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Cartas de Minas
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Chico Alencar: O pacto de exclusão que governa o Brasil se rearranja

30 de setembro de 2013 às 04h45

Valter Campanato/Agência Brasil

‘Dever da esquerda é levar à disputa eleitoral questionamento à governabilidade conservadora’

Valéria Nader, no Correio da Cidadania, em 26.09.2013

Passado o vigor inicial das manifestações populares que varreram o país nesse ano, e que prosseguem de modo mais  difuso e menos massivo, ainda que intensamente, entra em cena novamente a disputa eleitoral.

Forças governistas e oposicionistas remexem-se fortemente no tabuleiro político e, ao que parece,  com olhos vendados à virada da conjuntura política – “testando, com cautela, a possibilidade de retorno ao patamar anterior às contestações de junho”, nas palavras do deputado federal pelo PSOL Chico Alencar, nessa entrevista ao Correio da Cidadania.

Dentre as forças do governismo, ensaia-se uma retomada da ofensiva política, mediante o que é tomado como uma recuperação da popularidade presidencial, com o lançamento de programas como o Mais Médicos, e  o arrefecimento das pressões da economia, a partir da divulgação de dados mais positivos em torno à criação de empregos e ao crescimento econômico.

Na oposição, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves são, por enquanto, as vozes mais eloquentes – fazendo grande barulho em suas ações, respectivas, de criação de um novo partido, entrega de cargos no governo ou insistência no chocho e desgastado discurso tucano.

Ainda bastante fora da sintonia de todo este radar político-eleitoral estão as discussões sobre a importância das eleições de 2014 para as esquerdas e o papel que devem desempenhar nessas eleições. Tarefa que, obviamente, nunca foi e não será desempenhada pela mídia grande e para a qual ainda está engatinhando a imprensa progressista e popular.

Para Alencar, “a importância das próximas eleições é abrir a oportunidade para que a esquerda colabore com essa multidão (já menos mobilizada, é verdade), de modo que  ela possa expressar um projeto político alternativo e autoconsciente, e não apenas insatisfações e demandas difusas”.

Nessa perspectiva, surge como imprescindível o questionamento dos mecanismos estruturais de reprodução da desigualdade social e política do Brasil, mantidos intocados pelos governos do PSDB-DEM, assim como pelos governos Lula e Dilma.

Basta, para tal, lembrar que, ainda hoje, nada menos do que 40% do orçamento público são integralmente destinados ao pagamento de juros e amortizações de uma dívida pública que há muito deveria ter sido auditada.

Confira abaixo entrevista exclusiva.

Correio da Cidadania: Os noticiários das últimas semanas trazem novamente à tona um cenário praticamente pré-eleitoral, com forças governistas e oposicionistas se remexendo fortemente no tabuleiro político. Primeiramente, como enxerga, no geral, este atual momento da política brasileira, à luz de todas as movimentações que tomaram conta do país desde junho?

Chico Alencar: A antecipação da disputa presidencial, com o lançamento no estilo personalista e despolitizado de candidaturas, deve ser vista como revelação de desarranjos no pacto de exclusão que nos governa. O “cansaço dos materiais”, ao mesmo tempo em que gera ruídos na governabilidade conservadora (vide algumas votações no Congresso Nacional), alimenta pretensões de rearranjo no interior esquema de poder.

Os partidos da ordem, tanto os que compõem a base do governo quanto os da oposição favoráveis ao modelo dominante, simulam grossa desavença, quando na verdade imaginavam, até a eclosão dos movimentos de junho, a eleição como escolha do melhor oficiante para a reprodução do mesmo modelo conservador.

A presença súbita de multidões nas ruas, sem lideranças visíveis ou aparatos organizativos, um fenômeno social absolutamente incomum, deu uma chacoalhada geral no processo e desarrumou agendas.

Todas as candidaturas tidas como viáveis pela mídia grande, diante do impacto provocado pelas manifestações gigantescas, se recolheram para uma quarentena de reflexão. E agora, cautelosas, testam a possibilidade de retorno ao patamar anterior às contestações de junho.

A insatisfação revelada naquelas manifestações, embora difusa, abre uma nova era de incerteza na política brasileira.  Mudou a qualidade estratégica da conjuntura, novos temas entraram com força na agenda do debate.

São fatos que, sem dúvida, podem determinar mudanças substanciais na disputa eleitoral que se avizinha. Os que julgam que o “gigante” voltou a dormir e retornam às suas práticas rebaixadas podem levar novo susto…

Correio da Cidadania: Com esse foco de análise, como vê a presença de Marina, fator novo nas eleições de 2010, e sua tentativa de criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade?

Chico Alencar: Até como projeção do desempenho alcançado nas eleições de 2010, fato que repercute nas pesquisas atuais de intenção de voto, trata-se de uma variável importante, e ao mesmo tempo incerta, na composição do cenário eleitoral de 2014.

Incerta porque ainda não se sabe, às vésperas do prazo limite, se ela conseguirá viabilizar o seu novo partido ou terá que se abrigar em algum outro.

São situações distintas que podem alterar o tipo de inserção de sua candidatura na cena geral da eleição. De qualquer forma, terá pouco tempo de televisão e dificuldades para articular candidaturas para os demais cargos de uma eleição geral (governadores, senadores, deputados federais).

