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Assange: A manipulação de informações pela mídia é mais perigosa à democracia do que a de governos

26 de janeiro de 2011 às 10h37

“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”.

Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do WikILeaks, Julian Assange, em entrevista exclusiva a internautas brasileiros. Essa iniciativa só foi possível graças à ação articulada da blogosfera e, claro, aos internautas que enviaram questões.

No total foram cerca de 350 perguntas, das quais doze foram escolhidas. Na entrevista, Assange explica por que trabalha em parceria com a grande mídia e debate a manipulação de informação e como o vazamento de dados pode alterar a atuação dos governos.

Vários internautas - O WikiLeaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?

Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.

Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?

A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.

Eduardo dos Anjos – Tenho acompanhado os vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar em você?

O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos. Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa reputação.

Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se vamos ou não publicar o seu material.

Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica, que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por alguma ordem judicial.

Vários internautas – Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?

James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.

Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.

Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade.

Marcelo Träsel - Após o Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública mundial?

O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.

Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais, porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar informação às pessoas.

O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.

Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo de maneira antiética, as colaborações vão cessar.

O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os dias.

Daniel Ikenaga – Como você define o que deve ser um dado sigiloso?

Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte maneira: “quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de informação do resto da população?”

A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em uma determinada posição. Assim, o seu médico deve ser responsável por manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das circunstâncias – mas não em todas.

Vários internautasEm declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos futuros?  Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?

Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro. Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk, na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.

Vários internautasVocê teme pela sua vida? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?

Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.

Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias, as publicações de documentos continuaram.

Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.

Helena Vieira - Na sua opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo, suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que você teve acesso?

O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas revelações ainda está por vir.

Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu li até agora – tendo em mente que são 250 mil – seria aquele que pede aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações – entre elas a ONU.

Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.

Tarcísio Mender e Maiko Rafael Spiess - Apesar de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo, você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e laureado?

A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais. Isso me parece correto.

Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana) Saturday Night Live sobre a situação: “Eu te dou informações privadas sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá as suas informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’.”

Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a facção pró-Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas depois.

Vinícius Juberte – Você se considera um homem de esquerda?

Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.

Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam, depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando obedientes a eles.

Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.

Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda. Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.

Ariely Barata – Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?

Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em nenhuma produção de filme no momento.

Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.

Leia aqui a entrevista de Julian Assange, criador do WikiLeaks, aos internautas brasileiros.

O livro da blogosfera em defesa da democracia - Golpe 16

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Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.

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40 Comentários escrever comentário »

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Pitagoras

03/06/2011 - 19h38

Por tudo isso Julian Assange e Bradley Manning para Prêmio Nobel da Paz!

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benedita da silva

06/05/2011 - 23h42

Qua discussões inócuas. Como vocês discutem sexo dos anjos! É só ver o resultado do trabalho do Assange. Desequilibrou o império, que está se cag………..Não basta?

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monica

03/04/2011 - 20h54

Nao seria o caso da organização de um movimento mundial para a qualidade da educação
no mundo!
Pois a partir do momento que temos um povo educado, que sabe pensar e refletir sobre o mundo que vive,
e sobre como as coisas funcionam , a manipulação das grandes mídias ficariam inviabilizadas??

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Will

28/01/2011 - 08h35

Azenha e amigos progressistas, acabei de ver!
Um ex-banqueiro suíço, Rudolf Elmer, entregou pro Assange dois CDs com detalhes de contas em paraísos fiscais de 2000 pessoas e corporações, entre elas celebridades, donos de grandes negócios e políticos, que usavam essas contas para sonegar impostos e lavagem de dinheiro.

