VIOMUNDO
O VIOMUNDO só é possível também através de anunciantes, e detectamos que você utiliza um AdBlock, bloqueador de anúncios.
Por favor considere ajudar o VIOMUNDO desativando o bloqueador para este site.

EUA removem barragens para ajudar salmão

19 de junho de 2012 às 13h28

A barragem de Great Works, no rio Penobscot, em Maine

A barragem  de Veazie, no rio Penobscot, em Maine

Desfazendo barragens

A música do Penobscot

The Economist, 16.06.2012

Devolvendo a vida a um rio

O rio Penobscot leva o nome da nação Penobscot, a tribo norte-americana cujas terras ancestrais ficam nas margens do rio. É o maior rio do estado do Maine e o segundo maior da Nova Inglaterra.

Por milhares de anos a tribo tem vivido ao lado do rio e dependendo dele, navegando em canoas e fazendo cerimônias em sua honra.

As águas claras do rio fluiam livremente. Apenas tempestades, secas e barragens feitas por castores interrompiam o curso. Isso mudou com a chegada dos imigrantes europeus, que construiram mais de cem barragens para aproveitar madeira e, mais tarde, para mover moinhos e produzir energia.

A barragem de Great Works em Bradley, Maine, bloqueia o rio por quase dois séculos. Mas no dia 11 de junho começou a ser demolida, o primeiro passo para abrir cerca de 1.500 quilômetros do rio.

O projeto é uma colaboração entre empresas, grupos de conservação, agências estaduais e federais e a nação Penobscot.

A remoção é parte do Fundo de Restauração do Rio Penobscot, um projeto público-privado de 62 milhões de dólares, que também envolve a remoção da barragem de Veazie em 2013, além de ajudar os peixes a ultrapassar outras duas barragens.

Isso é importante. O salmão selvagem do Atlântico, que no passado se reproduzia no Penobscot, tem tido dificuldade de subir o rio. Só restam 3 mil de uma população que já foi de 75 mil e muitos destes nasceram em fazendas. Os pescadores do rio tradicionalmente mandavam o primeiro salmão pescado na temporada para o presidente dos Estados Unidos, mas isso foi feito pela última vez em 1992, com um salmão enviado a George Bush pai.

A nação Penobscot, que tem direitos ilimitados de pesca, só tirou dois salmões do rio desde 1980.

Outras populações de peixes diminuiram, também. Pássaros e outros animais que se alimentavam no rio desapareceram. Abrir a barragem vai permitir ao Penobscot fluir mais livremente de Old Town até o oceano pela primeira vez em gerações, o que tornará a jornada mais fácil para o salmão e outros dez peixes migrantes, inclusive os alewives, shad, sturgeon e blue-black herring.

O nordeste dos Estados Unidos tem um sistema de rios fragmentado por sete barragens, que interrompem o fluxo a cada 150 quilômetros. Mas nem todos concordam que isso causa danos. O governador do Maine, Paul Le-Page, um fã da energia hidrelétrica, quer mais barragens, não menos.

Ele chamou a remoção do Great Works de “irresponsável”. Mas a produção de energia no Penobscot não vai cair. Duas outras barragens foram reformadas para compensar a produção.

Ken Salazar, o secretário do Interior, que participou de uma cerimônia celebrando a demolição, disse que é falsa a escolha entre criar empregos ou cuidar do planeta. Eric Schwaab, da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional, que deu 20,9 milhões de dólares para o projeto, disse que a demolição é vital não apenas para a saúde do rio, mas para a pesca comercial e recreativa. Embora uma análise econômica completa não tenha sido feita, a Agência de Pesca e Natureza dos Estados Unidos estima que o rio recuperado vai injetar 500 milhões de dólares na economia local. O projeto deverá criar empregos no ecoturismo.

Um ancião da tribo, que talhou um arpão de pesca anos atrás, espera em breve usá-lo pela primeira vez. Ele espera que “quando o rio fluir livremente de novo, vai fazer suas canções sobre cascatas, corredeiras e bancos de areia, que também vão renascer”. Os salmões vão sentir o arrebatamento.

PS do Viomundo: Talvez a maior besteira dita pelo ex-presidente Lula em seus dois mandatos foi fazer pouco caso dos bagres da Amazônia. Não está sozinho. Exprimiu a ignorância, a empáfia e a arrogância que caracteriza quem só olha a Amazônia como espaço de colonização, para uso interno ou multinacional.

O livro da blogosfera em defesa da democracia - Golpe 16

Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.

