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Cartas de Minas

Weissheimer: Os protestos como “linha auxiliar do conservadorismo”

30 de janeiro de 2014 às 09h33

28/01/2014 – Copyleft

Vai ter eleição!

Há quem ache que não vai ter Copa no Brasil. Mas não há dúvida sobre outro fato: vai ter eleição, uma disputa que influenciará os rumos de toda a América Latina

por Marco Aurelio Weissheimer, na Carta Maior

Vai ter Copa. Não vai ter Copa. Anti-Copa. Como era previsível, o ano começa com a Copa do Mundo ocupando lugar destacado no debate público e midiático. Mais midiático do que público, no momento. É importante lembrar que a Copa do Mundo não é o acontecimento mais importante de 2014.

Há quem ache que não vai ter Copa. Mas não há dúvida sobre outro fato: vai ter eleição. E os movimentos políticos em torno da Copa Mundial de Futebol estão todos subordinados, goste-se ou não, à eleição presidencial. Não é uma eleição presidencial qualquer. Ela define o futuro do maior país da América Latina e, de modo indireto, de todo o continente. Com o passar dos meses, essa agenda vai se impor ao debate político do país exigindo escolhas e definição de posicionamentos.

Os grupos, supostamente de esquerda, que tentam alimentar o movimento “Não vai ter Copa”, representam neste início de ano a grande esperança da oposição política e social ao governo federal para derrubar a popularidade da presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição. A única coisa que foi capaz de derrubar a popularidade de Dilma foram os protestos de junho de 2013.

Sem uma agenda política, social e econômica para o país, a oposição capitaneada pelo PSDB acompanha o desenrolar dos acontecimentos, apostando no quanto pior, melhor, e contribuindo para isso com a truculência policial onde governa, como ocorre atualmente em São Paulo. Essa é a receita para alimentar um clima de conturbação social nas ruas capaz de transformar a Copa num pesadelo para o atual governo.

Com o passar do tempo, haverá muito pouco espaço para neutralidade e/ou ingenuidade nesta disputa. As peças estão se posicionando no tabuleiro e, no final, do ano, haverá um vencedor e um perdedor.

Há motivos legítimos para se protestar contra a Fifa e contra efeitos negativos da promoção desses mega-eventos, principalmente junto a setores mais pobres da população. Mas, paradoxalmente, podem ser justamente esses setores mais pobres os mais prejudicados, caso os partidários do caos na Copa (que é o que significa “não vai ter Copa”) triunfem.

São esses setores os principais beneficiários de um conjunto de políticas públicas universalizantes, que caminham na contramão do que está se fazendo hoje no mundo. Em um debate realizado neste sábado, no Fórum Social Temático de Porto Alegre, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, resumiu a importância estratégica dessas políticas e da transformação que ela está provocando na vida de milhões de brasileiros:

O Bolsa Família atinge hoje cerca de 50 milhões de pessoas e mobiliza um conjunto de outras políticas. Já são quase 12 anos de uma infância sem fome. A saúde das crianças melhorou em função do casamento do Bolsa Família com o Programa de Saúde da Família. Houve uma redução de 58% da mortalidade infantil causada por problemas relativos à desnutrição.

O segundo impacto positivo é na educação, com a alteração da trajetória educacional das crianças. Essa alteração aparece nas taxas de aprovação. Os jovens do Bolsa Família tem um melhor desempenho escolar no ensino médio do que os jovens que não são beneficiários do programa. A taxa de aprovação dos alunos com Bolsa Família no ensino médio é de 79,7%, enquanto a dos alunos sem Bolsa Família é de 75,7%. Houve uma redução de 89% da extrema pobreza, lembrando que essa pobreza se concentra mais entre jovens até 15 anos.

É possível ser anti-Copa e a favor do Bolsa Família? Sim, em tese, é possível. Em tese, muitas coisas são possíveis. Mas, na política, a estrada entre o possível e o real é tortuosa e cheia de armadilhas. Objetivamente, o “não vai ter Copa” virou a bala de prata da oposição.

Os grupos e movimentos que trabalham com esse objetivo tendem a se transformar rapidamente em linha auxiliar do conservadorismo brasileiro que quer acabar com o que chamam de “farra fiscal” provocada pelo conjunto de políticas públicas implementadas pelo Estado brasileiro, hoje.

Esse diagnóstico tem a cara de uma chantagem? Pode até ser, mas, objetivamente, é disso que se trata. As chamadas “jornadas de junho” foram a única coisa capaz de fazer Dilma despencar nas pesquisas. Repita-se a dose agora, então, se possível em escala maior.

Um caminho para quem deseja protestar contra os desmandos da Fifa e contra, por exemplo, políticas de remoção forçada de populações, é pressionar os poderes públicos, em suas esferas municipal, estadual e federal, e tentar conquistar benefícios para os atingidos por esses efeitos negativos. É um caminho estreito, mas possível.

Exige, entre outras coisas, disposição para o diálogo e para a articulação e organização política. Mas é estreito, pois esse caminho é habitado também por grupos que consideram o incêndio de fuscas, lixeiras e bancos públicos como tática revolucionária (sic). A atenção da mídia estará focada nestes grupos e qualquer fusca ou lixeira incendiada ganhará repercussão mundial.

No mesmo debate do qual participou a ministra Tereza Campello, no Fórum Social temático, o sociólogo Emir Sader advertiu para o desencontro que ocorreu entre o Fórum e a ideia do outro mundo possível:

“O outro mundo possível aparece no vídeo que vimos aqui sobre o Bolsa Família, está presente em políticas concretas no Brasil, na Bolívia, no Equador, na Venezuela. O Fórum errou quando, lá atrás, excluiu o Estado, os partidos e os governos de suas atividades. A ideia de uma sociedade civil global é uma ficção e a propalada autonomia dos movimentos sociais é autonomia em relação ao que mesmo? À política? Isso não funciona. Eu esperava um balanço mais crítico dos zapatistas que hoje estão isolados no Sul do México. Outro exemplo é do movimento do piqueteros na Argentina, que surgiu como uma grande novidade, abriu mão de fazer política e hoje simplesmente acabou”.

Os entusiastas das chamadas “revoluções interconectadas pelas redes” costumam minimizar as suas “conquistas” políticas até aqui: uma ditadura no Egito, a vitória da direita na Espanha (e a ascensão da extrema-direita em vários países da Europa), o desvio da atenção, no Oriente Médio, da luta do povo palestino. Obviamente, essas “revoluções” não são as únicas responsáveis por essas consequências, mas tem a sua parcela, sim. Não parece ser pedir demais que se dedique algumas horas a essa reflexão.

Inventar novos conceitos pode ser divertido, às vezes pode ser útil, mas, outras vezes, pode ser apenas uma invenção mal-sucedida. O voluntarismo e o ultra-esquerdismo já causaram grandes estragos na história da esquerda. A América Latina conhece bem essa história. Cabe, aqui, lembrar as palavras do presidente do Uruguai, José Mujica, sobre a arte de governar:

(…) No sentido mais profundo é possível que governar seja lutar por tornar evidente o que ainda não o é, significa olhar muito longe. Isso tem um preço: não ser entendido, não ser acompanhado, não ser compreendido. É natural que as pessoas estejam preocupadas com seu presente imediato. Elas querem ganhar mais, viver melhor. É parte do modelo e desta etapa da civilização. Há outra discussão que tem a ver com o desperdício desse modelo porque, no ritmo atual, não há recursos suficiente para todos (…)”.

