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Nicolelis: “Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq”

10 de janeiro de 2011 às 17h32

Integração entre cérebro e máquinas vai influenciar evolução

Para Nicolelis, corpo não vai mais limitar ação da mente sobre o mundo. Pesquisador também comenta os desafios impostos à ciência no País pela burocracia e desorganização

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo, via Plano Brasil

Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio. Pioneiro nos estudos sobre interface cérebro-máquina, suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science. Na quarta-feira, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Ao Estado, Nicolelis falou sobre o impacto da neurociência no futuro da humanidade. Criticou de forma contundente a gestão científica no País, especialmente em São Paulo. Também questionou os critérios – marcadamente políticos – que teriam norteado a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Para onde a neurociência deve nos levar nos próximos anos?

No curto prazo, penso que as principais aplicações serão na medicina com novos métodos de reabilitação neurológica, para tratar condições como paralisia. No médio, chegarão as aplicações computacionais. Nossa relação com as máquinas será completamente diferente: não usaremos mais teclados, monitores, mouse… o computador convencional deixará de existir. Vamos submergir em sistemas virtuais e nos comunicaremos diretamente com eles.

No longo prazo, o corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação no mundo. Nossa mente poderá atuar com máquinas que estão à distância e operar dispositivos de proporções nanométricas ou gigantescas: de uma nave espacial a uma ferramenta que penetra no espaço entre duas células para corrigir um defeito. E, no longuíssimo prazo, a evolução humana vai se acelerar. Nosso cérebro roubará um pouco o controle que os genes têm hoje. Daqui a três meses, publicarei um livro em que comento estes temas.

O que você chama de curto, médio, longo e longuíssimo prazo?

Curto prazo são os próximos anos. Médio prazo, nas próximas duas décadas. Longo prazo, no próximo século. Longuíssimo prazo, alguns milhares de anos.

Como andam suas linhas de pesquisa na medicina?

Estamos avançando rapidamente no exoesqueleto (um dispositivo que dá sustentação ao corpo de uma pessoa paralisada e é capaz de mover-se obedecendo ao controle da mente). Está sendo desenvolvido na Alemanha. Para o treinamento dos pacientes, construímos salas virtuais onde pessoas paralisadas terão sua atividade cerebral registrada de forma não-invasiva por magneto-encefalógrafos. Vamos ver se elas aprendem a controlar com o pensamento os movimentos de um corpo virtual – um avatar que simula o exoesqueleto. Com uma pessoa tetraplégica será mais fácil, pois é justificável o uso de métodos invasivos como implantar os eletrodos dois milímetros e meio dentro do cérebro. As descobertas vitais já foram feitas. Nosso drama agora é engenharia e conseguir recursos para pagar um projeto que é o equivalente, na neurociência, a uma viagem à Lua.

Outra linha de pesquisa importante em medicina é Parkinson. No ano passado, publicamos um trabalho na Science. Estimulamos com eletricidade a medula espinhal de ratos com Parkinson e conseguimos reverter o congelamento motor característico da doença. Há um milhão de fibras na medula espinhal que sobem para o cérebro. Mandamos uma descarga de alta frequência que chega aos centros motores profundos do cérebro e faz com que eles saiam da sincronia absoluta característica da doença, pois estão todos disparando impulsos nervosos ao mesmo tempo, de um modo semelhante ao que ocorre em uma crise epiléptica. O sinal elétrico tem um efeito caótico que quebra a crise.

Também temos resultados preliminares em macacos obtidos aqui em Natal. Infelizmente, o Hospital Sírio-Libanês não quer continuar a parceria com nosso instituto. Por isso, procuramos outro hospital de grande porte, público ou privado, onde possamos realizar os testes clínicos, talvez já no próximo ano. Gostaria muito de marcar que a tradução dessa pesquisa para a prática clínica aconteceu aqui no Brasil, pois acredito que a Medicina brasileira é a melhor do mundo. Estou propondo uma nova teoria que vai provavelmente acabar com minha carreira (risos). Acredito que não há distinção entre doenças neurológicas e psiquiátricas: todas elas são doenças temporais, relacionadas ao tempo dos neurônios, ou seja, variantes epilépticas. A única doença do cérebro que existe realmente seria uma epilepsia. Já publicamos três trabalhos este ano com modelos de doenças ditas psiquiátricas e, em todas, encontramos uma assinatura temporal que permite classificá-las como distúrbios do tempo, epilépticos. A ideia surgiu quando vi os registros eletrofisiológicos de ratos com Parkinson e eles lembraram muito os registros de uma crise epiléptica central que conheci quando era estudante.

No médio prazo, ainda precisaremos dos nossos sentidos para dialogar com sistemas computacionais?

Em breve, vamos publicar um trabalho descrevendo o envio do sinal de uma máquina diretamente ao tecido neural de um animal, sem mediação dos sentidos: na prática, criamos um sexto sentido. Vai ser uma novidade explosiva, mas não posso dar mais detalhes, pois o artigo ainda não foi publicado. A internet como conhecemos vai desaparecer. Teremos uma verdadeira rede cerebral. A comunicação não será mediada pela linguagem, que deixará de ser o principal canal de comunicação. Para entender isso, basta pensar que toda linguagem é um comportamento motor – como mexer o braço. Esse comportamento motor também poderá ser decodificado e transmitido. Grandes empresas – como Google, Intel, Microsoft – já tem suas divisões de interface cérebro-máquina.

Quais as implicações antropológicas e sociológicas no longo prazo?

Talvez o primeiro impacto será descobrir que somos todos muito parecidos: as pretensas diferenças entre grupos de seres humanos vão se reduzir pois todos perceberão que somos iguais. Costumo dizer que será a verdadeira libertação da mente do corpo, porque será ela quem determinará nosso alcance e potencial de ação na natureza. O corpo permanecerá para manter a mente viva, mas não precisará atuar fisicamente. Nossa mente cria as ferramentas e as absorve como extensão do nosso corpo. Agora, a mente vai controlar diretamente as ferramentas. O que definimos como ser mudará drasticamente no próximo século.

De que modo a evolução poderá ser influenciada pelo cérebro?

O processo de seleção natural vai agir de uma forma muito mais rápida. Em um mundo onde as pessoas terão de atuar com a atenção dividida entre múltiplas ferramentas, os atributos evolucionais necessários para sobreviver mudam. A mente que consegue controlar vários processos de forma eficaz tem uma vantagem evolucional sobre as outras. Há uma base genética para essa facilidade. À medida que gente com essa vantagem se reproduz mais que os outros, ocorre seleção. Várias pessoas – como os biólogos evolucionistas Richard Dawkins e Stephen Jay Gould – previram que o cérebro passaria a ter um papel mais fundamental na evolução. Mas creio que estamos acelerando este papel. Os neandertais acordaram um dia e encontraram o Homo sapiens jogando bola na esquina da casa deles. Um dia, um sujeito pode acordar e se dar conta de que ele já não pertence mais à espécie dos pais. Mas estamos falando de milênios aqui.

Sua abordagem para criar uma interface cérebro-maquina foi listada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) como uma das dez tecnologias que vão mudar o mundo. Como ela surgiu?

Nós – eu e o neurocientista John Chapin – elaboramos um experimento para contestar a doutrina neuronal dominante no século 20 – que rendeu vários prêmios Nobel. Esta teoria estabelecia o neurônio como unidade funcional do sistema nervoso. Nós provamos que a unidade funcional é uma população de células. Um neurônio isolado – que sozinho constitui, de fato, uma unidade anatômica e computacional – não consegue reunir informação suficiente para gerar comportamento, principal função do cérebro. No fim da década de 80, tivemos a ideia de ligar um cérebro de rato a um robô para mostrar que mesmo o neurônio mais fenomenal não gera movimento. Mas, quando registrávamos populações de cinquenta neurônios – mesmo escolhendo-os de forma aleatória -, o animal conseguia movimentar o braço mecânico como se fosse o seu próprio. Não esperávamos um impacto tão grande. Construímos o primeiro centro de neuroengenharia do mundo na Universidade Duke. Agora, qualquer oficina de fundo de quintal nos Estados Unidos tem um centro de neuroengenharia. Há uma explosão de iniciativas no mundo inteiro: Japão, Suíça, Brasil…

Quais os principais desafios para aprimorar essa tecnologia?

Conseguimos registrar hoje cerca de 600 neurônios. Nos próximos dois anos, vamos chegar a 60 mil graças a uma inovadora tecnologia de eletrodos tridimensionais. De qualquer forma, é um método invasivo, o que restringe seu uso. Ninguém vai inserir eletrodos no cérebro para brincar com jogos na internet. Precisamos descobrir técnicas não-invasivas, mas que tenham a mesma resolução para registrar os neurônios.

O que é “registrar neurônios”?

Colocamos eletrodos no cérebro e registramos a atividade elétrica dos neurônios. Se você colocar os dados obtidos pelos eletrodos em uma tela de computador, não vai entender nada. É como olhar um programa binário de computador. Há uma mensagem codificada ali, mas com um código que está mudando continuamente, pois o cérebro é um sistema auto-adaptativo: cada vez que você faz alguma coisa, ele muda. Precisávamos descobrir um modo de extrair a informação motora dessas salvas de eletricidade que são, na realidade, padrões espaço-temporais que variam com o tempo. De início, parecia ruído… em boa medida, porque é mesmo ruído Poisson, como costumamos chamar. Mas percebemos que, com métodos de regressão linear, conseguíamos obter a informação. A partir daí, deixamos o próprio cérebro atuar como nosso computador: ele resolvia o sistema de equações lineares e encontrava um equilíbrio ótimo que aproveitávamos para estabelecer a interface.

O que você acha da política científica brasileira?

Está ultrapassada. Principalmente, a gestão científica. Foi por isso que eu escrevi o Manifesto da Ciência Tropical (PS do Viomundo: publicado primeiro aqui mesmo, neste espaço). O mais importante nós temos: o talento humano. Mas ele é rapidamente sufocado por normas absurdas dentro das universidades. Não podemos mais fazer pesquisa de forma amadora. Devemos ter uma carreira para pesquisadores em tempo integral e oferecer um suporte administrativo profissional aos cientistas.

Visitei um dos melhores institutos de física do País, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o pessoal não tem suporte nenhum. Se um americano do Instituto de Física da Universidade Duke visitar os pesquisadores brasileiros, não vai acreditar. Eles tomam conta do auditório, fazem os cheques e compram as coisas, porque não é permitido ter gestores científicos com formação específica para este trabalho. Nós preferimos tirar cientistas que despontaram da academia. Aqui no Brasil há a cultura de que, subindo na carreira científica, o último passo de glória é virar um administrador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ou da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É uma tragédia. Esses caras não tem formação para administrar nada. Nem a casa deles. Não temos quadros de gestores. A gente gasta muito dinheiro e presta muita atenção em besteira e não investe naquilo que é fundamental.

Qual é a diferença nos mecanismos de financiamento e gestão científica nos EUA e no Brasil?

O investimento privado e público americano – sem contar os gastos do Pentágono que, em parte, são sigilosos – é equiparável: cerca de US$ 250 bilhões anuais cada um (o equivalente a R$ 425 bilhões). Eles também enfrentam o problema de que as empresas privadas não costumam investir em pesquisa pura, meio de cultura de onde saem as ideias aplicadas. Contudo, o governo não investe só em universidades. Ele também coloca dinheiro em empresas e em institutos de pesquisa privados. Este é o segredo.

No Brasil, a grande maioria dos mecanismos públicos de financiamento está voltado para universidades públicas. Sendo assim, você não contrata cientistas e técnicos para um projeto, pois depende dos quadros da universidade. Mas esses quadros estão dando 300 horas de aula por semestre. Não dá para competir com um chinês que está em Berkeley pesquisando o dia inteiro e recebendo milhões de dólares para contratar quem ele quiser. Como fazer ciência sem gente?

Na realidade, os americanos não contam com pessoas mais capazes lá. O que eles têm de diferente é um número muito maior de pesquisadores, processos eficientes, gestão científica profissional – a melhor jamais inventada – e dinheiro. Nos Estados Unidos, sou visto como um pequeno empreendedor. Recebo dinheiro do governo americano e uma parcela menor de investimento privado. Tenho assim uma “padaria” que faz ciência: posso contratar o padeiro, o faxineiro e a atendente de acordo com as necessidades do projeto. Esse empreendedorismo não é permitido pelas leis brasileiras. As mesmas regras que regem o gasto de quaisquer dez mil réis que um cientista ganha do governo federal servem para controlar licitações de centenas de milhões de reais para a construção de estradas, hidrelétricas…

Achar que um cientista vai desviar dinheiro para fazer fortuna pessoal é absurdo. O processo de financiamento deve ser mais aberto, com mecanismos simples de auditoria. Além disso, deveria ser mais fácil importar insumos e, com o tempo, precisaríamos atrair empresas para produzi-los aqui. É um absurdo ver anticorpos apodrecerem no aeroporto de Guarulhos por causa da burocracia. Alguém no topo da pirâmide – o presidente da República ou o ministro da Ciência e Tecnologia – precisa dizer: “Chega. Acabou a brincadeira.”

É um desperdício gigantesco de talento e de dinheiro. A China está recuperando pesquisadores que emigraram para os EUA oferecendo condições de trabalho ainda melhores que as americanas. Milhares de brasileiros voltariam ao Brasil se tivessem melhores condições para trabalhar. Mas o sujeito vem para uma universidade federal e é obrigado a dar 300 horas de aula por semestre. Perdemos o talento. Além disso, ele conquista a estabilidade de forma quase automática. Que motivação vai ter para crescer? Há talentos, mas os processos são medievais. E o cientista brasileiro tem muito receito de bater de frente com as autoridades para reivindicar o que ele realmente precisa.

Quanto o Brasil deveria investir em ciência?

O Brasil precisa investir de 4% a 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em ciência e tecnologia para encarar a China, a Índia, a Rússia, os Estados Unidos, a Coreia do Sul… esses são os jogadores com quem devemos nos equiparar. É o mesmo porcentual que já investimos em educação. É essencial realizar os dois investimentos: por um lado, para formar gente e iniciar a revolução educacional que o País precisa; por outro, para usar o potencial intelectual dessas pessoas na produção de algo para o País. Atualmente, investimos 1,3% do PIB. No Japão, é quase 4%. Isso explica muita coisa.

Você afirmou diversas vezes que a ciência precisa ser democratizada no País.

Sem dúvida. É uma atividade extremamente elitizada. Não temos a penetração popular adequada nas universidades. Quantos doutores são índios ou negros? A ciência deve ir ao encontro da sociedade brasileira. Essa foi uma das razões que me motivaram a escrever o manifesto. Até bem pouco tempo, a ciência era uma atividade da aristocracia brasileira. Há 30 ou 40 anos só a classe mais alta tinha acesso à universidade. Não precisavam de financiamento porque tinham dinheiro próprio.

Hoje, nós precisamos de cientista que joga futebol na praia de Boa Viagem. Precisamos do moleque que está na escola pública. As crianças precisam ter acesso à educação científica, à iniciação científica. O que também implica uma democratização na distribuição de oportunidades e recursos em todo o País. Estamos trabalhando com 21 crianças da periferia de Natal. Elas nem mesmo entraram no ensino médio e já estão sendo incorporadas às linhas de produção de ciência do nosso instituto. Quatro participaram de um projeto piloto em que aprenderam a usar ressonância nuclear magnética de bancada para medir o volume de óleo nas sementes do pinhão-manso do semi-árido nordestino. E classificaram as diferentes sementes de acordo com a quantidade de óleo. Duvido que exista algum técnico na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) melhor do que essas crianças.