Outra dificuldade, mais geral, está relacionada com a embocadura com a qual o seu partido foi lançado. O perfil político então delineado (“nem situação nem oposição, nem esquerda nem direita”) buscava situar a nova agremiação entre os que não questionam o modelo dominante, apenas advogam melhorias na sua gestão.

Se o lançamento do partido tivesse se dado depois das manifestações de junho, talvez Marina tivesse evitado esta embocadura torta, que pode ser prejudicial ao seu desempenho, caso a pauta da disputa presidencial sofra o impacto da turbulência de junho.

Correio da Cidadania: Programas como o Mais Médicos, ao lado do fôlego maior que ganhou a economia nacional, com as notícias sobre o aumento de emprego formal e a persistência de uma taxa de juros menor nos EUA (possibilitando contornar por um tempo maior a fuga de capitais internos), parecem concorrer para a recuperação da popularidade da presidente Dilma. Como vê esse governo para as próximas eleições?

Chico Alencar: O Mais Médicos é um paliativo, uma ação emergencial, não enfrenta os grandes problemas da saúde pública: o subfinanciamento e a tendência à privatização, com subvenção do governo federal aos planos de saúde privada.

A propaganda do governo e a polarização superficial criada pelos setores conservadores, contrários à vinda dos médicos cubanos, de fato ajudam esse paliativo a turbinar a imagem de Dilma Rousseff, no curto prazo.

Porém, como o Programa não traz soluções duradouras e estruturantes para a saúde, permanecerão, infelizmente, a precariedade do sistema público, a exploração abusiva e as deficiências dos planos privados, a terceirização e degradação das condições de trabalho dos profissionais da área…

O PT não conseguirá convencer a população de que o país está no rumo certo, no médio e longo prazo, se a realidade cotidiana de sucateamento e mercantilização da vida seguir mostrando o contrário.

Esse foi um dos grandes ensinamentos das manifestações de junho: cedo ou tarde, o povo deixa de depositar esperança em medidas pontuais, e expressa sua insatisfação, ainda que de forma difusa, com os limites do atual modelo econômico e político.

Correio da Cidadania: Acredita que a figura de Eduardo Campos, cujo partido, o PSB, acaba de entregar seus cargos no governo, com vistas a entrar na disputa de 2014, represente alguma ameaça à atual governante, ainda que seja como um fiel da balança, aliando-se ao tucanato ou a uma eventual candidatura Marina?

Chico Alencar: Eduardo Campos e o PSB não trazem questionamentos nem alternativas ao atual modelo de desenvolvimento. Trata-se de uma face nova do “mais do mesmo”.

É mais uma candidatura regida pela lógica “peemedebista”, sem um programa claro de mudanças estruturantes para o país. Uma das evidências mais eloquentes do seu esvaziamento programático é que Campos tem levado políticos tradicionais da direita para o PSB, a exemplo do “socialista” Paulo Bornhausen (ex-DEM e PSD), que dirigirá o partido em Santa Catarina. Sua candidatura à Presidência provavelmente disputará votos tanto do PT como do PSDB, e deverá contribuir para que as eleições cheguem ao segundo turno.

Correio da Cidadania: A presença e o papel das esquerdas, em face desse cenário eleitoral, mal entraram na agenda política. Qual a  importância das eleições de 2014 para esse espectro político, em face de toda a movimentação social que tomou conta do país a partir de junho, colocando no centro da agenda política a vontade popular?

Chico Alencar: A multidão que saiu às ruas protestou por serviços públicos, gratuitos (“tarifa zero”) e de qualidade (no “Padrão FIFA”), assim como pelo direito à real participação política, contra a corrupção entranhada na democracia representativa e a repressão policial às lutas sociais. Essas são pautas históricas das esquerdas.

A importância das próximas eleições é abrir a oportunidade para que a esquerda colabore com essa multidão (já menos mobilizada, é verdade), de modo que  ela possa expressar um projeto político alternativo e autoconsciente, e não apenas insatisfações e demandas difusas.

Para isso, devemos assumir postura “freireana”: sem deixar de apresentar nossa visão de mundo, com honestidade e clareza, dialogar e aprender com a diversidade dos saberes e das lutas populares, para que sirvamos como instrumentos do seu empoderamento. A disputa eleitoral de 2014 precisa ser aproveitada como uma grande oportunidade para esse diálogo.

Correio da Cidadania: E qual é o papel das esquerdas nas eleições de 2014, em face daqueles que, a seu ver, são hoje os principais problemas do Brasil, incluídos os instrumentos para a efetivação de uma verdadeira democracia?

Chico Alencar: Nosso papel central nas eleições é vocalizar o clamor social por mudanças profundas na organização política e socioeconômica do Brasil. A luta não é por ajustes pontuais, “não é apenas por 20 centavos”.

Temos o dever de levar à disputa eleitoral o questionamento às bases do atual modelo de desenvolvimento e à governabilidade conservadora que o sustenta, além de apontar caminhos para a sua superação.

