VIOMUNDO

Piketty: É um erro pensar que o Brasil agora precisa de mais mercado

28 de novembro de 2014 às 10h17

piketty_capital

É um erro achar que Brasil precisa de mais mercado, diz Piketty

RODRIGO VIZEU, na Folha de S. Paulo, sugestão de Antônio David

No dia em que o governo brasileiro oficializou um novo ministro da Fazenda simpático ao mercado, o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século 21″, afirmou considerar um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e menos intervenção na economia.

Piketty, que está no Brasil para promover o livro que lhe rendeu status de celebridade no debate econômico, não quis discutir especificamente a nova equipe econômica, mas afirmou que “seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social e para reduzir a desigualdade”.

Em seu livro, o francês sustenta que a desigualdade voltou a aumentar nas últimas décadas, beneficiando herdeiros e prejudicando a ascensão social, o que colocaria em risco a democracia.

Em entrevista à Folha, Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.

Folha – Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O sr. concorda?

Thomas Piketty – Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?

Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.

A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.

Falta transparência?

Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.

É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.

Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o sr. defende. Isso é suficiente?

Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.

Como seria a reforma?

A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.

É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.

Como na sua França natal?

Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.

É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.

O governo oficializou uma nova equipe econômica com um ministro da Fazenda mais ligado ao mercado e vindo de uma escola liberal. Que avaliação o sr. faz disso?

Não conheço o contexto político brasileiro, não posso me pronunciar. Quem quer que seja colocado no comando da política, qualquer que seja a orientação, os níveis de desigualdade muito altos que temos no Brasil devem ser questionados e tratados pelo governo, assim como a baixa progressividade do sistema fiscal.

Mas abordagem liberal e pró-mercado é boa ideia para enfrentar tais desafios?

Precisamos de mercado e também de poder público que tome decisões que permitam a cada um de se beneficiar da globalização e dos mercados.

Eu tento ir além dessas oposições um pouco teóricas e ideológicas. Creio que que seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social, que fez demais para reduzir a desigualdade, que agora é preciso mais mercado, menos intervenção, eu acho que isso seria um erro.

Apesar dos esforços que foram feitos em políticas sociais nos últimos 15 anos, o Brasil continua extraordinariamente desigual. O nível de investimento social, educacional para os desfavorecidos da população brasileira continua insuficiente.

O sr. defende que os estudos em economia levem em conta aspectos históricos, sociais, políticos e culturais. Isso é importante também para a gestão econômica do governo?

Sim, é importante para o governo também. A questão econômica é importante demais para ser deixada para economistas, que às vezes tentam fazer crer que dispõem de uma ciência realmente complicada que os outros não podem compreender e que é preciso deixá-los em paz. Isso é uma piada gigantesca.

O nome de seu livro, que remete a Karl Marx, e algumas de suas opiniões fazem que muitos o considerem anticapitalista.

O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria e tem necessidade de inimigos anticapitalistas. Não sou esse inimigo. Creio no capitalismo, na propriedade privada e nas forças do mercado.

Nasci tarde demais para ter a menor tentação que seja pelo comunismo de tipo soviético. Isso não me interessa. Ao mesmo tempo, acho que temos necessidade, basta ver a crise de 2008, de instituições públicas muito fortes para regular o mercado financeiro e as desigualdades produzidas pelo capitalismo.

Sua defesa de um imposto global sobre grandes fortunas já foi feita por outros autores e nunca avançou. Não é ingênuo crer que seja realmente possível contrariar tantos interesses contrários?

Não precisamos esperar ter um governo mundial, um imposto unificado mundial para fazer progressos, se não arriscamos esperar um longo tempo. Podemos fazer progresso por etapas e a nível nacional. Há diferentes formas de imposto sobre capital e patrimônio em cada país, que podem ser melhorados de forma mais progressiva. Em seguida podemos progredir na cooperação internacional, como já tem sido feito quanto aos paraísos fiscais.

Como o sr. demonstra, a desigualdade no século 20 só caiu em um contexto de crise e reconstrução das sociedade após duas guerras mundiais. Seria mesmo possível algo tão ambicioso em tempos de paz?

