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Nas piscinas, bandeira vermelha

21 de abril de 2012 às 02h12

por Luiz Carlos Azenha

Outro dia a dona Lourdes descobriu, nos arquivos familiares (na verdade, caixas de sapato da Casa Carvalho) esta foto. Foi feita durante a campanha das Diretas, em 1984, em Bauru. Como diria o pessoal do antigo DOPS, a polícia política dos tempos da ditadura, lobos em pele de cordeiro.

O primeiro à esquerda (sempre à esquerda) é o sr. Azenha. José Rodrigues Azenha, meu pai. Depois o Ladeira, o meu padrinho e o então prefeito de Itapuí, cujo nome agora me foge. Itapuí é uma cidade na região metropolitana de Bauru.

Bauru, como vocês sabem, tem mania de grandeza. Acho que existia Grande Bauru antes de existir Grande São Paulo. O viaduto local, que permitia atravessar a linha de trem, já nos meus tempos de adolescente era chamado de Elevado João Simonetti. O prefeito queria agradar os parentes do dono da rádio e chamou o viaduto de Elevado.

E como o Elevado ficava perto da sede da rádio — mas, pensando bem, nem tanto –, todo dia, durante o jornal radiofônico, na hora de dizer a temperatura, o locutor disparava: “No Elevado João Simonetti, 33 graus”.

Curiosamente, como diz outro jornalista bauruense, o Arnaldo Duran, a rádio resolveu fazer como as cidades do litoral, onde as emissoras anunciam as condições de banho nas praias. Assim, depois de anunciar a temperatura no Elevado João Simonetti, o locutor dizia: “Nas piscinas, bandeira azul”.

Sendo Bauru onde é, no coração do estado de São Paulo, nunca me lembro de ter ouvido sobre bandeiras vermelhas nas piscinas da cidade.

A não ser, lógico, que o seo Azenha estivesse por perto. A essa altura vocês notaram que o velhinho da foto é o Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes. Não, não foi meu padrinho de verdade, mas não preciso explicar a origem de meu nome.

Olhar a foto me fez viajar no tempo. É sempre interessante refletir sobre a extraordinária experiência que muitas pessoas têm ao longo de uma única vida.

O seo Azenha é de Cadima, Cantanhede, na região de Trás-os-Montes, Portugal. De uma família da zona rural. A gripe espanhola dos anos 20 matou vários parentes, inclusive o meu avô. Contava o meu pai que, criança, observou os carros de boi que vinham apanhar os mortos. A família não era pobre, mas meu pai gostava de dramatizar. Quando queria nos convencer a não deixar nada no prato, relembrava. “Em Portugal, fazíamos sopa de pedra”. Sopa de pedra? Ficávamos todos curiosos. E ele: “Minha mãe fervia água e eu apanhava uma pedra no quintal. Depois de lavar, a pedra era colocada na panela. Deixava um gostinho. Era a sopa de pedra”. Educação alimentar à portuguesa.

Meu pai era um português piadista, fruto da autoconsciência que, imagino, se desenvolveu quando o jovem do interior foi para a cidade grande, Coimbra. É certamente dolorosa a sensação de não fazer parte da turma, mas o que se perde em afeto se ganha em resiliência. Meu pai falava sempre que os homens portugueses do tempo dele eram medidos pelo tamanho da pança. A barriga desenvolvida era sinal de fartura burguesa. Não foi a fome que fez do seu Azenha comunista, foi a sensação de não pertencimento.

Foi também o que tirou meu pai de Portugal. Para escapar de servir ao exército salazarista, sob o risco de defender, logo quem, Hitler!, meu pai embarcou em um navio com destino a Santos.

Curiosamente, quando eu era menino, em Bauru, duas coisas me fascinavam. Em primeiro lugar, as locomotivas pintadas em vermelho e amarelo da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Depois percebi que gostava era do movimento delas, sempre em direção a algum lugar indefinido. Outro fascínio, na verdade um sonho, era seguir um rio até a nascente.

Eu viajava ao mesmo tempo em direção à origem e ao futuro.

Seo Azenha era, também, uma contradição ambulante.

