VIOMUNDO

Diário da Resistência


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“O TDAH é um transtorno real e como tal deve ser encarado”


17/01/2011 - 14h03

por dra. Katia Beatriz Corrêa e Silva, psiquiatra

Caros leitores, fiquei muito preocupada pela veiculação de algumas informações equivocadas, conceitos errôneos e falsos pressupostos.

Devo antes me apresentar: sou médica, psiquiatra da Infância e Adolescência, com foco de estudo e trabalho em TDAH e Bipolaridade há aproximadamente 20 anos. Mas como sou formada há 32, antes tive a oportunidade de me dedicar ao estudo de muitas das desordens que afetam a Infância e Adolescência.

Ao citar um livro de um outro jornalista, me pareceu que havia uma insinuação de que os transtornos mentais e emocionais estariam aumentando em quantidade e diversidade única e exclusivamente para a alegria e lucro da industria farmacêutica. Antes de qualquer dúvida, não recebo nada da tal indústria e nem tenho qualquer ligação com isso. Sei das artimanhas que elas engendram, não sou ingênua, e do seu apetite pelos lucros.

Mas a Cesar o que é de César.

Essa descoberta não é  só do ilustre jornalista. Há muito as pesquisas sérias já vinham detectando esse fenômeno. Mas vejamos por outros ângulos. Nesses 50 anos, o conhecimento científico cresceu como nunca, os meios de detecção de fenômenos, de testagem e confirmação de hipóteses, de troca de conhecimentos ao redor do mundo, foram ímpares na história do conhecimento humano. Em consequência a descoberta de novos transtornos, a melhor compreensão de outros e a melhora na capacidade diagnóstica cresceram proporcionalmente. Natural, não?

Nesses mesmos 50 anos, a mudança de parâmetros sociais e culturais, a mudança de referenciais econômicos, culturais, sociais e emocionais ao redor do mundo foi também ímpar na história da humanidade.

Nunca houve mudanças tão grandes e profundas em uma extensão tão ampla de países e culturas como nesses últimos 50 anos. E isso provocou e provoca alterações na forma de ver, sentir, reagir e responder às situações por parte das pessoas, levando também a desequilíbrios antes insuspeitos. Natural, não?

Com relação à pesquisa da Dra. Andreasen quanto à diminuição do lobo frontal por culpa do uso de medicação por longo período, é interessante saber se o mesmo número de pacientes psicóticos (que já é uma população heterogênea ), foi acompanhado pelos mesmos cinco anos, sem uso de qualquer medicação, para então podermos fazer essa afirmação de que foi o uso da medicação que provocou a diminuição da massa encefálica com prejuízo das funções cognitivas.

Outra questão que merece toda a nossa atenção é a citação de frases de pesquisadores fora dos seus trabalhos. Uma frase fora do seu contexto pode induzir ao que se queira.

Logo em seguida o jornalista faz afirmações no mínimo curiosas: que os transtornos mentais seriam mais frequentes justamente em quem se trata. Para que fosse minimamente correta, seria preciso ter o mesmo número de pacientes com os mesmos transtornos e as mesmas condições gerais e que não fizessem uso de qualquer medicação para que se pudesse fazer tal comparação. Não sei se o jornalista tem essa pesquisa e a que conclusões chegou.

E as crise são mais freqüentes em quem se trata ou quem não se trata não tem ninguém que cuide dele e logo não saberemos quantas crises teve e sequer se sobreviveu?

Outra afirmação curiosa é  que a depressão seria um desequilíbrio químico do cérebro, sem qualquer comprovação, seria antes um “lugar comum”. Sugiro que o prezado jornalista procure se inteirar um pouco mais das pesquisas, que já não são nem tão recentes.

Seria também interessante saber o que ele chama de evidências indiretas e que evidencias diretas supõe que tenhamos de transtornos físicos e mentais.

Outro equivoco grave é  supor que o TDAH é uma “nova síndrome”. Em 1902, o Dr. George Still, pediatra inglês, membro do Royal College apresentou em um encontro científico seus estudos sobre um grupo de crianças com os mesmos sinais e sintomas que caracterizam o TDAH, tipo misto. Ele estudou esse grupo por vários anos, antes de apresentar seu trabalho de pesquisa e antes dele temos descrições na literatura descrevendo exatamente o quadro que encontramos hoje.

Existe um poema alemão do século 19 descrevendo as aventuras de um menino inquieto com o mesmo comportamento que vemos atualmente nos portadores. Acho que a indústria farmacêutica ainda não era tão presente. Concordo inteiramente que a sociedade e a cultura americanas tem esse imediatismo, muitas vezes errôneo. Mas confundir as características de uma sociedade com a existência ou não de um transtorno mental, me parece, no mínimo, falta de informação correta.

Outra incorreção preocupante é afirmar que o uso da medicação altera a química do cérebro “para sempre” e “pior, sem saber exatamente o que está sendo alterado!”.

A química não é  alterada para sempre, até porque se assim fosse não seria preciso continuar o uso da medicação para se continuar a ter os benefícios que ela traz. O que a medicação propicia é a correção da falta de neurotransmissores, que não estão na quantidade necessária onde seria de se esperar. Uma informação que está disponível em qualquer texto científico sério sobre o assunto. E as consequências sobre o que acontecerá na vida daquela criança após anos de uso podem ser acompanhadas através da entrevista aos portadores que se tratam há anos e que tem suas vidas dramaticamente melhoradas pelo tratamento.

Seria interessante, quando não imprescindível, ouvir os principais interessados nessa questão: os portadores e seus familiares!

Outro equívoco primário é  associar o uso da medicação apenas e tão somente à atividade escolar. Ou à calma e obediência doméstica. Os que defendem essas justificativas não sabem qual a ação da medicação e não sabem do que se trata o TDAH. Não basta se dizer “especialista”, é preciso conhecer realmente o que é o transtorno, que áreas do comportamento afeta e quais suas reais consequências na vida do portador. E de suas famílias.

Se o jornalista autor do livro em pauta afirma que os  psiquiatras não sabem dizer o futuro dos pacientes tratados, talvez não tenha ouvido um número de profissionais suficiente ou tenha escolhido justamente os que não sabiam. Preconceito é uma atitude absolutamente democrática. Acomete a qualquer um.

A taquicardia que ele descreve e, sutilmente, sugere ocorrer em todas as crianças, é um efeito colateral possível sim, mas não tão comum como ele quer fazer crer. E todos os profissionais de saúde sérios sabem que toda e qualquer medicação tem efeitos colaterais. Se não tem efeito colateral, não tem efeito terapêutico. A frase com que encerra o parágrafo é maldosa e mentirosa. Mas deve causar um grande efeito nas pessoas leigas e ajudar a vender bem o produto.

A confusão a que o jornalista induz sobre a proximidade etiológica entre TDAH e Bipolaridade é, no mínimo, suspeita. A intenção clara é fazer o leitor acreditar que o uso da medicação para o tratamento do TDAH irá “promover” o surgimento de outro transtorno, mais grave. Consequentemente, os médicos que prescrevem a medicação para tratar o TDAH são criminosos, por provocar o surgimento de outro transtorno mental em quem, afinal, não tinha nada.

O Dr. Joseph Biederman e o grupo do Massachussetts Hospital fazem parte de um dos grupos de pesquisa mais ativos no estudo do TDAH e o Dr. Russell Barkley é um dos mais renomados estudiosos do assunto.

Curiosamente o jornalista cita pesquisas muito antigas ( 1973, 1978, 1996, 1997, 2001, 2002, etc.). Pesquisa com mais de cinco anos pode ser considerada antiga, dada a velocidade com que as descobertas em qualquer campo das ciências ( exatas, biológicas, e outras ) se dão. As pesquisas antigas trazem dados que, muito frequentemente, já foram revistos e muitas vezes modificados.

Outra questão grave é  a citação de frases fora de seus contextos. Elas se prestam às mais variadas interpretações. Principalmente quando já se tem um caminho que queremos que o leitor siga.

Quanto ao desempenho acadêmico, a capacidade de aprendizagem, os efeitos positivos nas funções cognitivas (funções executivas ) e a melhora no relacionamento social, pessoal e emocional, seria mais honesto perguntar aos portadores e suas famílias, do que citar obscuros profissionais em pesquisas das quais pouco se sabe.

Entretanto concordo inteiramente com a jornalista quando diz que os professores não tem a condição de fazer diagnósticos, nem de apontar tratamentos para os problemas que ocorrem na escola e em sala de aula. Para isso existem os médicos, neurologistas e psiquiatras da Infância e Adolescência, que se dedicam a estudar e pesquisar o transtorno.

É claro que inúmeros problemas podem causar agitação, desatenção e atitude impulsivas em uma criança ou adolescente. É óbvio que não se pode negar o efeito de problemas familiares, emocionais, pessoais, econômicos, na vida e no comportamento das crianças. Assim como métodos educacionais por vezes equivocados ou professores mal preparados também causam reações semelhantes. Mas a escola pode desempenhar uma parceria preciosa.

