VIOMUNDO

Renato Rovai: A chamada mídia técnica versus a qualidade democrática

22 de março de 2013 às 15h33

Renato Rovai: No Brasil, a concentração hoje na comunicação é indecente

por Renato Rovai

Há um debate em curso acerca dos critérios adotados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) em relação à compra de publicidade que parecem ser técnicos, mas que na realidade têm alto conteúdo político. Sem ser exatamente político.

No final de 2009, mais precisamente no dia 16 de dezembro, a Secom- PR publicou uma instrução normativa nº 2. A partir daquele momento, o governo federal e seus órgãos passaram a ser regidos por essa norma em conjunto com o que prevê o decreto 6555/2008.

Essa legislação é baseada num conjunto de critérios que, na opinião da diretoria da Altercom, está sendo interpretado a partir de uma lógica mercadista que não atende ao espírito público no que diz respeito ao comprometimento com a multiplicidade informativa necessária para o fortalecimento da democracia.

Um dos pontos que têm prejudicado sobremaneira as pequenas empresas de comunicação é a redação e a interpretação do artigo 6o, inciso III, alinea c, da norma que dispõe sobre a “tática de mídia”.  Ele diz que:

a apresentação de critérios de distribuição dos investimentos por meio, considerados os objetivos da ação; indicação dos períodos de veiculação; defesa da programação de veículos e respectiva distribuição de peças, de acordo com os objetivos de alcance e audiência.

 Atualmente a  Secom-PR tem pautado demasiadamente sua ação pelos “objetivos de alcance e audiência”, o que favorece os grandes veículos em todos os segmentos, incluindo internet, onde se poderia fazer uma ação muito mais forte de valorização dos pequenos empreendimentos de comunicação.

Mas não é só isso. A partir desse artigo, a Secom também passou a interpretar  que a compra de espaços publicitários deve comparar como iguais os desiguais. Ou seja, que o valor relativo da publicidade nos pequenos veículos tem que ser semelhante ao dos grandes.

Trocado em miúdos, que mil page views num grande portal têm de ter o mesmo valor ou preço semelhante a mil page views num blogue. Ou que o custo relativo da página de uma revista segmentada deve ser semelhante para 1 mil exemplares ao que Veja oferece ao governo.

Nem tecnicamente isso se justifica, porque sabemos que na grande audiência a dispersão é muito maior. Além do que, se esse critério vier a ser o principal, sempre os grandes serão favorecidos porque terão mais condições de barganha.

É a mesma lógica da concorrência entre o grande hipermercado e a pequena quitanda. Quem tem escala sempre tem vantagem.

Para que isso não amplie ainda mais a concentração no setor, a Altercom defende que se estabeleça uma nova regra para compra de publicidade governamental. A de que 30% de todos os recursos publicitários governamentais sejam destinados às pequenas empresas de comunicação. E que esse novo regramento conviva com a norma de 2009 com algumas adequações.

Isso precisa ser considerado até porque os grandes grupos recebem muito mais recursos do que sua força ponderada nos hábitos de comunicação do brasileiro. Há muita gente se informando pela longa cauda do processo informativo. E isso tem sido desprezado em nome das facilidades de operação com os chamados players do mercado.

Hoje, aliás, são as pequenas empresas que asseguram boa parte do contraponto informativo no país. Sem elas, teríamos um processo de uma só voz em favor de interesses muito mais privados do que públicos. Não é novidade dizer que os grandes grupos informativos brasileiros representam os grandes grupos econômicos.

No Brasil, já há legislações em alguns setores que utilizam critérios próximos aos que a Altercom defende. Como na  compra de alimentos para a merenda escolar, onde se estabeleceu um percentual para a agricultura familiar. Ou como na lei do audiovisual, onde há também critérios regionais para distribuição dos recursos.

Mas não fosse só essa distorção que vem prevalecendo a partir da interpretação da norma publicada no final de 2009, nos últimos tempos um outro componente passou a fazer parte do rol de critérios para o que se convencionou chamar de mídia técnica.

A nova gestão da Secom estabeleceu uma regra de categorização dos veículos. Regra que não é clara e que nem foi publicizada, mas que, segundo alguns agentes da publicidade nos ministérios e empresas públicas, tem levado a Secom-PR a rejeitar várias sugestões de programação em veículos. O argumento seria o de que se o órgão vier a fazer publicidade num veículo teria de fazer nos outros da categoria a que ele pertence. Quem está pagando o preço dessa categorização novamente têm sido as pequenas empresas.