Não precisamos mais de caciques. Precisamos de índios. Devemos investir na massificação dos talentos. Esses moleques vão decidir o que vai ser a nossa ciência. Se chega um jovem muito talentoso que quer investigar besouro, devemos responder: “Está bom, filho. Vai pesquisar besouro.” Eu não investiria em tópicos, em áreas específicas. Eu investiria primordialmente em gente. Porque se você investir em pessoas talentosas, elas encontrarão nichos em que o Brasil terá benefícios tremendos. Nós temos uma das maiores olimpíadas de matemática do mundo, o que comprova que nosso talento matemático é enorme. Mas não dá frutos porque faltam caminhos, oportunidades, veículos…

Acreditamos que devemos escolher o melhor menino. Mas e os outros cem mil que quase ganharam? Precisam de incentivo para continuar. Por isso, eu proponho o bolsa-ciência. É um bolsa-família para garoto que tem talento científico. Não precisa ser gênio. Estou fazendo isso com esses 21 meninos. Os quatro garotos do pinhão-manso recebem mais dinheiro do que o pai e a mãe: uma bolsa de R$ 520 paga por doadores privados. Precisamos investir no caos que é o sistema nervoso. Desta forma, encontraremos caminhos imprevistos, surpresas agradáveis.

Como avaliar mérito na academia?

Nós publicamos mais do que a Suíça. Mas o impacto da ciência suíça é muito maior. Basta ver o número de prêmios Nobel lá. E eles têm apenas cinco milhões de habitantes. Na academia brasileira, as recompensas dependem do que eu chamo de “índice gravitacional de publicação”: quanto mais pesado o currículo, melhor. Ou seja, o cientista precisa colecionar o maior número de publicações – sem importar tanto seu conteúdo. Não pode ser assim. O mérito tem de ser julgado pelo impacto nacional ou internacional de uma pesquisa. Não podemos dizer: quem publica mais, leva o bolo. Porque aí o sujeito começa a publicar em qualquer revista. Não é difícil. A publicação científica é um negócio como qualquer outro. Mesmo se você considerar as revistas de maior impacto. Também não adianta criar e usar um índice numérico de citações (que mede o número de citações dos artigos de um determinado cientista).

Talento não está no número de citações: é imponderável. Meu departamento na Universidade Duke nunca pediu meu índice de citação. Também nunca calculei. Quando sai do Brasil, achei que estava deixando um mundo de lordes da ciência. Fui perguntando nome por nome lá fora. Ninguém conhecia. Ninguém sabia quem era. Críamos uma bolha provinciana que deve ser estourada agora se o Brasil quer dar um salto quântico. Mas as pessoas têm receio de falar com medo de perder o financiamento. Há outras formas de medir o impacto científico: ver o que cara está fazendo e consultar a opinião de pessoas que importam no mundo, dos líderes de cada área. Sob este ponto de vista, o impacto da ciência brasileira é muito baixo. E precisamos dizer isso sem medo. Não dá para esconder o sol com a peneira.

Quando decidem criar um Instituto Nacional (de Ciência e Tecnologia), em vez de dividir o dinheiro entre 30 ou 40 pesquisadores promissores, preferem pulverizar o dinheiro entre 120 cientistas, muitos deles com propostas que não vão chegar a lugar nenhum. Cada um recebe um R$ 1 milhão, uma quantia considerável na opinião de muita gente mas que não paga nem a conta de luz de um projeto bem feito. Não podemos ter receio de selecionar os melhores. Você precisa escolher os bons jogadores, não os pernas-de-pau. Outra coisa: só o Brasil ainda admite cientista por concurso público. Cientista tem de ser admitido por mérito, por julgamento de pares, por entrevista, por compromisso, por plano de trabalho.

Como você se vê na Academia?

Sou um pária. Não tenho o menor receio de falar isso. Sou tolerado. Ninguém chega para mim de frente e fala qualquer coisa. Mas, nos bastidores, é inacreditável a sabotagem de que fomos vítimas aqui em Natal nos últimos oito anos. Mas sobrevivemos. O Brasil é uma obsessão para mim. Há muita gente que não faz e não quer que ninguém faça, pois o status quo está bem. Tenho excelentes amigos na academia do País, respeito profundamente a ciência brasileira. Sou cria de um dos fundadores da neurociência no Brasil, o professor César Timo-Iaria, e neto científico de um prêmio Nobel argentino – Bernardo Alberto Houssay.

Por isso, foi uma triste surpresa os anticorpos que senti quando eu voltei. Algumas pessoas ficaram ofendidas porque não fiz o beija-mão pedindo permissão para fazer ciência na periferia de Natal. Este ano, na avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), tivemos um dos melhores pareceres técnicos da área de biomedicina. E o nosso orçamento foi misteriosamente cortado em 75%. Pedi R$ 7 milhões. Recebemos R$ 1,5 milhão.

Operamos com um sexto do nosso orçamento. As pessoas têm medo de abrir a boca, porque você é engolido pelos pares. Então, eu fico imaginando um pesquisador que volta para o Brasil depois de estudar lá fora. De qualquer forma, o pessoal precisa entender que voltar para o Brasil é assumir um tipo especial de compromisso. Não é ir para Harvard, Yale… Você deve estar disposto a dar seu quinhão para o País porque ele ainda está em construção. Nem tudo vai funcionar como a gente quer. Vejo muita gente egoísta voltando para o Brasil. Os jovens precisam olhar menos para o umbigo e mais para a sociedade.

Qual é o futuro dos jovens pesquisadores no País?

Atualmente, eles têm uma dificuldade tremenda de conseguir dinheiro porque não são pesquisadores 1A do CNPq. Você precisa ser um cardeal da academia para conseguir dinheiro e sobressair. Com um físico da UFPE, cheguei à conclusão de que Albert Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq, porque ele não preenche todos os pré-requisitos – número de orientandos de mestrado, de doutorado…

Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Minha esperança é que o futuro ministro ataque isso de frente pois, até agora, ninguém teve coragem de bater de frente com o establishment da ciência brasileira. Ninguém teve coragem de chegar lá e dizer: “Chega! Não é assim! A ciência não está devolvendo ao povo brasileiro o investimento do povo na ciência.” Os cientistas brilhantes jovens não têm acesso às benesses que os grandes cardeais – pesquisadores A1 do CNPq – têm, muitos deles sem ter feito muita coisa que valha.

Além disso, veja a situação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT, que assessora o presidente da República nas decisões relacionadas à política científica). O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) – agora, um grande matemático – me perdoe, mas ele não deveria ter cadeira cativa nesse conselho. O Brasil deveria ter um conselho de gente que está fazendo ciência mundo afora. E não pessoas que ocupam cargos burocráticos em associações de classe. Deveria ser gente com impacto no mundo. E pessoas jovens com a cabeça aberta. Mas as pessoas têm muita dificuldade de quebrar esses rituais.

Para entender a que me refiro, basta participar de reuniões científicas e acompanhar a composição de uma mesa. Não há nada semelhante em lugar nenhum do mundo: perder três minutos anunciando autoridades e nomeando quem está na mesa. É coisa de cartório português da Idade Média. Cientista é um cidadão comum. Ele não tem de fazer toda essa firula para apresentar o que está fazendo. É um desperdício de energia, uma pompa completamente desnecessária. Muitas vezes, os pesquisadores jovens não podem abrir a boca diante dos cientistas mais velhos. Eu ouço isso em todo o Brasil.

No meu departamento nos Estados Unidos, sou professor titular há quase doze anos. Minha voz não vale mais que a de qualquer outro que acabou de chegar. Qualquer um pode me interpelar a qualquer momento. Qualquer um pode reclamar de qualquer coisa. Qualquer um pode fazer qualquer pergunta. E ninguém me chama de professor Nicolelis. Meu nome lá é Miguel. Por quê? Porque o cientista é algo comum na sociedade. O meu estado (a Carolina do Norte) possui uma das maiores densidades de PhD na população dos EUA. Se você se comportar como um pavão lá, vai se dar mal. Todo mundo tem pelo menos um PhD.

Aqui, precisamos colocar a molecada da periferia de Natal, de Rio Branco e de Macapá na ABC, por mérito. Às vezes, parece que existe uma igreja chamada Ciência no País. Se você não é um membro certificado, ela é impenetrável. Minhas críticas não são pessoais. Quero que o Brasil seja uma potência científica para o bem da humanidade. As pessoas precisam ver que a juventude científica brasileira está de mãos atadas. Precisamos libertar este povo. Já estou no terço final da minha carreira científica. O que me resta é ajudar essa molecada a fazer o melhor.

Você tem uma opinião bastante crítica sobre a política científica no País. Mas, na eleição, manifestou apoio publicamente à Dilma. Por quê?

Porque a outra opção era trágica. Basta olhar para o Estado de São Paulo: para a educação, a saúde e as universidades públicas. Não preciso falar mais nada. Eu adoro a USP, onde me formei. Mas a liderança que temos hoje na USP é terrível. O reitor da USP (João Grandino Rodas) é uma pessoa de pouca visão. Não chega nem perto da tradição das pessoas que passaram por aquele lugar. São Paulo acabou de perder um investimento de 150 milhões de francos suíços (cerca de R$ 270 milhões) porque o reitor da USP não tinha tempo para receber a delegação de mais alto nível já enviada pelo governo suíço ao Brasil. Mandaram o pró-reitor de pesquisa da universidade (Marco Antônio Zago) fazer uma apresentação para eles. Ninguém agradeceu a visita. Manifestei oficialmente ao professor Zago minha indignação como ex-aluno da USP.

Um dos integrantes da delegação suíça doou um super-computador de US$ 20 milhões de dólares (cerca de R$ 34 milhões) para nosso instituto em Natal. Chegou na semana passada e será um dos mais velozes do Brasil. Não pagamos um centavo. Não há mais espaço para provincianismo na ciência mundial. Nas reuniões que eu presenciei com comitês e comissões de outros países, a tônica da Fapesp sempre foi assim: “Fora de São Paulo não existe ciência que valha a pena investir”. Esse tipo de coisa é muito mal visto pelos estrangeiros. Não há mais lugar para regionalismo, preconceito… É ótimo para São Paulo ser responsável por 70% da produção científica do País, mas é muito ruim para o País, que precisa democratizar o acesso à ciência. Não adianta dizer em reuniões com emissários internacionais que São Paulo tem uma “relação amistosa” com o Brasil, este outro País fora das fronteiras do Estado. Este bairrismo não ajuda em nada.

A Fapesp é uma jóia, um ícone nacional, reconhecida no mundo inteiro. Mas isso não quer dizer que as últimas administrações foram boas. Temos de ser críticos. Esta última administração, em especial, foi muito ruim. A Fapesp está perdendo importância. Veja só: a Science (no artigo publicado há algumas semanas sobre a ciência no Brasil) não dedicou uma linha à Fapesp. Que surpresas você vê saindo da ciência de São Paulo? Acho que a matéria da Science foi uma boa chamada para acordar, para sair dos louros, descer do salto alto e ver o que podemos fazer com os R$ 500 milhões anuais da Fapesp. Ah, se eu tivesse um orçamento assim! Temos muito menos e posso dizer para o diretor-científico da Fapesp (Carlos Henrique de Brito Cruz) que nós saímos na Science. E ele tem condição de investir nos melhores centros de pesquisa do País.

Como você avalia o governo Lula?

Apoiei e apoio incondicionalmente o presidente Lula porque vivemos hoje o melhor momento da história do País. A proposta global de inclusão do governo Lula – e espero que será a mesma com a Dilma – é aquela que eu acredito. Contudo, os detalhes devem ser corrigidos. Admiro profundamente o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Tivemos grandes avanços como a criação dos INCTs e dos fundos setoriais. Mas o ministro não enfrentou a estrutura.

Talvez não pudesse… por não ter condições práticas ou por fazer parte dela, por ter crescido nela. Em oito anos, nunca fui chamado para dar uma opinião no MCT ou para apresentar os resultados do projeto de Natal. Sei que outros cientistas, melhores do que eu, também não foram chamados. É curioso. Mas fui chamado pelo Ministério da Educação. O ministro (Fernando Haddad) é o melhor já tivemos na história da República. Ele criou a infraestrutura que será lembrada daqui a 50 anos como a reviravolta da educação brasileira. Com o Haddad eu consigo conversar e nossa parceria está dando resultados.

O que você achou da escolha de Aloizio Mercadante para o MCT?

Estou curioso para saber qual é o currículo dele para gestão científica. Fiquei surpreso com a indicação, mas não o conheço. Não tenho a mínima ideia do seu grau de competência. Mas não fica bem para a ciência brasileira – um ministério tão importante – virar prêmio de consolação para quem perdeu a eleição. Não é uma boa mensagem. Mas talvez seja bom que o futuro ministro não seja um cientista de bancada, alguém ligado à comunidade científica. Assim, se ele tiver determinação política, poderá quebrar os vícios.

O primeiro ministro da Ciência e Tecnologia (Renato Archer, que permaneceu no cargo de 1985 a 1987) não era cientista e foi talvez um dos melhores gestores que já tivemos. Ele tinha consciência de que seu ministério era estratégico. O MCT estabelece parcerias e tem impacto na ação de outros ministérios: Educação, Saúde, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Agricultura, Meio Ambiente… Hoje, boa parte do orçamento do ministério não é nem executado. As agências de financiamento não têm uma rotina de chamadas. Não podemos continuar como está.

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165 Comentários escrever comentário »

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Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq

27/07/2015 - 12h55

[…] VIA […]

Responder

doutoramento

15/09/2014 - 15h56

obrigado por esta publicação!!

Responder

Márcia

19/03/2013 - 00h42

“E o nosso orçamento foi misteriosamente cortado em 75%.” – é sempre assim na Academia Brasileira quando se quer mudar o “status quo”. A ciência pouco importa; o importante é impedir seu trabalho. Você não pode ir mais rápîdo; você não pode se dedicar mais; você não pode brilhar mais do que ninguém que está no poder há mais tempo que você. Não pode e ponto final. Se você não entende e não se controlam, eles controlam você cortando as verbas. Também não pode querer financiamento para defender tese contrária; o que é um total paradoxo no mundo acadêmico; pois a ciência cresce e se desenvolve ultrapassando verdades anteriores. Quantos filósofos e cientistas mudaram suas próprias teses com o passar do tempo ou ao se confortarem com seus discípulos? O Brasil precisa crescer, amadurecer e isto não será possível com uma Academia agindo de maneira infantil e irracional. Onde já se viu, cortar a verba de quem está produzindo?? Um país que não produz Ciência/inteligência/tecnologia… é um país que compra, que depende, que empobrece … em todos os sentidos e este será nosso destino se esta postura infantil não mudar.

Responder

Márcia

19/03/2013 - 00h17

Adorei cada palavra que o Cientista disse sobre a democratização da pesquisa no Brasil, salvo sobre a Aristocracia reinante, que ainda não acabou e, infelizmente, quem não se adapta ao “esquema” se curvando a eles, é perseguido; não recebe as verbas mínimas. Quem tem idéias próprias e uma certa independência, é logo considerado um perigo e posto de fora. Não só falta investimento; sobra perseguição a quem resiste a ser discípulo puxa-saco. Alguns que se atrevem a vender seus bens e investir por conta própria em suas pesquisas são excluídos, difamados. Alguns acabam voltando para EUA onde são absorvidos. Lá eles sabe aproveitar/investir em quem quer se dedicar à pesquisa.

