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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Rogério Correia: Cegueira seletiva no caso da Lista de Furnas

15 de março de 2014 às 12h52

Lobista do caso Alstom atuou em Furnas

Papéis da Suíça indicam que suspeito de pagar propina a agentes públicos de SP também teria subornado funcionários da estatal federal

12 de março de 2014 | 2h 06

Ampliado às 9h05 – Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

Um lobista acusado de ser intermediário de propinas da Alstom a agentes públicos de estatais de energia de São Paulo é suspeito de ter repetido o mesmo esquema em Furnas, empresa do governo federal.

Romeu Pinto Jr. é um dos 11 réus no processo criminal aberto pela Justiça Federal em São Paulo em janeiro. Ele é acusado de lavar dinheiro da Alstom que serviria para pagar ex-diretores de uma extinta estatal de energia paulista entre 1998 e 2002.

Em troca da propina, segundo procuradores, a Alstom conseguiu obter um aditivo de contrato no valor atualizado de R$ 181,3 milhões com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE).

Documentos suíços enviados ao Brasil agora também mostram que a MCA Uruguay, offshore pertencente a Pinto Jr., assinou em 5 de maio de 1998 um contrato com a Cegelec, subsidiária da Alstom, para consultoria em um projeto que envolvia o fornecimento de um sistema de telecomunicações para Furnas. O contrato da Cegelec com Furnas era de cerca de US$ 13,4 milhões, em valores da época.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o setor elétrico foi controlado pelo PFL, hoje Democratas.

Na documentação enviada às autoridades brasileiras que investigam a Alstom, há recibos de Pinto Jr. à Cegelec em que o lobista solicita o depósito de valores em uma conta de Nova York. Ao todo, são cinco recibos emitidos num total de US$ 1,2 milhão.

Junto com os recibos os procuradores suíços enviaram as correspondentes ordens de transferência bancária emitidas pela Cegelec a dois bancos franceses, o Societé Generale e o Crédit Agricole. Nelas, a empresa solicita que as instituições financeiras transfiram para a conta do lobista em Nova York, no banco Audi, os valores apontados por Pinto Jr. nos recibos.

Como os contratos da consultoria de Pinto Jr. com a subsidiária que prestava serviço em Furnas e com a multinacional que prestava serviço em São Paulo são da mesma época, não há como separar o dinheiro que circulou nas contas do lobista.

A tentativa de descobrir o caminho do dinheiro revelou, porém, que Pinto Jr. transferiu US$ 222 mil para uma outra conta, esta ligada a Sabino Indelicato, que também é réu no processo envolvendo a Alstom em São Paulo. Indelicato foi intermediário do dinheiro que chegou à conta na Suíça do ex-chefe da Casa Civil do governador Mário Covas (PSDB) e hoje conselheiro do Tribunal de Contas paulista, Robson Marinho.

Em depoimento de 2009 ao Ministério Público, Pinto Jr. admitiu que não prestou os serviços pelos quais emitiu recibos à Alstom no âmbito do contrato em São Paulo, e disse que repassou o dinheiro a motoboys indicados por doleiros. Pinto Jr. também afirmou que a offshore foi criada por um ex-diretor financeiro da Alstom na França que controlava contas da empresa no exterior.

O lobista prestou ainda um outro depoimento, a pedido das autoridades suíças, no qual negou ter tido envolvimento “em qualquer projeto de telecomunicações envolvendo a Cegelec/Alstom e a companhia Furnas”.

O advogado de Pinto Jr., contudo, contradisse ontem seu cliente e afirmou que os serviços foram, sim, prestados à Cegelec.

A prática de contratação de consultorias fictícias para o pagamento de propina levou a Alstom a ser condenada judicialmente fora do Brasil. Em dezembro, a multinacional anunciou que decidiu abolir a contratação de consultorias para atividades comerciais.

Sem serviço. Em 2006, em depoimento na Polícia Federal, um ex-superintendente da Toshiba, José Antonio Talavera, afirmou que a Alstom integrava um “clube da propina” que subornava políticos e dirigentes de empresas estatais do setor elétrico para obter contratos, inclusive em Furnas.

Defesa. “Não sei sobre esse contrato, mas se ele existe certamente foi honrado”, declarou o advogado Henrique Fagundes, que defende Romeu Pinto Jr.. “Todos os serviços de consultoria de Romeu foram efetivamente prestados, de forma correta.” Fagundes disse que a defesa “vai comprovar que a MCA recebeu por serviços prestados não da Alstom, mas da Alcatel (empresa de telecomunicação)”.

Furnas esclareceu que a atual gestão não tem conhecimento de nenhum dos fatos. A empresa afirmou que, como se trata de contrato antigo, hoje poderá providenciar informações. A Alstom disse que tem implementado “regras estritas de conformidade e ética que devem ser aderidas por todos os funcionários”.

