VIOMUNDO
O VIOMUNDO só é possível também através de anunciantes, e detectamos que você utiliza um AdBlock, bloqueador de anúncios.
Por favor considere ajudar o VIOMUNDO desativando o bloqueador para este site.
Cartas de Minas
Cartas de Minas

Vladimir Safatle: Não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta

16 de julho de 2013 às 12h33

Onde tudo começou

16/07/2013 – 03h30

por Vladimir Safatle, na Folha de S. Paulo, sugestão de Antônio David

Se procurarmos um ensaio geral para as manifestações de junho, deveríamos voltar os olhos para a Amazônia. Lá se encontra o megacanteiro de obras da usina de Jirau: uma das peças principais da política energética brasileira.

Em 15 de março de 2011, o Brasil viu uma das mais violentas manifestações do subproletariado contra suas condições degradantes de trabalho. Sem se sentirem representados por sindicatos e outros atores políticos tradicionais, os trabalhadores de Jirau, que descobriram como as condições de trabalho no novo Brasil continuam insuportáveis, atearam fogo em alojamentos e ônibus. Eles atearam fogo também na afirmação de que o subproletário brasileiro preza a ausência de radicalismo e a segurança.

Foi assim que começou o governo Dilma, ou seja, com um sinal de alerta gritante para a frustração da sociedade com os limites do desenvolvimento social brasileiro.

Depois de Jirau, veio uma sequência quase ininterrupta de greves: de policiais, bombeiros, professores, coveiros. Todos reclamando dos baixos salários, incapazes de dar conta dos gastos em um país onde somos obrigados a pagar por educação e saúde, onde não se pode contar com transporte público e onde o preço dos imóveis explodiu devido à especulação imobiliária. Um país onde o banco estatal de desenvolvimento (o BNDES) foi capaz de aplicar uma política de incentivo à formação de grandes “players” internacionais que acabou por oligopolizar ainda mais a economia.

Sendo assim, não é nem um pouco estranho que um dos eixos das manifestações de junho tenha sido a incapacidade de o Estado brasileiro parar o processo de corrosão dos salários e criar serviços públicos universais e de qualidade. Pois, se há algo que une tanto o subproletário quanto a classe média, é a consciência de que o processo de ascensão social produzido pelo lulismo esgotou. Ele só poderia continuar por meio da criação de um Estado capaz de oferecer serviços públicos que eliminassem os gastos das famílias com educação, transporte e saúde.

Para tanto, contudo, não há milagre. Como dizem os liberais, não há almoço de graça. O problema brasileiro é que, quanto mais rico você é, menos paga seu almoço. Para impedir que rentistas, herdeiros, empresários que recebem mapas da mina das mãos do pai privatista e outras figuras do bestiário nacional continuassem almoçando sem pagar, o governo deveria ter partido para uma reforma fiscal que obrigasse os ricos a fazer o que não fazem em nenhum país latino-americano: pagar impostos.

Mas, para isso, seria preciso outra ideia do que significa “garantir a governabilidade”. Ela é necessária agora, quando não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta.

Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo)

Leia também:

Marilena Chauí: O inferno urbano e a política do favor, tutela e cooptação

Antônio David: Solução brasileira ou islandesa?

Aton Fon Filho: A direita sai de casa pela porta da esquerda

David e Secco: Saberá o PT identificar e aproveitar a janela histórica?

 

51 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Reforma: Deputados do PT condenam intromissão e se solidarizam com Fontana - Viomundo - O que você não vê na mídia

19/07/2013 - 10h49

[…] Vladimir Safatle: Não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta […]

Responder

Antônio David diverge de Vladimir Safatle sobre o suproletariado - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/07/2013 - 13h31

[…] seu mais recente artigo na Folha de S. Paulo, Safatle procurou enfrentar a questão do subproletariado. O mote é a revolta dos trabalhadores da […]

Responder

Sergio Amadeu pede a internautas que pressionem contra parágrafo em projeto que beneficia Globo - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/07/2013 - 02h16

[…] Vladimir Safatle: Não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta […]

Responder

francisco pereira neto

16/07/2013 - 22h57

Resumo do Doutor: Lula é o culpado.
Na ditadura, era preciso primeiro o bolo crescer para distribuir.
Agora o Doutor prega que Lula está errado.
Primeiro, seria necessário fazer a reforma fiscal, para os ricos pagarem impostos. Por que ele não diz, que na empresa onde publica as suas matérias, vive das mamatas do poder público? Quer exemplos: papel imprensa subsidiado (cerca de 70% importado sem impostos) pelo governo federal. Quer mais. Assinaturas do seu jornal Folha, pela secretaria de Educação do estado de São Paulo, no valor de milhões de reais feitas no governo Serra e renovada no governo Alckmin. Que tal dar uma olhadinha nas contas do INSS da Folha?
O problema central que o Doutor não toca, são as reformas, política que o Congresso acabou de sepultar, mesmo encurralado pela pressão popular; reforma do judiciário; e só depois disso, a reforma fiscal.
E para se difundir todas essas necessidades, ai sim seria para ontem, a democratização dos meios. Sobre essa proposta, ele nem passou perto.
Ele é Doutor em quê mesmo?

Responder

von Narr

16/07/2013 - 22h57

Quem cria impostos é o Congresso Nacional. De cada 6 deputados federais, apenas 1 é do PT. No Senado, o PT tem menos senadores do que o PMDB e menos do que PSDB+DEM. Pois é, então como é que se faz para aprovar os novos impostos? Esqueceram-se do fim da CPMF?

Responder

H. Back™

16/07/2013 - 20h14

Um dos maiores problemas brasileiro é sem dúvida a corrupção.

Responder

    assalariado.

    16/07/2013 - 21h07

    Caro H. Back, discordo totalmente de você. Um dos maiores problemas do Brasil são os (CORRUPTORES). É uma questão matemática/ objetiva se matarmos o (CORRUPTOR), o corrupto nunca existirá, desaparecerá automaticamente. Vou além e pergunto: Quem corrompe a sociedade são os ricos (leia -se burguesia), ou são os pobres? E agora?

    Abraços.

    Nelson

    18/07/2013 - 17h00

    Na mosca, Assalariado.

    A corrupção, que só se concretiza na medida em que existam dois atores, o corrupto e o corruptor, se apresenta de forma sui generis no nosso país. Aqui, só existe o corrupto.

    E a mídia hegemônica “lava a égua”, quando aparece algum escândalo de corrupção, a colocar toda a culpa no corrupto, que sempre é um funcionário público, um parlamentar qualquer ou um membro de algum governo. O corruptor nunca é mencionado.

    Se o corrupto é um alguém ligado ao setor público, como sempre nos mostra a mídia, então o corruptor tem que ser um ente privado. E um ente privado provido de grana em boa quantidade, senão não terá como corromper. Aí começo a responder a tua pergunta, Assalariado.

denis dias ferreira

16/07/2013 - 20h06

O Safatle é muito jovem e ainda pouco conhecedor da política e da realidade brasileiras. A única coisa que ele conhece bem do Brasil é o campus da USP no Butantã. Dizer que os salários dos trabalhadores no governo Dilma sofreram um processo de corrosão demonstra que sua crítica precisa ser melhor fundamentada. Talvez tenha essa percepção, sem respaldo da realidade, porque o que está, de fato, corroído é o salário que recebe da USP. Esse professor não me engana: é um tucano enrustido.

Responder

    assalariado.

