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Emir Sader: Sob o poder de três ditaduras

11 de dezembro de 2012 às 01h54

Mais luta política

Para Emir Sader, movimentos sociais também precisam eleger sua bancada no Congresso

26/11/2012

Pedro Carrano, no Brasil de Fato, sugestão do assalariado

de Curitiba (PR)

“A luta essencial é entre mercado e direitos. A gente quer tirar do mercado e colocar na esfera dos direitos e eles querem mercantilizar. A linha demarcatória é entre neoliberalismo e antineoliberalismo”, define o sociólogo Emir Sader, quando questionado sobre o que é ser de esquerda nos dias de hoje.

Sader esteve em Curitiba para o lançamento de seu livro As Armas da Crítica – Antologia do Pensamento de Esquerda (Editora Boitempo, ao lado de Ivana Jinkings). Em coletiva cedida à imprensa sindical e de esquerda, organizada pelo sindicato de professores estaduais (APP-Sindicato), o que era para ser uma conversa pontual sobre um lançamento tornou-se uma reflexão sobre a crise econômica e a disputa em torno da manutenção do modelo neoliberal, por um lado, e as tentativas populares de romper essa hegemonia; o que passa, de acordo com Sader, pela questão de os movimentos sociais retornarem à disputa na esfera política.

Brasil de Fato – Qual caracterização o senhor faz do atual momento da crise mundial?

Emir Sader – É inerente ao capitalismo a crise. Como Marx reconheceu no próprio Manifesto Comunista, o capitalismo tem uma extraordinária capacidade de transformação da realidade, mas não distribui renda para consumir o que produz. Então, periodicamente o Capital tem crises, que alguns chamam de superprodução e outros subconsumo. A produção cresce e falta consumo, então o paradoxo é que sobram mercadorias nas estantes. Ao invés de distribuir renda para consumir, a crise manda embora trabalhadores e aumenta-se mais ainda a crise. Só que o capitalismo achava que o mercado recompõe isso. Na crise, as empresas que eles consideram fragilizadas, digamos, quebram e o capitalismo retoma seu ciclo de crescimento, num patamar mais baixo, mas mais saudável. Desta vez, não está acontecendo isso. Porque na fase neoliberal do capitalismo, o que é hegemônico é a especulação e não a produção.

Como se dá este embate no campo da política? A impressão é que, na opinião pública, se polariza entre alternativas neoliberais e o resgate do keynesianismo.

O grande diagnóstico dos dirigentes capitalistas quando terminou o ciclo expansivo econômico anterior foi o de que a economia deixou de crescer porque havia muita regulamentação e ‘muito Estado’. Então, é preciso liberar a livre circulação do Capital, tirar as travas para que circule. A grande norma passa a ser a desregulamentação, o livre-comércio. Ao fazer isso, não vem um ciclo produtivo e expansivo. Porque o Capital não é feito para produzir, mas para acumular, se ele consegue isso na acumulação é para lá que ele vai. Então, em escala mundial, há uma brutal transferência de capitais do setor produtivo para o especulativo. Hoje, mais de 90% das trocas econômicas no mundo não são compra e venda de bens, são basicamente compra e venda de papéis.

Ele [sistema capitalista] está numa fase particular, diferenciada. O neoliberalismo não teve um ciclo produtivo porque na verdade canalizou recursos para a especulação. A crise explode diretamente no sistema financeiro, bancário. E a hegemonia de ideias é neoliberal. Estão dando soluções neoliberais para a crise na Europa, estão jogando álcool no fogo. Tanto que a Dilma jogou isso na cara da Angela Merkel: cortando [direitos trabalhistas, previdenciários] só se leva a mais recessão e desemprego. Essa é a interpretação dominante.

A outra [solução] é a da reativação keneysiana, um pouco o que a América do Sul está fazendo. Algo óbvio. Na crise se investe mais em políticas sociais, distribui a renda para aumentar a demanda. Como fizemos em 2008. O que tem uma solução, do ponto de vista imediato, anticíclica, funciona relativamente. Tanto que a América do Sul é um polo de desenvolvimento ainda. Falta-nos a demanda deles, mas em outra circunstâncias a crise seria avassaladora. Já existe uma multipolaridade econômica mundial, pela integração regional, pela relação com a China, e também pelo mercado interno de consumo. A visão crítica disso é que é uma solução defensiva em relação à crise.