Do ponto de vista prático, a partir do momento em que esse critério de categorização passou a ser usado, quase todas as pequenas empresas representadas pela Altercom tiveram sua receita de publicidade via Secom reduzida. Em alguns casos, houve uma diminuição de quase 50% de 2011 para 2012 e sem que o veículo tivesse diminuído seu alcance.

É disso que se trata quando se fala que houve mudança de rota nos investimentos de publicidade governamental. É disso que reclamam diretores de muitos produtos de comunicação.

Enfim, parece um debate técnico. Mas não é somente técnico. Parece um debate político. Mas também não é somente político. É também um debate sobre o país que desejamos construir. A pluralidade informativa de um lugar está diretamente conectada à sua qualidade democrática. E hoje o Brasil tem aberto mão de melhorar sua democracia em nome de um mercadismo pouco eficaz e, além de tudo, injusto.

A Folha de S. Paulo (vejam bem, a Folha) registrou em recente matéria que 70% das verbas da Secom no período do governo Dilma foram  destinadas a apenas 10 veículos. Os outros milhares de veículos ficaram com apenas 30%. Certamente desses muitos ainda eram grandes empresas. Se a concentração em outros setores no Brasil é absurda. Na comunicação ela é indecente. E isso também guarda relação com a distribuição das verbas públicas de publicidade.

Renato Rovai é presidente da Associação Brasileira de Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Comunicação (Altercom), editor da Revista Fórum e professor da Faculdade Cásper Líbero.

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Investigação VIOMUNDO

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RicardãoCarioca

23/03/2013 - 15h03

Enquanto isso, o PSDB continua perseguindo a mídia:

http://www.tecmundo.com.br/google/37901-diretor-da-google-no-brasil-tem-habeas-corpus-negado.htm

Responder

    RicardãoCarioca

    23/03/2013 - 15h04

    A mídia alternativa, para deixar claro.

Rodrigo Leme

23/03/2013 - 09h58

Mais um que quer que o governo paguemos sua falta de leitores.

Responder

FrancoAtirador

23/03/2013 - 00h50

.
.
OS PRÓPRIOS JORNALISTAS QUE TRABALHAM PARA ESSAS EMPRESAS

NÃO AGÜENTAM MAIS A DITADURA IMPOSTA PELA MÍDIA BANDIDA
.
.
Jornalista demitido revela que “em uma empresa de comunicação, questionar não é permitido”

Essa é a realidade que você não vê na telinha.

O que realmente acontece dentro das redações enquanto os opinólogos da velha mídia, diante das câmeras ou em suas tradicionais colunas, enchem a boca e o lápis para falar da tal da “liberdade de expressão”, e até para condenar os países da região que tiveram a coragem (que o Brasil ainda não teve) de transformar o panorama das comunicações.

Podem ter certeza, muitos jornalistas que trabalham hoje nessa velha mídia vão se identificar com a indignação expressada nessa carta, mas em silêncio, pelos mesmos motivos relatados por ela.

“Em uma empresa de comunicação, questionar não é permitido”

Do blog da Cris Rodrigues, via Maria Frô

Tive hoje a oportunidade de ler uma carta escrita, como disse um amigo, com o fígado, não com as mãos. Trata-se de um agora ex-funcionário do Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS em Santa Catarina, que colocou no papel toda a frustração por ter que sair de um emprego de muito tempo por absoluta falta de condições de trabalho. Sua demissão, como ele conta na carta, foi acertada com o jornal, depois de 25 anos de RBS. Ali ele fala em “prepotência”, em “opressão”, em “tirania” por parte da administração atual. Pra quem critica a RBS desde a adolescência pela má qualidade do jornalismo praticado, é um agravante e tanto um cara que estava ali dentro há duas décadas e meia, que parecia realmente gostar da empresa, não aguentar mais. E na carta ele ainda cita mais 17 outros nomes que teriam saído pelos mesmos motivos, além de outros que continuam no grupo insatisfeitos.
Quando eu vejo uma carta assim, fico com emoções divididas. Por um lado, acho ótimo que as coisas estejam aparecendo e que as pessoas percam o medo de se manifestar contra esse tipo de situação. Por outro, a cada coisa dessas, fico triste por constatar, de novo, a situação do jornalismo no Brasil. Fico triste de ver que o grupo que detém o monopólio da comunicação no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina consegue ser cada dia pior e ainda assim manter esse monopólio.