O condomínio “peemedebista”, formado pelo governo e pela oposição conservadora, é incapaz de oferecer soluções reais para a precariedade dos serviços públicos, a violenta segregação urbana, a crise socioambiental, a ofensiva conservadora contra direitos de minorias…

Lula e Dilma, assim como os governos do PSDB-DEM, mantiveram intocados os mecanismos estruturais de reprodução da desigualdade social e política no Brasil, como a concentração da propriedade da terra e da mídia, além da destinação de cerca de 40% do orçamento para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Devemos nos posicionar claramente, portanto, na oposição de esquerda à política do atual governo.

Uma verdadeira democracia só pode ser construída como obra criativa das lutas sociais. As esquerdas devem contribuir, nas eleições e para além delas, à convergência e ao fortalecimento dos movimentos sociais que resistem ao caráter concentrador, opressor e devastador do capitalismo monopolista

Correio da Cidadania: Com qual programa a esquerda deve se apresentar nas eleições de 2014?

Chico Alencar: O nosso programa é o das lutas sociais: das favelas, dos terminais de transporte, dos trabalhadores nos canteiros de obras, no campo e nas fábricas, das escolas, da resistência quilombola e indígena, das minorias LGBT, das diferentes manifestações culturais e dos movimentos pela igualdade de gênero.

Para atender às demandas das ruas por serviços públicos gratuitos e de qualidade (“tarifa zero já!”), defendemos políticas sociais universalistas e estruturantes, que concebam educação, saúde, moradia, transportes, como direitos, e não mercadorias.

Para garantir os investimentos necessários, propomos mudanças importantes na base produtiva e orçamentária: (i) redução dos juros e auditoria da dívida pública; (ii) reversão da agenda de privatizações, a exemplo dos leilões das bacias de petróleo, inclusive do Pré-Sal; (iii) reforma tributária progressiva, que taxe efetivamente os ganhos de Capital, os rentistas, as grandes fortunas e heranças.

A mudança do modelo econômico passa também por outra relação com a natureza. É preciso investir em fontes energéticas limpas e renováveis, e promover reforma agrária agroecológica, rompendo com a lógica do monocultivo para exportação.

Dentre inúmeros outros pontos importantes, um tema que veio à tona com ainda mais força a partir de junho é a necessidade de superar a lógica de enfrentamento bélico da segurança pública, que conduz à criminalização da pobreza e da juventude negra.

Nós, do PSOL, propomos a revisão da política de drogas, substituindo a lógica proibicionista e encarceradora pelo fortalecimento dos mecanismos de regulação, além de políticas de saúde mental e educação que respeitem os direitos fundamentais da cidadania.

Correio da Cidadania: Você considera que a Reforma Política, a partir de uma Assembleia Constituinte convocada para este fim, seja uma agenda a ser levada a cabo pela esquerda?

Chico Alencar: Reforma Política digna desse nome implica forte participação popular. É preciso levar essa temática às ruas, e já há uma iniciativa popular de lei, bancada pelas mesmas e muitas entidades que implementaram o ‘Ficha Limpa’, que deve ser considerada.

Um dos principais problemas do nosso sistema político é seu financiamento empresarial. A política institucional no Brasil é dependente dos investimentos, com perspectiva de retorno, feitos por banqueiros, empreiteiras e outras grandes empresas.

Somos uma plutocracia! A ideia de uma Constituinte para elaborar a Reforma Política é positiva, desde que ela seja autônoma, soberana e, sobretudo, eleita por critérios democráticos, diferentes dos vigentes para as eleições bienais.

Propostas não faltam, e merecem um debate amplo, que teria na Constituinte sua reverberação, com o projeto final sendo submetido a um referendo popular.

Correio da Cidadania: Finalmente, quais os critérios que devem orientar a política de aliança das esquerdas em 2014?

Chico Alencar: Critérios programáticos e não pragmáticos Critérios que exijam, dos que se coligam, o horizonte da socialização dos meios de governo e dos grandes meios de produção. Compromisso com a democratização radical da sociedade e com o combate ao “messianismo de mercado” e ao hiperindividualismo dominante.

Como se pode inferir do padrão dominante na política brasileira de hoje, nosso leque de alianças é pequeno… Mas, se tem pouca amplitude partidária, tem densidade social!

Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.

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38 Comentários escrever comentário »

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Sérgio Rodrigues

01/10/2013 - 17h41

Chico Alencar ao que parece não lê os dados do IBGE e IPEA sobre o Brasil dos últimos dez anos.

Vale lembrá-lo que o PSOL ajudou, com direito a comemoração e tudo, a derrubar a CPMF, cujos os recursos seriam integralmente investidos na Saúde – um dos clamores das manifestações – conforme proposta do presidente Lula na época.

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marco

01/10/2013 - 16h41

Eu não sei como que o PT,conseguiu aguentar um provocador lacerdista em suas fileiras,por tantos anos.Deputado,se é verdade o que declara,filie=se à UDN que parece ressucitada.Deixe de encher o saco.Volte para o regaço do sr.Carlos Lacerda,seu guia esperitual e canalhal!

