesmo lá ?

Zé Maria

Os Larápios do Norte já nem escondem mais
que invadem os Países para efetivamente roubar
todas as Riquezas Minerais Alheias.

Zé Maria

Não esqueçam de que, historicamente,
a Mentira Mais Óbvia Repetida à Exaustão
pelos Estados Unidos DA América (EUA)
é Convertida em Verdade Absoluta pelos
Tentáculos Midiáticos Internacionais.

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