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Cartas de Minas
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Álvaro Santos: Menos, companheira Dilma! Nada de ilusões com quem foi às ruas pedir o seu impeachment

23 de novembro de 2017 às 12h46

AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES E OS PERDÕES DO PT

Álvaro Santos, especial para o Viomundo

É natural que após a contabilização das enormes perdas políticas advindas do golpe clepto-midiático-neoliberal que defenestrou o PT do poder federal, e está impondo uma agenda de retrocessos econômicos e sociais para toda a nação, as esquerdas brasileiras pusessem-se a matutar sobre os erros cometidos e os acertos a se cometer.

Muito tem-se falado e escrito a respeito, e como não poderia deixar de ser as estratégias de alianças adotadas pelo PT nos últimos processos eleitorais e na própria condução de seus governos vem constituindo o centro de atenções.

Questões como presidencialismo de coalizão, indispensabilidade de alianças amplas, limites de governabilidade, formação de maioria parlamentar, etc., etc., têm sido amplamente consideradas, pelo que vou permitir-me passar ao largo, em benefício de um olhar mais focado em decisões que deverão ser tomadas já a médio prazo.

Ao meio desse bom e indispensável debate surgiram nos últimos dias indisfarçáveis incômodos com declarações dos ex-presidentes Lula e Dilma, o primeiro oferecendo perdão a golpistas que articularam e procederam o impeachment da Dilma, e essa oferecendo o perdão àqueles que, em boa fé, foram às ruas exigir seu impeachment.

Mil leituras podem ser feitas dessas declarações, algumas até entendendo-as consideradas as atuais circunstâncias, ainda que não as abonando.

Vou procurar ater-me a aspectos concretos.

Em primeiro lugar, vamos consensuar sobre a indispensabilidade de amplas alianças para buscar vitórias eleitorais e condições de uma mínima governabilidade para avanços nas agendas econômica e social.

Ou seja, a tese de que as eleições somente devem servir às esquerdas para marcar posições não tem maior amparo e muito menos qualquer razoável justificativa.

Não é essa a pureza que buscamos e necessitamos.

Em segundo lugar, impõe-se a indagação: com quem aliar-se, quais os limites aceitáveis para as alianças que devem ser buscadas?

E é justamente nesse ponto que as esquerdas devem mostrar que foram capazes de apreender a história política recente e com ela aprimorar sua capacidade de análise, bem como de distinguir o certo do errado.

A partir dessa abordagem de aprendizado, penso que seriam essas as condições limites para as desejadas alianças:

* ao menos razoável aderência programática nos quesitos econômicos e sociais;

* rechaço a qualquer forma de corrupção (ou seja, como princípio ético das esquerdas, não deve ser aceita aliança com quem nela veja a oportunidade de galgar cargos públicos para, de alguma forma, meter a mão do dinheiro público);

*compreensão e aceitação da magna importância dos movimentos sociais independentes no apoio, na pressão e na crítica aos governos constituídos;

*compromisso firmado com a democracia, com a tolerância, com a abominação de qualquer sorte de preconceito, com os princípios laicos e republicanos do Estado, com o respeito e a defesa das minorias;

*adesão aos preceitos da Conservação Ambiental e do resguardo da Natureza, entendendo essa como o mais importante patrimônio vital, econômico e cultural dos brasileiros.

Visto isso e à luz disso, como poderíamos considerar os perdões de Lula e Dilma?

Vejamos, o pessoal que gira em torno de Temer e que compõe ou sustenta seu governo, não somente prima pela cabotinice ética, mas, com especial destaque, pela decisão espontânea de acintosamente implementar projetos neoliberais com que nem FHC teria sonhado em seu reinado, seja na economia, seja na área social, na área cultural, na educação, na saúde…

É essa a corja que antes compunha o amplo arco de alianças do PT governo.

A que preço, hoje sabemos.

Como nos aliarmos a essa gente?

Acordemos, esses são justamente nossos inimigos!

Se hoje alguns deles se arrependeram do golpe e voltam, por razões eleitorais, a namorar os tempos de PT governo, danem-se.

Como apresentar ao povo alianças dessa natureza?