“(…) É preciso fazer as coisas enquanto a sociedade real funciona, ainda que ela seja capitalista (e o é). Tenho que cobrar impostos para mitigar as enormes desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, não posso cair no conformismo crônico de que simplesmente reformando o capitalismo iremos a alguma parte. Devo tentar outra coisa distinta, mas evitar a colisão, porque o choque é sacrifício humano. Não se pode ficar 30 ou 40 anos repetindo a palavra revolução sem que as pessoas tenham o que comer. Não podemos substituir as forças produtivas de um dia para outro, da noite para o dia, nem em dez anos. São processos que exigem inteligência. Precisamos lutar no interior das universidades para a multiplicação do talento humano. Mas, ao mesmo tempo que lutamos para transformar o futuro, é preciso manter o velho funcionando porque as pessoas precisam viver. É uma equação difícil. O desafio é imenso (…)”.

É isso. A arte de governar é cheia de limites, contradições e obstáculos. Ela exige escolhas e definição de prioridades. E a coisa mais importante este ano, para milhões de pessoas mais pobres em toda a América Latina, é a eleição presidencial no Brasil. Não se trata de nenhuma questão nacionalista de ser contra ou a favor do Brasil.

Trata-se de uma disputa que influenciará a vida de milhões de pessoas em toda a América Latina, da zona sul de Porto Alegre ao altiplano da Bolívia. Se alguém tem alguma dúvida disso que escute a opinião de Evo Morales, Rafael Correa, Nicolas Maduro, Fidel Castro e de outros líderes latino-americanos a respeito.

Trata-se de uma eleição que define o futuro de políticas públicas que estão mudando a vida de milhões de pessoas. É disso que se trata e reconhecer isso não implica, sob aspecto algum, negar que existem problemas sérios a serem enfrentados ou não reconhecer o direito de manifestação para quem quer que seja.

Mas é impossível não reconhecer também que a única possibilidade de sucesso para a oposição hoje é criar um clima de caos durante a Copa. Pouco importa as designações que nos auto-atribuamos (se somos de esquerda, petista, antipetista, psolista ou anarquista). As nossas ações e escolhas nos colocarão em uma posição nesta disputa. Que cada um faça suas escolhas e se responsabilize por elas depois. E, ao fazer isso, talvez seja prudente ter em mente que o caminho entre o otimismo da vontade e a demência da razão pode ser muito curto.

Leia também:

Igor Ojeda: Protestar é ser de esquerda

 

64 Comentários escrever comentário »

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Jair de Souza

01/02/2014 - 10h57

Nesta discussão de se é certo ou errado que partidos de esquerda façam alianças para chegar ao governo e manter-se no mesmo entram algumas peculiaridades que dizem muito mais respeito aos interesses reais que estão por trás de quem se expressa a respeito.

Eu, por exemplo, considero bastante válido e indispensável buscar apoio em toda e qualquer força política momentaneamente divergente do bloco conservador se, com isto, for possível avançar alguma coisa na satisfação dos interesses das maiorias populares. Tais alianças só deveriam ser completamente descartadas se houvesse condições de avançar no rumo dessa atenção das necessidades populares sem recorrer a qualquer tipo de alianças.

Eu considero que fazer concessões a setores da burguesia quando isto é claramente dispensável é uma postura contrarrevolucionária. Por outro lado, contribuir para que as maiorias populares se mantenham em situação de miséria tão somente para atender os desejos de “moralistas” e “puristas” que, na verdade, não têm nenhuma preocupação com o sofrimento real dos imensos contingentes de seres humanos que vivem na penúria, é ainda muito mais contrarrevolucionário. É um crime contra o povo trabalhador. E assim deve ser tratado.

Eu me recordo de como os “moralistas” e “puristas” se indignaram com a aliança proposta por Lula com o malufismo em São Paulo. E agora? Será que estes puristas acreditam ainda que o melhor para o povo trabalhador de São Paulo teria sido deixar que José Serra fosse eleito? Bem, pode ser que esses “moralistas” e “puristas” também compartilhem da visão difundida pela máfia midiática de que as medidas propostas por Fernando Haddad (e, devidamente, boicotadas pelo Judiciário) são “atentados” contra a democracia, contra o direito à propriedade, contra o direito de ir e vir.

Outro exemplo que também pode servir como ilustração da validade ou não dessas alianças é o que ocorreu na Nicarágua sob a direção da FSLN, liderada por Daniel Ortega. Lá, com o propósito de retirar o país das mãos da oligarquias mais pró-imperialistas existentes, a FSLN decidiu fazer uma aliança eleitoral com Arnold Alemán (o Maluf nicaraguense) e com a Igreja católica conservadora. Mas, então, surgiu a extrema-esquerda que, através de sua organização alternativa à FSLN (o MRS, Movimento Revolucionário Sandinista) lançou-se violentamente contra essa aliança, em nome do “purismo” e “moralismo” revolucionário.

O concreto é que, com a vitória da FSLN, a Nicarágua finalmente começou a sair da longa noite do neoliberalismo antipovo a que havia estado submetida por década e meia. Hoje, a Nicarágua decididamente faz parte da América Latina progressista e as condições de vida de seu povo melhoraram significativamente. Por outro lado, em pouco tempo se descobriu que o “glorioso” MRS era bancado e financiado pelas agências do imperialismo estadunidense, mais especificamente pelo NED (National Endowment for Democracy). E esta não é uma acusação leviana, pois consta do relatório de prestações de contas dessa própria agência de desestabilização estadunidense.

Voltando ao Brasil, se nossos “moralistas” e “puristas” (também chamados de “neo-udenistas”) pudessem provar que as forças populares dispunham de todas as condições materiais e organizacionais para chegar ao governo sem necessidade de fazer nenhuma aliança “espúria”, seríamos obrigados a dar-lhes razão. Mas, pergunto, alguém já viu alguma análise feita por eles que comprove que as forças populares estavam aptas a assumir a luta pelo governo (e vencê-la) sem precisar fazer alianças com setores conservadores? Nunca vimos, nem nunca vamos ver estas análises, simplesmente porque não é esta a preocupação de nossos neo-udenistas.

Na verdade, o que eles realmente desejam é impedir a toda custa que os setores populares obtenham quaisquer benefícios através do aparelho de Estado. Neste ponto (e em quase todos os outros) eles estão em plena concordância com o que há de mais antipovo em nossas oligarquias.

Responder

    Carlos

    02/02/2014 - 23h51

    O concreto que Maluf, Sarney, nunca fariam acordo para perder dineheiro e poder.
    Os Sandinistas assim com os dirigentes passaram a fazer parte da classe dominante (todos tem grandes fortunas).
    O povo continua na lesma lerda.

    Jair de Souza

    04/02/2014 - 08h09

    A extrema esquerda é a desgraça do mundo.

Mário SF Alves

31/01/2014 - 20h50

Em síntese, é isso:

Responder

Julio Silveira

31/01/2014 - 19h15

Enquanto isso a Dilma para dificultar sua defesa pelos esquerdistas de verdade, vai liberando geral nas concessões de rodovias. E acho que o site terra não mentiria sobre isso, nem inventaria quando falam que vai da ponte Rio-Niterói e mais outras quatro. Mas inventaram o termo concessão para agente ter que engolir esse jogo de semânticas para descaracterizar o termo privatização.

Responder

Pedro Mundim

31/01/2014 - 14h40

O autor até admite a hipótese de alguém ser ao mesmo tempo contrário à Copa do Mundo e a favor do Bolsa Família. Só não admite a hipótese de alguém ser ao mesmo tempo a favor da esquerda e contrário a PT. Se as manifestações de junho derrubaram a popularidade de Dilma, então as manifestações são más e os manifestantes estão errados. Ponto.

Aliás, quem disse que é projeto do PSDB acabar com a Bolsa Família? Essas bolsas todas tem origem no governo de FHC, Lula fez pequenas modificações e batizou-as com outros nomes.

