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Narciso Alvarenga Monteiro de Castro: “Não me surpreenderei se Dilma deixar o PT”

25 de fevereiro de 2016 às 13h09

Nilton Monteiro

Nilton Monteiro falou a verdade. CPMI que tinha Delcídio e Cardozo trabalhou para desacreditá-lo

ACORDÃO: O COMEÇO DO FIM DO GOVERNO DILMA OU O FIM DO GOVERNO QUE NUNCA COMEÇOU?

Narciso Alvarenga Monteiro de Castro*

A votação de ontem no Senado pôs a nu a fragilidade do governo Dilma ao aceitar acordo para a entrega do pré-sal às petroleiras estrangeiras, como havia prometido José Serra à Chevron.

A participação decisiva de Renan Calheiros, a abstenção do novo líder no Senado, Humberto Costa… tudo leva à conclusão de Lindbergh Farias: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a sua vã filosofia”.

Ou como diria o Príncipe honesto, na mesma peça de William Shakespeare, “há algo de podre no Reino da Dinamarca”, ao se ver cercado por desonestos e abutres.

Tais divagações a respeito da maior derrota progressista dos últimos anos, me levam a outras indagações, talvez ao maior enigma do governo Dilma, a presença do ministro José Eduardo Cardozo na estratégica pasta da Justiça.

Imune a todas as críticas, parece gozar da confiança irrestrita da presidenta. Os círculos progressistas já se cansaram de malhar o aparentemente sonolento colaborador de Dilma (Cardozzzzzo), que parece aqueles bonecos de “joão bobo”, você lhe dá um soco e ele volta a ficar em pé novamente.

Integrantes da Polícia Federal já o apelidaram de “Eduardo Carbozo”, se referindo obviamente ao palhaço conhecido — e tudo fica por isso mesmo.

Mas eu tenho uma nova tese. A minha tese é de que o indigitado ministro não é nada parvo. Ao contrário, é muito esperto e faz exatamente o que quer e o que a presidenta quer. E a polícia faz exatamente o que o ministro quer. E a presidenta faz o que quer fazer.

Aqui, e com a votação citada, chega-se à maior distanciação entre o governo e o PT. Há tempos, falei das diferenças entre o PT, o governo e governo do PT. Nunca dantes tais diferenças estiveram tão nítidas como hoje.

Mas voltando ao ministro, desconfia-se que tenha ficado ressentido com Lula, o chefe maior do PT, pois sempre agasalhou pretensões de ser indicado a ministro do STF, pois se enxerga como grande jurista.

Várias vagas foram preenchidas e Cardozo não foi indicado.

Já Dilma preferiu deixá-lo mais próximo. Também já se falou que ficou descontente quando Lula ungiu Haddad como seu preferido (vitorioso) à Prefeitura de São Paulo.

Também se comenta das estripulias do então advogado Cardozo, incluindo seu cliente mais conhecido, o notório Daniel Dantas, esse mesmo do Opportunity…

Então, José Eduardo Cardozo, a esfinge (decifra-me ou te devoro), no meu entender, seria um petista, tipo Delcídio do Amaral, aquele que já foi chamado o maior peesedebista (PSDB) do PT, inclusive foi nomeado por FHC para a Petrobrás, quando integrava o PSDB. Tenho fundadas razões para tal comparação, uma vez que por esses dias andei lendo o relatório da CPMI dos Correios.

Lembram-se, 2005, da chamada CPI do Fim do Mundo? Foi controlada pela oposição exatamente no Senado e “descascou” o PT, o então marqueteiro Duda Mendonça (que havia trabalhado para o PSDB nas campanhas de Eduardo Azeredo, aquele do Mensalão do PSDB, condenado recentemente).

Pois bem, o relatório é composto de três volumes e mais de 1.700 laudas, não é coisa para iniciante.

