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Iriny Lopes: “O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria”

03 de outubro de 2011 às 21h26

por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Uma das críticas mais infundadas por parte de blogs da esquerda e de espectros da direita  no caso da ação da Secretaria de Políticas para as Mulheres em relação à peça publicitária da Hope foi a acusação de que o governo estaria ‘censurando’ a ‘liberdade de expressão’. Confusões imensas. Primeiro porque a propaganda não goza de um direito constitucional como se fosse um simples cidadão; segundo porque  a publicidade e o  marketing estão condicionados a leis específicas em nosso país e, por último, a Ouvidoria da SPM atendeu a inúmeros pedidos de entidades de defesas das mulheres (ela existe pra isso) e encaminhou pedido para o CONAR, pois a SPM não  tem poderes de censura.

Voltarei com mais tempo para discutir estas e outras confusões num debate que acho de suma importância e que mais uma vez foi diminuído, ridicularizado e estereotipado pelos ‘modernos’ que acham as feministas um bando de seres sem humor.

Adianto que temos humor quando há graça nas coisas, mas não temos mais tolerância para bobagens, para violências simbólicas e para discursos que recolocam a mulher antes da década de 20 do século passado.

Por enquanto fiquem com a excelente entrevista feita por Matheus Pichonelli com a ministra Iriny Lopes, publicada na Carta Capital.

‘Fui ridicularizada’

Por: Matheus Pichonelli*, na Carta Capital

03/10/2011

A ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Iriny Lopes; Foto: Valter Campanato/ABr

Na semana passada, a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política para as Mulheres, se tornou a integrante mais falada do primeiro escalão do governo Dilma Rousseff. O motivo, diferentemente dos outros cinco ministros que deixaram suas pastas sob suspeitas, foi uma nota assinada pela secretaria em que pedia a suspensão, ao Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária), de uma propaganda com a top Gisele Bündchen. Na campanha, promovida pela Hope Lingerie, a modelo ensina as mulheres a dar más notícias aos maridos (como excesso de gastos ou batida de carro) sem risco de serem recriminadas: tirando a roupa.

Foi o suficiente para que movimentos em defesa das mulheres manifestassem repúdio ao conteúdo da propaganda, endossado pela secretaria do governo federal. A “reação à reação”, no entanto, foi ainda mais forte: a ministra foi criticada por supostamente tentar cercear a liberdade de expressão. Para os “críticos da crítica”, faltou bom humor ao governo e às feministas.

Em entrevista a CartaCapital, Iriny Lopes, mineira 55 anos, afirma ter ficado “estupefata” com a politização do debate – que, segundo ela, não respondeu se a propaganda era, afinal, boa ou prejudicial à mulher. Para a ex-deputada, a campanha com a top tinha um recado subliminar desrespeitoso à mulher, que coloca à disposição o próprio corpo para amenizar a ira do companheiro. Na entrevista, a ministra não poupou também o humorista Rafinha Bastos, no centro de polêmica após dizer, no ar, que “comeria” a cantora Wanessa Camargo, que está grávida, e o bebê dela. “O estupro não é piada, é crime”, diz a ministra, para quem brincadeiras desse tipo só reforçam o medo de as mulheres denunciarem agressões – e fazem com que os agressores se sintam seguros da impunidade. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

CartaCapital: O que levou a secretaria a pedir a suspensão da propaganda com a modelo Gisele Bündchen?
Iriny Lopes:
Recebemos, através da nossa Ouvidoria, cobranças para que a secretaria tomasse uma posição. A ouvidoria existe para isso, para ouvir a sociedade. Faz parte do processo democrático. Não nos compete julgar o mérito (da suspensão da propaganda), isso compete ao Conar. No nosso juízo havia uma característica sexista na propaganda, de coisificação da mulher. Havia uma ideia de que, para conter a violência do companheiro, era necessária a erotização. De fato, elas devem ser bonitas, lindas, desejadas, assim como eles para elas. Mas não com esse tipo de brincadeira, que perpetua a ideia da mulher-objeto. Nós solicitamos que o Conar se manifestasse. E fomos informados pelo Conar de que outros 11 pedidos semelhantes foram anexados à nossa representação.

