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Diário da Resistência


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Silvia Camurça: Dilma, a pobreza e as mulheres


04/03/2011 - 10h59

Dilma, a pobreza e as mulheres

Silvia Camurça (*)

A presidenta Dilma tem afirmado como orientação estratégica de seu governo o combate à pobreza e à erradicação da miséria. Muito bom, muito melhor do que se fosse o crescimento do PIB. Mas, longe de ser transparente, esta afirmação ainda guarda enormes ambiguidades, podendo significar toda sorte de medidas: desde o controle do número do nascimento dos pobres, para os que defendem a doutrina malthusiana (e ainda há quem defenda), até a profusão de cursos profissionalizantes, para aqueles que pensam, ingênua ou cinicamente, que a pobreza é causada pela falta de estudo.

A pobreza, como sabemos, não é um câncer, nem um mosquito ou erva daninha, que pode ser extirpado num grande mutirão, reunindo todo o mundo. Não, a pobreza é uma situação, uma condição de vida, imposta para milhões de pessoas pela força das relações de exploração sobre o trabalho, mas também pela política econômica, pela regulamentação tributária, pela política de ocupação das terras, rios, mares e praias, pela concessão de benefícios fiscais, pelos projetos de desenvolvimento, enfim, por muitas variáveis reguladas pelo Estado e gerenciadas pelos governos, e que produzem e reproduzem acumulação das riquezas nas mãos de uns, em detrimento da maioria, e favorecem o capital.

Como é sabido, no capitalismo, o combate à pobreza, exige medidas como controle de capitais, impostos maiores para os mais ricos, taxação de grandes fortunas, de heranças, e sobre lucros. Todas estas são formas, conhecidas, testadas e aprovadas, para retirar um pouco dos que têm mais e re-distribuir para os que não têm nada – na forma de serviços públicos ou de assistência social, transferência de renda, seguro desemprego e outros meios. Mas disso, tenho certeza, Dilma entende. E sabemos, que essas políticas dependem da correlação de força no Congresso, na mídia, e no próprio governo.

Contudo, na perspectiva feminista, esta diretriz do Governo pode conter ainda mais ambiguidades. Foi sobre as mulheres que se fez o controle de natalidade em nome de combate à pobreza, nos anos 1970. Mas esse tempo não acabou. Nos primeiros meses do primeiro Governo Lula, o tema voltou à baila com uma proposta, felizmente derrotada dentro do próprio governo, de associar o Bolsa Família ao uso de método contraceptivo. Saímos em grita muitas de nós, a Articulação de Mulheres Brasileiras uma delas, com o manifesto “A pobreza não nasce da barriga das mulheres”. Não penso que este risco estaria colocado agora. Mas começo de governo é sempre tempo de disputa de rumos para as políticas públicas. E cada ministério terá de interpretar esta diretriz para seu mandato, o que abre margem a muitas propostas.

A pobreza é maior entre as mulheres. Recebemos menos que os homens no mercado de trabalho, somos a maioria em contratos precários de trabalho. E nas muitas ocupações informais, somos as que recebem os menores valores de benefícios previdenciários. Mas, temos certeza, não será apenas com o Bolsa Família que iremos superar esta situação. A mais perfeita tradução para uma estratégia de combate à pobreza entre as mulheres são políticas promotoras da autonomia. Isto quer dizer política de aumento continuado do salário mínimo; investimentos em equipamentos para reduzir o impacto da divisão sexual do trabalho, que sobrecarrega as mulheres; garantias do acesso à terra e a meios de produção, moradia e trabalho, e, acima de tudo, muitas creches, boas e em grande quantidade, nas cidades, no campo e na floresta – um desafio em tempos de cortes no orçamento.

Contudo, no Governo Dilma, o maior desafio para garantir políticas promotoras de autonomia para as mulheres será, sem dúvida, enfrentar os religiosos conservadores. Estes estão à espreita desde o final da campanha eleitoral e rearticulados faz tempo. Estão se apropriando dos fundos públicos por meio da gestão dos orçamentos de serviços de educação e de saúde, por todo o país. São as famigeradas fundações sociais, muitas das quais, sob controle de grupos com orientação religiosa fundamentalista, tentam implementar suas próprias diretrizes na orientação dos serviços. E aí, o foco não terá nada a ver com autonomia das mulheres, mas com a conhecida associação materno-infantil, orientação política que percebe as mulheres apenas na sua condição de mãe, situação que não é de todas e nem durante toda a vida de todas as mulheres.