O presidente da CPMI era exatamente Delcídio do Amaral (PT) e o relator Osmar Serraglio (PMDB). A CPMI teve participação ativa do então deputado José Eduardo Cardozo, que ajudou a “descascar” as contas e campanhas do PT, a descobrir a famosa conta Dusseldorf no exterior. Veja como o mundo dá voltas e retorna ao mesmo lugar! O marqueteiro da vez agora é João Santana, acossado pela Polícia Federal de quem? José Eduardo Cardozo!

Em 2005, se vivia, como hoje, um clima robespieriano, com pescoços sendo cortados ou ameaçados de corte. Veja o tom (falso) moralista no final do relatório, escrito por Serraglio e Delcídio (então arauto do moralismo rasteiro, vejam só, hoje recém-saído da cadeia):

O Brasil vive, com a presente CPI, mais um momento histórico importante para o seu amadurecimento político. Outras CPIs marcaram, em passado recente, circunstâncias desse amadurecimento e expressaram a contribuição que o Congresso Nacional pode e deve oferecer…

Então, este mesmo Congresso Nacional, demonstrando sua sensibilidade aos clamores da sociedade, e sua identidade com o interesse nacional, exibiu o erro em que se incorria. Um indesejado, mas necessário processo de impeachment se impôs. Nesta outra página histórica, a ilusão de que a cidadania devesse ou pudesse delegar as atribuições indispensáveis à redenção nacional a um agrupamento político determinado é destruída pela lógica imperativa dos fatos. Nenhum grupo ideológico, isoladamente, irá redimir a sociedade brasileira.

Não, nós não riremos da honra, nem zombaremos da honestidade. O País que merecemos, que nossos filhos esperam de nós herdar, é o que passamos a desenhar com essa virada de página, evidenciando nosso inconformismo com o malbaratamento dos suados recursos de nossa sofrida gente. Ressaltamos, na Introdução deste Relatório Final, e julgamos necessário repetir em seu momento final: Sem moralidade administrativa, os recursos destinados à educação são desviados, e seguiremos um País de iletrados. (Relatório, vol. III, pg. 1715 e ss).

Coloquei em destaque a pretensão de parafrasear o grande jurista Rui Barbosa, que em discurso no Senado no ano de 1914 disse a célebre frase, tantas vezes repetida, mas nunca com a desfaçatez mencionada:

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

Esta mesma CPMI, que em 2005 teve a covardia de mencionar a Lista de Furnas apenas para tentar desacreditá-la, constando apenas as versões da oposição, que tentavam desqualificar o lobista Nilton Monteiro.

Mais tarde ficou comprovado que as denúncias de Monteiro sobre o mensalão do PSDB eram verdadeiras, que a Lista era verdadeira, como também que uma verdadeira Máfia armou contra tal personagem, contra o deputado Rogério Correia. Prenderam jornalistas, advogados e calaram a imprensa.

E para quem leu com cuidado a histórica sentença (de 141 laudas) da ilustre e corajosa Magistrada Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi, viu que:

É necessário que seja dada credibilidade às declarações de NILTON MONTEIRO, haja vista que diversas de suas afirmações foram confirmadas pelas testemunhas. (p. 110).

E também que:

Enfim, diante de todo o conjunto probatório que fora exposto, não restam dúvidas de que o acusado EDUARDO BRANDÃO DE AZEREDO, para disputar a reeleição ao cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, no ano de 1998, criou uma estrutura político-financeira a fim de legitimar, lavar, os vultuosos recursos que seriam utilizados durante a campanha. Criou-se uma organização criminosa complexa, com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura. (p.134).

Por isso, ganha credibilidade a tese de Lindbergh Farias, que falou em traição, ao se referir ao espúrio acordo que entregou o pré-sal no Senado, reflexo direto da ação de destruição da Petrobrás, levado a termo pela Lava-Jato. Aqui, já não remanescem dúvidas sobre a intenção de Dilma de manter Cardozo no governo.

Não me surpreenderia se nos próximos dias Dilma seguisse Marta e deixasse o PT. Ou se o PT deixasse o governo.