E é justamente porque as “tias Belas” e “tias Rosas” tinham e tem suas salas cheias com 30 ou mais alunos, e tem tantos anos de prática no trato com crianças, que podem e geralmente sabem quando um comportamento não é “só coisa de criança”. A escola pode perceber quando a alguma coisa diferente acontecendo com a criança e pode sim alertar os pais ou responsáveis e sugerir a procura a uma ajuda, uma orientação até uma avaliação. Mas realmente “os professores, por melhores que sejam, não estão capacitados para sugerir a necessidade de algum tratamento psiquiátrico.”

Mas isso não quer dizer que o TDAH não exista. Ou que seja uma invenção de industrias farmacêuticas gananciosas, professores preguiçosos ou pais estressados.

O TDAH é um transtorno mental real, com consequências sérias e como tal deve ser encarado.

Seria interessante ouvir as associações de pais e portadores, nos Estados Unidos o CHADD e os ADD, no Brasil a ABDA; na maioria dos países do mundo existem associações semelhantes.

PS do Viomundo: O jornalista a que se refere a dra. Katia aparentemente é Robert Whitaker, autor de Anatomy of an Epidemic. Ele também é autor de Mad in America. O fato de que nos propomos a debater questões espinhosas como as doenças psiquiátricas não significa que os pacientes ou pais de pacientes devam abandonar as recomendações médicas.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



84 comentários

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Lana Segal

07 de março de 2012 às 19h55

Muito Bom Dra Katia!
Este é pais dos Psis ( pseudoanalistas) lutando pela reserva de mercado. Estão com medo das Neurociencias porque o avanço da ciencia está esvaziando os seus consultorios plenos de ideologias e bla bla blas.
Sugiro a todos a leitura do livro O LIVRO NEGRO DA PSICANASLISE. É um livro que eastá bombando na Europa e já esta a venda no Brasil. Ai todos vão entender a que ideologia esse povo está ligado.;..

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Lia de Paula Moraes

30 de agosto de 2011 às 12h55

O livro infantil JOÃO AGITADÃO da editora Caravansarai ajuda as crianças portadoras de TDAH a formarem
uma autoestima mais elevada.

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Adri

15 de junho de 2011 às 20h44

Acho que muitas pessoas criticam um assunto que na verdade é muito sério. Já fui numa reunião da Dr. Kátia e esclareci muitas dúvidas. Meu marido sofre de TDAH, e desde a infância ele apresentava características do TDAH , porém pela falta de conhecimento dos pais em relação a este transtorno ele foi carregando isso ao longo de sua vida. É muito difícil, ele sofre muito com isso. só convivendo para entender. Temos que cuidar das nossas crianças para que não passem por dificuldades quando adultas

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Gustavo Rocha

24 de janeiro de 2011 às 19h27

Que me perdoe a Dra. Kátia mas tudo o que li no texto dela foi bla bla bla bla continuem medicando as crianças. Não conheço o trabalho dessa médica mas o que vejo na maioria dos consultórios é pouco tempo para consulta, avaliação inadequada do paciente e seu estado real de saúde. Em questão de minutos uma receita de Notificação Amarela (Medicamentos Psicotrópicos) já é prescrita para indivíduos que não metabolizam drogas como a média da população adulta. Entendo que saúde é algo muito mais abrangente do que a ausência de doenças e para realizar um diagnóstico correto é necessário ampliar o conhecimento sobre o paciente principalmente quando o assunto é saúde mental. Avaliar a família, escola, vizinhança e hábitos de vida. Tentar tratamentos alternativos e utilizar medicamento em último caso. ABAIXO A MEDICALIZAÇÃO DOS POVOS!

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Nelson Nisenbaum: O que o transtorno do déficit tem a ver com a dengue? | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de janeiro de 2011 às 23h47

[…] Considerações da dra. Katia Beatriz Corrêa e Silva […]

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Florival Scheroki

20 de janeiro de 2011 às 22h39

Curtíssima

Conta-se que Alfred Binet , ao criar seu instrumento de avaliar inteligência – também conhecido coma teste de inteligência ou QI – foi questionado sobre o que seria essa tal "inteligência". Foi embaraçosa a questão, mas sua resposta foi "neônica": " INTELIGÊNCIA É O QUE MEU TESTE MEDE."

Não sei porque me lembrei disto agora. Conseguem imaginar viver num mundo em que a inteligência existia, mas "não existia", até que alguém a "existiu".

Ainda bem que inteligência não costuma causar prejuízos às pessoas, como dificultar a aprendizagem de quem não é capaz de se concentrar. Já imaginaram se causasse? O Binet teria descoberto bem antes o que definiu como "O que meu teste mede".

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bissoli junior

20 de janeiro de 2011 às 13h05

Tudo é real, Dra.Kátia, inclusive a formação das subjetividades.
É real também a interesseira difusão da informação de que é necessário fazer check up, sem qualquer comprovação do ato com melhoria da saúde. E da mesma forma, a reposição hormonal em mulheres não deveria ser aconselhada e feita como o é, mas assim se dá (se não fosse pela contraindicação em vários casos, deveria ser por ir contra a natureza e sua inexorável lei – aquela que aponta para o fim biológico. Mais ou menos saúde tem que ver com o que comemos, entre outros fatores, ou não?). Ademais, quanto mais anos de profissão, mais apego a modelos científicos (paradigmas), que são provisórios (e nada neutros, ainda que objetivos) , embora não aceitos como tal.
Poderíamos falar do sonho como atividade celular, mas não estaríamos falando do sonho sonhado pelo sonhador. Poderíamos, não fosse Freud.
Ah, a propósito: NÃO AO ATO MÉDICO!

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edson

20 de janeiro de 2011 às 00h36

E li li e li e nao entendi o que vem a ser TDAH . . . . e me recuso a ir no Google . . . . .

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    NELSON NISENBAUM

    20 de janeiro de 2011 às 11h30

    Trata-se de uma disfunção cerebral que se caracteriza sintomaticamente por dificuldade em concentração e inquietação mental e/ou física, que se manifestam em diferentes proporções, algumas vezes mais no polo concentração e outras vezes mais no polo hiperatividade. A doença tem origem provavelmente genética (tem ocorrência familiar), é de natureza crônica, ou seja, dura muitos anos ou eventualmente toda a vida, e seus sintomas não "flutuam", ou seja, são constantes na intensidade. A dificuldade de concentração não é específica, ou seja, atinge todos os campos da atividade que a requeiram, e portanto, prejudicam o indivíduo em qualquer tarefa de continuidade, fundamentalmente, o aprendizado acadêmico. Tentei ser sintético, se restou alguma dúvida, pode perguntar.

Francisco Hugo

19 de janeiro de 2011 às 17h54

Por que meus comentários são considerados longos e têm de ser remetidos em partes e outros muito maiores vão de vez?
Alguém me ensina o caminho das pedras?

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Francisco Hugo

19 de janeiro de 2011 às 17h31

Parte 3
Registro minha gratidão por todos os que manifestaram amor/respeito pelas crianças.
Que no in dúbio pro réu não ficaram com a indústria farmacêutica.
Que sabem que “lugar de criança é NA INFÂNCIA”.
Que Deus deu ao ser humano uma infância de muitos anos. Sem ritalina.
Assim caminha a Humanidade.

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Francisco Hugo

19 de janeiro de 2011 às 17h30

Parte 2
A psiquiatra dra. Katia Beatriz Corrêa e Silva pegou o bonde andando.
Ao declarar “o TDAH é um TRANSTORNO real e como tal deve ser encarado”, choveu no molhado. Isso já havia sido dito e repetido ao longo do debate, ilustrado com contribuição de tanta gente: textos, livros, vídeos…
Por que então o extemporâneo artigo da doutora Kátia?
Por que o estilo a-verdade-é-minha-ninguém-tasca-eu-vi-primeiro?
Em minha primeira intervenção, destaquei a maiêutica de Heloísa Villela e vaticinei que ia dar no que deu.
Aqui perto de casa há um cavalete na rua com mensagem de uma empreiteira: “Desculpem os TRANSTORNOS, estamos trabalhando para o seu bem.”
Transtorno, em psiquiatria é ”termo usado em lugar de doença ou de outro vocábulo similar, a fim de causar impacto psicológico menor no doente, ou em quem o acompanha”.

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    NELSON NISENBAUM

    20 de janeiro de 2011 às 11h35

    Caro Francisco, a verdade não é da Dra.Katia e nem minha e nem de ninguém. A ciência médica constrói-se por idéias e fatos verificáveis e compartilhados por diversas comunidades de conhecimento médico, biológico, psicológico, sociológico, antropológico, filosófico, e assim por diante. Eu e a Dra.Kátia somos médicos e lidamos com o problema, tendo experiências bem sucedidas por parte dos doentes, objeto do nosso trabalho. O artigo dela não é extemporâneo pois o assunto é alvo de polêmicas, no MEU entendimento falsas (frisei no MEU pois não sou dono da verdade), e até a devida pacificação do tema, se houver, será em tempo apropriado.