Responder

Márcia

18/03/2013 - 23h53

Nicolelis disse, “É um desperdício gigantesco de talento e de dinheiro. A China está recuperando pesquisadores que emigraram para os EUA”. O Brasil passou até pelo medo de investir em estudantes de destaque. Mesmo eu falando cinco línguas e tendo sido aceita na melhor instituição de estudo e pesquisa para lá fazer o Mestrado, não me deram bolsa de mestrado. Recebi uma carta do CNPq para voltar para casa e quem sabe, mais tarde fazer um doutorado sanduiche. “PhD sanduiche”? que bobagem é essa? Isso não existe! Isto é um ano de férias para alunos que se dedicam aos projetos políticos de seu diretor no Brasil. Vi na Europa o quanto eles se dedicam neste 9-12 meses … às viagens ! Enquanto eu e tantos outros nos esforçamos para ficar no mesmo nível, tendo que seguir as mesmas exigências de qualquer mestrando e doutorando por lá: dedicação total muita leitura; muita pesquisa e depois, de volta, não somos malditos ou não somos absorvidos por estarmos “fora do esquema” => Qual é o esquema? Pensei que fosse o de dedicação total. Mas descobri que não é isso. é o que então? Alguém pode me responder.

Responder

O marco zero da liberdade | kimparanoid

21/12/2011 - 16h16

[…] eu mesmo poderia ser vítima dessa racionalidade num médio ou longo prazo. Veja, por exemplo, o produtivismo acadêmico ao qual os pesquisadores estão submetidos; ou a demissão em massa de professores universitários, […]

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Marcos Silva

19/08/2011 - 14h03

Brilhantes colocações do Nicolelis. Mas parece que o brasileiro ainda não aprendeu que quem tem que mudar é ele, não o "Governo". A corrupção nos EUA e na Europa existe e não deve ser pouca não. Vamos parar de reclamar e trabalhar a exemplo do Nicolelis que faz os dois ao mesmo tempo. Vamos acabar com a prática, praticada por cada um de nós (não somente os politicos ou politiqueiros) do "farinha pouca meu pirão primeiro". Como o "Governo" vai ter projeto de futuro se o cidadão pesquisador, professor, empregado/encostado público só pensa em deixar o seu Lattes cheio de "folhas" (e quase sempre sem frutos) e em seu status quo ? Quem decidir por esperar Governo, favor, espere sentado. Quem faz o Governo somos nós, e quando essa maioria de pesquisadores insatisfeitos e preocupados com o futuro do Brasil se organizarem um novo Governo surgirá. Talvez a grande diferença de Europa/EUA e Brasil seja a vontade e a crença de que a união faz a força e a diferença. Evidentemente eles também são elitistas (haja vista as irmandades e redes de proteção do status quo das elites oligarcas da Europa e dos EUA) mas o povão também se organiza para equlibrar o jogo. No Brasil esperamos que Dilma ou qualquer outra caricatura politica defina nossos destinos. Acorda Brasil(eiros).

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Entrevista Nicolelis: “Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq” | Estatísticos.org

05/03/2011 - 14h07

[…] "Precisamos investir no caos que é o sistema nervoso. Desta forma, encontraremos caminhos imprevistos, surpresas agradáveis." link entrevista completa Vio o Mundo: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/nicolelis-diz-que-sofreu-sabotagem-nos-bastidores.html […]

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Links Interessantes | Administração e Organização

04/03/2011 - 15h20

[…] Nicolelis: “Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq”:   Nesta entrevista o renomado pesquisador brasileiro tece várias críticas a academia brasileira e as políticas públicas em Ciência e Tecnologia. […]

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Professor Miguel Nicolelis: A quem interessar possa » O Recôncavo

24/02/2011 - 11h36

[…] A entrevista em que o professor Nicolelis critica o atual modelo de gestão da ciência brasileira e… […]

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A Folha de São Paulo briga mais uma vez com a verdade factual « Em Defesa da Educação Pública

23/02/2011 - 20h28

[…] A entrevista em que o professor Nicolelis critica o atual modelo de gestão da ciência brasileira e… […]

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Bacaroço » Blog Archive » Professor Miguel Nicolelis: A quem interessar possa

23/02/2011 - 17h08

[…] A entrevista em que o professor Nicolelis critica o atual modelo de gestão da ciência brasileira e… […]

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Professor Miguel Nicolelis: A quem interessar possa | Viomundo - O que você não vê na mídia

23/02/2011 - 14h47

[…] A entrevista em que o professor Nicolelis critica o atual modelo de gestão da ciência brasileira e… […]

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Evaristo

14/02/2011 - 19h31

Concordo com o Nicolelis, a nossa academia padece do mesmo mal do apadrinhamento que ocupa outras áreas da vida brasileira. Primeiro acho que deveriam acabar com o mestrado stricto sensu, deveria ter só o doutorado e a pessoa em vez de ficar perdendo tempo com delongas burocráticas, defenderia direto o doutorado e já estaria pronto como pesquisador. Leva-se no mínimo 6 anos para se chegar lá. É muito. A Academia brasileira precisa se abrir para a sociedade. É o povo brasileiro quem a paga, mas ela é uma torre de marfim e está fechada para o Brasil. O debate do Nicolelis vem arejar esse porão que é a academia Brasileira e jogar ar fresco nela.

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Flávio Pimentel

30/01/2011 - 00h00

Ótima entrevista!
Parabéns ao Luiz Carlos e ao Nicolelis!
Aguardo ansioso a publicação do livro do cientista. Lerei com prazer.
Sobre o posicionamento político do Nicolelis, acho que todos deveríamos tomar partido e contribuir para a política programática dos mesmos e melhorar o nosso país. Uma queixa que me fez um deputado federal é que ele não conseguiu apoio dos professores universitários porque nenhum deles queria seus nomes vinculados a um partido ou político. E quem vai fazer os programas dos partidos? Deve ser por essa razão que eles não existam?
Mais uma vez, brilhantes o entrevistado e entrevistador.

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Daniel

29/01/2011 - 18h02

Acaba com o emprego público que isso tudo se resolve. Coloca um chefe, um plano de metas a ser seguido um prazo e cobra os resultados após o prazo. Quem trabalha ganha, quem não trabalha não ganha. É simples.

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Blogueiros e twiteiros progressistas do RN reúnem-se com Miguel Nicolelis | Viomundo - O que você não vê na mídia

27/01/2011 - 23h21

[…] professor Nicolelis é um caso à parte no meio científico brasileiro”, considera Dantas. “É apenas suportado na Academia brasileira, como disse em entrevista ao Estadão (clique aqui). O mais surpreendente é que ele não é  proveniente das ciências humanas, mas da área médica! […]

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Malu

26/01/2011 - 01h11

A coisa mais certa disso tudo é que o governo parece não estar preocupado com a formação de pesquisadores e professores.
Quem, nesse mundo capitalista, consegue trabalhar bem se não sabe o que vai ser do pagamento das contas de amanhã?
Não se pode, na condição de pesquisador no Brasil, planejar o futuro. Quem que vive com o dinheiro de uma bolsa de mestrado?Até vive, mas vive mal, isso sim! E ai se pensar em ter família…
Ainda no fim saber que a maior parte das pesquisas resultam no máximo em um artigo qualis A…
Desalentador querer ser cientista!

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    Lalá

    24/07/2011 - 14h38

    É verdade, quem vive de bolsa atualmente? Até os presidiários recebem mais ( cerca de 860 reais no auxílio reclusão), por terem cometido crimes! O pesquisador não tem valor nenhum na sociedade, e ainda é criticado diariamente por aqueles que acreditam que ser cientista não é trabalhar. Quem nunca ouviu o comentário " Mas você só faz pesquisa? Não trabalha? Por isso a tendência é de os pesquisadores deixarem o Brasil para poder sobreviver e fazer pesquisa de qualidade, pois aqui NÃO DÁ!!

Adriana De Simone

24/01/2011 - 21h53

Prezado Azenda,
enviei mais um comentário e me arrependi – de fato acho que este não é o melhor espaço para discussão academica, seria uma discussão sem fim e os argumentos devem ser mais fundamentados. O fato de dizer que fui da Psicologia Experimental, por exemplo, dá a entender que todos pensam da mesma forma, enfim, dá margem a erros de interpretação. Por outro lado, te dou os parabéns por ter um site no qual os leitores tem espaço para expor o que pensam. Seria possível não publicá-lo junto com esse?

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    Conceição Lemes

    25/01/2011 - 10h57

    A que texto vc se refere, Adriana? Além daquele que vc faz várias criticas ao neurocientista ao Miguel Nicolelis haveria outro?

    Adriana De Simone

    25/01/2011 - 11h23

    Como assim a que texto eu me refiro? Não entendi nada. Texto sobre o que, Conceição Lemes? Tenho um mestrado, um doutorado e algumas publicações. Minha crítica ao Sr. Nicolelis não é pessoal, que fique clar. Além de ser um assunto academico, deveria ser também uma discussão feita pela sociedade, acredito. Acreditamos, melhor dizendo. Abraços.

    Conceição Lemes

    25/01/2011 - 13h46

    Adriana, vc pediu para que não publicássemos o seu outro texto? Só quis saber qual era para deletá-lo. Apenas isso. Por isso, reitero a pergunta. Qual seria o texto? Saudações

    Alisson Soares

    20/10/2011 - 12h12

    Quanta pavonice Sra. Adriana! Não disse coisa com coisa no outro post e agora vem dar uma de pavão tipicamente brasileiro "Tenho um mestrado, um doutorado e algumas publicações" ou "sou importante", vindo usar argumento da autoridade? Você vem tentar demonstrar superioridade, não argumentos superiores. E até agora presumo que ninguém entendeu sua crítica, a não ser como ataque pessoal.

Nicolau Leal Werneck

24/01/2011 - 02h44

Queria aproveitar o espaço pra chamar a atenção dos interessados para o atraso no reajuste das bolsas de pós graduação de mestrado e doutorado da Capes e CNPq. Dois anos e meio sem reajuste já, desde Junho de 2008. 13% de inflação acumulada no período, e não há nenhum sinal de quando pode ser o próximo reajuste de nossas 60.000 bolsas. Nesse ano houve apenas — além da instituição de licença maternidade na Capes — uma flexibilização da condição de dedicação exclusiva, permitindo aos alunos bolsistas realizarem atividades paralelas, desde que relacionadas com sua pesquisa…

Não sou contra a flexibilização, mas acaba me dando uma impressão de querem mesmo é empurrar os bolsistas para trabalharem, e isso acaba caindo nessa síndrome criticada de obrigar os pesquisadores a terem x alunos e darem y horas de aula e mandar arrumar torneira quebrada… A má gestão de nossa política salarial, pra não falar da política de carreira, é mais uma forma pela qual nossos trabalhos são obstruídos. Sem um bom salário — ou nem isso, sem um salário que podemos confiar que não vai sofrer _arrocho salarial_ — não dá pra ter segurança e tranquilidade necessárias. É bem difícil escrever tese preocupado com pagamento de contas.

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Nicolau Leal Werneck

24/01/2011 - 02h31

Boa entrevista. Gosto muito do Nicolelis, exceto em alguns momentos em que acredito haver um problema de sincronia entre os neurônios meus e os dele. Mas espero que um dia nos vejamos como iguais.

Estou muito curioso a respeito da história da USP ter perdido centenas de milhões dólares por algum tipo de arrogância de nosso reitor (senão dos potenciais doadores). Eu me recordo dessa visita dessa delegação Suíça, saiu notícia no jornalzinho da USP, e foram anunciadas várias colaborações… Mas nunca tinha ouvido falar disso aí. Onde posso aprender mais detalhes?

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Antonio Henrique

23/01/2011 - 14h16

Concordo em gênero, número e grau com a opinião do Prof. Nicolelis com relação à administração científica no Brasil. No entanto, acho que sua postura de propagandista petista desabona o artigo, que passa a ter um potencial viés político. O cientista que passa a fazer política trabalha em prol desta, e não mais da ciência. Um exemplo disso foi o apoio de cientistas brilhantes como Enrico Fermi ao projeto bélico americano, como oposição ao nazismo, que resultou na pior máquina de matar criada pelo homem.
Sua posição como propagantista petista fica clara no modo áspero como critica as instituições paulistas, e na cautela quando se refere às "desculpabilíssimas" "escorregadelas" do governo Lulla, que no fim das contas não mexeu nas questões importantes da ciência no Brasil, além de corromper a universidade passando a dar-lhe uma finalidade prioritariamente política. Só para ficar na USP, a primeira universidade a ter sua independência econômica garantida pelo governo na época do Franco Montoro/Quércia, os militantes petistas e congêneres representam um entrave à maior agilidade na cooperação com a iniciativa privada e mesmo na inclusão de alunos de baixa renda, ao, por exemplo, reservar a moradia estudantil aos alunos com maior afinidade ideológica em detrimento daqueles que, mesmo com maior necessidade financeira, não compartilham do mesmo comportamento ou das mesmas idéias.

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    Alisson Soares

    20/10/2011 - 11h48

    E como fazer ciência em um local onde não há de longe as condições ideais para fazer ciência? Tem que fazer política PARA melhorar a ciência. Que mal há em admitir que o governo FHC sucateou as universidades federais (para privatizar), onde a prioridade era o ensino particular? A UFMG, por exemplo, chegou a operar com um 1/3 de seu orçamento nessa época. Já o governo Lula foi o que mais investiu em educação superior, construiu mais universidades, está dobrando o número de vagas nas já existentes – o que tem gerado problemas: como garantir expansão de vagas e ensino de qualidade ao mesmo tempo? Mas este problema é bem melhor do que não ter dinheiro para pagar água, luz e telefone das universidades. Professores nas gestões do PSDB tem os piores salários possíveis. Professores substitutos nas universidades na época FHC ganhavam menos que um salário mínimo e hoje ganham bem mais. É tão difícil admitir que houve melhoras na era Lula – não que estamos no ideal-, ou é preciso distorcer, esconder estes e outros fatos?

    "O cientista que passa a fazer política trabalha em prol desta, e não mais da ciência". Discordo completamente. A instituição ciência não opera no vácuo, ela sofre influência de outras instituições como a política, economia. Se você quer melhorar o funcionamento da ciência, como modos de investimento "maior agilidade na cooperação com a iniciativa privada", você terá que entrar na política. Não adianta ficar de braço cruzado esperando mudanças caírem do céu. Seu exemplo do projeto bélico americano, me desculpe, mas foi forçar a barra demasiadamente. Abraço

Davi

22/01/2011 - 11h25

Engraçado que o Miguel descreveu uma situação que não sei se foi curiosa, cômica ou mesmo embaraçosa que vivenciamos em nosso laboratório em dezembro de 2011 e que retrata bem o sistema científico brasileiro. Recebemos a visita de um renomado pesquisador holandês e o mesmo elogiou a infraestrutura do lab, mas demonstrou espanto quando dissemos que apenas um cientista (diga-se Pesquisador, Professor e Administrador) conseguia dar conta de orientar 20 alunos de iniciação científica e pós-graduação, ter elevada carga-horária de aulas semestral e ainda cuidar da administração do lab e de outro orgão da Universidade. Sem falar das tantas outras atividades que sabemos que cabem ao cientista como providenciar o conserto da torneira que quebrou, dos vazamentos no telhado etc. Além disso, esse mesmo pesuisador estrangeiro estranhou a grande diversidade de linhas de pesquisa que desenvolvemos. Já esse mesmo pesquisador comentou que no laboratório em que trabalha são 30 pessoas, mas 10 são pesquisadores e os demais técnicos e estudantes dedicados a uma única linha de pesquisa e somente a isto. Será que somos mais eficientes então? Claro que não! Isso reflete o que Miguel comentou. Produzimos uma ciência superficial, sem grande expressividade no cenário mundial. Vamos nos desvencilhar dessa gestão científica ultrapassada e privilegiar os "bons jogadores". Essa política de números é atrasada. Só para exemplificar comparei a produção científica de um festejado pesquisador A1 do CNPq que possui aprox. 200 artigos publicados com a produção desse pesquisador estrangeiro. O A1 possui quase 1500 citações e o estrangeiro possui 5x menos artigos publicados e o dobro de citações (~3000). Vamos repensar o fomento a pesquisa no Brasil. Privilegiar os novos talentos e aqueles que realmente produzem algo significativo. Abraços e conte conosco nessa luta Miguel.

