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Cartas de Minas

Reitor que cometeu suicídio reclamou de humilhação sob a PF em artigo de jornal

02 de outubro de 2017 às 15h18

Da Redação

No último dia 28, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina, publicou em O Globo artigo que agora, com o suicídio dele, é visto como sua carta de despedida. Eis o texto:

REITOR EXILADO

Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição.

No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”.

A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância.

Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere.

Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia.

Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC.

Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União.

Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa.

O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada.

Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos.

E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC.

Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões.

Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade.

É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento.

PS do Viomundo: O reitor cometeu suicídio hoje de manhã em um shopping de Florianópolis. Foi a delegada da PF Erika Mialik Marena, da Operação Ouvidos Moucos, que acusou o reitor de ‘obstaculizar investigações internas’.

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2 Comentários escrever comentário »

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Abdula Al Aziz

03/10/2017 - 12h18

Não aprendemos a lição como aconteceu a 20 anos atras com a Escola Base de Educação Infantil onde os proprietários foram acusados injustamente de pedofilia. Até quando vamos permitir reporcagem como estas e inúmeras que acusam pessoas sem provas e sem julgamentos??

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RONALD

03/10/2017 - 09h19

Resultado de uma política fascista e de exceção do Judiciário, que prende sem provas, que não permite defesa e que não convoca para audiência, simplesmente conduz coercitivamente. Parabéns ao Sistema Fascista que levou uma pessoa ao suicídio sem ampla defesa !!!!!! PARABÉNS !!!!!!!!

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