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Uma economia viciada em juros elevados?


26/01/2011 - 23h34

Uma economia viciada em juros elevados?

por Antonio Corrêa de Lacerda

O Estado de S. Paulo – 24/01/2011 — reproduzido no blog do autor, no Terra Magazine

O governo terá de ter cuidado na calibragem do aumento de juros, por dois principais motivos. O primeiro é que o Brasil já pratica a maior taxa de juro real do mundo e é preciso avaliar corretamente qual a necessidade de elevá-la ainda mais. A taxa Selic, que acaba de ser aumentada para 11,25% ao ano, representa um juro real de 5,5%, quando descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses. Isso é mais do que o dobro da média dos países em desenvolvimento e é incompatível com a melhora de todos os indicadores macroeconômicos da economia brasileira nos últimos anos.

O segundo ponto é que é preciso caracterizar claramente a causalidade da inflação atual, que decorre muito mais de choques de oferta do que de pressões de demanda. Grande parte da elevação de inflação decorre de fatores cuja influência da taxa de juros é muito limitada, para não dizer nula, e os quais não controlamos diretamente. É o caso do aumento observado no mercado internacional de commodities, basicamente grãos, combustíveis, metais e outros, que decorre não apenas do crescimento da demanda, mas também de especulação nos mercados financeiros internacionais.

As commodities se tornaram ativos disputados como alternativa de investimentos de grandes fundos, especialmente diante do quadro atual de baixíssimas taxas de juros na maioria dos países. Há ainda fatores sazonais internos, como o impacto das temporadas de chuvas que geram uma inflação localizada e episódica, também descolada de um aumento da demanda que exigisse medidas de contenção.

Seria um erro de diagnóstico, a partir dessas pressões, concluir equivocadamente que seria necessário aumentar a taxa de juros para combatê-las. Depois de um crescimento próximo de 8% em 2010, a economia brasileira deverá se acomodar nos próximos anos, com um crescimento mais perto dos 5%. Naturalmente já está havendo uma desaceleração da taxa de crescimento, o que também vai ocorrer com a restrição de crédito decorrente de medidas que foram tomadas anteriormente pelo governo.

Por último, mas não menos importante, é preciso destacar que o aumento de juros não se trata de uma medida neutra, pois causa tanto efeitos deletérios para a economia produtiva como promove a geração de lucros especulativos no mercado financeiro.

Há um verdadeiro lobby pró elevação de juros, orquestrado por parte daqueles que se beneficiam com a medida, como os credores da dívida pública, que são todos os que aplicam direta ou indiretamente em títulos da dívida pública, e o próprio mercado financeiro, que é intermediário do processo. Como parte desses títulos são pós-fixados, o aumento de juros representa diretamente uma elevação dos seus ganhos.

Não é por acaso que frequentemente assistimos a um aparente “consenso” pela elevação dos juros ou pela sua manutenção em níveis elevados. Há interesses fortíssimos envolvidos que acabam influenciando a opinião pública. Muito pouco se questiona a respeito da real necessidade de manter taxas de juros tão elevadas e, menos ainda, de elevá-las ainda mais. Há um claro processo de acomodação, como se a economia, outrora viciada em inflação, a tivesse substituído pelos juros altos.

Os dados são impressionantes. Como a dívida pública brasileira é da ordem de R$ 1,5 trilhão, seu financiamento tem custado cerca de R$ 190 bilhões ao ano. São recursos que pagamos sob a forma de impostos que o Estado arrecada e transfere aos seus credores.

Cada ponto porcentual de elevação da taxa de juros representa, potencialmente, um gasto adicional de R$ 15 bilhões a cada ano. Isso é mais do que o custo anual de todo o Programa Bolsa-Família, para se ter uma ideia do estrago para as contas públicas.

É muito importante que o Banco Central tenha autonomia, relativamente, ao governo. Mas é também fundamental que não se mantenha refém de movimentos especulativos que privilegiam uma pequena camada da sociedade em detrimento do interesse coletivo.