Francisco Hugo

19 de janeiro de 2011 às 17h27

Parte 1
Para o “vi o mundo”, o uso indiscriminado da ritalina e congêneres surgiu em meio a excelente matéria de Heloísa Villela: “A doença e o dinheiro. Ou seria a doença do dinheiro?”
Heloísa começou com uma apreciação sobre o filme Inside Job e no terceiro parágrafo fala sobre o processo de compra de influência (inside job?) na política americana. Confessa que isso lhe interessa e deve interessar a nós brasileiros.
Só no quinto parágrafo toca no assunto TDAH.
Pronto! Eis o dedo posto na ferida!
O que se viu em seguida foi impressionante seqüência de comentários, em sua maioria declarações apaixonadas pelos direitos das crianças. Destas, fiz a seguinte leitura: o mundo não está perdido. Ainda há quem se interesse pelas crianças sem vez nem voz.
Alguns comentários do tipo deixa-como-está-pra-ver-como-é-que-fica.
E outros, em mal disfarçada paixão, tipo inside job.

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Alberto Navarro

19 de janeiro de 2011 às 13h59

Toda essa discussão sobre medicalização da infância que está sendo feita nos últimos anos, apresenta, como é óbvio, prós e contras.
Todavia, como mesmo antes de 1902, quando o médico inglês apresentou suas observações, existiram crianças até então consideradas "hiper-cinéticas", que viveram ou, como quiserem, sobreviveram, sem o uso de medicamentos, acredito que possa estar acontecendo, como é muito mais comum do que se imagina, o efeito, este sim, PERVERSO, da IATROGENIA, ou seja, alteração patológica provocada no paciente por tratamento médico, de qualquer tipo.
Entretanto, como o assunto IATROGENIA é o verdadeiro TABU MÉDICO, inclusive devidamente escamoteado pelo CFM e respectivos CRMs, creio que o assunto ainda levará muitos anos para ser corretamente tratado, lembrando ainda que o Projeto de Lei chamado "ATO MÉDICO", dificultará ainda mais a correta, honesta e democrática resolução dessa questão que é de interesse da Saúde Pública.

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    NELSON NISENBAUM

    20 de janeiro de 2011 às 11h37

    É, Alberto, pela imagem que você tem dos médicos e da medicina, ela deveria ser extinta da face da terra.

João Carlos

19 de janeiro de 2011 às 12h04

Os problemas que ouço dizer a respeito do TDAH são, primeiro que pelos atuais critérios adotados para o diagnóstico do transtorno praticamente toda a população seria enquadrada como portadora de TDAH.

Segundo, as associações de portadores e familiares quase sempre são de fachada, sendo na realidade mantidos pela indústria farmaceutica como denunciou a Drª Marcia Angell, da Harvard University, em seu livro "A verdade sobre os laboratórios farmaceuticos", da editora Record.

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Marcia Costa

18 de janeiro de 2011 às 22h19

O foco do Dr. Whitaker é o EXCESSIVO diagnósticos da TDAH. Não sou especialista no assunto e realmente custo a crer que alguém seja feliz se entupindo de remédios! Tenho depressão e afirmo que não sinto nehuma felicidade em estar me entupindo de ansiolíticos. Mas, agora é tarde. Por isso, reafirmo: busquem outras formas de cuidarem de seus filhos que não seja através de remédios. Sempre há de haver alternativas melhores. Recomendo a leitura do blog DoLaDoDeLá – crianças coloridas.

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Heloisa Villela

18 de janeiro de 2011 às 20h56

Pergunta: onde começa a doença TDAH? Explico. Se a criança é um pouco agitada e distraída mas tem notas sempre na média ou acima da média na escola, remédio nela? Se ela tem fases um pouco mais agitadas e outras menos, mas os pais lidam bem com isso, mas na escola é um pouco mais complicado, remédio nela? Onde começa a ser imprescindível medicar e onde a Ritalina pode ser desprezada? Sei que sou ignorante no assunto, mas entendo que a TDAH não é um conceito fechado com limites claros. Por isso pergunto, onde ela começa a ser um problema e até onde pode ser administrada sem remédios? E quem decide isso? Pais, professores, psiquiatras?

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    Emerita Opaleye

    19 de janeiro de 2011 às 12h49

    Concordo com vc, Heloisa. A questao principal nao eh se a doenca existe, mas o quanto estah sendo "disseminada" de forma irresponsavel, levando com isso a prescricao de um medicamento que pode comprometer o desenvolvimento da crianca de uma forma ainda nao muito bem esclarecida.
    Sera que existem outras alternativas de tratamento??? Penso que nao eh muito facil responder a isso, porque outras alternativas de tratamento requerem "comprovacao cientifica", e publicar artigos sobre a eficacia de medicamentos eh um tiro mais certeiro numa revista de alto impacto (o que traz mais dinheiro para pesquisa, mesmo que indiretamente). Ou seja, gira gira e o assunto eh o mesmo: interesses economicos…
    O que nao se pode negar eh que ha uma preocupacao real quanto a esses excessos. O INBC eh um grupo da ONU que estuda abuso de substancias psicotropicas e reune informacoes oficiais de consumo em todos os paises (pelo menos dos que tem) em relatorios anuais… veja uma citacao que tirei do de 2006:
    "While the Board recognizes the usefulness of stimulants in the treatment of ADD when prescribed on
    the basis of careful and appropriate diagnosis and proper treatment evaluation, it reiterates its concern
    that the significant increase in the use of stimulants for ADD treatment in many countries could be attributed
    to possible overdiagnosis and overprescription."
    Para acesso ao relatorio completo, eh gratuito, mas em ingles: http://www.incb.org/pdf/e/ar/2006/annual-report-2

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h51

    Heloisa
    nem sempre é " remédio nela". O TDAH é dimensional, ou seja, varia de intensidade, assim como a hipertensão arterial. Tem gente que tem uma hipertensão grave e outros a tem menos intensa. Não é categorial, do tipo ter ou não ter, " estar ou não gravida". E a decisão de entrar ou não com medicação começa a ser cogitada quando há prejuízo na vida daquele portador. E quendo é criança a decisão deve ser tomada em consenso, a família, a escola e o psiquiatra da infância e adolescência. Nem sempre o portador precisa de medicação. Ou as vezes não naquele momento. Não é "receita de bolo". Daí a importancia de se estar sempre atualizando, reciclando, repensando.

    gustavo

    21 de janeiro de 2011 às 16h14

    heloisa,

    também não sou médico, mas sou portador de TDAH e acho que meu exemplo pode te ajudar nas considerações.

    Primeiro: criança tirava ótimas notas, pré-adolescente boas notas e adolescente notas medíocres. Ainda assim, entrei em uma boa faculdade, mas em um curso muito fácil. Me formei como o pior aluno da classe em notas.

    TDAH não é só sobre notas e comportamento escolar (eu era do tipo que conversava muito, tinha o caderno nojento e era acusado de ser egoísta por prejudicar meus colegas que precisavam prestar atenção).

    Eu sempre fui explosivo, magoei muita gente, fiz muita besteira por impulsividade, briguei na rua, me apaixonei várias vezes, joguei bom relacionamentos para o alto, comecei vários projetos e os deixei no meio, ou até adiantados (tive, por exemplo, meia dúzia de sites; aprendi HTML para fazer um, quando ficou pronto, abandonei). Me envolvi em acidente de carros, tive problemas legais, etc.

    Agora adulto, aos 30, não consigo guardar dinheiro, controlar minhas contas, fazer o imposto de renda, arrumar meu ármario, pagar uma conta em dia etc.

    Claro, tudo isso dá para levar: tenho um trabalho que seria considerado bom pela maioria das pessoas (salário é baixo, mas o reconhecimento é bem grande).

    Mas eu sofro das comorbidades muito comuns aos TDAHs: abuso de substâncias (álcool, maconha, cocaína em menor grau), ansiedade, depressão leve.

    Fico pensando: será que se eu tivesse tido péssimo desempenho escolar, como meus primos TDAHs, teria sido melhor? O diagnóstico teria vindo mais cedo?

    PS. falei a parte ruim do TDAH, mas tem coisas ótimas: sou engraçado, criativo, bom piadista, me interno em leituras de horas etc.

    PS1. não estou disposto a tomar ritalina, mas tomo bupropiona e tem me feito muito bem.

    PS2. fiz kung fu durante um ano, pretendo voltar em breve. esse é um esporte muito bom para quem tem dificuldade de manter a atenção e controlar o foco da atenção. Foi a época que me senti melhor na minha vida em vários sentidos –organização, auto-estima, uma certa regularidade no dia a dia etc.

aldo luiz

18 de janeiro de 2011 às 19h24

"CHEGOU O TEMPO EM QUE O SILÊNCIO É TRAIÇÃO" M.L.KING

É meu dever de humano, a reposição, aqui, do meu comentário ao texto link "ao ler o artigo em pauta".

