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Pochmann: Pobres que trabalham e estudam têm jornada maior que operários do século XIX


01/10/2011 - 00h43

por Fernando César Oliveira, site da UFPR, sugestão de Luana Tolentino

O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), classificou ontem à noite em Curitiba como “heróis” os brasileiros de famílias pobres capazes de conciliar o trabalho com o estudo.

“No Brasil, dificilmente um filho de rico começa a trabalhar antes de terminar a graduação ou, em alguns casos, até mesmo a pós-graduação”, observou Pochmann.

“Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.”

O presidente do Ipea foi um dos palestrantes na abertura da terceira edição do Seminário Sociologia & Política, ao lado da professora Celi Scalon (UFRJ), no Teatro da Reitoria da UFPR. “Repensando Desigualdades em Novos Contextos” é o tema geral do seminário. Promovido pelos programas de pós-graduação em Sociologia e em Ciência Política da instituição, o evento termina nesta quarta-feira (28).

Pochmann lembrou que o Brasil levou cem anos, desde a proclamação da República, em 1889, para universalizar o acesso das crianças e adolescentes ao ensino fundamental. “Mas esse acesso foi condicionado ao não crescimento dos recursos da educação, que permaneceram em torno de 4,1% ou 4,3% do PIB. Sem ampliar os recursos, aumentamos as vagas com a queda da qualidade do ensino.”

Essa universalização do ensino fundamental, no entanto, não significa que 100% dos brasileiros em idade escolar estejam estudando. Segundo dados apresentados pelo dirigente do Ipea, ainda existem 400 mil brasileiros com até 14 anos fora da escola. Se essa faixa etária for estendida para 16 anos, a cifra salta para 3,8 milhões de pessoas.

“A cada dez brasileiros, um é analfabeto. E ainda temos cerca de 45% analfabetos funcionais. É muito difícil fazer valer a democracia com esse cenário.”

Em sua fala, Marcio Pochmann também abordou temas como a redução da taxa de fecundidade das mulheres brasileiras, o crescimento da população idosa, o monopólio das corporações privadas transnacionais e a concentração da propriedade da terra.

“O Brasil não fez uma reforma agrária, não democratizou o acesso à terra. Temos uma estrutura fundiária mais concentrada do que em 1920, com o agravante de que parte dela está nas mãos de estrangeiros”, afirmou o economista. “De um lado, 40 mil proprietários rurais são donos de 50% da terra agriculturável do país, e elegem de 100 a 120 deputados federais. De outro, 14 milhões trabalhadores rurais, os agricultores familiares, elegem apenas de seis a dez deputados.”

Para Marcio Pochmann, a desigualdade é um produto do subdesenvolvimento. “Não que os países desenvolvidos não tenham desigualdade, mas não de forma tão escandalosa.”

Nem revolucionário, nem reformista

Segundo o presidente do Ipea, a participação dos 10% mais ricos no estoque da riqueza brasileira não mudou nos últimos três séculos. Permanece estacionada na faixa percentual em torno de 70 a 75%.

“Somos um país de cultura autoritária, com 500 anos de história e menos de 50 anos de vivência democrática. O Brasil não é um país reformista e muito menos revolucionário”, sentencia Pochmann. “A baixa tradição de uma cultura partidária capaz de construir convergências nacionais nos subordina a interesses outros que não os da maioria da população.”

Marcio Pochmann afirmou que os ricos não pagam impostos no Brasil. “Quem tem carro, paga IPVA. Quem tem lancha, avião ou helicóptero, não paga nada. E o ITR [Imposto Territorial Rural] é só pra inglês ver”, exemplificou. “Quem paga imposto no Brasil são basicamente os pobres.”

Um estudo do Ipea teria demonstrado que os moradores de favelas pagam proporcionalmente mais IPTU do que os brasileiros que vivem em mansões. “Quem menos paga é quem mais reclama de imposto. Tanto que impostômetro foi feito no centro rico de São Paulo.”

Pochmann observa que o tema das desigualdes não gera manifestações, não gera tensão. “Não há greve em relação às desigualdades.”

Trabalho imaterial

Na avaliação de Márcio Pochmann, a sociedade mundial está cada vez mais assentada no que ele chama de “trabalho imaterial”, associado a novas tecnologias de informação, como aparelhos celulares e microcomputadores. “O trabalhador está cada vez mais levando trabalho pra casa.”

Essa sociedade do trabalho imaterial, conforme o dirigente do Ipea, pressupõe uma sociedade que tenha como principal ativo o conhecimento. “Pressupõe o estudo durante a vida toda, e o ensino superior apenas como piso.”

