O ruidoso — e cômico — desabar de símbolos do combate à corrupção
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Da Redação
A imagem à esquerda, é, obviamente, uma montagem.
A da direita, não: o deputado federal Fernando Francischini, do Solidariedade, aliado de Eduardo Cunha, apresentou ao príncipe Akishino, do Japão, em novembro do ano passado, um cartaz com a seguinte inscrição:
“Queremos o impeachment da presidente Dilma Rousseff porque esperamos que o Brasil se torne tão honrado quanto o Japão”.
Além da dupla demonstração de sabujice diante de uma autoridade estrangeira — escreveu em inglês e falou mal do próprio país –, quem segura o cartaz responde a processo pelo espancamento de professores no Paraná e está enrolado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral, homologada hoje pelo STF, com acusações à presidente Dilma, ao ex-presidente Lula e ao líder tucano Aécio Neves, dentre outros.
As declarações de Delcídio precisam, obviamente, ser confirmadas por provas materiais.
“Delcídio diz que os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB) e os deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR) cobravam de empreiteiros para não serem convocados na CPI da Petrobras”, diz o trecho da delação que vazou à revista IstoÉ. Francischini nega peremptoriamente.
Mas, por que Delcídio teria dito a verdade sobre Dilma — justificando, assim, o impeachment — e mentido sobre Francischini?
No mínimo, o aliado de Eduardo Cunha — sobre quem existem as provas mais contundentes de corrupção até agora — fica numa situação constrangedora para explicar a contradição.
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Quanto ao “japonês da federal”, adotado como mascote da direita, está a uma instância de ser condenado definitivamente por contrabando:
OPERAÇÃO SUCURI
STJ mantém condenação de “japonês da federal” por corrupção
Ishii, que ficou conhecido como “japonês da federal” ao escoltar presos e investigados da Lava Jato, foi um dos 19 policiais federais alvos da Operação Sucuri
Diário de Pernambuco, 15/03/2016
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou parcialmente o recurso do agente da Polícia Federal no Paraná Newton Ishii e manteve a sentença da Justiça Federal no Paraná que o condenou por corrupção e descaminho, ao facilitar a entrada no Brasil de produtos contrabandeados do Paraguai.
Ishii, que ficou conhecido como “japonês da federal” ao escoltar presos e investigados da Lava Jato e até ganhou marchinha de carnaval, foi um dos 19 policiais federais alvos da Operação Sucuri, deflagrada em 2003 para apurar um esquema formado por agentes da PF e da Receita Federal que facilitava o contrabando de produtos ilegais na fronteira com o Paraguai em Foz do Iguaçu (PR).
A decisão do ministro Félix Fischer acata em parte o recurso de três réus, entre eles Ishii, e reduzir a pena de um deles. A decisão, contudo, não identifica os réus e não deixa claro qual a condenação de Ishii. A defesa do agente alega que ele foi condenado a pagar apenas cestas básicas e informou que já recorreu da decisão do STJ.
Atualmente, Ishii responde a três processos, derivados da Operação Sucuri, sendo um na esfera criminal, outro administrativo e um terceiro por improbidade administrativa. Todos estão em andamento.
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