(*) Silvia Camurça é socióloga, educadora do SOS Corpo Instituto Feminista para Democracia e integra a coordenação nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras





43 comentários

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Luci

06 de março de 2011 às 12h40

O problema do Brasil não são os cidadãos brasileiros pobres, mas sim os ricos e suas fortunas e latifúndios amealhados (desde 1540, concentrada em mãos de poucos) por sistemas de ganância e exploração, tornaram significativa parcela da população empobrecida e aumentam/mantém a desigualdade social no Brasil (uma das maiores do mundo) Porque a diferença salarial entre homens e mulheres? Porque não há uma política eficaz de combate à corupção e sonegação de impostos? Os pobres (empobrecidos) tem menor salário e pagam mais impostos que os ricos, até Quando irão controlar a especulação financeira? O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, prometeu na abertura do Congresso do Povo enfrentar a má distribuição de renda com reajustes regulares na renumeração dos trabalhadores e no salário mínimo, além de controlar a inflação.

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Carlos A. Moliterno

05 de março de 2011 às 22h40

Aí, Silvia, falou e disse. Em poucos e certeiros parágrafos vc desmascarou essas teses – tão vulgares quanto interesseiras – que volta e meia tentam impingir a idéia de que o controle da natalidade das mulheres pobres é uma das maneiras de resolver o problema da miséria no Brasil.

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FrancoAtirador

05 de março de 2011 às 22h34

A Playboy que se cuide: a concorrência tá aumentando

PUTARIA DE ELITE: Revistas ensinam às moçoilas da Zona (Sul do Rio)
como agarrar um turista trouxa no Carnaval

Foi o caso da Nova Abril, de Época/Globo e da Mix.

#vergonhaalheia

Detalhes em:
http://mariafro.com.br/wordpress/

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José Policarpo Jr.

05 de março de 2011 às 22h18

Considero que o artigo não esclarece muita coisa. Trata-se da repetição de vários clichês. A autora do artigo sequer se dá o trabalho de pensar nas condições pessoais de reprodução da pobreza. A sociedade se reproduz não apenas por estruturas objetivas, como faz crer a autora, mas igualmente por estruturas subjetivas provenientes de origens várias: históricas, sociais, comunitárias, familiares e também pessoais. O conceito de habitus de Bourdieu explica um pouco isso. Mas, aqui no Brasil, raramente se quer pensar em qualquer coisa que tenha por implicação e também por fundamento a ação e posição pessoais. Toda ação política objetiva tem que estar aliada a estas, se de fato se deseja alcançar aquilo que se pretende com as políticas sociais.

Nesse sentido, é preciso, sim, lançar alternativas que instiguem as pessoas a olhar para si mesmas e ver o que em seu próprio modo de pensar, sentir e se comportar faz com que sua situação se reproduza – e isto precisa ser feito em relação a todas as classes sociais e não apenas aos que se encontram abaixo da linha da pobreza. Nenhuma liberdade pode ser exercida sem que o sujeito perceba sua "respons-abilidade". A atuação nas condições objetivas é muito importante, mas não é e jamais será tudo. Cuba e os demais países outrora socialistas estão aí para provar.

Em suma, acho esse discurso muito repetido pela esquerda, com os resultados sempre aquém do que é prometido.

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    Emilio Matos

    05 de março de 2011 às 23h07

    Você consegue visualizar realmente isso que você sugere acontecendo? Quero dizer, como pode uma pessoa que passa por uma infância completamente desestruturada, com condições precárias de saúde que não comportam um desenvolvimento pleno de suas conexões neurais, uma adolescência com uma educação de péssima qualidade, um trabalho embrutecedor para sobreviver, como pode uma pessoa nessas condições ter essa meta-consciência de analisar o seu próprio modo de pensar? Parece meio evidente que não é possível dar condições assim para que uma criança se desenvolva, independentemente do que seus pais ou ela própria pensem. Você parece estar extrapolando uma idéia que é perfeitamente razoável em situações normais para uma situação completamente extrema de uma pessoa em condições péssimas de habitação, saúde, educação. Essa extrapolação parece completamente fora de propósito.