    16/07/2013 - 21h17

    Denis Dias Ferreira diz:

    “O Safatle é muito jovem e ainda pouco conhecedor da política e da realidade brasileiras”.

    Que tal você escrever um post para o viomundo expondo os seus conhecimentos políticos e da realidade brasileira?

    Assim, quem sabe, o Safatle os internautas e eu aprendemos mais um pouco da realidade brasileira.

    Obrigado.

    denis dias ferreira

    16/07/2013 - 22h33

    Sobre a evolução dos salários dos trabalhadores brasileiros durante o governo Lula e Dilma não é necessário escrever mais um artigo. Entre no site do DIEESE e verifique você mesmo. Aproveite e também dê uma circuladinha pelo site do IBGE. São fontes bem mais confiáveis que as afirmações falsas e impróprias do nosso “coxinha” da filosofia!

    denis dias ferreira

    16/07/2013 - 22h35

    Sobre a evolução dos salários dos trabalhadores brasileiros durante o governo Lula e Dilma não é tão necessário escrever mais um artigo. Entre no site do DIEESE e verifique você mesmo. Aproveite e também dê uma circuladinha pelo site do IBGE. São fontes bem mais confiáveis que as afirmações falsas e impróprias do nosso “coxinha” da filosofia!

marilamar

16/07/2013 - 19h42

Prender todas as familias das Comunicaçoes e confiscar todos os seus bens até 4 geraçao, fazer o mesmo com os Bandidos de Togas, o mesmo com o Congresso Nacional, os mesmos com os corruptores brasileiros ou nao. Ai eu acordei!!!

Responder

Fabio Passos

16/07/2013 - 19h38

“É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar”
Dilma Roussef

Os cidadãos pedem democratização da mídia.

A Dilma vai finalmente ouvir os cidadãos… ou vai continuar dando dinheiro público a um oligopólio corrupto que sonega impostos e afronta a constituição do Brasil?

Responder

Fabio Passos

16/07/2013 - 19h28

A Dilma já reconheceu publicamente o que precisa mudar:

“É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar”

Será que ela ouviu os trabalhadores?

Atender estas reivindicações é responsabilidade direta do governo Dilma:

– 10% do orçamento da União para a saúde pública;

– 10% do PIB para a educação pública, “verbas públicas só para o setor público”;

– fim do fator previdenciário;

– redução da Jornada de Trabalho para 40 horas sem redução de salários;

– reforma agrária;

– suspensão dos Leilões de Petróleo.

Responder

    Mário SF Alves

    16/07/2013 - 20h07

    E a eterna e impagável DÍVIDA PÚBLICA? Não vai incluí-la no rol das super prioridades? Dez TRILHÕES de reais vazados pelo ralo nos últimos 23 anos!
    ___________________________________
    Ah! A presidenta Dilma. Pode tudo essa presidenta. Conquistou o governo e brinde o poder. Só pode ser isso.
    ____________________________________________
    Reforma agrária??? Nos dias que correm? Nos dias que correm transgenizados e cada vez mais agroquimizados? Sei não, hein… talvez, tirar o mofo do Estatuto da Terra fosse bem mais produtivo.
    _______________________________________________________
    Fábio, na boa, acrescenta aí a questão do incentivo ao cooperativismo. Não esse cooperativismo que está aí. Não esse, já tão profanado pelo “nosso” sui generis capitalismo subdesenvolvimentista naZional. Esse capitalismo de muletas, onde quase brancos descem a ripa [e bombas e balas] nas costas de quase pretos.

    Fabio Passos

    16/07/2013 - 21h11

    As reivindicações são dos trabalhadores. Pauta fechada entre as centrais sindicais. Dilma precisa atender as demandas justas de seus eleitores.

    assalariado.

    16/07/2013 - 20h27

    Pois é, caríssimo Fabio Passos.

    Qual o Jirau que esconde dentro dessa floreta social do desenvolvimento da economia burguesa? Se a Dona Dilma quer ainda respirar um pouco de sua sobrevivência e viabilização política, terá que desatar o nó dessa floresta/ pauta de esquerda, a qual os explorados da nação e as esquerdas se alinham.

    Sim, esta é a pauta/ floresta que a Dona Dilma tem que plantar na sociedade e, destravar a economia:

    10% do orçamento da União para a saúde pública;

    – 10% do PIB para a educação pública, “verbas públicas só para o setor público”;

    – fim do fator previdenciário;

    – redução da Jornada de Trabalho para 40 horas sem redução de salários;

    – reforma agrária;

    – suspensão dos Leilões de Petróleo.

    Isso sem falar das leis das mídias, fator que será decisivo nessa luta ideológica e na luta pela hegemonia de esquerda, na sociedade.

    Rumo ao Socialismo.

    Fabio Passos

    16/07/2013 - 21h19

    E tascar imposto pesado nos ricos, como sugere o Safatle… na renda e no patrimônio!
    Tá na hora de implodir a casa grande e distribuir a riqueza que a “elite” branca roubou do povo durante séculos da mais abjeta exploração.

Ester Neves

16/07/2013 - 19h14

Também tenho essa percepção e sentimento do autor da matéria, principalmente no que se refere a atuação do Banco Central: “Um país onde o banco estatal de desenvolvimento (o BNDES) foi capaz de aplicar uma política de incentivo à formação de grandes “players” internacionais que acabou por oligopolizar ainda mais a economia.”
Postei um texto no meu blog, que tem tudo a ver com essa matéria, onde faço o seguinte comentário:
– Não venha o governo nos dizer que a única forma de combater a inflação é promover juros escorchantes, submetendo-se às estratégias do corrupto e imoral mercado financeiro. Pois, esse tem como prioridade o acúmulo de suas riquezas podres, à custa da sangria do povo, para depois pressionar para que as nossas empresas estatais lhes sejam entregues, a preço de banana, como aconteceu na era FHC.
Daremos algumas sugestões para que o governo desenvolva o país, para o atendimento das necessidades de quem precisa de emprego e renda. São basicamente duas propostas, com os seus respectivos desdobramentos:
Dar aos trabalhadores, da ativa e aposentados, reajustes justos para salários e proventos, que possibilitem a retenção de parcela dos valores para a criação de um fundo (ou vários fundos, criados por categoria de trabalhadores), para investimento nas empresas estatais, ou criação de novas empresas, para o desenvolvimento do país, em parceria com o BNDES. Construção de ferrovias, empresas de reciclagens, cooperativas de alimentos, são algumas sugestões para a utilização dos recursos desse(s) fundo(s).

Para ler o texto todo:
http://ester-neves.blogspot.com.br/2013/07/presidenta-dilma-nao-se-curve-aos.html

Responder

Indio Tupi

16/07/2013 - 19h12

Aqui do Alto Xingu, os índios recordam que a Presidenta atendeu o clamor das ruas e pretendeu fosse convocada uma Assembléia Constituinte e/ou um plebiscito, mostrando sua postura de governante que exerce o poder em obediência aos reclamos populares, e não, de forma alguma, de modo despótico. A propósito, os índios anexam, abaixo, um texto do sábio e filósofo Enrique Dussel, sobre “O poder obediencial”:

“O poder obediencial

Enrique Dussel

O ser humano é um ser que vive. Todos os seres vivos animais são gregários; o ser humano é originariamente comunitário. Enquanto comunidades sempre acossadas em sua vulnerabilidade pela morte, pela extinção, devem continuamente ter uma tendência ancestral, instinto, em querer permanecer na vida. Este querer viver dos seres humanos em comunidade se denomina vontade. A vontade de vida é a tendência originária dos seres humanos.