"Caros Azenha, Heloísa, Conceição demais amigos do VIOMUNDO que está sempre se superando em contribuições para nossa libertação
Penso ser mais que hora de colocarmos de lado esta idéia de que, quem não está afinido intelectualmente com as teses "científicas" do sistema é um " lunático teórico conspirador terrorista" politicamente incorreto que deve ser desacreditado e enjaulado sem julgamento e para sempre em Guantanamo.
1ºcitação) "Os Estados Unidos chegaram, agora, ao ápice de um sistema corrupto na relação da política com o poder financeiro. A ponto da Suprema Corte do país ter aprovado uma medida que permite a qualquer grupo, nacional ou estrangeiro, financiar campanhas políticas sem se identificar. Anônimamente. Um escândalo, eu diria. Mas aparentemente, passou batido e ninguém grita contra. A não ser meia dúzia de três ou quatro sites “progressistas”."
2ª citação) "Ou seja, na ciência, na política ou nas faculdades de economia, existe nos Estados Unidos uma clara influência do poder econômico determinando, muitas vezes, o que se pesquisa, o que se pensa e como se pensa nesse país. É prá lá que nós queremos ir?"
A segunda citação é que me parece fundamental ao meu raciocínio. Perguntas importantes: Quem sou eu? Quem somos nós? Quem são eles? De onde viemos? PARA ONDE ESTÃO NOS LEVANDO?
Principalmente porque falta olharmos a questão do ponto de vista do dominador, ELES É QUE SÃO OS CONSPIRADORES (conspiram como respiram), A TAL DA ELITE, (ô corja), Olharmos não do modo subserviente o oficial, ditatorial e midiocrático como eles nos impõem, mas do ponto de vista do que nos escondem por detrás das telas, o neo-classicismo por exemplo, cumpria este papel, agora as telas são as de TV em HD com os insuspeitos e desconhecidos "sons do silêncio" (muito usados nna guerra contra o Iraque) e os inúteis inumanos celulares e suas chipadas possibilidades através das infinitas torres de ELF, ULF e HAARPs espalhadas pelo planeta, as modernas invisíveis grades da prisão, o "virtual" GUANTANAMO PLANETÁRIO.
Acaso? Nada disso é por acaso. Evolução? Isto é um plano ("diabolicamente sofisticado") urdido há muito tempo e sempre aperfeiçoado ao longo dos anos de dominação da CASA GRANDE em permanente religioso escravagismo. Só no Brasil são 510 anos de escravidão nestas pseudo democracias. DOUTORES, ESPECIALISTAS e AUTORIDADES, "falam" (?), mas "falam" o que? O que os seus senhores lhes mandam falar e as (suas) organizações mundiais impõem. Este comportamento "doutoral" ou é assim ou deixam de enriquecer, ou, nem "catarão papel na rua". "_ Que o Deuses de Ipanema nos salvem das favelas!" Reparem que é o sistema quem lhes dá o "alvará" de soltura e funcionamento, e estimulantes premiações como o Nobel. Obama é o exemplo, "sem comprovação científica", disso. "Cientificamente" pinçado lá no fundo do saco das conspirações pelo oportuno e intencional "colored", depois da eficiente terrorista depopulação do Iraque, vizinhas guerras de prevenção e outros DRONES, a África está ainda lá e continua sendo saqueada pela elite mundial. A segunda guerra serviu para traçar teritórios em busca do que agora finalmente realizam com o eufemísticos, GLOBALIZAÇÃO, NOVA ORDEM MUNDIAL OU "GOVÊRNO MUNDIAL".

Responder

aldo luiz

18 de janeiro de 2011 às 19h22

Perguntemos ao Henry Kissinger, aos Rockfeller, ou aos Hotshield se AQUELES QUE do alto da "casa grande" CONTROLAM "NOSSOS DINHEIROS", protegidos por seus inumanos exércitos de "cães de guarda" armados até os dentes, não SÃO OS QUE CONTROLAM NOSSO (MILENAR) INEXISTENTE "LIVRE ARBÍTRIO"?
A ocupação econômica do Brasil se faz definitiva pelos dominadores, é o nova velha abertura dos portos às nações amigas imposta pela Inglaterra que está sempre nos bastidores se fingindo de morta. Assim está sendo feito ao Brasil florão da América como as demais manobras de demolição de outras "globalizadas" economias mundialmente administradas pela mesma GANG que colocou Obama na cadeira presidencial e igualmente nas demais cadeiras asseclas mundo a fora. Exercem e doutrinam a fraudulência. Mas e o RITALIN?
"Low talk and a big stick." Haja caveirões. Enquanto isso nada como RITALINIZAR com a devida "chapa branca" a massa já analfabetizada e infantilizada secularmente. Chipar e estupidificar através da erronea alimentação e medicação COMPULSÓRIA, sem falar em CHEMTRAILS e pesticidas, todas as futuras gerações para canina e absoluta obediência a este "invisibilizado" nazi-sionista 4º Reich em ascensão. Por isso: (citação 3ª) "De lá prá cá, a doença mudou de nome várias vezes: dano cerebral mínimo, disfunção cerebral mínima, reação hipercinética, déficit de atenção com hiperatividade. E se a hiperatividade já foi o foco dos psiquiatras, hoje é o déficit de atenção que está no centro dos diagnósticos. Há mais de duas décadas se formou um “consenso” entre os cientistas americanos de que a melhor — e talvez única — maneira de lidar com essa doença indefinível seria medicar a criançada. O remédio mais popular, nos anos 70, era a Ritalina. As crianças paravam de pular, de subir nos móveis, de desobedecer e se tornavam uns anjinhos. Em alguns casos, pareciam uns zumbis."
Drogas lícitas e ilícitas à parte, (ô corja), continua o que é bom para os americanos sendo "automaticamente" ótimo para os idiotizados subservientes brasileiros… E por estas e outras é que quarenta e anos depois o Boris Casoy baba quando diz: "Está tudo dominado!"

Espero ter contribuido ao debate. A hora é esta. O tempo urge. O sistema é por sua natureza fratricida e antropofágico, e adora uma literatura para se fazer de importante e necessário enquanto nos devora. SÓ PARA NÃO ESQUECER: POLÍTICOS, MUNDIALMENTE, TODOS, ESTÃO AÍ PARA NOS DAR A ILUSÃO QUE TEMOS ESCOLHAS senzalados neste escravismo travestido. Precisamos acordar "os brasileiros" ainda sem RITALIN na veia da alma, se é que isto é possível, para este trabalho coletivo de "formiguinhas" em esclarecer e denunciar o permanente "grande golpe" que se recicla milenarmente para esta, agora depopulação controlada, das senzalas mundiais excedentes. Nada, religião alguma, lei alguma, substituirá a responsabilidade 100% dos julgamentos, escolhas e decisões de cada um de nós. A verdadeira maravilhosa revolução é intrapessoal e intransferível.
Sou grato.

Responder

    Cristiana Castro

    19 de janeiro de 2011 às 01h16

    Caraca, arrasou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu, passo…

diogojfaraujo

18 de janeiro de 2011 às 15h38

Quanta asneira, pra variar… Nos comentários, obviamente…

Responder

Ney Henrique

18 de janeiro de 2011 às 14h38

Melhor ainda seria se os textos, ambos, viessem com uma lista de referências … se não fica s;o o clássico : diz que me diz!

Uma acusa a outra de estar falando bobagem, mas tb não coloca nenhuma referência para que o leitor possa ir na fonte! Erro primário pra quem está querendo rebater uma opinião de forma "científica".

Sem uma lista de referências acessíveis não dá pra confiar nem em um testo nem no outro. Pelo que eu me lembro, o texto da heloísa vilela falava de um livro de um Psicólogo … e não de um jornalista, mas posso estar errado.

De qualquer forma, criticar um autor de achismo atrav;es de achismo é o fim da picada!

Responder

    David

    18 de janeiro de 2011 às 18h27

    É nisso que estava pensando. Por isso achei este texto o mais fraco, apesar da formação e da boa escrita da Dra…

    Maldoror

    18 de janeiro de 2011 às 19h09

    Existem vários textos da Heloísa sobre TDAH no site. Eles poderiam colocar o link para todos os textos das discussões. Já foram alertados sobre isso por vários leitores, mas preferem continuar não postando os links (ou não estão lendo os comentários). Uma pena…

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h41

    Ney
    as referencias podem ser encontradas nos livros de psiquiatria e em livros que tratam especificamente sobre o tema ( TDAH ), que podem ser encontrados na maioria das livrarias. Voce também pode encontrar muitos artigos em revistas especializadas, em portugues, ingles, espanhol, etc. No Brasil existe a Revista Brasileira de Psiquiatria, que é a publicação oficial da ABP, Associação Brasileira de Psiquiatria, à qual pertenço.

