VIOMUNDO

Renato Rovai: Isso vale para Marta, mas não só para ela…

11 de janeiro de 2015 às 15h06

Marta

Isso vale para Marta, mas não só para ela…

por Renato Rovai, em seu blog 

Marta Suplicy é uma pessoa controversa e difícil, mas não deveria ser politicamente julgada por isso. Sua entrevista de hoje é recheada de armadilhas e sinaliza para uma saída ruidosa do PT, mas o partido deveria tratá-la como uma oportunidade para algumas reflexões.

Marta não é diferente de boa parte dos políticos. Ela se move muito mais em função dos seus interesses pessoais do que do projeto coletivo.

Marta também é tão vaidosa quanto a maioria deles. É tão arrogante quanto a maioria deles. Sabe fazer intrigas quanto a maioria deles. Gosta tanto de poder como a maioria deles, até porque é ele que permite exercer um lado autoritário que alimenta a alma da maior parte deles.

Marta não é uma espécie rara na política. Ao contrário, é um pouco a essência da vida pública no país.

A diferença é que ao contrário da maioria dos seus pares, Marta é mais transparente. Fala em público aquilo que homens que se se julgam mais espertos preferem confidenciar a jornalistas em off no cafezinho do Congresso.

O excesso de vaidade e de transparência foi o seu principal adversário na reeleição à prefeitura de São Paulo. Naquele pleito, Marta perdeu para ela mesma. Seu governo era muito bem avaliado e seu adversário só amargava derrotas antes de superá-la.

Na entrevista a Eliane Catanhede publicada no Estado de S. Paulo de hoje (a entrevistadora também diz muito sobre a entrevista) Marta vai pra cima do PT como poucos dirigentes importantes o fizeram na história do partido. \

E Marta tem razão quando diz que o partido está em risco. O PT pode de fato, senão morrer, torna-se um projeto bem menor do que é ou já foi.

Mas o que Marta não diz é que ela é muito mais parte do problema do que da solução no que parece criticar.

Marta foi prefeita da maior cidade do Brasil e quando teve a oportunidade de oxigenar o partido e criar uma nova referência de relação com ele a partir do governo, não fez diferente do que aqueles que hoje critica.

Marta foi exageradamente pragmática, sufocou adversários internos, priorizou relacionamentos com setores da direita em algumas áreas e não apostou em novas lideranças.

Marta usou a máquina da prefeitura como um trator do ponto de vista das disputas internas.

Isso não significa que seu governo tenha sido um desastre. Muito pelo contrário, ela fez uma administração histórica em São Paulo e suas marcas (como os CEUs e os corredores) terão relevância por muitos e muitos anos.

A questão é que Marta hoje não tem poder e não pode exercê-lo do ponto de vista interno na mesma intensidade de quando era prefeita.

Hoje são outros que movem o partido e suas estruturas a partir da força que detém em governos ou parlamentos.

O PT se tornou um partido muito suscetível à força dos seus prefeitos, governadores, ministros e parlamentares. E muito menos permeável às demandas dos movimentos sociais do que em outros momentos.

Essa é a crise do PT e que já foi identificada por Lula e outros dirigentes. É isso que pode, se não matar o partido, diminui-lo e torná-lo insignificante.

Por isso a entrevista de Marta deveria ser tratada como um ponto de inflexão pela militância e dirigentes.

Não é o momento para agir com o fígado e sair por aí xingando-a ou acusando-a disso ou daquilo.

É hora de aproveitar para pensar o que leva personalidades políticas importantes a se acharem donos de um projeto e se comportarem como se não devessem nada a ninguém.

Isso vale para Marta, mas não só para ela.

**********

Marta critica Dilma, ataca colegas e afirma: ‘Ou o PT muda ou acaba’

Eliane Cantanhêde, em O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2015 | 22h 00

Para a senadora Marta Suplicy (SP), que foi deputada, prefeita e duas vezes ministra pelo PT, o partido chegou a uma encruzilhada: “Ou o PT muda, ou acaba”. Em entrevista ao Estado, Marta não assumiu explicitamente, mas deixou evidente que está a um passo de sair do PT: “Cada vez que abro um jornal, mais fico estarrecida com os desmandos. É esse o partido que ajudei a criar?”.