Responder

    AGR

    22/08/2011 - 19h23

    Bem colocado. Ciência somente baseada em números é fácil, e disso vivem muitos peixes grandes da ciência brasileira (rodando a manivela sem realmente produzir ciência com ousadia, "meter as caras"). O que me deixa muito abismada é quando existe investimento em instrumentação cara, em consórcios internacionais, mas o investimento em recursos humanos ainda é tímido. É como se quisessem participar da ciência de ponta, mas depois que entram ficam em cima do muro, pois não não sabem o que fazer com a coisa e não existe preocupação com capacitação. Parabéns ao Miguel, é um orgulho para o Brasil ter alguém de destaque assim e com uma preocupação social. Só acho que peca por ser partidário, pois não vejo o atual governo aliando quantidade a qualidade, já que a educação anda péssima.

César Moura

21/01/2011 - 00h39

A afirmação "São Paulo tem uma 'relação amistosa' com o Brasil" é apenas mais uma prova do quanto os brasileiros estavam certos quanto decidiram expurgar essa burguesia paulista do poder central. Esse senhor cetamente so' esta' reproduzindo uma ideologia reinante nas altas esferas paulistas – mas não do povo paulista em geral, que como o resto dos brasileiros, deve ter orgulho de pertencer ao Brasil.

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João Fhilype

20/01/2011 - 23h34

Caríssimo Miguel,
Primeiro agradeço pelos esclarecimentos e pelas informações importantes e que infelizmente, são muito tristes! Independente disso, parabéns pela atitude corajosa de denuncia e pelo compromisso em melhorar a situação trágica na qual nos encontramos – nós, “cientistas” brasileiros. Posso imaginar a dureza de tentar fazer as coisas funcionarem diante do comodismo de alguns – senão da maioria – e claro, como foi bem exemplificado, pelos tramites burocráticos e pelo desprezo do mérito. Sem falar dos boicotes e sabotagens – que são articulados quase sempre pela turma acomodada e que ostenta algum posto de chefia administrativa! Outro dia também li algo que o Walter Praxedes escreveu e que vai de encontro com o que foi exposto aqui. Deixo o link para consulta: http://espacoacademico.wordpress.com/2010/07/24/a….
De minha parte vou encaminhar por e-mail para alguns colegas e fico a disposição, como voluntário, em buscar idéias e discutir com outros interessados para tentar modificar essa dura realidade.
Abraços!

Responder

Cecília

20/01/2011 - 17h37

Certíssimo mais uma vez o Nicolellis. E que neste governo se coloquem nos cargos específicos pessoas que entendam do assunto e não tão somente que sejam honestas, tenham apoiado a campanha, e 'que tem forte indicação' para isto. Se for assim, o Brasil não danda para frente em nada. Na Educação, na Saúde, na Ciência e Tecnologia, etc. , como disse, gente competente e que entenda a fundo do assunto em questão.

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Daniele

20/01/2011 - 09h53

Gostaria de fazer uma correção, a frase no início do texto "Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science." não é verdadeira. Em 1993 um professor da UFMG durante o seu doutorado na França mereceu capa da Science com o seu trabalho na area de Química Inorgânica. http://www.sciencemag.org/content/261/5120.toc.pd

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Notícias #33 « Gosio na rede!

17/01/2011 - 13h08

[…] a reflexão. Talvez seja necessário ler a entrevista com Miguel Nicolelis no Vi o mundo, pesquisador brasileiro da área neurológica que estuda interação […]

Responder

@pac_man

17/01/2011 - 01h32

um soco no estomago esta entrevista. precisamos ver como os países mais evoluidos fazem e copiar o modelo. como está não dá. fora que muitas faculdades acumulam pessimos professores, desses que ou dão um lixo de aula e não acontece nada OU simplesmente rodam 90% da turma simplesmente pq podem. some isto ao fato de que eles tem estabilidade e pronto.

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José Luiz Silva Jr

14/01/2011 - 11h56

O rápido diagnóstico apresentado pelo prof. Nicolelis sobre a ciência e a tecnologia no Brasil é de uma precisão cirúrgica e não deixa dúvidas quanto à necessidade de mudar os parâmetros de condução, avaliação e reconhecimento da pesquisa.
É fato público e notório, do conhecimento de toda a sociedade brasileira, que a concepção do Instituto Internacional de Neurociências de Natal – IINN, nele incluído o Campus do Cérebro, é do neurocientista Miguel Nicolelis, um homem de inteligência privilegiada, com uma visão política, científica e estratégica como poucos neste nosso país. Mais ainda! Com uma incrível capacidade de sonhar, aliada a uma renitente vontade de transformar seus sonhos em realidade duradoura.
É fato também que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN acalentou de pronto os sonhos desse homem, mesmo considerando que alguns membros dessa academia e alguns políticos do Rio Grande do Norte tenham reagido à sua chegada a esse Estado e à UFRN, por várias razões, entre as quais o desconhecimento do projeto, vaidades feridas, bairrismos, ciúme, desconfiança, etc. Alguns pesquisadores e administradores da UFRN sugeriram que os recursos iniciais destinados ao projeto fossem devolvidos às instituições que o financiavam. Políticos desconfiados perguntavam que era "esse cara" que se achava no direito de fazer cobranças ao chegar e o recebiam com muita desconfiança. Mas, a sua vontade de realizar o IINN foi mais forte e contribuiu para quebrar barreiras e vencer os obstáculos à realização do seu sonho.
Acompanhei como gestor dos recursos os primeiros passos da implementação do projeto IINN e não me arrependo de ter contribuído para o seu sucesso, mesmo com todos os percalços, por entender que esse projeto contribuirá, associado a outros como o Projeto Corot, grandes projetos de pesquisa em petróleo e gás, além de muitos projetos em parceria com instituições internacionais, para transformar a UFRN numa instituição entre as mais respeitadas por quantos são os responsáveis pelo ensino superior no Brasil. . Foram poucos os momentos em que presenciei nele, no prof. Nicolelis, algum desânimo, apesar de tudo.
Acredito firmemente que projetos desse quilate e tão audaciosos poderiam se constituir em plataformas de desenvolvimento para as regiões Norte e Nordeste, como vem sendo para a UFRN para os municípios de Natal e Macaíba, para o Rio Grande do Norte ou para o Brasil.
Parabéns prof. Nicolelis!

Responder

Aninha

13/01/2011 - 21h11

Essa reportagem me fez lembrar da boa música do Mundo Livre S/A…"Muito Obrigado"….Que fala: "Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás…" É isso aí.. .http://letras.terra.com.br/mundo-livre/565230/

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Adriana De Simone

13/01/2011 - 17h20

Me surpreende que as pessoas idolatrem tanto Nicolelis. Nunca quis aparecer, mas me sinto na obrigação de tecer alguns comentários, que certamente diversos pesquisadores concordariam. O óbvio, que cativa a mídia é dizer da forma como os recursos são destinados, na empáfia dos pesquisadores, em como um "Manifesto tropical" é preocupado com o Brasil, de verdade e com seus pesquisadores… Me desculpe, além de ouvir coisas bonitas, eu gostaria de olhar para a linha de pesquisa do Sr. Nicolelis, de sua proposta "científica" para o Brasil (que apesar de tupiniquim pode ser como os EUA), ou seja, uma mistura de tropicalismo-progressista, que de fato enaltece o que alguns autores chamam de "tecno-ciencia", se acha autorizado (e está, pelo público, mídia e academia de ciencias) a usar verbas enormes em prol do desenvolvimento da interface de softwares mente-cérebro e a manter o status-quo, se dizendo criticado, excluído e "denunciando" a os "modus operandi" que todos conhecemos. Sinto muito, mas manifesto, para mim, é o de Basarab Nicolescu, que vcs interessados deveriam ler, para aprender algo. E tem mais: professor não tem que dar aula, a cibernética vai auxiliar na evolução, e agora, aguardem, será este o verdadeiro desenvolvimento espiritual do homem. Me desculpe, mas quem quer aparecer às custas de quem?!

Responder

    Fernando R.

    14/01/2011 - 07h34

    É Azenha, às vezes é duro ser democrático.

    Augusto César

    15/01/2011 - 18h49

    Não existe idolatrismo em relação ao prof. Niconelis, apenas concordância com suas opiniões e penso que seu cotovelo dói, só pode ser isso ao tecer comentários infundados.
    Tu sugeriu o manifesto do Nicolescu, muito bom também e na minha opinão corrobora em muitas partes com o do professor Niconelis.
    E vc tem que ler sobre filosofia da ciência e aprender um pouco sobre o assunto.

    Augusto César Ferreira de Moraes
    Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
    Programa de Pós-Graduação em Ciências – Departamento de Pediatria
    Representante Discente na Congregação da Faculdade de Medicina e do Departamento de Pediatria

    Adriana De Simone

    17/01/2011 - 11h31

    Sei…

    nathalia

    30/01/2011 - 14h26

    escreveu, escreveu, e nao disse nada.

    nathalia

    30/01/2011 - 14h29

    meu comentário foi para a adriana.

Adriana De Simone

13/01/2011 - 10h02

Azenha: enviei um comentário sobre Nicolelis e não foi publicado. Por quE?

Responder

Alessandro

13/01/2011 - 09h22

Azenha, você não curte o Mercadante nem a pau hein? rs

Mercadante foi o senador mais integrado com o Pré-Sal, por isso está lá.

Entenda com esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=wz3m12NSzDU

Responder

    Cecília

    20/01/2011 - 17h39

    Ci~encia e Tecnologia não é só Pré-Sal!

    Cecília

    20/01/2011 - 17h40

    Pré-sal? Estou dentro, mas coloca o cara então na Petrobrás. Ciência e Tecnologia? Por favor!

Carlos Montalvane

13/01/2011 - 05h58

O Sr Nicolelis tambem e provinciano e espera que os pesquisadores do Brasil vao beijar a mão dele… por isso agora virou cientista do vaticano

Responder

    Valdir Guedes

    19/01/2011 - 13h25

    Quando se vira capa da science, pelo ciência brasileira atual, teria que acontecer uma cerimônia do beija Mão

Nivaldo

13/01/2011 - 00h47

Tenho 22 anos e estou prestes a me formar eng. eletrônica em uma universidade pública. Fiz 2 anos de iniciação científica, submeti alguns artigos em congressos nacionais. Neste ínterim, tive a oportunidade de passar por esta fase da vida convivendo bastante com pesquisadores, professores. Sou de classe média baixa. Meu avô é pedreiro aposentado, analfabeto. Meu pai não sabe fazer uma regra de três.

Acredito ter potencial para desenvolver ciência. Ninguém da minha família é formado em coisa alguma, mas todos parecem ver meu caminho com bons olhos. A questão agora e´ se eu deixo o mercado de trabalho de lado para fazer mestrado. A questão agora é se eu deixo de ganhar o piso salarial da engenharia para ganhar uma bolsa de R$900 para "estudar". A questão agora é se depois disso eu faço doutorado, ganhando uma bolsa um pouco maior, dedicando-me exclusivamente, por mais quatro anos. Depois disso, serei um pesquisador. Para a minha família, isso será sinônimo de "professor".

No meio acadêmico, vejo muitos colegas, alguns deles verdadeiros mercenários, dizendo que virar "doutor" tem seus atrativos. É super tranquilo, você ganha R$8 mil sem "esquentar a cabeça"!. Quatro meses de férias garantidas todo ano!

Falo em "carreira acadêmica" como sinônimo de "carreira científica", pois nunca ouço falar de pesquisa no setor privado.

Mas afinal de contas, onde está a Ciência?

A única coisa que se constata de ciência (pura) brasileira nesta esfera rebaixada culturalmente é semanalmente alguma frase do William Bonner que começa com "Pesquisadores da Universidade de São Paulo descobriram…".

O autor do texto acima diz que existe uma visão enaltecida sobre estes "doutores". Mas isto não parece uma visão geral sobre o status do cientista na sociedade. Acredito que o problema do Brasil nestas questões é cultural. O dia que um galã de novela interpretar um pesquisador e uma descoberta científica for comemorada pela sociedade como um gol, a ciência se fará por si própria. Independentemente se a atuação de uma administração foi mediana ou boa. Como um jovem vai se orgulhar de seguir uma carreira árdua na qual será visto como um nerd e não sabe ao certo se terá os recursos de que precisa?

Tenho um colega graduado em física, com mestrado na área de astronomia. Agora está cursando engenharia.

Ele se referiu a carreira de atrônomo no Brasil como "uma grande ilusão".

Responder

    Sergio

    29/10/2014 - 18h14

    Muito bem colocado, as pessoas que conheço que são loucas o suficiente para entrar no meio acadêmico são aquelas que pensam que terão emprego garantido, trabalhar pouco e viajar bastante.
    E no fim das contas não é isso mesmo ?

Adolfo

12/01/2011 - 22h00

Pelo visto não vai publicar meu comentário, não é mesmo?

Parabéns então. Parabéns pelo espaço democrático.

Responder

Tolentino

12/01/2011 - 21h20

Gostaria que a Dilma lesse essa entrevista.

Responder

Jonas Moraes

12/01/2011 - 20h51

Nicolelis, fiz mestrado nos EUA e assino em baixo tudo o que voce disse. No Brasil o que vale não são os produtos e os projetos, mas as pérolas e as citacoes nos artigos que nunca transformam-se em produtos e só servem para encher linguiça no Lattes.

Responder

    Francisco

    13/01/2011 - 12h27

    Assino embaixo. É preciso rever e reformular o gerencialismo e produtivismo do CNPq, Capes e fundações estaduais. É preciso que conslehos extra científico com a participação popular defina diretrizes para investimento público. É preciso (pela escassez de recursos) que consigamos compatibilizar a necessária liberdade de pensamento e pesquisa com a respónsabilidade e compromisso de ciência e tecnologia voltadas as necessidades do país. Sempre que o Brasil se colocou desafios dessa natureza os venceu. Veja-se o exemplo da prospecção de petróleo em grandes profundidades

Charles

12/01/2011 - 20h48

Bom, mas contraditório:

"Não precisamos mais de caciques. Precisamos de índios. Devemos investir na massificação dos talentos"

"Quando decidem criar um Instituto Nacional (de Ciência e Tecnologia), em vez de dividir o dinheiro entre 30 ou 40 pesquisadores promissores, preferem pulverizar o dinheiro entre 120 cientistas, muitos deles com propostas que não vão chegar a lugar nenhum."

Responder

    Pitomba

    13/01/2011 - 10h29

    Acho que esses 120 cientistas aos quais ele se refere, são 120 caciques nas universidades de São Paulo que produzem ciência "de mentirinha".

    @jpcarmo

    15/01/2011 - 16h03

    Eu tambem identifiquei essa contradicao e concordo com ela. Mas concordo com praticamente todo o resto do texto tambem.