Por todos os motivos apontados, já passou da hora de uma mudança expressiva. Isso vale tanto para paradigmas que têm que ser questionados, como o piso para a redução dos juros no Brasil, quanto ao sistema de metas de inflação em si, que deve ser preservado, mas precisa ser aperfeiçoado. Há muito a ser feito, desde os indicadores e o prazo para o foco da meta, até a forma de captação das “expectativas” dos agentes do mercado.

É também urgente rever o elevado grau de indexação da economia brasileira, especialmente das tarifas públicas. A correção automática de preços baseada em indicadores que têm pouca relação com a estrutura de custos dos setores, como é o caso do IGP e do IGP-M utilizados na maioria dos contratos, representa uma anomalia, incompatível com a nossa realidade atual.

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47 comentários

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Caíto

31 de março de 2011 às 22h47

(Melhor resultado pra quem, cara pálida?)

Quinta-feira, 31 de março de 2011 às 10:41

Superávit primário (economia do governo para pagar juros) alcança R$ 7,9 bi em fevereiro, “melhor” resultado do mês desde 2001

Nos últimos 12 meses, o pagamento de juros foi de R$205,4 bilhões (5,5% do PIB).

Em 2010, o Estado brasileiro apenas gastou 2,8% da PIB com Saúde, in http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/u… .

Responder

Remindo Sauim

27 de janeiro de 2011 às 20h26

Lacerda me explica, como é que com uma taxa de juros de 0,25% os EUA estão em recessão e o Brasil com seus 5,5% de juros ao anos está navegando em ondas de desenvolvimento? Eu só queria entender?

Responder

    Eduardo Alencar

    27 de janeiro de 2011 às 20h52

    Se os Estados Unidos estão pelo menos respirando um pouco e ameaçando começar a sair da recessão, é porque reduziram os juros para 0,25% ao ano. Se tivessem mantido uma taxa de 4% ao ano como era em 2005, já teriam quebrado totalmente, e estariam em meio a uma depressão pior do que a da década de 30. Juros altos são recessivos, tanto aqui, como na China, como nos EUA.

    Pedro Luiz Paredes

    28 de janeiro de 2011 às 09h47

    E é para esse cenário que o Brasil esta caminhando, estão gastando o dinheiro da demanda parar conter uma inflação virtual, pagando juros aos bancos e ao mesmo tempo estagnando o crédito.
    Crédito para vender comodites?
    Crédito é para quem quer investir!
    Logo estaremos sem demanda e sem crédito e teremos um gargalo muito maior do que poderia ser uma possível bolha daquelas de criança feitas de sabão e água!
    Tudo isso para importar mão de obra qualificada(pois é; globalização!) e continuarmos sem investir em educação que é a base de um crescimento sustentável, desses ai que eles enchem a boca para falar.
    Para também não precisar cortar os excessos privados e garantir apoio político de 2 em 2 anos.

    Márcio Gaspar

    27 de janeiro de 2011 às 22h44

    Porque os banqueiros assim o querem. Pois os "funcionários" do Banco Central, depois que cumprem seu papel, via regulamentações, taxas de juros etc, para o bem estar dos banqueiros, vão ser consultores ou diretores em algum banco privado. Nada mais justo, depois de contribuir para o enriquecimento, mais ainda, dos bancos privados do Brasil. O resto é balela, conversa fiada prá boi dormir e enganar aqueles que acordam na madruga para labutar no dia a dia, anos a fio até chegar a aposentadoria, aquela merreca que todos sabem.

@faltorpan

27 de janeiro de 2011 às 19h38

Gostei de ter lido seu texto. Parece-me claro e rico. Mas fiquei com algumas dúvidas sobre a sua subliminaridade:
1) Está implícito que o Banco Central sabe disso?
2) Está sugerido que os mecanismos implantados pelos presidentes anteriores do BC e, aparentemente, repetidos pelo Tombini existem não APESAR disso, mas até EXATAMENTE PARA isso?
3) Houve, há ou haverá alguma participação do Legislativo, na medida exata em que aparentemente não contesta esses eventuais desvios de maneira objetiva, mas apenas como ferramenta de barganha política? Não sei se fui claro: O Legislativo se omite porque também enfrenta conflito de interesses?
4) O Ministério Público conta com assessores ou conselheiros econômicos, de tal forma que não se possa dizer que seja ingênuo ou ignorante a respeito?
Se a resposta for sim a qualquer um desses tópicos, entre outros mais espertos que algum outro tungado possa aventar, então, como se chama essa situação mesmo?