Compre agora online e receba na sua casa!

 

16 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

João Pedro

21/06/2012 - 03h56

Além do impacto ambiental, a represa detrói as margens invadindo e alterando sistemas e nichos ecologicos de diversas espécies, ela pode trazer mudança drástica em moradores que utilizam da natureza para o próprio sustento, como por exemplo na exploração de determinada espécie que se multiplica na margem do rio.

Alem disso, sabe-se que há contruções próximas as margens do rio, e que o aumento do nivel devido a represa, pode causar erosão e deslizamentos.

Brasil,não vamos esperar 200 anos,para acordar pra essa realidade,vamos agir agora.

Responder

Jotace

21/06/2012 - 00h38

Considero a questão dos bagres amazônicos da mesma forma que fez o Viomundo em seu PS. O caso é que a tendência brasileira é a de sempre exagerar a qualidade dos produtos estrangeiros, particularmente os estadunidenses, e desvalorizar o produto nacional. Por isso, até o Lula entrou com sua crítica ao peixe amazônico enquanto no Brasil se venera o catfish, que nada mais é que uma espécie de bagre e que integra como seus primos brasileiros a mesma ordem ( a dos silurifomes). Jotace

Responder

Ivo Pugnaloni

21/06/2012 - 00h21

Os que são contra as usinas hidroelétricas deveriam organizar-se já e promover um enorme abaixo assinado,COMPROMETENDO-SE a desligar seus aparelhos de ar condicionado, computadores, geladeiras, quando faltar energia. E também começar a fazer campanhas contra as termoelétricas, estas sim, sujas, poluentes, promovedoras de aquecimento global e dos rios e subsolo e o lençol freático…
Será que não percebe o Viomundo que AS ONGs “AMBIENTAIS: FINANCIADAS PELA EXXON promovem a luta contra hidroelétricas para nos deixar mais dependentes dos combustíveis fósseis? Do que eu conheço a Conceição e o Azenha, não acredito nisso. Eles colocaram essa materia de apologia ao movimento anti-barragens apenas para que conheçamos como trabalha esse enorme exército de desinformaçAo, tenho quase certeza…

Responder

    Patrick

    21/06/2012 - 12h20

    Aparelhos de ar condicionado, computadores, etc. fazem uma cosquinha no consumo de energia quando comparados com a produção de alumínio. Muito mais barato e ecologicamente adequado do que investir em geração à torto e à direito é cobrar a mesma tarifa aos produtores de alumínio que é cobrada dos demais consumidores em geral.

rodrigo

20/06/2012 - 19h53

Parece que o tal “progresso” furta das pessoas a noção inata de natureza que todo ser humano tem dentro de si mesmo…

Responder

Marcelo de Matos

20/06/2012 - 13h33

“O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo decidiu por unanimidade que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava o direito do consumidor em receber gratuitamente as sacolas plásticas, não é válido e com isso os estabelecimentos devem voltar a distribuir as sacolinhas em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor”. Recentemente esse mesmo MP de São Paulo decidiu que o parque da Água Branca, por pertencer à Secretaria da Agricultura, deveria conservar suas características agropastoris. Assim, funcionários do parque continuam a despejar sacos de quirera de milho para alimentar pombas e garnisés. As pombas transmitem doenças e, recentemente, foram suspensas as aulas em escola pública devido à grande concentração dessas aves no local. Parece que o MP paulista é contra o meio ambiente. Sei não.

Responder

Marcelo de Matos

20/06/2012 - 11h58

Sobre o PS do Viomundo, acredito que não dá para comparar as coisas dessa forma: bagre é bagre, salmão é salmão, Lula (com maiúscula) é Lula e Bush é Bush. Não dá para comparar, também, o significado econômico das microbarragens do rio Penobscot, construídas por imigrantes europeus, com a barragem de Belo Monte, que faz parte do PAC2 e terá capacidade instalada de 11.233,1 megawatts (MW) de potência. O impacto ambiental de Belo Monte será muito menor que o de Tucuruí, também no Pará, ou de Itaipu, no Paraná. Outra coisa: o bagre, ao contrário do salmão selvagem, não é um peixe nobre. O salmão selvagem requer água corrente, enquanto o bagre pode ser criado em cativeiro. No Brasil consumimos salmão criado em cativeiro e, na serra catarinense, o único peixe que se encontra é o catfish, ou bagre americano, também criado em cativeiro. Como Lula, também faço pouco caso dos bagres amazonenses. Prefiro o pintado na brasa ou as trutas de Santo Antônio do Pinhal, vizinha de Campos do Jordão, que são pescadas na hora e vão bem com birra gelada.