Articuladora assumida do “Volta, Lula” em 2014, ela também deixou suficientemente claro que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em alguns momentos, autorizou os movimentos nesse sentido. Quanto ao governo Dilma: “Os desafios são gigantescos. Se ela não respeitar a independência da equipe econômica, vai ser desastroso para o Brasil”.

A declaração mais irada foi contra o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que ela julga “inimigo do Lula” e “candidatíssimo” a presidente em 2018, mas “vai ter contra si a arrogância e o autoritarismo”. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Por que a senhora articulou o movimento “Volta, Lula”?

Em meados de 2013, os desmandos aconteciam e a economia ia de mal a pior. Foi aí que disse ao Lula: ‘Presidente, está acontecendo uma coisa muito séria. O que o senhor acha que está acontecendo?’ Conversamos a primeira, a segunda, a terceira, a quarta vez… E ele dizia: ‘É verdade, estou conversando com ela, mas não adianta, ela não ouve’. A coisa foi piorando e, um dia, ele disse: ‘Os empresários estão se desgarrando…’. E perguntou se eu podia ajudar e organizei um jantar na minha casa, já no início de 2014, com os 30 PIBs paulistas. Foi do Lázaro Brandão a quem você quiser imaginar. Eles fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E ele não se fez de rogado, entrou nas críticas, disse que era isso mesmo. Naquele jeito do Lula, né? Quando o jantar acabou, todos estavam satisfeitíssimos com ele.

E falaram nele como candidato?

Ninguém falou claramente, mas todo mundo saiu dali com a convicção de que ele era, sim, o candidato.

Ele admitia que queria ser?

Nunca admitiu, mas decepava (sic) ela: ‘Não ouve, não adianta falar.’

Ele estava incomodado com Dilma?

Extremamente incomodado. E isso é que foi levando ele a achar que tinha de ser o candidato e fui percebendo que a ação dele foi mudando. A verdade é que ele nunca disse, mas sempre quis ser candidato e achou que ia ser.

Por isso a senhora trabalhou pela candidatura do Lula?

Sim, providenciando os encontros para ele poder se colocar. Foi quando convidei políticos, artistas para um grande encontro político. Convidei a Dilma, o Mercadante e todos os ministros de São Paulo, avisando que o Lula estaria presente. Todos confirmaram, mas, na véspera, todos cancelaram. E ela, Dilma, também não foi. Nessa época, ainda estava confuso quem seria o candidato. Tinha uma disputa. E, depois, quando ela virou candidatésima, ele não falava mais com ela.

O Lula deixava uma porta aberta?

Quando o Lula escolheu o Fernando Haddad para disputar a Prefeitura, eu avisei a ele que eu ia sair do ministério, porque discordava da política econômica, da condução do País, e ia voltar para o Senado. ‘E vou dizer que o candidato é o senhor. A única que tem coragem de dizer isso publicamente sou eu e vou dizer’. E ele: ‘Não vai, não, de jeito nenhum’. Eu: ‘Por quê?’ Ele: ‘Porque não é hora’. Veja bem, ele não negou, ele disse que não era hora.

Depois, como evoluiu?

Um dia, eu fui direta: ‘Lula, tem de ir pro pau, tem de ter clareza nisso’. E listei pessoas com quem poderia conversar para dizer que ele tinha interesse, que estava disposto. Aí ele disse que não, que não era para falar com ninguém. O que eu ia fazer? Concordei. Só que, quando eu já estava saindo, perto da porta, ele disse: ‘Pode falar com o Rui (Falcão, presidente do PT)’. Dois dias depois, sentei duas horas e meia com o Rui e disse a ele: ‘A situação está muito difícil eleitoralmente para o PT, mas muito difícil para o País. Porque vai ser muito difícil a Dilma conduzir o País de outro jeito, você já conhece o jeito dela’. Mas ele disse que íamos ganhar e que eu estava falando de coisas que eu não entendia.

Acredita que o Lula queria ser (candidato em 2014)?

Ele é um grande estadista, mas não quis enfrentar a Dilma. Pode ser da personalidade dele não ir para um enfrentamento direto, ou porque achou que geraria uma tal disputa que os dois iriam perder.

E quando o próprio Lula encerrou de vez o assunto?

Foi quando ele disse: ‘Marta, acabou. Vamos trabalhar para a Dilma e pronto. Você vai enfiar a camisa e trabalhar de novo’.

E a senhora, nunca pensou em ser candidata?

A quê?