    José Policarpo Jr.

    06 de março de 2011 às 09h26

    Não, Emilio. Considero antes o contrário. Mas primeiramente observe que eu não desconsidero, em hipótese alguma, a atuação no campo objetivo (melhoria da renda do salário mínimo, bolsa família, boas escolas e creches, etc., etc.).

    Agora, eu sei por experiência própria (tenho uma longa convivência com a esquerda, dos movimentos sindicais, de bairro e até partidários, etc.), que a esquerda é, em sua grande maioria, infensa a qualquer iniciativa que, juntamente com melhorias objetivas, instiguem as pessoas a pensar em sua responsabilidade (habilidade de responder às circunstâncias) pessoal. Existem inúmeros programas e formas de estimular as pessoas e ajudá-las a formar tal atitude – isto não é coisa do outro mundo, de forma alguma; e a esquerda, antes de ficar repetindo isso à exaustão, deveria se dar o trabalho de estudar mais tais iniciativas, suas bases teóricas e práticas. Todavia, a repetição infinita desse discurso das condições objetivas (que tem a sua razão de ser – não estou negando isso), desconsiderando a importância do desenvolvimento da visão e afirmação pessoais, é o que termina, no meu entender, retirando das pessoas que se encontram na miséria a própria possibilidade de elas se afirmarem como sujeitos de sua vida.

    Todo ser humano é capaz de pensamento, mesmo nas situações mais extremas. Negar tal característica aos seres particulares em nome de condições objetivas é o que me parece a postura mais desumanizadora.

    Emilio Matos

    06 de março de 2011 às 17h03

    Compreendi melhor seu argumento, e tendo a gostar da estrutura dele, com a ressalva de que para se ter um mínimo de dignidade não acho necessário que se cobre nenhuma contrapartida do cidadão. Incomodaria se, por exemplo, um argumento como esse fosse usado para apoiar idéias conservadoras como limitar o prazo de um programa como o Bolsa-Familia.

    Emilio Matos

    08 de março de 2011 às 11h36

    Na verdade, esse seu discurso parece ser o disfarce humanista perfeito para pensamentos do tipo: pobres podem perfeitamente melhorar sua situação, e não o fazem apenas em razão de não assumirem a responsabilidade por suas vidas. Também pode ser usado para justificar extensões e melhorias nos programas sociais para estímulo ao empreendedorismo e educação. Você aparenta estar querendo sugerir coisas como essa segunda hipótese, mas como a idéia pode servir para justificar ações concretas praticamente opostas, acaba por não servir para muita coisa.

    Sugiro que você acompanhe sempre esse discurso com o que concretamente você quer dizer. Com o quê exatamente significa "alternativas que instiguem as pessoas a olhar para si mesmas e ver o que em seu próprio modo de pensar, sentir e se comportar faz com que sua situação se reproduza".

Nena Noschese

05 de março de 2011 às 18h10

A noticia do site JUSBRASIL que abaixo reproduzo, esclarece o quanto estamos longe de uma integração HXM, o nosso Ministro do Supremo, livrou a cara de um machista contumáz e perigoso que deveria ser punido exemplarmente ,leiam a seguir é descarada a descriminação feminina na Lei máxima brasileira.

O ministro Março Aurélio, do STF, suspendeu ato do CNJ que afastou, por dois anos, o juiz mineiro Edilson Rodrigues por ter supostamente se manifestado contrário à Lei Maria da Penha e de maneira discriminatória quanto às mulheres. Para o ministro, o afastamento do juiz foi inadequado porque as considerações tecidas o foram de forma abstrata, sem individualizar-se este ou aquele cidadão. A decisão que tinha afastado Rodrigues foi baseada em uma sentença que o juiz prolatou em 2007 em um processo sobre violência contra a mulher, quando era titular da 1ª Vara Criminal e Juizado da Infância e Juventude de Sete Lagoas (MG).
Nela, ele declarou, dentre outras coisas, que "o mundo é masculino e assim deve permanecer". (MS n. 30.320 – com informações do STF)

Responder

    Geysa Guimarães

    06 de março de 2011 às 18h48

    Nena Noschese:

    Brigaduuu! Ouvi num telejornal noturno, tava querendo saber mais sobre esse (desa) – juiz – (ado).
    Aliás, dois, Marco Aurélio também.
    Que o mundo é masculino ele até podia falar, não seria nenhuma bobagem. Mas que assim deve permanecer…
    Por que não te calas, insolência?