Tinha tino para o comércio e tornou-se, a certa altura da vida, um rico empresário de Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo. Dono ao mesmo tempo de uma fábrica de camisas e de outra, de laminados de madeira, no norte do Paraná. Dava-se ao luxo de ir a São Paulo e pegar o avião da Panair para ver o Vasco jogar no Maracanã.

Ainda assim, nunca abandonou a militância. Com amigos, mantinha gráfica clandestina para imprimir os panfletos usados em campanhas para apoiar candidatos simpáticos ao Partidão ou atacar os adversários. Já de idade, meu pai se lembrava gargalhando da ocasião em que os militantes encomendaram ao Bessinha de então a imagem de um adversário político como se fosse um urubu.

O Partidão, como vocês bem sabem, sempre foi um partido moderado, aliancista. “Etapista”, dizíamos nós, com desdém, nos tempos da Universidade de São Paulo, quando — eu e meu irmão — nos acreditávamos verdadeiramente revolucionários. Ah, os jovens!

O fato é que cresci filho de comunista em Bauru, o que não foi fácil.

Durante a ditadura militar, ser filho de comunista em cidade pequena equivalia a padecer, aos olhos dos outros, de alguma doença grave.

Não havia margem para errar, por exemplo, na escola. É filho de comunista, tadinho… mas tira 10.

O que os cinco irmãos não herdaram da autoconsciência do pai, foram forçados a desenvolver crescendo vermelhinhos em Bauru.

Na verdade, foi um tempo maravilhoso. Acompanhávamos de perto a leitura rigorosa que meu pai fazia, aos domingos, do Estadão; à noite, ele ligava a eletrola Semp para ouvir a emissão em português da BBC de Londres e da rádio de Moscou. Três visões, digamos, bem distintas do mundo — e lá fora, a realidade de Bauru.

Aprendemos todos a conviver com uma alta dose de ansiedade. Vocês sabem o que é arbítrio, de perto? É alguém entrar na sua casa, a qualquer hora, armado e sem mandado, para fazer uma busca. É óbvio que o disciplinado comunista pouco contava de sua militância à família, como forma de evitar que, sob pressão, alguém desse com a língua nos dentes. De certa forma, aquele meu fascínio pelas locomotivas da Noroeste expressava também um sonho de fuga.

Havia uma silenciosa cumplicidade entre todos de casa. Os livros, vamos dizer, “perigosos”, eram escondidos entre o forro e o telhado, razão pela qual até a gata Sebrentina tinha noções de marxismo. Havia poucos comunistas em Bauru e os policiais locais subordinados ao DOPS precisavam mostrar serviço. Quando a coisa esquentava, prendiam os suspeitos de sempre. Acho que foi em 1968, depois do AI5, que meu pai resolveu enterrar alguns livros no fundo do quintal. Eu e meu irmão o ajudamos na tarefa, mas quando a coisa esfriou descobrimos que o lusocomunismo tinha sofrido um grave revés. Toda aquela linda coleção USA x URSS, da Editora Abril, se perdeu, mofada.

O seo Azenha se foi no dia 21 de abril de 2005. Antes de uma cirurgia, me instruiu: se houver problemas, quero ser cremado e que minhas cinzas sejam jogadas na baía de Santos. E lá se foi seo Azenha, alimentar os peixes, no mar em que a vida dele se transformou. Às vezes revolto, às vezes calmo. Contraditório sempre, como todos nós.

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48 Comentários escrever comentário »