Um crime colaborarmos para mais confundir a já atormentada cabeça da população brasileira.

Como será entendido nosso abraço a gente como Barbalho, Renan, Eunício, Sarney, etc.?

Esses mais Temer, mais Padilha, mais Geddel, mais Cunha, mais Moreira Franco, mais Henrique Alves, mais Jucá, são o PMDB que está impingindo à nação o governo mais reacionário e entreguista que se tem conhecimento em nossa história, eles são os inimigos a derrotar.

Essa é uma verdade que não pode ser dissimulada diante da população.

Quem poderá crescer em seu entendimento e em sua participação política fora dessa verdade?

Claro deve ficar que se no PMDB e em alguns partidos de centro ainda subsistirem figuras como Requião, ou ao menos representativas daquela conjunção política histórica que tanto se contrapôs à ditadura e da qual resultou a Constituição Cidadã de 88, por óbvio serão alianças por tudo importantíssimas, mas alianças nominais, não partidárias.

Quanto ao perdão de Dilma a cidadãos eventualmente arrependidos por terem ido às ruas clamar pelo impeachment, cabe como disposição de diálogo, mas choca-se com a realidade.

Não nos iludamos, a grande maioria que foi às ruas nessas ocasiões representa o que de mais reacionário e preconceituoso existe na sociedade brasileira, foram às ruas à forra contra as esquerdas, contra o PT, contra o protagonismo político das camadas sociais mais pobres, contra os projetos sociais como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Pouco se importavam se como resultado assumisse plenamente o poder a quadrilha do PMDB ou os “limpinhos” do PSDB, o que os importava era escorraçar do poder, e quiçá do país ou da própria vida, os petistas e toda a Esquerda. Negros, índios, LBGT juntos.

Prova é seu sumiço das ruas diante das bandalheiras do atual governo.

A tarefa já foi cumprida.

Companheira Dilma, menos, sem ilusões com essa gente.

Então, qual a aliança que interessa às esquerdas?

No arco político, uma chapa de Esquerda e Centro-esquerda liderada pelo PT, nitidamente diferenciada e identificada por seu programa de governo.

É preciso levar ao povo a informação clara de quem é quem, qual sua história e a que se propõe, cumprindo uma atitude francamente politizante.

Com a participação de partidos que adiram ao programa e aos princípios propostos, com a participação de políticos de partidos que não componham a aliança, mas que demonstre também aderência ao programa, com a participação de personalidades dos mais variados ramos de atividade, com a mais expressiva participação de movimentos sociais, com a participação de comitês populares e de categorias profissionais.

Finalmente, ir para as eleições para ganhá-las, para compor o futuro governo e implementar o programa vitorioso.

Com sabedoria e perspicácia, mas também com coerência e nitidez política.

Mas também contar com a possibilidade de uma derrota eleitoral em que ganhos políticos de conscientização da população sejam contabilizados e alimentem o futuro.

Justamente por termos plena consciência que as transformações econômicas e sociais que compõem o ideário da Esquerda somente se consagrarão em um cenário de grande conscientização e participação popular.

Por princípio não aceitar outro resultado que não seja a vitória eleitoral é atitude que poderá nos conduzir a uma luta cega e acrítica pelo poder, condição em que ganham força insinuantes convites para a abdicação de atributos políticos e éticos essenciais em benefício de ilusórias espertezas de viés pragmático.

E a história recente em todo o mundo tem nos mostrado com enorme clareza que esse não é um bom caminho.

Unidade, Paixão e Coerência. Rumo à Vitória.

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6 Comentários escrever comentário »

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Alexandre Tambelli

25/11/2017 - 08h55

Existe uma visão errônea, penso eu, na consideração de que qualquer aliança com quem esteve apoiando o Impeachment de Dilma é inadmissível.

Seja aliança política, seja acenando para a parte da sociedade que enxergou no Impeachment uma forma de “retomada” do crescimento econômico, da retomada da geração de empregos ou um combate verdadeiro à corrupção, desenhada no discurso da dobradinha velha mídia capitaneada pela Rede Globo e Judiciário aliado da emissora e do Mercado.