A presidente…

Pensei sim. Quando era neófita, tinha clareza de que poderia ser presidente. Depois, isso caiu por terra, até que um dia o Lula, no avião dele, quando era presidente, me disse: ‘Minha sucessora vai ser uma mulher’. E pensei que ou seria eu, ou Marina (Silva) ou Dilma. Logo vi aquela história de ‘mãe do PAC’ e que era a Dilma. Pensei: ‘O que faço?’ Bom, ou ficava contra e não fazia coisa nenhuma, ou ajudava. Mais uma vez, decidi ajudar. Sempre achei que ia acabar ficando meio de fora das coisas, talvez pela origem, talvez por ser loura de olho azul, não sei.

Como vê o governo Dilma?

Os desafios agora são gigantescos, porque não se engendraram as ações necessárias quando se percebeu o fracasso da política econômica liderada por ela. Em 2013, esse fracasso era mais do que evidente. Era preciso mudar a equipe econômica e o rumo da economia, e sabe por que ela não mudou? Porque isso fortaleceria a candidatura do Lula, o ‘Volta, Lula’.

E a nova equipe econômica?

É experiente, qualificada. Vai depender de a Dilma respeitar a independência da equipe. Se não respeitar, vai ser desastroso. Agora, é preciso ter humildade e a forma de reconhecer os erros a esta altura é deixar a equipe trabalhar. Mas ela não reconheceu na campanha, não reconheceu no discurso de posse. Como que ela pode fazer agora?

Se Dilma não deixar a equipe econômica trabalhar, os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) podem correr para o Lula, pedindo apoio?

Você não está entendendo. O Lula está fora, está totalmente fora.

Tudo isso criou uma cisão indelével no PT, entre lulistas e dilmistas, como ficou claro na posse, quando o Lula foi frio com o Mercadante?

O Mercadante é inimigo, o Rui traiu o partido e o projeto do PT, e o partido se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o País, mesmo sabendo as limitações da Dilma. Já no primeiro dia, vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos do Lula. O Gilberto Carvalho é o mais óbvio.

Qual o efeito disso em 2018?

Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato. Ele é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana (marqueteiro de Dilma) para barrar Lula.

Quais as chances de vitória do PT com o Mercadante?

Ele vai ter contra si sua arrogância, seu autoritarismo, sua capacidade de promover trapalhadas. Mas ele já era o homem forte do governo. Logo, todas as trapalhadas que ocorreram antes ocorrem agora e ocorrerão depois terão a digital dele.

Afinal, quais são os desmandos da gestão do Juca Ferreira na Cultura?

Foi uma gestão muito ruim. Enviei para a CGU (Controladoria-Geral da União) tudo sobre desmandos e irregularidades da gestão dele.

O que aconteceu com a Petrobrás?

Para mim, todo o conselho e diretoria deveriam ter sido trocados. Respeito a Graça (Foster), até gosto dela. Não questiono sua seriedade e honradez. Mas, no momento, o mais importante é salvar a Petrobrás.

O PT foi criado com a aura de partido ético. Imaginava que pudesse chegar a esse ponto?

Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas. É um partido cada vez mais isolado, que luta pela manutenção no poder. E, se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada.

Então, a senhora vai sair do PT.

A decisão não está tomada ainda, mas passei um mês e meio, dois meses, chorando, com uma tristeza profunda, uma decepção enorme, me sentindo uma idiota. Não tomei a decisão nem de sair, nem para qual partido, mas tenho portas abertas e convites de praticamente todos, exceto do PSDB e do DEM.

Para concorrer à Prefeitura?

Não será uma decisão em função de uma possível disputa à Prefeitura, por isso é tão dura. É uma decisão duríssima de quem acreditou tanto, de quem engoliu tanto.

Tem uma gota d’água?

Não, mas na campanha da Dilma e do (Alexandre) Padilha em São Paulo, fui totalmente alijada. Quando Padilha me ligou pedindo para eu gravar, disse: ‘Ô Padilha, entenda. Eu não sou mais objeto utilitário, acabou essa minha função no PT’.

Por que Dilma e Padilha foram tão mal em São Paulo?

Não foi um voto pró-Aécio (Neves), foi um voto anti-PT, pelos desmandos que o PT tem perpetrado nesses anos todos.

O que vai ocorrer com o PT?

Ou o PT muda ou acaba.

Leia também:

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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lulipe

12/01/2015 - 15h12

É questão de tempo para o PT se tornar um partido insignificante na política nacional. O Brasil agradece!!!

