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Cartas de Minas

Wladimir Crippa: Contra o vigilantismo na internet, o Partido Pirata

15 de abril de 2013 às 23h52

por Wladimir Crippa, via e-mail

Um espectro ronda a internet,  o espectro do vigilantismo. Hollywood e governos, a indústria de games e a da música, FBI e CIA, empresas de telecomunicações e meios tradicionais de mídia, todos se unem para pensar e implementar formas de vigiar, controlar, moldar a internet, esta grande rede de pessoas. Controlar eu e você.

São as forças da reação, no sentido literal da palavra, que buscam reagir e tentar impedir estas transformações trazidas pela revolução digital. Esta revolução silenciosa que está mudando as formas de trabalhar, de produzir, de se comunicar e relacionar socialmente. Este processo que possibilitou que nos tornássemos muito mais do que apenas consumidores de informações, tornou-nos também produtores.

A revolução digital está realizando um empoderamento como nunca visto na história da humanidade. Não apenas nos comunicamos, mas também podemos criar, recriar, transformar, inventar, inverter! O bombardeio de informações a que estamos todos submetidos tem levado muitos a questionar também coisas que não eram questionadas. Pessoas que eram completamente alheias ao que ocorre no mundo e no Brasil, na sua cidade, e que agora questionam e se perguntam se as coisas não poderiam ser de outra forma.

Estas forças da reação, percebendo que isto está acontecendo sem que elas possam ter o controle, apresentam-se como defensoras da propriedade intelectual, do direito autoral, da guerra contra a pirataria, da luta contra o terrorismo etc e, usando este discurso, apresentam suas soluções: vigilância, controle do que os usuários acessam, restrições a conteúdos.

Ocorre que esta revolução digital, que gerou o livre compartilhamento de arquivos em escala de massas, a impressão em 3D, o software livre, o hacktivismo, o bitcoin, criou também as condições para a criação dos partidos piratas, que surgem questionando a propriedade intelectual e os direitos autorais, mas também questionando o sistema baseado na democracia representativa, a falta de transparência nos governos (quando a tecnologia pra tornar a atividade administrativa totalmente transparente está aí), propondo o debate da democracia direta, da democracia líquida e, o mais importante, um posicionamento firme em defesa dos direitos civis e das liberdades individuais.

Para os piratas, está bem claro o que está em jogo: a defesa da propriedade intelectual e do direito autoral só é possível com a violação da privacidade individual, com o estabelecimento de um sistema gigante e complexo de vigilância da atividade dos usuários na internet. Não há outra forma!

Nos seus 7 anos de existência, o movimento de partidos piratas chegou a cerca de 80 países, e, onde já se legalizou, vem sendo bem sucedido eleitoralmente. Na Alemanha já são 43 deputados; no Parlamento Europeu, um deputado e uma deputada, eleitos pelo Partido Pirata da Suécia, o primeiro a ser fundado no mundo; na República Tcheca, um senador; na Suíça, um prefeito; cerca de uma centena de vereadores espalhados pela Europa; nas eleições para o parlamento da Islândia, daqui a duas semanas, os piratas aparecem com 8% de intenção de votos. Aqui, as velas também foram içadas e o Partido Pirata do Brasil está em processo de legalização, após ter feito sua primeira convenção nacional ano passado. Todos e todas estão convidados a subir à bordo desta experiência colaborativa na política.

Wladimir Crippa, tesoureiro geral do Partido Pirata do Brasil – PIRATAS

Leia também:

Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores”

CartaCapital: O confronto entre o papel e a rede

 

17 Comentários escrever comentário »

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Fabio Passos

17/04/2013 - 22h19

Imaginem o potencial criativo se permitido acesso e uso ilimitado de informacao e conhecimento humano a todo e qualquer cidadao.

Responder

@naldovalenca

17/04/2013 - 19h31

O exercício da democracia é sempre bem vindo, mas acredito que o Partido Pirata não passa de mais uma turminha desejando assumir e mamar dos cofres públicos. Se estiver errado questiono o porquê de não participar do debate em prol do direito social de forma não governamental? Pois não deixaria de ser pirata no momento que se oficializa institucionalmente? E quando estiver no poder terá capacidade de governabilidade? Como pretende afrontar o poder dos oligopólios? Vejo que são como os tais libertários anarco-capitalistas que simplesmente serão mais uma ferramenta da elite reacionária. Se quiserem mudar o mundo, não finjam apartidários e apolíticos e procurem engrossar a militância de qualquer outro partido que tenham afinidade política e assim torná-los melhores. Chega de partidos nanicos e instrumento de espertos nepotistas. Já não bastam a quantidade de PCO, PCN, PMN, PCB, PPS, PSTU, PPQPariu…

Responder

Gerson Carneiro

17/04/2013 - 08h15

Opa! Gostei disso. Quero me filiar.

