24/03/2011 – 19:18 | Thaís Romanelli | Redação
Voto do Brasil contra Irã provoca polêmica sobre nova política externa do governo
O voto do Brasil a favor das investigações sobre violação de direitos humanos no Irã criou polêmica a respeito dos rumos da política externa do governo Dilma Rousseff. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o ex-chanceler Celso Amorim afirmou que “provavelmente” não votaria pela medida, que prevê a nomeação de um relator especial para participar das investigações no país persa, mas garantiu que confia no chanceler Antonio Patriota, seu ex-chefe de gabinete.
“As pessoas acham que sobre cada ação há apenas uma decisão moral. Mas a decisão é também política, não no sentido de agir em interesse próprio, mas de saber se o resultado será o que você deseja”, disse.
Amorim, porém, afirmou que não fará “julgamento” da atual política externa, nem mencionou uma mudança explícita nos objetivos do governo brasileiro.
Procurados pelo Opera Mundi, especialistas em relações internacionais classificaram como “precipitada” a avaliação sobre uma possível mudança de gestão na política externa de Dilma Rousseff.
“Ainda é muito cedo para falar ou para supor uma alteração importante na política brasileira. Essas análises só poderão ser feitas de acordo com o decorrer dos fatos”, afirmou o professor de Relações Internacionais da Unifesp, Flávio Rocha de Oliveira.
Para ele, a posição do Brasil representa a defesa dos interesses do país no cenário internacional, o que foi impulsionado de forma crescente durante o governo Lula. “No que diz respeito à busca pela colocação dos assuntos prioritários para o Brasil na pauta mundial e à busca de espaço de decisão em âmbito global, o governo Dilma está dando continuidade ao de Lula”, argumentou.
A professora de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília) e da UNESP (Universidade Estadual de São Paulo), Cristina Pecequilo, concorda com Flávio, mas considera a decisão brasileira representa uma “alteração positiva” na política externa brasileira no campo dos direitos humanos.
“Desde o início, Dilma foi enfática ao dizer que o Brasil passaria a ter uma preocupação diferenciada com o respeito aos direitos humanos. Portanto, a decisão foi bastante coerente com o que foi proposto”, disse.
O ex-chanceler Celso Amorim, por sua vez, questionou a coerência da posição brasileira, não com o plano de governo da atual administração, mas em relação às violações de direitos humanos que acontecem em outros países.
“Se quisermos ser absolutamente coerentes, temos que mandar um relator especial para o Irã, outro para Guantánamo, outro para ver a situação dos imigrantes na Europa. Se você for agir dessa maneira, eu até poderia ser a favor, mas acontece que não é assim”, argumentou.
Para Amorim, a nomeação de um relator corta qualquer possibilidade de diálogo. “Se você começar a entrar numa política condenatória, esquece o diálogo, você opta por ela”, completou.
Os dois professores de Relações Internacionais entrevistados discordam de Amorim, e ainda acreditam na possibilidade de diálogo com o Irã. “Por enquanto, o Brasil ainda não condenou o Irã e a possível violação dos direitos humanos, demos apenas o primeiro passo sendo partidários à investigação. É preciso tomar cuidado com isso”, alerta Cristina Pecequilo.
Ela acredita que, caso o Brasil condene veementemente o Irã, as relações entre os países podem ser alteradas, mas que isso não acontecerá se a atitude brasileira for apenas em torno de uma investigação.
“Temos que esperar o resultado das investigações e aguardar a posição brasileira no caso de termos que fazer uma condenação. Se o Brasil mudar efetivamente sua posição em relação ao Irã, é claro que isso terá algum custo na relação”, acrescentou.
Já Flávio não acredita que a decisão brasileira irá interferir diretamente no diálogo com o Irã. “Veja o caso dos EUA, por exemplo. Eles constantemente condenam a China mas, por interesses próprios, mantém uma série de diálogos comerciais com os chineses”, argumenta.
“É evidente que a manutenção de uma boa relação entre Brasil e Irã depende das partes envolvidas, mas ainda acredito na possibilidade de o governo brasileiro vir a ter um papel na mediação da questão da nuclear. Além disso, precisamos ser convidados por outros atores envolvidos para exercer essa função”, afirmou.
Já Pecequilo acha que essa possibilidade se manterá viva apenas se o Brasil “não recair em posturas influenciadas pelos Estados Unidos, se manter isento e limitar sua atuação no campo de investigação e não da condenação”.
Nesta quinta-feira (24/03), o Brasil votou favoravelmente ao envio de um relator especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU ao Irã. A medida determina uma investigação detalhada de denúncias de violação de direitos humanos.