Desde a invasão e a posterior conquista da América em 1492, o pensamento político definiu, de modo geral, o poder como dominação. Pelo contrário, os movimentos sociais atuais necessitam ter, desde o início, uma noção positiva do poder político (sabendo que, frequentemente, se fetichiza, se corrompe, se desnaturaliza como dominação). “A vontade de viver” é a essência positiva, o conteúdo como força, como potência, que pode mover, arrastar, impulsionar. Em seu fundamento, a vontade nos move a evitar a morte, a postergá-la, a permanecer na vida humana.

Para isso, o ser vivo deve empunhar ou inventar meios de sobrevivência para satisfazer suas necessidades (a fome é falta de alimento, a sede é falta d`água, o frio falta de calor, a ignorância falta de saber cultural, etc.), que devem ser negadas por satisfatores (o alimento nega a fome: negação da prévia negação ou afirmação da vida humana).

Poder empunhar, usar, cumprir os meios para a sobrevivência é já um poder. Aquele que não pode falta-lhe a capacidade ou faculdade de poder reproduzir ou aumentar sua vida pelo cumprimento de suas mediações. Um escravo não tem poder, no sentido de que não pode desde sua própria vontade (porque não é livre ou autônomo) efetuar ações ou funções institucionais em nome próprio e para seu próprio bem.

Neste sentido, enquanto ao conteúdo e à motivação do poder, a “vontade-de-vida” dos membros da comunidade, ou do povo, é a determinação material fundamental da definição do poder político. Isto é, a política é uma atividade que organiza e promove a produção, a reprodução e o aumento da vida de seus membros. E, enquanto tal, poderia denominar-se “vontade geral” – em um sentido mais radical e preciso que o de J.J. Rousseau.

Mas as vontades dos membros da comunidade poderiam se dispersar, cada uma rumo à consecussão de seus interesses privados, múltiplos, contrapostos e, dessa maneira, a potência ou força de vontade de um anularia a do outro, e daria como resultado a impotência. Pelo contrário, se as vontades pudessem unir seus objetivos, seus propósitos, seus fins estratégicos, alcançariam (somando organicamente suas forças como “uma vontade-de-viver-comum”) maior potência.

A possibilidade de juntar a força cega da vontade é função própria da razão prático-discursiva. A comunidade, como uma comunidade comunicativa, linguística, é a em que os seus membros podem dar-se razões uns aos outros para chegarem a acordos. Mediante o uso de argumentos dos mais diversos tipos como expressão retórica pública em referência à comunidade de vontades, e quando o cidadão participa simetricamente, pode-se chegar a consensos, às vezes não intencionais senão que aceitos por tradição, e não por isso menos vigentes, que produzem a convergência das vontades rumo ao bem comum. Isso é o que podemos denominar propriamente como “poder político”.

Esse consenso não pode ser fruto de um ato de dominação ou violência, a partir do qual se obrigaria as vontades a negar seu “querer-viver-próprio” em favor do “querer-viver-do-soberano”. Neste caso, o poder político ficaria debilitado ao extremo, eis que apenas contaria com uma só vontade ativa, criadora, a de um único ator, e cada cidadão teria sua vontade negada. Sem o fundamento da vontade decidida dos cidadãos, da comunidade política, do povo, o que exerce o poder fica nele mesmo debilitado, como que pendurado na brocha e sem a escada de que necessita o pintor. O consenso deve ser um acordo de todos os participantes, como sujeitos, livres, autônomos, racionais, com igual capacidade de intervenção retórica, para que a solidez da união das vontades tenha consistência para resistir aos ataques e criar as instituições que lhes deem permanência e governabilidade.

É, então, um “poder comunicativo”. Quanto mais participação houver dos membros singulares na comunidade de vida, quando mais se cumpram as reivindicações particulares e comuns, por convicção racional, o poder da comunidade, o poder do povo, se transforma em uma muralha que protege, em um motor que produz e inova.

O liberalismo afirmou a prioridade deste momento formal de autonomia e liberdade dos cidadãos; as políticas de direita afirmaram a primazia da vontade, um vitalismo mais ou menos irracionalista. Há que articular ambas as determinações por mútua constituição sem última instância.

Mas, as vontades dos membros da comunidade unida consensualmente não são suficientes para terminar de descrever o poder político. É necessária uma última determinação.

Para possuir a faculdade do poder, a comunidade deve poder usar mediações tecno-instrumentais ou estratégicas que permitam empiricamente exercer dita vontade-de-viver desde o consenso comunitário ou popular. Se uma comunidade política é atacada por outra, deve poder resistir ao ataque do inimigo com instrumentos e estratégias militares. Se uma comunidade tem uma crise de fome, deve poder desenvolver os sistemas agrícolas adequados para promover a alimentação da população. Se descobre um baixo grau de lembrança de suas tradições culturais, deve promover uma política educativa, artística, de investigações históricas para que a comunidade, o povo, recupere a consciência de sua identidade cultural (sub-esfera material central da política, momento igualmente essencial da unidade das vontades como poder).

A terceira determinação constitutiva do poder político é a factibilidade estratégica, isto é, a possibilidade de levar a cabo, com a razão instrumental e empiricamente, os propósitos da vida humana e sua elevação histórica dentro do sistema de legitimação que se haja desenvolvido e das instituições (micro-sociais e macro-políticas) que tornam, por sua parte, possíveis as outras esferas.

O poder político não se toma. O poder é detido sempre e unicamente pela comunidade política, pelo povo, que o tem sempre mesmo quando seja debilitado, acossado, intimidado, de modo que não possa se expressar. O que ostenta a força pura, a violência, o exercício do domínio despótico ou aparentemente legítimo, é um poder fetichizado, desnaturado, espúrio, o qual, ainda que se auto-denomine poder, consiste, pelo contrário, em uma violência destruidora do político como tal – o totalitarismo é um tipo de exercício da força por meios não políticos, policialescos ou quase-militares, que não pode despertar nos cidadãos a adesão consensual forte de vontades movidas por razões livres, as quais constituem propriamente o poder político.

Denominaremos, então, potentia o poder que tem a comunidade como uma faculdade ou capacidade, que é inerente a um povo enquanto última instância da soberania, da autoridade, da governabilidade, do político. Este poder como potentia que, como uma rede que abarca todo o campo político, sendo cada ator político um nó, se desenvolve em diversos níveis e esferas, constituindo, assim, a essência e o fundamento de todo o político. Poder-se-ia dizer que o político é o desenvolvimento do poder político em todos os seus momentos.

O poder é uma faculdade, uma capacidade que se tem ou não se tem, mas, precisamente nunca se toma. O que se pode assaltar, tomar, dominar são os instrumentos ou as instituições, que consistem nas mediações de seu exercício. Pelo contrário, o sujeito coletivo primeiro e último do poder, e por isso soberano e com autoridade própria ou fundamental, é sempre a comunidade política, o povo. Não existe nenhum outro sujeito ou poder que o indicado. Nenhum!