Marcia

18 de janeiro de 2011 às 13h34

Gostei muito do texto, as pessoas adoram dar pitacos, mas raramente se lembram das pessoas que realmente sofrem com esses problemas e o que elas pensam.

Responder

Florival Scheroki

18 de janeiro de 2011 às 13h30

Alguém aí duvida que uma boa corrente de descarrego na IURD, ou na Mundial da Fé ou na Vitória em $, ou na Internacional da Graç$ pode curar TDAH? É só uma curiosidade. Acreditem. Não é brincadeira esta pergunta.
Colaborem comminha pesquisa.

Responder

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 13h46

    Interessante!

Juliana Montenegro

18 de janeiro de 2011 às 11h20

Tenho 27 anos e comecei a tratar o TDHA a 6 meses. Pesquisei muito sobre o assunto e consultei 3 psiquiatras, pois queria dar preferencia a tratamentos alternativos à medicação, mas eles disseram que estes serviam apenas como paliativo à medicação. Desde de adolescente minha mãe, que é pediatra, dizia desconfiar do diagnóstico, mas acabei protelando o tratamento por não querer tomar medicamentos. Hoje, em meio a um mestrado, resolvi que não dava mais para adiar. Passei a tomar ritalina e a diferença foi enorme. Percebo que se tivesse tratado mais cedo, teria evitado muitos problemas, não apenas na área acadêmica, como também pessoal. Fiquei estupefata quando li no artigo da Heloisa Villela que "todos os estudos mostram, também, que não existe vantagem para a criança, em matéria de desempenho escolar". Me parece uma afirmação, no mínimo, irresponsável. Na verdade o artigo cita inúmeras "pesquisas" bastante duvidosas. Parece que essa jornalisma além de possuir pouco conhecimento sobre o assunto, pesquisou muito pouco. Por mais que a discussão a respeito da industria farmacêutica seja muitíssimo relevante, não devemos generalizar.

Responder

    NELSON NISENBAUM

    18 de janeiro de 2011 às 14h43

    Ë isso aí, Juliana, como você, já atendi muitos pacientes que perderam muitos anos de vida por causa desse preconceito contra a medicação. Realmente, os pacientes que atendi tiveram enormes ganhos no rendimento escolar, e fundamentalmente, de auto-estima.

    aldo luiz

    18 de janeiro de 2011 às 19h06

    Pois é Juliana, meu filho se chamava Juliano, era médico, você poderia ser minha filha, ou a mãe de meus netos. Como você, outros "pacientes", vão perder muitos anos de suas vidas e até as próprias vidas, pensando que o ERRO ESTÁ EM VOCÊ, QUE ESTÁ NELES, e não na sociedade perversa e pervertida que tenta te enquadrar, reduzir, castrar e enjaular com as grades da mentira, da ignorância, do terror, do medo e da crença em drogas "lícitas" que a FARMÁFIA produz para a sua pseudo salvação na manutenção desta lucrativa moderna GUANTÂNAMO Planetária.
    Aterrorizam as crianças de todas as maneiras para oferecer depois a salvação da sanidade perdida nas drogas que as escravisarão na demência cada vez mais precoce. Não entregue sua vida, nossa essência é divina, é perfeita. O que nos adoece são os programas inumanos que nos impõem desde a infância. Querem "robôs", ciborgues consumidores obedientes em lugar de humanos questionadores e originais. Não há duas impressões digitais idênticas, cada um tem a sua. Respeite e exija respeito à sua identidade própria. Creia em si, nossos pensamentos criam a nossa realidade. Pense nisso. Abra-se para um outro mundo possível onde nossos pés não são apertados nos sapatos ritalinizados da moda para que sejamos mais um número lucrativo no computador deles. Creia em si.
    Sou grato, disponha. Desejo-lhe e a todos nós uma longa vida com saúde, paz e prosperidade.

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h35

    Juliana
    o seu depoimento, como portadora, e os benefícios que viveu podem ajudar a esclarecer e e afastar da ideologisação do assunto. E a experiencia de outros médicos, como o Dr. Nelson, podem ajudar a mostrar que nem todos estão envolvidos com a industria farmanceutica, que realmente tenta " vender seu peixe". Mas é preciso deixar claro que compra quem quer. E nem todos querem.

David

18 de janeiro de 2011 às 10h49

Ah, só uma sugestão, Azenha. Seria mais interessante colocar todos os links seqüenciando este debate no final de cada um. Da um pouco de trabalho localiza-los na busca, seria mais prático para todos acompanhar o debate assim. Obrigado.

Responder

David

18 de janeiro de 2011 às 10h41

OI. Venho acompanhando os textos TDAH postados aqui e tenho gostado desse debate. Porém, apesar de reconhecer sua formação e boa escrita, achei este texto o mais fraco de argumentos. Mesmo sendo leigo da para perceber que a maior parte do texto foi evasivo, não foi muito claro. Parece que não veio disposta a mostrar mais dados, não acrescentou muita coisa. Não veio preparada para esse debate como outros médicos nos outros artigos sobre TDAH.

Responder

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 13h47

    Há quem apenas tente defender a classe.

Rafael

18 de janeiro de 2011 às 09h04

Fico extremamente receoso quando alguém vem defender a indústria farmacêutica. Está claro que ela possuía uma droga, mas faltava uma doença. Então, bingo!, basta criar uma nova síndrome, ou tentar encaixar um problema antigo mas pouco conhecido, como parece ser o caso. O "tratamento" preconizado traz mais e sérios efeitos colaterais do que benefícios palpáveis para o paciente. O mesmo não se pode dizer dos demais interessados.

Responder

Fátima Oliveira

18 de janeiro de 2011 às 07h59

Finalizando o meu raciocínio:
Tanto a TDHA como o Transtorno de Espectro Bipolar podem ser imaginadas como um vulcão, que pode estar ativo ou inativo, mas a inatividade não as tornam menos vulcão. Vulcão é vulcão e ponto final! Sem leros. É só escolher o que se prefere: um vulcão ativo ou um inativo.
Tratar uma doença é completamente diferente de medicalização da vida, de cultivar a erva daninha do abuso de poder médico (mais comum do que se imagina) e de submissão aos ditames da indústria farmacêutica -que não se configura exatamente a instituição de caridade que tenta aparentar ser.

Responder

Fátima Oliveira

18 de janeiro de 2011 às 07h52

O artigo da dra. Katia Beatriz Corrêa e Silva é precioso por aportar dados que fazem toda a diferença a um debate racional e civilizado.
A TDHA existe e para comprovar, basta conviver com uma pessoa portadora. Aí, duvidar jamais, pois é inesquecível! Absolutamente impossível duvidar, sobretudo porque a condição de TDHA e a condição de Transtorno de Espectro Bipolar é para sempre, pois há tratamento, mas não há cura.
Que há remédios que ajudam à pessoa doente e à família a suportarem o calvário, também é só perguntar a quem se trata e às pessoas do seu entorno as diferenças na qualidade de v ida, em qualquer ambiente social, da situação de miséria ao que se rotula como "as melhores famílias de Londres" . A diferença é que praticamente todo mundo tem um TDHA ou um bipolar de estimação ou para odiar. É uma questão de escolha, pois como tenho dito: é um trampo amar a quem só dá trabalho. Simplesmente não é fácil, sobretudo para quem tem a convicção de que filho não se joga fora!

Responder

    aldo luiz

    18 de janeiro de 2011 às 18h07

    Minha cara senhora, Isto é uma inverdade, uma farsa, uma crença e precisa ser desmistificada. Já passei por este cenário onde se representa esta peça BUFA de falsas premissas de ideologia farmafiosa. Enganam com perfeição aos impotentes ignorantes. Verdadeiros Caramurús modernos. Estou com sessenta e tres anos e sou a prova viva desta prisão de mentiras imposta pela FARMÁFIA imperialista e seus doutrinados "médicos" donos da "verdade". Estou liberto dos "medicamentos" do mais cruel ESCRAVAGISTA PSICOPATA GUANTANAMO PLANETÁRIO NAZI SIONISTA jamais implantado na história da humanidade. Querem que as pessoas se adaptem a uma sociedade ADOECIDA, perversa, pervertida e que vive em busca de inumano lucro ao qual convencionaram chamar entre outras imposturas religiosas, de "ciência médica". LOB é o que isto é… Sinto muito, sou grato.