Responder

    Julio Silveira

    13/01/2015 - 11h03

    Vou refletir sobre isso com muita humildade.

    Luiz (o outro)

    13/01/2015 - 13h57

    Felizmente antes disso nos veremos livres de tucanalhas e DEMoníacos…

Bacellar

12/01/2015 - 13h22

Corto meu mindinho fora se o Mercadante for burro a ponto de pensar que tem cacife pra sair presidente.

Será que o PT vai ficar parecido com o PSDB também no quesito disputas internas fratricidas?

Responder

Roberto de Paulor

12/01/2015 - 11h37

Isto tem um nome,DESPEITO,votei muito nesta senhora,hoje,digo,não passa de + uma traíra na lista,duvido que o LULA,teria pensado,em se candidatar no lugar da DILMA,não adianta querer separar a DILMA do LULA,a militância não acredita + nesta mulher,é + uma Erundina despeitada da vida.

Responder

José Nivaudo

12/01/2015 - 10h18

A burguesinha Martha agora fala em abandonar o PT. Já vai tarde, traíra! Na verdade, nós somente toleramos a sua presença para melhorarmos nossa interlocução com os empresários de São Paulo, e extrairmos deles as verbas – devolvidas ao povo – para a implantação do projeto de socialização da produção e manutenção do poder popular.
O futuro é o socialismo, companheiros! Não há lugar nele para burgueses golpistas.

Responder

Julio Silveira

12/01/2015 - 09h08

Vocé está certissimo Rovai, só peca quando não coloca de forma transparente o nome Lula como o precursor deste estilo que a Marta apresenta, e que pode ter sido por vias tortas um estimulador deste tipo de politico dentro do PT.
Nunca me esqueço quando lá pelos idos de sua campanha em que sagrou-se presidente pela primeira vez, trabalhou para enquadrar os militantes do Espirito Santo, que na época eram duros com o governante Petista à época, o Vitor Buaiz, que inaugurava uma era nova de pragmatismo descaracterizante dentro do PT. Como tenho memória, não esqueço um celebre pronunciamento do lider Lula, ainda eterno candidato, quando afirmou que para ganhar teria que acabar com esses militantes no PT. Como vimos conseguiu, e fez escola, e um partido que outrora pregava a ética na politica e tantas outras expressões culturais tão necessarias ao país foi sucumbindo aos personalismos e imediatismos de seus principais dirigentes. E vejam só, nem assim essa conversão garantiu nada definitivo para o povo brasileiro. Não se pode dizer de alguns de seus lideres, que no minimo já garantiram ter seus nomes em ruas.

Responder

Gerson Carneiro

12/01/2015 - 00h10

Não, pera. A Eliane Catanhede entrevistou a Venina Velosa, não?

Segundo a Marta ela não foi escolhida pra ser presidenta porque é loira e rica. Deve ser por isso que a Xuxa também não foi.

“Por que Dilma e Padilha foram tão mal em São Paulo?

Não foi um voto pró-Aécio (Neves), foi um voto anti-PT, pelos desmandos que o PT tem perpetrado nesses anos todos.”

Não estava sabendo que o PT governa São Paulo nesses anos todos.

Realmente, Eliane Catanhede entrevistou a Venina Velosa.

Responder

Marat

11/01/2015 - 20h47

A Cantanhede (a da massa cheirosa) está no Estadão? Ela não está na assessoria de imprensa do PSDB?

Responder

Marat

11/01/2015 - 20h44

Considero a Marta uma das melhores prefeitas que SP já teve, ao lado de Erundina e Haddad. Kassab foi razoavelmente bom. O resto, lixo!!!
Mas não posso deixar de ressaltar que a idade, para algumas pessoas se transforma em fardo muito pesado, o que me parece o caso da ex-prefeita, que agora se assemelha mais a uma dondoca.
Quanto ao PIG, este só serve para ficar de 4 para o PSDB e o Tio Sam. Faz e tudo para minar o PT (centro-direita) e os partidos de esquerda…
Bem, que ela vá em paz, e siga seu rumo, mas, qual partido a abrigaria?

Responder

    Ricardo Gonçalves

    12/01/2015 - 09h04

    Kassab foi um PÉSSIMO prefeito. Horroroso. Entregou a cidade pro setor imobiliário. Abriu espaço sem limites para máfias de todos os tipos na administração pública.
    Governismo tem limites!!!!!