Ao se estabelecer um diálogo com a população e a classe política que aderiu ao Golpe, não se está fugindo de uma luta diária por uma mudança nos rumos do país em 2019, pós-Eleição, está, isto sim, dialogando com a maioria, afinal o Impeachment não foi um processo de minorias, teve ampla aceitação social e política. E, esta conversa é necessária, porque é um arrivismo ou radicalismo contra a maioria, em grande parte, enganada e não partícipe nas ruas e varandas dos movimentos paneleiros.

Imaginemos a gente sair bradando que todo mundo que apoiou a queda da Presidenta Dilma é golpista, paneleiro, coxinha, sei mais que alcunha pôr. Não tem cabimento.

O processo de Impeachment não foi considerado Golpe para a imensa maioria da população, sequer ela soube que não havia crime de responsabilidade, forma cabível de se tirar um Presidente (a) do Poder. Sequer a população foi informada do que realmente foi a farsa da “pedalada fiscal”. O poder oligopólico midiático aliado de um Judiciário parcial, que representa os interesses de uma parcela diminuta da sociedade, permitiu a narrativa das “pedaladas” e a perseguição implacável ao PT e sua defenestração do Governo Federal, permitiu construir a imagem de “corrupta” de Dilma, que sabemos, é, dentro da Política, um quadro partidário honesto, e, certamente, um dos mais honrados da História política brasileira.

No tempo do Impeachment não teve chances outra narrativa, senão a da sua validade, necessidade e correção. Devemos ter em mente que o brasileiro comum foi enganado e acreditou na Rede Globo, acreditou na narrativa do “Governo mais corrupto da História” e, mesmo não se misturando ao extrato social que se dispôs a ir à Paulista e bater panelas nas varandas gourmets dos bairros abastados, este brasileiro comum foi impulsionado a querer a queda da Presidenta Dilma.

A Política não é só Temer, Jucá, Aécio, Cunha, Renan, Serra & Cia. há toda uma organização partidária nas bases: estados e municípios, executivos e legislativos, no comando de diretórios, de filiados e simpatizantes que, certamente, não coadunam com o que se fez com o Brasil, após ascensão de Temer ao Poder.

O diálogo com a sociedade organizada e com a população não pode ser direcionado aos de sempre, há uma imensa maioria da população que ficou órfã de referências e que não tem Norte e é desorganizada, não tem a noção precisa do que acontece com o ultra neoliberalismo em implantação por aqui, neste país que virou laboratório de um novo modelo de Ditadura a la Pinochet no Chile nos anos 70, imensa maioria que apenas se movimenta no campo do real e que sente revezes no bolso e nos direitos sociais, mas não é capaz de uma organização social autônoma para retirar do Poder o Governo Temer e ajudar a reverter suas perdas, pois, o Sistema capitaneado pela velha mídia, em especial a Globo e seu aliado mercado não querem e não incentivam uma mínima revolta ao que está acontecendo no país.

Então, é preciso dar espaço para o diálogo com a sociedade, mesmo a que apoiou o Impeachment e, em sua grande maioria, não-golpista, apenas enganada por um discurso midiático hegemônico de que a retirada de Dilma traria um Brasil dos sonhos para a população.

Mesmo com o paneleiro se precisa abrir um diálogo. Não com todos, sem ingenuidade aqui, mas há parcelas que não tiveram outra Educação Cultural que não seja baseada em Globonews, Veja e na meritocracia ensinada em escolas particulares, muitas delas incapazes de ter um Projeto Educacional crítico e plural, porque formado de grupos sociais fechados, e que embarcam no antipetismo acrítico e pouco afeito ao ensino das necessidades básicas para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Escolas que formam sujeitos para o mercado de trabalho, para o sucesso profissional e na lógica individual do investimento na carreira e se fecham nesta redoma simplória que o esforço particular é garantia de vencer na vida.