Pochmann criticou ainda a forma como a comunidade acadêmica tem tratado o tema das desigualdades no país. “O tema tem sido apresentado de forma muito descritiva e pouco de enfrentamento real e efetivo. Em que medida a discussão está ligada a intervenções efetivas, a políticas que possam de fato alterar a realidade como a conhecemos?”

Na avaliação dele, a fragmentação e a especialização das ciências sociais aprofundariam o quadro de alienação sobre o problema das desigualdades.

“As pesquisas não mudam a realidade. Quem muda a realidade é o homem. Agora, as pesquisas, as teorias mudam o homem. Se mudarem o homem, ele muda a realidade. Nada nos impede de fazer isso, a não ser o medo, o medo de ousar.”

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67 comentários

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analuçia

10 de junho de 2019 às 10h52

quero trabalhar com vs divulgar se afiliado

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A dura vida do brasileiro “indolente” « João Carlos online

08 de outubro de 2012 às 18h41

[…] O economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea, usou um argumento tão óbvio quanto demolidor contra a tese de que o brasileiro é indolente e preguiçoso, durante um seminário sobre sociologia e política na Universidade Federal do Paraná (a cobertura, de Fernando César Oliveira, site da UFPR , li no Viomundo). […]

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Luci

04 de outubro de 2011 às 16h05

Justiça seja feita ao porfessor Marcelo paixão do Instituto de Pesquisas LAESER, que vem há muito tempo fazendo estas mesmas denúncias.

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Rodrigo C

02 de outubro de 2011 às 18h16

Interessante ponto de vista. Só acho que o foco da matéria é limitador e tem certo viés ideológico. Porque quem é "rico" ou "menos pobre" e estuda também tem essa superjornada. Faço segunda graduação e canso de sair de casa às 7h30 e chegar de volta às 23h.

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Elvys

02 de outubro de 2011 às 14h26

Como muitos comentaristas, também passei por essa jornada: trabalho dia inteiro 8-9 horas no minimo, 3 horas deslocamento, 4-5 horas de aulas. Tudo isso na cidade de São Paulo; para deixar mais claro, principalmente para aqueles que conhecem a cidade: morar na Penha (zona leste), trabalhar o Centro e estudar no Butantã (zona oeste). Felizmente consegui concluir a graduação e ficou ainda convite para pós (mestrado). Mas obrigações familiares falaram mais alto naquele momento. Sei que essa é a realidade de muitos que vivem nas grandes cidades.

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@antoniornavarro

02 de outubro de 2011 às 13h59

Nada de alguma liderança propor uma redução na jornada de quem estuda e trabalha?

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Regina Braga

02 de outubro de 2011 às 12h47

Excelente o texto…excelente a frase do Locatelli…E ainda falam de Cuba! Cabeças pequenas,lavadas e forjadas pelo pigcamaleão…Reclamam da ditadura cubana, mas, não enxergam a escravidão das pessoas na pseudo democracia.

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selma albernaz

02 de outubro de 2011 às 12h06

concordo na avaliaçao da comunidade academica. saliento que a capes nao pontua ou considera as atividades de professores das ifes voltadas para promoçao de politicas publicas com o objetivo de divulgar teorias pautadas nas mudanças de valores, como por exemplo sobre as relaçoes de genero, raciais/etnicas.

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João Carlos

02 de outubro de 2011 às 11h52

Pochmann tem trazido luz a questões que não têm sido efetivamente enfrentadas pela esquerda brasileira, como a necessidade das reformas tributária, agrária e trabalhista, com viés popular, para inverter a lógica perversa que taxa os pobres e alivia os ricos; concentra terra e riqueza no campo; e extenua os trabalhadores, sobretudo os mais jovens, com extensa jornada de trabalho. Sem isso, o combate às desigualdades torna-se apenas retórico.