Conceição Coelho

05 de março de 2011 às 11h15

Tenho observado, se quisermos reduzir o nº de filhos, basta melhorar o salário. ~Raríssimas famílias, de média condição financeira tem mais que três filhos, a maioria dois.
Aproveito para dizer que esse salário mínimo, aprovado pelo governo, é um crime, uma indecência.
Penso que a dilma está com Síndrome de Estocolmo.

Responder

    Silvio

    05 de março de 2011 às 23h01

    Conceição Coelho:
    A redução da natalidade e uma arma de dois gumes. Brasil tem uma superfície enorme, que se encontra desabitado em muitos lugares. Si se faz uma política para que cada casal tenha nada mais que um o dois filhos se pode chegar a um dia a que a mortalidade seja maior que a dos nascimentos. Temos aqui pertinho um exemplo de isto. Uruguai que praticou a política que você defende, hoje em dia está com problema habitacional, faltam habitantes. Com as conseqüências graves que isso gera. Uruguai e um pouco menor que o estado de São Paulo. São Paulo esta perto de os 40.000,000 de habitantes e Uruguai têm 3.500,000 habitantes.

O_Brasileiro

05 de março de 2011 às 09h07

É cínico culpar, nos dias de hoje, a taxa de natalidade pela pobreza, ao invés de assumir que a pobreza e, em alguns casos as crenças das pessoas, são responsáveis por famílias que têm número excessivo de filhos!
Se considerarmos o comentário feito pelo Leider Lincoln abaixo, talvez no futuro tenhamos até que estimular as famílias a ter mais filhos, como acontece em alguns países da Europa. E ai? O número de filhos vai depender da renda familiar? E alguém vai querer obrigar uma CEO a ter 4 filhos???
O que falta hoje em dia é responsabilidade das famílias para com os poucos filhos que tiveram. Não fosse isso, não haveria tanto crime de colarinho branco, e tantos garotos queimando mendigos ou espancando supostos homossexuais!

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Andre

05 de março de 2011 às 01h28

Essa sim uma mulher que PENSA. E para variar, nordestina.

Bela reflexão sobre o "carnaval":

http://www.youtube.com/watch?v=oLmFQxsMbN4&fe

Responder

Emilio Matos

05 de março de 2011 às 00h25

Por que esse assunto de controle de natalidade começou a aparecer com mais frequência nas últimas semanas? Perdi alguma notícia? O que está acontecendo? Lembro de ter respondido uns 3 comentários na úlltima semana que tocam nesse assunto…

Para mim, o que deve ser feito, e não apenas por esse motivo, é melhorar a qualidade da educação. Isso, além de muitos outros benefícios mais importantes, prepara as pessoas para fazerem seus próprios planejamentos familiares mais conscientemente. Não concordo com nada que o Estado faça relacionado a controle de natalidade. Isso tem matizes eugênicos que podem facilmente degringolar para coisas piores.

Responder

CC.Brega.mim

04 de março de 2011 às 23h09

"retirar um pouco dos que têm mais e re-distribuir para os que não têm nada"

na verdade, existe transferência de renda dos pobres para os ricos
com a mediação do estado
por meio dos impostos, recolhe-se dinheiro de todos
(menos dos ricos que não pagam e ainda recebem descontos e renegociações)
e distribui-se para os grandes empresários e empresas de amigos dos políticos
para as multinacionais estadounidenses e europeias

as políticas de transferência de renda
apenas puxam um pouquinho a balança pro lado dos pobres
ainda assim é o que se tem conseguido fazer
avançando finalmente nas melhorias

mas a disputa continua.
e é preciso sim avançar na direção da autonomia
(concordo totalmente.)

Responder

SILOÉ

04 de março de 2011 às 21h39

Me parece que é justamente esse caminho que a Dilma está trilhando. Só que com tantas entidades eclesiáticas , midiáticas, etc,etc, contra: Que tem que ser com passos curtos mais firmes, prá não levantar muita poeira…

Responder

roberto

04 de março de 2011 às 21h39

o feminismo é próprio das mulheres de temperamento agressivo. Esse tipo de mulher é agressiva por natureza e antes do movimento feminismo elas direcionavam a ira para o que melhor se prestasse como alvo. Com o feminismo elas "acharam" por fim um canal "legítimo" e "politicamente correto" para escoar a sua permanente perturbação interior: o ataque sistemático ao homem e a tudo que diz respeito ao mundo masculino, como se a preocupação primeira do homem no planeta fosse depreciar, menosprezar e exterminar a mulher.