Outros 20 países votaram como o Brasil. Entre os contrários ao envio de um emissário para o Irã estão Cuba, Bangladesh, China, Cuba, Equador, Mauritânia, Paquistão e Rússia.
Nos últimos dez anos, o Brasil se absteve ou votou contra resoluções que condenavam o Irã. Em junho de 2010, o Brasil e a Turquia votaram contra as sanções impostas pelo Conselho de Segurança em decorrência do programa nuclear iraniano.
Líbia
Questionada sobre a relação entre o voto do Brasil a favor das investigações sobre violação de direitos humanos no Irã e a abstenção do país no Conselho de Segurança sobre a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, os especialistas divergiram.
Enquanto Flávio acha que os votos não estão diretamente relacionados e expressam a posição do Brasil sobre situações e momentos distintos, Pecequilo acredita que ambos expressam a coerência brasileira com sua ideologia e interesses.
“Ficou claro que o Brasil não tolera abuso tanto das grandes potências, ao se abster e não votar a favor de uma intervenção internacional, quanto de países considerados aliados, como no caso do Irã”, disse a professora.
PS do Viomundo: O voto pelo envio do investigador ao Irã é uma presepada da política externa brasileira, que adere à lógica dos Direitos Humanos de Washington, ou seja, aplicados apenas quando interessa. Teremos um investigador nos países do Golfo Pérsico, que discriminam os xiitas? Um investigador nos Estados Unidos, para tratar das condenações à morte de inocentes? Um investigador no Egito, para descobrir os casos em que a tortura foi aplicada a prisioneiros suspeitos de terrorismo entregues à polícia política pela CIA? É óbvio que não. É puro oportunismo dos que pretendem justificar troca de regime em Teerã, ponto. Os Estados Unidos usam os Direitos Humanos como ferramenta política para solapar a legitimidade internacional dos regimes com os quais não concordam. Usam os Direitos Humanos de forma oportunista, para justificar invasões ou guerras “humanitárias” (sim, eu sei, deveria ser um oxímoro, mas o newspeak dos dias de hoje engole tudo). Usam os Direitos Humanos para solapar a soberania alheia, quando não podem ou querem usar outros meios, legais ou ilegais. É a esta lógica que o governo Dilma aderiu.


O pior esquerdista é aquele que esconde sua mão DIREITA…como FHC, Serra, Dilma Roussef e outros mais….
Quero saber quando vamos votar para que um relator especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU seja enviado ao BRASIL!!!
Essa ladainha sobre "direitos humanos" é a maior hipocrisia da Terra e infelizmente só serve para banalizar mais um tema de tamanha importância! Direitos Humanos não são objeto para fazer política, mas deveriam sim ser um objetivo a ser alcançado por todos, principalmente dentro do próprio país!
Se podemos nos manifestar à favor ou contra, devemos isso também a Dilma. Primeira vitória.
Acho um absurdo o que alguns estão fazendo contra ela pelo seu posicionamento à favor dos direitos Humanos. É o primeiro passo, segunda vitória.
Há décadas que os direitos humanos são desrespeitados no mundo por vários países, incluindo EUA e Brasil. Raríssimos foram os que se manifestaram antes e poucos começam a se manifestar, que bom que está sendo agora. Segundo passo,terceira vitória.
Porquê e o Irã é a bola da vez?
Por causa das usinas nucleares que o Irã nunca permitiu investigar.
Com esse conflito no Oriente Médio se o Irã puder, souber fazer, e usar uma bomba nuclear, Como ficaríamos?
Difícil dizer. Se não voarmos todos pelos ares… terceiro passo quarta vitória.
Portanto a violação dos direitos humanos foi só um pretexto da ONU para se evitar um mal maior, e nem sei se maior, pois vai ser muito difícil dar o quarto passo para impedir que as violações dos direitos humanos no mundo continuem.
A alegação americana de defesa da democracia e dos direitos humanos é sabidamente falaciosa. VIde o apoio histórico a ditaduras e a outros regimes esdrúxulos ao redor do mundo: Mubarak, Israel, ditaduras na América Latina, inclusive com apoio logistico e financeiro. Apenas os ingênuos acreditam nesta mentira dos EUA. Sem contar a já conhecida política dos lobbies da industria de armas na Casa Branca, lobbies estes que comandam mais que o próprio presidente americano. Os EUA não são um exemplo a ser seguido. Pelo contrário. A recente crise deflagrada nos EUA, causada pelos desenfreados neo-liberais, demonstra total incompetência e descontrole na gestão dos EUA.