Vocês são muito mais petistas do que esquerdistas, e muito mais anti-tucanos do que anti-direitistas. No meu tempo, isso tinha um nome: chapa-branca.

Responder

Leo V

31/01/2014 - 11h35

O autor se apega ao bolsa-família pra dizer que se a Dilma não ganhar a
eleição o Bolsa-Família acaba.

A lógica do poder é essa, tudo mais deve estar submetido ao cálculo
racional de conquista do poder, no caso através das eleições. Manifestação
é boa só quando no cálculo eleitoral ela favorece.

Não se defende princípios mas um projeto de poder. Essa galera “petista”
que tá abençoando a Copa (muitas vezes com os mesmos argumentos
nacionalistas da ditadura), ia estar vociferando mais que os manifestantes
contra a essa Copa caso as políticas que ocorreram em função dela tivessem
em curso por um governo do Serra, por exemplo. Isso é tão óbvio…
O legado da Copa vai ser a Portaria que o Celso Amorim baixou colocando as
Forças Armadas para atuar em manifestação, greve e ocupação de terra.
Defender os negócios. Oras, quem está a serviço do conservadorismo?

É interessante como se substitui o real pelo signo.. é o simulacro da
política. O signo do conservadorismo passa a ser um partido no poder e não
políticas que são feitas independente do partido de onde elas saem.

A estupidez do PT é a seguinte. Estão reclamando da chuva. Vai chover quer
eles queiram ou não. Estão na fantasia de existir Estado sem povo, que é o
sonho de todo governo. Então não adianta ficar falando que manifestante
isso e aquilo. Se eu fosse eles eu disputaria o sentido das manifestações,
que é o que a direita eleitoral vai fazer. E mais, se o PT significasse
realmente uma vontade de avanço social, usaria isso pra empurrar políticas
públicas mais a esquerda. Sempre havia o papo que a correlação de forças
não permitia… quando a força à esquerda bate na porta o que o PT faz?
Tenta sufocar e acabar com ela, chamando de ‘direita’. O pacto está mais que feito já com os de cima. Isso mostra que daqui onde estamos não se avança através de governo.

Responder

    Mário SF Alves

    31/01/2014 - 14h29

    Mostre como fazer melhor, Leo V!
    _____________________________
    Tenha certeza, somos todos olhos e ouvidos.
    ____________________________________
    Vai lá. Cadê?

    Andre

    31/01/2014 - 14h39

    Como dizia John na música Revolution (em tradução livre):
    “VocÊ diz ter a solução real
    Bem, você sabe
    Adorariamos ver o plano”

    Leo V

    31/01/2014 - 15h59

    Quem tem que mostrar como fazer melhor é quem pede voto!

    Não vi relação da sua pergunta com o que escrevi. Eu não disse uma vírgula que eu feria melhor no governo.

    A questão é justamente essas. Nem tanto o partido ou as pessoas que assumem uma função, mas a função em si.

    O que faz um governo ir para a esquerda são as pressões das pessoas organizadas em baixo, dos trabalhadores organizados.

    Luís Carlos

    01/02/2014 - 14h56

    E você não pede voto porque resultados eleitorais não são importantes? Porque eleições são disputadas por partidos e partidos, eleições não são importantes para os trabalhadores no processo de intervenção e transformação social? Porque para você, não faz diferença o partido ou coligação que ganhe, seja hoje, ou como teria sido no passado quando Jango foi presidente?
    Dizer que a responsabilidade de apresentar propostas é de quem pede voto, aponta na mesma direção daquilo que você diz criticar, ou seja, que tudo se resume a eleições e seus resultados, esvaziando a política,como se trabalhadores não pudessem e nem tivessem possibilidade e responsabilidade de apresentar propostas. Desdenha de eleições e partidos, mas não apresenta proposta alguma transferindo a responsabilidade aos que submetem a eleições. Critica partidos, mas não assume responsabilidades de propostas para mudanças, dizendo aos partidos que o façam. Eis a tática, sem estratégia, e sem responsabilidade política de assumir em suas mãos a responsabilidade de mudança e de ser sujeito da historia.

Luís Carlos

30/01/2014 - 23h28

Sobre os Black Blocs que se apresentam como anti-capitalistas, e Anonynous, me pergunto quantas reuniões tiveram com trabalhadores explorados pelo capital para ouvir desses trabalhadores o que desejam, o que pensam, o que os oprime? Se Black Blocs e Anonymous acreditam e apóiam democracia participativa? Como propõem essa participação da população? Ou com manifestações de rua, sem lideranças, quebrando o espaço público, se constitui democracia participativa? Que articulações tem com entidades de trabalhadores, movimentos populares, com pautas discutidas, organizadas, combinadas para pressionarem governos e capital? Não se articulam com movimentos populares, com sindicatos? Fazem por conta própria? E defendem interesses coletivos de trabalhadores, da classe trabalhadora?
Que direitos Anonynous e Black Blocs preconizam? Direitos de quem? Direitos da classe trabalhadora? De crianças e adolescentes? Fizeram alguma defesa do ECA? Do SUS? Fizeram defesa do SUAS? Defesa de geração de empregos?
Quais direitos, de quem e que propõem o Anonymous, Black Blocs?

Responder

    Leo V

    31/01/2014 - 11h37

    Black Bloc é uma tática, não uma organização política.

    É como se você perguntasse para uma passeata o que ela pensa sobre um assunto. Uma passeata é uma forma de manifestação não o conteúdo da manifestação.

    Andre

    31/01/2014 - 14h11

    “Black Bloc é uma tática, não uma organização política.” Em primeiro lugar tática é parte da politica, mas tatica sem estratégia e sem teoria é a base do autoritarismo de todo tipo. E a pura tática leva aos que aderem a ela a ser objeto e instrumento de manipulação de organizações politicas que existem e continuam existindo no mundo real. Se o Black Block é uma tática, é uma tática que serve a qual grupo politico? (ai é discutir estratégia e isso não vale né? só vale o espetáculo transmitido ao vivo na Globo)
    REcomendo a você Leo que leia o artigo que circula pela internet “The Mith of Structureless” da feminista Jo Freeman escrito no inicio dos anos 1970. A horizontalidade e a tática pura são um mito, grupos se formam naturalmente sem precisar de organização institucional – mesmo que se formem só nas profundezas da deep web – e sem visibilidade para essas lideranças expontaneas elas se tornam autoritárias posto que são invisíveis.

    Andre

    31/01/2014 - 14h22

    corrigindo: o nome do texto é “The Tyrany of structureless”; uma tradução em português seria bem vinda nesse momento.

    Leo V

    31/01/2014 - 14h39

    Andre,

    então quem faz passeata também é manipulado, sempre, pois é uma tática.

    Vou desenhar: Black Bloc é uma tática, não uma organização política. O que não quer dizer que as pessoas que adotam essa tática não façam parte de uma organização política. Pessoas que fazem passeatas frequentemente fazem parte de uma organização política.

    Não estou discutindo eficiência de táticas nem que as pessoas que aderem ao Black Bloc são isso ou aquilo. Estou dizendo que não faz sentido perguntar “qual o programa político das passeatas”. Passeata é uma forma de manifestação.

    Luís Carlos

    01/02/2014 - 14h46

    Então, de qual organização política, em suas palavras, as pessoas dessa tática Black Bloc e do Anonymous?