Responder

ZePovinho

27 de janeiro de 2011 às 19h02

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia

FMI lidera o coro reacionário por “ajuste” recessivo no Brasil
A experiência histórica é farta em exemplos de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não é um bom conselheiro para países como o Brasil. Mas a instituição, que serve aos desígnios do imperialismo americano e europeu, teima em dar palpites infelizes sobre a economia nacional. O mais recente está contido em relatório divulgado nesta quinta-feira (27), que faz alarde sobre a suposta deterioração das contas fiscais, que teria sido “particularmente brusca”.
De acordo com o FMI, na atual situação, o governo brasileiro não deve realizar “sua meta fiscal (superávit primário da ordem de 3% do Produto Interno Bruto, PIB) por ampla margem". O superávit, que nada mais é do que uma poupança feita para pagar juros da dívida interna com recursos subtraídos dos investimentos públicos, nos é apresentado como um dogma que não admite contestações. Negligenciá-lo é considerado um pecado mortal, imperdoável.

Política anticrise

Parte da política adotada pelo governo Lula em 2009 e também no ano passado para contornar os efeitos da crise mundial do capitalismo consistiu em reduzir sensivelmente o superávit primário, de forma a usar os recursos públicos disponíveis para ampliar os investimentos e evitar a queda do consumo. Isto compreendeu, entre outras coisas, renúncias fiscais, capitalização do BNDES, tímida ampliação do prazo do seguro-desemprego para algumas categorias e fomento do crédito público.

A política anticrise traduz uma orientação antagônica às receitas impostas pelo FMI que foram aplicadas pelo país no passado (durante a ditadura militar, anos 1980, e no governo FHC) e teve inegável êxito. O Brasil saiu rapidamente da crise e voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2009. Se o caminho escolhido fosse o da austeridade fiscal recomendado pela direita neoliberal o resultado não seria o mesmo e provavelmente estaríamos, agora, às voltas com estagnação econômica e desemprego em alta.

Coro reacionário

É tal orientação (contra a crise) que o FMI critica no relatório, acusando o governo de manter uma política fiscal muito relaxada. A famigerada instituição, gendarme da oligarquia financeira, não está isolada nesta crítica. Lidera um coro reacionário, que emana do mercado financeiro, serve a interesses obscuros e ecoa com força na mídia hegemônica. O suposto “descalabro” fiscal é a verdade absoluta do momento e, na versão do pensamento dominante, seria a causa profunda da aceleração da inflação, tese contestada por inúmeros economistas, inclusive pelo renomado crítico da globalização neoliberal e do FMI, o norte-americano Joseph Stiglitz.

É importante assinalar que, embora tenha sustentado os gastos públicos num momento de queda da receita (decorrente da crise e das isenções fiscais), o Brasil não incorreu em déficit público primário, ao contrário do que sucedeu com os Estados Unidos, Japão e União Europeia. Manteve o superávit primário, embora menor, e o crônico saldo negativo das despesas financeiras (designado de déficit nominal) provocado pelo escorchante pagamento dos juros, que consomem mais de 5% do PIB.

Déficit imperial e inflação

Já o déficit nos EUA é deveras escandaloso. Deve chegar a US$ 1,5 trilhão, cerca de R$ 2,5 trilhões, neste ano, de acordo com a previsão do Escritório de Orçamento do Congresso. Significa mais de 10% do PIB estimado em US 14,6 trilhões. O valor da dívida pública da velha e decadente potência não é menos chocante, está ultrapassando os últimos limites estabelecidos pelo Parlamento e se estes não forem elevados em breve o governo pode se tornar inadimplente e cair em moratória.

Todavia, Washington não só continua com a gastança como também não abre mão do privilégio de emitir dólares para resgatar títulos públicos, embora seja evidente que esta atitude é uma das principais causas da inflação e da guerra cambial que ameaça o mundo. O FMI, embora recomende um “ajuste [fiscal] significativo” para o império, não se atreve a dar palpites sobre o uso abusivo das impressoras do Federal Reserve.