Entretanto, aguardemos o desfecho da situação, acompanhando a balança de comércio exterior do Brasil. Pode ser que o suposto e aparente apoio político a Washington sirva de biombo para uma forte reversão posterior no quadro de défcit que estamos amargando no comércio com os EUA. Seria como dar com uma mão e tirar com outra. Confiamos na esperteza dos nossos políticos e diplomatas. A prosseguir o quadro de vantagem comercial dos EUA sobre nós estará confirmada a total sujeição. Aguardemos.
Na minha opinião o contexto já está definido. O Brasil está novamente se submetendo à lógica perversa de Washington. Alguns analistas acham que ainda é cedo para definir o quadro de submissão. Porém, após a revista de ministros brasileiros em nosso próprio território, por policiais americanos, entre outros sinais de submissão, acho que é fato consumado: submissão, humilhação, falta de auto-estima. É necessário reverter este quadro, já que pouco dependemos dos EUA. Eles sim dependem de nós agora, pois amargam um grave desemprego, e uma divida externa de 14 trilhões de dólares. Necessitam exportar serviços e produtos. Esperamos que o trabalho de 8 anos de Lula não seja jogado no lixo.
"É a esta lógica que o governo Dilma aderiu."
Perfeito.
Infelizmente os sinais apontam para uma tremenda decepção com o governo da Dilma. Na política externa podemos nos preparar para os tempos negros do FHC. A Dilma desrespeita algo muito belo, e que nosso povo começou a desenvolver efetivamente, o orgulho permanente (não só nos eventos esportivos) de ser brasileiro (vi pessoas que nunca se importaram com o nosso Brasil começarem a desenvolver um amor pela pátria). Quantas queixas escutei de pessoas dos mais diversos grupos sociais, quanto aos absurdos cometidos na visita do Obama, mesmo que o procedimento não tenha sido muito diferente daqueles realizados em outras visitas de presidentes americanos ao Brasil. Sim, as pessoas falam não por um prejuízo direto, mas pq todo aquele teatro feria, pela primeira vez depois de muito tempo, seu orgulho e seu amor pela pátria.
Esse Lula é mesmo o cara!
NÃO SE PREOCUPEM, QUATRO ANOS PASSA RÁPIDO!
Obs. Pelo amor de Deus, volta Lula!
VADE RETRO DILMA!
Se o Brasil entra nessa história de cultura belicista, o Mercosul vai pro saco. Seremos vistos como os EUA do sul por nossos vizinhos (no sentido ruim mesmo).
Novo quadro de programa de TV: topa tudo por um assento permanente no conselho de segurança da ONU (que não serve pra nada, diga-se de passagem. Vide George Bush Jr na invasão do Iraque).
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Mississipi é o estado mais conservador dos Estados Unidos
Pesquisa da Gallup identificou que o estado de Mississipi, no sudeste dos Estados Unidos,
é o estado com maior porcentagem de conservadores,
com 50,5% dos entrevistados se identificando como politicamente conservadores.
Veja os estados mais conservadores:
1. Mississipi: 50,5%
2. Idaho: 48,5%
3. Alabama: 48,3%
4. Wyoming: 47,4%
5. Utah: 47,3%
6. Dakota do Sul: 46,9%
7. Lousiana: 46,8%
8. Dakota do Norte: 46,7%
9. Carolina do Sul: 45,8%
10. Arkansas: 45%
Agora veja os estados mais liberais:
1. Distrito de Colúmbia (capital): 41,1%
2. Vermont: 30,5%
3. Rhode Island: 29,3%
4. Massachusetts: 28%
5. Connecticut: 26,7%
6. Nova Iorque: 26,6%
7. Oregon: 26,3%
8. Colorado: 26%
9. Washington: 25,9%
10. Nova Jérsei: 24,2%
O site da Gallup mostra inclusive um mapa interativo, em que se vê que, basicamente,
o sul e o centro dos Estados Unidos são conservadores,
enquanto que o leste e nordeste são liberais.
Fonte: Gallup
.
http://www.gallup.com/poll/125066/State-States.as…
Defesa dos Direitos humanos é tudo de bom. Agora, para ser coerernte, a DILMA vai ter que fazer a Comissão da Verdade, porque é um direito das famílias saber do paradeiro de seus entes queridos e também é um imperativo moral a punição dos torturadores, assim como é direito dos brasileiros terem uma mídia livre e não o oligopólio midiático elitista que aí está, manipulando as notícias e desinformando a população, há tanto tempo.
"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"
Cada vez fico mais deslumbrado com a Democracia. Mas não com a "democracia" de Wall Street…
Imaginem se o Congresso Nacional brasileiro debatesse os problemas e ações de governo como se faz nos fóruns de debates dos blogs… Apenas uns poucos parlamentares o fazem na Câmara; talvez um pouco mais no Senado…
Vejam quanta coisa interessante se colocou aqui, enumerando os prós e contras da decisão do governo brasileiro!