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jose bernardes neto

01/10/2013 - 14h42

Infelizmente o discurso do deputado está distoante da opinião pública no que se refere ao “programa mais médicos” e também em alguns outros pontos positivos do governo DILMA…..Ser oposição somente para levar nome de oposição é um brincadeira de mau gosto….Respeito o PSOL, mas até hoje não disse pra que veio à cena política brasileira……O discurso do partido continua o mesmo da época de sua fundação……

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edir

01/10/2013 - 04h37

Será que ele esqueceu que a Deputada Janira Rocha pertence ao partido ?
Sim Janira Rocha, aquela que fez caixa dois para se eleger com dinheiro do sindicato ? aquela que quando estava no sindicato assinou um contrato com uma empresa funerária de 3 milhöes e trá lá lá por nada e para nada ?
Acorda Chico, o cê tá parecendo o chirico do PSDB só fala besterol.

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mello

01/10/2013 - 00h42

Não sabia que o roberto freire é ventriloquo….fala pela boca do chico alencar !!

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Elder

30/09/2013 - 22h03

Na prática, o PSOL funciona como linha auxiliar da direita. Faz o mesmo discurso moralista hipócrita que a direita adota contra o PT.
No Rio,a máscara caiu, pois o moralista PSOL está enrolado com o caso da deputada Janira Rocha que é acusada de desviar dinheiro do SINDSPREV para o partido. Em tempos de “domínio do fato”, Chico Alencar e Marcelo Freixo podem dizer que não sabiam de nada? Tadinha da Janira vai pagar o pato sozinha.

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Dinis

30/09/2013 - 20h16

Sei não este cara parece mais um invejoso e traira tipo Marina e Heloisa Helena!

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joão Luiz Brandao Costa

30/09/2013 - 18h10

Como dizia João Saldanha: “a esquerda no Brasil só se junta na cadeia”. Alencar parece que não aprendeu nada com a história recente, quando em diversos países o fracionamento da esquerda só fez propiciar o retorno da direita ao poder. Assim foi na França, em Portugal, na Espanha, por exemplo. Hostilizar o governo popular que, a duras penas, conseguimos conquistar, é jogar água para o moinho alheio. Não entendo essa postura de apoio dele a essa coisa de “rede”, de Marina Silva. Sé é para virar o jogo para direita, tira logo a máscara, e para de bancar o bom moço, dono de todas as virtudes, palmatória do mundo. De prima-dona já basta a Marina!

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    Elder

    30/09/2013 - 22h06

    Concordo em gênero, número e grau.Mandou bem João Luiz.

    Ricardo G. Ramos

    01/10/2013 - 11h10

    Concordo com João Luiz, Chico Alencar do partido onde o PSOL brilha para poucos é um São Chico dos ricos. Sua conversa empolada é pura lira do delírio. Tertúlia flácida para adormecer vacum. Vamos desconversar?

clodoaldo

30/09/2013 - 17h02

Adriano Benayon, 27/Setembro de 2013
Reverter a entrega de Libra
– Enquanto o Brasil prepara a entrega do seu petróleo ao capital transnacional, em discurso na ONU a sua presidente finge indignação pela espionagem da NSA — mas nem sequer fala na possibilidade de romper os acordos militares e policiais que submetem o país aos EUA
por Adriano Benayon [*]
1- Continuam entregando tudo. Quando se dará mais importância à realidade que ao discurso? Que se pode fazer para reverter o presente curso de destruição do Brasil? Certamente, não é coisa convencional.

2- Estamos diante da entrega às petroleiras lideradas pelo cartel angloamericano das reservas de petróleo da plataforma continental e da camada do pré-sal.

3- Também, diante do descalabro na infra-estrutura, de que são exemplos gritantes a energia elétrica e os transportes. Cada um desses caos nos custa trilhões de reais por ano e decorre de sacrifícios de setores vitais no altar do falso deus mercado. Na verdade, entregas graciosas a carteis estrangeiros.

4- Além disso, está exposta a completa insegurança das telecomunicações, à mercê das tecnologias de espionagem de empresas e de agências governamentais dos EUA, sem mencionar que, desde há mais de quinze anos, quando a EMBRATEL foi entregue à estadunidense Verizon, essa segurança pouco vale, devido à privatização tucana, intocada pelos governos petistas.

5- Os brasileiros não se devem iludir com discursos nem com o enviesado noticiário da grande mídia. Tanto no petróleo, como na energia elétrica, nos transportes e nas comunicações, o País cai para um patamar intolerável de submissão e de degradação socioeconômica.

O CASO DO CAMPO LIBRA

6- No caso do campo de Libra, da área do pré-sal, cujo leilão a Agência Nacional do Petróleo (ANP) quer realizar, de qualquer maneira, em 21 de outubro, apesar das numerosas ilegalidades do edital, denunciadas ao Tribunal de Contas da União pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás, trata-se do maior campo já descoberto no Mundo, com mais de 40 mil milhões de barris de reservas in situ. No mínimo, 12 mil milhões de barris de reservas recuperáveis.

7- Como o preço atual do petróleo está em US$ 100 por barril, o valor desse campo são US$ 1,2 milhões de milhões, equivalentes a R$ 3 milhões de milhões.

8- Ora, na medida em que a Petrobrás estará alijada do leilão, até por ter investido para viabilizar produção em prazos menores que os possíveis na zona do pré-sal, onde também investiu para pesquisar Libra e outros campos, as companhias do cartel angloamericano ficam com tudo, mesmo porque a ANP resolveu, beneficiando-as, exigir do consórcio vencedor um bônus no valor de R$ 15 mil milhões.