Responder

Fabio Passos

16/04/2013 - 21h45

E a vanguarda.
Defender a liberdade do cidadao frente a propriedade e uma luta revolucionaria.

O conhecimento humano pertence a toda a humanidade.

Responder

FrancoAtirador

16/04/2013 - 21h01

.
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Menos por ser um ‘partido político’ e mais por ser ‘pirata’,

no bom sentido que o termo possa ser utilizado, e aqui o é,

o Partido Pirata deveria ser objeto de admiração de todos

os que defendem a livre expressão individual do pensamento.

A liberdade intelectual transcende as regras do ‘Mercado’

que, por restringirem-se ao aspecto econômico-financeiro,

colocam as ‘Corporações Industriais do Entretenimento’

como proprietárias exclusivas dos ‘Direitos Autorais’

uma vez que detentoras dos meios de produção da ‘Cultura’.

E, nesse sistema mercantil, sequer os autores contratados

são beneficiados financeiramente por essas Corporações,

pois tais Indústrias se apropriam integralmente dos lucros,

às custas desses mesmos artistas e intelectuais criadores.

Muitos dos defensores do ‘modo de ser capitalista’ vigente

afirmam que “quem não tem competência, não se estabelece”.

Não é verdade, porque, no Capitalismo, ainda que competente,

quem não tem Capital, ou seja, Dinheiro, não se ‘estabelece’.

Raramente alguém obtém êxito por mérito do próprio trabalho,

sem que haja algum tipo de dependência de um meio exploratório.

E a norma do ‘Mercado’ é quem dita os critérios de competência,

qual seja: “como obter sucesso, explorando o trabalho alheio”,

quer dizer: “é mais competente quem explora melhor o próximo”.

É precisamente por isso que é um sistema absolutamente cruel,

porque é excludente e alienatório, deseducadoramente desumano.

Por exemplo, para um autor conseguir a publicação de uma obra,

a não ser que ‘excepcionalmente’ seja herdeiro de grande fortuna,

necessitará obrigatoriamente de algum tipo de ‘financiamento’,

e, para conquistá-lo, deverá recorrer, direta ou indiretamente,

ao ‘Mercado Financeiro’, representado por bancos e financeiras.

É o primeiro filtro: a obra deve ser ‘financeiramente viável’.

Aí, projetam-se ‘custos’, ‘investimentos’, ‘vendas’, ‘receita’.

Se o ‘resultado’ for ‘prejuízo’, a obra é carta fora do baralho.

Se a projeção do financiador resultar na viabilidade lucrativa,

então se submeterá aos demais filtros do ‘Marketing’ capitalista.

O valor cultural é nulo, o importante é que, ao final, dê lucro.
.
.
A internet abriu a possibilidade aos artistas e aos intelectuais

de se livrarem, até certo ponto, da dependência das Corporações,

muito embora estejam aí, fortes, a Intel, a Microsoft e a Google,

e a Aplle, o Twitter, o Facebook, as Teles e os Provedores ‘.com’.

Alguém poderia dizer que “sem dinheiro não se faz nada neste mundo”.

A “grande rede mundial” provou que se faz, sim, e por diversos meios,

e, mais, demonstrou que sempre se fez, apenas não se tornava público.

Aliás, na concepção original, a “World Wide Web” (daí o padrão ‘WWW’)

foi criada para ser uma biblioteca ou um museu com acervo planetário,

uma grande enciclopédia construída de forma gratuita e colaborativa

colecionando as obras de todos os povos, etnias e culturas da Terra.

No presente, pela interatividade, instantaneidade e espontaneidade,

ela transcende a qualquer forma de intercâmbio cultural no Planeta.

Deveria ser, ademais, a expressão máxima de Libertação da Humanidade,

pelo potencial de infinitude de uma corrente incessante e crescente,

espécie de moto-contínuo humano que se alimenta da própria energia

gerada pela Liberdade Absoluta de Expressão Intelectual e Artística.
.
.
Porém, infelizmente, continuamos subjugados pelo regime capitalista.

Teve-se agora, aqui no próprio blog Viomundo, exemplo recente disto.