As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solução esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma globalização que seja mais justa, que beneficie diferentes grupos sociais em proporção equilibrada. Se não, é a própria globalização que arrisca ser questionada.

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Eduardo Lima

01/12/2014 - 09h39

Texto cruel… a urubulina vai cortar os pulsos… É preciso repensar algumas prioridades de investimento. Ajustar a economia para que o desenvolvimentismo permaneça, de preferência livre do financismo total. É preciso, ainda, uma série de medidas políticas e econômicas que pensem o suporte às multidões que ascenderam da pobreza para a base da classe média. Refiro-me à Classe C. É preciso informar melhor, proporcionar melhor acesso à saúde e a educação e aliviar o peso dos impostos sobre essa parcela da população. A série de textos abaixo reflete sobre esses temas:

Informação Independente:
http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR2.html

Saúde:
http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR3.html

Educação:
http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR4.html

Introdução:
http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR.html

Responder

Mário SF Alves

29/11/2014 - 22h16

Ao Bacellar:
“Re-correlacionar? Tá marinando Marião? Hehehehe…”
________________________
Não. Conscientemente, com certeza, não.

Mas, descobri uma coisa. De fato, é possível supor que os povos do mundo, especialmente os do Ocidente, não prescindam mais da esquerda como vanguarda de sua libertação e re-humanização.

Por outro lado, pode ser que ainda sejam mesmo imprescindíveis a ação e do referencial teórico da esquerda. Não sei.

Temo que nessas alturas dos acontecimento [vide a ponta do iceberg: Ucrânia e última votação na ONU contra a glorificação do nazismo e outros crimes], prescindamos muito mais da capacidade bélica da China e da Rússia.

E, claro, sem marinismos, e sem mudar de assunto, prescindamos quase que igualmente da intransigente defesa da Floresta Amazônica e de sua inigualável capacidade termostática/regulação de chuvas. Quanto a isso não há sofisma ou ceticismo que dê conta. Senão, veja:

“Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é a de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?

Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.”
_______________________________
Claro, tem-se de verificar/correlacionar/confirmar essas monstruosos conclusões numéricos, até porcujo original encontra-se em:

http://leonardoboff.wordpress.com/page/4/

Responder

    Mário SF Alves

    30/11/2014 - 00h13

    Ih, detonei o significado do verbo prescindir.

    Lamento.

Mário SF Alves

29/11/2014 - 19h38

Ao Abolicionista, em referência ao comentário a seguir:

“Vicente, pode até ser, mas ele não menciona isso no livro. Ele realmente enfatiza em várias passagens que está fazendo um recorte “puramente econômico”. Eu acho difícil acreditar que será possível manter um PIB mundial crescente indefinidamente, por mais que essa escassez seja prevista, há um momento em que a crise energética, por exemplo, pode criar barreiras intransponíveis…”
________________________
Pois é, caro Abolicionista, até lá, até esse sonhado momento, que apenas pela ABOLIÇÃO, pela liberdade e pela re-humanização do Ocidente chegará, quem sabe, nesse dia, já não estaríamos em condição de não somente colonizar, mas, sobretudo, de humanizar outras “galáxias”? Pense nisso.

Sei que é difícil; sei nossa cultura arraigada e derivada das contradições que movem nosso lindo Planetinha Azul, não nos permite muito nessa seara, mas, ainda assim… pense sobre isso.