CC: O pedido foi interpretado como uma tentativa de censura. O ex-governador José Serra lembrou o episódio para criticar o governo.
IL:
Qualquer coisa que a gente faça sempre será politizada. Principalmente num país conservador como o nosso. A questão levantada pela representação não é o que virou o debate. A questão foi tratada de uma maneira conservadora e politizada. E contra um governo que está dando muito certo numa situação desfavorável, que é a situação econômica. Uma mulher dando certo num campo desses incomoda muita gente, por ser uma mulher de esquerda.

CC: Com o pedido de suspensão, a ideia de que o governo tentava censurar a propaganda não ficou justificada?
IL: Foi uma interpretação de conveniência. Duas coisas me deixaram estupefata nessa história. Primeiro, num tema tão importante, o mérito não foi debatido. Queríamos discutir se aquela publicidade, ao fazer uma brincadeira, era boa ou má para as mulheres. Mas o que houve foi uma politização, passaram a imagem de que queríamos a censura, o cerceamento, porque enviamos o tema para um órgão de auto-regulamentação do qual não temos assentos nem voz nem indicamos ninguém. É um órgão com plena autonomia.

CC: Não seria mais indicado uma nota de repúdio, como foi feito à direção da empresa de lingerie?
IL: Não acho que tenha havido prejuízo pelo fato de termos solicitado, com base nos artigos do próprio regimento, a apreciação da suspensão. Isso já foi feito outras vezes. Ganha-se uma vez, perde-se outras. O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria. Uma nota de repúdio politizaria muito mais, embora no nosso pedido houvesse uma opinião prévia que balizou nossa sustentação.

A ministra de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, durante audiência pública na comissão especial sobre o Plano Nacional de Educação. Foto: Renato Araújo/Agência Brasil

CC: A senhora se disse estupefata por dois motivos. Qual o segundo?
IL: Foi o absoluto machismo que ainda está posto dentro da sociedade brasileira. As charges que buscaram me ridicularizar, feitas por quem desconhece o tema em debate, eram tentativas de se retomar aquela ideia que opõe mulheres feias e bonitas, gordas e magras. Quando, na verdade, não há ressentimento algum, e sim uma cultura de igualdade, de contestação ao status quo no qual a mulher é vista como um ser subalterno. Não temos nada contra a propaganda de lingerie ser bem humorada, não temos nada contra isso. Só que a brincadeira foi muito sem graça. Há outras maneiras de ser alegre, ser brincalhão, sem colocar a mulher em posição subalterna.

CC: Na propaganda, a Gisele Bündchen se coloca como uma mulher que põe o corpo à disposição para compensar uma má notícia. Muitos críticos diziam ter medo de que a piada se espalhasse, e que os homens dissessem para suas mulheres e amigas, mesmo que na brincadeira: “ok, você fez bobagem, agora tira o sutiã que fica tudo certo”. É um exagero?
IL: Esse é o perigo. Tudo ali era subliminar. Havia uma mensagem subliminar quando era mostrado um carimbo dizendo que dar o recado com roupa era errado. Qual é a intenção ao mostrar isso? É essa coisa da mulher-objeto, que para manter uma relação precisa de um nível de erotismo. Pode ser uma brincadeira saudável entre casais, mas levamos em consideração essas brincadeiras que perpetuam esse status que queremos superar. Nós trabalhamos muito por igualdade, e esse tipo de coisa não ajuda. Isso influencia na atual e nas próximas gerações. Temos procurado com a mídia manter esse diálogo, para que a propaganda e os programas ajudem a alavancar as conquistas das mulheres. Nossa visão em relação à publicidade não é moralista.