Responder

    Érica Carvalho

    05 de março de 2011 às 10h49

    Roberto, sem palavras. Nada que um bom tanque de roupa não resolva a sua vida. Depois vá catar coquinho meu velho.
    O artigo da Silvia é muito show

    ANA

    05 de março de 2011 às 10h58

    Roberto,

    Se o feminismo é próprio das mulheres de temperamento agressivo, afirmo que o machismo é próprio de homens covardes.

    E assim, o mundo está na 'mais perfeita ordem' de simplificação das relações humanas!

Mariana Rodrigues

04 de março de 2011 às 21h38

Excelente artigo! Sívia ficou bem na fita. É preciso deixar tudo claro como a luz do dia

Responder

FrancoAtirador

04 de março de 2011 às 20h14

47% das famílias de mulheres sem cônjuge viviam com até ¾ de salário mínimo per capita

As estratégias de reprodução das famílias monoparentais, em especial, as femininas (que, em 2006, correspondiam a cerca de 10,7 milhões) são particularmente difíceis visto que 47% viviam com até ¾ de salário mínimo per capita. Esta situação econômica precária se agrava entre aquelas em que todos os filhos tinham idade inferior a 16 anos, das quais 60% viviam com até ¾ de salário mínimo per capita .
Também, em relação à distribuição por classes de rendimento, constatou-se que 70,0% de famílias na Região Nordeste poderiam ser consideradas pobres, na medida em que viviam com até ¾ de salário mínimo per capita , enquanto no Sudeste essa proporção era de 54,4%.
Mais mães com renda familiar per capita inferior a ½ salário mínimo
Entre 1996 e 2006, aumentou de 69,3% para 74% a proporção de mulheres com filhos que viviam com rendimento familiar até ½ salário mínimo per capita, ou seja, uma variação de 4,7 p.p.
No caso das mulheres com rendimento familiar per capita de 2 salários mínimos ou mais, verificou-se a proporção de 47,7%, em 2006.
Cerca de 31% das famílias em que a mulher era a pessoa de referência viviam com rendimento mensal até ½ salário mínimo per capita. Nas famílias com “chefia” masculina, esse percentual era mais baixo (26,8%). No Maranhão, mais da metade das famílias com “chefia” feminina (55,3%) viviam com rendimento inferior a ½ salário mínimo mensal per capita.
Em 2006, a proporção de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos de idade) com filhos nascidos vivos era de 63%.
Entre 1996/2006, das 32,7 milhões de mulheres com filhos:
30,9% tinham um filho
33,3% tinham dois filhos e
35,8% tinham três filhos ou mais.
As Regiões Norte e Nordeste sofreram um aumento de 4,2 pontos percentuais e 2,2 pontos percentuais (p.p.), respectivamente, na proporção de mulheres com filhos.
A fecundidade das mães adolescentes cresceu
Houve um aumento da proporção das adolescentes de 15 a 17 anos de idade com filhos: de 6,9% em 1996, passou para 7,6%, em 2006. No Nordeste, houve a maior variação desta proporção (1,2 p.p).
De acordo com os dados do Registro Civil 2005, 19,9% das crianças que nasceram naquele ano originaram-se de mães adolescentes, proporção esta que se mostrou mais elevada na Região Norte, com destaque para Tocantins, Pará e Acre.
Entre 1995 e 2005, Piauí e Ceará tiveram os maiores crescimentos relativos da proporção de nascidos vivos de mães adolescentes: 54,1% e 39,7%, respectivamente.
Os níveis de maternidade das jovens de 18 a 24 anos de idade eram de 34,9%, em 2006.
A Região Sul houve a maior queda (7,5 p.p.), e a Norte foi a única com aumento na proporção de mulheres com filhos para este grupo etário (2,8 p.p.) e o maior percentual comparado com as demais regiões (49,3%).
Na fase adulta (entre 25 a 49 anos de idade) a proporção de mulheres com três filhos ou mais era de 48,6%.