Mário SF Alves

30/01/2014 - 22h28

Gostei da análise. Quem conhece a História; quem sabe o que aconteceu em 64, entende o quanto é importante esse chamado à responsabilidade.
________________________________

Vale ressaltar:

“Mas é impossível não reconhecer também que a única possibilidade de sucesso para a oposição hoje é criar um clima de caos durante a Copa.
____________________________________

E que cenário mais paradoxal. Ultra-conservadores, cuja essência ideológica é e sempre foi a negação de que tudo se origina do caos primordial (inclusive, a ordem vigente); que ignoram ou fingem ignorar que no centro de toda galáxia em espiral pulsa um buraco negro, se vêm agora na contingência de criar e dirigir o caos.
__________________________________________________
“Pouco importa as designações que nos auto-atribuamos (se somos de esquerda, petista, antipetista, psolista ou anarquista). As nossas ações e escolhas nos colocarão em uma posição nesta disputa. Que cada um faça suas escolhas e se responsabilize por elas depois. E, ao fazer isso, talvez seja prudente ter em mente que o caminho entre o otimismo da vontade e a demência da razão pode ser muito curto.”
__________________________________________________________
Em tempo:

É bom que não se esqueça: o PiG, caixa de ressonância de todo o conservadorismo da pior elite do mundo, e que hoje, mais do que nunca luta por todos os meios para manter o Brasil nessa letargia subdesenvolvimentista, está lutando também por seus próprios interesses. Eles sabem que se boca do canhão caótico se voltar contra eles, o que estará em risco é muito mais do que patrimônio retórico.

Responder

João

30/01/2014 - 21h00

Se as obras de infraestruturas que são o tal legado da Copa e dos Jogos Olímpicos tivessem sido feitas, se Dilma e o PT não tivesse repetido o velho esquema de governar nas localidades apoiando os coronéis locais, tenho certeza absoluta que as forças progressistas e de esquerda deste país a estaria apoiando e tomariam a Copa em seus braços. Mas Dilma e o PT apenas querem garantir a reeleição, fazendo o mínimo possível para minorar a desigualdade social. O único culpado disto tudo é o PT. Poderia revolucionar, transformar radicalmente a cultura política deste país, mas prefiriu se aliar ao passado para manter suas posições. Vai tomar trolha á esquerda e à direita. De que adiantou Dilma paparicar a Folha e a Globo?

Responder

    Mário SF Alves

    30/01/2014 - 22h36

    Tá. Então, se entendi bem, e ainda que admitindo como correto o raciocínio, por conta disso, vale correr o risco de entregar tudo de volta nas mãos da pior elite do mundo?
    _________________________
    É… pelo visto, o chamado à responsabilidade que salta do texto ainda parece ser totalmente estéril.
    ____________________________________

    Compreendo sua posição. Especialmente se trata de filhos do neoliberalismo que passaram metade da vida conectados à Internet.

    marcosomag

    31/01/2014 - 21h48

    Nuuussa! Ultra-esquerdismo clássico!

    Já pensou se o Mao-Tsé-Tung pensasse como você? “Não vou fazer aliança com estes nacionalistas de uma figa do Chiang-Kai-Shek! Eles representam atraso. Não me representam! Preciso manter a pureza ideológica do nosso Partido!” Resultado: até hoje a China seria um suculento naco de carne disputado pelas potências, e não a potência que é hoje.

    Leia “Esquerdismo: a doença infantil do comunismo”, do velho e bom Vladimir, e depois, volte aquí.

João

30/01/2014 - 20h53

Ah, tá! Beleza. E governo de coalizão com o PMDB é algo memso muito progressistas né?!

Tenha dó!

Responder

    Mário SF Alves

    30/01/2014 - 22h38

    Acorda, meu irmão. Esquece esse simplismo que o PiG meteu na sua cabeça.

nigro

30/01/2014 - 19h26

Pessoal tentem fazer um comentário sem mencionar o “PIG”, “reacionários”, “golpista” e etc. Que neurose…

Quanto ao texto, é interessante mesmo- o principal acontecimento no nosso atrasado e amaldiçoado país neste ano é mesmo a Eleição. Como se já não soubessemos de antemão o resultado.. Que eleição emocionante!! Dilma e seu estado inchado e aparelhado, mas que tem trazido melhoras (afinal, pneu vazio qualquer sopro melhora ) e a os demais candidatos. em comum, todos – incluindo Dilma- tem a miséria intelectual. Ninguém jamais fez ou criou alguma coisa na vida sem ajuda sem estar metido no poder público.

Quanto à Copa, que se lixe. Não tem essa importância toda em nenhum sentido!

Ainda que o governo minta e diga que não há investimento público (por governo, entenda-se TODAS SUAS ESFERAS), e que o povo supostamente duvidasse disso

Ainda que ocorram os previstos problemas de infraestrutura de transporte e comunicação, com aeroportos-favela, estradas de araque, internet lenta e etc,

Ainda que ocorram problemas de segurança,

Ainda que todas as mazelas deste país sejam escancaradas nos jornais do mundo para nos envergonhar,

Ainda mesmo que o Brasil-perdão, a seleção brasileira de futebol, perca

Ainda assim, nada mudará, com ou sem baderna, e Dilma vencerá facilmente.

Pois embora nosso povo seja alienado, inculto, analfabeto, a ponto de confundir uma coisa com a outra, a monotonia do debate político afasta qualquer um. Melhor votar na Dilma do estado babá.

O Brasil é isso aí pessoal. Não lembro de uma olimpíada ou mesmo da Copa do Mundo nos EUA ter tido qualquer influencia política. Que nada!

Aqui na Banânia, tem carro de bombeiros com desfile, e cumprimento do presidente da República.

Responder

jõao

30/01/2014 - 19h05

Um ex-comunista: “Só o PSDB e o PPS levam a Folha a sério”

Publicado em 30/01/2014
O VÍDEO QUE PODE
DERRUBAR BARBOSA
Inquérito 2474 tem lá no fundo o Daniel Dantas

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O Conversa Afiada reproduz texto de Miguel do Rosário, extraído do Cafezinho:

BOMBA! O VÍDEO QUE PODE DERRUBAR JOAQUIM BARBOSA!

Prestem atenção nesse vídeo. Nele, Joaquim Barbosa fala inúmeras (…), além de seus ataques de praxe aos direitos dos réus.

É uma votação de 12 de maio de 2011. Julga-se exatamente se o STF deve liberar ou não os autos do Inquérito 2474 a alguns réus da Ação Penal 470. Barbosa vinha mantendo o Inquérito 2474 em sigilo desde que o recebeu, em março de 2007. No início de 2011, vazou uma pequena parte à imprensa, e vários réus da Ação Penal 470 solicitam ao STF para terem acesso à íntegra do inquérito, que tem 78 volumes. Barbosa, então relator da Ação Penal 470, recusa, e o caso vai a votação. Ao final, Barbosa vence, com ajuda de Ayres Brito, que desempata a votação.

Barbosa afirma que inquérito 2474 trata de outros réus e assuntos não relacionados ao mensalão petista.

(…) .

O relatório do Inquérito 2474 trata dos réus que também estão na Ação Penal 470, como Marcos Valério e seus sócios, e Henrique Pizzolato e Gushiken. E traz documentos, logo em suas primeiras páginas, dos pagamentos Banco do Brasil à DNA, referentes às campanhas da Visanet. Ora, o pilar do mensalão foi o suposto desvio de recursos da Visanet, no total de R$ 74 milhões, para a DNA, sem a correspondente prestação de serviços. Como assim o Inquérito 2474 trata de assuntos diferentes?

Barbosa diz que a Polícia Federal tomou cuidado para “não apurar, no Inquérito 2474, nada que já esteja sendo apurado na Ação Penal 470″.

(…).

No inquérito 2474, um dos documentos mais analisados é o Laudo 2828, que investiga o uso dos recursos Visanet, que é o tema principal da Ação Penal 470.