A potentia é, então, o ponto de partida. Mas, o mero poder da comunidade, ainda que seja o fundamento último, não tem, todavia, existência real, objetiva, empírica. A simples vontade consensual factível da comunidade permanece inicialmente indeterminada, em-si, isto é, é como a semente, que possuindo em potentia a árvore futura, todavia não é uma árvore, nem tem raízes, nem talo, nem ramos, nem frutos. Poderá tê-los, mas, todavia, não os tem. A semente é uma árvore em-si, não havendo brotado, realizado, crescido, aparecido à luz do mundo. Da mesma maneira, o poder como potentia (em seu duplo sentido de força e de possibilidade futura), ainda que seja o fundamento de todo o poder político, se não fosse atualizada (por meio da ação política com poder) ou institucionalizada (por meio de todas as mediações políticas para poder cumprir as funções do político), ficaria em potência, como mera possibilidade inexistente.

Se a potentia é o poder em-si, a potestas é o poder fora-de-si (não necessariamente, todavia, em para-si como retorno). O processo da passagem do momento fundamental (potentia) à sua constituição como poder organizado (potestas) começa quando a comunidade política se afirma a si mesma como poder instituinte. Decide dar-se uma organização heterogênea de suas funções para alcançar fins diferenciados.

A necessária institucionalização do poder da comunidade, do povo, constitui o que denominaremos a potestas. A comunidade institucionalizada, isto é, havendo criado mediações para seu possível exercício, se cinde da mera comunidade indiferenciada. Esta cisão entre potentia e potestas, entre o poder da comunidade política como sede, origem e fundamento (o nível oculto, ontológico) e a diferenciação heterogênea de funções por meio de instituições que permitem que o poder se torne real, empírico, factível, que apareça no campo político (como fenômeno), é necessária, e marca o aparecimento pristino da política, sendo, ao mesmo tempo, o perigo supremo como origem de todas as injustiças e dominações. Graças a essa cisão todo serviço político será possível, mas também toda corrupção ou opressão inicia sua carreira incontida. O ser devem o ente, e entra na história da justiça e de seus opostos. O anarquista sonha com o paraíso perdido do poder indiferenciado em-si da potentia (onde não há injustiça possível); o conservador adora o poder fixo e dominado como potestas (enquanto se exerce o poder institucionalizado como dominação). A política será a ampla aventura do uso devido (ou corrompido) da potestas. O nobre ofício da política é uma possibilidade que se abre desde essa cisão primeira; a outra possibilidade é o corrompido ofício idolátrico do poder como potestas autorreferente, que sempre termina por arrochar o povo.

O poder tem só e sempre em potência a comunidade política, o povo. Torna-se real graças à institucionalização (potestas), mediando a ação estratégica que, como tal, é o momento agente mas não o término estabilizador histórico. Isto é, o exercício do poder sempre é um momento da potestas, ou das funções fixadas pelas instituições, já que, quando atua, ainda que no caso inicial de um poder constituinte (que é a potentia como poder instituinte em ato de querer dar-se uma Constituição jurídica), a ação política estratégica (de tudo conducente a convocar os representantes que se reunirão em Assembléia constituinte) fica de algum modo marcada pela instituição natural democrática, porque, com efeito, quando uma comunidade acorda dar-se um governo deve decidir comunitariamente, e isso é já um ato democrático (algo assim como a discursividade simétrica natural da potentia no primeiro ato institucional). Poderá decidir depois se se institucionaliza a potestas como sistema monárquico ou republicano, como república oligárquica ou democrática, etc. Uma vez institucionalizada a potestas suficientemente, começa o exercício normal delegado do poder nas mãos dos representantes.

De fato, todo exercício do poder é institucional porque o poder da comunidade como potência em-si não é um momento empírico inicial no tempo, senão que um momento fundamental que permanece sempre em ato debaixo das instituições e ações (debaixo da potestas). Quando se fala então do “exercício do poder” significa que se lhe atualiza em alguma de suas possibilidades institucionais. Como toda mediação, é determinada heterogeneamente. Não é o mesmo exercer o poder eleitoral como cidadão como exercer o poder presidencial como chefe de governo. Ambos, no entanto, são exercício, atualização, aparição fenomênica de uma ação no campo político, de uma instituição cumprindo uma função por seu operador. O exercício institucional, então, não é o poder como potentia. A comunidade tem a faculdade do poder ontológico originário, mas qualquer atualização é institucional e como tal delegada. A célebre palavra-de-ordem “Todo poder aos soviétes de operários, camponeses e soldados!” tornava próxima a democracia direta e plenamente participativa da comunidade como possuindo a potentia. De todas as maneiras, era já uma mínima institucionalização. No entanto, por faltar níveis essenciais de institucionalização suficiente (que era uma potentia que não queria alienar-se como potestas), fracassou redondamente. Com o nascimento do socialismo real em 1921 na União Soviética (dos “soviétes” restou apenas o nome), a potestas se consolidou então de maneira excessiva, passando de uma posição quase anarquista (que sempre idealiza a potentia) a uma organização totalitária da potestas. O adequado é nem uma posição (por defeito), nem a outra (por excesso).

Ou seja, a comunidade não pode atuar como se fosse um ator coletivo substantivo unânime em democracia direta permanente. É o momento ideal do postulado, mas é impossível empíricamente. A comunidade atua por meio de cada um de seus membros diferenciadamente. Já na caça, no paleolítico, um dava o sinal para começar a caça, outros espantavam a caça, outros brandiam as armas em lugares apropriados, outros se especializavam em usar as armadilhas, outro distribuía o botim proporcionalmente entre os caçadores. A diferenciação do todo lhes permitiam atingir os objetivos complexos superiores. O mesmo ocorre no exercício delegado do poder político.

O ofício de delegado indica que atua em nome do todo (universalidade) em uma função diferenciada (particularidade) empreendida com atenção individual (singularidade). O exercício singular (privado) de uma ação é a que se realiza em nome próprio. O exercício delegado (público) é a ação que se cumpre em função do todo. O fundamento de tal exercício é o poder da comunidade (como potentia). Aquele que exerce o poder o faz por outro (enquanto origem), como mediação (enquanto ao conteúdo), para o outro (como finalidade).

No campo econômico, o trabalho vivo do trabalhador se objetiva como valor no produto. Tal objetivação (que, ao transformar-se em outra coisa, se aliena) é como um coágulo de sangue (se o sangue é o símbolo da vida, no pensamento semita). Analógicamente, no campo político, o poder do povo (potentia) se objetiva ou se aliena no sistema de instituições políticas produzidas historicamente durante milênios para o exercício de tal poder (potestas).

Falar da objetivação de uma subjetividade coletiva, como a da comunidade política, indica necessariamente um certo afastamento, uma perda de identidade imediata, que passa a uma diferenciação mediada. A mediação é necessária (sem instituições e sistemas de reprodução da vida é impossível, tais como a agricultura, o pastoreio; sem acordos intersubjetivos nenhuma legitimidade pode ser aceita: e sem estes requisitos, não há poder político possível), mas, ao mesmo tempo, é opaca, não é transparente, como a representação (necessária mas ambígua) ou como toda instituição.

Como toda mediação, a potestas (como suma institucional) é, então, ambígua. Seu sentido normativo de justiça ou uso cínico da força como violência, se encontram como que em estado originário, em que a disciplina exigida é sempre uma certa compulsão do prazer e, portanto, pode ser interpretada como repressão. Sem embargo, por sua natureza e nos primeiros momentos de sua criação, as instituições, de modo geral, respondem a algumas reivindicações populares. Logo, isso pode levar séculos, as instituições dão prova de cansaço, de um processo entrópico, de desgaste e, de outra parte, da fetichização inevitável que a burocracia produz ao usufruir a instituição (a potestas) para a sua sobrevivência autorreferente. Quando isso acontece, a mediação inventada para a vida e a democracia, e seu aumento, começa a ser um caminho rumo à morte, à repressão, à dominação. O político crítico ou que tem uma atitude de realismo crítico deverá empreender o caminho do que pretende ser crítico, ou de “esquerda”.