Se você não muda estruturas econômicas de poder, isso tem limites. Nosso continente foi vítima das transformações mundiais negativas, como a crise da dívida, ditaduras militares, governos neoliberais, e que desarticularam a estrutura industrial, abriram aceleradamente a economia, enfraqueceram o Estado. Então temos coisas paradoxais: os produtos primários agrícolas e energéticos são prioridade na exportação do comércio exterior, então exportamos soja e fazemos política social. Melhor assim, mas de qualquer maneira é uma soja ligada ao agronegócio. Então, temos limitações estruturais, porque a estrutura mundial ainda é hegemonizada pelo neoliberalismo. Só tem saída com a integração regional.

Houve o crescimento de renda nos governos Lula e Dilma, mas isso não parece interferir na consciência de classe. O senhor poderia comentar esse processo?

Essa é a maior disputa no mundo hoje. Os EUA são decadentes como potência militar, política e econômica, mas a maior força deles é a força ideológica. O modo de vida estadunidense é a mercadoria mais forte que eles têm, que penetra na China, penetra na periferia dos pobres, são valores determinantes, que ninguém compete com eles. No Brasil, não se está gerando uma nova forma de sociabilidade, correspondente à democratização econômica e social. Isso não está sendo acompanhado de valores. Hoje o risco não é tanto o consumismo, mas quem é que influencia os processos mesmo eleitorais? É a mídia e são as igrejas evangélicas. O movimento popular está muito fragilizado no seu processo de mobilização e também de difusão de ideias. São Paulo foi pega desprevenida neste sentido. Vivemos três ditaduras que são os obstáculos maiores: a ditadura do dinheiro, que é o capital financeiro, ditadura da terra, que é o agronegócio, e a ditadura da palavra, que é o monopólio da mídia, o que dificulta essa criação de consciência nova.

E qual o papel dos sindicatos, cuja atuação parece muito restrita aos seus interesses econômicos? Difícil porque, nas grandes transformações do mundo, os trabalhadores foram vítimas especiais, não só na esfera produtiva, nas políticas de flexibilização laboral, que enfraquece a base dos sindicatos, mas o próprio mundo do trabalho ficou invisibilizado – parece que ninguém mais trabalha. A jornada hoje não é de oito, mas de doze horas. Esse é o cotidiano das pessoas, que não está em lugar nenhum. Não tivemos muitas gerações de trabalhadores a ponto de gerar uma cultura operária no país, nem sequer na base, tampouco na literatura. São poucas coisas. No mundo rural sim. Então, nas novelas da Globo, que criam o imaginário nacional, o trabalhador não existe. Então, o que ocupa as pessoas o tempo todo, que é o trabalho alienado, não aparece, não está em lugar nenhum. Não está em editoria de jornal.

Quais são os espaços para essa disputa ideológica?

Mesmo sem financiamento público de campanha, o movimento popular deveria eleger sua bancada no Congresso. Sei que não é fácil. Olhamos o Congresso, há retrocessos ou se bloqueia avanços. O agronegócio tem uma bancada fenomenal, e apenas dois representantes de trabalhadores rurais. Quantos representantes os educadores têm no Congresso? Se tem, nem sequer atuam como bancada. Já de donos de escolas privadas está cheio.

Hoje, uma estratégia insurrecional não é viável. A correlação de forças mundial mudou, basta ver a situação de impasse na Colômbia, a América Central se reciclou. Se os zapatistas e o MST militarizassem sua luta seriam massacrados. Então, [a luta] é pela democratização do Estado. É preciso penetrar no Estado, não de qualquer modo. O parlamento é um lugar não só para ter líderes políticos e sindicais. Reclamamos, com razão, que o governo nem colocou a lei de regulamentação da mídia em votação, mas você acha que neste Congresso, formado por donos de meios de comunicação, isso vai passar?

Como o senhor define o campo da esquerda hoje?