    Valdir Guedes

    19/01/2011 - 13h29

    a aparente contradição é a seguinte. 1º. ciência feita por todos (não mais caciques, e sim mais indios), 2º. mérito, o dinheiro deve ser destinado a quem vai fazer ciência de qualidade, outra coisa, a relação aqui é entre o dinheiro necessário para um bom projeto e migalhas para muitos projetos ruins

Wilson Ferreira

12/01/2011 - 17h39

Essa entrevista concedida por Nicolelis pode ser considerada extremamente didática. Primeiro, porque, em poucas palavras, consegue resumir a utopia tecnognóstica que orienta a agenda científica das últimas décadas. E, segundo, por ser um ótimo exemplo da retórica dessa utopia que denomino como “delírio digital”: um misto de messianismo, exterminismo e transcendentalismo.

Lendo a entrevista, não saia da minha cabeça a lembrança daquele slogan que marcou os primeiros textos messiânicos dos anos 90 sobre as transformações que a tecnologia digital e a Internet trariam para o mundo: “Adapt or You´re Toast”, adapte-se ou você está frito!

O discurso de Nicolelis é dominado por expressões como “novidade explosiva”, “corpo deixar de ser o fator limitante”, “eficácia”, “evolução”, “o que definimos como ser mudará drasticamente”, “seleção natural rápida”, “criamos um sexto sentido”, “a evolução humana vai se acelerar”.

O tom emergencial da retórica de Nocolelis sobre a inevitabilidade evolutiva humana determinada pelos avanços científicos tem um tom evidentemente exterminista: tudo o que é passado é um fator limitante (corpo, linguagem etc.). Deve ser superado num processo de seleção natural acelerado, dessa vez não mais comandado por genes ou processos biológicos, mas, agora, pela vontade do cérebro.

O elemento messiânico da sua retórica revela o elemento místico por trás da racionalidade científica: as ferramentas científicas deixam de ser meras extensões ou potencializadoras das ações do corpo humano.

Mais do que isso, as ferramentas (exoesqueletos, nanotecnologias, neuroengenharia) transformarão a própria noção de “ser”. Uauuu! O que séculos de filosofia buscaram, agora, de uma só vez, será tudo resolvido e revelado: o problema é a linguagem, estúpido! Como Nicolelis afirma, corpo e linguagem serão eliminados para uma conexão direta entre o cérebro e as máquinas.

Para além dos óbvios problemas filosóficos dessa afirmação (mais abaixo trataremos disso), o messianismo é evidente: descobertas tecnocientíficas levadas a cabo por uma elite do conhecimento anunciam transformações radicais no próprio ser humano. Os dois lados da equação (elite e ser humano) são tomados num sentido abstrato, sem determinação histórica ou política (“ser humano” quem, cara pálida?). Se pesquisadores como o francês Paul Virilio e o canadense Arthur Kroker já demostraram que toda agenda científica ou tecnológica atende, em primeiro lugar, a interesses táticos e bélicos (as aplicações militares do “exoesqueleto” é um exemplo explícito) para, mais tarde, seus subprodutos serem comercializados para a população civil, temos motivos suficientes para desconfiarmos dessa retórica messiânica.

Do exterminismo e messianismo a retórica do “delírio digital” converge para o transcendentalismo. É a revelação do seu conteúdo místico ou tecnognóstico: a necessidade de abandonarmos os nossos corpos. É a concepção do “Pós-humano”, um novo ser que não necessitaria mais do corpo ou da linguagem. A tecnologia criaria um atalho para o espírito transcender como pura “vontade”.

Continua: http://cinegnose.blogspot.com/2011/01/o-delirio-d

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Adolfo

12/01/2011 - 16h07

Ciência no Brasil é complicado mesmo.

Mas vai querer o que num país que se dá ao direito de cortar R$ 1,1 bi do orçamento destinado à C&T?

Responder

Handerson

12/01/2011 - 12h05

Brilhante texto e análise! Me senti representado.

Responder

Adriana De Simone

12/01/2011 - 11h45

Nicolescu X Nicolelis: a fraude

Afirmação 1: A ideologia cientificista que permeia os grandes centros de pesquisa em neurociência como o de Nicolelis, triunfante no século XIX e hegemônica no séc XXI, causa grande impacto no “real”, e mais do que isto, no desenvolvimento de nossa sensibilidade, ou experiência de “corporalidade”, na medida em que cria, e mantém, valores específicos neoliberais, que promovem o desenvolvimento da tecnologia.

Afirmação 2: O “decadente” projeto cientificista ainda se oculta como “coletânea de idéias e soluções” em diversos setores, com grande poder de sedução e diversos “atores sociais” ao seu dispor mas acompanha danos ao homem e à Natureza, ou prejuízos às fontes de água potável, de energia e de oxigênio.

Afirmação 3: Existem outros conceitos de ciência além do conceito cientificista pautado na objetividade do real, no conceito de causalidade, determinismo e na perfeita reprodução dos dados experimentais.

Afirmação 4: Sugiro que há no projeto (implícito) da modernidade a desvitalização e a mecanização de nossas funções vitais. Como Nicolelis afirma: “corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação no mundo". Imagino que ele se refira aos pacientes que sofreram mutilações, porém, o desenvolvimento da engenharia e da tecnologia de interface cérebro-máquina, se insere claramente na tradição cientificista. Porém, este tipo de pesquisa, que frequentemente se fundamenta na “ética” ao tratamento de doenças de baixa incidência como paralisias, perdas de membros e parkinson não se importa em mobilizar tamanho investimento público: "Nosso drama agora é engenharia e conseguir recursos para pagar um projeto que é o equivalente, na neurociência, a uma viagem à Lua". Investimento público que poderia ser destinado de ao que é prioritário e/ou à saúde pública. Questão: por que não erradicar o analfabetismo antes de querer formar “cientistas”?!

Afirmação 5: Esta ciência que se diz neutra e “benéfica” não permite uma sociedade melhor, em termos de qualidade de vida e desenvolvimento economico. Na atual sociedade neoliberal se cumprem funções de forma quase robotizada, há um progressivo empobrecimento de nossa sensibilidade frente à Natureza e ao Outro e, portanto, da possibilidade de vincular-se e preocupar-se. A ciência não é neutra, se constrói pautada inclusive na idéia de neutralidade defendida pela elite pensante, e consequentemente pela "massa". Uma discussão séria inclui discutir os riscos implicados em determinada linha de pesquisa, em detrimento de outras. Além de se discutir se o que se produz é ciência ou tecnologia, que acaba se tornando alvo do mercado capitalista.

Afirmação 6: O “Manifesto da transdisciplinaridade” publicado por Basarab Nicolescu, físico romeno, no final dos anos 90, crítica a objetividade como critério supremo de verdade e discute o conceito de realidade(s), de natureza, exigindo que se abram os olhos para as consequências da ideologia cientificista, especialmente quanto aos danos causados ao homem! Cito Nicolescu (não Nicolelis): “A morte do homem, que anuncia tantas outras mortes, é o preço a pagar por um conhecimento objetivo. O ser humano torna-se objeto: objeto da exploração do homem pelo homem, objeto de experiências de ideologias que se anunciam científicas, objeto de estudos científicos para ser dissecado, formalizado e manipulado”. Discute os malefícios causados pela fragmentação do conhecimento e pela idéia de natureza como uma máquina que pode ser desmontada e controlada, ou a idéia de natureza morta, desvitalizada.

Afirmação 7: Uma nova ciência deve produzir um conhecimento que parta de níveis diversos da realidade, sendo o primeiro deles uma clara noção de “homem”.

Agradeço aos leitores, e estou aberta para as questões.

Adriana De Simone
Psicóloga
Mestre em Neurociência e Comportamento IP/USP
Doutora em Psicologia Experimental IP/USP

Responder

    Fernando

    12/01/2011 - 15h03

    Ola Doutora. Ao criticar o meio academico vc reproduz o que ha de mais pernostico nestas instituicoes: tentar fazer a forca de argumentos pela forca dos titulos… eh uma lastima
    O mais engracado eh que obviamente existem varias pessoas aqui que fazem parte do meio academico, devem ter seus mestrados, doutorados e etc, e vc eh a primeira a faze-lo.
    Talvez faca parte de nova proposta: trocar o maligno objetivimo cientifico (que por exemplo lhe abilita a escrever estas linhas num computador) por outros criterios, como titulos, talvez conta bancaria, forca bruta, sei la… qq coisa… bem interessante. Acho que deve ser bem facil de publicar bons artigos desta maneira.

    Bernardo

    19/01/2011 - 12h59

    Na boa, não entendeu nada mesmo do que ela escreveu.

    Adriana De Simone

    24/01/2011 - 14h36

    Prezado Fernando,
    ainda acredito que a universidade é o melhor ambiente para se discutir idéias. Universidade, universalismo. Meus argumentos se fundamentam em anos de estudo, e nesse sentido se relacionam com meus títulos e experiencia de trabalho. Os títulos na universidade representam um esforço de pensamento, as publicações, a divulgação do trabalho para a comunidade. Não sei se entendi o resto do seu comentário, e também não sei se merece resposta, mas posso dizer que sempre defendi o diálogo e a democracia. Minha crítica pode ser melhor compreendida se vc estudar sobre o que diversos autores descrevem como tecnociencias, sua relação com o neoliberalismo e a discussão sobre os valores na ciencia. Também sobre o valor das publicações, tem muitos autores que criticam o sistema "taylorista" de publicações, critérios de validação exigido atualmente. Pode ter certeza, existe uma mente pensante em alguém que se dispõe a fazer, e encerra um trabalho academico.

    Marcelo

    12/01/2011 - 16h20

    Comentario sem conteudo algum.

    Fernando R.

    12/01/2011 - 16h32

    Me desculpe, mas falta conteúdo e sobram clichês em seu texto.

    Marquez

    12/01/2011 - 18h48

    Vc não entendeu uma linha sequer da entrevista. Psicologia experimental…rsrs
    É cada coisa…

    Peter Claessens

    17/01/2011 - 19h07

    Caro Marquez,
    Não vou comentar as teses de Adriana de Simone nem na entrevista com o prof. Nicolelis. Desta forma o meu comentário talvez seja um pouco off-topic. De qualquer forma, me sinto provocado para dar uma réplica à sua referência em tom pouco respeituoso à psicologia experimental. Na verdade, pelo seu comentário, não tenho certeza se você já ouviu este termo antes. A psicologia experimental é simplesmente o estudo de processos mentais por métodos experimentais em humanos e animais. Processos mentais incluem tanto processos cognitivos, como percepção, memória e aprendizagem, como os menos cognitivos por exemplo emoção, motivação ou interações sociais. (Psicologia experimental às vezes também se refere ao conhecimento obtido através destes métodos.)
    Psicologia experimental é um paradigma centenário inventado por cientistas 'tradicionais' faz bastante tempo – os Elemente der Psychophysik (1860) do Fechner precede o primeiro livro do Freud (com Breuer) em 35 anos. Os métodos e análises desenvolvidos na psicologia experimental formam o conjunto de técnicas comportamentais da neurociência comportamental moderna e continuam sendo aprimorados inclusive em estudos sobre processos mentais publicados em Nature e Science, com qual quero dizer: psicologia experimental não é pseudociência, o que parece ser o teor do seu breve comentário – é mainstream.
    Obviamente, se e somente se de fato você entender o que é psicologia experimental e que metodologicamente a abordagem dela não é diferente de qualquer outra ciência empírica, você ainda tem todo o direito de discordar com a legitimidade científica da psicologia experimental em bases científico-filosóficas, como a Adriana DS tem todo o direito de escolher um ou outro lado ideológico. Só para deixar claro – o discurso da Dra Adriana representa o que ela acha sobre ciência e não é representativo para o que é psicologia experimental – o conteúdo do livro 'Psicologia Experimental' dos autores Kantowitz, Elmes e Roediger, que encontrará nas grandes livrarias, por exemplo, é.

    sonia silva

    12/01/2011 - 20h45

    Coitada… querendo aparecer as custas do Nicolelis.

    André Oliveira

    12/01/2011 - 23h59

    Agradeço sua colaboração Sra Adriana. Pena que os comentaristas da internet ajam com tanta falta de respeito a uma pessoa qualificada e que não leiam os comentários de modo dialético, tentando aprender alguma coisa..A arrogância dos avatares está cada vez mais agravada..Quem não entedeu nada foram os comentaristas…O que a Profa Dra Adriana disse é que existem outros conceitos de ciência e de saber além do que o do Dr Nicolelis produz e que estes também devem ser estudados e debatidos por gente sem os preconceitos vistos aqui…Está cada vez mais duro engolir a impáfia da "mafia dourada progressista"..

    Fernando R.

    13/01/2011 - 12h27

    "Outros conceitos de ciência…", entenda-se: Astrologia, Quiromancia, Homeopatia, cristais…

    Diego

    01/02/2011 - 16h25

    Infelizmente o tom adotado pela internauta não tem NENHUMA abertura dialética. Quem quer ser dialético não precisa começar um texto com a palavra FRAUDE. Assim, as pessoas respondem ao tom agressivo inicial com a agressividade que lhes convier.

    Quem entra em um tópico desses com esse tom agressivo e com esse lero-lero de títulos só quer aparecer mesmo.

    Existiam duas formas de fazer as críticas que ela fez: a forma que geraria uma saudável discussão, e a forma como ela fez. Simples assim.

    Jorge

    17/01/2011 - 15h35

    Se integrar esse comentário de -oo a +oo dá 0! =D
    Sinceramente, sem conteúdo nenhum.
    Deve ser um desses descontentes por ele ter colocado o Instituto no RN e não em SP.

    Cassio R Eskelsen

    26/01/2011 - 10h51

    Gerador de lero-lero ligado em nível máximo.

Tweets that mention Nicolelis: “Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq” | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

12/01/2011 - 11h28

[…] This post was mentioned on Twitter by Paulo Stockler. Paulo Stockler said: RT @fscosta: #PodeIssoArnaldo? Nicolelis respondendo ao um troll na caixa de comentários do @viomundo #NaoTemPreço http://is.gd/kCoNw […]

Responder

Gildemir

12/01/2011 - 11h21

Espero algum dia poder contribuir para esta nova fase da ciência brasileira. Na minha area sinto o mesmo que foi descrito pelo Sr. Niconélis. e fico muito, mas muito triste com esta realidade… Estarei trabalhando para mudar, mas creio que temos de bater de frente com os vicios, temos que permear todos os locais do Brasil com ciencia.
Os orgaos publicos deveriam ter também bons pesquisadores, desenvolvendo ciência uma vez que temos varios servidores publicos que ganham muito bem e nao mudam nada. Existe muita margem para mudar todos os processos burocraticos no Brasil e inovar em administração publica e em meios de fiscalização de alimentos, saude, segurança publica etc, basta termos nao somente funcionarios publicos, mas pessoas compromissadas e bem formadas….
Saudações,
Att,
Francisco Gildemir Ferreira da Silva

Responder

fscosta

12/01/2011 - 10h47

Depois as pessoas não compreendem pq desisti de fazer um mestrado/doutorado pra montar uma mpe de desenvolvimento de software.

A Academia virou um antro de aristocratas egocêntricos, e eu não tenho mais tempo a perder com eles.

Responder

    André Oliveira

    13/01/2011 - 00h04

    Concordo com você. Vale mais você usar os rapapés, por exemplo usar a cordialidade acadêmica, chamar as pessoas de "com licença Prof Dr fulano de tal" do que a competência efetiva em certos setores da academia brasileira. Senti isso na pele como estagiário de uma simples unidade da USP e percebi que esta instituição precisa de muito oxigênio. Uma coisa que eu discordo no entanto é que o Prof Nicolelis reclama de professores dando aulas. Temos que ter bons professores apoiando os alunos também.