Neste caso, a alienação como simples objetivação se converte em negação do exercício delegado do poder, isto é, em exercício fetichizado de dito poder.

Com efeito, o ofício político pode ser interpretado e vivido existencial e biograficamente pelo sujeito como uma “profissão” burocrática, em certos casos muito lucrativa, ou como uma “vocação” motivada por ideais, valores, normas de conteúdos normativos que mobilizam a subjetividade do político a uma responsabilidade em favor do outro, do povo. No começo do século XXI os políticos (representantes eleitos para o exercício do poder institucionalizado, a potestas) constituíram grupos elitistas que se foram corrompendo, depois do enorme desgaste das revoluções do século XX, do fracasso de muitos movimentos políticos inspirados por grandes ideais, da crise econômica e do aumento das dificuldades da juventude para encontrar postos de trabalho estáveis (dado o desemprego estrutural crescente).

Impossível é motivar a juventude que decide empreender o ofício de político (aos que já o elegeram em sua juventude há tempos) pelas motivações do passado, ou por valores abstratos de uma sociedade aristocrática em decadência. O jovem, bombardeado pela midiocracia, pela moda, pela totalidade do mundo cotidiano imerso dentro do horizonte de uma sociedade capitalista, que impõe pelo mercado seus ideais de ostentação, superficialidade, dificilmente pode superar as exigências de aumentar suas riquezas para poder comprar e mostrar esses signos caros (monetariamente) de uma suposta diferença. Não é, então, impossível imaginar que aquele que elege a profissão de político rapidamente aceite as propostas de Fausto “e venda sua alma ao diabo” da fetichização usando o exercício do poder para seus próprios fins, pessoais ou de grupo. Assim nasce a política como “profissão” e os partidos políticos como “máquinas eleitorais”, que impõem seus candidatos burocratizados em benefício do próprio partido. É a fetichização do poder mediante a corrupção da subjetividade do político.

Pelo contrário, há que lutar para o nascimento e crescimento de uma nova geração de patriotas, de jovens que se decidam a reinventar a política, a “outra política”, como Espártaco, Joana D`Arc, G. Washington, M. Hidalgo, Simón Bolivar, Lumumba, Ho Chi Minh, “Che”, Castro, Allende, Evo, etc. Todos eles não foram políticos de profissão. Eram escravos, pastores, fazendeiros, intelectuais, médicos, advogados ou sindicalistas, mas que, por responsabilidade ética, se transformaram em servidores de suas comunidades, de seus povos, em muitos casos até à morte. Que se pode oferecer mais do que a vida? Nos outros casos, uma fidelidade incorruptível no exercício delegado do poder em favor de seus povos. Não ostentaram a autoridade delegada para aumentar seu prestígio ou riqueza. Sua glória, mais ainda ao serem perseguidos pelos inimigos do povo que libertaram, consistiu em permanecerem fiéis até o final na perseverança de sua “vocação”.

“Vocação” significa “ser-chamado” (do verbo vocare) a cumprir u`a missão. Aquele que “chama” é a comunidade, o povo. O chamado é o que se sente “convocado” a assumir a responsabilidade do serviço. Feliz o que cumpre fielmente sua vocação!. Maldito o que trai porque será julgado em seu tempo ou pela história! Augusto Pinochet parecia ser, no 11 de setembro de 1973, um herói demiúrgo intocável. Os humilhados governantes populares e democráticos, como Salvador Allende, morriam em suas mãos blindadas. Em 2006 foi levado a julgamento, não apenas pelo papel de ditador como, também, pelo de ladrão do povo, e com ele foi condenada sua esposa e filhos! Quem haveria de suspeitar que, no momento do golpe de Estado, quando era apoiado por Henry Kissinger e todos os poderosos do Ocidente – os Carlos Menem e os Carlos Salinas de Gortari –, correriam a mesma sorte.

Aquele que manda é o representante que deve cumprir uma função de potestas. É eleito para exercer delegadamente o poder da comunidade; deve fazê-lo em função das exigências, reivindicações e necessidades da comunidade. Quando desde Chiapas se sabe que “os que mandam devem mandar obedecendo” indica-se com extrema precisão esta função de serviço do funcionário (o que cumpre uma “função”) político, que exerce como delegado o poder obediencial.

Temos, assim, um círculo categorial todavia positivo (isto é, sem haver, todavia, caído na corrupção fetichizante do poder como dominação). O poder da comunidade (potentia) se dá instituições políticas (potestas) que são exercidas delegadamente por representantes eleitos para cumprir com as exigências da vida plena dos cidadãos, com as exigências do sistema de legitimidade, dentro do estrategicamente factível. Ao representante é atribuída uma certa autoridade (porque a sede da autoridade não é o governo, senão que sempre, em última instância, a comunidade política), para que cumpra mais satisfatoriamente, em nome de todos, os encargos de seu ofício; não atua desde-si como fonte de soberania e autoridade última, senão que como delegado, e, quanto a seus objetivos, deverá obrar sempre em favor da comunidade, escutando suas exigências e reclamos. “Escutar ao que se encontra à frente”, isto é: obediência, é a posição subjetiva primeira que deve possuir o representante, o governante, o que cumpre alguma função de uma instituição política.

O poder obediencial seria, assim, o exercício delegado do poder de toda autoridade que cumpre com a pretensão política de justiça; de outro modo, do político digno que pode aspirar ao exercício do poder por ter a posição subjetiva necessária para lutar em favor da felicidade empiricamente possível de uma comunidade política, de um povo.

Este círculo é um processo que produz, reproduz e aumenta a vida da comunidade e de cada um de seus membros, cumprindo os requerimentos da legitimidade democrática, dentro do horizonte do realismo crítico de uma factibilidade estratégica e instrumental, sempre ao mesmo tempo normativa.

Desta maneira, pretendemos descrever o poder, em seu sentido próprio, positivamente (e não meramente como dominação), como a força, a vontade consensual que opera ações e se dá instituições a favor da comunidade política. Cada uma dessas instituições, desde as micro-instituições da sociedade civil como as macro-instituições da sociedade política, têm um certo exercício de poder, de estruturas disseminadas em todo o campo político, dentro de sistemas específicos, de maneira que cada uma delas possa cumprir esse caráter obediencial. O campo político, em sentido estrito, não é um espaço vazio, senão que é como um campo minado, cheio de redes, nós prontos a explorar a partir de conflitos por reivindicações incumpridas (sabendo-se que, de modo perfeito, nunca se pode cumprir todas).

O representante, como seu nome indica, “representa” o cidadão membro da comunidade política que, ao elegê-lo se constitui como “representado” (uma certa passividade inevitável, mas que tem seu risco). O risco consiste em que, ainda que a delegação do poder originário (o da comunidade, a potentia) seja necessária (contra o espontaneismo de um certo populismo ou anarquismo), e ainda que deva ser continuamente regenerada desde a assembléia da comunidade face-a-face direta (abaixo do município, como assembléias de bairro, comunas, comunidades de base, etc.), sem embargo pode fetichizar-se; isto é, a representação pode voltar-se sobre si mesma e autoafirmar-se como a última instância de poder.