Responder

Mardones Ferreira

20/06/2012 - 09h19

Apoiado, Helio Pereira.

Esperando a resposta do Vi o mundo. De preferência, ouvindo um cientista sobre os Bagres X Barragens.

Não pode ofender alguém dessa forma.

Responder

    Willian

    20/06/2012 - 14h52

    Elogio aos EUA + Crítica ao Lula = Pau em Viomundo

Nicanor Duarte

20/06/2012 - 08h32

O que deve ser feito nestas barragens deve ser um modo de ajudar toda qualidade de peixe que quiserem subir o rio. Isto não ficará caro e poderá ser implementado junto com a construção da barragem ou mesmo depois das mesmas construídas. É só querer.

Responder

Helio Pereira

19/06/2012 - 22h14

Sobre o PS do Viomundo,
Lula estava certo e o Viomundo esta errado!
O Estadão publicou matéria no caderno ECONOMIA no dia 19/06/2012 sobre os “Bagres de Lula”,nesta Reportagem foi entrevistada a CIENTISTA do INPA Jacqueline da Silva Batista,que provou que o ex Pres Lula estava certissimo sobre o “Bagre”,este peixe conhecido como Dourada,parente da Piramutaba existe em todos os Rios da Amazônia Brasileira e também na Amazônia Peruana e pode ser enmcontrado desde a Foz do Rio Amazônas até o estado de Ucayali no Peru,a Cientista citou dezenas de Rios onde foram colhidas amostras de DNA deste “Bagre” e foi comprovado que ele cruza com seu primo a Piramutaba,isto em todos os grandes Rios da Amazônia.
Espero que o Viomundo reveja seu conceito sobre Lula,que foi colocado de forma injusta ao fazer comentário sobre a preservação do Salmão Norte americano!
A preservação de qualquer especie merece o aplauso de todos nós,já a critica feita de forma equivocada merece uma REVISÃO do autor!

Responder

    Wolney Castilho Alves

    20/06/2012 - 00h45

    Todo apoio ao Helio Pereira. Fiquei realmente chocado com o PS: extremamente agressivo, simplista com temática tão complexa e num tom irreconhecível nesse espaço respeitado. Também espero uma reconsideração.

Claudomiro

19/06/2012 - 19h01

É um exemplo de que um novo modelo de vida é necessário. É inaceitável que o Brasil reproduza os erros já cometidos seja aqui ou em outros países. Mas pelo jeito, talvez um dia tenhamos que restaurar nossos caudalosos rios, a um custo astronômico, para termos uma condição mínima de vida.

Responder

JoãoF

19/06/2012 - 18h38

E o impacto ambiental feito no serrado, devastando culturas e animais que não foram nem estudados, invenenando o solo e subsolo etc. A utilização e liberação de venenos(que são proibidos no exterior) para utilização em grandes plantações, onde em diversas cidades já estão nascendo crianças com o veneno no corpo, deveria dar cadeia a começar pelo encarregado de vetar ou liberar.O ministro da agricultura é omisso,o legislativo, o executivo ,o judiciário são omissos.Não sabem que suas famílias estão também se envenenando.

Responder

Miguel Ogg

19/06/2012 - 17h30

Isso é que é decisão acertada…justa, e melhor, em tempo recorde.
Depois de, deixe-me ver 200 anos, conseguiu-se a desativação.
Elogiar americano por isso? depois de 200 anos???
Fez-se isso porque a barragem nao tinha mais serventia, ficou imprestável, entao para alegria de um povinho indigena, destruam a barragem, sem função, é obvio, porque se ela abastecesse alguma cidade importante seria:
f. os indios.
Nao sei como seria sem a usnia de itaipu, mas que os paraguaios estariam mais f., com certeza, porem os peixinhos estariam melhor…

Responder

    Helio Pereira

    20/06/2012 - 08h49

    No Brasil temos tecnológia genuinamente nacional que aplicada as grandes represas permitem que os Peixes as ultrapassem sem nenhuma dificuldade e prossigam sua caminhada rio acima ou abaixo,sem interferir na sua procriação como alegaram os defensores do “Bagre”e cujas criticas foram encampadas de forma injusta pelo Vi o Mundo com seu PS lamentável e injustificado contra o Pres Lula!
    Grandes Represas como as do Rio Madeira em nada interferem na procriação do “famoso Bagre” de Marina Silva e seus “eco-chatos”!

Deixe uma resposta