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Leider_Lincoln

02 de outubro de 2011 às 11h14

Repararam que os trolls não apareceram? Ou por que fizeram faculdade numa PUC ou Uniban da vida, ou por que eram daqueles carinhas que chamavam a comida de RU de "nojo com salitre", enquanto diziam que era melhor um lanchezinho na cantina mesmo, por que o expresso era uma delícia…

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    dukrai

    02 de outubro de 2011 às 18h13

    não joga isca rs

JOSE DANTAS

02 de outubro de 2011 às 08h47

Quem sabe a solução para todos esses problemas não seria a "pílula do sucesso", com distribuição gratuita e entrega a domicílio? Mesmo assim ainda teria gente reclamando que as "de marca" seriam para os ricos e as "genéricas" para os pobres.
A maioria dos pobres que se submetem a essa carga horária, "agravada" pelo estudo, têm como principal objetivo, senão a possibilidade de se tornar rico, pelo menos a de deixar de ser pobre. Se algum estudioso tiver a curiosidade de verificar na prática a origem dos ricos que existem nesse País, vai se surpreender ao constatar que boa parte deles começou do zero e dentre estes muitos são analfabetos funcionais. Outra parcela e talvez a maior, seja composta por filhos da classe média e, provavelmente, apenas uma minoria tenha nascido em berço de ouro e conseguido fazer prosperar ou mesmo mantido a herança. Portanto, se alguém quiser crescer na vida comece a ralar enquanto pode e construa a própria pílula.

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    Jorge Barreto

    04 de outubro de 2011 às 17h58

    José Dantas, o seu comentário tem logica, mas o grande problema é que os nossos governantes estão saqueando a população brasileira, o custo Brasil é extremamente elevado, e o governo não devolve em serviços de qualidade os impostos que pagamos, hoje "ralamos" vou usar o seu verbo, para construir a "pírula do sucesso" da nova casta brasileira. Obrigado. Abraços

    Jorge Barreto

    04 de outubro de 2011 às 18h03

    José Dantas, complementando, em 2000 tinhamos 32% de pobres, em 2011 estamos com 58% de pobres e olhe que o critério considera quem ganha acima de R$ 461,00 não é considerado pobre. Abraços.

    JOSE DANTAS

    04 de outubro de 2011 às 19h22

    Jorge,

    Essa sua estatística (58% de pobres) indica que o Brasil piorou de 2000 para cá e a realidade não concorda com isso, muito pelo contrário.

    Abraço,

    Jorge Barreto

    05 de outubro de 2011 às 10h48

    José Dantas, está estatística não é minha, são dados do ipea. O DIESSE publicou que o salario minimo correto para agosto/2011 seria de R$ 2.278,77. Esta é a nossa realidade, salario minimo de R$ 545,00 e um Custo Brasil deste tamanho e sem retorno em serviços de qualidade à população, onde até os mendigos pagam impostos. Abraços

    Gustavo

    07 de outubro de 2011 às 15h31

    Temos tecnologia para extiguir o sistema monetário… este sistema está ultrapassado e se tornou o cancro para evolução da humanidade… conheça o movimento zeitegist segue aíh o link de um documentário, vale a pena. Garanto!! http://www.youtube.com/results?search_query=zeitg

    Jedse Esteves

    22 de abril de 2012 às 15h04

    Em democracia todos devem ter as mesmas oportunidades. Os filhos dos ricos não têm de trabalhar 16 horas e têm acesso a meios que os pobres não têm.

Rogério Floripa

02 de outubro de 2011 às 07h54

Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia.

Documentário – A Sociedade do Espetáculo
Ressalta o aspecto de espetacularização dos feitos, em qualquer sociedade,
seja ela neoliberal ou socialista. http://fwd4.me/07qO

Responder

    JOSE DANTAS

    02 de outubro de 2011 às 09h35

    Como haverá poesia se os palcos são burgueses?

    cronopio

    06 de outubro de 2011 às 14h04

    Concordo. Por isso é preciso ocupar as ruas!

Marcelo

02 de outubro de 2011 às 01h58

O problema dessa situação é que quando ele finalmente se forma, vê que seu esforço foi todo em vão: um advogado recém formado ganha 900 reais, nossos professores não atingem isso e apanham por querer mais, nossos médicos atualmente ainda fazem mais do que isso, porém 16 horas diárias é o horário de trabalho normal deles, fora o estudo de todo odia e sem nenhuma garantia trabalhista (a maioria absoluta é autônoma). Não conheço engenheiros, mas espero que a situação esteja melhor para eles. Escolhi essas profissões como exemplo (advogado, médico e engenheiro) pois são as faculdades mais longas e no caso da Medicina o tempo de dedicação é integral. Comentei a respeito dos professores por serem profissionais essenciais de toda a sociedade!