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Mariza Mendes

28/12/2014 - 17h44

Azenha, não sei se alguém lê o que se escreve agora, dois anos depois da postagem deste belo texto. Continuarei fuçando no “Baú do Azenha”, em busca de histórias de Bauru. Quase tudo que você conta eu presenciei, sou de 1941 e vc deve ser bem mais novo. Eu conheci bem seu irmão mais velho, o Azenhão e não tenho idéia de onde ele anda. Um dia ele me entrevistou para saber como uma conhecida e respeitada professora “resolvera” entrar para o PT, se eu não era “trabalhadora”, como os metalúrgicos. Mas hoje quero contar um fato acontecido nessa visita de Prestes a Bauru, em 1984, para um comício das Diretas já! Eu militava na Apeoesp, “sindicato dos professores” e estávamos em greve contra Montoro, pedindo em cartazes “quatro referências já”, que ninguém sabia o que era, mas vc devia saber. No meio de um debate das lideranças da greve,uma luz me iluminou! Todos sabiam que o Prestes estava na Câmara Municipal, num encontro com os “camaradas” de Bauru, no ano em que o Gasparini morrera. Saí de fino do QG da greve e desci sozinha até a Câmara. Quando cheguei, a reunião tinha acabado e os velhos comunistas de Bauru desciam as escadas, com ar de beatitude. Encontrei a Darci Gasparini e falei: Ah! perdi! Ela então me levou aos bastidores do encontro e me apresentou ao velho Prestes, como “líder da greve dos professores”. Ele me pediu pra sentar ao seu lado num grande sofá e contou-me coisas da Coluna Prestes e dos países comunistas, como a URSS. Então fui eu que me senti em beatitude, porque o homem era a História viva e ambulante. Até hoje sinto não ter gravado nada, mas minha memória é cinematográfica e, ao recordar, “vejo” tudo como aconteceu!

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Edson Wanderley Alves

26/04/2014 - 00h33

Boas lembranças , estudei na fundação (FÉB) na vila falcão quando explodiu a Av. Das nações e o Gaisel mandou prender todo mundo (Prof jeferson de física ) . Depois elegemos o gAsparini do partidao, bons tempos quando aprendíamos a nadar no rio batalha . A propósito o prefeito era o Simão (kissinger pros íntimos ), era da UC,

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cicerobrasileiro

10/02/2014 - 17h31

estas caixas de sapatos serão reconhecidas por mais cidadaos brasileiros que foram ceifados e proibidos de conviver com o mundo das idéias…lá na foto está o cavaleiro da esperança sentado ao lado de grandes bauruenses do seu azenha e de seus camaradas levantando a bandeira das diretas já! viva a democracia!

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vamberto

08/12/2013 - 10h33

Azenha, belo texto! Sou de Rio Preto, e me lembro de você repórter na TV(acho TV Noroeste)de Bauru. Uma curiosidade: Tenho 50 anos e sou dautônico. Nasci e vivi até aos 20 anos na zona rural. Meu pai era empregado meeiro de café. Fui alfabetizado em 1970 em uma escola rural, muito pobre. Na parede lá estava fixada a nossa linda bandeira nacional.
A professora, Dona Vani, pediu que os alunos a reproduzissem em seus cadernos, como tarefa. Fiz e todo contente apresentei o trabalho à professora. Assustada ela me perguntou: menino porque usou cor vermelha no retângulo que deveria ser verde? Por quê?? A partir daí descobri que não “conhecia cores”(mais tarde vim saber o que é o dautonismo).Alguns anos depois descobri que minha cor preferida ainda é o vermelho…….

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Azuir Ferreira Tavares Filho

21/01/2013 - 21h33

Saudação Amiga Para Todos.

Um Timaço Patriota, Verdadeiros Cavaleiros da Esperança com Prestes pra gente com Amor e Admiração tirar o Chapéu. Valeu Turma Querida, Valeu Azenha,Valeu Ladeira, Valeu Grande Prestes e Valeu Zumbi.

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marcelo buraco

10/12/2012 - 14h45

Acabo de chegar do Rio de Janeiro vindo do velório de Oscar Niemeyer, e como estive sem net, fui colocar os assuntos em dia e me deparo com esse artigo. Não chorei durante a despedida do Mestre Niemeyer, não havia motivo pra choro apesar do nó na garganta ao cantar a Internacional Comunista junto dos camaradas que lá estavam e ouvir a banda de Ipanema tocar “Carinhoso” e “Cidade Maravilhosa” em pleno cemitério João Batista. Mas ao terminar de ler a história derramei todas as lágrimas contidas pelos camaradas que se foram e pelas dores do mundo.
Valeu, Azenha. Vc me ajudou a aliviar a tentativa de dureza do meu coração trazendo toda essa ternura de história.