9- Essa quantia é ridícula comparada ao valor do campo, mas é demasiado elevada para a Petrobrás desembolsar de uma vez, devido às dificuldades de caixa em que foi envolvida, até por subsidiar os preços dos derivados no País.

10- Ao contrário da propaganda governamental propícia ao cartel angloamericano, o bônus nem constitui receita para o governo, mas tão somente adiantamento, que devolverá em parcelas ao consórcio ganhador do leilão.

11- Ao denunciar o autoritarismo e a prepotência dos órgãos decisórios do setor, o Eng. Paulo Metri nota que o Estado brasileiro está loteado, e o capital internacional, no comando da energia e mineração.

12- Provas disso e do absurdo de entregar 70% da reserva conhecida de Libra a empresas estrangeiras são, conforme Metri: 1) elas exportarão o óleo bruto, sem adicionar valor algum; 2) nunca contribuirão para o abastecimento do País; 3) dificilmente contratarão plataformas no Brasil – o item de maior peso nos investimentos; 4) não gerarão empregos qualificados aqui; 5) não pagarão impostos, graças à lei Kandir; 6) só pagarão os royalties e uma parcela “combinada” do lucro.

12- Cabe esclarecer sobre este último ponto:
a) os royalties, embora de, em princípio, 15%, conforme a Lei do Pré-Sal, 12.351/2010 – maiores, portanto, que os 10% da famigerada lei de FHC, 9.478/1997 – são, na realidade, reduzidos por brechas criadas nas emendas do Congresso à lei de 2010; mesmo em países sem a capacidade de exploração da Petrobrás, os royalties costumam ser, em média, 80%;
b) a parcela combinada são os 30% a que Petrobrás faz jus, de acordo com a Lei 12.351/2010, a qual, desde a proposta do ex-presidente Lula, garante à Petrobras a condição de operadora única, com 30% do resultado, ficando, porém, os 70% para o ganhador do leilão, no caso o cartel estrangeiro, sem correr riscos.

13- O atual governo não aplica em favor do País o que deve decorrer das leis do Pré-Sal, deixando de fazer cessão onerosa do campo de Libra à Petrobrás, conforme a Lei nº 12.276/2010, e agindo como caudatário dos interesses anglo-americanos, mesmo ciente da espionagem de agências públicas dos EUA, como a NSA e a CIA, tendo como alvos o petróleo e o pré-sal.

15- O Eng. Fernando Siqueira lembra que, já no 11º leilão, a Petrobrás teve participação pífia, tendo comprado menos de 20% das áreas ofertadas e sendo operadora só em três delas. Como essas áreas não são do pré-sal e se regem pela Lei 9.478/1997, todo o petróleo fica para quem ganhou o leilão.

16- Acrescenta: “Creio que, propositadamente, exauriram a capacidade financeira da Petrobrás com leilões desnecessários, pois o país está abastecido por mais de 40 anos. A partir da 11ª rodada, o capital internacional irá sempre ganhar vários blocos, graças a plano maquiavélico com aprovação do governo do Brasil.”

17- Ainda conforme Siqueira, o governo está abrindo mão de parte da parcela destinada ao Fundo Social. Também troca lucros de centenas de milhares de milhões de dólares por um oneroso empréstimo de quantia irrisória.

18- Siqueira esclarece que a Petrobrás tem previsão de produzir 4 milhões de barris em 2020, e não, há, pois, necessidade alguma de leiloar o pré-sal. Menos ainda, nas condições altamente danosas ao País, em que está sendo feito.

19- A 11ª rodada de leilões, já realizada, e a 12ª, marcada para breve, implicam amarrar o Brasil à condição de país sem autodeterminação, definitivamente inviabilizado para o desenvolvimento, condenado a exportação primária e poluente, controlada pelas transnacionais do petróleo e rendendo-lhe vultosas divisas que farão suplantar a das automotivas no posto de donas do País.

20- Outras consequências: agravar a desindustrialização, a concentração de renda [NR] nas mãos da oligarquia estrangeira e marginalizar mais brasileiros.

21- O que ocorre com o petróleo basta, por si só, para afundar o Brasil. Ao mesmo tempo, a derrocada do País é puxada pelo que acontece na infra-estrutura.

22- O setor da energia elétrica está deteriorado, com frequentes apagões – num país de excelente potencial de fontes. Grande parte dos insuficientes investimentos é desperdiçada e são cobrados preços extorsivos aos usuários (exceto às privilegiadas eletrointensivas).

23- Deliberadamente, desde FHC, deu-se espaço às absurdas e caras centrais térmicas, subinvestindo e investindo mal na hidroeletricidade, sem aproveitar plenamente a capacidade das bacias hídricas, nem construir eclusas (prejudicando também a navegação fluvial).

24- O setor elétrico exemplifica a grande fraude das concessões e privatizações, realizadas para proporcionar ganhos a predatórias empresas financeiras, através de supostos leilões (sempre a ficção do mercado) sob critérios abstrusos, para ninguém entender.

25- Conforme dados da ANEEL, mostrados pelo Eng. Roberto d’Araújo, os componentes, em percentuais, do preço da energia são: geração 31,3%; transmissão 6,3%; distribuição 29%; tributos 33,5%.