CC: Como a medida tomada pela secretaria, sugerindo a suspensão da propaganda, foi recebida dentro do governo?
IL: Não faltou solidariedade. Nem contra nem a favor. Temos um nível de autonomia dentro do governo.

CC: A senhora conversou com a presidenta Dilma?
IL: Nós, ministros, somos respeitados pela presidenta, não fizemos nada fora da legislação. Não temos nenhum problema. Sabemos exatamente a firmeza com que ela conduz o conjunto do governo. Não tivemos falta de solidariedade.

CC: Na mesma semana em que houve a propaganda da lingerie, muito se falou sobre a piada, feita pelo humorista Rafinha Bastos, com a cantora Wanessa Camargo…
IL:
Foi uma falta de respeito absurda e é necessário que haja uma retratação. Ele desrespeitou a mulher e a gravidez de uma mulher. Isso é duplamente complicado. Não sei como a cantora tratou essa questão. É, de novo, a mesma coisa: a mulher como objetivo, como vítima da erotização, e numa situação de gravidez. Não se fala isso para nenhuma mulher. É uma ofensa à criança que ela traz. Ele precisa entender que as mulheres gostam de elogios, assim como eles. Mas não esse tipo de elogio. Foi uma grosseria, uma insensibilidade.

CC: A piada foi feita num programa de humor que tem alta audiência, que se espalha rapidamente pela internet e sites de compartilhamento. De que maneira a secretaria debate essa questão?
IL:
Temos discutido um aspecto um pouco mais amplo, porque estamos discutindo com o Ministério da Justiça, o Ministério da Saúde, dos Esportes. Pensamos em campanhas que possam influenciar na postura das pessoas para inibir e constranger esses abusos e falta de responsabilidade, principalmente para o reconhecimento dos direitos das mulheres.

CC: Muitos vão dizer que era só uma piada.
IL:
Muitos nos cobram pelo aumento dos casos de estupro e de homicídio, mas precisamos compartilhar responsabilidade. Quando a pessoa que faz um programa massivamente difundido e diz que a mulher feia deve agradecer pelo estupro, isso é um crime, e não uma piada. Se o estupro vira uma piada, então a violência se banaliza. As mulheres não registram o crime porque acham que o caso não vai seguir adiante. Os agressores ficam cada vez mais tranquilos e passam a confiar na impunidade. Muita gente não denuncia porque não quer se expor para os vizinhos, os amigos, os colegas de trabalho, a família, e carrega a dor sozinha. Muitas vezes as pessoas assistem a casos de agressão no recinto familiar e se omite. Não é uma coisa banal.

CC: Muitos viram na reação da secretaria e dos movimentos feministas falta de bom humor. O que se disse foi que houve uma atitude ‘politicamente correta’. Como evitar que o debate caia nessas afirmações?
IL:
É preciso insistir na discussão, no debate. Quando for possível, com diálogos diretos para a sensibilização, com seriedade. É importante que se discuta os conteúdos, os níveis de repercussão e de cultura que aquilo vai constituindo. É a insistência de furar bloqueios, de não ficar acuado e usar instrumentos legais quando não for possível o diálogo. É também ampliar as ouvidorias, ter um Ministério Público atuante. Eu convivi sempre com essa questão, sempre foi militante. Na Câmara presidi Comissão de Direitos Humanos, e dirigimos a campanha “Quem financia baixaria é contra a cidadania”. Foi uma reação aos programas, publicidade e publicações que trabalham pejorativamente as questões de raça, gênero, orientação sexual e classe social.

*Matheus Pichonelli: Formado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site e repórter da revista CartaCapital desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos ‘Diáspora’.

