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Diário da Resistência


Tânia Mandarino: Paulo Henrique Amorim morreu de lawfare
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Tânia Mandarino: Paulo Henrique Amorim morreu de lawfare


11/07/2019 - 16h32

por Tânia Mandarino*, especial para o Viomundo

Paulo Henrique Amorim  morreu de lawfare.

Morreu da saraivada de processos judiciais utilizados para perpetrar a censura, numa cristalina demonstração de como e para que finalidade o poder judiciário está sendo utilizado no Brasil.

No caso de PHA, os processos foram usados como instrumento de perseguição para tentar silenciá-lo.

Receber uma citação para responder a um processo judicial é horrível para qualquer pessoa.

PHA foi metralhado pela angústia de receber  100 citações — cem, mesmo! —  por externar a sua  própria opinião, de jornalista e de se expressar livremente.

“A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”, afirmou o então ministro Ayres Brito na XXI Conferência Nacional dos Advogados do Brasil, que aconteceu em Curitiba, no ano de 2011, para justificar a posição do STF de que não se pode legislar sobre imprensa no Brasil (http://blogoosfero.cc/o-charuto/blog/liberdade-de-imp…

“Os excessos de liberdade se corrigem com mais liberdade ainda”, continuou Ayres Britto citando o pensador francês do século retrasado, Tocqueville.

E arrematou: “Quem quer que seja pode dizer o que quer que seja em qualquer situação, respondendo pelos excessos que cometer”.

O problema é que o STF,  ao decidir que não se pode legislar sobre imprensa, deixou de estabelecer regras claras sobre o conceito de “excessos”.

Ayres Brito quis  imitar o modelo americano que ele  louva como “admirável”, mas que no Brasil não teria jamais aplicação, por motivos muito evidentes.

Ao não se permitir legislar sobre imprensa, o STF abriu espaço para  a judicialização da liberdade de expressão, em flagrante prática de lawfare.

 Lawfare é “o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política”.

Em se tratando de Brasil, entre os “fregueses” do lawfare no mundo do jornalismo, jamais estaria, por exemplo, um Willian Bonner.

O alvo do  lawfare é certo e preciso. o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o diga.

Paulo Henrique Amorim também foi alvo fatal dessa prática cruel e perversa, típica de democracias em ruína e estados ditatoriais.

A tortura se pratica hoje de forma asséptica e cirúrgica nos bastidores dos cartórios judiciais, sob as togas de setores do judiciário, novos fleurys, travestidos de juízas e juízes.

A sala do Dops  mudou de endereço.

O pau-de-arara é um fibrilador potente chamado processo eletrônico.

E o coração de PHA não resistiu a tanta tortura e partiu.

Nada mais significativo que seu corpo tenha sido velado na sede da ABI.

Que a vigília não se apague até que as luzes da Democracia se acendam novamente.

PAULO HENRIQUE AMORIM, PRESENTE!

*Tânia Mandarino é membro Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia.

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5 comentários

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Aliete

12 de julho de 2019 às 10h12

Palavra tem poder. Poder gera responsabilidade. Isenção em palavra é dada aos politicos e em tribuna legislativa. Jornalista reporta fato. Ao exarar opiniao, assume a responsabilidade por ela. Gostava de PHA, mas ele, muitas vezes, usurpou da condição profissional, para opinar e criar uma situação quase “cultural” anti-governo e pró-Lula. Faltou equilíbrio, muitas vezes. Sejamos coerentes. Afirmar que sofreu lawfare, não concordo, pois seus atos, suas opiniões tiveram repercussão no mundo juridico, sim. E quem se sente lesado, busca a Justica para reparar. Minha avó dizia, “quem não pode com o pote, ao pega na rodilha”. Sentirei falta de sua presença, nas noites de domingo. Simples, assim.

Responder

    Jossimar

    14 de julho de 2019 às 12h49

    Gosta de falar merda hein?
    Bons jornalistas tem o DEVER de publicar fatos que tomam conhecimento. Uns preferem mercadejar com a informação, outros divulgam.
    Porque não tem NENHUM processo contra jornalistas que MENTIRAM por mais de uma década inventando mentiras contra o PT e seus políticos?
    OU você ainda acredita que o Lula pé o dono de Plutão?
    Ou que o apartamento de Guarujá tem mais de R$ 380 mil só em móveis?

Carlos Humberto

11 de julho de 2019 às 19h28

O problema dos Generais e das Forças Armadas com o Lula é que com o Lula eles não serviam os EUA como servem agora. Depois que o Governo Bostonaro enraizou a CIA e o Mossad no Palácio do Planalto as táticas de matar por infarto vai ser de praxe

Responder

Rudi

11 de julho de 2019 às 17h34

Cervantes disse que existem homens que lutam um dia e são bons. Há os que lutam muitos dias e são melhores. Mas os que lutam todos os dias… estes são imprescindíveis.
Certamente escreveu isto pensando em seres superiores como PHA.

Responder

    Jossimar

    14 de julho de 2019 às 12h50

    É isto aí mesmo, viu Aliete.


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