O capitalismo assumiu a roupa neoliberal. Veio de um modelo keynesiano, de bem-estar social, para um modelo liberal de mercado. Essa é a linha divisória. Ser de esquerda hoje, moderadamente ou radicalmente, é ser antineoliberal. A luta essencial é entre mercado e direitos. A gente quer tirar do mercado e colocar na esfera do direito e eles querem mercantilizar. A linha demarcatória é neoliberalismo e antineoliberalismo. Há movimentos que são gritos desesperados que não encontram espaço na esfera política. Agora, diferente é o movimento dos estudantes no Chile, que tem organicidade com os sindicatos, fazem greve geral e levaram à quebra de legitimidade do governo Piñera.

Seria possível estratégias combinadas entre movimentos, partidos e governos?

A América Latina teve governos neoliberais na sua versão mais radical. Na década de 1990 tivemos um período de resistência contra essa hegemonia que era tão forte. Os movimentos sociais foram determinantes nessa época. Depois, surgiram governos alternativos. Era a hora de passar da resistência à disputa de hegemonia. Na época, a hegemonia dominante no Fórum Social Mundial era a das ONGs, tanto assim que se teorizou e os movimentos sociais entraram nessa sobre a ‘autonomia dos movimentos sociais’.

Autonomia em relação a quê? A gente falava antes de maneira ampla em autonomia em relação à burguesia e etc… Agora, autonomia em relação à política? A ONG sim, nasceu como sociedade civil conquistada. Os movimentos sociais entrarem nessa foi uma loucura. O movimento piquetero acabou na Argentina. Os zapatistas buscaram emancipar Chiapas, independente da luta política no México, são contra até o PRD e as soluções moderadas, em nome da ‘autonomia dos movimentos sociais’. Isso é algo pré-gramsciano. É não disputar a hegemonia. Então, foi fundamental os movimentos bolivianos se reunirem. Derrubaram cinco governos na Bolívia, criaram um partido para disputar a presidência, dando um salto de qualidade. Quem está, mal ou bem, construindo um outro mundo possível são os governos latino-americanos. O FSM devia ser o lugar onde os governos com os movimentos sociais sejam os pontos centrais dessa alternativa.

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13/12/2012 - 14h34

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Marduk

12/12/2012 - 14h17

Uma das entrevistas mais estúpidas que já li…

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12/12/2012 - 00h30

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Roberto Locatelli

11/12/2012 - 22h38

Para a população da Europa, a crise é a falta de emprego. Para o FMI e o BC Europeu, crise é quando os banqueiros e especuladores perdem dinheiro.

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assalariado.

11/12/2012 - 15h57

O Sr. Emir diz que a midia e as igrejas evangelicas, tem consistencia social, (eu concordo) que manobram a consciência do nosso povo. E que isso dificulta uma nova visão politica de mundo. Ponto para midia e os evangelicos, isso é sinal que eles vão em direção ao povo, do jeito deles, mas vão. Os sindicatos são meros reprodutores economicistas da luta de classes, servindo de correia de transmissão para o aumento da exploração do capital sobre o trabalho. Então, qual seria ou será, o papel de um partido politico de esquerda, nessa analise toda. Mesmo porque, o Sr. Emir em momento algum fala do papel central desses partidos nessa luta toda. Ou será que a função principal deles é ficar escondidos debaixo da mesa dos legislativos e gabinetes?

Então porque os partidos ditos de esquerda não vem ao encontro das massas assalariadas e sua prole (somos por volta de 70% da nação) e esclarecem a importancia de se ter uma bancada forte no congresso nacional uma (HEGEMONIA POLITICA e IDEOLOGICA), a qual tanto os debaixo e seus aliados politicos necessitam. Não é esse, um dos campos de disputa pela hegemonia da sociedade, e que a burguesia “republicana” tanto elogia e a chama de “Estado Democratico de Direito”. Em que ponto dessa história os partidos das esquerdas entram nessa luta? A cada 2 anos eleitorais? Além do mais, volta e meia vemos as “esquerdas” votando leis junto com a burguesia, seja do campo ou da cidade.