Ao contrário do que dizem o FMI e a direita, o Brasil não enfrenta uma crise fiscal e nem demanda um ajuste recessivo para reprimir a demanda. O problema número 1 da economia é dado pela mais alta taxa básica de juros reais do planeta, que deprime os investimentos, valoriza o câmbio e desequilibra o orçamento. Infelizmente, parece que a área econômica do governo está se deixando levar pelo canto de sereia neoliberal, em detrimento da valorização do salário mínimo, do PAC e do desenvolvimento nacional.

Da redação, Umberto Martins, com agências

Responder

    Eduardo Alencar

    27 de janeiro de 2011 às 20h44

    Uma boa análise. Realmente, é muita cara de pau do FMI vir querer "fiscalizar" o superávit primário brasileiro. Acontece que nem os Estados Unidos, nem a Inglaterra, nem o Japão, nem a Alemanha, nem a França alcançaram superávit primário em 2010 (e nem em 2009, e nem em 2008). Todas essas "potências" tiveram déficit primário. O FMI por acaso foi lá querer cobrar desses países que acabassem com isso, e tivessem superávit primário, igual ao Brasil? Porque o Brasil tem que fazer aquilo que as "potências" não fazem? O Brasil gasta menos do que arrecada (ou arrecada mais do que gasta), se for desconsiderado no cálculo o pagamento de juros da dívida interna eterna e impagável. Tá na hora de rever essa dívida interna, renegociando-a de uma forma que seja possível utilizar o superávit primário que temos (e que os outros não tem) para amortizar o principal da dívida, reduzindo-o ano após ano, até quitarmos. Sou a favor de que se tenha um pouco de superávit primário anual para ir reduzindo o principal até chegar a quitar. Porém, isso só faz sentido se a dívida mobiliária federal for repactuada, com novas regras, e juros bem menores (de preferência totalmente desvinculados da SELIC) ou até mesmo sem juros. Só assim faria sentido ter superávit primário, pois assim o mesmo serviria para amortizar o principal da dívida, com a perspectiva de um dia ser quitada. Mas do jeito que está atualmente, o superávit primário não faz sentido, pois mesmo com ele, o principal da dívida continua aumentando.

    Alex_SRT

    28 de janeiro de 2011 às 14h57

    Boa postagem, meu camarada! Inclusive, o Umberto Martins tem produzido muitas avaliações econômicas bem consistentes e de fácil leitura e entendimento para o público. A "questã" do enfrentamento da crise tem colocado em permanente contestação os ditames neoliberais – veja a sequência de crises desencadeadas na Europa – e ainda assim há aqueles que insistam em tomar mais do mesmo por conta de interesses inconfessáveis (ou nem tanto assim…)…redução dos juros e do superávit primário já! valorização do salário mínimo!

Marcílio

27 de janeiro de 2011 às 18h55

O que explica esta politica conservadora quanto aos juros?

sujoseempoeirados.blogspot.com

Responder

Pedro Luiz Paredes

27 de janeiro de 2011 às 18h45

Além de beneficiar os credores da dívida estamos trazendo dólares!!!! I
Estamos pagando bolsa família para os bancos e o governo norte americano e salvando o mercado financeiro.
Cade a política de incentivo às micro, pequenas e médias empresas, leia-se também industrias.
Já criticava o governo Lula por estar perdendo uma oportunidade que a China não esta perdendo.
Como se precisássemos esperar o mundo voltar a crescer para fazermos o dever de casa.
Mas como fazê-lo se sem uma reforma trabalhista (falta dinâmica) e com uma taxa de juros surrealista por hora.
Ela esta muito mais preocupada com as eleições de 2012, só pode ser.
Vamos crescer com muita sorte a mesma coisa que crescemos no primeiro mandato de Lula e olha lá se não voltarmos ao patamar Fhc de crescimento.
A Dilma acha que é só deixar o barco correr… vai nessa.
Esta sendo covarde e não esta sabendo tirar proveito da herança política que teve.
Alguém sabe as projeções para 2012????