Responder

Marcio H Silva

02 de outubro de 2011 às 01h17

Então olhando por esta óptica fui escravo e herói. Mas não tinha outra saída, pobre, arrimo de pai, tinha que me escravizar para mudar de vida. Tinha outra solução?comecei a trabalhar com 19 anos como técnico e fiz 5 anos de engenharia no regime de "sair do trabalho e estudar à noite". Realmente eram 8 horas de trabalho, 1 hora de almoço, 4 de deslocamentos e 4 a 5 de estudo. Saia de casa 5:45 e chegava as 23:00 horas. Mas, de alguma forma, isto foi bom pra mim, tornou-me mais forte para enfrentar a vida. Forjou melhor meu caráter, e passo esta experiencia, numa boa, para meus filhos.
Se estes garotos da classe media alta passassem por isto, não teriam estes pensamentos retrógrados que vemos e lemos por aí.

Responder

@cibellecosenza

01 de outubro de 2011 às 22h59

Já chorei muito, por estar exausta devido a esta jornada para poder realizar meus sonhos!

Responder

Lucas

01 de outubro de 2011 às 22h06

"Para Marcio Pochmann, a desigualdade é um produto do subdesenvolvimento(…)”

Não. A desigualdade é a CAUSA do subdesenvolvimento.

País rico é país sem pobreza.

Responder

    Jorge Barreto

    02 de outubro de 2011 às 19h38

    Luca, País ricos são Países que tem governo com vontade politica em empreender um desevolvimento politico, economico, social e sustentavel para a sua população, e não este mal desenvolvimento onde só meia duzia de empresas se desenvolvem. Veja isto: PRODUÇÃO E TRABALHO
    “INCLINO-ME A PENSAR QUE O ESTADO PODE SER REALMENTE EFICAZ SE MARCAR OS LIMITES E HARMONIZAR OS MOVIMENTOS DO MUNDO DO TRABALHO. DEVE VELAR PARA REDUZIR A CONCORRÊNCIA DAS FORÇAS DE TRABALHO A LIMITES HUMANOS, GARANTIR A TODAS AS CRIANÇAS UMA EDUCAÇÃO SÓLIDA, GARANTIR UM SALÁRIO SUFICIENTEMENTE ELEVADO DE FORMA QUE OS BENS PRODUZIDOS SEJAM COMPRADOS. POR SEU ESTATUTO DE CONTROLE E DE REGULARIZAÇÃO, O ESTADO PODE REALMENTE INTERVIR, SE SUAS DECISÕES FOREM PREPARADAS POR HOMENS COMPETENTES E INDEPENDENTES, COM TODA A OBJETIVIDADE”.
    ALBERT EINSTEIN

Roberto Locatelli

01 de outubro de 2011 às 21h24

Esses trabalhadores são, como foi dito por outros comentaristas, escravos modernos. Os grilhões não são de ferro. São grilhões mentais, fabricados pela mídia, pelos professores (eles mesmos também escravos) e pela tv. Uma verdadeira lavagem, enxaguagem e secagem a vácuo cerebral.

Enquanto houver capítalismo, haverá escravidão, haverá miséria.

Vale dar um Ctrl C Ctrl V na frase que o Fernando Moraes citou, tirada de um outdoor em Cuba: "Nesta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua em todo o mundo. Nenhuma delas é cubana".

Responder

O_Brasileiro

01 de outubro de 2011 às 21h07

(Nem todos os textos podem ser julgados pela quantidade de comentários. Vejam este. De tanta importância que foi um dos mais curtidos e tuitados. Também mostra que um texto não precisa necessariamente gerar "polêmica" para ser um sucesso.)

Responder

Ramiro Tavares

01 de outubro de 2011 às 20h16

Para termos mais recursos para investir em educação pública de qualidade,incluindo bolsas de estudo,para evitar a situação descrita nesse texto,seria bom ouvir o que propõe a Auditora do Ministério da Fazenda Maria Lucia Fattorelli quanto a dívida pública e importante tomar conhecimento do movimento encabeçado por ela. http://www.divida-auditoriacidada.org.br/
Ela propõe a auditagem da nossa dívida pública, nos moldes do que se fez no Equador, que deu supercerto.
Há vídeos dela no you tube, expondo com clareza a questão.