[youtube 4t1wr2gjYUE http://www.youtube.com/watch?v=4t1wr2gjYUE youtube]

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Marat

26/01/2011 - 23h15

Assange matou dois lobos-em-pele-de-carneiro com uma só vazada: O PIG e o governo dos EEUU…

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Regina Braga

26/01/2011 - 22h26

Pois é,querendo esconder os fatos ou naõ…Todas as informações acabam chegando…Natália Viana,Opera Mundi,Carta Capital,Nassif…O mais importante é que sabemos do Jobim, do terrorismo de Alcântara,do General no Haiti,do dinheiro do TASSO e Roseana,etc.Se o pig quer esconder,naõ vai conseguir.Folha perdeu o primeiro lugar,Globo está perdendo aos poucos prá Record ,estaõ caindo.A internet está sendo acessada por mais de duas milhões de pessoas.O Assange soube trabalhar e conta com o meu apoio.Tenho certeza que ele sabe das pressões da mídia e das maõs que estaõ(Berlusconi,por exemplo).Mas o que achei gravissimo é pedirem o DNA e todos os outros dados,de Presidentese do pessoal da pp ONU.Lembrei de um filme antigo: Meninos do Brasil. Parabéns wikileaks.

Responder

assalariado.

26/01/2011 - 21h30

Pelo jeito das respostas,este,é o tipo de jornalista que atira para todos lados.Não é de esquerda,não é de direita(deve ser da social democracia,vamos enganar o povo mas,nem tanto..),ou seja,é mais do mesmo,se finje de morto, as suas verdades vem do nada?! Não tem referência de vida? Santa neutralidade,eu tenho medo… Rebelde sem causa!… Então tá…

Saudações Socialistas.

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    Mário SF Alves

    04/04/2011 - 10h47

    Assalariado,
    Cara, o que é isso? Que sistema de referência é esse? É insustentável a hipótese de o rebelde sem causa. Olha, creio que, ou bem contextualizamos a obra ao seu tempo ou corremos o risco de sofrer uma congestão intelectual de viés machista ao nos depararmos com o mito da costela do Adão.

Orellano Paz

26/01/2011 - 20h56

Estou curtindo o trabalho do Uiquiliquis.
Além de "veículos de mídia estabelecidos… também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas…".
Se todos são informados de todo o conteúdo vazado, então todos estão desafiados a negar sua veracidade, e ao mesmo tempo não podem alegar desconhecimento.
Os vazamentos são "bombas de pulverização" de informações que interessam as pessoas e costumam ser produzidas/manipuladas/protegidas pelas organizações, em interesse próprio e contrário ao interesse das pessoas (sociedade).
O objetivo do Uiquiliquis não me parece ser obter resultados imediatos, mas sim acarear a cidadania e as organizações (governos também) a longo prazo.
Sugiro dar tempo ao tempo. Em um ano poderemos ter uma visão mais clara. Até lá, opto por apoiar e defender as ações do Uiquiliquis.

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Davi

26/01/2011 - 20h11

Muito interessante! mudei de opinião. Nao gostei das respostas desse Senhor, prefiro não confiar muito nele também.

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trombeta

26/01/2011 - 20h06

Caro Azenha, que esquerdinha mala se apossou do blog, Assange poderia remar a favor da maré, trabalhar para uma grande corporação do sistema, passar o dia lustrando seu carrão e pegar umas gostosas. Ao invés, o cara faz um trabalho super perigoso, está ameaçado de morte, de ser extraditado para os EUA e pegar prisão perpétua e vem manezinho fazer discurso de indignação porque o material foi entregue para 2 jornais piguentos.

É triste a pequenez humana!

Responder

    Amadeumc

    31/01/2011 - 19h50

    pelo menos ele tem o idela de fazer o bem para as pessoas que sao exploradas, seu representante do sistema sem vergonha

Tolentino

26/01/2011 - 19h48

" No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes" Essa frase foi dureza.

Alguém precisa explicar ao Julian que o governo do Brasil não é de esquerda, é um governo que tenta levar o país à democracia, a oportunidade aos excluídos.

E também explicar a ele que não se pode chamar de centro-direita jornais que sabotam governo legalmente constituído e que pregam o golpe, fabricando crises o tempo todo. Não se pode chamar de centro-direita jornais que tratam com um peso e uma medida a oposição e com outro peso e outra medida o governo.