*É juiz de Direito em Minas Gerais

Leia também:

CUT: É preferível perder com dignidade

O livro da blogosfera em defesa da democracia - Golpe 16

Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.

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16 Comentários escrever comentário »

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FrancoAtirador

26/02/2016 - 21h38

.
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TSE ANULA MULTA APLICADA PELO TRE-MG CONTRA GOVERNADOR DO PT
.
Na quinta-feira (25), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
afastou a multa de R$ 50,8 milhões que foi aplicada
pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG)
que desaprovou a prestação de contas de campanha
de Fernando Pimentel (PT), eleito Governador de Minas Gerais em 2014.
.
Apesar de confirmarem a reprovação das contas por irregularidade contábil,
os ministros anularam a multa por considerar que Pimentel não superou os gastos
de campanha previstos em 2014, conforme havia julgado o TRE-MG.
.
O TSE entendeu que houve somente “dupla contabilização” de despesas
nas contas apresentadas por Pimentel, o que é insuficiente para a aplicação de multa.
.
As despesas seriam ligadas à propaganda eleitoral do candidato.
.
(http://www.tse.jus.br)
.
.

Responder

Maris

26/02/2016 - 16h27

Dilma vetar é o mundo perfeito.
Exporá a qualidade do congresso novamente.
Ou a Câmara derruba com 2/3 o que não consegue ou consegue comprando. E o povo aprende a votar.
Ou voltaremos a ser felizes com a nossa querida Petrobras.

Responder

Maris

26/02/2016 - 16h06

1. Tudo pode acontecer
2. Dilma tem responsabilidade. Jamais renunciará, pois acredita que esteja fazendo o melhor e talvez esteja.
3. Dilma não é carreirista e não tem ambições politicas além de oferecer seus conhecimentos a um partido, só pela cidadania, no futuro. Pra isso tanto faz o partido.
4. Questões partidárias são secundárias ao governo corrente. Não devem ser misturadas. Aliás o começo de tudo foi o “cupim” PMDB .Ou rato …Foi cavando, cavando…
5. PMDB e PSDB são os maiores problemas para as pessoas serias. Vide Bresser.
6.O Brasil continuará para os brasileiros. Haverá outros maus governos e só vejo piores, para os brasileiros.
7. Qual sua sugestão para um governo?
8. Minha: ser mais atento e nada moralista na eleição que se aproxima. Iniciar movimentos pela transparência.
9. O problema do Brasil é a corrosão do judiciário. Eu estou louca para ver a cara de Marco Aurelio Melo na TV. Vão ter de assumir o corporativismo e ativismo. Caiu a mascara de todos. É aí que não sobrou nada.
10 Como pode um TCU NIS termos atuais? Um MP?
Não é a mamãe. São os papais.

Responder

Carlos Hums

26/02/2016 - 14h29

O ministro Cardozo tem o rabo muito preso, e sabe enganar perfeitamente a Dilma. Não acredito que a Dilma seja conspiradora, ela simplesmente é fraca, manipulada e ingênua. Hoje, quem governa o país é a mídia, um juiz de primeira instância e um congresso abjeto – todos com os mesmos desejos políticos e ideológicos – pena que esses desejos são os piores possíveis para o Brasil e seu povo.

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Fabio

26/02/2016 - 08h54

Dilma já deixou o PT e já abandonou as bases sociais faz tempo.

Responder

Flávio Prieto

26/02/2016 - 01h29

Reparem que esse projeto, conforme aprovado ontem no Senado, não retira da Petrobras o direito de explorar 30% do pré-sal em cada novo campo – apenas a desobriga de explorar impositivamente, mesmo descapitalizada. Ou seja: a suposta ‘entrega’ só ocorreria em um governo de direita no qual a Petrobras abdicasse sistematicamente de tal direito.

Responder

    Maris

    26/02/2016 - 16h11

    Flavio,
    Leu o artigo de Libdenbergh dizendo do bode na sala?
    Contradiz tua tese.