Responder

Lucas Cardoso

27 de janeiro de 2011 às 15h04

O principal problema de aumentar os juros não é o desestímulo ao crescimento. É que, com juros muitos altos, nossa economia ficará muito dependente de capital especulativo, principalmente estrangeiro. Qualquer crisezinha que aconteça no Brasil, essa montanha de capital especulativo vai embora. Não podemos depender de capital especulativo, e se o preço disso é um pouco mais de inflação, acho que é melhor sofrer um pouco mais de inflação. Só espero que consigamos um Banco Central decente um dia desses.

Responder

Eduardo Alencar

27 de janeiro de 2011 às 14h58

A alta da SELIC não contribui para segurar a inflação. Só serve para aumentar o endividamento público e valorizar o Real. Todo mundo reclama da supervalorização do Real que favorece a entrada de importados, ferindo a indústria nacional, ao mesmo tempo em que diminui a competitividade das nossas exportações. Acontece que elevar os juros só vai servir para aumentar o fluxo de capital especulativo estrangeiro para dentro do país, supervalorizando ainda mais o Real. E nosso PIB precisa continuar crescendo a taxas de mais de 5% ao ano, por isso não faz sentido ficar aumentando as taxas de juros. A SELIC deveria continuar abaixo dos dois dígitos, abaixo de 10%.

Responder

Ricardo Goncalves

27 de janeiro de 2011 às 13h46

Não daria pra reduzir fortemente os juros, para algo como 1 ou 1,5 por cento ao ano não? Para conter o aumento exagerado do consumo e possíveis aumentos inflacionários era só reduzir os prazos de financiamento e as parcelas de empréstimos bancários. Só a redução dos juros.pagos da divida publica já seria formidável para toda a economia. Realmente não sei se e tão simples assim mas se for, seria ótimo.

Responder

Daniel Campos

27 de janeiro de 2011 às 13h04

Somos uma economia viciada em juros elevados porquê a maioria quer viver como rei sem ter que mover um dedo, e a forma mais fácil de fazer isso é ser credor do governo. E essa turma não se incomoda se a taxa de juros de 1000% que eles sonham todas as noites destruiria o país na semana seguinte, pois são como gafanhotos: Consomem e destroem sem se importar com as consequências para si mesmos e muito menos para os outros.

Responder

    IgorEliezer

    28 de janeiro de 2011 às 00h33

    Tais como gafanhotos, comem tudo e, depois de tudo destruído, voam para outro lugar.

Fabio_Passos

27 de janeiro de 2011 às 12h59

Este é um dos principais obstáculos para superar nosso subdesenvolvimento.
Nosso subdesenvolvimento foi agravado durante os últimos 16 anos de juros altíssimos.

Responder

FACA RONDÔNIA

27 de janeiro de 2011 às 12h39

Caro azenha ;
Veja, é notorio que o país promoveu uma grande inclusão social nos últimos anos, é logoco que o consumo aumentou, em todos os niveis de necessidades, e ai nós que só entendemos de consumo, queremos satisfazer anos de demanda reprimida, ai a oferta fica maior que a produção, e o governo arrocha o juro, e é basicamente isso, acho que deveria tornar a poupança mais atrativa, para o pequeno inverstidor, e ter uma política de investimento na produção, baixando juros pra investimentos, e organizar o setor de produção de alimento, se preparando adequadamente para os periodos criticos do ano. nao vejo isso, acho que essa política ta equivocada. o mercado interno e a garantia economica de um país, tem que ser preservada.

Responder

Rafael

27 de janeiro de 2011 às 11h40

Quem é que ganha com juros alto?
São eles que mandam no jogo, não existe política de governo na questão dos juros, isso é só para manter rico que já é, do mesmo modo que nos anos 80 a inflação gigantesca era maravilhosa para os ricos e destruidora dos salários dos trabalhadores um modo silencioso de diminuir a renda do trabalhador sem ele se dar por conta.

Responder

    Marco Túlio

    27 de janeiro de 2011 às 11h59

    Sei lá…parece que nem todos os setores que detêm o poder econômico são favoráveis à política de juros altos.
    http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/01/19/f

    Bom se fosse apenas uma briga ricos x não ricos.