Repetindo. “Delega-se” a alguém o poder para que “represente” ao nível do exercício constitucional o poder da comunidade, do povo. Isto é necessário mas, ao mesmo tempo, é ambíguo. É necessário porque a democracia direta é impossível nas instituições políticas que envolvem milhões de cidadãos. Mas, é ambíguo porque o representante pode esquecer que o poder que exerce é por delegação, em nome “de outro”, como o que se “apresenta” em um nível institucional (potestas|) em referência (“re-“) ao poder da comunidade (potentia). É, então, obediência.

Em seu sentido pleno, político, originário, a representação é uma delegação de poder para que seja exercido ou cumprido em “serviço” dos representados que o elegeram como seu representante, porque, sem diferenciação de funções heterogêneas, não é possível a reprodução e o aumento da vida da comunidade, nem o exercício das instituições de legitimação, nem o alcance da eficácia. Se na caça do paleolítico todos cumprissem a mesma função (dar o grito de alerta), ninguém caçaria; ou se se deixasse ao acaso que cada um cumprisse a função que lhe coubesse, seria o caos e nunca caçariam a lebre veloz ou o leão feroz. Morreriam de fome. A representação, de novo, é necessária, mas ambígua. Nem pelo fato de ser ambígua, se pode eliminá-la; há que se defini-la, regulamentá-la, imbuí-la da normatividade para que seja útil, eficaz, justa, obediente à comunidade.

Podemos, agora, compreender que o poder se cinde de novo. Não já entre potentia (poder em-si) e potestas (poder como mediação), mas de outra maneira.

Em primeiro lugar, positivamente, como poder obediencial (do que “manda obedecendo”), que, em texto conhecido, indica: “O que quiser ser autoridade faça-se servidor” […] servidor de todos”. Neste caso, o exercício delegado do poder se cumpre por vocação e compromisso com a comunidade política, com o povo.

Em segundo lugar, negativamente, como poder fetichizado (“do que manda mandando”) que é condenado, sob a advertência de que são “aqueles que se consideram governantes, (quando) dominam seus povos como se fossem seus patrões, […] os poderosos que fazem sentir dua autoridade”. Neste caso, o exercício autorreferente do poder se cumpre para o benefício do governante, de seu grupo, de sua “tribo”, de seu setor, da classe burguesa. O representante seria um burocrata corrompido que dá as costas e oprime a comunidade política, o povo.”

Responder

J Souza

16/07/2013 - 19h06

Cara, me desculpem por criticar o governo…

É que eu tinha esquecido que em 2010 a DILMA tinha PROMETIDO que:
– ia privatizar o pré-sal;
– desonerar empresas multibilionárias;
– privatizar aeroportos e ferrovias;
– desacelerar a reforma agrária;
– dar bilhões para mais empresas multibilionárias;
– promover arrocho salarial de servidores públicos para dar-lhes um pouco nas greves;
– contratar médicos sem concurso público;
– mandar o ministro da Justiça elogiar a repressão a manifestantes;
– ia fazer omelete na Globo;
– se aliar a ruralistas como a Kátia Abreu e a conservadores como o Afif Domingos.

Me perdoem, talvez a minha memória esteja falhando…
Prometo que vou ficar bem caladinho, fingindo que o governo é de esquerda…

Responder

assalariado.

16/07/2013 - 18h43

Pois é, a social democracia petista e seus comentaristas rancorosos bitolados, estão de prontidão. Não conseguem contra argumentarem, nenhum post que pensa e, em seguida, raciocina pela esquerda. Este tipo de reação bitolada das ideias de ‘esquerda’, num passado recente, foi quem enterrou a nascente criança/ Estado socialista no século passado. Deu no que deu.

Ou será que, o lulismo enquanto proposta desenvolvimentista da burguesia capitalista criará o neolulismo, via PSDB. Consertar as mazelas do modo de produção capitalista, satisfazer os lucros do capital e, seus efeitos colaterais já não há remédio que de solução. Então qual é mesmo a saída?

Com a palavra os defensores do governo da ingovernabilidade.

Argumentem, … escrevam, …

Abraços.

Responder

Nelson

16/07/2013 - 18h41

Ao seguir brindando o grande capital, nacional e estrangeiro, com mais espaços para a obtenção de lucros, via privatizações, ou concessões que seja, o governo Lula/Dilma age no sentido de solapar sua própria política – correta, é preciso frisar – de distribuição de renda às parcelas mais desfavorecidas do povo.

Como já afirmei, as privatizações e concessões de espaços públicos ao capital privado visam garantir mais lucros ao grande empresariado. Assim, vão, inevitavelmente, colidir com a necessidade premente que tem a parcela maior da população brasileira – que poderíamos qualificar aqui de setores médios – no sentido de que se opere uma redução drástica nos custos dos serviços públicos. Não há como compatibilizar lucros crescentes a cada período que passa, como exige o capitalismo em sua era neoliberal, com o atendimento das demandas sociais por esses serviços.

Assim, por ter que suportar os custos maiores de serviços privatizados ou concedidos à iniciativa privada, os setores médios da população tenderão à perda de renda. Por isso, estarão sendo fechadas as portas para a absorção da mão de obra formada por meio dos próprios programas governamentais de reciclagem e de formação profissional – corretíssimos, também – acoplados à política de renda mínima. Afinal, seriam os citados setores médios que, ao deterem uma renda satisfatória, os que mais ofereceriam oportunidades à turma formada por esses programas.

Há que levarmos em conta também a perda de recursos pelo país advinda das privatizações e concessões. As empresas que assumem as ex-empresas estatais ou públicas, seja pelas privatizações, seja pelas concessões, vão remeter ainda mais recursos ao exterior a título de remessa de lucros. A estimativa do BC é de que em 2013 sejam remetidos nada menos que 95 bilhões de dólares nessa rubrica; no ano passado, foram quase US$ 75 bilhões.

O resultado das privatizações e concessões é a descapitalização ainda maior do país, minando os esforços no sentido de redistribuir melhor a renda entre todo o seu povo.

Responder

flavio cunha

16/07/2013 - 17h58

Opinião da NOVA DIREITA não me interessa.

Responder

    assalariado.

    16/07/2013 - 18h25

    Flavio Cunha, te pergunto: Qual é a opinião de velha ‘esquerda’?

    Argumente, … argumente, …

    Assim o debate fica livre, leve e solto, ….

    Abraços.

    Carlos J. R. Araújo

    16/07/2013 - 18h33

    Flávio, não creio que ele chegue a tanto, hoje. Amanhã, com certeza. O melhor rótulo deste tipo de personagem é fornecido pelo sociólogo francês Pierre Garnier com três expressões: “intelectual de boutique”, “revoltado de boutique” e “revolucionário de boutique”. Deste personagem não se pode esperar nada, só o discurso, que Garnier denomina de “revolução das subjetividades”. Lero-lero ideológico. E lá adiante, será mais um trânsfuga e assumirá a ideologia da direitona. A história moderna está cheia de exemplos e no Brasil são muitos. O champagne tem seu preço, né?

João Vargas

16/07/2013 - 17h00

Reforma fiscal, política, agrária, judiciária… enfim as reformas que o PT não fez e agora vai pagar o preço.