26- Há abusos incríveis em todas essas etapas. As empresas de distribuição concentram a maior parte dos lucros, tendo o economista Gustavo Santos verificado que a rentabilidade média delas sobre o patrimônio líquido superou 30%, ou seja, 700% em oito anos.

27- Esclarece d’Araújo que o governo, sem coragem para enfrentar os próprios erros e as distribuidoras, resolveu atacar a parcela produtiva. Em suma, está sendo completada a destruição da Eletrobrás – mais um pilar do projeto de Getúlio Vargas derrubado a mando do império angloamericano.
[NR] No Brasil chamam de renda a qualquer espécie de rendimento.

[*] Doutorado em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, [email protected]

O original encontra-se em http://www.correiocidadania.com.br/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Responder

    rui

    30/09/2013 - 19h17

    Tem toda cara de conversa de tucano, achando que poderia salvar o Brasil se voltassem ao poder. Tudo que foi dito é muito controverso e prefiro acreditar como a Dilma está conduzindo. Negociação de pré-sal tem muito mais segredos e nuances do que avaliar capacidade de produção etc, e não é qualquer um que está a par de tudo.

    edir

    01/10/2013 - 04h40

    concordo com voce Rui.

    Diogo Romero

    01/10/2013 - 08h29

    Mas com certeza a Dilma e sua equipe de entreguistas, e principalmente você, conhece profundamente as nuances disso tudo, heim camarada?

    rui

    02/10/2013 - 12h59

    Diogo Romero, “Dilma e sua equipe de entreguistas e eu” e ainda somos camarada. Nunca tinha visto uma comparação tão sem sentido. Desde quando camarada é o entreguista? Ou você quer dizer que vão entregar o pré-sal para Rússia ou China. Só falta dizer que FHC é o nacionalista salvador da Petrobrax.

Fabio Passos

30/09/2013 - 13h23

A esquerda tem o dever de apresentar candidatura que proponha ruptura do sistema.

democracia burguesa = ditadura do capital

A tarefa histórica da esquerda é derrubar este regime que está destruindo o planeta e a humanidade.

Responder

    eduardo souto jorge

    30/09/2013 - 19h49

    Mas entao esta fazendo justamente o contrario.

    Fabio Passos

    30/09/2013 - 21h30

    Pois é… esta é justamente a análise do Chico Alencar.
    Até formaram um outro partido para tentar recuperar os compromissos históricos.

Yacov

30/09/2013 - 13h15

Essa é uma crítica forte ao PT que a oposição não faz por que acha que é ‘bonito ser feio’, isto é, eles acham correto a gente continuar pagando aos baqueiros juros e rendimentos pornográficos de uma dívida já paga e nunca auditada. O equador fez a auditopria de sua dívida e esta caiu 70%, porque não fazemos isso também ?!?! Enquanto isso continuamos fazendo superávits primários ridículos e retirando dinheiro de investimentos e da economia para entregar aos bancos insaciáveis. ATÈ QUANDO ISSO, PT !?!?

ANOS tuKKKânus LEWINSKYânus NUNCA MAIS !!! NO PASSARÁN !! VIVA GENOÍNO !! VIVA ZÈ DIRCEU !! VIVA A LIBERDADE, A DEMOCRACIA E A LEGALIDADE !! VIVA LULA !! VIVA DILMA !! VIVA O PT !! VIVA O BRASIL SOBERANO !! LIBERDADE PARA JULIAN ASSANGE, BRADLEY MANNING E EDWARD SNOWDEN JÁ !! FORA YOANI e MÉDICOS COXINHAS BRASILEIROS !! ABAIXO A DITADURA DO STF gloBBBobalizado!! ABAIXO A GRANDE MÍDIA EMPRESARIAL & SEUS LACAIOS e ASSECLAS !! CPI DA PRIVATARIA TUCANA, JÁ !! LEI DE MÍDIAS, JÁ !! “O BRASIL PARA TODOS não passa no SISTEMA gloBBBo de SONEGAÇÃO – O que passa SISTEMA gloBBBo de SONEGAÇÃO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

Responder

Valcir Barsanulfo

30/09/2013 - 12h04

O Chico Alencar precisa ser mais atencioso com a esquerda, parece-me meio TDAH, desvia muito a sua visão ideológica.

Responder

    Diogo Romero

    01/10/2013 - 08h32

    Se as idéias do Chico não são de esquerda, não sei mais quais são!!!
    Tá sonhando, colega?

Mário SF Alves

30/09/2013 - 11h37

Enquanto isso os democratas de verdade [rotulados de esquerda] só se esfacelam. É necessário e urgente seguir o único bom exemplo da direita. É preciso que nos rearranjemos pela Democracia, no Brasil e o Mundo. Não pela exclusão social, mas pela inclusão social. Não pelo “esse mundo não te pertence mais” bordão engendrado na competentíssima gestão tucana. Competentíssima… arre!, o Bill que o diga!

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juarez campos

30/09/2013 - 11h34

O Chico Alencar ainda está na idade média. Tarifa zero para estudante e tarifa cheia para o marmiteiro que sai de casa de madrugada.A dívida interna é composta por empréstimos da FAT, da poupança, deixar de pagá-la significa prejuízo para a própria população. O PSOL se mostra às vezes mais à direita que o DEM. O CHICO saiu do PT por que achava que ele ia se acabar com o mensalão e seu partido continua mico até hoje e além disto foi excluído das manifestações como os outros, agora querem se achegar, pura hipocrisia.