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Por Conceição Oliveira, no twitter:[email protected]_fro A quem pense que com o fim do BBB12 terminou também as acusações que esta edição do programa sofreu. Mas não é bem assim. Em 2010 a rede Globo exibiu um participante do BBB prestando um serviço de desinformação e inutilidade pública ao afirmar que ‘hetero não pegavava AIDS’. Naquele […]

 

21 Comentários escrever comentário »

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Relator do CONAR sobre Hope: “estereótipos presentes na campanha são comuns à sociedade” | Viomundo - O que você não vê na mídia

16/10/2011 - 18h15

[…] Iriny Lopes: “O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria” […]

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Custo do machismo no país de Rafinha Bastos: placas e pinos no braço porque disse não | Viomundo - O que você não vê na mídia

14/10/2011 - 20h12

[…] Iriny Lopes: “O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria” […]

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gisella

11/10/2011 - 12h22

não e novidade que gisele bundchen faz qq coisa por um punhado de milhões de dólares, lembre-se dela vestida de peles e sendo devidamente sprayzada de tinta pelo movimento PETA? agora sinceramente concordo com muita coisa dita aqui mas este comercial é pinto perto de tantos desrespeitos as mulheres principalmente nos anuncios de cerveja… eu pergunto aos marketeiros, vcs acham que mulher não bebe cervaja? isso sim deveria ser boicotado mas como ficar sem a gelada? ai eles continuam fazendo essas porcarias achando que estão abafando.. hoje mesmo vi na minha caixa postal um inteligente anuncio de agua francesa que mostra um strip masculino mas de forma absolutamente inteligente….
agora mexer com valeria e janete DA UM TEMPO, um dos quadros mais transgresores da Tv: politicamente incorreto, cujos protagonistas são uma traveca fodida e desbocada e uma suburbana miolo mole, absolutamente maravilhoso!! ABSOLUTELLY FABOULOUS! quem não conhece este maravilhoso e popularissimo programa ingles, va pesquisar na internet pois lembra um pouco a nossa dupla que é muito mais escrachada, chacrinianas e não chaplinianas…..
Nào da para qualquer grupinho que se sinta ofendido vir querer tirar o sucesso destes batalhadores humoristas inclusive do metro, onde trabalharam por anos educando os passageiros… seria ate comico agora os metroviarios quererem censurar a dupla dinamica. Que eu saiba o metro tem vagão so para mulheres um privilegio como poucos tem…. ja fui ate molestada em transporte publico na França pois isso tambem acontece na civilização onde a mulher não é tão vulgarizada quanto aqui. E NàO E POR ISSO QUE VOU QUERER ACABAR COM UM QUADRO MAIS REVOLUCIONARIO DO HUMOR BRASILEIRO.
A base do humor é politicamente incorreta gostem disso ou não. se não gostam, não vejam programas humoristicos porque eles irão pisar em algum calo.
O CQC foi outro programa revolucionário que esta vendendo seu formato no mundo inteiro. ele coloca os politicos a nu e defende o cidadão. Agora querer cruxificar o programa por um deslize de um componente vai muito além…
bem e isso espero ter contribuído para este valioso debate

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SPM sobre Zorra Total: Solidarizar-se com as mulheres não é pedir censura | Viomundo - O que você não vê na mídia

07/10/2011 - 00h20

[…] Iriny Lopes: “O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria” […]