    Pelo haveria alguém para a gente culpar. :P

Ivan Arruda

27 de janeiro de 2011 às 11h23

O drama é maior quando as forças que detém o poder, não eleitas, assessoradas por organismos internacionais como o Banco Mundial, estão imbuídas em endividar o País em dólares. Atendem, também, os anseios e interesses de especuladores imobiliários e de alguns prefeitos que pensam que o IPTU poderá amortizar dívida externa. Pior, nem pensam e endividam o município também em reais.
Quanto a taxa líquida de juros que se pratica no País, 11,25% que, se, descontada a inflação cairia para 5,5%, significa, na prática que já a partir de janeiro nos é cobrada a inflação do ano todo. Logo, a taxa real de juros nos primeiros meses do ano se aproxima de 10%.

Responder

João Carlos

27 de janeiro de 2011 às 11h02

Enquanto os instrumentos dos banqueiros, os bancos centrais, não forem extintos ao redor do mundo serão eles que ditarão as políticas monetárias de quase todos os países do mundo (China é uma das poucas exceções) e não os governantes eleitos pela população.

Responder

Sergio José Dias

27 de janeiro de 2011 às 11h01

O pior é que esta medida é contraditória em relação ao câmbio. Afinal, com o aumento da Selic mais dólares entrarão no país, pressionando pela valorização do real em relação ao dólar. Só há uma explicação, é o governo querendo dar uma demonstração cabal aos banqueiros de sua fidelidade e aceitação do poder hegemônico do capital financeiro.

Responder

Sergio José Dias

27 de janeiro de 2011 às 10h48

Texto de um gerente de banco, comentando a taxa de Selic e o spread bancário em meu blog:
sou gerente de banco, cada vez mais voces precisarao de bancos, cada vez mais estarei ganhando uma miseria a custa de voces e cada vez mais o banqueiro fica mais vampiro.

ISSO é culpa de vocês que são IDIOTAS

mova-se http://pelenegra.blogspot.com/2009/03/pelo-fim-do

Responder

Rodrigo Nin

27 de janeiro de 2011 às 09h41

Por um Banco Central Independente!!!… do capital financeiro

Responder

Roberto Locatelli

27 de janeiro de 2011 às 09h22

O Governo Lula e, agora, o Governo Dilma, são reféns desses especuladores. FHC não era refém, era cúmplice. Mas isso não diminui o efeito deletério sobre a economia que uma taxa Selic tão alta causa.

O fator que faria diminuir a taxa de juros seria uma pressão popular gigantesca, seja por mais moradias, por mais empregos, por mais ferrovias, etc. Isso forçaria o Governo a gastar mais nesses itens do que pagando juros da dívida pública. Mas a única pressão que o Governo sofre é dos especuladores e da mídia, do capital financeiro, todos puxando para o outro lado, para a elevação dos juros.

Obs.: sou radicalmente contra essa tal "independência" do Banco Central. Isso é uma mentira. Banco Central supostamente independente é Banco Central conectado ao capital financeiro.

Responder

    Marcos Neves

    27 de janeiro de 2011 às 11h36

    Ótimo comentário!!! O querido ex-presidente José de Alencar deixou isto muito claro deste do início do primeiro mandato!

    Nando Tavares

    27 de janeiro de 2011 às 21h55

    O querido ex-presidente José de Alencar?
    Brincou, né?
    http://www.anovademocracia.com.br/no-43/1695-empr

    NELSON NISENBAUM

    27 de janeiro de 2011 às 12h01

    Muito bem colocado.