Responder

    Mário SF Alves

    04/04/2011 - 10h56

    Tolentino. Pefeito! É isso mesmo. Que história é essa de governo de esquerda? Onde? Quando? Como? Temos sim é um governo cuja ideologia é (ainda?) de esquerda, mas cuja praxis – e, claro, por força das por demais conhecidas circunstâncias – é quase que totalmente condicionada pela ideologia e exigências do capitalismo brasileiro, que é – no mínimo, e quando dotado de bom humor Alencarniano – de direita.

sandro

26/01/2011 - 19h35

Ele não conhece o Brasil, tampouco a imprensa do Brasil.

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Roberto

26/01/2011 - 19h16

O fato de ele passar matérias ao PIG não diminui o valor de suas ações. Eu apoio Assange e a Revolução do Wikileaks.

Responder

Paulo Marcel

26/01/2011 - 19h14

Exemplo da mídia manipulando informação:
Folha usa de má fé em reportagem, segundo a Petrobras.
"A Petrobras desmente com veemência matéria publicada com chamada de capa no jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira (24/1), sob o título “Petrobras quer reduzir compras no país”." http://todeolhomalandragem.blogspot.com/

Responder

Almeida Bispo

26/01/2011 - 18h41

Não consigo acreditar nas intenções desse cara!
Não consigo ver vantagens na liberação de material óbvio, mesmo que agora fique oficial pela liberação.

Responder

wesley

26/01/2011 - 17h44

Essa conversa de mudar de lado conforme o governo do país em questão é para enganar idiotas, deixa claro então que se julgam senhores acima do bem e do mal.
Nada, nada, do que foi exposto por o Wikileaks não chega próximo ao que todo dia nos é explicitado por livros, artigos, documentários de autores como Emir Sader(juntamente com todos da sua equipe), Eduardo Galleano, Eric Hobsbown, Robert Fisk, Michael Moore, Sílvio Tendler, Professor Mílton Santos e tantos outros.
Infelizmente a maioria das pessoas não têm condições de acesso a essas informações mais fidedignas, sendo controladas por a podridão que a mídia oferece: entretenimento fúteis, novelas imbecis, jogos, sexo, violência. As pessoas que conseguem ter acesso a este tipo de autores que falei, são tidas como insanas que acreditam em teorias conspiratórias. Isto me faz lembrar o que o Filósofo Platão descreveu há mais de dois mil anos atrás na “alegoria das cavernas”.
Até onde vai tanta hipocrisia.

Responder

wesley

26/01/2011 - 17h44

Começo a ver que este Wikileaks é mais do mesmo, da mesma mídia prostituída como todo o PIG. Se por acaso, o Sr Assange estivesse, realmente, ao lado da verdade e da justiça, assim como fala não se aliaria a grupos como a FSP e Rede Globo.

Responder

José Ruiz

26/01/2011 - 17h30

Ao seu posicionar em oferecer suas matérias para jornais de esquerda, quando o governo é de direita, e para jornais de direita, quando o governo é de esquerda, o dono do Wikileaks mostra um viés meio de "menino danado"… Qual o objetivo? Atrapalhar governos, sejam de esquerda ou de direita? Onde fica o compromisso com a verdade nessa brincadeira? Os jornalões no Brasil mentem, escondem, distorcem… como isso poderia ser benéfico para o povo brasileiro? Com toda a democracia que a internet gerou, ventre, aliás, do Wikileaks, Assange deveria ser mais criterioso com as várias opções no mercado…

Responder

    bakooraw

    26/01/2011 - 19h58

    Ué, isso é uma defesa do maniqueísmo? Ou seja, não se pode lidar com os dois lados ao mesmo tempo?
    Será que esse raciocínio não seria um tanto quanto conservador e "medroso". Do tipo: ué, não sei de que lado esse cara está, então ele só pode ser mal intencionado?

    Acredito que a principal revolução que o wikileaks traz é tornar os governos, sejam eles de esquerda ou direita, reféns de suas próprias ações e palavras, principalmente.