Uma Corporação Midiática chamada “Globo Comunicações e Participações”

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%B5es_Globo),

um dos maiores, senão o maior, Conglomerado de Mídia de todo o mundo,

que teve, só no ano passado, um lucro de mais de 2,6 bilhões de reais,

tentou calar, pela via financeira, que é a forma de censura privada,

este sítio, no qual ora escrevo gratuitamente este sincero comentário,

despojado fisicamente de mim mesmo, sem nome, sobrenome ou nº de CPF.

De minha parte não há outro interesse que não o de que seja publicado

este pensamento fruto da inteligência materializado em palavra escrita.

E, ainda que ninguém o leia, não terá sido em vão, pois houve expressão

e registro de uma idéia amadurecida pelo conhecimento e pela experiência.

Esta é a maneira mais produtiva e útil de me desprender do próprio ego.
.
.
Os jornalistas Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Marco Aurélio Mello,

ex-empregados da phoderosa Rede Globo de Televisão, até o ano de 2006,

quando se demitiram ou foram demitidos, porque foram contra a manipulação

promovida por essa emissora de TV na cobertura jornalística das eleições

para beneficiar os candidatos da preferência dos donos dessa Corporação,

pretendem publicar um documentário, em vídeo, e um livro sobre o assunto,

narrando as ocorrências de bastidores na elaboração de várias reportagens

que culminaram por levar a eleição presidencial de 2006 ao segundo turno,

tamanha a indução a que foram sujeitados os telespectadores, na ocasião.

Este também é um caso exemplar de como o jugo capitalista se nos impõe.

Será preciso financiar a publicação desse verdadeiro testemunho vivo

produzido por, mais que jornalistas, intelectuais que se contrapuseram

à safadeza reinante até hoje nas redações e editorias da Mídia Bandida.

O mais interessante é que os autores escolheram a colaboração espontânea

como forma de custear a verba necessária à publicação de importante obra.

Eu colaborei no limite da minha disponibilidade financeira, no momento.

Estive observando, agora, que foram arrecadados somente 5% do necessário.

Sugiro a tod@s @s camaradas, companheir@s libertári@s, que contribuam.

É só clicar em “FAÇA PARTE” lá no canto superior direito desta página.

Ou aqui: (http://www.viomundo.com.br/faca-parte)
.
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Um abraço camarada e libertário a tod@s.
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.

Responder

jd

16/04/2013 - 19h57

Não podemos esquecer do PV brasileiro.

Responder

assalariado.

16/04/2013 - 17h15

Caro Wladimir Crippa;

O que o Partido Pirata tem a dizer, sobre a sociedade baseada na luta de classes?

Saudações Socialistas.

Responder

    Wladimir Crippa

    17/04/2013 - 09h08

    Caro assalariado, a luta de classes, as classes sociais, existem, isso é uma obviedade, e não há como negar isso. Mas e daí? Esse fato em si não significa nada. Assim como não faz muito sentido, do ponto de vista prático, afirmar-se de esquerda ou direita – taí a base aliada pra mostrar isso…

    O Partido Pirata não defende o atual sistema em que vivemos, não acha que a forma como a sociedade está organizada seja ideal. Está longe disso, em vários aspectos: social, econômico, político etc

    Somos um partido novo, não faz um ano que realizamos nossa convenção de fundação, mas temos alguns “princípios programáticos”, vamos chamar assim, que são:

    (i) a defesa dos direitos humanos, (ii) a defesa do direito à privacidade, (iii) a defesa ao acesso livre à informação, (iv) a defesa do acesso e compartilhamento livres de cultura e conhecimento, (v) a transparência pública, (vi) a democracia plena, (vii) o Estado Laico, (viii) a liberdade de expressão e (ix) a colaboratividade.

    De forma colaborativa iremos aprofundar nosso programa em nossa segunda convenção, a ser realizada em 2014.

    Abraço!

    assalariado.

    17/04/2013 - 12h50

    Wladimir Crippa, obrigado pelo bom combate. Só o fato de você confirmar que existem as classes sociais, para inicio de um partido politico, é de fundamental importância, numa sociedade dividida entre exploradores e explorados. Basta ter olhos para ver, não é verdade? Ou seja, há uma luta pelo poder politico ideologico pelo comando do Estado/ sociedade, entre (CAPITAL X TRABALHO).

    E voce retruca: Mas e daí? Tudo bem!