    Vlad

    12/01/2015 - 21h37

    Ao que me consta São Paulo já teve uns cinquenta prefeitos.
    Mas, no mundinho imaginário petecano, só os deles foram ótimos…e, se for da base aliada, foram razoavelmente bons.
    Os outros quarenta e tanto, o “resto”, foram “lixo”.

    Aí…faltou o Maluf entre os “razoavelmente bons”.

Edgar Rocha

11/01/2015 - 18h10

Não me vejo qualificado para criar neologismos no jargão político de nosso país. Seria, portanto, um contrassenso dizer que Marta e muitos de seus desafetos representam o “burgo-esquerdismo” brasileiro? Claro, depende do que eu queira dizer com este termo, ora bolas.
O que quero dizer é que a Marta e muitos de seus criticados possuem uma formação esquerdista típica da concepção histórica forjada nas academias brasileiras das humanidades. Nossos intelectuais, seja por falta de colhão, seja por desvio de caráter, tem no “bojo” (que palavra horrorosa) de sua formação um emaranhado de premissas marxistas, trotskistas, leninistas… compondo uma construção ideológica capaz de associar os princípios mais diletos do pensamento de esquerda à luta descarada e inescrupulosa pelo lugar ao Sol no jogo político brasileiro. Para eles, a força das massas é, com toda certeza, o mote capaz de infringir as pressões necessárias para se dividir o bolo da representatividade política. Isto, a despeito do fato de que, a burgo-esquerda e a direita são vinho da mesma pipa, frequentam e ocupam os mesmos espaços na sociedade e se estapeiam pelo fato de que as instâncias de poder não têm lugar pra todo mundo que se sinta apto a ocupá-las. É pouca tapioca pra muito cacique. Resta ajuntar os excluídos e formar seu mote particular pra conquistar seu espaço e garantir um revezamento mínimo. A despeito das cotoveladas constantes, no entanto, não ocorre nunca a traição de classe exigida a seus “colaboradores” do andar de baixo, caso queiram ter alguma participação. Esta elite é muito coesa, embora pouco ética, nas suas relações. Eles sabem os limites da disputa com seus vizinhos. O engraçado, é que em época de campanha, o lado B desta moeda única aparece como fiel representante dos carregadores de piano, dos porta-estandartes das lutas e das legendas, como se sua vitória implicasse na representação efetiva da classe subalterna e dos interesses dos que acreditaram em suas propostas. Claro, os burgo-esquerdistas são cheio de boas intenções. Muitas propostas são boas e, quando implantadas beneficiam os mais humildes (caso do CEU, por exemplo). Mas, já não consigo mais olhar como sendo estas conquistas reflexo da luta política e do compromisso com a cidadania mais alijada dos direitos. Muito menos acredito que as limitações no avanço das conquistas sociais sejam fruto das pressões infringidas pelo lado conservador representado pela oposição direitista. Acho que há coisas que, se depender do PT, nunca sairão do papel, por mais apropriado que seja o momento para alcançá-las. Gente como a Marta ou a direção do PT, tem feito de tudo pra conter as reivindicações, culpabilizando seus opositores por não poderem abraçar com fé as bandeiras que pregam durante as campanhas. Se a Marta sair, não muda nada, a não ser o fato de que o bolo será um puco menos dividido. Volte ela pra televisão, faça programas de auto-ajuda. Seu espaço está garantido na sociedade.

Responder

Mauro

11/01/2015 - 16h37

Por que Dilma e Padilha foram tão mal em São Paulo?

Não foi um voto pró-Aécio (Neves), foi um voto dado ao falso moralismo,campanha desenvolvida pelo PIG. Esta é a resposta correta.

O que vai ocorrer com o PT?

O PT é um Partido que sobrevivi a crises e deixou bem claro que não vai se tombar a interesses pessoas de qualquer militante,o PT ainda tem uma democracia interna que é capaz de salvar o Partido.
Assim Marta deveria ter respondido.

Responder

Rodrigo

11/01/2015 - 15h30

Alckmin X Mercadante em 2018?

Vish…

Responder

FrancoAtirador

11/01/2015 - 15h20

.
.
Há mais coisas entre o Falcão e a Águia

do possa imaginar nossa vã Petêlogia.
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Responder

    FrancoAtirador

    11/01/2015 - 16h35

    .
    .
    Marta Suplicy

    Por Valter Pomar*, em seu Blog

    É muito importante ler a entrevista que Marta Suplicy concedeu a Eliane Cantanhêde no dia 10 de janeiro de 2015 (ver ao final, na íntegra).