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Dani

04/10/2011 - 22h10

A ministra agiu bem e tem todo o meu apoio

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Pedro Luiz Paredes

04/10/2011 - 20h07

Puro moralismo.
Liberdade é poder ou não assistir televisão, mudar de canal, comprar outro produto, falar mal…. Ter condições às mesmas informações e prerrogativas sociais das outras pessoas.
Não quero ninguém decidindo para mim o que eu posso ou não assistir.
Então comece a censurar as novelas que subliminarmente diminuem a mulher, o pobre, o negro, o gordo, magro, feio, etc… (Só para verem como esse blá blá blá é descabido)
Já entendi, deve estar em algum lugar la na Constituição Federal que as subliminaridades são exclusividade das novelas, dos filmes de violência e do telejornalismo. Afinal, as concessões não são assinadas para tão poucos atoa.
Esse moralismo e consequentemente seus provedores, como essa senhora, são uma praga social.
Esse tema já foi ultrapassado pela geração que esta começando a ocupar o mercado de trabalho agora, e a próxima geração estará mais longe ainda de qualquer preconceito sexista, infelizmente longe também do que muita gente tem a capacidade de imaginar.
O pior de tudo no caso da presidente Dilma, é que ela deu competência para uma mulher ingerir sob coisas que essa mulher não tem nem a capacidade de compreender, de se situar na história.
Não estou julgando intelectualmente a ministra nem nada, mas é fato que ela não entende que esse tipo de questão esta morrendo junto com as pessoas da geração dela e esse debate só traz a realidade da vida pregressa dela para uma geração que já ultrapassou isso quando nasceu, ou seja, é inútil e contra producente.
Tudo bem um bando de alienadas ficarem dissimulando conceitos na internet sem saber o que estão falando só para cessar alguma coisa que as incomoda moralmente, mas uma ministra dar aval a isso é o fim da picada.
Querem ser respeitadas façam alguma coisa de útil ao invés de ficar impondo conotações morais para conceitos jusnaturalistas tão simples como liberdade e igualdade.

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Clara

04/10/2011 - 18h53

É mesmo o fim ligar a TV e ver uma bosta dessas ou uma bosta do Rafinha. Ou do Zorra Total. Ou do Pânico.

Qual bosta a gente vai ver hoje? São tantas opções!

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schirlei

04/10/2011 - 17h01

Por isso que estou fazendo uma campanha – É ERRADO comprar Lingerie da HOPE, não precisamos de uma lingerie pra nos dizer o que é certo ou errado e desta forma. Sabemos quem somos, somos donas de nossas historias, donas de nosso corpo. E se pensam que permaneceremos caladas cada vez que tentarem vender qualquer forma de violencia contra as mulheres, estão enganados, voltem pra Academia e repensem conceitos marketeiros.

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    Pedro Luiz Paredes

    05/10/2011 - 00h24

    Nossa! Até que enfim li um comentário produtivo.
    É muito melhor fazer pesar a indignação de cada consumidor que não gostou da propaganda simplesmente não comprando o produto (assim cada um pode decidir com base nos seus princípios morais e opiniões), do que censurar e abrir um precedente para se tomar outras decisões baseadas na moral em nome de todos as pessoas; como se fossemos uns retardados incapazes de tomar atitudes em nome próprio.

Samyra

04/10/2011 - 15h29

Quanto a falta de humor (que não é um mal que feministas padeçam), minha atual postura é: pecar pela falta é melhor que pecar pelo excesso. Vide o caso de nossa fantástico humorista Rafinha Bastos.

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Samyra

04/10/2011 - 13h18

Quanto ao humor, minha atual postura é: pecar pela falta é melhor que pecar pelo excesso.
Vide nosso vaidoso palhação-mor, Rafinha Bastos.

A atuação do SPM, como já dito aqui muitas vezes, foi corretíssima.

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Luci

04/10/2011 - 11h41

Democratização dos meios de comunicação. Os Mesmos debatebdo com os Mesmos e a ausência de diversidade, criatividade, engessou valores humanos essenciais à nossa própria sobrevivência.
Não são piadas o que estamos presenciando, é um incentivo a intolerância , desrespeito ao OUTRO, assim não se constróe cidadania.
São piadas que chocam, magoam o telespectador. Se a TV é uma concessão pública, a programação deve atender ao interesse público, não é o que presenciamos, assistir um apresentador de programa de humor chamar uma apresentadora de TV de cadela, é o fim do limite.
A senhora Bundchen, não mora no Brasil, portanto não deve ter consciência de que as mulheres que vivem neste país e pagam impostos, são as maiores vítimas da violência, e exigiram do Estado que cumprisse seu dever de impedir a veiculação da imagem erotizada da mulher. Parabéns Ministra, sua atuação é o que se espera de uma autoridade pública de uma Secretaria criada para combater a desigualdade de genêro.
Não se tolera incentivo ao imaginário, de que a palavra da mulher é válida de calcinha e soutien.