Responder

    abolicionista

    30/11/2014 - 12h08

    Caro Mário, acho que teríamos condições para pensar essa e outra saída pra humanidade, como a superação do indivíduo por um tipo de inteligência coletiva bio-virtual. Contudo, há um problema: a gente tende a pensar a ciência como um campo separado da lógica do capitalismo contemporâneo (financista), mas a gente sabe que, hoje, o mercado de patentes (e a indústria bélica, mas isso é outra história) é quem dita a lógica do desenvolvimento científico. Consequentemente, há uma tendência para que se efetivem somente os avanços científicos ditados pelo mercado, que interessem ao mercado. O desenvolvimento de um automóvel que prescinda de gasolina é o caso exemplar: há tempos já existe a possibilidade de substituir totalmente a tecnologia atual, mas o lobby do petróleo não permite. Um caso mais absurdo, a meu ver, foi o do ebola. Existia um remédio experimental, mas ele só saiu da gaveta quando os estadunidenses adoeceram (e, mesmo depois disso, não será fabricado em larga escala). Porque não interessa investir num remédio que não tem saída comercial. Enfim, vale lembrar que a racionalidade do nosso capitalismo esconde uma irracionalidade de fundo, e esse é o talvez hoje o pior dos problemas, porque nós precisamos racionalizar a produção e a distribuição se quisermos evitar o risco de colapso. Isso exigiria, em primeiro lugar, a criação de um mercado mundialmente regulado, uma união fiscal global. Seria também preciso criar algum tipo de órgão político mundial supra-nacional capaz com poder efetivo. Ou seja, a gente vai se aproximando de uma forma contemporânea de comunismo… o problema é que não há espaço para a imaginação política, de forma que se tornou mais plausível hoje imaginar o fim do mundo do que uma mudança estrutural no modo de produção de mercadorias. É a racionalidade irracional que eu mencionei…

    Mário SF Alves

    01/12/2014 - 00h16

    Caro Abolicionista,

    Só agora pude ler sua sensata e atenciosa observação.

    Obrigado. Vou pensar a respeito.

    Abs.,

    Mário.

Samuel K

29/11/2014 - 01h02

E o pior, é que os aposentados quem ganha acima de 1 salario minimo, a cada ano mais de 200 mil aposentados passam simplesmente a ganhar apenas um salario minimo, vejam a injustiça, dois trabalhadores resolvem se aposentar, um ganha 01 salario minimo, o outro R$ 1.000,00, o primerio continuará ganhando 01 salario minimo, o segundo perderá 40% do salario, e pasará a ganhar apenas R$ 600,00, como a lei não permite menos que o salario minimo, este ganhará 01 salario minimo, se um cidadão se aposentar com 02 salarios minimos, em pouco tempo, os dois estará ganhando igual, para os aposentados que ganha acima de 01 salario minimo, o governo do PT está “MUITO RUIM”, o governo do PT, manteve as “INJUSTIÇAS” do famigerado fhc.

Responder

    Mário SF Alves

    29/11/2014 - 18h20

    Se a coisa for do jeito que você relata não é difícil imaginar a causa da indignação que tomou conta do meu vizinho aposentado, que, por conta dela, votou nele, no Aéocio.

    _____________________________
    E a corda… como sempre… pocando do lado mais fraco.

    Enquanto isso… no Orçamento da União… quanto é mesmo que sai limpinho pelo ralo no pagamento de juros da Dívida Pública Interna?

    Dívida pública/credores/rentistas: 15.000 famílias.

O Mar da Silva

28/11/2014 - 16h59

A vira-lata Folha dando holofote a um gringo por ideias que muitos brasileiros j´s defendem há anos. E tentando tirar uma lasquinha quando falou da escolha do Levy pela Dilma e sua ligação com a ortodoxia.

Coisa ridícula!

Responder

FrancoAtirador

28/11/2014 - 12h52

´.
.
O Órgão do TJ/SP declarou nesta quarta-feira (26) Constitucional
a Lei 15.889/13, do Município de São Paulo,
que trata da Base de Cálculo do IPTU Progressivo na Capital Paulista.

Com isso, foi cassada a liminar que suspendeu os efeitos da lei em dezembro do ano passado.

A decisão foi proferida em duas ADIns propostas pelo PSDB, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp e outras entidades representativas.

Processos Nº:

0201865-26.2013.8.26.0000

0202182-24.2013.8.26.0000

(http://esaj.tjsp.jus.br/cpo/sg/search.do?conversationId=&paginaConsulta=1&localPesquisa.cdLocal=-1&cbPesquisa=NUMPROC&tipoNuProcesso=UNIFICADO&numeroDigitoAnoUnificado=0201865-26.2013&foroNumeroUnificado=0000&dePesquisaNuUnificado=0201865-26.2013.8.26.0000&dePesquisaNuAntigo=)
.
.