Responder

roberto amorim

16/07/2013 - 16h48

“O governo deveria ter partido para uma reforma fiscal…”. Cabe a pergunta a essa afirmação do Saflate: com apoio de quem e em qual Congresso o governo aprovaria essa reforma fiscal? É evidente que não teria apoio e um congresso conservador como o nosso não aprovaria uma reforma fiscal que tributasse o almoço dos ricos. É preciso, primeiro, fazer a reforma política para que o Congresso não seja formado em sua maioria por representantes das grandes corporações, bancos, rentistas, etc,os quais são eleitos pelo financiamento privado destes grandes conglomerados financeiros justamente para defesa de seus interesses. Por isso, o artigo do Professor Saflate é inoportuno e incorreto, porque traz uma conclusão que não corresponde à premissa.

Responder

    Ester Neves

    16/07/2013 - 18h05

    Se os governos petista tivessem estabelecido um canal de comunicação com o povo, quando estavam com altos índices de aprovação, com certeza esse respaldo à governabilidade viria do próprio povo, mas, nem tentou…

    Wildner Arcanjo

    16/07/2013 - 18h08

    É a velha estratégia de jogar nas costas do Executivo, todas as mazelas que foram, anos após anos, deixadas pelo Legislativo e pelo mostro político que surgiu com a nossa Constituição, o Congresso/Senado e o seu partidão o PMDB. Aliás, Fisiologismo é o segundo nome (ou seria o primeiro?!) deste Mostro. Desde que Cabral Aportou por essas bandas, e acabou com o “Comunismo dos Índios”, O MDB é quem manda por estas bandas… Só uma Reforma Política (de verdade, não esta de mentirinha) resolve este problema, o resto é bla-bla-blá de direitista (enrustido ou não).

carlos saraiva e saraiva

16/07/2013 - 16h37

O articulista, deveria, deixar claro, que o quadro catastrófico, pintado, aconteceu nos governos tucanos. Deveria, pois do contrário, comete uma profunda leviandade intelectual e ideológica, para dizer o mínimo. O articulista na qualidade de filósofo, psicanalista, lacaniano(pelo menos se considera), está sendo tragado pelo “Grande Outro”, “O Senso Comum publicado”. Como se reivindica de Esquerda, eu perguntaria, que esquerda?Todos, menos o PT, é isso? Como se reivindica de esquerda, gostaria, de lembrando Marx, dizer; “o capitalismo é uma contradição em movimento”. E a luta, anticapitalista é um processo em contínuo movimento. Portanto não existe Lulismo, nem “esgotamento” e sim um contínuo processo de aprofundamento em curso. Aprofundamento que a esquerda, sem ressentimentos antipetistas, e com muita honestidade revolucionária tem de impulsionar.

Responder

abolicionista

16/07/2013 - 16h34

Safatle está coberto de razão. Eu acrescentaria uma nota de repúdio ao nacional-socialismo de plantão. Mais do que nunca é preciso reenergizar a esquerda política com uma crítica que não se limite a uma tratamento de sintomas, mas que mergulhe no cerne da contradição. Em termos mais exíguos: ser de esquerda é combater o capital, o resto é balela.

Responder

Mardones

16/07/2013 - 16h30

Concordo com uma coisa: a reforma fiscal que obrigue ricos a pagar impostos.

Responder

Francisco

16/07/2013 - 16h12

Tá doido?

O único assunto que não foi tema de protesto nas ruas foi aumento de salário ou até mesmo inflação! Que se dirá falta de emprego!!

Alhos são alhos, bugalhos são bugalhos…

Quem quiser um país desenvolvido de hoje para amanhã, tô junto!

Amanhã às 7:30 na praça central de sua cidade. Para invadirmos a Rede Globo local e meter na cadeia os Marinho. De tarde, aumentamos os impostos dos ricaços e assumimos o poder.

Muito simples!!!

Mas, eu só vou chegar às 8:00h. Antes eu quero ver se tem alguém na praça mesmo…

Tenho horror a esse negócio de morrer sozinho!

É que pode acontecer o que aconteceu recentemente no dia nacional de mobilização…

Responder

josé Reis

16/07/2013 - 15h49

Concordo com o Safatle que o lulismo bateu no teto. Distribuiu alguma renda, incensou o consumo e o mercado interno, enfrentou a pobreza extrema, atacou desigualdades regionais e isso não é pouco!!! No entanto, não tocou nos ganhos do grande capital rentista e produtivo. O imposto continuou altamente regressivo, que rico paga pouquíssimo e classe média e trabalhador arcam com os custos, e ainda tem que levar o movimento “cansei” da Associação Comercial de São Paulo, com seu impostômetro, pela fuça. Serviço públicos de saúde e educação que não se universalizaram nos termos em que deveriam avançar, processo de privatização crescente nestas áreas(no Rio de Janeiro isso é terrível, com Paes e Seu Cabral realmente não dá) embora algumas coisas importantes tenham acontecido (vide a destruição que as políticas tucanas vinham realizando nas Universidades públicas, ou será que já esquecemos disso!), explosão enlouquecida de preços dos imóveis, com aluguéis absurdos, transporte público lamentável e aí a insatisfação do subproletariado (principal beneficiário das políticas econômicas dos Governos Lula/Dilma)e das classes médias que já haviam abandonado em grande parte os governos do PT, fora aquela conservadoríssima, que tem alergia a povo, que nunca tolerou o torneiro mecânico fazendo mais e muito melhor do que o príncipe da sociologia. Só não dá para concordar de modo algum com o argumento de que “se há algo que une tanto o subproletário quanto a classe média, é a consciência de que o processo de ascensão social produzido pelo lulismo esgotou”. A questão para a classe média, em geral, não é essa: não tem o menor interesse no lulismo e nada a une ao subproletariado, pelo contrário, não suporta os aeroportos cheios de populares, por exemplo, e o lulismo, mesmo com seu reformismo fraco, mas que promoveu um importante processo de inclusão social (claro que queríamos muito mais, mas não é assim que a banda toca neste país de forte tradição escravocrata), tira o sono da classe média, que não o engole de jeito nenhum (as políticas sociais que o lulismo representa). Como a Marilena Chauí diz, tem pesadelo com a fantasia de se proletarizar. Sem açodamento e sectarismo revolucionário, ao meu ver um tiro no pé, uma guinada à esquerda do Governo Dilma, um certo corte com a peemedebização da vida política nacional e uma maior articulação com o campo progressista e popular, fariam muito bem ao país, no sentido da implementação de reformas sociais efetivas, no limite, até antissistêmicas. Do contrário, o tucanato com seu poderoso partido midiático (e não a esquerda revolucionária) reassumem o poder (o que mais fazem atualmente é procurar desidratar o governo da Dilma) e sabemos bem o desastre (o termo deveria ser outro muito mais pesado!) que isso significa para as classes populares e para a soberania do país em geral (me ocorre imediatamente a guinada subserviente aos EUA na política externa que certamente ocorreria!).

Responder

dina

16/07/2013 - 14h25

É…E por isto, pela insatisfação geral [ criada e mentalizada no inconsciente das massas pelo pig] esse mesmo povo esta a ponto de entregar o GOVERNO DOS TRABALHADORES às garras das oposições, estes sim, que em tempo algum, nada fizeram pelo povo brasileiro. Vão em frente, mais tarde poderão chorar suas lágrimas de sangue. Esta difícil acompanhar os blogs progressistas e os que escrevem tantas besteiras; parece que foram abduzidos pelo pig.

Responder

Carlos Cruz

16/07/2013 - 14h24

Um texto que resume tudo que passamos, a INEXISTENCIA de um Estado social, e não privatizado a grupos economicos. Não temos saude, estudo,segurança,saneamento,…e pagamos por tudo que não temos. Parabens a Vladimir Safatle.