Este Golpe de 2016 não beneficia sequer as classes média e médio-alta tradicionais, bem sabemos, e, por isto, não podemos criar uma barreira de diálogo, se não irão com os progressistas, com os desenvolvimentistas, com os defensores dos interesses nacionais, com a esquerda, com a candidatura Lula que sejam capazes de ao menos ouvir, de desarmar o espírito para adentrar a uma consciência de que há caminhos e caminhos, e que o PT e a centro-esquerda que chegou ao Poder com Lula em 2003 não foi nenhum bicho-papão e fez bem para o conjunto da sociedade, não o contrário, aumentado seu Poder de consumo, melhorando a qualidade do emprego ofertado e dando oportunidade única para uma inserção dos brasileiros no Mundo Globalizado pela porta da frente.

Em 2018 precisamos ser porta-vozes dos desiludidos com o Impeachment (Golpe para nós), uma parcela considerável está órfã de candidatura e tenderá a se bandear para a candidatura Bolsonaro ou de salvadores da pátria, não por ser reacionária, e sim, por desinformação e ausência de meios de aproximação, comunicação e diálogo no campo progressista, desenvolvimentista, defensor dos interesses nacionais e aqui englobando a centro-esquerda e a esquerda com os desorganizados sociais.

Não há bobos na Política. Quem não convence o eleitorado neste caos todo dá para o outro o pote de ouro. Numa realidade em que 95% da população negativa o Presidente do país não podemos bobear, há 95% de eleitorado a ser cativado, não é uma matemática vazia.

Pensemos, acima de tudo, em como desconstruir máximas produzidas na parceria velha mídia e Judiciário aliado, para que possamos ir além do discurso raso de que combatendo a corrupção construiremos um Brasil desenvolvido e melhor para se viver.

Se a gente se prender nos detalhes de uma fala aqui, acolá de nossas lideranças acenando para um “perdão” com quem apoiou o Impeachment, querendo fazer da fala um cavalo de batalha não chegaremos a lugar nenhum.
Vencer em 2018 só será possível se houver um diálogo possível com toda a população, do contrário, na desorganização social existente, o Golpe dentro do Golpe e a ideia do semipresidencialismo vingará, por falta de combate a ele, como houve na implementação da Reforma Trabalhista anti-trabalhador e demais reformas e destruição de programas sociais bem-sucedidos e implementados na Era Petista.

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Jaciara Siqueira Coelho

23/11/2017 - 21h10

Boa reflexão, só não entendi o título:menos, companheira Dilma! Pior que perdoar os “coxinhas ” que compoe um vasto publico, é continuar defendeno alianças com essa corja. Lula não se importa com princípios éticos, é um pragmatico, populista, vaidoso, bajulador da elite que não se esquece de que ele nasceu num balaio. Olavo Setubal foi capa da revista Carta Capital para dizer que Lula era um genio na politica. Hoje eu entendo porque o presidente do banco Itau fez tamanho elogio. CIRO GOMES 2018.

Responder

    AlvaroTadeu

    24/11/2017 - 12h05

    Companheira Jaciara, li sua defesa da candidatura Ciro Gomes 2018. Não se esqueça de que ele é filiado ao PDT que participou intensamente do golpe. Como o Ciro domaria essa manada de canalhas? Hoje, o despudorado PDT não é nem sombra do que seu criador, Leonel Brizola, imaginou. Aliás, é exatamente o oposto, “Cria cuervos…” foi isso que Lula e Dilma fizeram. E como no ditado espanhol, eles lhes arrancaram os olhos.

Joanna

23/11/2017 - 18h01

Concordo! O PT deve ter cuidado, pois ao fazer alianças esdrúxulas, acabará perdendo votos.

Responder

marcio gaúcho

23/11/2017 - 16h15

Aos amigos, as vantagens da lei. Aos inimigos, os rigores da lei.
Aos amigos, o reconhecimento. Aos inimigos, o desprezo.
Se na vida real já é difícil acreditar nos amigos, imaginem na política, onde tudo o que se move, a energia é a traição.
Lula e Dilma: deixem de ser boquirrotos e inocentes (?) úteis.
No mundo atual, não existe mais espaço para ingênuos!

Responder

Jardel

23/11/2017 - 16h05

Está na hora dos coxinhas tirarem as panelas do rabo e voltarem às ruas.

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