    @faltorpan

    27 de janeiro de 2011 às 20h00

    O pepino a ser descascado é exatamente o do grau de participação da população. Isso implica em alguns requisitos difíceis no curto prazo:
    1) Educação generalizada para a cidadania, para o convívio social participativo, democrático efetivamente. Para tanto, é preciso que Dilma venha a ser a grande estadista que todos desejamos. Que seja capaz de, mesmo em meio às pressões e aos desvios, prover as bases para décadas de esforço educacional.
    2) Informação crítica e ampla para todos os brasileiros, não só para o grupo relativamente pequeno que pode participar de blogs e ferramentas do tipo. Dizia a professora Marilena Chauí: para ter democracia, é preciso ter isonomia, mas também isegoria, igual acesso à praça pública, onde manifestar livremente suas ideias. "Houston, we have a problem…"
    3) Meios de controle constitucionais e eficazes: um Ministério Público não partidarizado, um Legislativo com massa crítica para aprovar e fiscalizar projetos como a regulação dos meios de comunicação etc.
    Trabalhão, hein?

    Klaus

    27 de janeiro de 2011 às 20h21

    Refens…Vítimas, como sempre, né? SE FHC, Lula e Dilma fazem a mesma coisa, FHC é culpado, entreguista, mas Dilma e Lula vítimas, refens… Realmente, cabelos brancos não trazem inteligencia.

waleria

27 de janeiro de 2011 às 08h39

Antonio Correa de Lacerda e o Zé Povinho tem toda razão.

Se seguirmos essa politica linear de inflação-juros => que é muito burra, nos manteremos como quintal da China e dos USA.

Como exportar manufaturados?

E pior, como exportar know how?

A China faz a politica monetária inteligente – prioriza o cambio, e traz secundariamente seu controle de inflação. Nós nos livramos do FMI com LUla, mas conseguimos seguindo a cartilha do FMI.

Responder

Claudio Coimbra

27 de janeiro de 2011 às 08h24

Enquanto os banqueiros selvagens mandarem no governo, esqueçamos taxas de juros civilizadas.

Responder

Heitor Rodrigues

27 de janeiro de 2011 às 08h06

Da mesma forma que os EUA desvalorizam o dólar com a inundação do mercado financeiro internacional com bilhões de dólares, o Brasil deveria ampliar o uso de ferramentas alternativas para conter a entrada de dólares indesejados no país, e manter a cotação do Real sobre controle. Se a China e os EUA tem suas próprias razões, porque não teríamos as nossas?
No Governo, quem de direito deveria iniciar a batalha para chamar o sistema bancário à realidade, retirando os privilégios das empresas na relação com os clientes – principalmente os não ricos – que são verdadeira ofensa para o cidadão brasileiro.

Responder

Pedro Luiz Todero

27 de janeiro de 2011 às 08h01

Como bancário e assistindo no dia a dia esses juros entendo o porque do jargão em economia de que dinheiro naõ tem pátria mesmo nos bancos estatais brasileiros que tem titulos da dívida em suas carteiras.É revoltante como Brasileiro assistir a isso tudo e ainda ter que aturar o marketing dos bancos com presença no país.Sim o zé povinho, o do dia a dia como eu fomos masoquistas de carteirinha pois pagamos essa fara toda e acreditamos no futuro do país com qualquer governante instalado. seja de alcunha nacionalista ou não..

Responder

Heber

27 de janeiro de 2011 às 07h50

Considerem bem $ 100/mês para cada família. Redução só nestes ítens de mais de 50%.

Responder

Heber

27 de janeiro de 2011 às 07h46

A inflação hoje e daqui pra frente é afetada pelo custo da alimentação, aqui e no exterior. Um país auto suficiente em alimentos pode se proteger subsidiando. Com a economia proporcionada pela redução da taxa de jutos em 5%, poderíamos destinar mais de 50 bilhões de reais para diminuir em 100 reais por mes o gasto com alimentação de todos os brasileiros, aliviando a pressão na entresafra e incentivando a cultura familiar. O controle dos outros ítens componentes do índice (alugueres, escolas, combustível) seria mais rigoroso se incentivado por mecanismos de mercado. Os combustíveis, pricipalmente o diesel, permitem, agora devido ao óleo leve, uma redução drástica dos preços ao consumidor, contribuindo muito para uma importante generalização da queda de preços.

Responder

João

27 de janeiro de 2011 às 03h58

Belo texto: claro, sem o "ecomiquês" que alguns articulistas praticam, e vai direto ao ponto: cada ponto percentual de aumento na taxa de juros significa R$ 15 bi que pagaremos (todos nós, via impostos) aos especuladores.
Como diria Lênin: "que fazer?".

