Marcos Coimbra: Dilma terá 56% dos votos válidos em 3 de outubro | Viomundo - O que você não vê na mídia
Viomundo – O que você não vê na mídia
 
Política
23 de agosto de 2010 às 19:15

Marcos Coimbra: Dilma terá 56% dos votos válidos em 3 de outubro

Estimativas para 3 de outubro

Marcos Coimbra 23 de agosto de 2010 às 11:33h

Na CartaCapital

Do jeito como vão, as eleições presidenciais não devem nos reservar surpresas de reta final. Ao contrário. Salvo algo inusitado, elas logo adquirirão suas feições definitivas, talvez antes que cheguemos ao cabo da primeira quinzena de veiculação da propaganda eleitoral na tevê e no rádio.

Por várias razões, a provável vitória de Dilma Rousseff- em 3 de outubro será saudada como um resultado extraordinário. Ao que tudo indica, ela alcançará uma coisa que Lula não conseguiu nem quando disputou sua reeleição: vencer no primeiro turno. Não que levar a melhor dessa maneira seja fundamental, pois o próprio Lula mostrou ser possível ganhar apenas no segundo e se tornar o presidente mais querido de nossa história.

É preciso lembrar que Lula não a obteve em 2006 por pouco, apesar de sua imagem ainda sangrar com as feridas abertas pelo mensalão. Ele havia chegado aos últimos dias daquele setembro com vantagem suficiente para resolver tudo ali mesmo e só a perdeu quando sofreu um ataque sem precedentes de nossa “grande imprensa”.

Aproveitando-se do episódio dos “aloprados”, fazendo um carnaval de sua ausência no debate na Globo, ela balançou um eleitorado ainda traumatizado pelas denúncias de 2005. Lula deixou de vencer em 1º de outubro, o que, no fim das contas, terminou sendo ótimo para ele. No segundo turno, a vasta maioria da população concluiu o processo de sua absolvição, abrindo caminho para o que vimos de 2007 em diante: ele nunca mais caiu na aprovação popular e passou a bater um recorde de popularidade atrás de outro.

Com as pesquisas de agora, é difícil estimar com precisão quanto Dilma Rousseff poderá ter no voto válido. Não é impossível que alcance os 60% que Lula fez, no segundo turno, na última eleição. E ninguém estranharia se ela ultrapassasse os 54% que Fernando Henrique obteve em 1994, com o Plano Real e tudo.

Para fazer essas contas, é preciso levar em consideração diversos fatores. Um é quanto Marina Silva poderá alcançar, a partir dos cerca de 8% que tem hoje. Há quem imagine que ela ainda cresça, apesar do mísero tempo de televisão de que disporá. Com uma única inserção em horário nobre por semana e um tempo de programa praticamente idêntico ao dos candidatos pequenos, não é uma perspectiva fácil.

O segundo fator é o desempenho dos candidatos dos partidos menores, dos quais o mais relevante é Plínio de Arruda Sampaio. Muito mais que seus congêneres de extrema esquerda, ele pode se transformar em opção para a parcela de eleitores que vota de forma mais ideo-lógica ou que apenas quer expressar seu “protesto”. Embora as pesquisas a respeito desse tipo de eleitor não sejam conclusivas, isso pode, talvez, ocorrer em detrimento de Marina: à medida que Plínio subir, ela encolherá. O que não afetaria, portanto, o tamanho do eleitorado que não votará em Dilma ou Serra.

Para, então, projetar o tamanho da possível vitória de Dilma, o relevante é saber o piso de Serra. Se ele cairá, considerando seu patamar atual, próximo a 30%.

Só o mais otimista de seus partidários acredita (de verdade) que a presença de Lula na televisão será inútil para Dilma e que seu apelo direto ao eleitor não produzirá qualquer efeito. Ou seja, ninguém acredita que ela tenha já atingido seu teto, com os 45% que tem hoje.

O voto em Serra tem, no entanto, três fundamentos, todos, aparentemente, sólidos:

1. É um político respeitado no maior estado da federação, que governou, até outro dia, com larga aprovação.