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    von Narr

    01/10/2013 - 12h32

    Poupança, Fundos de Pensão, financiamento de casa própria, créditos ao setor produtivo tudo isso depende do pagamento de juros e do endividamento público. Se não pagar dívida fosse virtude da esquerda, os primeiros grandes governantes da esquerda no Brasil foram Dr. Ribamar Sarney e o General Oliveira Figueiredo.

SERGIO VIANNA

30/09/2013 - 10h58

O Chico Alencar agarrou-se a um balão, subiu à estratosfera, e de lá não quer sair. Enxerga o mundo das alturas de uma utopia irrealizável, enquanto na Terra, no dia a dia, os problemas que o Brasil e os brasileiros precisam enfrentar ainda não passaram de um prato digno de comida saudável.
A realidade é dura e cruel com os sonhos delirantes do Chico.

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Julio Silveira

30/09/2013 - 10h55

Engraçado, cada dia que passa mais firmo a convicção que o Brasileiro tem vocação para analista, para técnico, para palpiteiro, assim como faço (no meu caso sem ambição), mas quando lhes são entregues as ferramentas cai por terra toda a convicção e o primarismo aflora com força. A “dita esquerda” aqui não se acerta nem com o risco da vaca ir pro brejo. E, quando me refiro a “dita” esquerda, é que eu, assim como outros tantos cidadãos com quem converso, tem a nítida sensação de que estão lhes tentando passar o conto do vigário com essa retórica. As convicções ideológicas no Brasil invariavelmente, de direita ou esquerda, só não são a mesma coisa na teoria e nas mentes de alguns partidários que ocupam esses nichos políticos. Sequer se preocupam em distinguir culturalmente uma ideologia da outra. Acredito que por saberem que poderão angariar alguns votos nas eleições de algum eleitor mal informado e incauto sem formação ideologica. A cidadania comum brigar por esse discurso de esquerda ou direita, quando a ponta de lança dessas representações se congratulam se confraternizam e se associam quando no poder sem sequer se preocuparem em mostrar para a cidadania as incoerências ideológicas, jogando a culpa na conjuntura, é muita sacanagem trabalhando contra a inteligência alheia. Mas tenho que admitir, apesar de ir contra todos os princípios vai se justificando em nosso país, já que de certa forma tem garantido a sobrevivência dessa turma, ainda que perpetuando as condições do Brasil e seu conservadorismo arraigado. Inclusive da “dita” esquerda, acho que por cultura e falta de convicção, inclusive, e também, na capacidade “revolucionária” da cidadania. Essa que reclama, reclama, mas também quando tem oportunidades de definir as características ideológicas que atenderiam melhor a maioria da cidadania, preferem se manter em suas medíocres zonas de conforto.

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von Narr

30/09/2013 - 10h36

O voto do PSOL junto como o DEM e o PSDB para devolver 40 bilhões anuais (que iriam pro SUS) pra burguesia foi uma contribuição inestimável para melhorar a saúde no Brasil? Além do fetichismo do não-pagamento dos juros, qual é o outro projeto relevante que ele apresenta?

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Zilda

30/09/2013 - 10h34

Falou, falou e não disse nada. Discurso, nada mais do que isso. o PSOL não tem base social. Quais foram as ações implementadas pelo PSOL para contribuir com a democratização do Estado brasileiro e outras mudanças que precisam ser feitas? Esse programa elencado pelo deputado já é conhecido por todos e está no programa do PT desde sua fundação. As bases esquerdistas também estão cansadas desse discurso coerente, sim, mas que não gera consequências. Que não agrega. Porque na hora da ação cada um puxa para seu lado e quer mesmo é permanecer no poder. Chico Alencar não faz diferente dos outros. A maldição da divisão das esquerdas que José Saramago falava. E não é por outro motivo senão interesses pessoais. Projetos pessoais que se sobrepõem ao projeto coletivo.

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nelc

30/09/2013 - 10h28

É, O Chico Alencar, parece que colocou um ponto de LSD, na língua, ainda no século passado, e continua a viajar em altitude de cruzeiro até hoje. Será que conseguirá, reeleger-se com esse discurso?

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lidia virni

30/09/2013 - 10h27

Difícil levar a sério as “novas propostas” de um político, que já foi meu preferido, mas que, em nome de uma suposta revolta com denúnicas hoje sabidamente falsas conra o partido pelo qual cresceu na política, preferiu sabandoná-lo e embarcar em um projeto já de início falido, pois formado por ex e que hoje também figura nas manchetes da imprensa por conta da falta de idoneidade de sua principal articuladora (e com Chico figurando como um dos beneficiários dos desvios de verbas). Essa, na verdade, é a “esquerda” que a direita gosta. E os governos Lula e dilma têm muito o que mostrar nestes últimos dez anos, só não reconhecem os reacionários, os míopes e os “maguados”.