Responder

João PR

01 de outubro de 2011 às 19h40

Uma das grandes questões, entre muitas, que tem que ser resolvida é a qualidade na educação.
Sou Professor, e cada dia mais me entristeço com os alunos que nossa sociedade gerou. Salvo alguns poucos, a grande maioria não consegue ler e compreender um texto (fora aqueles que estão fora da escola).
Desde a década de 1930 clama-se por "escola para todos" (quem quiser entender mais profundamente, procure ler sobre o "Manifesto dos Pioneiros da Educação", que teve como signatários expoentes da época como Anísio Teixeira e outros muitos.
Lula, com o FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) estendeu o financiamento federal à educação infantil e ao ensino médio (antes, com o FUNDEF do tal Fernando Henrique, só atendia-se ao ensino fundamental). Ou seja, com Lula o Brasil avançou no quesito "escola para todos".
Porém, volto a insistir, temos que discutir agora "que escola para todos?". Para mim, o maior crime que se comete contra as gerações mais pobre (e a classe média também) é a qualidade da educação que os filhos dos mesmos têm.
É necessário repensar a educação como um todo. Do contrário, daqui a cem anos artigos como o do Márcio Pochman ainda serão muito atuais.

Responder

Ilson

01 de outubro de 2011 às 19h33

Tudo o que disse o Pochman também passa por uma democratização da midia. O nosso povo na verdade é educado pelos programas de TVs e de outras midias que só lhes vendem ilusões.

Responder

Pedro

01 de outubro de 2011 às 19h11

Enquanto fomos governados por Ptistas e Tucanos, a vida do trabalhador brasileiro nao evoluirá…

Responder

    Leider_Lincoln

    02 de outubro de 2011 às 07h47

    Ah, meu caro, você é mesmo um imbecil, com o perdão devido aos leitores. Eu estudei numa federal sob governo tucano e fiz mestrado sib governo petista. Sua "tese" é coisa de idiota, ou de extremista da "esquerda" (nunca sei a diferença). Na verdade, para vocês (e como eu passava raiva com traficantezinhos do PC do B travestidos de líderes da UJS), melhorias na vida real das pessoas são "concessões burguesas". Dá vontade de criar uma máquina do tempo e mandar gente assim para o colo do Stálin nos anos 1930…

Luana

01 de outubro de 2011 às 18h22

Um dos melhores artigos que eu li nos últimos tempos!

Responder

    Luci

    09 de outubro de 2011 às 19h12

    Luana acredito que voce quis afirmar que verdades que estavam submersas agora estão visíveis, a partir desta denúncia temos que nos mobilizar para que mudanças estruturais aconteçam neste país.
    Sem justiça e liberdade não há democracia.

Jorge Barreto

01 de outubro de 2011 às 18h10

Só tenho uma sugestão ao Marcio Pochmann, por favor avise ao pessoal do pt que está no governo federal, que eles não lembraram disto quando criaram e continuam mantendo a tabela progressiva, hoje temos muitos aposentados sofrendo com este saque em suas aposentadorias mesmo tendo trabalhado durante o dia todo e estado durante a noite, por anos consecutivos. O ibge fez um calculo de expectativa de vida e colocou todos no mesmo balaio, os que começaram a trabalhar após a graduação e os que começaram a trabalhar quando ainda estavam cursando o ginasial e é claro que isto faz uma grande diferença na quantidade de anos com vida saudavel.

Responder

    Leider_Lincoln

    02 de outubro de 2011 às 07h49

    Concordo: pessoas como FHC, que começaram a trabalhar aos 30 anos, são colocados no mesmo balaio de gatos de gente como eu e muitos aí, que trabalham desde sempre…

    Marcio H Silva

    02 de outubro de 2011 às 15h32

    FHC começou a trabalhar com 30 e se aposentou com 39. E em seu governo foi criado a lei de reforma da previdencia que instituiu o fator previdenciário. Mas ele não pegou o fator, porque já estava aposentado.

    Jorge Barreto

    02 de outubro de 2011 às 19h24

    Marcio, FHC criou o fator previdenciário, mas o pt referendou e ainda criou a tabela progressiva, desconsiderando totalmente o desgastes fisicos das pessoas que estudaram e trabalharam na adolecencia, o inss deveria rever este critério levando em conta 16 horas diária mencionada na matéria. O grande problema é que não temos à quem recorrer. Temos um governo de surdos. Obrigado. Abraços

    Jorge Barreto

    03 de outubro de 2011 às 07h46

    Leider, eu também comecei a trabalhar com registro em carteira (verde), aos 14 anos (1970), na realidade comecei a trabalhar ao 7 anos, mas após o registro passei a estudar a noite, ai foi 1/2 ginásio, o colegial, o cursinho, a graduação e a 1ª pós-graduação, foram muitos anos dormindo menos de seis horas, mesmo assim estou sendo penalizado com fator redutor e a tabela progressiva dos governos FHC, Lula e Dilma.
    Em 2009 e 2010 fiz um MBA apenas estudando, e é muito diferente fazendo apenas uma coisa.
    Está injustiça aos que o Pchmann chamou de "herois" precisa ser corrigida, mas temos governos que viram as costa à população e que governam para os banqueiros, para as multinacionais, … e em causa propria. Agora eles são parte da nova casta brasileira e nós cabe somente pagar a conta.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto » Blog Archive » A dura vida do brasileiro “indolente”