A única coisa que realmente podemos esperar deste governo daqui em diante é coerência quando tive que discordar dos países poderosos…
P.S.: Nada a ver com o assunto mas, os americanos estão muito paranóicos se realmente revistaram o Cabral, no Rio. Achar que o governador de um dos estados mais importantes do Brasil iria querer fazer algum mal ao presidente deles!?… Chama o psiquiatra!!!
O PS do Viomundo (leia-se Azenha) é igual àquele maracatu, de tiro certeiro. Ai que saudade do Celso Amorim, já diria o filósofo.
Antes de ler esta matéria eu já comentava com amigos: Por que só Irã deve ser inspecionado? E Guantânamo ? e as prisões clandestinas ? e o tratamento dado aos prisionieros iraquianos? O Iraque erstá melhor do que antes? e as vítimas das ditaduras patrocinadas pelos Estados Unidos? Dá para crer na seriedade do Prêmio Nobel da Paz?
Esse artigo é de uma tolice dolorosa. Se Rússia, que é Rússia; se China, que é China, não vetaram a invasão da Líbia, porque essa posição lhes pareceu estrategicamente mais interessante, por que, diabos, o Brasil ter votado como votou 'implicaria' todas essas asnices que tantos estão dizendo, tolamente, que implica?
O Brasil é um país abençoado pelos pobres que têm — e que não leem jornais nem vão à universidade elitistas que há por aqui — e desgraçado pelos metidos a inteligentes que escrevem em jornais, blogs e tal. Quem precisa de analistas de politica que reagem como adolescentes birrentos, do tipo quero-porque-quero e, se não me derem já o que eu quero, eu faço o mó berreiro e digo que o berreiro é 'análise estratégica'?! Pobre presidente Dilma, se fosse aconselhada por esses pirados metidos a 'avançados'!
Não tá nada bem mesmo… o artigo não é sobre a invasão da Líbia.
É sobre a decisão discriminatória de investigar violações dos direitos humanos apenas no Irã.
E sobre o Libano eu discordo de você e concordo com o Lula:
“Gaddafi está errado em praticar a violência que praticou contra os rebeldes, mas os americanos e franceses estão equivocados ao fazer os ataques que estão fazendo. Quem está morrendo são os civis”
Lula
Lula defende posição brasileira no Conselho da ONU sobre Irã: "achei importante". Folha dá notinha escondida na página 18.
http://blogdofavre.ig.com.br/2011/03/lula-defende…
Pode parecer extravagante mas eu gostaria, se pudesse, passar minhas férias em Nova York, Paris, Rio ou Tóquio. Jamais em Teerã. Gosto de tomar uma cerveja na esquina e citar Voltaire.
Grande m(*) citar Voltaire, o cético deista. O FHC deve citá-lo continuamente e nem por isso deixa de ser um imbecil.
Mande uma mensagem para o Ministro Luiz Fux!
http://www.avaaz.org/po/mensagens_luiz_fux/?rc=fb
50,147 mensagens enviadas para o Ministro Fux. Vamos conseguir 40,000
O STF decidiu ontem: a Ficha Limpa só será válida para 2012.
Enquanto os corruptos comemoram, o Brasil todo está decepcionado com o voto de desmpate do Ministro Luiz Fux que colocou os corruptos de volta no Congresso Nacional. Agora, Jader Barbalho e Cássio Cunha Lima irão assumir seus cargos. É um tapa na cara da sociedade brasileira que lutou árduamente pela aprovação da Ficha Limpa.
Não podemos ficar calados, vamos mostrar para o Ministro que a traição à sociedade tem um custo político alto. Envie uma mensagem agora para ele e divulgue esta campanha!
ÓCIO IMPERIAL
"o cabo Jeremy Morlock, da Quinta Brigada de Ataque do Exército americano em Kadahar contou que começou a matar civis desarmados junto com seus colegas depois do Natal de 2009, segundo ele, com o apoio de seu sargento, Calvin Gibbs. Morlock, aparentemente, tem o hábito de cortar os dedos dos inimigos que mata; ele confessou que havia matado por esporte durante seu rodízio no Iraque." (Página 12/IHU , sobre o cabo Jeremy Morlock, condenado a 24 anos de prisão. Seu caso veio à tona quando a revista Der Spiegel publicou fotos em que ele ostentava um ‘troféu de caça', um civil inocente; o militar norte-americano ria inclinado sobre o corpo e com uma mão torcia o rosto ensangüentado para as câmeras, como fazia com os alces que abatia no seu Alasca natal)
(Carta Maior; Sábado, 26/03/2011)
Este é o problema, caro Zé. É a interface entre a alma e o poder..