Responder

    FrancoAtirador

    29/11/2014 - 01h25

    .
    .
    MAIS DA METADE DOS DOMICÍLIOS DE SÃO PAULO

    TERÁ ISENÇÃO OU REDUÇÃO DO IPTU EM 2015

    Município de São Paulo

    IPTU Residencial 2015

    Total de imóveis residenciais: 2,6 milhões

    1,1 milhão de imóveis (40%) estão ISENTOS do IPTU

    e 348 mil imóveis (12%) terão REDUÇÃO do Imposto.

    (http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/mais-da-metade-dos-domicilios-de-sao-paulo-tera-isencao-ou-reducao-iptu-2015)
    .
    .

    FrancoAtirador

    29/11/2014 - 01h43

    .
    .
    Aos cerca 454 mil proprietários prejudicados
    pela ação judicial do PSDB e da FIESP,
    que tiveram que pagar IPTU em 2014,
    quando pela nova Lei deveriam estar isentos
    ou teriam direito à redução do imposto,
    a Prefeitura de São Paulo fará compensação
    ou restituição dos valores pagos a maior.

    A decisão do TJ-SP permite atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) da cidade de São Paulo, mas é importante ao contribuinte compreender que a metodologia de cálculo proposta pela Prefeitura reequilibra o pagamento do imposto na cidade a partir da diferenciação de três zonas fiscais distintas, onde varia o preço do metro quadrado construído.

    Como o metro quadrado construído é base de cálculo do valor venal do imóvel e, portanto, do IPTU, isso significa que nos bairros mais periféricos da cidade, que tiveram menor valorização imobiliária, haverá redução média no pagamento de imposto das residências.

    “Um imóvel nos Jardins e um imóvel em Parelheiros, a parte que é 70% do valor dele, que é o custo da construção, era considerado o mesmo valor unitário.
    Nós julgamos que isso não refletia a realidade do mercado.
    Então, criamos valores de mercado e isso faz com que o valor da PGV fique mais realista”,
    afirmou o secretário municipal de Finanças, Marcos Cruz.

    Dos 2,6 milhões de domicílios, cerca de 1,1 milhão (cerca de 40% do total) são isentos de imposto.
    Outros 348 mil (12% do total) vão pagar menos.

    O valor médio do IPTU para imóveis residenciais
    terá redução em 53 dos 96 distritos da cidade
    a partir de 2015 (veja o gráfico abaixo)*.

    As maiores quedas acontecem nos distritos de Cidade Líder e Parque do Carmo, na zona leste, que terão redução média de, respectivamente, 17% e 17,4% no próximo ano. Os distritos de São Rafael (-13,8%), Anhanguera (-14,5%), Ermelino Matarazzo (-14,5%) e São Miguel Paulista (-14%) também terão redução média em 2015.

    Isenção
    Além da isenção para imóveis residenciais com valor venal de até R$ 160 mil e terrenos com valor até R$ 90 mil, a lei prevê que imóveis em nome de aposentados com rendimentos até três salários mínimos (R$ 2.172) também não paguem IPTU.

    Para os aposentados com rendimento até quatro salários (R$ 2.896) haverá um desconto de 50%.

    Para os casos de renda até cinco salários (R$ 3.620,00),
    o desconto será de 30% no valor do imposto.

    Antes da Lei Municipal nº 15.889/2013, que atualiza a Planta Genérica de Valores (PGV), a isenção era para imóveis residenciais de valor até R$ 97,5 mil e terrenos até R$ 73,8 mil.

    Os aposentados com rendimento acima de três salários mínimos não tinham desconto.

    Perdão e restituição

    Para equilibrar os efeitos que a aplicação direta da Lei 15.889/13 teria sobre os contribuintes, a administração municipal decidiu,
    e se comprometeu com isso perante o TJ-SP, a enviar um projeto de lei
    que perdoa qualquer pagamento adicional em 2014,
    a fim de não prejudicar contribuintes pela discussão judicial sobre a questão.

    Em 2014, por força da liminar que suspendeu a atualização da PGV, a Prefeitura atualizou o valor do imposto com a reposição da inflação de 5,6%.