Celso de Mello dá uma belíssima aula sobre a importância, para a defesa, de conhecer todos os autos que possam lhe ajudar. E vota contra o relator, em favor do pedido dos réus.

Barbosa se posiciona, como sempre, como um acusador impiedoso e irritado, sem interesse nenhum em dar mais espaço à defesa.

Observe ainda que Celso de Mello dá sutis estocadas irônicas na maneira “célere” com que Barbosa toca esse processo (a Ação Penal 470), “em particular”. Ou seja, Mello praticamente acusa Barbosa de patrocinar um julgamento de exceção.

Celso de Mello alerta que a manutenção de sigilo para documentos que poderiam ajudar os réus constitui um “cerceamento de defesa”.

Barbosa agiu, como sempre, como um inquisidor implacável e medieval. Ayres Brito e Luis Fux, para variar, votam alinhados a Barbosa.

É inacreditável que o Supremo Tribunal Federal (STF), um lugar onde supostamente todas as garantias individuais deveriam ser asseguradas aos cidadãos perseguidos pelo Estado, de repente se transfigurou num tribunal de exceção, de perfil inquisitorial, no qual os direitos da defesa foram tratados, sistematicamente, como meras “chicanas”, “postergações inúteis”.

Todas as regras foram quebradas, mil exceções foram criadas, para se condenar sumariamente.

Nesse vídeo, temos a prova de que Barbosa agiu deliberadamente para cercear direitos à defesa. Isso é o pior crime que um juiz da suprema corte pode cometer, e que justifica um pedido de impeachment.

Entretanto, se pode verificar no vídeo o nervosismo de Barbosa para afastar qualquer possibilidade de trazer as informações do inquérito 2474 para dentro dos debates.

Celso de Mello lembra, então, que o plenário ainda estava na fase de apurações, e que portanto era o momento adequado para enriquecer o debate com mais informações, ao que Barbosa responde, com sua prepotência de praxe, que a fase de investigação estava “quase no final”. Como quem diz: “não me atrapalhe, quero terminar logo esse circo; vamos condenar logo esses caras os mais rápido possível; temos que dar satisfação à Rede Globo.”

CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA DAS FALAS DOS MINISTROS.

PS: O vídeo foi garimpado originalmente pela competente Conceição Lemes, editora do blog Viomundo. Eu resumi os debates para um tamanho mais amigável (o vídeo original tinha quase 50 minutos).

Responder

Maria Thereza

30/01/2014 - 17h44

Independente de todos os movimentos que vão acontecer esse ano, o artigo é excelente, pois nos coloca diante do futuro. Muitos dos eleitores de 2014 eram crianças em 2002 e pensam que sempre vivemos assim: com pleno emprego, acesso à educação, “N” escolas técnicas em cidades médias, um monte de universidades federais, viagens, enfim tudo que foi conquistado a duríssimas penas e sob críticas mais duras ainda. O trabalho é convencer esse eleitorado que “corrupção” não é uma invenção do PT e que podemos ter um retrocesso de 50 anos, onde nem coxinhas poderão levar suas manifestações a algum lugar.

Responder

    nigro

    30/01/2014 - 19h27

    Futuro? Que futuro?

Porco Rosso

30/01/2014 - 16h56

Por que exigem que a esquerda não proteste contra os abusos aos direitos humanos cometidos por Governo/FIFA a fim de não dar munição aos conservadores, e não que o Governo/PT garanta esses direitos para que a esquerda não tenha motivos para protestar?

Responder

    Leo V

    31/01/2014 - 16h21

    Perfeito!

    Posso responder?

    Porque o que importa pra essa gente é ser eleito, ter poder no Estado. Virou fim em si mesmo.
    Já para esses eleitores raivosos, creio que é algo meio místico, acreditar ainda no ‘salvador da pátria’, alguém com poderes divinos, e que as coisas mudam apenas com o esforço de apertar o botão certo a cada 4 anos.

    Mário SF Alves

    31/01/2014 - 20h39

    É o processo Leo V.
    Quinhentos anos de exclusão social não se resolve assim num passe de mágica, da noite pro dia.
    ________________________________________

    E ilusão primária achar que o governo – qualquer governo – pode tudo. Bobagem. O sistema é esse, e os governantes são eleitos segundo regras – explícitas ou não – estabelecidas ao longo de séculos para fazer prevalecer a hegemonia desse mesmo sistema. Ainda vivemos sob as botas do pior capitalismo do mundo. E tende a piorar; bota um governinho qualquer lá pra você ver.

    Capitalismo subdesenvolvimentista naZional é esse o nome popular da coisa. É esse o capitalismo tupiniquim que, de fato, conta pros esteites e adjacências “nacionais”. E detalhe, esse sistema não vai ser superado assim tão facilmente. Haja estratégia, meu caro. Haja povo do lado certo. Senão…

    Luís Carlos

    01/02/2014 - 15h07

    E quem disse que se exige que a esquerda não proteste? Que a esquerda não sirva aos interesses dos inimigos dos trabalhadores. Faço novamente pergunta anterior: quantas manifestações do MST serviram a interesses dos inimigos de classe e quantas vezes MST deixou de criticar governo quando entendeu que deveria fazer? Nenhuma. Uma grande diferença. Mesmo porque MST não nega classe trabalhadora nem luta de classe, discernindo claramente que é seu inimigo e que é seus aliado, sem constrangimento de usar palavra trabalhador, como classe média faz.

francisco pereira neto

30/01/2014 - 16h21

O texto é muito bem auto explicativo.
Governar é a arte do possível, quando esse governo pensa de forma republicana.
Nesses doze anos de Lula/Dilma, penso, as vezes, que se poderia fazer mais, mas as limitações impostas pelas forças que compõe a sociedade brasileira, na qual a minoria usurpadora das riquezas do país em detrimento da esmagadora maioria da população, se encontram numa posição de: “agora vai ou racha”.
Tudo o que era possível fazer para desacreditar esse modelo de governo – que não tem nada de novo, só a vontade e coragem de fazer – deixaram essas minorias que sempre foram canalhas e apátridas sem discurso e o seu representante político, o PSDB, foi arrastado para essa corrente de pensamento por falta de opção ou vontade própria, pois Lula/Dilma caíram mais para o centro exatamente pela consciência de que sabiam que governar é a arte do possível, principalmente no primeiro mandato de Lula.
Hoje é indiscutível o pânico das oposições, em que pese todo o estardalhaço promovidos pelas minorias que detêm os meios, econômicos, midiáticos e políticos, desde a falência dos governos FHC, não ter um nome se quer de peso para enfrentar Dilma. O que lhes restam? A Copa.
Espero que o governo tenha um plano para essa situação mais do que manjada. Estava na cara que o país sendo sede do mundial, Lula em final de mandato com aprovação record histórico, e sua candidata, era favas contadas para vencer as eleições, apesar das canalhices da campanha eleitoral.
Com a reforma ministerial, Dilma deve com urgência trocar o seu ministro da Justiça.
O seu substituto deve ser alguém com capacidade plena para coordenar uma ação, chamando para o governo federal, a responsabilidade da segurança na Copa.
Os governadores dos doze estados sede da Copa devem ser convocados para uma reunião e intimados a partir de já a se responsabilizarem pela segurança pública sob o risco de intervenção federal, caso se omitam, como vem acontecendo até agora.
Dilma deve dar um basta nessa situação. O governo tem moral e condições de assim fazer.
O momento é esse. O país tem bons índices de desenvolvimento, é respeitado lá fora e na América Latina e Caribe ficou patente na Celac, o que os seus países membros pensam da importância do Brasil para o continente. http://www.youtube.com/watch?v=b7TclXps4-E

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fatimacoelhosantanna

30/01/2014 - 16h11

Simplesmente uma leitura espetacular(que venha a copa)2014 sera Dilma de novo.