    O Cablegate é um fenômeno não pelo conteúdo, mas pela forma. Enxergo como se tivesse sido um recado
    do tipo: olha só, nós temos acesso, e agora vai ficar muito difícil mentir quando o interesse público estiver em jogo.Humilha a hipocrisia jornalística construída em 400 anos. Seja esse jornalismo militante, reacionário, de direita ou de esquerda.
    Talvez o que seja mais desconcertante no wikileaks é a impossíbilidade de se categorizar essa ong .E nós, como crianças alimentadas pelo lixo produzido pela mídia, governos, escolas e universidades e suas filosofias elitistas em essência, teóricas em excesso, e despreocupadas com as mudanças concretas e imediatas, precisamos sempre mapear as coisas e pessoas: ah, ele é negro, ele é branco, ele é rico, ela é puta, etc…

    Milhões de artigos que tenham sido escritos, milhões de teses acadêmicas e bilhões de horas de informação midiática não chegam perto do que, com o Cablegate, o Wikileaks conseguiu realizar em termos concretos
    de liberdade de informação.

    Se o conteúdo ainda não trouxe nada demais, é porque – acredito, e isso é só conjectura – o impacto da forma como foi divulgado, o efeito e a humilhação que provocou na diplomacia norte-americana e mundial
    ainda estão sendo assimilados. Qualquer um que fale que não viu nada demais é porque, no mínimo, está
    sendo um papagaio e repetindo o que a mídia em geral está dizendo, O próprio Assange sequer conseguiu ler tudo. Afinal, são "só" 250 mil telegramas.

    E o melhor: o Wikileaks não vai parar por aí. E o ótimo: ele não está só. Outras organizaçãoes já estão pipocando na rede com o mesmo conceito.

    Por último, sobre a utilização de mídia hegemônica para divulgar – ora bolas, se você precia se audiência, não vai publicar um lance histórico no "Blog da Pitchulinha", né? Pelo amor de Deus! Ao estabelecer a parceria com os grandes meios, o Assange mais uma vez humilhou os jornalistas impossibilitados de fazer o que ele fez, mesmo que carreguem o discurso mais revolucionário que exista: MANIPULOU A GRANDE MÍDIA. É tática de guerrilha: "know your enemy" misturada com Maquiavel : " se não tem um exército que possa ganhar a guerra, alie-se ao exército maior. A vitória, no fundo, é nossa.

    Que o Assange é narcisista, é! Mas, e daí? A xuxa também é. E não dá pra comparar entre os dois, quem traz mais verdade ao debate democrático. Ou dá?

forumimoveis

26/01/2011 - 17h29

Ao seu posicionar em oferecer suas matérias para jornais de esquerda, quando o governo é de direita, e para jornais de direita, quando o governo é de esquerda, o dono do Wikileaks mostra um viés meio de "menino danado"… Qual o objetivo? Atrapalhar governos, sejam de esquerda ou de direita? Onde fica o compromisso com a verdade nessa brincadeira? Os jornalões no Brasil mentem, escondem, distorcem… como isso poderia ser benéfico para o povo brasileiro? Com toda a democracia que a internet gerou, ventre, aliás, do Wikileaks, Assange deveria ser mais criterioso com as várias opções no mercado…

Responder

O_Brasileiro

26/01/2011 - 16h52

O Assange parece ser bem equilibrado.
Bem que o Wikileaks poderia receber algo sobre os processos sigilosos contra autoridades que tramitam no STF, escondidos da sociedade por iniciais e necessidade de cartões pagos…

Responder

Marcelo Fraga

26/01/2011 - 16h19

O Sr. Assange falou muito e não disse nada. Ficou em cima do muro a entrevista toda.
Mas mesmo assim o trabalho dele é fantástico.

Responder

Carlos

26/01/2011 - 15h42

Eu fiz esta pergunta também sobre a foia e o bobo. Claro que fiquei insatisfeito. Se fossem jornais comandados por homens isentos, tudo bem. Mas não é o caso. Outro detalhe importante: por que os membros brasileiros do WIKILEAKS não deram informações de como esses dois lixos agem? Manipulam informações; mentem tantas vezes; não dão direito de resposta; zombam do governo legitimamente eleito; agem como um partido político sem o ser; tramam golpes; faltam com a verdade; falseiam fontes e fatos; disseminam ódio contra o governo; criam caos a todo momento; usam dois pesos e duas medidas somente contra a oposição que governa. E vai por aí adiante. Confesso que o argumento para responder a pergunta não me convenceu, pelo contrário me decepcionou. Não creio neste senhor.