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Helio Hanel

08/10/2012 - 21h56

Gostei muito do texto do Azenha.
Que coisa linda as locomotivas indo para um local indefinido…
Fantástica a história familiar e a comprovar tudo o grande Luiz Carlos Prestes.
Depois dessas histórias sou ainda mais seu fã.

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Ari

18/09/2012 - 21h45

Só um comentário a ser dito. As coisas mudam. Hoje um desses personagens é Chefe no CDHU do Governo Estadual do PSDB.

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lia vinhas

13/08/2012 - 13h46

Emocionante ler seu texto. Se já era sua fã, agora sou duplamente!

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Mariac

26/07/2012 - 17h20

Que suave!

Bem, sopa de pedra é didática de portuguesesantigos mesmo. Minha avó que descendia deles, sempre falava em sopa de pedra.E contam que um dos meus tios era chato e reclamava da comida, e sempre falava ” ela comida é muito leve, não me sustenta”. Um dia ela se encheu, catou pedras, lavou, fez uma sopa de bolinhos e botou as pedras dentro. O resultado pedagógico não sei, não me contaram.

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Rômulo Gondim – Jorge Amado, Gorki, Dostoiévski e Anatole France

25/07/2012 - 02h06

[…] contei a vocês anteriormente sobre as minhas peripécias de menino como filho de militante comunista em Bauru, no interior de São […]

Responder

Um perigo: Jorge Amado, mas também Gorki, Dostoiévski e Anatole France « Viomundo – O que você não vê na mídia

24/07/2012 - 12h32

[…] contei a vocês anteriormente sobre as minhas peripécias de menino como filho de militante comunista em Bauru, no interior de São […]

Responder

Laurindo

01/07/2012 - 18h00

Oi, Azenha, também eu do interior (Rio Preto), filho de comunista e irmão de vários deles – todos presos em 64 – vivi bem de perto essa realidade. Conheci Bauru em duas ocasiões: a primeira, com 4 anos. levado pelo pai a um comício de Prestes. Sobre os ombros de meu pai, muito a distância, creio ter visto os dois dedos do líder em forma de V. Segundo meu pai, eu vi. Hoje, com 70 anos, não tenho mais idade e nem memória p/ desmentir nada e ninguém, muito menos meu saudoso pai doidão. A segunda vez, já adulto, fui assistir a um jogo entre América e Noroeste – grandes rivais interioranos. O América ganhou, acho.Um abraço.

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valdinei vieira

11/06/2012 - 17h07

Azenha, essa história da sopa de pedra me fez lembrar meu bisavô, português do distrito da Guarda, nos contando que durante a primeira Guerra Mundial, os moradores do vilarejo emprestavam uns aos outros ossos para serem fervidos junto à sopa que cozinhavam, pois com isso dava pra “enganar” o paladar naqueles tempos difíceis.Quando, em 1912, desembarcou no porto de Santos, não acreditou na “fartura” brasileira e até pouco antes de morrer não entendia como um país com tanta riqueza podia ter tanta desigualdade social. Ele nunca nos confessou, mas hoje eu sei que meu bisavô era , talvez sem saber, um comunista.

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Henrique

07/06/2012 - 19h11

Maravilhosa estória. Também cresci no interior, filho de pai com idéias socialistas, o mesmo fascínio pelos enormes comboios ferroviários que passavam indo e vindo de algum lugar, o pavor de que algum dia um dos muitos soldados que se espalharam pelos pontos estratégicos da cidade naqueles dias que se sucederam ao golpe militar de 64 levassem meu pai ou algum conhecido dele – um médico amigo e um vereador foram acusados de comunistas e presos. Os jovens de hoje não têm a consciência de que houve um tempo em que as fardas assobravam meninos de 9 anos de idade. Talvez por isto não saibam o valor da democracia; se soubessem, teriam mais consciência e participação política.

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abolicionista

25/05/2012 - 02h08

Muito bom. Texto assim dá gosto de ler. Parabéns, Azenha!