Mas não deixa de ser engraçada a contradição desse pessoal. Vale atentar para uma passagem da carta do ex-funcionário do Grupo RBS, já lá no final:

Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Vende a diversidade de opiniões… Pois é, uma empresa que treme ao ouvir falar em Conselhos de Comunicação, que brada contra marco regulatório, que acusa qualquer tipo de regulamentação de censura. Regulamentação, vale dizer, que o Reino Unido – que se enquadra naquele grupo de países que sempre são exemplo de civilização para a mídia brasileira – está fazendo neste momento. Regulamentação – se quiserem, eu desenho – serve pra colocar em prática o que diz a Constituição e garantir a pluralidade da comunicação no Brasil, coisa que não acontece quando bem poucos grupos dominam todo o mercado, impondo apenas uma visão a toda a sociedade. Duzentos milhões de pessoas são obrigadas a ler, ouvir e ver o que pensa uma única família, por pura falta de opção.

E aí a ironia vem, quando aparece uma carta dessas. A ironia de uma empresa que diz prezar pela liberdade de expressão – e pega em foice pra defendê-la – e cerceia seus próprios funcionários.

O jornalismo do Brasil é triste.

A publicação da carta – de alforria – foi permitida pelo autor.

Segue a íntegra:

“ACABOU!!! Hoje, depois de mais de 25 anos de RBS, fui demitido da empresa. Se, por um lado, é um momento de alegria, de júbilo, por ter sido aceito opedido que fiz para ser mandado embora (mesmo que por conveniência de que o fez, como a justificar a ação), por outro, é de profundo pesar pela situação que me levou a formular tão drástica solicitação – é muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida.

E é esta mesma postura crítica que me levou à situação extrema de pedir para ser desligado e que marcou minha atuação profissional nesses anos todos que me leva a fazer algumas considerações sobre o ambiente insalubre que tomou conta da redação do Diário Catarinense – mais do que em qualquer época em um quarto de século – nos últimos meses.

Inúmeras gestões se sucederam à frente do DC (redação). A cada editor-chefe – agora diretor – que assumiu seguiram-se momentos de tensão e, às vezes, ruptura, naturais no início de um novo trabalho, de um modo diferente de ver e conduzir as coisas. Até aí, tudo aceitável e dentro do esperado. Mas como o ser humano é imperfeito e o apelo para satisfazer o ego é imenso, muitos que detêm o poder ultrapassam, algumas vezes, o limite e agem com prepotência, idiotia – os sem-poder, como eu, também não estão livres. Tudo dentro da normalidade, desde que seja exceção. Mas quando vira regra, como agora, é abuso.

Aí está a grande diferença desta para administrações pretéritas: a prepotência tornou-se sistêmica, a opressão é o modus operandi. E se em situações um pouco mais estressantes vividas anteriormente se chegou a cogitar solução como a de agora – sair ou ser “saído” da empresa –, o trabalho (não o cargo) sempre garantiu a permanência, sempre foi um refúgio. Agora, no entanto, esta tábua de salvação não mais existe, pois a tirania, a opressão, age justamente aí: não deixa espaço para ninguém, para nenhuma ação e forma de pensamento que não a do tirano. Sem ter o que fazer, a não ser dizer amém, por que continuar? Como continuar?

Se alguém, como bom jornalista, contra-argumentar, levantando a hipótese de que talvez eu tenha uma visão equivocada, seja algo pessoal ou, quem sabe, que o modo de agir que eu esteja condenando seja o meu próprio, lembro que não estou só, que a lista dos que capitularam (foram demitidos, foram compelidos a pedir demissão e aceitaram qualquer emprego fora para se livrar ou mesmo resolveram ir para outro veículo dentro da RBS) fala por si – fala, não, grita. Aí vai uma parte do “obituário”: Guarany Pacheco, Eduardo Kormives, Roberto Azevedo, Márcia Feijó, Renê Müller, Mariju de Lima, Simone Kafruni, Tarcísio Poglia, Marcelo Oliveira, Gisiela Klein, Marcelo Becker, Ângela Muniz, Natália Viana, Larissa Guerra, Valéria Rivoire, Fernando Ferrary, Celso Bevilacqua – sem esquecer da Ceoli e da Jussara, da secretaria de redação, substituídas por um time de futsal de terceira divisão. Não lembro de todos os nomes, não citei os que foram para outros cantos da RBS e nem, é claro, os muitos outros que seguem no baile por absoluta falta de opção.

Em resumo:
Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Por fim, entendo que atualmente, na redação do DC, somente há lugar para a frustração ou para quem se dispõe, por afinidade, disposição ou interesse, a ser um “clone” do chefe da vez. Portanto, não há lugar para jornalistas no que verdadeiramente esta palavra, esta profissão significa – talvez haja lugar para marqueteiros, especialização da casa nos tempos mais recentes.

Lamento muito que o modo de pensar e agir de um só se sobreponha ao de tantos outros por força única e exclusivamente de um cargo ao qual, ao que parece, foi guindado erroneamente, sem de fato ser merecedor, o que não é tão incomum assim no meio jornalístico e dentro da RBS.