01 de outubro de 2011 às 16h49

[…] O economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea, usou um argumento tão óbvio quanto demolidor contra a tese de que o brasileiro é indolente e preguiçoso, durante um seminário sobre sociologia e política na Universidade Federal do Paraná (a cobertura, de Fernando César Oliveira, site da UFPR , li no Viomundo). […]

Responder

Luci

01 de outubro de 2011 às 16h03

Quando O movimento Social Negro denunciou a baixa qualidade do ensino, reivindicou a política de Cotas, estavm certos, mas parece que todos nós precisamos de Cotas.

Responder

Capitalismo

01 de outubro de 2011 às 15h14

Azenha e Conceição obrigada por este espaço de cidadania e informação sem bajulação. A denuncia corajosa de Marcio Pochmann, é o aviso de que estamos sufocados pelo subdsenvolvimento pela desigualdade, ganância por terras e dinheiro.
Estamos sufocados pelo capitalismo globalizado que privilegiou o capital/ econômia para poucos e desconsiderou o bem estar social de milhões, que engessou a cidadania. É o melhor documento que tenho conhecimento há muito tempo. Irretocável. Não é possível respirar com esta injustiça que o Presidente do IPEA, um estudioso das questões sociais aponta.

Responder

Luci

01 de outubro de 2011 às 14h01

O Vi o Mundo merece cumprimentos extensivos a internauta professora Luana Tolentino, o que podemos anlaisar com esta denúnica do Presidente do IPEA, Marcio Pochman: Estamos diante da realidade perversa e dramática, é o Brasil que os brasileiros desconhecem e fingem que está tudo bem. Brasil não fez Reforma Agrária., não democratizou acesso a terra. Se 40.000 proprietários são donos de 50% das terras, a maioria estrangeiros que elegem 120 deputados, se os ricos não pagam impostos osbre os aviôes e lanchas. O país é deles.O professor Comparato em recente entrevista a Revista Fórum, à Revista Carta Capital escreveu no Brasil não há República, não Democracia e não há Estado Democrático de Direito.

Responder

Eudes H. Travassos

01 de outubro de 2011 às 13h44

O professor Márcio Pochmann tem se destacado como um dos brasileiros mais preocupados e de visão mais avançadas neste momento em que o país encontra-se, digamos, mobilizado por uma agenda benéfica e positiva.
O que lhes diferencia, apesar de ser presidente de uma instituição do governo federal e, até por isso mesmo, é que ele não precisa usar o discurso da sustentabilidade politica ou governamental.

A baixo a sequência final deste post.

Responder

Eudes H. Travassos

01 de outubro de 2011 às 13h43

Ele se exprime pela luz da ciência e claro da cidadania, pois além de atacar os problemas que todos já conhecemos e que por força da coerção social a mídia não pode esconder como a educação, ele não esquece de enfrentar questões que embrulham o estômago da elite- oPIG por exemplo- nacional como reforma agrária.
Tem se destacado como, de fato, a visão mais avançada nos governos pós 2002, seria muito bom se para além do cargo que ele ocupa hoje e da sua importância acadêmica e científica pudesse, também nos ser, uma esperança no cenário das grandes decisões nacional.
É um dos poucos que ocupam cargos públicos e a função tem lhe feito muito bem, pois aproveita as demandas para substanciá-lo nos debates público a em sua literatura.

Responder

Leitor

01 de outubro de 2011 às 13h04

Na festa-debate #Forum10, lembro que Luiz Carlos Azenha foi enfático ao afirmar a necessidade de os sítios independentes produzirem conteúdo próprio. Registro aqui a minha concordância. Alguns espaços chegam a ser cansativos. Na minha modesta opinão, o Viomundo destaca-se, emancipa-se e produz conteúdo extremamente relevante. Este é o caminho!

Responder

O_Brasileiro

01 de outubro de 2011 às 12h46

Nos faz relembrar o velho conceito da "servidão coletiva".
O que esperar de um país que investe quase nada em Educação e Saúde?