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VILMAR DE SOUZA TORRES

15/05/2012 - 19h33

MUITO MANEIRA A HISTÓRIA DE TEU PAI. ME AMARRO NESTAS HISTÓRIAS. MEUS FILHOS TERÃO ALGUMAS HISTORIAS MINHAS PARA CONTAR PARA OS FILHOS E , GRAÇAS A DEUS, SERÃO HISTÓRIAS DE DIGNIDADE, DE ÉTICA, DE LUTA PELO SOCIALISMO, DE LUTA MELHOR PARA TODOS. VIVA NOSSO QUERIDO AZENHA. MAIOR BARATO. VILMAR TORRES. GRANDE ABRAÇO.

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Carlos Alberto Moratelli

14/05/2012 - 18h46

Testemunho que é história real,pois estava no tempo e espaço da narrativa. O nome do locutor é Silvio Carlos Simoneti, neto do João que deu nome ao viaduto ou elevado.

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Graca

09/05/2012 - 09h27

Oi Quim

Lindo!
Adorei as reminiscências e o texto.
Um beijo

Responder

Cid de Andrade Pacheco

06/05/2012 - 09h37

A quarta pessoa á direita, se a memória não estiver sofrendo amenésia, é Paulo Lago, de Águas de Santa Bárbara-SP, militante do PT a época e foi candidato a Prefeito de Bauru.O terceiro na foto, eu juro, é o Preste.

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José de Tana

30/04/2012 - 23h09

Taí, não gosto de metrópoles, mas depois desta me deu vontade de conhecer Bauru. E quem sabe, ver o sol se pôr às bordas de uma piscina azul.
Lindo o seu texto, parabéns!

Responder

Francisco Afonso

26/04/2012 - 10h20

Foi impossível não notar a similaridade. Agora mesmo,lendo sobre a morte de Miguel Portas,lider comunista português,no opera mundi,vejo o que ele disse numa entrevista:“Eu sou de esquerda porque a minha mãe me proibia de deixar comida no prato,…." .Caramba! Parece que em famílias lusas Leo Huberman(A História da Riqueza do Homem) tem menos influência na forja dos ideias igualitários que o cuidado em não jogar comida no lixo!

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Jesus Baccaro

23/04/2012 - 10h41

Conheço Bauru. Fica logo ali na periferia da Grande Jaú!

Responder

Cibele

22/04/2012 - 21h38

Texto lindo, Azenha. Que essas lembranças de seu pai possam te dar força e coragem sempre, apesar da saudade eterna. Obrigada por compartilhar tudo isso conosco.

Responder

Luiz Fernando

21/04/2012 - 23h11

È o Simão, o prefeito de Itapui que esta na foto. Antonio Simão que era do partido comunista, amigo,e assesssor do Chopin Tavares de Lima na Secretaria da Educação de SP no tempo do Montoro,
Lembro de suas reportagens na Globo Bauru.Tu eras magrinho e gaguejava muito. Voce e a Kitty Balieiro.
Sou de Jaú e morei em Bauru de 72 a 76 quando cursava engenharia na Fundação.

Responder

Christian Schulz

21/04/2012 - 22h36

Emocionante o texto.

Confesso que, por alguns segundos, achei que o prefeito de Itapuí fosse você mesmo, versão king size. ;D

Sempre bom lembrar do Brasil sendo Brasil!

Responder

Thaelman Carlos

21/04/2012 - 21h48

Caro Azenha,

Parabéns pelo texto emocionante! Temos pontos em comum na nossa trajetória. Ler um texto gostoso como este estimula a imaginação e me faz lembrar tb de histórias. Atualmente, organizo as memórias de meu pai,Edgard de Almeida Martins, que também foi do PC da região e creio ser possível ter conhecido seu pai.

Em suas memórias meu pai cita passagens dos "velhos comunistas" como os também portugueses meu tio Manuel Milreu,o grande José Duarte o "maquinista da história" e João Camilo Sobrinho entre outros. Camilo Sobrinho, desafiando os latifundiários, que dominavam a região na época, chegou a se eleger vereador em Tupã, mas não pode tomar posse devido a perseguição, que os comunistas sofriam pelos agentes do DEOPS que reprimiram com violência o movimento, que eles próprios denominaram "O Levante Comunista de Tupã", movimento de passeatas e comícios realizado na cidade em 10 de Junho de 1949.