Oras, porque não colocar na mesa (e na consciencia do povo) que a luta em questão, é entre os neoliberais e os antineoliberais. Passou da hora. Os gritos e gemidos deseperados de nosso povo, não encontram eco aonde deveriam encontrar. Imagino, deveriam estar (dentro e atuando em partidos), e é, justamente porque esses mesmos que se dizem do povo, estão e faz tempo, de costas para essas massas exploradas. Ou seja, a organicidade politica de um povo esta ligada diretamente a um partido organico que, por sua vez e obrigação politica e ideologica, devem atuar junto ao massas, só assim o dito povão entrará de fato e de direto para dentro do Estado (de mala e cuia) que, por ora, é campo absoluto do capital. Está na hora das esquerdas quando se espelham e dão um exemplo de organicidade social de outro povos é, se olhar para dentro, parar de ter vergonha e dialogar com a nação e dizer: Nós somos de esquerda, temos um projeto de sociedade e de poder, que tal?

Sim, vivemos três ditaduras que são os obstáculos maiores:

1) a ditadura do dinheiro, que é o capital financeiro,

2) ditadura da terra, que é o agronegócio,

3) e a ditadura da palavra, que é o monopólio da mídia, o que dificulta essa criação de consciência nova.

Então pergunto eu: O que essa triplice aliança, tem haver com os tres poderes de Estado (executivo, legislativo e judiciario). Falem a verdade, eles( a triplice aliança burguesa), se camuflam muito bem por dentro do Estado´. E não é que é? Construirmos a HEGEMONIA DE ESQUERDA, na sociedade e no parlamento, essa é a senha.

Abraços HEGEMONICOS.

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Jayme Vasconcellos Soares

11/12/2012 - 15h30

Se Dilma expressou à chanceler da Alemanha, Senhora Ângela Merkel, que “cortando direitos trabalhistas, previdenciários só se leva à recessão e desemprego”, ela está caindo em contradição, pois vem adotando esta mesma política econômica: a Presidenta está atingindo direitos adquiridos pelos aposentados, não lhes concedendo o devido e necessário reajuste salarial, para compensar a inflação. Ela está desviando os recursos da previdência social, que deveriam ser utilizados para este fim, para manter o “buraco negro”, malfadado superávit primário.
Alegar que a Previdência Social é deficitária, para não dar este aumento, é uma grande falácia; isto pode custar muito caro ao PT, nas próximas eleições.

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Mário SF Alves

11/12/2012 - 13h20

Em relação a uma das três ditaduras, a da palavra, como bem observado pelo Sader, e, em se tratando daquela corporação/concessão pública que manteve (ou mantém) relações duvidosas com a norte-americana Time Life, e que se beneficiou fortemente da ditadura implantada em 1964 é importante considerar que um dos seus “noticiários televisionados” ainda recebe o nome de Jornal Nacional. Nacional, companheiros! Nacional! Pois então, aquilo que em essência foi um dia considerado entulho autoritário, resquício da ditadura, continua até hoje, e mais forte ainda; potencializou-se.

__________________________________________
Enquanto isso, nós, aqui, ingenuamente acreditando que com o fim da ditadura no Brasil e uma vez extinto o IMPÉRIO DO MAL, a ex-URSS, e o respectivo fim do temido COMUNISMO, tudo voltaria ao normal; que a supressão de todo e qualquer entulho autoritário e a consequente consolidação da democracia seria ato e gesto normalíssimo, corriqueiro até. Ledo engano, companheiros, ledo engano.

________________________________________________
Vejamos um exemplo. A prepotência sobre os mais fracos é considerada ação deplorável até nas leis de trânsito. O mesmo se pode dizer em relação àqueles que jamais puderam assistir a um istmo de EDUCAÇÃO POLÍTICA por meio dessas ditas concessões públicas em seus ditos noticiários. O mesmo se poderá dizer em relação àqueles [brasileiros, europeus e outros] que, econômica e/ou idelogicamente, e COVARDEMENTE, sempre foram condicionados a NÃO TEREM VOZ ante a prepotência do sistema econômico hegemônico vigente; os mesmo que, pior e a exemplo da realidade do trânsito, são diuturnamente massacrados.