MegMarques

12/01/2011 - 10h37

Bons pesquisadores estão atolados em horas/aula e não conseguem se dedicar à pesquisa como gostariam. Isso é um fato pernicioso para as UFES. No entanto, vejo também excelentes professores, que amam dar aulas e o fazem muito bem, e que, por não fazerem pesquisa (ou seja, por não publicarem muito) são depreciados dentro dos próprios departamentos já que "diminuem os índices de produtividade do departamento". Como se formar profissionais bem capacitados não fosse produção. Não vejo ensino e pesquisa como atividades indissociáveis. Seria muito bom para todas as UFES se houvesse uma política do tipo: "deixem as aulas para quem gosta e sabe dar aula e deixem a pesquisa para quem gosta e sabe fazer pesquisa." E que valorizasse os dois tipos de profissional.

Responder

Frederico Sousa

12/01/2011 - 08h13

Parabens ao Nicolelis pela entrevista! Acertou no ponto dos criterios equivocados de ranqueamento dos pesquisadores e no clima de sabotagem na academia. O ambiente universitario brasileiro 'e altamente antietico, o que 'e passado para os alunos que se formam com a visao de que para vencer 'e preciso "se dar bem" (entrar num esquema). Num ambiente deste nao da para ser competitivo em ciencia.

Responder

    @jpcarmo

    15/01/2011 - 16h12

    Eu ouvi a seguinte frase uma vez: "pra se dar bem, vc tem que aceitar e entrar no sistema. Ou voce entra no sistema, ou vc está fora dele!". Deve ser verdade, porque 2 dessas pessoas que conheci e de quem ouvi trabalham em indústrias farmaceuticas poderosas no MUNDO, nao só no Brasil… Mas e aquela outra indústria que permitiu pesquisa de vacina pra HIV e os voluntários adquiriram a infecçao? Nao se exige Ética mais? Só na hora de admitir um novo "empregado" ou só no CV?

Daniel Campos

12/01/2011 - 08h11

Niconélis, como "cientista louco" que sou (daqueles que quando ia inventar moda no laboratório da escola os professores saíam de perto) gostaria de dar a minha contribuição para apontar os problemas da pesquisa brasileira, mas sem a sua sutileza, prefiro esfregar a verdade nua e crua na cara e quem não têm estômago para isso… bem, não dou a mínima:

Responder

    Daniel Campos

    12/01/2011 - 11h45

    A caixa de inserção "comeu" o meu comentário, droga.

    O que eu tinha comentado era um pouco grande e não salvei uma cópia, então vou resumir… O problema da pesquisa científica no Brasil é que ela esbarra em dois pontos básicos: O primeiro é que a nossa educação é feita para meramente treinar "drones" para executarem uma dada tarefa razoavelmente direito e sem pensar muito nela, e em especial sem "pensar demais". É quase que "proibido" você tentar de fato ser original, seu trabalho só é "válido" se tiver dúzias de citações para "medalhões" da área, mesmo que seja um trabalho original onde portanto seria difícil achar citações, se é que existisse quem pudesse ser citado. Brasileiro só acha que o trabalho acadêmico de outro brasileiro têm valor se o "trabalho" for praticamente uma colcha de retalhos feita com os trabalhos de estrangeiros.

    E o segundo ponto é que o brasileiro dá importância demais para "cargos" e "títulos" como se ainda estivéssemos no tempo do Império, onde tudo têm que ser "abençoado" por "manda-chuvas" para poder seguir em frente.

Fernando

12/01/2011 - 06h56

Avalio que quase tudo que o Nicolelis fala eh verdade, mas vejo que alguns dos pontos que ele levantou nao estao sendo bem compreendidos. Embora exista uma exigencia cartorial para ascender nos niveis de bolsa de pesquisa, um pesquisador dificilmente ascende ao nivel 1A apenas sendo um bom burocrata. A maior parte dos pesquisadores nivel 1do Brasil (sejam eles A, B, etc) sao pessoas com reconhecimento internacional e ativos em suas areas de pesquisa. E, literalmente falando, Einstein seriam sim pesquisador 1A, porque existe tb julgamento qualitativo da contribuicao do cientista.
Saibam tambem que mesmo o Nicolelis nao publica apenas artigos de grande impacto. Existe um trabalho de formiguinha que tem grande importancia na ciencia e estah fora do holofotes da principais publicacoes. E tambem estou lendo muitos comentario de gente que eh "contra o produtivismo", "contra a CAPES", etc, etc… percebam que em nehum momento Nicolelis dah aval as eternas prima donas da ciencia que nunca publicaram um artigo na vida… tem que publicar sim… tem que ter artigos, bons e ruims. A questao que o artigo nao pode ser pelo artigo em sim… entao la vai um exemplo: quando vc estah montando um novo equipamento vc precisa comissiona-lo. Vc entao mede amostras padrao e checa se os resultados estao Ok. O fato de vc ter feito esta checagem, e de ter conseguido montar uma maquina complexa altamente especializada, rende um paper num journal de instrumentacao cientifica. Este paper eh importante para que em publicacoes futuras, alguem que esteja julgando seu trabalho possa saber como sua instrumentacao funciona com uma amostra padrao. O paper em sim nao eh importante, mas a importancia dele a longo prazo eh obvia.
Outra coisa eh a critica do Nicolelis ao que ele chamou sistema de cardeais… olha gente, o Nicolelis defende um modelo de C&T que eh o modelo americano. Na Europa, por exemplo, tudo gira em torno dos cardeais. No Brasil, um jovem pesquisador tem muito mais chance de ter financiamento independente do que na Europa. Eu tendo a acreditar que o problema no Brasil eh que existem poucos cardeais… ou seja, dado que a competicao eh pequena, vc pode se fechar no seu mundinho… se um cardeal faz isso na Europa, ele rapidamente eh "excomungado" e substituido.
Eh injusto tb dizer que o Rezende nao atacou a estrutura. Isso nao eh verdade. Ele o fez onde eh mais dolorido e deve ter perdido alguns amigos por isso. O investimento em Universidades fora do eixo Rio-Sao Paulo foi muito grande. A grana foi descentralizada e os resultados serao vistos nos proximos anos.
Bem, estou apenas querendo fazer um contraponto, pois parece que o post foi quase uma unanimidade. Tambem tenho minhas criticas ao sistema brasileiro, mas acho que a questao mais urgente eh o acesso a universidade. Eh preciso criar dispositivos para acabar com o vestibular e botar todo mundo pra dentro.

Responder

walfredo

12/01/2011 - 00h26

A pesquisa no Brasil

Tão ou mais importante que repatriar pesquisadores, é manter aqui os que estão sendo formados.

Contudo, em verdade, todo nosso sistema de pesquisa necessita ser reformulado!

Atualmente, as Universidades e pesquisadores recebem verbas na medida em que publicam trabalhos acadêmicos em revistas de impacto.

Todavia, as revistas de impacto são estrangeiras. Assim, isso obriga nossos pesquisadores a dominarem um idioma alienígena, o que atrasa e diminui a qualidade dos trabalhos publicados, visto ser muito difícil o domínio completo de uma segunda língua.

Da mesma forma, a obrigação de publicar trabalhos em revistas estrangeiras submete a pesquisa nacional aos interesses externos, visto que os editores dessas revistas possuem menos interesse em pesquisas que envolvam questões nacionais – como a cura da doença de Chagas ou da Malária – do que males estadunidenses e europeus – como o envelhecimento e o câncer, apenas para citar a área médica.

Na área de tecnologia, trabalhos que buscam emancipar tecnologicamente nosso parque industrial não possui relevância para os editores estrangeiros – e portanto não recebem recursos, visto que as tecnologias que precisamos já são do domínio deles.

Necessitamos criar a revista nacional de pesquisa, para que todos os trabalhos financiados pelo governo brasileiro sejam publicadas em português, facilitando a produção dos artigos e sujeitando as pesquisas ao interesse da comunidade brasileira.

Precisamos, ainda, criar outras empresas brasileiras de pesquisa, nos moldes da Embrapa, para a contratação de pesquisadores e o desenvolvimento de pesquisa de interesse de nosso governo – e não apenas do meio acadêmico.

Assim teríamos nas proximidades das universidades, a Embrapi – para pesquisa industrial, a Embrafar – para pesquisa farmacêutica, a Embrabio – para pesquisas ecológicas e biológicas, etc..

Após o desenvolvimento dos novos produtos e equipamentos, nos moldes encomendados pelos ministérios e empresas nacionais, esses seriam licenciados para a produção por empresas brasileiras ou por uma estatal, caso a comercialização desses sejam considerados importante pelo governo e não encontre empresários interessados.

Responder

    ZePovinho

    12/01/2011 - 11h28

    É isso aí,Walfredo!!!

francisco p.neto

11/01/2011 - 23h58

Eu ia dizer que o Nicolelis deve ser "adorado" pela comunidade científica brasileira, mas ele já disse na entrevista.
Agora, uma pérola que eu não posso deixar passar batida é essa aquí: "só o Brasil ainda admite cientista por concurso público. Cientista tem de ser admitido por mérito, por julgamento de pares, por entrevista, por compromisso, por plano de trabalho".
Aliás, sobre isso, eu já comentei lá no Nassif o processo de seleção (concurso?) de professores/pesquisadores nas nossas universidades, principalmente as de São Paulo.
É um processo viciado, malandro, safado, que via de regra exclui os mais preparados. Tudo num ambiente de compadrio, para que prospere a mediocridade.
Os nossos PhD (?) tem medo das sombras.
Há algum reparo nessa entrevista?
Nossa!!! Eu estou de alma lavada.

Responder

Maria S. Magnoni

11/01/2011 - 23h40

Impecável Nicolelis!! Matou a cobra e mostrou o pau!! Quanto à FAPESP, vejam isso:
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13293/the-ec

Respostinha pífia ao fato de não ter sido mencionada na matéria sobre a Ciência Brasileira publicada pela Science, pura dor de cotovelo!!

Abs.

Responder

    Luis

    12/01/2011 - 10h29

    O mais interessante é lembrar que a "The Economist" é a mesma que publicou uma reportagem (totalmente imparcial, claro…) "recomendando" o voto em José Serra: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/the-econo
    E agora publica essa reportagem, pretensamente sobre a ciência no Brasil, que aparenta ter o único propósito de bajular o estado de São Paulo (o mais "rico", o "líder", etc).
    É dose!

darkgabi

11/01/2011 - 21h23

no primeiro semestre de 2009, lá pra junho se eu bem me lembro, ouvi a mesma queixa de um alemao: que aqui nao há gestores, apenas cientistas que ocupam cargos admnistrativos. o comentário foi feito especificamente sobre uma discussao da política no museum für naturkunde de berlin, mas me parece que nao é um problema exclusivo dos brasileiros…..

Responder

Carvalho

11/01/2011 - 20h46

Então o pesquisador fez experiência com ratos e macacos, nos EUA, e agora quer vir para o Brasil fazer experimentos em humanos. Por que ele não faz na universidade em que é ligado, nos EUA?
E ainda é reticente com o ministro Aloisio Mercadante,que no ano passado defendeu tese de doutorado.
saúde!

Responder

ZePovinho

11/01/2011 - 20h17

O Brasil forma 10 mil doutores por ano.Desses,uma pequena parte é absorvida pela universidade.Na universidade,ao invés de pesquisar,muitos ficam participando de eleições para a direção da universidade.Quando assumem cargos como o de reitor,pró-reitor,etc. já era.O cara,quase sempre,não quer mais saber de pesquisa porque o salário de reitor,somado com o de professor,chega a 20 mil,30 mil reais.
Eu acho que a administração das universidades devia ser profissional.Pesquisador fazendo pesquisa,um corpo de professores com um plano de carreira bem remunerado(se não quiser fazer pesquisa) e a gestão tocada por funcionários especializados para isso com rigoroso acompanhamento do TCU e da CGE.
Do jeito que está,temos um monte de burocratas se escondendo por trás da autonomia universitária e aparelhando a universidade pública para fins privados.Já repararam que quase todo filho de professor(como os juízes no judiciário) consegue bolsa de iniciação científica,mestrado ,doutorado,viagens ao exterior bem rápido???Esse é apenas um dos fenômenos que ocorrem nas universidades,onde reina a falta de controle pelo governo dessas instituições.
A universidade pública precisa de uma reestruração pesada.Do contrário,veremos o povo(quando souber o que ocorre com a entrada em massa da nova classe média no ensino superior) se recusando a manter essas importantes instituições que,bem ou mal,são responsáveis pela maior parte da pesquisa brasileira.A PETROBRÀS,por exemplo,se beneficia dos profisionais que a COPPE/UFRJ forma.Sem eles, seria difícil a empresa ser o que é.
Eu amo a universdidade pública.Foi a melhor coisa que o Estado brasileiro já fez.Porém,tem muita gente que não dá valor a isso.Na realidade,a pesquisa na universidade pública é feita por cerca de 20% dos professores que,ainda,dão aulas.O resto enrola,não prepara aulas,só quer saber de carreirismo e não pode ser cobrado porque o reitor depende dos votos dos professores(afinal o sistema de votação,em muitas universidade,é proporcional.O voto do professor vale 3 vezes o voto de 1 aluno) para ficar no poder.

Responder

edv

11/01/2011 - 18h20

Tenho a satisfação de ter aprovado um projeto com a Fapesp, que teoricamente, é uma excelente sacada e instituição, mas obviamente depende de gestão, como qualquer outra. Não é incomum sobrar (muita) verba!
Na época, ao submeter meu projeto (tecnologia de automação) , desgastei-me um tanto para vencer preconceitos, academicismos e colocar a importância do desenvolvimento em sincronia com a pesquisa. Orgulho-me de ter sido bem sucedido na (dura) empreitada. Não posso deixar de ser grato.
Mas torço para que tais instituições (FAPExxs), aperfeiçoem-se em todo o país para ser mais eficazes em trazer resultados da ciência e tecnologia para as pessoas e para o país.

Responder

Psicobio

11/01/2011 - 18h15

Olá a todos,

concordo com vários pontos do Miguel.
Entretanto penso que devemos pensar numa questão de ordem prática.
Como fazer com que as críticas consensuais se tornem um movimento real de mudança. Como podemos atuar em conjunto para mudar a administração científica no Brasil.
Digo isso porque concordo com a necessidade de mudança e muito me incomoda não saber como fazer esses ideiais virarem realidade.

Devemos agir de fato e sair de um discurso apenas apologético.
É fundamental termos ações de fato. O Miguel tem feito as deles, mas o que nós podemos fazer?
Miguel teria alguma idéia para isso?

Responder

    Laura

    12/01/2011 - 07h51

    Olá Psicobio. Acho mesmo que devemos fazer alguma coisa, a situação da gestao científica no Brasil em muitos aspectos é lamentável.Uma coisa que dá para fazer é escrever aos órgãos de fomento, Capes e CNPQ dando sugestões.Se muita gente escrever já é alguma coisa. Outra seria fazer um movimento mais organizado dos doutores do país. Como foi o dos Jovens Doutores nos anos FHC. Agora poderiam ser os Recém doutores nas Universidades Públicas.

marcelo sant'anna

11/01/2011 - 18h14

Chuta, chuta o cachorro morto, que é pra ver se ele acorda. E esse cachorr se chama Brasil.