Acho legal levantar essas histórias da esquerda no interior paulista, ainda bastante desconhecidas da própria esquerda brasileira. O seu texto, de modo lúdico muito contribui trazendo à luz parte dessa história ainda a ser melhor desvendada. Grande abraço! Thaelman Carlos

Responder

dukrai

21/04/2012 - 17h57

os "comunistas" icônicos em Araxá eram os Pezzuti, Carmela e seus dois filhos, Ângelo e Murilo e como o Seo Azenha, nossos Heróis.

Responder

LUIZ EDUARDO

21/04/2012 - 17h55

Emocionante o texto vermelho do Azenha.
Tenho também boas lembranças de Bauru onde morei de l975 a l982.
Ví muita vezes o Azenha da TV filiada da Globo.

Responder

Gilson Rocha

21/04/2012 - 15h56

Isso é do tempo que o Brasil ainda
tinha esquerda.
Sorte sua ter tão boas lembranças do
seu pai.
Eu não tenho nem boas nem ruins.

Responder

Roberval

21/04/2012 - 15h24

Belíssima história familiar com grandes ideais coletivos. Parabéns Azenha.
Coitado do menino Azenha, filho de comunista, na aristocrática Bauru. Mas, oxalá, você se saiu muito bem.
Quando nasci, meus pais já haviam migrado de Bauru para São Paulo. Sorte a minha!

Responder

luiz Claudio

21/04/2012 - 15h17

Emocionante.

Responder

ZePovinho

21/04/2012 - 14h43

Entraga logo todo mundo,Azenha!!!E o Roberto Leal???Também é um lusocomunista, infiltrado no meio artístico,para corromper a cultura brasileira???

[youtube iCgj3vh5SKc http://www.youtube.com/watch?v=iCgj3vh5SKc youtube]

Responder

    Cibele

    21/04/2012 - 17h36

    Kkkkkkkkk….. Salve, ZéPovo! Rachei com esse vídeo! Roberto Leal dos anos 80 faz parte da minha infância. Mas esse meio "hiponga" eu não conhecia. Um subversivo, sem dúvida (rsrsrs).
    Agora, um remix de um dj português. http://www.youtube.com/watch?v=FRGjj6oVVbQ

    ZePovinho

    21/04/2012 - 22h01

    Você não reparou o Azenha,no canto direito da foto,disfarçado de Fidel Castro???Esse comuna nunca enganou o ZePovinho.Rezemos um Te Deum para reconverter o bom Azenha ao cristianismo.

    Cibele

    22/04/2012 - 12h46

    Claro que reparei, grande homem de bem. Eu, aqui do meu humilde lugar, como "boa Senhora de Santana", digo que, nesse caso, não há reza que dê jeito. Só um embargo mesmo.

    Gerson Carneiro

    21/04/2012 - 19h06

    Pára, ZePovinho.

    Tu quer matar o Azenhão, ômi?!

    Azenhão é grandão mas tem um coração mole, tá.

    ZePovinho

    21/04/2012 - 21h59

    Os lusocomunas já se vingaram de mim,Gerson.Inventei de exagerar, colocando azeite português demais, na salada e………………………….não posso sair de casa devido às consequências obreiras.

    Circe Vidigal

    21/04/2012 - 23h00

    Jurava que o 3o. da foto era o Prestes. Voces não se enganaram?

LuisCPPrudente

21/04/2012 - 14h42

O jornalista Luiz Carlos Azenha poderia escrever um livro de memórias "em vida" contando as histórias de sua infância até os dias atuais. Esta pequena narrativa lembrou-me uma das obras em que Carlos Heitor Cony contou desde a sua infância até determinado momento de sua vida (talvez até os anos de 1990).

Bela e gostosa narrativa.