Responder

Jason_Kay

01 de outubro de 2011 às 12h21

01/10/2011 – 06h00
Plano libera uso de guarda privada em prisões e ônibus
DE SÃO PAULO

O governo federal quer permitir a contratação de empresas privadas para serviços de segurança armada em presídios, transportes coletivos e em eventos, como jogos de futebol e shows.

Chamado "estatuto da segurança privada", o projeto foi apresentado pelo Ministério da Justiça a empresas e sindicato do setor, informa a reportagem de Catia Seabra, publicada na Folha deste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Pela proposta, as empresas poderão atuar na segurança patrimonial dos presídios –inclusive para agente de muralha– mas não assumiriam o papel de carcereiros.

Elaborado sob medida para realização dos Jogos Olímpicos e para a Copa, o texto atribui ao organizador de eventos a responsabilidade pela segurança interna nos estádios e praças de show.

A intenção seria liberar os PMs hoje dedicados à segurança de jogos e estádios.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/984075-pla

Responder

    Leider_Lincoln

    02 de outubro de 2011 às 11h23

    Considero mais que justo. Se os clubes querem tanto se profissionalizar e têm tanta ojeriza a interferência estatal, que se virem e sejam responsabilizados (inclusive criminalmente) pela segurança…

Leonardo

01 de outubro de 2011 às 10h33

Excelente artigo, denota o esforço de muitos brasileiros para conseguir estudar num país em que o trabalho e os deslocamentos espaciais tomam grande parte do tempo da rotina diária do cidadão.

Responder

josaphat

01 de outubro de 2011 às 09h35

Aqui na UFMG, os mais pobres têm acesso a benefícios como bolsas de auxílio em dinheiro (que deve ser devolvido ao final), alimentação mais barata, livros idem, etc.
Nos bandeijões á noite só se vê o pessoal mais pobre e predominantemente pardos e mestiços.
Uma refeição para os carentes é ,75 reais.
Na hora do almoço, no entanto, o mesmo bandeijão oferece almoço a 2,50 reais a uma quantidade infinitamente maior de alunos (em relação à noite), quase todos brancos, e muitos chegam em carros importados.

Responder

    dukrai

    01 de outubro de 2011 às 16h44

    fiz graduação em Letras à noite na UFMG, durante um ano acumulei com o trabalho e depois aposentei. véi, pedreira e o meu trabalho era burocrático. via meus colegas chegando às 18:30 e fazendo os trabalhos acadêmicos até as 19 horas, quando começavam as aulas. Alguns estudavam até a uma, duas horas da manhã e outros no final de semana. Pobres, pretos e puta força de vontade.

    João PR

    02 de outubro de 2011 às 00h24

    Dukrai, minha história é parecida com a tua. Durante minha graduação, especialização e mestrado sempre trabalhei, e sendo chefe de família a "coisa" não foi fácil. Hoje sou Professor, e faz tempo que não sei o que é ter um fim-de-semana livre de algum trabalho.

    As (péssimas) condições de trabalho, aliado ao baixo salário, fazem do Professor uma das profissões mais estressantes que há. Enquanto os governantes, independente de coloração partidária, não entenderem que uma educação de qualidade se faz, principalmente, com condições de trabalho e salários decentes pagos aos Professores seremos um país de terceiro mundo (rico, talvez, mas de terceiro mundo no quesito "produção do conhecimento".

    Algo tem que mudar urgentemente, para não termos gerações perdidas em termos de formação educacional.

    dukrai

    02 de outubro de 2011 às 09h17

    a sua barra foi, e é, muito mais pesada, véi, eu não consegui encarar a sala de aula. o problema de quando se fala em educação é que debitamos a conta exclusivamente nos governantes e eles são, objetiva e concretamente, os primeiros responsáveis pelo caos. Mas quem elege esses caras somos nós mesmos ou pelo menos uma parte da coletividade que considera outras coisas mais importantes. Afinal, pelo nível de espoliação em que vive a maior parte dessa coletividade, emprego, casa, comida, van clandestina e não levar tiro da puliça e do trafica, entre outras coisinhas, determinam a sobrevivência física da mãe, pai, filhos, vó, netos, cachorro e papagaio. Como a escola pública foi abandonada pela classe média e assim como a saúde a opção foi a privada rs então o discurso da prioridade de educação e saúde é esvaziado, por um lado pela premência de outros serviços citados, vitais para a classe trabalhadora, emprego, transporte, segurança e por outro pela sua pouca importância para a classe média.
    Talvez sejam estas as razões para o abandono e desimportância da educação e saúde, citadas inclusive por Pochamann em outros artigos.