    Para os que conhecem os bastidores do Partido e do governo, há na entrevista tanto fatos sabidos, quanto “versões martistas” que mereceriam correções factuais ou de interpretação.

    Contudo, embora a discussão sobre tais fatos e versões seja seguramente o mais saboroso, não é nem de longe o mais importante na entrevista de Marta.

    O mais importante está contido no bordão que finaliza a entrevista: “ou o PT muda ou acaba”.

    Ideia similar está na boca e mente de muita gente. Gente de direita, de centro e de esquerda. Amigos do PT e inimigos do PT.

    Tanta gente e tão diversa falando coisa parecida demonstra basicamente: 1) o papel central que o PT ocupa na vida política nacional; e 2) a total divergência existente acerca do conteúdo da tal mudança, que tanto uns quanto outros consideram essencial para a sobrevivência do PT.

    Vejam o caso desta entrevista de Marta: sua crítica à Dilma e sua crítica ao PT estão diretamente relacionadas com o elogio à “equipe econômica” encabeçada por Joaquim Levy e às preocupações do grande empresariado (os “30 PIBs” paulistas, Lázaro Brandão inclusive!!!).

    Sendo generoso, está implícito que para Marta mudar o PT é mudar em direção aos interesses e preocupações do grande empresariado.

    Isto posto, derivo três outras conclusões desta entrevista de Marta Suplicy.

    A primeira delas: todas as mudanças que o PT já fez, todas as moderações, todas as concessões, todo o pragmatismo, não são suficientes para as pessoas que pensam como Marta Suplicy.

    A verdade é que, para tal fração política e social, a mudança só seria plenamente satisfatória se e quando.. acabar com o PT enquanto partido dos trabalhadores.

    A segunda conclusão é: mudando ou não, seja em que direção for, seja com que velocidade for, o PT certamente perderá uma parcela de seus atuais filiados, militantes e eleitores.

    Assim, deste ângulo do problema. a questão é: quem estamos perdendo e podemos vir a perder e por quais motivos?

    Gente fazendo críticas pela direita (ou seja, questionando os conflitos do PT com o empresariado e com setores da direita)?

    Ou gente fazendo críticas pela esquerda (ou seja, questionando as concessões do PT e de seus governos ao empresariado e a setores da direita)?

    Visto deste ângulo, Marta não é a regra: a maior parte das pessoas que saíram do PT nos últimos anos e meses, saiu fazendo críticas pela esquerda.

    Sempre lembrando que — como vimos no caso de Luíza Erundina, Heloísa Helena e Marina Silva — há pessoas que saem criticando as alianças do PT com a direita, mas terminam fazendo alianças com a direita contra o PT,

    A terceira conclusão é a seguinte: embora sejamos o Partido dos Trabalhadores, entre nossos dirigentes há gente muito importante que adota o modo de pensar de outra classe social.

    No caso de Marta, não se trata apenas do conteúdo político-econômico de suas preocupações, mas da forma “principesca” como ela enxerga a política, tanto no país quanto no partido.

    Vejamos alguns exemplos deste modo de pensar, que faz tudo girar em torno da ação de determinadas personalidades.

    Os erros e acertos da presidenta Dilma ao tratar com os gravíssimos problemas da economia nacional e internacional são resumidos da seguinte forma: “Era preciso mudar a equipe econômica e o rumo da economia, e sabe por que ela não mudou? Porque isso fortaleceria a candidatura do Lula, o ‘Volta, Lula’.”

    As divergências internas do PT acerca da tática nas eleições de 2014 e 2018 são resumidas assim: “Mercadante mente quando diz que Lula será o candidato. Ele é candidatíssimo e está operando nessa direção desde a campanha, quando houve um complô dele com Rui e João Santana (marqueteiro de Dilma) para barrar Lula”.

    E o próprio papel de Marta no PT é tratado da seguinte forma: “Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas. É um partido cada vez mais isolado, que luta pela manutenção no poder. E, se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada”.

    Como nos antigos livros de história, toda a análise política feita nesta entrevista de Marta Suplicy gira ao redor dos “príncipes”, das pessoas importantes. O papel do povo, das massas, das classes, das bases, da militância aparece no máximo como acessório.