    Acredito que a perguntas é que movem a história, não as respostas, e que, estas são scombustíveis que movem a história entre os de interesses antangonicos, então …

    Agora eu retruco, de repente, para começar a levantar subsídios para 2ª convenção. Pergunto e estico encima dos, digamos, “princípios Programáticos.”

    i) defesa dos direitos humanos de quem? Dos exploradores ou dos esxplorados, sabendo que, os interesses de classes são opostos.

    ii) Defesa da privacidade de quem, e do que? Se esta privacidade tem haver com o conteúdo/ trafego na internet, e que, se trata de um espaço de ‘dominio publico’, com direito de argumentos/ respostas, estamos juntos.

    iii) Acesso a livre informação, de quem? É bom não esquecer que, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) é, o braço politico ideologico dos donos do capital, e que, quer manter a todo custo, a manipulação das notícias em favor da burguesia,. Ou seja, a imprensa burguesa está a serviço da sua própria classe, enquanto classe dominante, e agora?

    iv) defesa da cultura/ das ideias e valores de que classe social?

    v) transparencia pública? Leis das mídia já!

    vi) Democracia plena, então prefiro citar Bertolt Brecht;
    ” Felicidade haverá, quando o fruto do trabalho for dos que produzem.”

    vii) Estado laico, estamos juntos.

    viii) Liberdade de expressão passa, necessariamente, pelo fim da propriedade (PRIVADA), dos meios de produção seja intelectual ou braçal.

    ix) Colaboratividade?, Opa! Espero estar colaborando para essa convenção futura.

    Saudações Sinceras.

Walter

16/04/2013 - 15h36

Partido Pirata A única opção real de mudança.Contem comigo, tou no barco.

Responder

Nerdices.com.br » Contra o vigilantismo na internet, o Partido Pirata

16/04/2013 - 11h50

[…] originalmente no Viomundo Curtir isso:Curtir […]

Responder

Mardones

16/04/2013 - 09h04

Precisa mesmo de mais um partido para defender essa causa?

Cláusula de barreira já!

Chega de piratas, verdes, demos e cia ltda.

Responder

    Marcus Monteiro

    16/04/2013 - 10h33

    Por favor, informe seu nome, email, endereço completo, e telefone, pois nos sentimos ofendidos com sua declaração e queremos processá-lo. Ah! não precisa! basta pedir a este site já que, por lei, todos os sites agora sào obrigados a identificar seus usuários….

    Bem-vindo(a) a 1984.

    Elias

    16/04/2013 - 10h42

    Afff! Pôr os piratas no mesmo “pote” que os demos e os verdes, foi de lascar… (um não tem nada a ver com o outro)

    [ainda fico surpreso que você tenha esquecido os espertalhões da bancada evangélica…]

    Wladimir Crippa

    17/04/2013 - 09h11

    Mardones, que outro partido está se propondo a colocar estas questões em debate? O Marco Civil emperrado na câmara federal, a reforma das comunicações cada vez mais distante, leis criminalizando o usuário da internet sendo aprovadas… não me parece que estejam na pauta de algum partido já existente.

    Abraço!

asdrubal

16/04/2013 - 06h48

Expor a vida na internet não é violação de privacidade individual?

Expor a vida numa rede social não é uma maneira de permitir que governos, instituições, empresas, pessoas, etc., tomem conta do que você faz sem você sequer suspeitar?

Não sei ao certo se entendi o que esse partido quer.

Responder

    Marcus Monteiro

    16/04/2013 - 10h19

    Todas as redes sociais e meios de compartilhamento de informação possuem o chamado “termo de uso” que diz (ou deveria dizer) como essas informações serão armazenadas e quem terá direito a acesso a elas, e ainda de que forma.

    O partido quer manter a liberdade de uso da internet através de recursos como o anonimato e neutralidade.

    Atualmente, já existem meios de chegar até o computador que fora usado em algum crime virtual, não existe necessidade do monitoramento 24hs por dia.

    O partido quer, por exemplo, que alguém se identificar ao tecer um comentário ou não continue sendo uma opção de cada cidadão.

    A vantagem que vejo nisso é que covardes como você também teriam de expor sua identidade até mesmo nos casos mais simples, como um comentário de um site, e isso facilitaria a todos nós separar o joio do trigo.

    E aí? continua não entendendo o que o partido quer?

    Se sim, diga seu nome e email real e tentaremos te explicar melhor. Ah, não! é informação confidencial, só a microsoft, facebook, google, e outras tantas empresas, podem saber. não é?

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