Responder

Gustavo Pamplona

26/01/2011 - 14h02

"Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.

Interessante… somente atores negros… Will Smith, Sam Jackson e Halle Berry

E sobre o Facebook do Mark Zuckerberg… bom… pensei em ter mandado isto para vocês outro dia já que esta notícia "ficou" meio escondida. E também nem sabia que desde 2008 eles faziam isto.

[Movimento boicota Facebook após censura a fotos de amamentação] http://www.band.com.br/jornalismo/tecnologia/cont

[Protest on Facebooks apparent disregard for breastfeeding mothers!] http://www.facebook.com/event.php?eid=18402713161

Responder

Ana Maria

26/01/2011 - 14h01

Andar de braços dados com a folha e com o Globo e andar de braços dados com o inimigo. A resposta do sr Assange foi uma desculpa amarela.A escolha desses jornais de extrema direita , manipuladores,claramente golpistas,não dá para entender.Qual é sr Assange??? O seu compromisso não é com a verdade ???????

Responder

    Arthur Schieck

    26/01/2011 - 16h36

    Pelo visto ele é um daqueles anarquistas meio debiloides: "Hay govierno, soy contra."
    Faltou contar pra ele que o Caio Blinder quer ve-lo na cadeia. Que seu programa, o manhattan connection passa na Globo news. Que, aqui no Brasil, quem o defendeu foi o próprio Lula.

    daniel

    26/01/2011 - 18h25

    Você tem o poder de se livrar da imprensa: não compre o jornal. Mas não tem como se livrar do seu Governo. Por isso ele pega mais no pé do governo do que no da imprensa.

ruizaltino

26/01/2011 - 13h45

esta é a única saída para o jornalismo. a outra é a claque.

Responder

trombeta

26/01/2011 - 13h42

Assange, o preso político do ocidente, e seu wikileaks, é a grande novidade do mundo, faz extraordinário trabalho ao trazer à tona tudo aquilo que já sabemos do ponto de vista teórico. Não existe nenhuma estratégia de poder que não esteja apoiada na mídia, poder e mídia são irmãos siameses ou a mesma coisa, como queiram; os EUA espionam, corrompem e subornam quem quer que seja para manter sua hegemonia, aliás o estado nacional norte-americano são suas corporações, não o seu alienado povo, prova disso é que o maior beneficiário das últimas guerras são sempre as corporações norte-americanas, o exército dos EUA é terceirizado às suas empresas. E mais, EUA e europa (desenvolvida) são a mesma coisa, os antigos colonizadores Inglaterra, França, Alemanha, Espanha… agora chamados de comunidade internacional são sócios dos EUA porque o clube dos ricos tem os mesmos sócios há mais de 3 séculos.

Seria uma honra para o Brasil dar asilo a Assange, quantos debates de alto nível teríamos, seria ótimo!

Responder

JOSE FRANCISCO

26/01/2011 - 11h49

complementando um comentário anterior sobre a resposta do assange sobre o porque da parceria com globo/folha::
já que o cablegate se refere a toda uma elite política, empresarial, etc., o wikileaks deveria ter procurado ISENÇÃO nos seus parceiros, e não querer efetuar uma balança de poder. Para a informação circular de forma democrática , esta balança de poder é uma ABERRAÇÃO.

A desculpar o Sr. Assange, somente o fato de que seria mesmo imposssível escolher órgão de mídia isento no Brasil.

Responder

Klaus

26/01/2011 - 11h28

"Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição."

Bela declaração.