Responder

francisco p. neto

27 de janeiro de 2011 às 02h37

Começou bem o Tombini.
Qualquer ameaça de inflação, não importa os motivos, a primeira medida é aumentar os juros, a segunda é elevar os juros e a terceira é subir os juros.
É a famosa música de uma nota só.
E uma nota preta hein!!!
Você tem títulos da dívida pública?
Eu tenho títulos (papagaios) de dívida de banco público.
Não vou dizer o nome para não fazer propagando de graça.
Presidenta, espero que não fique nessa mesmice.

Responder

Marco Tulio

27 de janeiro de 2011 às 02h00

Putz!!
Que fácil, então!
É só baixar os juros! Como que todos esses ministros e presidentes não pensaram nisso? (foram todos cooptados pelas forças ocultas, poderosas e maléficas do sistema financeiro?)
Hahahahahaha
Esses economistas parecem aqueles passageiros pentelhos que num dia de chuva ficam aporrinhando o motorista enquanto tomam sua latinha de cerveja com o banco confortavelmente reclinado.
Aí, quando estão na boléia, com a responsabilidade nas costas, dirigem igualzinho…e é a vez do ex-motorista se vingar e repetir as críticas.
A não ser que seja algum cara diferente, tipo daqueles que vai matar o tigre com sua bala única. Esse não repete o script, capota a viatura.
Tem gente que não pode ver o País indo bem e construindo (finalmente) alguma base sólida…dá comichão de uma "mudança expressiva"; falta adrenalina e espaço para saírem do anonimato; saudades das bolhas.
Depois vão os netos deles fazer greve a cada 3 meses e entrar na fila pra aproveitar preço velho da gasolina.
Eu, hein?!

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    @faltorpan

    27 de janeiro de 2011 às 19h44

    Pô, Marco Tulio, também me incomoda a observação crítica do que é, mas sem arranhão crítico da alternativa: E se baixarmos os juros? Quem sairia ganhando dinheiro? É verdade. Também falta essa face da moeda. Bem notado!

Douglas O. Tôrres

27 de janeiro de 2011 às 00h07

Quando,pouco antes da posse da presidnta,havia comentários do seus já indicados ministros de contenção.corte de gastos,eu ja contava como certa a subida dos juros.Ao que parece a nossa democrcia não é ainda s[olida o suficiente para "dar uma banana ao mercado",ou nossos dirigentes (desculpem o termo) são um bando de bundões,ou temgente que ainda acredita nessas velhas formulas e tem influencia na alta corte.Espero sinceramente que a Dilma não seja um "Obama" tupiniquim,primeira mulher presidenta do Brasil e ja deu 3 escorregadas,subiu os juros sem absolutamente nenhuma justificativa,foi nominimo imprudente com as centrais sindicais,e depois de tanta novela sobre a compra dos caças,deu uma de Gilmar e diz que a"coisa" ainda não está encerrada e abre discussão com os ameicanos,que estratégicamente é o que menos favorece o país ,muito ao contrário.Belo começo.

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dukrai

26 de janeiro de 2011 às 23h54

as críticas ao aumento da taxa Selic são unânimes e mais uma vez expostas as razões do aumento dos juros que beneficiam especuladores e penalizam a economia e cidadãos.
com a palavra a Dilminha pra explicar o inexplicável.

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    @faltorpan

    27 de janeiro de 2011 às 19h41

    Talvez, além da "Dilminha", caiba perguntar também para o "Lulinha", mas sobretudo caiba perguntar para quem bolou a ideia e a acalentou desde o bercinho: o "Fernandinho", que aparentemente escapou ileso de tanta revolta. Se não, é dukrai…

    dukrai

    29 de janeiro de 2011 às 15h32

    Tô copiando de orêia, a Dilminha e o Lulinha são omissos, o Fernandinho foi cúmplice.

ZePovinho

26 de janeiro de 2011 às 23h49

Eu nem vou comentar,Azenha.Agradeço a você por manter a população alertada sobre esse assunto mais do que fundamental.
Empregos com salários melhores,acho,implica na diminuição desses juros pornográficos.

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