    Entregaram sim. Não ajude a confundir.

Ml

25/02/2016 - 22h45

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a tua vã filosofia” é uma frase de “Hamlet”. “Há algo de podre no reino da Dinamarca” é “Macbeth”. Corrijam.

Responder

    joaquim

    26/02/2016 - 10h49

    E quem não disse que blogosfera não é cultura?

    Belle Vox

    26/02/2016 - 20h38

    Ambas as frases são de “Hamlet”. MacBeth é escocês, Hamlet é príncipe da Dinamarca.

Márcio Gaspar

25/02/2016 - 22h31

Se a Dilma deixar o PT e o PT deixar o governo, o que pode ocorrer é que a oposição(PSDB) se aliam ao governo(PMDB). Seria a coisa mais esdrúxula que poderia ocorrer. Mas se de fato a Dilma deixar o PT, ela provavelmente caíra de vez, caso contrário, somente permanecerá no cargo como enfeite. E as classes médias midiotizadas aplaudirão isso, com Cunha ainda no poder e fortalecido. Ninguém mais falará das contas suiças do Cunha, aliás, já não falam. Parece que em tempos de redes sociais e informação a torto e a direita ou, se preferir, a esquerda e a direita, as pessoas ficaram mais manipuláveis. A direita soube muito bem usar as redes sociais, pagam muito bem exércitos para ficarem comentando internet afora desconstruindo, toscamente, o pensamento de esquerda e seus líderes, mas com resultados muitos significativos. O país irá regredir.

Responder

    Maris

    26/02/2016 - 16h23

    Márcio.
    Nada esdrúxulo.
    Não foi Temer que veio a São Paulo tramar com o PSDB para derrubar Dilma?

    É a lógica.

    PT na oposição. Retirando para o lado a militância aguerrida, que tratará de continuar a luta, mais necessaria que nunca, espero que os caciques que nada construíram de relevante mas ocuparam espaços vitais, Mercadante, Cardozo, e mesmo o oco, não passem para distribuir o jornalzinho, risos, pois isso foi feito pelos ex pcbão
    em varias esferas, tipo sindicato e sobreviveram. Mas gastou.
    O PT muda ou morre. Não foi o que disse Lula?
    A pergunta é…..o PT precisa estar identificado com Cardozo?
    Não. A militância deve adentrar a reunião, fazer a eleição e escolher novos líderes. E novos caminhos.
    Lula e Dilma não tem de carregar o povo nas costas.

Urbano

25/02/2016 - 17h33

A última coluna do portentoso monumento que o Eterno Presidente Lula ergueu, apesar do inferno que os contumazes bandidos escroques da oposição ao Brasil lhe impuseram por oito anos, acaba de se concretizar o seu desmanche. Aí só me vem à lembrança aquele entusiasmo em prosas, versos e risos, quando exatamente da primeira e lendária faixa presidencial. E logo com quem…

Responder

Jotage

25/02/2016 - 17h25

A análise tira das brumas assuntos antigos e que continuam atuais.
Mostra com todas as cores (amarelo e azul) a alma de Cardozo.
Se Dilma insiste com ele, é porque Dilma também está mudando suas cores. A conversa de Pré Sal para a educação e saúde, era pura balela.
Perfeito.

Responder

Joaquim

25/02/2016 - 15h47

Se Dilma não vetar, perderá o apoio dos setores sociais que ainda lhe dão suporte.
Se insistir com o ministro (sic) da justiça (sic) vai perder o apoio do PT e do Lula.

Responder

    Carlos Adonias

    26/02/2016 - 17h58

    Dilma não vai vetar porque a aprovação foi fruto de acordo com o Senado. Se não tivesse feito o acordo, estaria livre para vetar, mas… A luta agora é na Câmara que tem uma composição mais conservadora que o Senado, portanto com possibilidade menor de ali virar o jogo.

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