Responder

    dukrai

    26/01/2011 - 15h00

    simplista tendendo a simplório, interessa uma crítica necessariamente de esquerda que aborde o que o Emir Sader chama dos três latifúndios do Brasil, o da terra, o das finanças e o da mídia, não enfrentados pelo governo de "centro-esquerda" do PT e aliados. Os jornalões de direita como a falha de sp, abEstado ou gLobo vão preferir vociferar contra o Estado e dar loas às maravilhas do Mercado, uma discussão ideológica datada do século passado.
    O uiquilíki dá uma de equilibrista político, mas precisa tomar umas aulinhas com o Lulinha, o papa da composição esquizofrênica mercado-social e o rei da "uma no prego, outra na ferradura".

    Davi

    26/01/2011 - 20h14

    Isso ai, é o que penso também.

    Mário SF Alves

    28/01/2011 - 00h52

    Taí. Por que você não se candidata a presidente da república, se vira do avesso, se elege, e os enfrenta? Ou você, com essa retórica, que é até mesmo dotada de certa estética, não percebe que uma coisa é conquistar o governo e que outra coisa é a conquista do poder. Ou a via institucional, por si só, seria, a seu ver, um equívoco? E se assim o for? O que fazer? Cerrar fileiras com o MST? Ou, nada disso, e o melhor mesmo seria ressuscitar o Lenin?
    Quanto ao WikiLeaks, o inegável, a novidade mesmo é que eles nos botaram diante dos olhos, com fatos, tudo aquilo que nos era permitido entender por exercício teórico. Tanto é assim que certos teóricos se dão ao luxo de negar sua trajetória com simples "esqueçam tudo o que escrevi". É esse o mérito e essa a matéria do WikiLeaks. O nosso problema é que não sabemos ainda o que fazer com ela. E mais, não precisamos do parecer ou da interpretação da FSP ou da Globo para isso, pois podemos ir diretamente a fonte.
    O Assange, narcisista ou não, botou a cabeça dele a prêmio. E nós? Ainda continuamos meros mortais temerosos da morte e só! Ou não?

    dukrai

    28/01/2011 - 18h14

    obrigado pela sugestão de me lançar candidato a presidente da República, mas tá difícil manter o controle até aqui no meu território, de 2,00m x 1,80m. O MST é o maior movimento social do país e enquanto o Lulinha festejou as 600 mil assentados em 2010, outras quase 500 mil famílias estavam enfrentando a polícia e os latifundiários em ocupações e 20 milhões estão a espera da reforma agrária, que seria o primeiro ponto do meu governo se candidato e eleito fosse.
    A via revolucionária, as vanguardas e a utopia cederam lugar a via eleitoral e outras militâncias e tem tido bons resultados para a esquerda, o que não impede de apontar a atitude medrosa de certos governos como o de Lula e de questionar unanimidades como o uiquilíki.

JOSE FRANCISCO

26/01/2011 - 11h25

Sobre a resposta sobre a escolha do globo/folha, só tenho a dizer: QUE RESPOSTINHA "SAFADA", NÃO É SR. ASSANGE? QUER DIZER QUE SE O VAZAMENTO FOSSE HÁ DOIS ANOS ATRÁS, EM HONDURAS TERIA SIDO ESCOLHIDO O GRUPO QUE DERRUBOU O PRESIDENTE?
O sr. Assange parece que desconhece que o "cablegate" não se refere somente a governos, mas a toda a elite de um país. É por isso que no Brasil, por exemplo, temos referências a Serra, Heráclito Fortes, etc. Assim, é claro que a mídia iria proteger o grupo que ela apoia. No caso do SERRA/CHEVRON,por ex., foi patético, pra dizer o publicável, o que o Globo fez para esconder o fato. Moro no RJ e de todos a quem eu pergunto sobre o caso Serra/Chevron recebo a maior cara de espanto.
O Sr. Assange diz que é mais perigosa a manipulação por parte da midia e neste ponto estamos de acordo. PENA QUE NA PRÁTICA, PELO MENOS EM RELAÇÃO AO BRASIL, O SR. ASSANGE NÃO TENHA SE PREOCUPADO COM ESTE GRANDE PERIGO.

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A entrevista de Assange para aos internautas brasileiros « Blog Do Maurelio

26/01/2011 - 11h07

[…] Está em vários blogs. A que está aqui postada foi retirada do Vi o Mundo (aqui) […]

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