VIOMUNDO

Assassinado na Bahia incansável defensor da Reforma Psiquiátrica e dos direitos indígenas

07 de fevereiro de 2016 às 07h47

VINICIUS Matraga

Marcus Vinicius de Oliveira, conhecido como Marcus Matraga,  formou gerações de psicólogos. Para o Conselho Federal de Psicologia, um defensor incansável dos direitos humanos e militante da reforma psiquiátrica e da saúde mental no Brasil

por Vilma Reis, do site da Abrasco

Nota de Pesar: ‘Marcus Matraga, presente!’

Ao senhor Ministro de Estado da Justiça, Dr. José Eduardo Cardozo

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) recebeu, com tristeza e indignação, a notícia do assassinato de Marcus Vinicius de Oliveira, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia, defensor dos direitos humanos e militante das causas sociais.

Marcus Vinícius, também conhecido como Marcus Matraga, foi vítima de homicídio, no município de Salinas das Margaridas, em função de sua atividade política na mediação de conflitos de terras indígenas. Ele foi sequestrado por dois homens armados em casa e levado até uma estrada do povoado, onde foi morto com um tiro na cabeça.

Manifestamos a nossa profunda preocupação com os casos de assassinatos, agressões e expulsões relacionados aos conflitos por terras indígenas na Bahia e, por fim, exigimos que o Ministério da Justiça atue na apuração desse crime político.

Atenciosamente,

Gastão Wagner de Sousa Campos

Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)

******

A Nota de Pesar da Abrasco foi enviada nesta sexta-feira, 5 de fevereiro, ao Ministro de Estado da Justiça, Dr. José Eduardo Cardozo, como pedido para a apuração na morte de Marcus Vinicius.

Nascido em Minas Gerais, tinha mestrado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia, onde se aposentou mais tarde, como professor, e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Marcus foi um dos pioneiros na luta pela reforma antimanicomial e criação dos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps.

Graduado em Psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (1982), Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1995) e Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). Era professor associado aposentado do IPS – Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia, coordenador do LEV-Laboratório de Estudos Vinculares e Saúde Mental IPSI-UFBA, diretor do Instituto Silvia Lane-Psicologia e Compromisso Social, consultor eventual da área Técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, integrante do NESM – Núcleo de Estudos Pela Superação dos Manicômios.

Marcus formou gerações de psicólogos, realizou e participou de importantes pesquisas na área. Atuou em gestões do Conselho Federal de Psicologia.

Com outros companheiros, fundou o movimento Cuidar da Profissão, que trouxe a preocupação e compromisso com os dilemas e problemas da realidade brasileira e de nossa gente. O compromisso social da Psicologia passou a orientar discursos e práticas profissionais e de formação.

Em nota, o Conselho Federal de Psicologia destacou o caráter de Matraga como defensor incansável dos direitos humanos e militante da reforma psiquiátrica e da saúde mental no Brasil. Era entusiasta da Clínica das Psicoses e ferrenho estudioso das desigualdades sociais e subjetividade.

Marcus Vinícius participou ativamente da consolidação da Psicologia no Brasil, tendo integrado o Conselho Federal de Psicologia nas gestões de 1988 – 1989, 1992 – 1995, 1997 – 1998, 1998-2001 e 2004 – 2007. Também esteve em gestões dos conselhos regionais de Minas Gerais e Bahia. Foi coordenador do Centro de Referências em Políticas Públicas – CREPOP – entre os anos de 2004 e 2007. No Conselho Nacional de Saúde participou da Comissão Nacional de Saúde Mental, como representante do FENTAS – Fórum Nacional de Trabalhadores de Saúde. Foi, ainda, integrante da Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica de 1994 a 1997.

 Leia também:

Conceição Lemes: Ministro da Saúde Marcelo Castro faz mal à saúde!

Investigação VIOMUNDO

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FrancoAtirador

09/02/2016 - 13h37

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Enfim, na Guerra ao Terror,
quem venceu foi o Terror,
perderam os Aterrorizados.
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Responder

Urbano

08/02/2016 - 14h56

Enquanto isso há arremedos de conselho embasados unicamente na imposição e/ou perversão; pior: sempre alardeando justiça. O lado bom dessa situação é que não chega a ser perene, pois há a corrente do bem na alternância de poder.

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MARIA GORETTI AMFARIABH

07/02/2016 - 20h07

VOCES REPARARAM QUE HÁ OUTRAS PESSOAS LIGADAS Á ALGUMA ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL OU NÃO,MILITANTE DE CAUSAS SOCIAIS SENDO MORTOS -ASSASSINADOS-DESAPARECIDOS-SOFREU ATAQUES DE BOMBAS EM SUAS CASAS,CARROS,AMEAÇAS E QUE AS POLICIAS ESTADUAIS E FEDERAL,VIDE MINISTRO ZÉ CARDOSO,O LERDO,NÃO ESTÃO MUITO PREOCUPADAS EM INVESTIGAR?REPAREM BEM..TÁ ESQUISITO.

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José de Pindorama

07/02/2016 - 19h30

Boa Noite.
Episódio lamentável que merece atenção da Sociedade Organizada, e esclarecimento por parte das Autoridades pertinentes.
Quando se perde um indivíduo que une duas grandes qualidades — a primeira, uma trajetória de vida construída em inequívocas bases éticas; a segunda, um singular saber científico. Podemos afirmar, na acepção da palavra, que perdemos um verdadeiro Ser Humano!
Um homem que dificilmente será reposto nos dias de hoje; dado seu conhecimento, mas principalmente pela estatura Ética.
Descanse em paz Marcus Vinicius de Oliveira, tens lugar de honra no Panteão daqueles que lutam pelos mais necessitados. E aos seus familiares, nossas sinceras condolências; augurando-lhes, que o caso se esclareça o mais rapidamente possível.

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