    Marcelo

    18 de janeiro de 2011 às 19h59

    Infelizmente a verborragia e pedantismo de Aldo Luiz com os bordões "ESCRAVAGISTA PSICOPATA GUANTANAMO PLANETÁRIO NAZI SIONISTA" e "FARMÁFIA" desqualifica sua participação. O discurso vazio tipo anos 70 do século XX serviu mais para confundir e estigmatizar os que sofrem com o sofrimento mental, que é algo real e não deveria ser tratado com leviandade … Laing, Cooper, Illich já deram o que tinham que dar, se é que serviram para muita coisa…. Chamar todo mundo de fascista e encontrar conspirações em todo lugar já denota o espírito dogmático do sr. Aldo (muito semelhante ao Xará congressista…) . Muitas vezes as pessoas mais autoritárias são aquelas que se dizem tisentas de todo preconceito e autoritarismo…

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h17

    Marcelo, infelizmente esse discurso ideologico ainda existe e nos afasta do principal, e dificulta a discussão séria.

    aldo luiz

    21 de janeiro de 2011 às 08h59

    Doutora Katia, é admirável saber que ainda existem, "autoridades"como a senhora, que infelizmente não sabem que a ideologia que professamos determina nossa conduta; ainda que sejamos, dolosa ou culposamente ignorantes de uma, de outra ou das duas.
    O que nos afasta do principal e dificulta a discussão séria e necessária, ainda está sistematicamente encoberto pelo sempre reciclado discurso ideológico dos propagandistas de remédios da industria farmaceutica (a farmáfia) que querem permanecer impondo o tratamento dos sintomas ao invés da extinção das causas geradoras das "doenças". As quais enriquecem, em detrimento da humanidade que explora, o sistema que as cria.
    Sinto muito, sou grato.

    aldo luiz

    20 de janeiro de 2011 às 20h14

    Caro Marcelo, o que qualifica o debate? Formate seu HD, sua plataforma não consegue rodar e "ler" o meu "programa"? Sua identificação (firewall) com "programas oficiais" (cavalos de Tróia) não permitem que você leia o que escrevi com isenção de automáticos (anti-virus) pré-julgamentos. Na sua idade eu pensava mais ou menos como você, aos poucos fui descobrindo o quanto estamos milenarmente sendo tapeados com argumentações de pedante erudição e repetentes de falsas premissas como as que você está usando em defesa do sistema que o prime e você não vê. Não há nehum dogma em meu texto, muito menos verborragia e pedantismo, usei as palavras que estão no dicionário a dsiposição de qualquer um e que sintetizam idéias e conclusões que ocupariam páginas segundo sua visão de discurso. "Cansei de lero-lero." Tomei a cápsula vermelha. Você prefere ainda a programação da matrix? Não nasci ontem, apenas parei de me iludir com a ideologia canalha que o sistema, este sim, dogmático e antidemocrático por natureza, nos impõem. Reveja o seu conceito de liberdade, democracia e escravagismo. Apresentei os dados que me levaram às duras conclusões que eu mesmo relutei aceitar ao longo da vida, são fatos e estão aí na história, do Brasil e do mundo aos olhos de ver. Apresente os argumentos que desmintam a minha visão desse mundo prisional em que nos encontramos e somos mantidos em infantilismo.
    Pense bem: desde o nascimento, ancestralmente, somos aterrorizados com a idéia de que somos imperfeitos e pecadores e há um Deus vingativo, que tudo vê; que castiga e pune com o inferno eterno àqueles que lhe desobedecem e aos seus representantes aqui na Terra. Daí par frente é possível enfiar na cabeça das pessoas tudo o que queiram para a manutenção dos controles que as escravizam e exploram. Sem que elas percebam. O sistema cria o sofrimento do qual se alimenta. Nosso pensamento cria nossa realidade. Eles sabem disso.
    Por acaso, Guantanamo não é um campo de concentração de ideologia nazista? Por acaso Obama e a sua gang não se autodenominam publicamente sionistas? Por acaso o impune extermínio genocida de milhões de pessoas com guerras, torturas e experimentos não é um comportamento psicopático? Por acaso a Farmáfia não é uma lucrativa dolosa verdade? Por acaso a deposição através da violência ou conspirações dos eleitos democráticamente pelo povo e que não interessam ao sistema não é uma verdade? Por acaso imposição e manutenção de condutas e comportamentos pelas elites aos milhões de analfabetizados e estupidificos secularmente não é uma verdade planetária?
    Para terminar; leviandade é supor que eu entrei neste debate sem ter a autoridade de quem passou pela via crucis desses dogmáticos tratamentos psiquiátricos e ter sido estigmatizado com o mesmo discurso que agora, muito cafagestemente está reciclado e se repete aqui com as mesmíssimas pompas doutorais. A medicina como está aqui defendida e propagandeada é uma fraude. Desafio-os a me desmentirem. Saí às duras penas e com meu próprio esforço, da camisa de força que me impuseram, a partir do exato momento em que percebi que o erro não era meu e sim do sistema e seus asseclas farmafiosos com licença para brincar de Deus.
    Desejo-lhe longa vida com saúde, paz e prosperidade; e sou grato por esta esclarecedora oportunidade.

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h27

    Fátima,
    voce tem razão. Só quem convive, estuda , trata e procura ajudar aos portadores de TDAH e Bipolaridade e suas famílias é que tem a real dimensão do sofrimento deles.

Cristiana Castro

18 de janeiro de 2011 às 03h19

De qq forma, tá faltando alguma coisa. Como é que, de repente, uma penca de crianças aparece diagnosticada com esse transtorno e fica tudo certo? Amanhã isso pode não ser nada, então? Não era até ontem… Tem alguma coisa que não tá batendo. De repente, várias crianças das turmas de minhas filhas passaram a tomar essa tal de Ritalina. Não era uma nem duas, foi um bando… Na minha época isso se chamava " andaço". Se essa doença é real ( acho até que deve ser ) a culpa da descrença, se deve aos próprios médicos, que diagnosticam em função de pressões educativas e televisivas, ao invés de fazê-lo, em função de seu conhecimento. Se a saúde virar " rebolation" ( a TV inventa e o povo embarca ) quem vai se afundar é a Medicina. Já comentei num outro texto, a respeito de uma pré-diabetes com 100 de colesterol, glicose, ou sei lá…. Todo mundo deu risada do médico, e a consulta, R$ 450, 00!!! Não dá, né? Ah mas é que agora tá na moda! Saúde fashion??? Tô fora!

Responder

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 13h02

    Cuidado com o que diz, há profissionais aqui que poderão "RIR" de seu comentário além de mandar você "calar a boca" e não escrever sobre o que não entende……..Sei bem o que é isso.

    Cristiana Castro

    18 de janeiro de 2011 às 14h48

    Tudo bem pq a rede é isso mesmo. Mas se as crianças estão a base de Ritalina e os adultos de Rivotril, isso já deixou de ser um problema médico. Tá todo mundo doente? Os professores precisam do remédio e os alunos tb. Isso tem muito mais cara de instituição de padrões de comportamento do que de tratamento. Se vc droga os dois grupos para obter resultados, vc não está numa escola, está num laboratório.

    aldo luiz

    18 de janeiro de 2011 às 17h48

    Cara Cristina, já escrevi aqui em outra oportunidade que este é o LOB do Hitalin ESCRAVAGISTA da FARMÁFIA IMPERIALISTA., ô corja… Escrevi isto ao "heróico professor" Elton e repito aqui para você a minha conclusão. Sinto muito, me falta tempo para enquadrar JUNTO COM VOCÊS estes nazisionistas. Vida digna, liberdade, saúde mental, espiritual e física, bem como CRIANÇA e a MEDICINA, são águas limpas que o sistema envenenou DESDE O "FIM" DA SEGUNDA GRANDE GUERRA que loteou o mundo ao capital e quer nos enfiar goela abaixo ou nos mandam ao pau de arára. É O IMPERIALISTA GUANTÂNAMO PLANETÁRIO ACELERANDO SUA IMPLANTAÇÃO. Sou grato por suas tenacidades…

    Vera Silva

    18 de janeiro de 2011 às 15h30

    Cristiana,
    Quando o computador nos permitiu ler o cérebro de uma pessoa viva, o TDAHI ficou claro e foi possível tratar com eficácia crianças, adolescentes e adultos com a doença..
    Este momento concidiu, aqui no Brasil, com aquele em que optamos por ignorar a pré-escola e transformá-la em adiantamento da idade da alfabetização. Não deu outra: como os sintomas de distúrbio de atenção e de desadaptação das crianças mal alfabetizadas são muito parecidos, ficou mais fácil receitar um remédio do que discutir o sistema de ensino e a falta do "brincar na rua" que atrasa o desenvolvimento psiconeurológico de muitas crianças em nossos dias.
    Contudo, nenhum profissional sério vai confundir TDAHI com distúrbio de binocularidade ou má alfabetização ou problemas emocionais ou familiares.

    Cristiana Castro

    20 de janeiro de 2011 às 16h06

    Agora foi… Obrigada, Vera. Temos então dois problemas: O do transtorno, de fato ( esse o de mais fácil solução ) e a discussão do sitema de ensino ( esse de solução quase impossível ). Juntando os dois textos ( ritalina e rivotril ) e os comentários, sobretudo, os dos professores, temos que estamos usando a medicina para adaptar todo mundo a um sistema bizarro e inoperante. Minha pergunta é, a quem interessa isso? Se o aproveitamento acadêmico é o diferencial , o projetor de gênios iluminados, qual o sentido em manter-se um sistema de ensino descolado da realidade? Não entendo, a menos que os "faróis" sejam os que sobrevivem ao modelo, mas, se são faróis, de fato, não deveriam perceber e denunciar o próprio sistema? Complicado.