2. Representa o eleitorado antipetista, aquele que pode até tolerar Lula, mas que nunca votou e nunca votará no PT.

3. Tem uma imagem nacional positiva, conquistada ao longo da vida e, especialmente, quando foi ministro da Saúde. De São Paulo deve sair com 45% dos votos, o que equivale a 10% do País. O antipetismo lhe dá mais cerca de 10% e a admiração por sua biografia no restante do eleitorado, outro tanto (tudo em números redondos).

Se essas contas estiverem corretas, Serra teria pouco a perder nas próximas semanas. Em outras palavras, já estaria, agora, perto de seu mínimo.

Fica simples calcular o resultado que, hoje, parece mais provável para 3 de outubro: Serra, 30%; Marina e os pequenos, 10%; brancos e nulos, entre 8% e 10% (considerando o que foram em 2006 e 2002, depois da universalização da urna eletrônica); Dilma, entre 50% e um pouco menos que 55%. Nos válidos: Marina (e os pequenos) 11%, Serra 33%, Dilma 56%.

Talvez seja arriscado fazer essas especulações. Talvez não, considerando quão previsível está sendo esta eleição.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

 

Gostou? Compartilhe.

 

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.



leia também

Maurício Caleiro: A novilíngua “dissimulada e sussurante”

Governo Dilma mimetiza o conservadorismo

Heloisa Villela: Gastos da ONU no Haiti garantiriam mais de 100 hospitais

US$ 800 milhões anuais nas operações de paz

Cynara Menezes: ACM já morreu

Invistam nos brasileiros, não nos turistas

Altamiro Borges: Dilma rasga o discurso de campanha

Nos aeroportos

Feministas comemoram escolha de nova ministra das Mulheres

Eleonora Menicucci de Oliveira, professora da Unifesp

Utopos da Silva: Tucanos enfurecidos desnudam Alckmin

Sobre a “cobra vai piar”

Psol: Governador, a responsabilidade é toda sua

Jacques Wagner e a greve de PMs da Bahia

Bahia: Exército cerca PMs em greve

Paralisação começou em 1º de fevereiro

Eduardo Febbro: O giro à esquerda dos socialistas franceses

Sobre a candidatura de François Hollande à presidência

Movimento “Somos Todos Pinheirinho”

Em Lisboa, Madri, Buenos Aires, Berlim, Paris…

Articulação de Mulheres Negras Brasileiras contra a MP 557

Revogação imediata, devido a equívocos e armadilhas

Emir Sader: Política, democratização ou mercantilização?

Sobre o financiamento de campanhas

Cresce número de entidades contra MP 557

União Brasileira de Mulheres e Conselho de Psicologia

Distrito Federal diz que não faz desocupação tucana

Recurso ao diálogo. Dizem

Ignacio Ramonet: “O neoprogressismo pode ter vários anos pela frente”

Na América do Sul

PSDB ataca; PT contra-ataca

Em torno do Pinheirinho

Marcio Sotelo Felippe: O Pinheirinho e a banalidade do mal

Algumas reações invocam Hannah Arendt sobre Adolf Eichmann

Emiliano José: A população de São Paulo há de acordar

PSDB, Torquemada e pensamento trevoso

O que Stedile disse a Dilma em Porto Alegre

Cobranças com humor

Repórter Brasil: A fala de Dilma em Porto Alegre

Ambientalismo, Código Florestal, MP 557, reforma agrária…

A ‘revolução’ de 64, vivinha da silva

No site do DNOCS, por exemplo

Gilson Caroni Filho: África, não basta cantar “We are the world”

Um novo canto é preciso

O fascismo social e o silêncio conivente da esquerda

O Brasil não precisa de inimigos externos

As fotos que surpreenderam os internautas

Lula, Alckmin, FHC, Dilma

Pancho Villa: Um debate sobre o marco regulatório

Da TV Câmara



Vi o mundo Reprodução de conteúdo autorizada com menção da fonte. As opiniões expressas no site são de responsabilidade dos autores.