Responder

EDD

30/01/2014 - 15h44

De todas as séries de manifestações manufaturadas que têm ocorrido pelo mundo afora, sob a chancela da Companhia das Índias Angloamericanas, e são muitas (Ucrânia, Turquia, Egito, etc.), acho que as que melhor espelham o que temos por aqui, são as que tem ocorrido na Tailândia. Lá a oposição ao governo do partido liderado pelo magnata populista Thaksin Shinawatra, ex-Primeiro Ministro deposto através de golpe militar em 2006, cuja irmã é a atual PM, liderada pela velha oligarquia reacionária de Bangkok, tem organizado, desde dezembro, protestos gigantescos, com centenas de milhares de participantes (milhões segundo os organizadores) para que não haja eleições no próximo domingo! Depois de serem derrotados em seguidas eleições eles resolveram que o problema é a democracia! Como pode o voto de um pobre analfabeto valer o mesmo que o deles? Aí ficam inventando desculpas esfarrapadas. E certamente, lá também, há entre os protestantes, estudantes e professores universitários que se dizem de esquerda, que estão lutando contra um governo corrupto, blábláblá, mas no fundo, todos veem, estão é engrossando o cordão dos reacionários que querem acabar com a democracia!

Responder

Rodrigo

30/01/2014 - 15h31

Então acontece a reforma.. Toda véspera de eleição, a reforma acontece.
Novos ministros querendo fazer o melhor pelo seu país.. são profundos conhecedores de suas pastas. Querem apenas desenvolver o melhor, dar o norte, tocar orçamentos, fazer o mesmo de sempre… Aparecer na mídia para daqui a dois ou quatro anos virarem candidatos. E então acontecer nova reforma.

Reforma política ? Reforma tributária ? Reforma do código civil ?
Não dá votos. São medidas impopulares, seja para partidos seja para eleitores.

Sustentar 40 ministérios,aumenta a esfera de influência, que se traduz na riqueza dos votos. Voto ? Voto é o dinheiro de um regime viciado.
Bando de “CapEtalistas” sedentos por votos.. sabe o que é mais engraçado ?
98% das pessoas que vem aqui são ditas comunistas ou simpatizantes. Certamente, no comunismo ninguém é escravo do dinheiro.. ele só muda de nome, e passa a se chamar influência. Se você é bem relacionado no partido se dá bem, senão… é a mesma coisa de um cidadão sem dinheiro hoje.
Se alguém que não tem dinheiro hoje não vive bem, se vc não tem influência idem.
O incrível é que os países com maiores proporções de população de classe média LIVRE são justamente aqueles porcos que valorizam o capital. Que bando de safados, não ?
desistindo dessa joça… temos que fazer o certo, temos que fazer o justo.

Responder

    Luís Carlos

    30/01/2014 - 19h51

    Locatelli
    Esclarecedoras as duas indicações que você fez. Os “pacíficos” manifestantes “democratas” com suas “estratégias” de ataque a “símbolos capitalistas” como a parada de ônibus e sua defesa de “direitos” de queimar fusca 75 “símbolo” do poder capitalista de seu proprietário.
    O pior de tudo isso, ainda é a desfaçatez de quererem culpar a vítima pelo fogo no fusca. Só faltava culparem a criança por chorar e gritar de medo.
    Não há compromisso de classe com trabalhadores. Não se articulam, com trabalhadores, não os consultam, não os ouvem. Usam de táticas que afastam e impõem medo aos trabalhadores e despotencializam conquistas dos trabalhadores. Fortalecem inimigos da classe trabalhadora como tem acontecido em diferentes países, levando ao poder governos reacionários, conservadores e violentos. Afirmam que é impossível coordenar e liderar as ações provocando absoluto caos propositadamente e ainda afirmam defender interesses do povo. Nenhuma manifestação da CUT ou do MST foi invadida, tomada e usada pela direita contra interesses dos trabalhadores, pois tem liderança, pauta e direção. Não são acéfalas.
    O mito libertário da tática e do “movimento” sem liderança caiu. Restou imagem inconfundível de intransigência, imposição e incapacidade de diálogo com povo, ausência de identificação e consciência de classe (trabalhadora).

emerson57

30/01/2014 - 13h32

CONVOCAÇÃO
hoje no principal logradouro de sua cidade, qualquer que seja ela,
grande concentração nacional de protesto popular #contratudoqueaiestá.
início depois do “vale a pena ver de novo” término antes da novela.
compareça e leve a sua família, haverá grande distribuição de coxinhas.
plim plim.

Responder

Leandro_O

30/01/2014 - 13h29

O pessoal reclama que a mídia manipula, blábláblá e tal. Até agora parece que houve mil e uma desculpas para não fazer a reforma.
Tá, tudo bem. 
Mas, por exemplo, considerando a Dilma e os outros como candidatos, votarei na Dilma, mas “ai” se não ocorrer a democratização dos meios de comunicação.

Responder

Elias

30/01/2014 - 13h12

Vai ter manifestação anti-copa, vai ter copa, vai ter mídia anti-governo, vai ter o c. a quatro, vai ter eleições e Dilma será reeleita com margem de votos distante do segundo lugar.

Responder

Nelson Menezes

30/01/2014 - 12h59

Se o governo federal perderem as eleições por falta de empenho na área das comunições,ainda sabendo nós, que são jorrados bilhões de dinheiro nos cofres do PIG,vai ser um desrespeito total com os que morreram e os que não morreram lutando contra a ditadura e contra também a todos os militantes de esquerda que a anos a fiu vem tramando uma luta incansável para que tudo que foi conquistado até aqui desde 2003 não seja em vão;E se o governo não tomar nenhuma providencia e perdemos as eleições por falta de uma ação mais dura contra o PIG,aí eu desisto,porque,uma coisa e você morrer lutando e perder,outra e morrer sem tentar nada,jogar tudo o que foi conquistado até agora no lixo,o governo esta pensando que o PIG ,vai se arrepender,vai ficar bonsinho,que vão se desgastar ate outubro,não vai mesmo,isto faz parte da natureza deles.

Responder

Fernando

30/01/2014 - 12h53

Se o presidente Lula não tivesse tido a infeliz ideia de trazer a Copa pro Brasil hoje estaríamos tranquilos em relação à reeleição da Dilma, não teria o caos das manifestações e consequente bala de prata dos tucanos, teríamos as obras de infra-estrutura acontecendo de qualquer maneira devido ao PAC e os 9 bilhões dos estádios estariam engorçando o orçamento do social, saúde e educação.

Lula fez o jogo da direita ao trazer a Copa, e agora temos aqui que nos virar para mantermos as importantes conquistas sociais alcançadas garantindo a reeleição da Dilma.

Responder

    Roberto Locatelli

    30/01/2014 - 13h49

    Copa traz visibilidade, dinheiro, empregos e renda.

    Fazer o jogo da direita seria ficar com medinho e não trazer a Copa.

    Artur Gomes

    30/01/2014 - 14h39

    O problema é que não é só o Lula que fez o jogo da direita; quem apoia a repressão às manifestações, não discute o mérito da questão (onde estão nossos direitos?), e analisa tudo sob o prisma da disputa das eleições, tá muito distante daquilo que se entende por “ser de esquerda”. Defender a realização da Copa, com esse desperdício de gasto público, é uma ofensa às bandeiras históricas que resultaram na criação do próprio PT. Que Dilma seja reeleita, porque não há alternativa; mas que faz um governo de esquerda, nem Davos acredita.