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h22

    Cristiana,
    a Vera tocou num ponto muito importante e que acredito esclarece muitas coisas. Essa antecipação da alfabetização, que é criminosa, pois o cérebro ainda não está fisica e cognitivamente preparado, provoca várias reações, como ela citou e aí pais desorientados, professores também (?) e infelizmente colegas equivocados podem passar a "diagnosticar" o que tem outra causa e muitas crianças são erroneamente medicadas. Tudo isso acontece sim. Mas não podemos confundir alhos com bugalhos.

    Cristiana Castro

    20 de janeiro de 2011 às 22h04

    Mas, Kátia, o que nós vamos fazer? Tem um monte de pais desesperados! Eu, imaginava, ingenuamente, que poderíamos contar com os médicos, afinal, nosso curso superior mais disputado e blá blá blá…. E, antes que me falem da quantidade de Universidades privadas, devo dizer que, justamente, os médicos dessas Universidades é que me deram o alerta para a medicina de televisão.
    Eu não sei como se sai disso. Até pq aqui, entram tb pais que acreditam que seus filhos são gênios para o maternal ( seja lá o que isso signifique ) e que devem pasar para o ano seguinte… Vai daí que os pais dos " coloridos" ficam numa posição humilhante. Pq logo o meu filho, nesse mundo de gênios, saudáveis, bonitos e famosos, foi ser o " transtornado"?

    Cristiana Castro

    20 de janeiro de 2011 às 22h05

    ( cont. ) Não sou medica e não entendo nada disso mas, e se esse grupo for algum tipo de " resistência"? Não os diagnosticados, de fato mas, talvez, ate eles. Acho muito duro para os pais e, caraca, no universo do bullying, um diagnóstico desses pode significar a derrocada do sujeito. Se os Estado ( via medicina ) está refém, os pais estão humilhados e os professores estão drogados ( Rivotril ), quem salva as crianças? Eu sei que é f…., mas esse grito são vcs, médicos que tem que dar.

Jorge

17 de janeiro de 2011 às 23h46

Parabéns a Dra. Katia pelo artigo e também ao "Vi O Mundo" por manter aberta a matéria à análise e conhecimento da população em geral.

Gostaria de saber da Dra. Katia, se para corroborar argumentos e explicações, se existem estatísticas sobre incidência da doença de 100 anos para cá. Ela cita pesquisa de 1902 e, uma eventual evolução / crescimento dos casos com o passar dos anos, pode ser indicativo de uma possível influência de meios e situações que favorecem não apenas crescimento como incidência de casos.

Responder

    cronopio cruento

    18 de janeiro de 2011 às 11h25

    A medicalização nas escolas me preocupa muito. Em minha experiência como professor, noto que as escolas privadas reproduzem a competitividade crescente do mundo do trabalho e os alunos que ficam "para trás" são "empurrados" por esses remédios. Os professores, por sua vez, também são pressionados para obterem o máximo de resultados na menor quantidade de tempo e os pais alegam que seus filhos precisam de preparo para o vestibular, para o mercado, etc. Tudo isso edulcorado com um discurso humanista, tipo "escola da ponte". A dra. Kátia fala em termos idealistas, a realidade de aplicação da psiquiatria, no entanto, tende a ser deixada de lado pelos especialistas: uma versão perversa do "pior para os fatos" hegeliano.

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 12h51

    Concordo, como professor do ensino privado vivo a mesma realidade.

    cronopio

    18 de janeiro de 2011 às 11h51

    Não dêem crédito ao artigo de dra. Katia Beatriz Corrêa e Silva, trata-se de uma profissional financiada pela indústria farmacêutica. O centro de diagnósticos no qual a dra. Katia trabalha tem cometido infindáveis atrocidades em busca de lucro fácil. Seu artigo é mau-intencionado e ignora intencionalmente a realidade do diagnóstico e do tratamento das síndromes. A dra. Kátia apenas repete a estratégia da indústria farmacêutica (recorde em processos): desvia a discussão para o campo especializado, ignorando a realidade da prática médica. Denunciem!

    Dra. Katia Beatriz

    18 de janeiro de 2011 às 22h54

    Jorge, as informações mais específicas podem ser encontradas em revistas médicas especializadas. Mas sites que tratam do assunto tb podem ajudar, como o site da ABDA ( Associação Brasileira do Déficit de Atenção ) onde vc pode ver na seção de livros e links informações mais detalhadas que talvez possam te dar mais subsídios e esclarecer melhor suas dúvidas. Lá tb vc encontra o endereço de outras instituições que estudam esse tema. E depoimentos de pais e portadores que podem dizer melhor o que sentem e passam. O end. é http://www.tdah.org.br

Pedro Luiz Paredes

17 de janeiro de 2011 às 23h12

Imagina só, um cara nasce e começa a ver tudo tão rápido, tanta informação a ser absorvida, porque se não for absorvido ele será culpado (porque é básico o uso da culpa na educação); e então começam a falar as coisas que devem ser absorvidas e tendenciar a atenção e isso conflita diretamente com seus interesses que podem ser cada vez mais heterogêneos (esses sim heterogêneos porque a massa de pacientes citada no oitavo parágrafo já é homogênea; a motivação como causa não é o que determina o gênero da classe e qualquer dos elementos que tecem a classificação. Caso contrário teríamos várias classificações – Só um detalhe.)
No plano da ação esse mesmo conflito se externaliza e é chamado de "erro"; e agora a culpa se torna latente porque empurra o cara na linha tênue entre a aprovação e a padronização social compulsória.
Seria a complexificação da lei do mais forte, Darwin e todas essas "teorias" de explicação?
Teoria que é boa cria, não explica!
Normalmente os conflitos crescem porque fits nas relações mais próximas e mais intensas como nas relações paternas e sexuais.
Pronto! Agora não pode ter sentimento também, para o seu próprio bem!
Nesse ponto o cara começa a agir defensivamente e faz mal sem querer, aos outros e a si próprio.
As drogas só evitam a evidenciação do problema e quem sabe para evitar o uso de outras drogas, quem sabe o uso da vida nessa sociedade tão restritiva e controladora.
Naturalmente os filhos desse cara vão receber uma carga genética muito boa quem sabe nascer concertado ou repetir tudo com mais intensidade.
Isso se o cara não colocar sua existência em cheque e tomar uma atitude mais drástica a fim de tomar as rédias da situação e fazer a única coisa pela qual não pode ser culpado já que qualquer tentativa de dividir a culpa com quem o culpa se mostra infrutífera e ele não estará mais ali para ser culpado.
Ainda bem que existe a música, bebidas e sexo. (ou troque por esse remedinho aqui)
Seria a burrice o segredo da felicidade?
Eletrochoque!!!!
Concordo com a pesquisadora, o jornalista tem que pesquisar paralelamente esse pedacinho do cérebro de um grupo de pessoas que não se droga para poder fazer qualquer afirmação fora de contexto. Exumem!
Se fizerem uma biópsia comam para ver se conseguem digerir alguma coisa.

Responder

Roberto Locatelli

17 de janeiro de 2011 às 22h38

A questão não é discutir se a síndrome é real ou não. O que precisamos discutir é se todos os diagnosticados como portadores da tal síndrome são realmente portadores. É aí que a indústria da doença (os grandes laboratórios) entra. Eles pegam um fato real: uma doença, e fazem milhões e milhões de pessoas acreditarem que têm essa doença quando, na verdade, não têm.

E quanto à invenção de síndromes, sim, os grandes laboratórios inventam, com a ajuda de médico$ amigo$, novas síndromes. Exemplo:

– síndrome dos que precisam urinar de madrugada; segundo os "descobridores" da doença, é tratável com medicamento$

– síndrome do consumismo; também pode ser tratada com medicamento$, embora seja, obviamente, resultado de carência afetiva;

– síndrome dos viciados em internet, síndrome do sono fora de hora, síndrome dos viciados em jogos, dos viciados em fazer dívidas, etc. A cada síndrome, um $$medicamento.

Repito, acredito que existam, sim, doentes de TDAH, mas estou certo de que é uma porcentagem bem pequena da população, embora milhões e milhões de pessoas sejam "diagnosticada$" como portadoras da doença.