Afinal, o que mudou com o fim do IMPÉRIO DO MAL? Onde foi parar seu contraponto, o seu oposto, o IMPÉRIO DO BEM? Livre, leve e solto, quem bem aventuranças andará promovendo? Ou será que, enfim, é realmente isso que temos visto: o império mudou para pior. E por que isso? Hipótese pra lá de tola: será que é porque anda tendo de gastar zilhões de dólares com sua própria defesa contra os adeptos do Bin Laden, contra os poderosos palestinos, contra os líbios, contra os iranianos, contra os chineses, contra os norte-coreanos, contra os sírios, contra os venezuelanos e outros menos aparentes, todos igualmente terríveis e que ao menos descuido poderiam destruir ou sabotar a maior força militar sobre o planeta e assim destruir completamente o tão glorioso e imprescindível império do bem?

Ah! Sim, não respondamos. Deve ter uma explicação mais simples, mesmo porque, aquela vitória sobre a URSS e que mudou absoluta e irreversivelmente o mundo, quem sabe, não fez desencadear um novo problema. Pode ser que agora o “império do bem”, o portentoso Império Norte-Americano, o mesmo do “O DESTINO MANIFESTO”, do afamado American Way Life do tempo da gloriosa inimiga URSS, anda momentaneamente há décadas e décadas travado, ocupadíssimo em boicotar e conter o povo cubano, posto que Cuba, tão vasta e tão poderosamente armada com ogivas nucleares de última geração, pode vir a ressuscitar e ser a nova URSS. Tá explicado. Daí vale tudo, inclusive, continuar chamando de NACIONAL aquilo que, em essência, é, na melhor das hipóteses, TRANSNACIONAL.

Mas, afinal, o que é essa coisa de DESTINO MANIFESTO? Não seria quilo que os antigos judeus diziam que era sua própria condição divina? Não, não parece ser. Parece outra coisa de tipo somos os melhores em tudo, portanto, o mundo é nosso.
Parece que os nazistas que se empenharam em ajoelhar resto do mundo tinham essa mesma percepção. Então? Deu no que deu, fizeram escola, mas, quebraram literalmente a cara. Tudo por enorme culpa daquele maldito Império do Mal.

Pensando bem, talvez o único “destino manisfesto” que exista sobre a Terra, seja mesmo a morte. O resto é pura truculência e arrogância. E/ou tesão pela elitização e poder de compra que o dinheiro ainda garante.
E vamo que vamos… pra onde, só deus e a realidade sabem.

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João Brasileiro

11/12/2012 - 11h02

genital lacerda,

Você tem razão: “Se isso nao (sic)for a coisa mais triste que se possa imaginar…nao (sic)sei o que é.” Mas, você, que é uma pessoa inteligente, sabe muito bem que os chamados neoliberais sempre trabalham para o atraso, em favor do retrocesso. Enquanto for assim, será necessário que haja sempre, também, uma força antineoliberais.
Desta forma, o jogo continua empatado.
O mundo não caminha a passos largos para o bem, mas, por outro lado, retroceder, jamais.
Um abraço.

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Marcelo

11/12/2012 - 10h08

A mídia e as igrejas [principalmente as evangélicas] têm suas matrizes nos EUA e Europa, por isso eles são contrários às ações de governos trabalhistas.

A análise de Sader pode não ser peremptoriamente correta, mas é a melhor visão do período em que vivemos atualmente. Ou seja, a velha luta entre o Capital e o Trabalho.

Temos, portanto, de escolher entre Keynes e Smith. Fico com o primeiro.

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    Yawara Nanbiquará

    14/12/2012 - 11h01

    Então, Marcelo podemos dizem que os EUA não são um estado laico. São tão fundamentalista quanto seus oponentes, os Árabes de todo o oriente médio

    Yawara Nanbiquará

    14/12/2012 - 11h07

    Errata: Então, Marcelo podemos dizer que os EUA não é um estado laico. São tão fundamentalistas quanto seus oponentes, os Árabes de todo o oriente médio…

genital lacerda

11/12/2012 - 06h29

“A luta essencial é entre mercado e direitos. A gente quer tirar do mercado e colocar na esfera dos direitos e eles querem mercantilizar. A linha demarcatória é entre neoliberalismo e antineoliberalismo”….todas as utopias humanas de todos os seculos reduzidas a pueril esperança no bom funcionamento de…agencias reguladoras. Se isso nao for a coisa mais triste que se possa imaginar…nao sei o que é.

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