    Roberto Locatelli

    30/01/2014 - 16h46

    Arthur, os estádios estão sendo construídos pela iniciativa privada, com crédito do BNDES. Os gastos com reforma de estádios de R$ 8 bilhões, e retorno de R$ 176 bilhões. Os outros “gastos” de cerca de R$ 20 bilhões se referem a:

    – construção de corredores de ônibus
    – construção de ciclopistas (não confundir com ciclofaixas)
    – assessibilidade
    – outras melhorias estruturais nas cidades-sedes.

    Então, não há desperdício. Quem se informa pelo PIG, ou pelos “militantes” tucanonymous, está mal informado.

    Fernando

    30/01/2014 - 16h52

    Mas a gente está com medinho! Estamos se borrando com a possibilidade de perdermos a eleição por causa da Copa.

    Roberto Locatelli

    30/01/2014 - 22h02

    Desemprego está no nível mais baixo da série histórica. Poupança bateu recorde (de novo!), renda do trabalhador subiu, varejo cresceu 6% nos shoppings, 8% nas lojas de rua e 41% (!!) na internet. Inflação está dentro da meta pelo 10º ano, reservas do Tesouro bombando.

    A oposição range os dentes, mas não tem o que fazer. Exceto fazer terrorismo para ver no que dá. No Egito deu certo, voltou a ditadura.

José Renato

30/01/2014 - 12h17

Lógico que vai ter copa e lógico que vai ter protestos. Por mais destoante que alguns possa achar, essa copa vai ser uma bagunça, vai ser um verdadeiro “samba do crioulo doido”!!! Protestos são bons para os políticos ficarem espertos, e dizer que vai afugentar turistas é uma tremenda de uma bobagem. Pra ficar mais louca poderia ter uma final Brasil x Argentina!!!

Responder

Andre

30/01/2014 - 12h16

Aquele velho filósofo barbudo do século XIX odiado por anarquistas e pela extrema direita (que se unem nesse ódio) dizia o seguinte sobre o anarquismo:
“Em uma palavra, os operários devem cruzar os braços e não perder seu tempo em movimentos políticos e econômicos. Estes movimentos não lhes podem dar mais do que resultados imediatos. Como homens verdadeiramente religiosos, os operários, desprezando as necessidades diárias, devem exclamar cheios de fé: ‘Que nossa classe seja crucificada, que a nossa raça pereça, mas que permaneçam imaculados os princípios eternos!’. Como cristãos devotos, devem acreditar nas palavras do padre , desprezar os bens desta terra e não pensar mais do que em ganhar o paraíso” .
“Ninguém negará que , se os apóstolos do apoliticismo expressaram-se de um modo tão claro, a classe operária os mandaria passear e se sentiria nsultada por esses burgueses doutrinários e fidalgos descarreirados, que são bastante tolos ou ingênuos para proibir-lhe qualquer meio real de luta, porque todas as armas para o combate precisam ser tomadas da sociedade atual e porque as condições fatais desta luta têm a desgraça de não se adaptar à suas fantasias idealistas; fantasias que estes doutores em ciência social elevaram à divindade, sob os nomes de Liberdade, Autonomia e Anarquia.”

Responder

    Luís Carlos

    30/01/2014 - 16h21

    Oportuna referência Andre.

ricardo silveira

30/01/2014 - 11h46

Brilhante! Bom senso, política não é aventura e o exercício da liberdade não é o exercício da irresponsabilidade, não é a doença infantil.

Responder

lula vescovi

30/01/2014 - 11h40

Quando o PT começou,tinha um por cento ou pouco mais de votos e era acusado de fazer o jogo da direita.Não arredou pé e acabou ganhando eleições presidenciais.Agora que está no governo e se aburguesou,acusa a oposição de esquerda daquilo de que foi vítima anos atrás.Quanta incoerência.

Responder

    Luís Carlos

    30/01/2014 - 16h24

    A “oposição de esquerda” (e de direita) fazia isso anos atrás e continua fazendo, inclusive despresando conquistas dos trabalahdores.

Véio Zuza

30/01/2014 - 11h34

Em complemento ao anterior: na falta de, podiam chamar o Ernesto Guedes!
Diz que o índio, após umas três derrotas consecutivas no Inter-SM, foi reprovado pela torcida; foram protestar na porta do vestiário. Então o Presidente procurou o Ernesto e disse: olha, veja bem, nada pessoal, mas vou ter que te demitir… – Ué, porque? – Sabe como é, a torcida, a massa.. – Mas que massa, tchê? -Aí fora… Então o Ernesto saiu na porta e tinha uma meia dúzia de gatos pingados, como era de esperar (time do interior e ainda perdendo…). Não teve dúvidas: – Quem é aqui que quer tirar o meu emprego? Tu aí, ô vagabundo? Tá pensando o quê? O que tu acha se te mandarem embora do emprego? Sai daqui, te manda, deita o cabelo… E tu aí, ô, vai prá casa, cuidar da tua mulher… Em cinco minutos resolveu e falou prô Presidente: Não precisa mais me demitir, não tem mais “massa” nenhuma aí fora… A Dilma precisa falar com o Erneste Guedes…
Sarava!!!
E viva o Morro da Cebola!!!

Responder

Robinson Dias

30/01/2014 - 11h33

Com meus 50 anos de vida, 35 como membro de banda de punk rock, nunca havia sentido tanta vergonha em ver punks, skins reds, gótivos, evangélicos, católicos dos arautos, pms, unidos com a mesma ideia. O movimento punk que nasceu na esquerda, se posicionou desde sempre contra a igreja, hoje estão reunidos contra o governo popular que deu inicio ao diálogo social, concedendo direitos trabalhistas e sociais, dividindo comida aos mais pobres, levando luz e água onde não tinha.

Nunca havia sentido tanta vergonha com tal junta de idiotas que até ontem valorizava os cultos á igualdade social.

Os punks no Brasil são como os pobres da periferia, de direita sem saber.

Responder

Véio Zuza

30/01/2014 - 11h29

Tchê MANECO, nesta estamos de acordo!!!
Com essa gente aí, só tem uma solução: LEÑA Y PUNTO!
Ah, se velho Adão Latorre estivesse vivo…

Responder

Luís Carlos

30/01/2014 - 11h12

Muito bom texto.
Quem diz defender interesses do povo, sem dialogar com o próprio povo defende trabalhadores? Quem diz defender ineresses do povo e utiliza tática que afasta povo e massa das ruas, defende interesses de trabalhadores?
Movimento sem liderança não é movimento. MST tem lideranças que falam pelo movimento. Movimento Negro, com todos suas diferenças internas e diferentes grupos, tem lideranças que falam pelo movimento.
Não basta estar na rua para ser povo, para defender classe trabalhadora, para ser libertário e ser esquerda. A direita mais facista também vai para rua com seus objetivos que não são os da classe trabalhadora.
Impor suas pautas e métodos sem diálogo com trabalhadores contribui para conquistas da classe trabalhadora?
Anonymous representa que interesses? Certamente não da classe trabalhadora. Black Block representam que interesses? Porque divulgaram informação afirmando que motorista Itamar, do fusca jogou carro sobre colchões quando imagens e declaração do próprio Itamar afirmam o contrário?
Vai ter Copa. Vai ter eleições. E milhões de trabalhadores continuarão a ter conquistas pelas quais clamam, mesmo que alguns achem pouco comer, estudar, ter acesso a serviço de saúde universal, energia, trabalho, e prefiram derrubar isso e deixar os mesmos milhões como estavam 12 anos atrás.

Responder

Mauro Assis

30/01/2014 - 11h01

O rolezinho é de esquerda? De direita? De extrema esquerda? De centro? E os blac blocs? O que são? De onde vieram? De algum obscuro movimento anarquista alemão do milênio passado?