Mulheres menos instruídas e negras têm mais filhos
As mulheres com até 3 anos de estudo chegam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo.
Ao considerar a cor ou raça, invariavelmente são observados, no segmento de mulheres brancas, níveis mais baixos de fecundidade que os de mulheres pretas e pardas.
Em 2005, as taxas de fecundidade das mulheres brancas no Sudeste (1,7 filho por mulher), Sul (1,9) e Centro-Oeste (1,9) já estavam abaixo do nível de reposição (2,0 filhos por mulher), enquanto a das mulheres pretas e pardas da Região Norte foi estimada em 2,6 filhos por mulher.
Os dados revelam uma maior quantidade de filhos nas famílias mais pobres, bem como indicam que a redução da taxa de fecundidade, observada nos últimos anos, ocorreu, principalmente, entre as mulheres nas famílias com melhores condições de vida, que optam por ter menos filhos. http://www.ibge.gov.br

Responder

FrancoAtirador

04 de março de 2011 às 20h04

1) De acordo com dados do CENSO do IBGE, o planejamento familiar está diretamente relacionado à educação e à renda das famílias, independentemente de gênero.

2) Uma política pública de controle da natalidade, não implica em esterilização em massa das mulheres pobres, mas, sim, de educação para o uso correto de meios contraceptivos, cabendo ao casal, conscientemente, usar destes métodos ou não.

3) Precisamente os setores conservadores da igreja católica é que são contra o controle da natalidade por meios de contracepção.

Responder

David

04 de março de 2011 às 19h33

Vincular controle de natalidade com bolsa família é inacreditável!

Responder

Leider_Lincoln

04 de março de 2011 às 18h30

E outra: o Brasil está muito próximo é de ter a doença japonesa, i.e., taxa de natalidade abaixo de 2,1 filhos por mulher, que é a taxa a partir da qual a população de um país, no futuro, tenderá a cair, com graves danos para a economia.

Responder

    Andre

    05 de março de 2011 às 02h10

    Pela primeira vez concordo com voce.

    O_Brasileiro

    05 de março de 2011 às 08h54

    Haverá reposição com imigração, como em outros países!
    Como o Brasil já é multi-étnico, acho que isso não será um problema.
    No passado já recebemos italianos, japoneses, alemães, entre outros.

Archibaldo S Braga

04 de março de 2011 às 18h13

Interessante observar, como uma boa parte das pessoas, principalmente uma parte do clero, acha que pobre não tem direito a ter opinião!!! Braga

Responder

Davi Sensu

04 de março de 2011 às 18h00

Esse não é meu primeiro comentário no Viomundo, e tenho nas últimas semanas me espantado com as cobranças descabidas e às vezes, na minha opinião, infantis tanto do blog quanto de alguns comentaristas…
Dito isso, vincular controle de natalidade com bolsa-família, são outros quinhentos… Não há nada que justifique isso. Se justamente a luta é para deixarmos de tratar as pessoas mais pobres como cidadãos de segunda classe… Se o governo achar que pode cercear o direito dessas pessoas a escolher quando querem ter filhos só porque são pobres, isso seria imperdoavel. Uma coisa é preparar programas de educação para planejamento familiar, outra é fazer chantagem com dinheiro público: "só te dou dinheiro pra comer se parar de ter filhos". A extrema direita adoraria, mas não posso acreditar que o PT, Lula e principalmente a Dilma sequer coloquem isso na mesa. Não é possível.

Responder

    SILOÉ

    05 de março de 2011 às 00h44

    Mas aí há um contra-censo: se quanto mais filhos mais dinheiro, pode parecer também um incentivo. Não é?

    ruy marcondes garcia

    05 de março de 2011 às 08h16

    Concordo totalmente com seu comentário, exceto com a arrogância desnecessária contida no primeiro parágrafo.
    Um abraço

Emilio Matos

04 de março de 2011 às 15h46

Quando, ainda na campanha presidencial, alterou-se o programa de governo do PT, foi retirado o parágrafo que tocava no assunto de tributação de fortunas. Eu fiquei, como sempre, indignado, e postei meus impropérios de sempre por aqui. Vou fazer uma provocação: lembro que o Glécio Tavares me respondeu que não precisava colocar isso no programa de governo, bastava apenas implementar após assumir. E aí, Glécio, ainda confia?