    Aliás, quem a “impossibilitou” de disputar e exercer algum cargo no PT? Que culpa o Partido como um todo tem, por ela ter aceito um determinado método decisório?? Foi “o partido” que “se acovardou” ao “recusar um debate sobre quem era melhor”???

    É verdade, como alguém já me explicou, que não se trata apenas de um “erro de método” cometido por Marta e outras pessoas como ela.

    Existem dezenas de milhões de pessoas que acreditam que a política resume-se a luta entre os pares da nobreza. Estes milhões agem de acordo com esta crença. E, ao fazerem isto, efetivamente tendem a transformar a luta política num espécie de conflito entre “carreiras pessoais”.

    Nestes termos, não é contraditório que Marta critique a “luta pela manutenção do poder”. Pois, como todos sabem, para um determinado setor é mesmo deplorável que a classe trabalhadora lute pelo poder, ao mesmo tempo que é considerado louvável que uma pessoa lute por cargos.

    Acontece que uma das razões pelas quais foi fundado o PT –e uma das razões pelas quais quais existe todo o movimento socialista desde o século XIX — é fazer com que a emancipação da classe trabalhadora seja obra da própria classe trabalhadora.

    O que inclui, entre outras coisas, fazer com que a política seja ato cotidiano de centenas de milhões de pessoas e não um ofício restrito a uns poucos milhares.

    Um dos subprodutos da aristocratização da política é fortalecer, em algumas camadas do povo, o sentimento anti-política, sentimento que ao fim e ao cabo ajuda na manutenção do status quo econômico e social.

    O “interessante” é que o crescimento da influência do modo de pensar e do modo de agir burguês na cúpula do Partido está criando situações difíceis não apenas para o PT como um todo, mas também para os que compartilham aquele ponto de vista.

    Pode ser necessário sair de um partido, por exemplo devido a divergências programáticas ou estratégicas. Mas quando se participa da luta política em defesa de um projeto de poder para a classe trabalhadora, em defesa de uma democracia popular, em defesa de reformas estruturais democrático-populares, em defesa do socialismo, há muito mais “espaço” para todos e todas contribuírem.

    O mesmo não acontece quando — dada a premissa da defesa dos interesses do grande empresariado– a luta política é organizada com base nos projetos pessoais e nas “carreiras”. Neste caso, não há mesmo “espaço” suficiente. E uma eventual ruptura com o Partido não decorre principalmente de divergências programáticas e estratégicas; ainda que possam existir, tais divergências são acentuadas artificialmente, para tentar dar respeitabilidade a motivações de outro tipo.

    Por isto, não me comovo nem um pouco ao saber que Marta passou dois meses “chorando, com uma tristeza profunda, uma decepção enorme”, se “sentindo uma idiota”, ao mesmo tempo que declara ter “portas abertas e convites de praticamente todos” os partidos.

    O que me provoca uma preocupação realmente profunda é saber que Marta está longe de ser a única, na cúpula do Partido, a encarar desta forma a luta política.

    Como já dissemos noutro texto, se quisermos não apenas seguir governando, mas principalmente seguir transformando o Brasil. é essencial que a esquerda, especialmente o PT, construa não apenas uma nova estratégia mas também um novo padrão de organização e atuação.

    * Valter Pomar é historiador e militante do PT

    (http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/518837-10-anos-de-pt-no-governo-e-uma-esquerda-socialista-de-massas-entrevista-especial-com-valter-pomar)
    (http://www.pagina13.org.br)
    (http://valterpomar.blogspot.com.br/search?updated-min=2011-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2012-01-01T00:00:00-02:00&max-results=50)
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    Regina Braga

    12/01/2015 - 10h37

    O melhor de tudo é o debate. A estrutura partidária deve reconhecer que alguma coisa está errada,o pt vai ter que necessariamente,re-pensar.Tenho certeza que pode fazer isso.Mas quando falam de pessoas que deixaram o pt..acabam omitindo…Plinio de Arruda,Helio Bicudo…engraçado que esses nomes foram importantes e nunca foram chamados de traidores.O pt precisa sim,mudar!

    L@!r [email protected]+e5

    12/01/2015 - 17h58

    Hélio Bicudo foi dar entrevista em jornal falando mal do partido ESTANDO no partido?
    Plínio Arruda se aliou com banqueiros para derrubar o PT?
    Essa é a diferença!

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