Chega!!!”

(http://mariafro.com/2013/03/20/jornalista-demitido-revela-que-em-uma-empresa-de-comunicacao-questionar-nao-e-permitido)

Responder

Fabio Passos

22/03/2013 - 23h51

Sustentar oligarquias decrepitas com dinheiro publico e um atentado contra a democracia.
O PiG e o sustentaculo do Apartheid social no Brasil. Direcionar rios de dinheiro publico para os bolsos de marinho, civita, frias e mesquita perpetua o atraso, o subdesenvolvimento e a injustica social.
A midia corrupta nao pode continuar mamando nas tetas do Estado.
E dever do governo distribuir a verba publicitaria de forma a garantir pluralidade de pensamento.
Chega de sustentar a midia que apoiou a tortura e os assassinatos de cidadaos brasileiros durante a ditadura.

Responder

    Mário SF Alves

    04/07/2013 - 11h15

    Tem de interditar essa máfia. E o mais rápido possível. Ah! A justificava? Sim, vejamos as respostas:

    Resposta I: a própria Constituição Federal do Brasil. É ela o principal instrumento legal a ser usado na interdição de qualquer uma das máfias que assolam este País.

    Resposta II: a prática compulsiva da mentira e da difamação; manipulação antidemocrática (vide direito de resposta concedido ao Brizola e em horário dito nobre); o sensacionalismo calhorda e oposição sistemática e ilegal ao Governo Federal eleito democraticamente.
    ________________________________
    Ah! A interdição privaria o povo das novelonas?
    _______________________________________________________
    Ah! A interdição favoreceria outras mídias “talvez” ainda mais lesivas à inteligência e ao patrimônio do povo?
    __________________________________________________________________
    Simples. Transformem essas máfias em empresas cooperativas. Aí, sim, pode despejar dinheiro em propaganda. Sem problema.

José Livramento

22/03/2013 - 22h46

http://truth-out.org/opinion/item/10476-the-careerists

Recomendação Azenha. Excelente texto sobre a “normalidade”, o cotidiano que oprime.

Responder

J Souza

22/03/2013 - 19h49

O tempo de propaganda da Globo é superfaturado!

Tem que ser investigado se alguém na SECOM está recebendo propina para beneficiar a Globo e as outras 9 empresas que sozinhas recebem 70% da verba publicitária do governo…

Responder

jõao

22/03/2013 - 18h50

Fundação Roberto Marinho, investigada por rombo nos cofres públicos, patrocina campanha de Eduardo Campos

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), já está em campanha para a Presidência da República. A Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) pagou, sem licitação, R$ 1 milhão para a Fundação Roberto Marinho. O dinheiro é só a primeira parcela referente ao projeto Museu Paço do Frevo, que o governo do presidenciável do PSB desenvolve em parceria com a Fundação Roberto Marinho. A fundação dos donos da Globo recebe também gordas verbas publicitárias do governo Eduardo Campos desde 2007, através da Secretaria de Educação. A Operação Voucher da Policia Federal….. Leia mais aqui

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/

Responder

abolicionista

22/03/2013 - 17h57

O PT ainda vai pagar caro por essa estupidez…

Responder

    Bonifa

    22/03/2013 - 23h15

    ?

Urbano

22/03/2013 - 17h18

O hibernardo foi adremente colocado no cargo… pra nem piar sobre alguma coisa.

Responder

    Urbano

    22/03/2013 - 17h19

    Eu quis dizer adredemente.

    francisco niterói

    22/03/2013 - 17h58

    Urbano

    Eu tenho muitas criticas ao bernardo mas nao é ele o responsavel por esta area.

    A secom é dirigida pela Helena Chagas, que por sua vez é controlada com mao de ferro pela dilma.

    Ou seja, as donas desta “putaria” denunciada pelo rovai sao a dilma/helena chagas, esta ultima ex-funcionaria do jornal o globo e que, na secom, prepara a sua volta triunfal para a casa dos marinhos quando acabar o governo dilma. E a comunicacao social que se estrepe com as mesquinharias dela e protecao da dilma.

    Bonifa

    22/03/2013 - 23h19

    Niterói, infelizmente a razão está com você. E mais: Quem não vê tudo, não pode ver um detalhe.

    MURILO

    06/07/2013 - 19h17

    Como diria Nelson Rodrigues isto é o óbvio ululante. Mas esta constatação nos é difícil de aceitar haja visto que se trata de uma pessoa, a dilma, que muitas pessoas fizeram campanha para ela de livre e espontânea vontade ,isto é, de coração mesmo e tudo indica que ela preferiu seguir o exemplo de Judas Iscariotes.

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