    João PR

    02 de outubro de 2011 às 13h55

    O interessante, caro Dukrai, é que a escola pública já foi muito melhor do que a privada (rs).
    Meu raciocínio é que, quando a escola foi ficando "para todos", os custos de manutenção aliado ao pensamento de que o pobre não tem que saber mais do que ler e escrever (Adam Smith, em "A riqueza das nações" escreve isto, não literalmente, mas o sentido é o mesmo) levaram ao suateamento da escola pública (se quiser, repasso por aqui a citação do Adam Smith).
    Agora, com a dita "sociedade do conhecimento", procura-se, "a todo vapor", dizer que somos um país escolarizado. Caso você se interesse, procure pela fórmula do cálculo do IDEB e verá que é uma conta complicada, PORÉM esta conta é inversamente proporcional ao número de anos que os alunos levam para concluir o ano. Logo, a fórmula de cálculo do IDEB pode estar levando as escolas a "passarem" os alunos para terem uma boa avaliação.
    Outro paradoxo é que o modo de produção toyotista vigente exige funcionários com boa escolaridade, e sem serem analfabetos funcionais.
    Enfim, esta conversa é longa (estudo isto quando tenho tempo) e mereceria mais tempo e ponderação. Quem sabe um dia, quando não tiver que trabalhar tanto nos finais de semana, escrevo alguma coisa para o Viomundo.
    Inté, tenho uma pilha de provas para corrigir (meu passatempo preferido nos domingos a tarde).

    Conceição Lemes

    02 de outubro de 2011 às 14h14

    Escreva mesmo, João PR. Nós publicaremos. abs

    João PR

    02 de outubro de 2011 às 15h15

    Conceição, fica prometido: entre as minhas (muitas) atividades, vou ver se consigo achar um espaço para escrever (mais amiúde) sobre o que discorri.
    Abraços

    Elton

    02 de outubro de 2011 às 10h59

    Qualquer direitista viria aqui e diria "Não está satisfeito? Mude de profissão"…..pra esses caras tudo é muito simples. Também sou professor e já ouvi besteiras desse tipo que citei dezenas de vezes.

    João PR

    03 de outubro de 2011 às 00h24

    Sei o que é isto Elton. Mas, como diz o ditado popular: melhor escutar besteiras do que ser surdo (risos).

    Quem assim fala ("mude de profissão") não pensa no futuro nem dos filhos dele. Já imaginou se todo Professor abandonasse a Profissão???

    Leider_Lincoln

    02 de outubro de 2011 às 07h42

    Nem me lembre o quanto fazer faculdade foi difícil… =X

jõao

01 de outubro de 2011 às 09h29

Brasil Sem Miséria na Amazônia – pouco destaque na imprensa e DEMos já são contra.

Uma Presidenta encontrou-se com 6 governadores, para lançar ações que retirarão 2,6 milhões de brasileiros que ainda vivem em situação de extrema pobreza, muitos deles nos confins da floresta Amazônica… e esse fato, na quarta-feira, não foi noticiado com o devido destaque na imprensa brasileira.

O telejornal de maior audiência no Brasil, o Jornal Nacional, TV Globo, virou as costas para o Brasil da Região Norte e sequer noticiou este fato. O Jornal da Record também ignorou. A TV Bandeirantes noticiou.

Responder

    ines

    01 de outubro de 2011 às 10h47

    Bem feito! A TV pública serve pra quê? Está lá jogada às tracas, o governo tem dinheiro p milhoes de merdas e nao tem p investir na tv publica que daria conta da sua comunicacao se fosse alvo de investimento e interesse, nao é porque nao dão valor nenhum à comunicacao com o povo, acham que estão na era Lula que dava conta sozinho da mídia, vão se ferrar e acho bem feito!

Pedro Luiz Paredes

01 de outubro de 2011 às 03h05

escravos?

Responder

    Capitalismo

    01 de outubro de 2011 às 16h01

    Benm analisado. Se pagamos impostos nesta proporção e os ricos se banqueteiam em Privilégios há 300 anos, somos escravos.

Francisco

01 de outubro de 2011 às 01h05

"Os filósofos já interpretaram o mundo de inúmeras maneiras, o que importa é mudá-lo".

(O século XXI recende cada dia mais a século XIX…).

Responder

    Leider_Lincoln

    02 de outubro de 2011 às 07h43

    É a última das teses sobre Feuerbach, n'A Ideologia Alemã, não? Cobrei isso numa minha recente prova!


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