Responder

JoséIvanMayer Aquino

11/01/2011 - 18h03

Prezado Azenha,
É chegada a hora de ouvirmos o importante Pesquisador Nicolelis e contribuir para transformar em obra de política pública o Plano Manifesto da Ciência Tropical.
Trabalho como Especialista em Políitcas Públicas e Gestão Governamental e tenho uma proposta de prospecção de talentos e premiação com bolsas que pode atender parte das formulações contidas nas 15 metas formuladas pelo cientista visionário.
Seria possível estabelecermos pontes com o Pesquisador Nicolelis?
Telefone: 61-2022-9149(Trabalho/MEC) 61-3367-2891 (Res) – Não uso celular.
[email protected] [email protected]
José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida

Responder

    Conceição Lemes

    11/01/2011 - 18h55

    José Ivan, passarei já o seu comentário para o professor Nicolelis. abs

    JoséIvanMayer Aquino

    14/01/2011 - 16h10

    Conceição,
    Muito obrigado. Espero que nossa junção possa ajudar no desenvolvimento dos garotos e garotas que jogam bola nas praias, nas aldeias, nas várzeas…
    José Ivan

    Romualdo

    13/01/2011 - 00h23

    Retornaram o contato, José Ivan?

Julio Silveira

11/01/2011 - 18h02

O povo brasileiro sofre em todas as áreas com a burocracia cartórial, em que o carimbo oficial e sua respectiva taxa têm que respectivamento aposta e cobrada para terem relevência documental.
Isso é fruto de uma inapetência secular de nossa sociedade pela inovação em todos os aspectos da vida na sociedade, não apenas cientifico. Herdamos do império a necessidade da manutenção da corte e seus lordes através do sistema de cobrança arcaico que vem daquela época. Na transformação do império para Republica ao invés de aproveitarmos a oportunidade e criarmos instituições originais que nos libertassem do mal do império, adaptamos. Resultando que hoje temos que pagar pedágio para o crescimento, inclusive social. Substituimos o império monarquico por um tipo de império Republicano esse sim originalissimo. Mas essa originalidade foi puramente ocasional.

Responder

Fernando R.

11/01/2011 - 17h22

Fantástico!
Mas fica claro que o Nicolelis não entende nada de evolução biológica. A espécie humana não está passando por aquelas transformações que ele tratou. O Richard Dawkins que ele cita nunca disse aquilo, como contextualizado aqui.
Prezado Nicolelis, evitar esta seara valorizará a sua obra.
Felicidades

Responder

    Miguel Nicolelis

    11/01/2011 - 22h31

    Curioso quando eu conversei com ele, ha 3 anos, ele gostou muito da ideia. E se vc ler os livros dele direitinho (The Selfish Gene e Expanded Phenotype) vc vai encontrar ideias muito semelhantes la. Eu realmente nao sou um especialista na teoria da evolucao, mas nem ele e' neurocientista e ainda assim a gente concordou nesse e em outros pontos. Ideias cientificas podem sim ser discutidas por todos. A sua tentativa de desqualificacao mostra que vc nao esta muito acostumado a essa pratica!
    Felicidades

    Fernando R.

    12/01/2011 - 09h18

    Não intencionava desqualificá-lo, tanto que considero seu artigo fantástico.
    Me ative a uma única questão do sua extensa e profunda análise: a evolução humana; assunto pelo qual me interesso. Asseguro que a seleção natural e os outros fatores evolutivos concorrentes para a evolução trilham caminhos distintos daqueles expostos.
    Conheço a obra completa do Dawkins (e pouco do S. J. Gould – e por isso não o citei) e estranho a concordância alcançada entre vocês.
    Minha intenção real foi de divergir neste pequeno tema, mas reafirmo aqui meu êxtase ao ler seu artigo. Conheço razoavelmente nossa comunidade científica, e me vi plenamente representado em seus pontos de vista.
    Parabéns!

Nilton

11/01/2011 - 16h58

Num outro tópico, eu postei o mesmo vídeo que reenvio aqui, pois acredito que a discussão que ele levanta, vem a calhar! O fracasso educacional brasileiro em todos os níveis e em todas as instâncias, não é um fracasso, é um programa, disse Darcy Ribeiro em (pasmem!) 1977. Enquanto não "reevoluirmos", continuaremos como cegos, se debatendo num fosso profundo e desconhecido. Segue meu vídeo sobre a Educação no Brasil.

[youtube u_h7CqYRcjc http://www.youtube.com/watch?v=u_h7CqYRcjc youtube]

Responder

O_Brasileiro

11/01/2011 - 16h09

Nicolelis "meteu o dedo na ferida"!!!
No "cartório" Brasil, tudo é feito para ajudar os amigos e os amigos dos amigos!!!
Artigos inúteis e orientações de teses inúteis são como condecorações em generais que abandonaram o campo de batalha: um dia já valeram alguma coisa, mas hoje… Dêem a esses "generais" o reconhecimento, e dêem o dinheiro para quem tem boas idéias e quer trabalhar!!!

Responder

Nilton

11/01/2011 - 16h07

Num outro tópico, eu postei o mesmo vídeo que reenvio aqui, pois acredito que a discussão que ele levanta, vem a calhar! O fracasso educacional brasileiro em todos os níveis e em todas as instâncias, não é um fracasso, é um programa, disse Darcy Ribeiro em (pasmem!) 1977. Enquanto não "reevoluirmos", continuaremos como cegos, se debatendo num fosso profundo e desconhecido. Segue meu vídeo sobre a Educação no Brasil.

Sobre o Óbvio
http://www.youtube.com/watch?v=u_h7CqYRcjc

Responder

ZePovinho

11/01/2011 - 14h25

Enquanto isso,mizifio Azenha(saravá!),a China já colocou seu caça de quinta geração no ar:
http://planobrasil.com/2011/01/11/video-e-imagens

[youtube NfPbf3Ob_1M http://www.youtube.com/watch?v=NfPbf3Ob_1M youtube]

Responder

adhemar

11/01/2011 - 12h39

o brasil mudara qdo a imprensa deixar der ser um partido politico,corretamente rotlulado como pig"pha"nicolelis não tem espaço na grande midia,logo sera taxado de extrema esquerda e apoiador do mst,basta ver artistascom ideias diferentes das elites perderam espaço,eles adoram jogador de futebol,pois são facilmente controlados por eles

Responder

Tatiana

11/01/2011 - 11h52

Acredito que exista também uma questão de "mentalidade popular" sobre ser pesquisador, principalmente quando ainda estamos no mestrado ou no doutorado. As pessoas nos perguntam o que fazemos (e respondemos "pesquiso" ou "estou preparando minha dissertação/tese"), ouvimos "mas você não trabalha?". Como assim, não trabalha? Portanto, além das burocracias, das desigualdades, das injustiças e do elitismo dentro de qualquer campo de pesquisa, há a desqualificação do pesquisador por parte de grande parte da sociedade brasileira. Parece até que estamos brincando de fazer pesquisa de escola.

Responder

Juliano Iowa

11/01/2011 - 11h48

Eu convivo com gente assim, lá de uma determinada Faculdade da USP.
Não citarei nomes, mas todos são ligados à FAPESP e a grandes projetos e investimentos.
Infelizmente, a regra é a mesma que a citada na entrevista: são todos prepotentes, defendem a cada vez mais a elitização do ensino, e por último, sempre tratam todos os que não vieram da USP como se não soubessem nada de relevante.

É lamentável.

Responder

    edv

    11/01/2011 - 21h00

    Sou testemunha disso.

mariazinha

11/01/2011 - 10h27

Pois é gente. Aí está o começo do fim dessa gente afrescalhada que está dentro da Academia. Só mesmo esse "SENHOR CIENTISTA' para colocar as coisas nos lugares certos; vi uma aula dele inalgural e fiquei estarrecida tamanha era sua humildade e sabedoria. Ainda temos dentro das Universidades brasileira um conceito arcaico de distribuição do saber um ranço de superioridade; são professores decréptos, vaidosos e avarentos. Eu sou testemunha. Conheço meninos/as que ao se formarem tomaram tanto nojo da Universidade que sentem ânsias ao passar em sua porta. Outros, pessoas sensíveis, adoeceram e desistiram tal o grau de pressão que sofreram. O sábio Nicolelis sabe do que falo e é ELE que derrubará o mito/monstro que se criou dentro das Universidades públicas. Como em outros setores dos poderes da República, por ex. a justiça brasileira, atrasam em muito o desenvolvimento do BRASIL . Verdadeiro atraso de vida.
Excelente assunto, parabéns.

Responder

Oliveira

11/01/2011 - 10h15

Já deu para entender muita coisa. Inclusive já arrisco uma previsão. Mercadante não será um bom Ministro, pois vai beneficiar o Estado de São Paulo para recuperar terreno político.

Responder

Cético de Plantão

11/01/2011 - 09h03

A academia brasileira não produz absolutamente nada de relevante, fora do campo das ciências aplicadas, há décadas. Mas em matéria de proselitismo político é campeã mundial, basta ver os departamentos de ciências humanas de todas as universidades.

Responder

    André Oliveira

    13/01/2011 - 00h37

    Produza alguma coisa relevante então para contrapor este tipo do "comportamento proselitista" já se achas tão superior. No dia em que você for capaz de amarrar os sapatos de um Oswaldo Coggiola a gente volta a se falar. A Academia espera ansiosamente pela luz da sua genialidade…E use o seu nome se quiser não ser comparado a um platelminto…

    Marcio M.

    14/01/2011 - 15h26

    Você o combate citando um professor argentino, com carreira acadêmica quase integralmente construída fora do país? Isso é uma confirmação da assertiva dele.

    Cético de Plantão

    14/01/2011 - 19h12

    Ser chamado de platelminto por um asinino não tem problema. Aliás seu exemplo é fantástico. Um argentino, que só estudou fora do Brasil. Sua exceção é a maior confirmação da regra…

Carlos

11/01/2011 - 08h23

Bem, a chamada do post diz tudo.
Se Einstein fosse pesquisador no Brasil, só trabalhando com matemática pura e dando aulas, como fazia, poderia não pertencer a um grupo seleto, não teria seus artigos publicados em Qualis A, não seria orientador de curso de PG. E vejam que seus artigos mais famosos foram publicados quando o "cara" era escriturário!!!
Ao final, veria suas idéias serem divulgadas por outro pesquisador, de um pais que incentiva mais a criatividade científica, levar as laureas de algo que já deveria ter sido divulgado bem antes.
Nosso viés cultural ainda é o do escambo. Ganhar para voltar para "metrópole européia".
Com salário de deputado federal equivalente a 644 professores do Ensino Fundamental eu pergunto: vale a pena ensinar? Ou, vale a pena pesquisar?
Não valeria mais, fazer políticagem?

Responder

Daniclei

11/01/2011 - 06h19

Faltou apenas um ponto que o professor não comentou mas eu tenho a "deselegância" de comentar. A Capes é gerida indiretamente pela igreja Católica. A inquisição é tão brutalmente sutil atualmente que nem podemos acusá-la formalmente e, se acusar, vira escândalo nas manchetes.

Responder

    Marcos

    17/01/2011 - 02h04

    Provavelmente o professor não "comentou" isso porque, pra fazer ciência, não sobra tempo de se preocupar em ficar divagando acusações a uma instituição que – apesar de seus problemas – têm nobres objetivos enraizados e concretizados na história.

    Aprenda com a Aracy_, que fez uma análise mais cabida.

Aracy_

11/01/2011 - 03h33

Nicolelis foi muito preciso quando expôs a hipocrisia, a arrogância e a burocracia que dominam o sistema atual de financiamento de pesquisa e avaliação acadêmica no Brasil. Os gestores da área e pesquisadores têm de ter ética, competência técnica, compromisso com o povo brasileiro e, mais do que tudo, a grandeza de serem humildes.

Responder

Eduardo

11/01/2011 - 02h37

Se ele acha tudo isso das ciências exatas e biológicas no Brasil, imagino o que ele pensa das humanas! Nunca vi tanto punheteiro na vida.

Responder

    Fernando R.

    11/01/2011 - 17h14

    Isto é particularmente triste, mas não é fenômeno brasileiro. A cátedra da área de humanas mundo afora está infestada por sujeitos que falam muito, mas não dizem nada.

Jiddu

11/01/2011 - 02h23

Um brasileiro completo, gênio raro que terá um impacto positivo na história da ciência mundial. Mas o melhor é que ele alia à genialidade o senso ético. Democrata. Será sem dúvida reconhecido como uma das maiores mentes do século XXI. Lutador. Eu queria ter nascido há poucos anos, na periferia de Natal, para ter a chance de ser um dos meninos pesquisadores do IINN-ELS.

Responder

Rodrigo dos Santos

11/01/2011 - 01h55

O NIcolelis fala muitas coisas fantasticas , mas nao concordo com essa coisa de empreededorismo na ciencia , tambem nao tenho acordo com a proposta formulada nas entrelinhas de flexibilizar a carreira docente e a carreira tecnico administrativa , nao aceito que se rebaixem direitos trabalhistas , acho que Nicolelies poderia explicar isso melhor . inclusive aqui no Brasil, deveria existir uma legislação mais interessante para ambientes de pesquisa insalubres, pos graduandos em quimica , farmacia e areas perigosas em geral não tem nenhum tipo de plano de saude especial , isso é um absurdo que ele nao levanta !

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Almeida Bispo

11/01/2011 - 01h06

Cartório? No Brasil? Cê tá brincando!
Ainda ontem estava dando risadas a sós. É que encontrei a reprodução de um documento datada de 12 de dezembro de 1761 onde o padre da minha cidade – então uma vila – pede ao Rei D. José I uma esmola para construir uma igreja decente. O documento é fantástico, claro, pelo que representa; mas o que me fez dar gargalhadas foi contar treze… treze rubricas num único documento que sequer iria direto para as mãos do Rei. Olha o ano: 1761. Existiam no Brasil pouco mais de cento e vinte municípios, dos quais, seis sedes já eram cidades. E ainda tem gente reclamando que há, no momento funcionário demais e muito chefe pra pouco índio…

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Mauri

11/01/2011 - 00h35

Provavelmente nunca irei encontrar Miguel Nicolelis,sou do Piauí,cidade do interior,mas todas as vezes que leio alguma das inúmeras entrevistas que sai na internet (quase nunca na grande imprensa)fico com os olhos rasos d'água,dá um imenso orgulho de ser brasileiro.Esse cara simplesmente tem,além do talento reconhecido mundo afora,uma mensagem que nos faz acreditar nesse País,no seu povo,na nossa cultura popular,erudita feita por gente dos cafundós do Brasil como a coluna que escreveu na revista Brasileiros falando do genial violonista Canhoto da Paraíba.É o nosso embaixador por excelência no dito primeiro mundo.Vida longa ao Professor Nicolelis.

Responder

    Elianne

    25/01/2011 - 14h57

    Nicolelis tem projeto p o Piaui, sabia?

Antonio Carlos

10/01/2011 - 23h49

Li outro dia aqui nesse blog "sujo" que o PIG nao deu descanso para o presidente Lula. Por quê?__Ora, a direita pensa anos e anos na frente – caso a presidente Dilma nao tenha um governo tao eficiente que lhe garanta a reeleicao é obvio que o plano B é Lula, portanto, eles nao deixarao o ex-presidente em paz. Qualquer crise ou problema na gestao do governo atual, irao atacar Lula, eles morrem de medo do barbudo. Sabem que se o homem quiser ele volta para mais oito anos, então o plano é começar a minar agora a candidatura dele em 2014. Parabéns pelo site!