    Agora, com a Lei Municipal nº 15.889/2013 considerada válida,
    em tese os contribuintes que teriam aumento do IPTU em 2014
    precisariam pagar a diferença ainda neste ano.

    Medida beneficia cerca de 1,6 milhão de contribuintes, que não terão de fazer um pagamento adicional até o fim de 2014.

    Os contribuintes que deveriam ser isentos ou teriam redução do seu IPTU em 2014, cerca de 454 mil, a Prefeitura fará a compensação ou restituição dos valores pagos a mais.

    Estes contribuintes devem aguardar comunicação da Prefeitura com instruções sobre como proceder.

    “Quem pagou a mais vai ter uma devolução. Quem pagou a menos vai ter a remissão, ou seja, o perdão do que deixou de pagar. Para esse ano de 2014, não vamos ter nenhuma arrecadação adicional e vamos devolver alguma coisa em torno de R$ 160 milhões para as pessoas prejudicadas pela ação movida contra a Prefeitura”, disse o prefeito Fernando Haddad.

    Reajuste nos imóveis residenciais
    Dos 43 distritos da cidade onde moradores terão aumento médio de IPTU, 17 terão aumento médio até a inflação prevista, de 6,5%. Outros 11 distritos terão aumento médio entre 6,5% e 10%. Um aumento médio entre 10% e 15% será aplicado em 15 distritos. Em toda a cidade, cerca de 80 mil residências (3% do total) terão aumento até a inflação. Outros 50 mil domicílios (2%) terão reajuste entre 6,5% a 10%, e 900 mil (cerca de 34%) terão reajuste de 10% a 15%. Cerca de 240 mil residências (em torno de 9%) terão reajuste entre 15% e 20%.

    Para o IPTU de 2015 será aplicada a trava máxima de reajuste de até 20% para o imóvel residencial. Esse teto será aplicado com base no IPTU 2013, desconsiderando a inflação aplicada em 2014 – logo, o aumento máximo para imóveis residenciais será em torno de 15%.

    “Nós estamos cumprindo a lei, mas de forma diluída em quatro anos. Isso tudo vai dar tempo para as pessoas se adaptarem. Agora, quem tiver desconto, tem o desconto imediatamente. Não é diluído em quatro anos”, afirmou o prefeito.

    *(http://www.capital.sp.gov.br/static/2014/11/8bgukiqIw2qaWqs5yukM8Q.pdf)

Leo V

28/11/2014 - 12h32

O último parágrafo é o mais importante:

Se não houver movimento social revolucionário, não haverá reforma no capitalismo. É o que ele diz de maneira bem light.

Responder

    Mário SF Alves

    29/11/2014 - 15h44

    “Movimento social revolucionário”?

    Defina isso, Leo V, por favor.

    Não é o que estou pensando não, é? Você não está preconizando dar um banho de sangue no País não, está?

    Ou será que não é nada disso?

    Será que o que você realmente vê, conhece e propões é algum outro caminho de fato viável e que não seja este?

    Ah, já sei, MSR seria um repeteco com respectivo upgrade esquerdocêntrico do junho/13. É isso?
    _________________________
    E, francamente, você acha que os povos do mundo ainda prescindem de uma vanguarda de esquerda?

Bacellar

28/11/2014 - 12h23

Essa pauta é antiga mas dura de passar…O congresso é majoritariamente formado por milionários que dificilmente se auto-taxarão. Que um impostos sobre herança e propriedade sérios, e não essa piada que são no Brasil, seriam fundamentais para distribuição de renda e ajuste fiscal é ponto passivo. Como operacionalizar?
Pauta boa pra demandar na rua. Foda é a quantidade de zé-coxinha lobotomizado pelas doutrinas liberais defendem com unhas e dentes o direito à herança total alheia.

Responder

    abolicionista

    28/11/2014 - 13h52

    Caro Bacellar, você percebe que sua argumentação volta ao ponto de partida, né?

    Bacellar

    28/11/2014 - 19h30

    Mmm, e no caso desse post bem mal escrita por sinal…Paciência, foi na pressa, hehehehe.