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Paulo Henrique Tavares

30/09/2013 - 10h26

Não sei como ainda dão espaço na mídia para o psol, especialmente o Chico Alencar, que é religioso (ou seja, fica enganando o povo com esta piada chamada deus, pois dá muito voto), está totalmente descompromissado de qualquer agrupamento, pois a maioria de seus votos vem da classe média conservadora carioca, com este discursinho de ética, contra o pt e de mãos dadas, na maioria das vezes, com a direita.
Ele sabe que vai ter muita dificuldade de se eleger nas próximas eleições, o que seria ótimo a aposentadoria desta cara na política.
Pois no parlamento, dá as mãos para a direita. Nas ruas, dá a mão para os porras louca, muitos conservadores.
Ele sabe que o sucesso do psol e dele (mais dele do que do psol) seria a continuidade dos protestos contra a “corrupção”, como ele está vendo que está miando, estão partindo para a loucura, vindo de uma minoria descompromissada, que é os meia dúzia, invadir tudo.
Em resumo, torço pela derrota deste senhor.

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trombeta

30/09/2013 - 10h23

O esquerdismo sem rumo com um discurso complementar ao da direita é o que apresenta o deputado.

Em Porto Alegre, o nome fantasia utilizado pelas seitas de esquerda é bloco de lutas em que foram expulsas segundo critérios de avaliação do PSTU e do PSOL todas as outras forças políticas como PT, PCdoB, UJS…

No CPERS, sindicato de professores do estado do RS, mais uma greve aventureira e fracassada que terminou em poucos dias por falta de ‘quorum’ patrocinada também pelo esquerdismo sem qualquer apoio da categoria a não ser dos professores militantes.

Conhecido pelo grau de ódio e agressividade o PSOL (e PSTU) em nada contribuiu com os avanços sociais conquistados pelo país na última década, muito pelo contrário, aliados à direita tentaram sabotar muitos deles.

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Mardones

30/09/2013 - 10h00

Eu concordo que os acontecimentos de junho representaram um dos movimentos de saturação desse modelo de gerenciamento do conservadorismo dominante no Brasil . No entanto não entendo como ‘as esquerdas’, incluindo o PSoL, vai conseguir tratar de uma das questões mais marcantes desse contexto, qual seja, a tentativa de associar a mudança à despolitização.

Muitas pessoa que ‘acordaram’ em junho último e foram às ruas pedindo saúde ‘padrão Fifa’, por exemplo, sequer sabem o que significa tributação progressiva e sabem que o Equador auditou a sua dívida pública. Então, a tarefa ou a tentativa de ‘pegar carona’ nos recém acordados é uma ideia, a meu ver, imatura.

Eu apoio a frente de esquerda e muitas de suas ideias, mas não vejo que junho seja referência para a esquerda, pois os movimentos sociais politizados não foram às ruas em junho e a agenda história da esquerda também não.

É preciso pensar que país desejamos e como vamos financiá-lo para por m=em marcha os programas devidos. A mesma dificuldade que a Marina terá – sem falar da tentativa de validar sua Rede – é a da esquerda, pois não há suficiente número de prefeitos, governadores para dar sustentação a uma frente de esquerda. O que é uma pena.

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renato

30/09/2013 - 09h57

Grande Chico.

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rui

30/09/2013 - 09h40

Chico Alencar sabe que programas milagrosos, que resolvem todos os problemas com uma canetada, não são factíveis. Auditar e reduzir a dívida, programa de saúde pública de primeiro mundo para todos, educação nórdica no interior mais remoto do Brasil, segurança inglesa em cidades com 15 milhões de habitantes, moradias maravilhosas para todos, tudo não passa de promoção pessoal. Dizer que, “mecanismos estruturais de reprodução da desigualdade social e política do Brasil, mantidos intocados pelos governos do PSDB-DEM, assim como pelos governos Lula e Dilma”, é de uma torpeza injustificável, já que não se trata de um ignorante. Ele sabe muito bem dos avanços que foram conquistados na redução das desigualdades, e se quisesse colaborar, deveria estar alinhado com o governo, colaborando nas conquistas que achasse que pudesse implementar. Fora disso, ser oposição até da oposição, é só para manter seu mandatinho, e ir enganando seu eleitorado, sem prestar nenhum serviço palpável a sociedade, e é uma baixa importante para as mudanças necessárias, que poderiam ser acelerados se tivessem colaboradores sérios.

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Jose Mario HRP

30/09/2013 - 08h16

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=tq15GeVliVI

Veja a grande farsa!

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Jayme Vasconcellos Soares

30/09/2013 - 07h47

Todas as iniciativas dos políticos de um modo geral, e do governo Dilma, em particular, se voltam somente à economia de mercado: não contemplam programas sociais, que atingem a maioria da população brasileira. Os aposentados que deixaram o grande legado de riquezas, do qual vem se servindo a sociedade brasileira, sobretudo os abastados, são esquecidos como seres humanos, e conforme as ações do governo Dilma, devem morrer à míngua, enquanto vêm seus salários situados na linha das miséria. Não se vê nenhum político comentar sobre a situação de miséria em que se encontram os aposentados, nem que medidas tomar para corrigir este erro de política social.

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Carta Maior: Um balanço da justiça com as próprias manchetes - Viomundo - O que você não vê na mídia

30/09/2013 - 05h08

[…] Chico Alencar: O pacto de exclusão que governa o Brasil se rearranja […]

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