Responder

Renato

10/01/2011 - 23h41

Autocrítica
Meses atrás fiz comentários equivocados sobre o Nicolélis. Eu estava errado. As suas opiniões demonstram uma lucidez invejável. Oxalá o Governo Dilma o consulte, pois estamos precisando oxigenar o mundo acadêmico, cada vez mais medíocre e mercantilizado. Cito Machado de Assis: "Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a universidade me não tivesse ensinado alguma; mas decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas de conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação…"(Memórias Póstumas de Brás Cubas. Abril coleções, p. 87).

Responder

Fátima Oliveira

10/01/2011 - 23h31

Complementando o comentário anterior:

Miguel,
Especular, especular e especular é a sanha e a saga de quem persegue trilhas nas biociências. Recordo-me que em 1995, quando escrevi na primeira edição do meu livro Engenhari genética: o sétimo dia da criação (Moderna) que o DNA-lixo poderia ser um "baú de lembranças" quase fui engolida por alguns professores doutores da USP, mas relevaram porque o meu livro era apenas um paradidático, pero… foi o primeiro livro de popularização de engenharia genética escrito no Brasil e até hoje vende, como água e já o revisei algumas vezes.
Bem, hoje bem sabemos que o tal do DNA-lixo só o é para ignorantes…
Enfim, eu teorizei sobre o DNA-lixo em 1995, exatamente o que sabemos o que ele é hoje! Não precisei ser geneticista, nem trabalhar com o DNA em laboratórios, apenas intui sobre ele com base em meus estudos em genética, que é um "passatempo"… Brinco que sou uma geneticista teórica.

Responder

Fátima Oliveira

10/01/2011 - 23h27

Caro Miguel: eu acho que você está intuindo no rumo certo quando diz:
“Estou propondo uma nova teoria que vai provavelmente acabar com minha carreira (risos). Acredito que não há distinção entre doenças neurológicas e psiquiátricas: todas elas são doenças temporais, relacionadas ao tempo dos neurônios, ou seja, variantes epilépticas. A única doença do cérebro que existe realmente seria uma epilepsia. Já publicamos três trabalhos este ano com modelos de doenças ditas psiquiátricas e, em todas, encontramos uma assinatura temporal que permite classificá-las como distúrbios do tempo, epilépticos. A ideia surgiu quando vi os registros eletrofisiológicos de ratos com Parkinson e eles lembraram muito os registros de uma crise epiléptica central que conheci quando era estudante.” (Miguel Nicolelis).

Responder

Pitagoras

10/01/2011 - 22h53

Será que, como dizia antigo humorista hoje decadente, não é o caso de "não traz a Máfia pro Brasil que esculhamba a Máfia".
No momento que solta dinheiro do erário público para o empresário privado tupiniquim o que ocorre é muito enriquecimento pessoal e bulhufas para o destinatário final e único do investimernto: o povo.

Responder

Fabiano

10/01/2011 - 22h38

Concordo plenamente com Nicolelis quando ele diz que um dos grandes problemas é que os cientistas brasileiros tem que dar 300 horas de aulas no semestre. Vivo isso no dia a dia na UFMG. Sou professor há dois anos na instituição; quero me dedicar mais a pesquisa e não posso pois preciso dar muitas aulas.

Responder

Nathália de Tarso

10/01/2011 - 22h09

Conheço professores que estão na sala de aula "porque não tem jeito e não dá pra viver só de pesquisa nesse país" Muitos dão aulas no automático, insatisfeitos quando gostariam de estar nos laboratórios e arquivos da vida. Sem falar na corrida pela publicação, o famoso "movimentar o lattes". Tem coisa mais ridícula que perder um concurso porque esqueceu de registrar um artigo publicado?

Responder

Mario Alex

10/01/2011 - 21h44

O Professor está pleno de razões, precisamos acabar com os feudos que dividem à décadas, entre si,os recursos para a pesquisa nesse país.

Responder

Gonzalo

10/01/2011 - 21h36

Muito boa a entrevista. Concordo, modestamente, em quase tudo. Um detalhe quanto á meritocracia no Brasil: o Dr. Nicoledis acha que concursos não são o ideal e que seria melhor o sistema dos EEUU (análise de CV, proposta/projetos de trabalho e entrevista). Concordo… mas vejam que aqui a banca avaliadora deverá ser muito grande, pois se 3 ou 4 "prof.s Drs." em uma banca de concurso público "objstivo" fazem misérias (escolhem quem eles querem, em plena luz do sia, e ninguém faz nada!), imaginem esses 3 ou 4 em uma entrevista que já é sabidamente uma metodologia subjetiva!!! Um horror! Fora isso, viva a ciência toda, a serviço de todos, da mais básica à mais aplicada.

Responder

niveo campos e souza

10/01/2011 - 21h35

Professor Nicolelis você pensa 50, 100, 200 anos na frente
É só assim que se constrói uma nova nação, fora da mesmice e dos séculos que já foram.
A maior e mais bem distribuída fonte de vida são o sol, os mares e as florestas
O seres humanos, as universidades, os institutos de pesquisa e todo o conhecimento deve se orientar por eles
O professor Nicolelis é um presente para o Brasil.

Niveo Campos

Responder

Marcio H Silva

10/01/2011 - 20h59

Este Nicolelis, com todo o respeito, é um cara arretado. Fala mesmo. Se ele estiver lendo os comentários, gostaria de um parecer sobre o aproveitamento de crianças "superdotadas" em nosso país. Li que em diversos países tem um programa especial para desenvolver estas criaturas super inteligentes.

Responder

El Cid

10/01/2011 - 20h44

o Professor Nicolelis é uma pessoa admirável, a par de pesquisador eminente, entusiasmado e entusiasmante. Foi erigir seu ninho de saber no Rio Grande do Norte, simplesmente onde avaliou ser mais preciso. Um brasileiro!

Responder

Archibaldo S Braga

10/01/2011 - 20h13

É verdade PROFESSOR, para gestar tem que ser um bom ADMINISTRADOR e não um CIENTISTA! Por isso, ainda que lhe cause espanto a indicação de MERCADANTE, temos que esperar para apreciarmos seus acertos ou criticarmos seus erros! Torcemos para que seja um RENATOR ARCHER! E não como o filhote do pig, Gonçalves (que não se perca pelo nome, faz me lembrar aqueles que colonizaram o Brasil) colocou na chamada, sem nada dizer da péssima administração em SÃo Paulo!! Braga

Responder

    Flavio Lima

    11/01/2011 - 21h24

    Esse ponto é crucial. Grande parte do tempo do pesquisador é gasto em burocracia tanto pra pedir o dinheiro como pra depois fazer relatorio. E a falta de pessoal de apoio é cruel. Ter que fazer burocracia interna, ajudar na gestão do departamento, picuinhas do levantamento bibliografico, lapidar e depurar arquivos…e la se vão uns 60% do tempo que seria gasto na pesquisa.

Ney Henrique

10/01/2011 - 20h06

Eu sou fa do Nicolelis … não concordo com ele em tudo, mas sem dúvida o cara é foda!

Só um cometário: Nos estados Unidos essa coisa de pavão existe tb! Esses dias atrás eu mandei um artigo pra uma revista americana … eles me mandaram um e-mail de volta perguntando se eu era doutor pra ter a ousadia de enviar o artigo pra eles. (defendo meu doutorado em 2 meses).

Responder

    Jairo_Beraldo

    10/01/2011 - 21h24

    O engraçado de tudo isso, Dr. Ney, é que quanto mais nos qualificamos, mais somos desprezados. O reconhecimento só vem por coisas que são aproveitadas para se fazer mal ao ser humano. Mas vamos que vamos.

ZePovinho

10/01/2011 - 19h53

Apreciei essa frase,mostrando como a burocracia científica paulista vê o Brasil:

"………..Não adianta dizer em reuniões com emissários internacionais que São Paulo tem uma “relação amistosa” com o Brasil, este outro País fora das fronteiras do Estado. Este bairrismo não ajuda em nada".

Responder

Sérgio

10/01/2011 - 19h34

Parabéns Nicolelis pelas palavras me fez lembrar meu tempo de estudante de engenharia elétrica na universidade federal do Ceará, tanta medicridade, arrogância, produção cientifica nada!!!!

Responder

alex

10/01/2011 - 18h55

" O ministro (Fernando Haddad) é o melhor já tivemos na história da República. Ele criou a infraestrutura que será lembrada daqui a 50 anos como a reviravolta da educação brasileira. Com o Haddad eu consigo conversar e nossa parceria está dando resultados.".
o Haddad pode esfregar isso nacara dos cilunitas do PIG.

Responder

Terezinha Fatima

10/01/2011 - 18h45

Somos [email protected] por partilhar tão importante artigo. Temos nos indignado com tanto protecionismo e somos "punidos"e sufocados em nossas opiniões e ideias que defendemos, pois não permitem a visibilidade de nossa voz. Temos o que dizer, mas nos impedem. Há todo um "aparato" de apadrinhamento em todos os locais que deveriam ser isentos desses "artifícios". Isso tem que acabar! Haja vista a "barganha" nos mais escalões do "poder".

Responder

Florival Scheroki

10/01/2011 - 18h44

O que é que tem para acrescentar? Você Nicolelis, disse tudo que eu via e/ou imaginava, mas como sou apenas um doutor, sem produção, me sentia acanhado para dizer. Será que é devido a tudo que descreveu que eu sou um doutor sem artigo publicado, apenas com dissertação e tese? Boa minha pergunta?!!! VoC~e faou pela minha alma. Endosso até o que ficou por dizer.

Me fez lembrar um episódio lindo. Umd ia de 1977 eu estav de iniciação científica no lab de psicologia experimental do IPUSP, acolhido pela Professora Fix Ventura, com quem aprendi admirar ciência, e eis que ela deu um salto de felicidade ao olhar para a imagem no osciloscópio paralela a um som que ela identificou como o som de um registro unicelular – potencial de ação de animal de olho composto. Me decompus em alegria. Sei que o assunto talvez seja para outro espaço, mas foi a emocionante. Sou um exemplo vivo de um excluído pelo sistema mal gerenciado, de critérios burros.

Hoje sou clínico em psicologia, e a ciência me fascina como me fascinava subir no meu pé de manga aos 7 ou 9 anos. Meu tempo já passou. E sei o que é sair da periferia – da pobreza econômica e cultural – para tentar ser cientista. É a minha vida.

Parabéns, sucesso e conto com sua visão empreendedora de cientista que ama o Brasil e a Humunidade.

Responder

Jairo_Beraldo

10/01/2011 - 18h37

"Também questionou os critérios – marcadamente políticos – que teriam norteado a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante."

Não seria mais pertinente dizer que – "…critérios – mercadantemente políticos – que teriam…" ?

Responder

Laura

10/01/2011 - 18h31

Ah, Picasso não entraria na Academia brasileira, muito menos obteria financiamento. Seria considerado incompetente por não 'publicar artigos" em revistas indexadas.
Caramba! Ele pintava quadros e revolucionou nossa visão de mundo pela visão, pela pintura, pela maneira de CONCEBER VISUALMENTE o mundo.

Responder

Laura

10/01/2011 - 18h26

Recolocando aqui o que já coloquei em outro tópico Em muitos aspectos tem o mesmo diagnóstico que o Niconélis.
Vamos lá:

Para melhorar a universidade no Brasil já, sem gastar:
1- Mudar já a orientação da CAPES, acabando com a orientação produtivista.
2-Acabar com os índices de "produtividade" intelectual numérica.
Quantidade de artigos. Nunca ví nada mais imbecilizante na vida.
3- Dar outro valor à produção artística na Universidade.
Esta é relegada à condição de "prática" pelo sistema acadêmico, algo assim como engraxar sapatos( que exige sim outros tipos de inteligencia.).
Nâo subordinar a produção dos artistas a "necessidade" de publicar artigos.Algo assim de segunda.
Não dá tempo de fazer arte que é o que importa para artistas!
4-Investir nos novos doutores alocados nas várias regiões do país, a partir da realidade desigual das diversas regiões.Se continuar assim os doutores migrados migrarão de volta para suas terras, pois perdidos sem investimento e sem poder ter investimento, na provincia em vez de alavancar a região, desalavancam suas inteligencias.Estou vendo aos montes. Não há inteligencia que aguente.Fazer o que fez o Instituto de Neurociencias da UFRN:contratou um monte de gente JUNTO em torno de um projeto, com grana garantida para um bom projeto.Não abandonar inteligentes doutores na falta de perspectiva da provincia. O que se faz necessário é utilizar tais inteligencias para alavancar a provincia, desprovincianizando-a, mas como politica de estado e com apoio. Teria muitas sugestões, mas aqui fica só o tópico geral.Alavancar bem, com apoio e MELHOR,muito MELHOR, política da CAPES que tem hoje sérios problemas. Para resolver estas questões então, não tem visão .
5- Levar áreas e projetos de ponta para as diversas regiões do país, distribuindo a inteligencia e a produção econômica do país na Sociedade do conhecimento. para isso, basta investir onde tiver projetos. para isso tem que ter uma politica de fomento especial e direcionada para NOVOS GRUPOS em formação.
6- Acabar com a estrutura estamental da educaçao e do sistema de ensino. A educação neoliberal e a universidade neoliberal divide a sociedade em estamentos e a educação também. Esta "educa" para excluir e dividir.
7-Dar -VOZ-na condução da política científica aos novos doutores alocados em regiões sem tradição científica. Só poderão ter se apoiados. Não tem apoio porque não tem traduição não tem tradição porque não etm apoio. O que importa é o projeto e não quantificações de tantas orientações e tal. como vai orientar se não tem onde orientar tenta criar a condição para a orientação, não deixam porque não orientou ainda. falando claro, é ridículo. Há que apoiar para poder começar, CLARO.A inteligencia está na cabeça, corpo e membros, no que se quer fazer não nas planilhas quantitativas dos burocratas.

Responder

    Walter Serralheiro

    11/01/2011 - 19h49

    Acabar com o CAPES. Esta seria a solução radical, porém inteligente. E começar do zero, criando uma agência de cérebros, totalmente desvinculada das estupidas leis que emperram o setor, incluindo aí a lei das licitações , que trata os pesquisadores como se corruptos fossem.

Adriana De Simone

10/01/2011 - 18h25

O importante nesta área é se perguntar como o desenvolvimento tecnológico contribui para a desigualdade social. Isso é bonito: “É essa Ciência Tropical que vai possibilitar à humanidade manter e ampliar suas fontes de energia limpa, produzir alimentos e água potável necessários para bilhões de seres humanos”. Mas sua linha de pesquisa em neurociencias, se foca em robótica e não nada a ver com isso.

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    Tiago

    11/01/2011 - 19h29

    Não é bem assim Adriana, dá uma olhada com mais atenção, tem bastante coisa interessante nos projetos desenvolvidos no Instituto de Neurociências.

    Jorge

    17/01/2011 - 16h01

    O importante é observar como a pesquisa de tecnologia pode ajudar a melhorar a igualdade social: só ver o que fez Nicolelis, em vez de instalar o Instituto no sudeste, instalou no meio do nada no RN e assim vai levar desenvolvimento para aquela região.

Adriana De Simone

10/01/2011 - 17h57

Socorro!

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ZePovinho

10/01/2011 - 17h52

Apreciei essa frase,mostrando como a burocracia científica paulista vê o Brasil:

"……..A Fapesp é uma jóia, um ícone nacional, reconhecida no mundo inteiro. Mas isso não quer dizer que as últimas administrações foram boas. Temos de ser críticos. Esta última administração, em especial, foi muito ruim. A Fapesp está perdendo importância. Veja só: a Science (no artigo publicado há algumas semanas sobre a ciência no Brasil) não dedicou uma linha à Fapesp".

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