    Meu nobre, continuarei a contrapor as posições de que o momento pede ruptura com o “lulismo”. Nisso discordo totalmente do Singer e Safatle, que insistem há tempos tratar-se de um modelo esgotado. Não penso dessa forma; desgastado sim esgotado não. Adoraria acreditar que existe uma correlação de forças, não só no congresso, senado e tribunais mas na sociedade civil também, que permitisse o confronto aberto. Simplesmente não consigo enxergar isso.

    Só eu vejo o quanto o primeiro mandato escaldou Dilma em relação aos conflitos e quedas de braço? Mantega e Tombini…Porretada pra baixo na Selic pra 7%, tarifas elétricas, tentativas de controle de inflação por compras e subsídios…Tudo isso foi bater de frente com os donos do capital. O primeiro mandato foi tudo menos passivo.

    Não da pra dar cabeçada o tempo todo. Em julho de 2013 estivemos a beira do colapso, nas vésperas da Copa idem. A margem da eleição foi curta. Hora de escolher com todo cuidado os campos de batalha.

    Desculpe se eu me repito e busco explicar a mesma coisa de formas diferentes várias vezes….Influência de Marx deve ser isso…Hehehehe.

    Mário SF Alves

    29/11/2014 - 15h59

    Sutil, heim, prezado Abolicionista?

    ______________________________

    “Adoraria acreditar que existe uma correlação de forças, não só no congresso, senado e tribunais mas na sociedade civil também, que permitisse o confronto aberto. Simplesmente não consigo enxergar isso.”
    ________________________________________
    Ora, prezado Bacellar, se a questão é essa, e tenho “n” razões para acreditar que é, então, o que esgotou não foi o tímido ensaio desenvolvimentista, mas, tão somente, a “maltrapilha e rota” (?) correlação de forças.

    Re-correlacionar é disso que se trata.

    Resta saber “como”; e é isso que precisa ser construído. E é isso não convém ignorar.

    A propósito, parece que o Leo V tem um caminho. A bem da verdade, não sei qual, mas…

    Bacellar

    29/11/2014 - 18h52

    Re-correlacionar? Tá marinando Marião? Hehehehe…

Abolicionista

28/11/2014 - 12h02

“reforma fiscal”, “imposto progressivo sobre patrimônio”, “imposto sobre herança”. No Brasil, isso é considerado bolchevismo, o PT tem até medo de tocar nesses assuntos…

Responder

FrancoAtirador

28/11/2014 - 11h47

.
.
“O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria
e tem necessidade de inimigos anticapitalistas”

Por exemplo, os Gâgsters da Mídia-Empresa braZileira:
o Capo Civita, sócio da Naspers que publica o Detrito da Marginal;
o Capo di tutti i Capi Marino, dono das Organizações Mafiosas Globo;
e, inclusive, o Dono do Jornal Folha de S.Paulo,
patrão do jornalista a quem o Picketi deu a entrevista.
.
.

Responder

Rodrigo Leme

28/11/2014 - 11h05

O último livro dele é um primor, um guia de soluções concretas para a desigualdade, acima de blá blá blá e demagogia política. Deveria ser matéria de escola.

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    Abolicionista

    28/11/2014 - 12h05

    De fato, mas não dá conta de responder à questão ecológica. Diz que, em termos piramente econômicos, acha possível manter um crescimento constante. Haverá mundo para tanto?

    Vicente

    28/11/2014 - 21h28

    Sim
    Economia e ecologia partem das mesma premissa : perspectiva de escassez de recursos.
    O problema não são as idéias, é haver pessoas dispostas a implementa-las.

    abolicionista

    29/11/2014 - 14h43

    Vicente, pode até ser, mas ele não menciona isso no livro. Ele realmente enfatiza em várias passagens que está fazendo um recorte “puramente econômico”. Eu acho difícil acreditar que será possível manter um PIB mundial crescente indefinidamente, por mais que essa escassez seja prevista, há um momento em que a crise energética, por exemplo, pode criar barreiras intransponíveis…

Tulio

28/11/2014 - 10h53

Tipo colocar que quem ganha 700 reais é classe média?

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