Responder

Luci

04/10/2011 - 11h28

Ministra Iriny Lopez sua voz é nossa voz, contra homogeneização de humor sobre mulheres.
Sugestão aos humoristas da TV e desta propaganda: Usem a criatividade e façam piadas com os banqueiros, instituições financeiras do mundo e suas dívidas no momento, como é que eles devem explicar aos cidadãos do mundo que empréstimos/capital que governos investiram em suas instituições estão ruindo.Que a governança de globalização capitalista criou problemas as Nações do mundo?
Agência de publicidade gastar milhões de dólares para fazer propaganda onde o destaque é calcinha e soutien, é uma mensagem sem "crédito", quero ver uma onde o destaque é o cenário financeiro atual e a responsabilização frente aos cidadãos do mundo.

Responder

elder

04/10/2011 - 11h11

Para mim o trecho mais assustador:

CC: Na propaganda, a Gisele Bündchen se coloca como uma mulher que põe o corpo à disposição para compensar uma má notícia. Muitos críticos diziam ter medo de que a piada se espalhasse, e que os homens dissessem para suas mulheres e amigas, mesmo que na brincadeira: “ok, você fez bobagem, agora tira o sutiã que fica tudo certo”. É um exagero?
IL: Esse é o perigo. Tudo ali era subliminar. Havia uma mensagem subliminar quando era mostrado um carimbo dizendo que dar o recado com roupa era errado. Qual é a intenção ao mostrar isso? É essa coisa da mulher-objeto, que para manter uma relação precisa de um nível de erotismo. Pode ser uma brincadeira saudável entre casais, mas levamos em consideração essas brincadeiras que perpetuam esse status que queremos superar. Nós trabalhamos muito por igualdade, e esse tipo de coisa não ajuda. Isso influencia na atual e nas próximas gerações. Temos procurado com a mídia manter esse diálogo, para que a propaganda e os programas ajudem a alavancar as conquistas das mulheres. Nossa visão em relação à publicidade não é moralista.

Seria o caso de achar os homens infantilizados? a quem recorro? me senti ridicularizado…

Só pra finalizar, no começo do texto tem essa passagem:

…"Primeiro porque a propaganda não goza de um direito constitucional como se fosse um simples cidadão; segundo porque a publicidade e o marketing estão condicionados a leis específicas em nosso país"…

1- A constituição também não fala que a liberdade de expressão se dará apenas entre cidadãos.
2- A atividade de publicidade e o marketing são reguladas, o conteúdo não. Isso fica a cargo do Conar, que é a auto-regulamentação. Não é lei.

Responder

    mariafro

    06/10/2011 - 09h58

    Elder, exato, então, acusar a ministra de censura é no mínimo faltar com a verdade.

    Pedro Luiz Paredes

    06/10/2011 - 17h00

    Tem pessoas que pensam diferente de você.
    Elas podem achar que a mulher é inferior, outros por outros motivos não acham que a propaganda deveria ser censurada. São meras opiniões como a sua que devem ser respeitadas mas não foram.
    Qualquer imposição de outra opinião, através de censura é meramente moral, se distancia dos princípios do direito. Alias, até meu papagaio fala com essa sua vulgaridade sobre direitos individuais, a diferença é que eu já sabia que ele não entendia nada de lei mesmo antes de ele abrir a boca.
    Não preciso falar que opinião é formada por valores jurídicos e valores morais né?!
    Se um dia um bando skinheads achar que uma propaganda é feia porque tem um negro nela e pedir para tirarem do ar, e melhor, tirarem ela do ar; tenho certeza de que irão achar isso um absurdo né.
    Mas eles na verdade vão dever tudo a pessoas como você que concordaram com a abertura do precedente.
    É claro que eu não quero comparar as duas coisas, até porque elas são iguais, de puro conteúdo moral.
    É que todo moralismo é hipócrita mesmo, gosta de dois pesos e duas medidas.