*****

QUARTA-FEIRA, 12 DE MARÇO DE 2014, 18:41 HS

O caso Furnas e a cegueira seletiva da justiça mineira

Por Rogério Correia, em seu blog*

A notícia veiculada pelo Estadão nesta quarta-feira, 12 de março, de que o lobista da Alstom é o mesmo do esquema de Furnas acrescenta mais uma prova à existência de lavagem de dinheiro através da estatal. Enquanto isso, o jornalista Marco Aurélio Carone, principal divulgador de informações sobre o esquema de corrupção conhecido como Lista de Furnas, permanece preso sob o silêncio da mídia e da justiça mineira.

Já são muitos os fatos que remontam à existência do esquema em Furnas: o relatório da Polícia Federal comprovando a autenticidade da Lista de Furnas, a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro detalhando o esquema, a denúncia de Roberto Jefferson, o recibo apresentado pelo deputado Antônio Júlio e agora a ligação entre Furnas e o caso Alstom. Contudo, parece que nada disso é suficiente para enquadrar o alto escalão do tucanato e reverter a situação do preso político Marco Aurélio Carone.

O silêncio sobre a prisão de Carone evidencia a estratégia de “dois pesos, duas medidas” adotada pelo judiciário em Minas Gerais: enquanto o jornalista, juntamente com o lobista Nilton Monteiro, segue preso mesmo sem condenação; os condenados de Felisburgo agora gozam dos privilégios de um habeas corpus. Tudo ao sabor dos governantes do estado.

Leia também:

A cobertura marota da Folha sobre o mensalão tucano e a lista de Furnas

 

7 Comentários escrever comentário »

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hc

17/03/2014 - 22h04

Percebam que o jornalista preso se torna incomunicável, agora vemos qual o perigo que ele representava?

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sagarana

17/03/2014 - 11h18

A “lista de furnas” é papel forjado!

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Francisco

16/03/2014 - 10h31

Perrela teve os direitos politicos suspensos por sujeiras feitas lá pelos anos anos 2002. A CBN divulgou a noticia somente uma vez, com soe acontecer, atraves do reporter Itamar Mayrinq. A pena, como sempre, cabe recursos e,certamente, o íntegro senador será inocentado. Gostaria que o dep. Rogerio Correa, eu votei em voce, nos desse maiores detalhes a respeito deste assunto. A graande radio Itatiaia, Eduardo Costa e Carlos Viana não falaram nadinha do assunto. O radiozinha sem vergonha.

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ANDRE

15/03/2014 - 23h16

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/aecio-paga-escritorio-para-combater-quadrilha-virtual/
Aécio paga escritório para combater ‘quadrilha virtual’

Aécio Neves montou uma estrutura jurídica e de comunicação específica para combater o que os tucanos estão chamando de “quadrilhas virtuais”.

O partido mobilizou uma equipe em sua sede nacional, em Brasília, para monitorar as redes sociais e identificar na internet a origem de posts e publicações que denigrem a imagem do presidenciável.

O grupo já está agindo de forma coordenada com o escritório Opice Blum advogados, que fica em São Paulo e é especializado em direito digital.

Responsável pela operação de blindagem, o deputado federal Carlos Sampaio (SP), coordenador jurídico do PSDB, acredita que Aécio está sendo vítima de uma ação subterrânea de difamação. “O PSDB vai, a partir de agora, fazer uma ofensiva efetiva contra as quadrilhas virtuais”, disse Sampaio.

Segundo o deputado, esses grupos usam ferramentas como fazendas de links – robôs que tentam manipular os resultados dos sites de busca, a fim de dar mais destaque a um determinado conteúdo – para espalhar rumores contra o tucano.

A estrutura jurídica já está em operação, mas por ora não obteve resultado favorável nos tribunais. No mês passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou recurso de Aécio em um processo no qual ele pedia para os sites de busca Google, Yahoo e Bing, da Microsoft, retirarem do ar links de páginas com referência a um suposto desvio R$ 4,3 bi da Saúde quando o tucano era governador de Minas.

Aécio ainda entrou com outro processo no TJ-SP, este correndo em segredo de Justiça, para que sejam retiradas do ar postagens em redes sociais que fazem referência ao suposto uso de entorpecentes por ele.

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    Julio Silveira

    16/03/2014 - 09h02

    Vai encontrar na outra ponta seu principal adversário, o de partido. Mas isso ficará sob sigilo profissional.

Francisco

15/03/2014 - 23h02

Meia tonelada de cocaína. O resto é detalhe…

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Rogério Correia

15/03/2014 - 13h51

Foram soltos com habeas corpus do TJMG todos os médicos condenados por tráfego de órgãos em Poços de Caldas e o pai da criança assassinada,que denunciou o esquema,está banido do país devido as ameaças que sofreu.
Isto é a Minas do Senador Aêcio ,que agora quer censurar previamente todas referências que o denuncie,especialmente por desvio de recurso e suspeita de uso de drogas.
E permanece preso e censurado um jornalista e um denunciante do mensalão tucano e da lista de Furnas.Quando penso que escapei de ser cassado por denúncias contra ele,me pergunto como conseguimos.Fazer oposição em Minas é correr perigo!

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