Responder

Emilio Matos

04 de março de 2011 às 15h43

Muito oportuna a observação de que, no CAPITALISMO, são necessárias medidas como impostos maiores para mais ricos, impostos sobre patrimônio, fortunas e herança. É muito comum, ao se falar isso aqui no Brasil, as pessoas reagirem com um discurso de que isso é radical, que essas idéias são comunistas. Não sei de onde tiraram que o capitalismo pode funcionar sem isso. Os países capitalistas têm impostos sobre patrimônio bem altos, isso as pessoas parecem não saber. Nos próprios Estados Unidos, tido por muitos aqui como protótipo de tudo o que o Brasil deveria ser, o imposto sobre herança é bem alto, chega a 50%, e começa a incidir sobre heranças da ordem de 10 mil dólares. Isso a imprensa não fala. Só quer vender a idéia de que isso são idéias radicais.

Responder

    SILOÉ

    05 de março de 2011 às 00h49

    Não sou o Glécio, mas se você tiver um pouco mais de paciência, verá seu sonho realizado.

Remindo Sauim

04 de março de 2011 às 14h49

Quero ver colocar 8 filhos no mundo, e sem estudo, conseguir condições de criar esta prole dignamente. Tenho 4 filhos, estudei dos 7 aos 24 anos, trabalhei mais 38 e sempre senti dificuldades. Imagino como alguém sem estudo e o dobro de filhos conseguira isto. Talvez a autora saiba algum segredo que não me contaram. No mais concordo com ela.

Responder

    Emilio Matos

    05 de março de 2011 às 00h17

    O segredo é melhorar a educação no país, ué. Aumentar a consciência das pessoas através da educação parece ser a coisa adequada a se fazer. Não fazer isso e fingir que a solução é implantar controle de natalidade é distorcer as coisas, atacar o problema pela consequência, não pela causa. Não concordaria nem em fazer as duas coisas, pelos matizes eugênicos que coisas como essa poderiam facilmente assumir…

Jotapeve

04 de março de 2011 às 14h27

Queria perguntar a esta socióloga se ela visitou o sertão nordestino e conversou com mulheres q já tiveram mais de vinte filhos, sendo que a maioria morreu por desnutrição. Isto está diretamente ligado com educação e falta de informação. Nestes casos o controle de natalidade viria muito bem, inclusive as mulheres que se encontram nsta situação agradeceriam muito.

Responder

    Emilio Matos

    05 de março de 2011 às 00h12

    Nesses casos, ter educação de boa qualidade viria muito bem. Dar condições para que crianças não morressem de desnutrição no país viria bem. Isso não tem nada a ver com controle de natalidade…

Lucas Cardoso

04 de março de 2011 às 14h13

Não acho que o controle de natalidade deve ser precondição para o bolsa família, mas técnicas de planejamento familiar, como contraceptivos, esterilização (vasectomia e laqueadura) e aborto devem ser mais acessíveis para toda a população. Assim como a continuação de campanhas publicitárias para aumentar a consciência de todos sobre essas técnicas. Isso é bom também para as mulheres, já que elas terão mais poder pra decidir quando terão filhos.

Responder

leo

04 de março de 2011 às 13h05

Onde come um comem mil.

Responder

    SILOÉ

    05 de março de 2011 às 00h53

    Só se for uns aos outros!!!

leo

04 de março de 2011 às 13h00

Concordo que aliar o controle de natalidade ao programa Bolsa-Família é negativo, mas não tira a sua importância e urgência.

Responder

    Emilio Matos

    04 de março de 2011 às 15h36

    Controlar a natalidade para que não fique baixa eu acho importante. Precisamos de gente, quanto mais melhor. O oposto me parece uma visão de muito curto prazo. Comida é barato. Educação tem que ter. Há muito o que fazer para melhorar isso, sem recorrer a coisas como controle de natalidade, que pode muito facilmente degringolar para nazistices. Você é da classe média? Se sim, me responda francamente: gostaria de que o governo ficasse controlando quantos filhos você pode ter? Não vê o quanto isso é ultrajante? Por que o que não é bom para uns é bom para outros? Existem cidadãos que são mais cidadãos que os outros agora?


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