Caracol

04/10/2011 - 07h30

Tem umas coisas nesse assunto que me incomodam. E acabam me incomodando mais ainda porque não são abordadas nem discutidas, e aí fico me parecendo a mim mesmo um cara meio doido, pois que ninguém toca nisso. É o seguinte:
Primeiro: tem que ser um marido muito panaca pra cair nessa de se der notícia ruim de calcinha é diferente. Tem que ser muito babaca, muito baixo nível, eu acho então que a propaganda em questão trata os homens como sendo todos uns babacas. E não somos (todos). Se minha mulher viesse com essa pra cima de mim, ela seria duplamente enquadrada. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Segundo: os homens e as mulheres que entram numa dessas devem ser muito babacas mesmo. Ora, como é que pode alguém se impressionar com um varapau de biquíni? Essa proposta e suposta “modelo” de tesão e formosura não passa de uma coisa seca e sem graça, se um homem der um tranco legal mesmo nela, aquilo quebra, vai gisele prum lado e bundchen pro outro. O corpo feminino é o maior receptáculo de mistério e beleza da Natureza. Sempre foi. Em todas as épocas e idades, e deve ser porque todo mundo vem de dentro dele. As Vênus Calipígias, as mulheres pintadas e endeusadas na Renascença, as representadas por Rubens, caraca! Aquelas são mulheres de verdade, elas são parideiras, aleitadeiras, são lindas, seus corpos são cheios de curvas, volumes e meandros, parecem a própria Mãe Terra exibindo seus vales e montanhas.
Agora vem uma moda inventada por gente que odeia as mulheres e fica todo mundo babando por causa de umas anoréxicas! Ora, vão se lamber! Se aquilo ali é mulher, eu sou o Dalai Lama. Deixemos de gueri-gueri, a rainha está nua. E a rainha não tem coisa alguma, só osso.
Então é isso aí: essa peça publicitária é burra sim no que diz respeito ao seu mérito, mas é muito bem sucedida porque é dirigida aos babacas, e como tem muito babaca, sejam homens ou mulheres, é um grande sucesso porque incentiva a discussão de babaquices.
E vou parar por aqui pra não me sentir mais babaca ainda. Já chega ligar a televisão e ter que ver uma bosta dessas.
Quanto à Ministra, é claro que ela tem razão e está certa.

Responder

Miguel do Rosário

04/10/2011 - 05h00

Oi, obrigado por se preocupar com minha opinião, :) Respondi aqui: http://oleododiabo.blogspot.com/2011/10/depilando

Responder

N Pimentel

04/10/2011 - 00h24

Corretíssima a atuação da SPM. Infelizmente, o machismo é tão arraigado na sociedade que se perde a oportunidade, nesses momentos, de se estabelecer um verdadeiro debate. Decorre também da omissão dos ditos formadores de opinião. É uma pena. Mas a Ministra não deve de modo algum vacilar. Não se concebe que ainda a mulher mesma assuma essa postura de objeto. E mais grave que isso é a subserviência imanente na propaganda: ela estourou o cartão de crédito, bateu o carro etc. Tudo concessão do homem provedor! Numa realidade que não é da maioria das mulheres, posto que, quando não parceiras na economia familiar, elas mesmas é que são mantenedoras. Parabéns, portanto, à Ministra.

Responder

Gerson Carneiro

03/10/2011 - 21h46

E nem adianta enviar esse texto para o José Serra. Ele não entenderá pois ele não sabe o que é Ouvidoria.

Responder

    MataTrolls

    04/10/2011 - 11h40

    Ele só conhece privataria…. pilantria e outras maquinarias…

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