Responder

Bernardino

16/07/2013 - 13h59

Grande artigo do Vldimir:Uma analise fria e lancinante no Couro dos Petistas e pseudo esquerdistas do Pais.Nao fizeram o DEVER DE CASA como se refere aqui o J.SOUZA e agora tera de lamber o leite derramado tipico dos covardes que nao reagiram no momento certo e voltam ao lugar da briga e nao encontram mais os agressores,falo assim no sentido CONOTATIVO!!

AS Advertencias foram inumeras de todos os BLOGS,cientistas politicos,hhistoriadors e politicos comprometidos com os interesses do PA[IS.Agora é TARDE INES é morta!!

EVOCO aqui a minha CONVICÇAO de que a CULTURA PORTUGUESA é CORRupta,Covarde e ANTIPATRIOTA!! e isso demonstrado EXAUSTIVAMENTE ao longo da HISTORIA.FAÇO EXceçao ao Grande GETULIO VARGAS e seu Governo Nacionalista,Patriota e que fez as Bases da NAÇAO Brasileira!!

Até a Ditadura militar que se dizia Nacionalista na verdade fora Corruptos e Covardes a medida que nao fizeram as reformas de Base que a naçao precisava como a agraria e a politica entre outras!! E mais grave nao fizeram a nossa BOMBA Atomica pra dar ao País soberania DEFINITIVA,pois com TANQUNHOS e Metralhadoras vagabundas nao se tem segurança ate porque o TRAFICO de drogas tem MELHOR!!
ESSE é um PAÍS sem ETICA,SEM NORAL E SEM Educaçao!!

Responder

    Horácio

    16/07/2013 - 14h54

    Bom mesmo é a cultura italiana, né?

    O Silvio Berlusconi que o diga… Mamma mia…

    E os “brimos” libaneses também são santos…

    raul soares

    18/07/2013 - 09h55

    E a anglo-saxonica, com representantes do carater de uma Inglaterra,
    EUA? E a Francesa, a Alemã, a Espanha,etc, colonialistas corrompendo povos
    inocentes por séculos? Ha!!! A Italiana dos principados dos papados, que
    talvez seja a mãe de todas as regras, sorrateiras do ocidente.
    Meu caro, o Brasil não começou em 1900 e vcs foram muito bem recebidos pelos nordestinos, mestiços e descendentes de Portugueses, o povo mais
    pacífico da Europa.

Renato

16/07/2013 - 13h52

Lá vem o Safatle do PSOL, também, celebrando revoltas induzidas pelos movimentos ligados ao partido dele, dizendo que são uma coisa espontânea e normal. Caraca! Falsidade é isso: eu armo uma revolta, depois aplaudo os revoltosos e digo que foi um grande ato espontâneo e necessário, que tinha que acontecer e que não dá pra esconder.

Depois armo outra ‘revolta espontânea’ em que cantam até o nome do candidato do meu partido e digo que uma tem relação direta com a outra: lógico que tem, putz! Eu mesmo faço parte da organização tentacular que as promove …

Fala logo a verdade: é pra dar poder a partido emergente. Diz logo: nós somos a favor da promoção do conflito máximo entre classes, para colher dividendos políticos, já que nos colocamos no papel de vanguarda política e social e queremos ser poder. Quem governará depois? Nós mesmos. O povo será uma acessório, já que não há como contentar a todos ou incluir a todos no governo e nessa hora, como em Macapá, o contexto dado será usado como desculpa.

Não existe revolução popular pela via política, institucional. Plantar isso através de partidos institucionais é enganar o povo, que depois será ‘acalmado’ e alijado do processo. Quem leva cinzeirada não é ele, Safatle. Quem morre em ocupação induzida de fazendas também não é ele.

Responder

    Horácio

    16/07/2013 - 15h00

    Concordo com você que, nem Jirau, e nem os “protestos de junho”, tiveram nada de “espontâneo”.

    Revoltas trabalhistas em Jirau foram a ultima tática encontrada pelas forças estrangeiras que não querem a independência energética do Brasil para tentar atrapalhar e atrasar a obra, depois de falharem todas as outras táticas, como protestos de ambientalistas e de índios.

    Quanto à junho, dispensa comentários. A gritante conspiração já foi dissecada de todas as formas possíveis em diversos sites.

    Quanto à “revolução”, o século 21 as dispensa, pelo menos na América Latina. Já passou da época. Quem fez, fez, quem não fez, esqueça. Não há mais tempo a perder com revoluções. Ou melhor, a única revolução que precisamos é a revolução tecnológica.

    abolicionista

    16/07/2013 - 18h19

    Que nos levará direto para a catástrofe ecológica, belos planos, os do capital.

    Lucas Gome

    16/07/2013 - 16h44

    Safatle do PSOL?
    ué, e eu que pensei ter visto ele fazer campanha com outros intelectuais pela candidatura da Dilma no segundo turno…
    mas para que me esforçar e ir atrás de informações, se posso apenas aceitar qualquer besteira que os amigos comentadores dizem. Os mesmos que falam sobre a capacidade do PIG de desinformar.

Acássia

16/07/2013 - 13h24

É por isso que um governo Lula queridinho dos empresários e ajudado por Palocci talvez possa ser anacrônico em novo mandato. Dilma é mais avançada mas não tem forças. O Congresso e os prefeitinhos moleques são contra Dilma.

Lula é bom ganhador de eleições e promoveu avanços. Mas aquele governo – muito ruim por nossa culpa, pois não chutamos a porta do Congresso – já não serve.

O que fazer?

Responder

    Nelson

    16/07/2013 - 18h01

    Discordo, minha amiga Acássia.

    A Dona Dilma está fazendo um governo à direita do de Lula. Portanto, não há avanços, mas retrocessos.

    Estou aqui a incensar Lula, a dizer que fez um baita governo? Nada disso. Para mim, Lula fez muito, mas, ficou muito aquém do que poderia e deveria ter feito.

J Souza

16/07/2013 - 12h45

E agora, depois de desonerar absurdamente os ricos, como o governo poderia voltar atrás?
E como impedir que planos de saúde e escolas particulares aumentem abusivamente seus preços?
Como fazer política social sem ter enfrentado a mídia patronal?
O governo não fez o que podia ter feito quando tinha o apoio popular, agora está cada vez mais refém dos poderosos…

Responder

    Horridus Bendegó

    16/07/2013 - 13h32

    A pusilanimidade é o maior obstáculo ao avanço, seja de que força for.

    Governabilidade é um eufemismo para covardia!

    Renato

    16/07/2013 - 13h59

    Acho que o J Souza não enxergou que milhões de pequenos empresários também foram desonerados, que não tem como o governo enfrentar sozinho a mídia patronal ou declarar-lhe guerra aberta (seria suicídio no país em que a ditadura com apoio dessa mesma mídia durou 20 anos seguidos, com uma sobrevida de mais 15 de governos liberais), que também cabe a cada um lutar em seu espaço contra planos e escolas abusivas. O governo é um ente abstrato, já que depende na realidade do apoio da população para poder governar. Boicotá-lo não ajuda a derrubar quem tem de fato enorme poder: ajuda a direita, o capital máximo, aqueles que se estourar algum motim aqui podem se mudar pra Suíça ou pro Zimbawe …(onde remunerarem melhor seu capital).

    J Souza

    16/07/2013 - 14h48

    Boicotar? Quem falou em boicote?
    O pessoal do governo está muito na defensiva… E não é pra menos…

Deixe uma resposta