E tocar fogo em ônibus? É uma reação da escumalha ao modelo capitalista que não mais consegue prover as suas ansiedades ou é uma reação direitista às conquistas do povo brasileiros durante o era “Nunca Dantes”?

Nada disso, meus amigos: tudo isso é apenas baderna de uma galerinha sem noção num país onde a lei não impera.

Responder

    Alexis

    30/01/2014 - 17h01

    Tudo bem Mauro, mas conforme diz bem o texto esta galerinha sem noção está sendo usado pelos reacionários e pelos que pretendem usurpar o poder;no mínimo, porque talvez muitos deles sejam mesmo reacionários convictos, executando conscientemente os planos de interesses estrangeiros de interferir na política do país, como este tal de site anonymous, com sede inclusive no estrangeiro.

    Mauro Assis

    02/02/2014 - 09h15

    Alexis,

    Usados de que forma mesmo?
    E quando vc diz que eles são usados por quem quer “usurpar o poder”, quem são essas pessoas?

Maria Fulô

30/01/2014 - 10h28

Perfeito! A Copa é apenas um pretexto para que “Haja 2o Turno”. E, se possível, com a vitória de Aécio… a grande Imprensa aposta TUDO, nisso.

Responder

Álvares de Souza

30/01/2014 - 10h26

É isto aí! É imperioso que o povo brasileiro, resgatado da indigência, da alienação, e do seu papel subalterno ante as forças do atraso, as mesmas que o mantiveram durante séculos despojados do mais mínimo protagonismo, e que se empenharam, através de uma aliança poderosa e perversa, para lhes negar a autoestima e a aspiração à um destino de povo liberto, solidário e senhor de si, integrado à outros povos mobilizados pelo mesmo embate, desperte para a importância crucial de sua posição nesta luta, capaz de consolidá-la, de engrandecê-la, de torná-la imbatível, mas também, de promover o seu malogro, vencido se for na peleja interna em que até então é vencedor.

Responder

Roberto Locatelli

30/01/2014 - 10h25

Quanto às eleições, não é certeza que elas ocorrerão. Os black-blocs conseguiram restaurar a ditadura no Egito.

Num perfil black-bloc do facebook lia-se: “NÃO VAI TER COPA, NEM ELEIÇÃO”. Depois essa frase foi retirada.

Aqueles que cerrarem fileiras com os mascarados tucanonymous estarão cerrando fileiras com o golpe patrocinado por Tio Sam.

Responder

Notívago

30/01/2014 - 10h04

NO CONVERSA AFIADA

Os 38 ônibus queimados em SP.
A “sociedade vive” !

Ordem na Democracia é greve, voto e liberdade de expressão. Desordem é Golpe !

Disse o ministro zé da Justiça sobre os rolezinhos: são legítimos, mas a violência inaceitável.

Um jenio !

Disse o notável cientista político, quadro orgânico da Globo Overseas, Caetano Veloso, segundo Janio de Freitas:

Os rolezinhos provam que a “sociedade vive”.

Sobre a carreira deste gramsci (caixa baixa, revisor, por favor – PHA) de vídeo-show, leia o que dele diz Roberto Schwarz.

E o que se passa em São Paulo, a Chuíça brasileira (*) ?

Após 32 ônibus incendiados, Governo investiga ação do crime organizado

Bruno Ribeiro, Fabiana Cambricoli, Luciano Bottini Filho e Mônica Reolom

Após 32 ônibus municipais serem incendiados apenas neste mês, o secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse ontem que não descarta a participação do crime organizado nas ações. Na manhã de ontem, mais um coletivo foi atacado na região do M’Boi Mirim, zona sul de São Paulo.

“Não temos ainda clareza se é crime organizado – não descartamos – ou se são meramente movimentos sociais. E por qual razão? Porque as motivações confirmadas pelas próprias empresas são as mais distintas. Ora em razão da morte de uma pessoa, ora em razão de enchente, ora em razão de outros problemas”, declarou o secretário, ao ser questionado sobre a presença de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em pontos finais de linhas do bairro Jardim João XXIII, na zona oeste.

(…)

Navalha

O que se passa em São Paulo é o natural resultado da falência de Poder Público que oprime o Estado há 20 anos.

A Polícia de São Paulo quando age toma partido.

Em Pinheirinho, para assegurar a posse do grande financista brasileiro Naji Nahas.

Para jogar os cavalos em cima de dependentes de crack.

E para se omitir diante do quase-morticínio de uma família operária, sitiada num movimento em que “sociedade vivia” na Avenida Paulista – sobre o fusquinha, ler os comentários de Saul Leblon.

A “sociedade que vive” é de coxinhas, extraídos das vértebras do PSOL, da Rede – leia “Teles Pires” – e do PSTU, como observou o Edu Guimarães.

Como o movimento da doença infantil do transportismo, devidamente capturado pela Globo, “a sociedade vive” é bucha de canhão do Golpe.

Um governo de Direita, como o de São Paulo, é cúmplice até a página três – ou seja, até a fronteira do que desagrada e desorganiza a vida da classe média.

Os governantes de esquerda, como zé da Justiça, se imobilizam diante um cacoete ideológico: se vai para a praça é povo e, logo, nós somos a favor.

O que está em jogo é a ordem !

É manter as instituições vivas, para que os mecanismos institucionais da Democracia – como a greve, o voto e a livre expressão – possam manifestar-se.

Porque a desordem é o Golpe.

E a Globo, a que serve o grande pensador Caetano Veloso, programa e estimula a desordem para instalá-la.

E se a Dilma cair, ela sempre – e ele também – poderá dizer: não, nós éramos contra os vândalos.

A desorganização de São Paulo, entre rolezeiros, transporteiros, incendiários – de fusquinha e de ônibus que servem aos pobres – só beneficia os Golpistas.

E a maior vítima é o trabalhador que usa transporte coletivo e tem um fusquinha.

É claro que o Governo Federal, se tivesse um Ministro da Justiça, cogitaria de:

– promover a intervenção federal em São Paulo, para destituir os chefes da Polícia Civil, Militar e o que se assemelhasse;

São Paulo não tem Polícia.

O maior estado da Federação, o trensalão encalhado no Ministério Público, não polícia.

– e, segundo, criar uma Guarda Nacional Republicana, como nos Estados Unidos.

O caos em São Paulo é muito maior e de consequências muito mais graves do que o do Maranhão.

E a Big House paulistana ficou indignada com o presídio de São Luiz, e pediu a intervenção federal, para destituir os Sarney.

(O PiG (**) só descobriu quem era o Sarney quando ele foi para debaixo da asa do Lula. Quando ele co-governava o Brasil com o Roberto Marinho, o Sarney era um santo.)

E o Brasil vai para a Copa do Mundo com a polícia de São Paulo intacta e inerte.

Não esquecer que a crise nacional das manifestações que a Globo dirigiu ao vivo, em rede aberta – concessão pública – foi multiplicada pela ação nazi-fascista da Polícia de São Paulo, desde o primeiro dia de manifestações.

O gênio saiu da garrafa, a Rede quebrou as vidraças do Itamaraty, a “sociedade vive” quebrou o Legislativo e só não subiu a rampa do Palácio do Planalto porque não quis.

O Brasil vai para a Copa sem um Ministro da Justiça que desempenhe o papel de guardião da Lei e da Ordem.

Não tem biografia.

Autoridade.

Carisma.

Não sabe expressar-se em público – há alguma frase memorável dele, em três anos de Governo ?

Ou antes ?

E muito menos vestir-se, com aqueles ternos de triplo-ombro, que lembram vendedor de Bíblia em filme americano dos anos 50.

Cardozo não mete medo em ninguém.

Muito menos ao Daniel Dantas.

Viva o Brasil !

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