Responder

ZePovinho

21/04/2012 - 14h37

EU SABIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!EU SABIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!EU SABIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

    LuisCPPrudente

    21/04/2012 - 21h17

    Cadê o udenento e pefelento do EUNÃOSABIA?

edu marcondes

21/04/2012 - 14h28

Caro Azenha a quem conheço apenas pelos textos e por visuais rápidos nos encontros de blogueiros e outros eventos. Espero um dia poder te dar um forte aperto de mão pelo gosto que essa nossa "convivência" permite.
Virtualmente, um grande abraço.

Responder

Francisco afonso

21/04/2012 - 12h37

Pois então,Azenha,as histórias cotidianas,pessoais,por trás dos acontecimentos do mundo(aqueles que lemos nos livros…) são deliciosas de "ouvir".Trazem-nos a dimensão mais humana,quase íntima da história.A vida de cada um no que tem de grandioso e miúdo e que ,junto a outras tantas milhares de "pequenas" caminhadas formam aquilo que vemos em cenas épicas numa tela a óleo.Quando penso nisso quase ouço Pessoa (imagino eu) a falar – olhos ao longe no Rio quase mar : "Quantas mães em vão rezaram…."
Gostei muito de ler.Por tudo isso que já falei.Até por me lembrar que também ouvi meu pai dizer sobre as sobras no prato : " A ti nunca fez falta,mas há quem não tenha o que vais jogar fora".
A tranquilidade de discorrer sobre as contradições humanas.Penso,inclusive,que o tino comercial não invalidava os ideais.Antes lhe davam a solidez de convicções não conveni~entes a si.Quem pode dizer que aquele ideário contra o banquete era fruto de revolta por dele não participar?
Por fim pergunto : seria muito fora de propósito sugerir-lhe que aprofundasse mais esse resgate da trajetória de teu Pai? A infãncia e adolescência na aldeia;o pesadelo de uma possível ida à guerra(por quais ideais?);também- claro! – Coimbra;a chegada à Santos,à Baurú;o casamento e filhos;a trajetória da vida profissional,a participação política.E permeando tudo, a construção dos ideais. Talvez um blog(outro)? Abram-se as caixas da Casa Carvalho!
Ah,sim : a tal sopa de pedra é (como deve saber)uma tradicional e deliciosa história lusitana sobre a astúcia. Abraços

Responder

Sérgio Ruiz

21/04/2012 - 11h40

Bonito texto Azenha. Como você também sou de Bauru e meu avó por parte de mãe além de português era maquinista das locomotivas da Noroeste. Saudades e emoção foi o que este teu texto me despertou.
Hoje moro em SBCampo SP, mas não esqueço meus tempos de infância e juventude vividos em Bauru, a cidade sem limites.

Responder

Gerson Carneiro

21/04/2012 - 11h30

21 de abril de 2012.

Chove muito em Bauru,em homenagem ao Seo Azenha e Ayrton Sennna.

Responder

Francisco Nogueira

21/04/2012 - 11h26

É irmão, o grande Azenha sempre será o Grande Azenha. Narração lindíssima!

Responder

Gerson Carneiro

21/04/2012 - 10h45

"É filho de comunista, tadinho… mas tira 10."

Esse Azenhão é um moleque… rs.

Simplesmente linda, e emocionante, a história contada nesse post.
Só com a leveza de um espírito moleque é possível escrever um texto lindo como esse.

Seo Azenha se foi exatamente no dia em que, em Portugal, sob as águas da chuva, um outro grande brasileiro estreava uma extraordinária jornada de luta e vitórias. Mais uma grande inspiração de vida.

Foi apenas coincidência?

<img src=http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/p480x480/562102_3298821623563_1058553611_32478625_240749860_n.jpg>

Alí ao lado, com os braços abertos, pode sim ser Seo Azenha dando boas vindas ao garoto, a dizer: “Assuma. Agora é com você. Estou de partida”.

"Olhar a foto me fez viajar no tempo. É sempre interessante refletir sobre a extraordinária experiência que muitas pessoas têm ao longo de uma única vida."

Concluo que o show da vida não pára. E é uma maravilha.

Luiz Carlos Azenha, tenha a certeza que você também está protagonizando uma história extraordinária.
Você faz parte desse show, dessa maravilha.

Te admiro muito. Sou teu fã.

Responder

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