Responder

    carlos josé

    18 de janeiro de 2011 às 09h02

    Sr Roberto, concordo com seus argumentos. O que ocorre é na verdade é uma manipulação de laboratórios associada ao despreparo de médicos no tocante ao diagnóstico. Logo, o que eles tem dificuldade em diagnosticar passa a ser TDAH. Claro que os bonus que esses laboratórios dão acabam contribuindo nisso.Para se ter uma idéia veja a dificuldade dos médicos em encaminhar crianças para uma avaliação com psicólogos! ao contrário! comportamentos que são muitas vezes normais são diagnosticados erradamente e essas crianças acabam sendo envenenadas por esses médicos com a ajuda da indústria farmaceutica que claro lucra cada vez mais

    Daniel Santos

    18 de janeiro de 2011 às 11h22

    Concordo totalmente. Trabalho como professor em uma escola particular e quase metade dos meus alunos tomam algum tipo de medicamento ou para défict de atenção, ou para hiperatividade, ou para transtorno bipolar. A "parceria preciosa" entre professores e médicos exaltada no artigo, na prática, torna-se perversa. Os professores fazem o relatório de cada aluno, os alunos que tiverem os chamados "problemas de aprendizagem" são encaminhados à coordenação, que os encaminha ao psicopedagogo de plantão. Depois de uma semana, invariavelmente, os alunos já estão sob medicação. É batata. Eis a parceria preciosa em funcionamento. Em conversas na sala dos professores é comum escutar que tal aluno "está precisando de um sossega leão". Realmente precioso! Falar da psiquiatria em termos idealistas é fácil, basta esquecer a realidade de sua aplicação.

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 15h07

    Daniel, infelizmente tenho que concordar com vc, que na realidade existem certas distorções nessa parceria que poderia e pode muitas vezes funcionar para ajudar a criança. Bons e maus profissionais existem em todas as áreas, na minha, na sua e em todas as outras. Assim como existem professores realmente empenhados em ensinar a seus alunos, existem outros que não tem mais interesse. E principalmente seria interessante esclarecer uma coisa que acho que ainda não ficou clara. TDAH não atrapalha só na sala de aula ou só na escola. TDAH atrapalha a vida do portador. Porqur precisamos de atenção em qualquer ambiente ou atividade. E precisamos controlar nossa impulsividade tb em várias situações e muitas vezes precisamos ficar quietos para fazer alguma coisa até do nosso próprio interesse. E na maioria das vezes o portador não consegue e isso lhe traz frustração e uma baixa auto-estima que é uma das coisas que mais os fazem sofrer, quando não se tratam.

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 12h53

    Hoje, "dar uma de doido" virou moda. Má educação (ou nenhuma) vinda de casa é regra! E nós professores é que temos de "carregar piano".

Regis Mesquita

17 de janeiro de 2011 às 18h14

O fato de haver desequilíbrio químico no cérebro não significa que a única saída seja a medicação (desequilíbrio não é sinônimo de doença). Existem outros fatores relevantes, como o ambiente familiar, estilo de vida, dinâmica psíquica, personalidade, histórico de vida, eventos traumáticos, etc. Mesmo o tão falado desequilíbrio químico pode ocorrer em diferentes intensidades. Pode haver mais de um problema psíquico em conjunto, muitos destes pacientes com TDAH possuem, por exemplo, estruturas egóicas muito fragilizadas.

Prestem atenção nesta frase: "A química não é alterada para sempre, até porque se assim fosse não seria preciso CONTINUAR o uso da medicação para se continuar a ter os benefícios que ela traz". O paciente é condicionado a acreditar que irá precisar tomar medicamento por toda a vida. A quase totalidade dos pacientes que tratei aqui em Campinas não usaram medicamentos ou deixaram de usar o medicamento. E estão vivendo uma vida feliz, eficiente e equilibrada.

Responder

Elton

17 de janeiro de 2011 às 17h09

Vamos aguardar aos comentarios do Dr. Nelson Nisenbaum, daqui a pouco ele deverá postar algo aqui.

Responder

    NELSON NISENBAUM

    17 de janeiro de 2011 às 22h27

    Caro Elton, a única coisa que vou comentar é que a Dra. Kátia mostra domínio sobre o assunto e escreve como uma grande profissional, consciente de suas responsabiliades como médica e cidadã. Provavelmente tem muito a oferecer a quem procurá-la. Evidentemente as pessoas são livres para procurar o tipo de assistência que acham adequada para si mesmas. O que vimos aqui, em outros momentos foram pessoas com outras experiências que à distância não temos a menor possibilidade de julgar, impondo seus pontos de vista em sentido destrutivo ao conhecimento da medicina "tradicional", se é que podemos usar esse termo. A medicina que eu e a Dra.Katia praticamos existe, faz parte do mundo e da história da humanidade, e assim como a indústria farmacêutica, tem qualidades e defeitos, pois é feita de humanos. Assim como outras formas terapêuticas. A questão fundamental é não confundir ciência com verdade. Ciência produz conhecimento científico, verdades produzem dogmas. Resta a cada um escolher o caminho. Jamais me vi na condição de escrever artigos ou publicar críticas ao que não acredito. Procuro sim, contribuir para o que acredito e para o que faz meus pacientes sentirem-se bem e seguros. Procuro construir conhecimento e compartilhá-lo com quem quer que seja.Mas não acho correto, por outro lado, que militantes de outras formas de cuidados venham a denegrir e negar o que eu e a Dra. Katia fazemos. Como já disse em outras oportunidades, devo satisfações aos meus pacientes e a mim mesmo, além das instituições correlatas à minha profissão. Mas não vou me abster de opinar, em qualquer fórum que seja, sobre fatos e pessoas que eu considere inadequados e que possam confundir a população em temas tão fundamentais e sensíveis ao ser humano, como por exemplo, a saúde do indivíduo e a saúde pública. Isto também está previsto no código de ética médica. Espero ter correspondido à sua expectativa.

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 12h59

    O senhor DEVE opinar. Mas assim como eu ou8 qualquer outro participante destas discussões, está sujeito a elogios ou críticas. As minhas, por eu não ser médico, sempre foram IMPLACÁVELMENTE rebatidas por sua pessoa. Inclusive com alguns recados explícitos do tipo: "Não se intrometa em campo de trabalho que não é o seu!". Independentemente disso tudo. Defendo minha experiência de que muitos diagnosticados com qualquer tipo de síndrome são acima de tudo mal-educados em casa ou simplesmente não-educados. O senhor é médico e respeito-o, estuda, é experiente mas também estudo e sou experiente. E vi muitas coisas acontecerem em 30 anos de sala de aula no ensino privado que é onde os pais em geral têm condições de levar seus filhos a psiquiatras ou psicoterapeutas. E prossigamos na discussão, ela NUNCA terminará!

    Elton

    18 de janeiro de 2011 às 13h45

    Outra situação: Nunca discuti o que ocorre nos consultórios e istituições de pesquisa da área médica. Longe disso. Meus argumentos refletem o que vivo nas escolas, todos os dias com alunos de todos os tipos. Muitas vezes pode-se dizer que é conhecimento "empírico" e não tem "base científica". o aluno de hoje é protegido pela lei, pela aprovação automática, pela "não-obrigação" em aprender. Ao longo das décadas em que trabalho tive de adaptar-me a muitas situações novas. A utilizar os mais modernos recursos didático-pedagógicos, a ver alunos diagnosticados como portadores de TDHA serem os primeiros a "aprontarem de tudo" em sala de aula, mas jamais participarem de qualquer atividade proposta pelos professores. Não sou do tipo de educador que objetiva "domesticar" os adolescentes à moda antiga. Vi laudos de alunos em tratamento e com grandes progressos no aprendizado assim como alguns que com certeza eram "depositados" na escola e os laudos funcionavam como justificativa dos pais como aviso implícito: Não adianta tentar nada, ele tem TDHA". E trabalhe nestas condições……..ou demita-se!

    aldo luiz

    18 de janeiro de 2011 às 16h50

    Elton, você, com todo respeito, é o meu super herói enfrentando o LOB do Hitalin ESCRAVAGISTA da FARMÁFIA IMPERIALISTA., ô corja… Sinto muito, me falta tempo para enquadrar JUNTO CONTIGO estes nazisionistas. Vida digna, liberdade, saúde mental, espiritual e física, bem como a MEDICINA, são águas limpas que o sistema envenenou DESDE O "FIM" DA SEGUNDA GRANDE GUERRA e quer nos enfiar goela abaixo. É O GUANTANAMO PLANETÁRIO ACELERANDO SUA IMPLANTAÇÃO. Sou grato por sua tenacidade…

Florival Scheroki

17 de janeiro de 2011 às 16h38

Muito bom seu desabafo dra. Parabéns!!! Pena que padece de lacunas semelhantes às que critica. Bem verdade que aqui não é forum acadêmico. Suas credenciais e sua construção verbal me levam a crer que se afirmar que Deus existe, ele deve existir. E se não existir, passará a existir. É só uma maneira de dizer que tem firmeza no que acredita. Suas credenciais são respeitáveis, mas seus argumentos não estão fora de questionamento. Gosto de argumentos, assim, como os teus, que sacodem a gente e nos faz buscar a contra-argumentação lógica. Assim se constrói o conhecimento. Também quero desabafar e gosto de fazê-lo com quem pensa diferente de mim, como a senhora. Agradeço esta dádiva de me fazer pensar. abraço-forte.

Responder

René Amaral

17 de janeiro de 2011 às 16h24

Sou TDAH, com 53 anos de idade e nunca me tratei, uma boa parte da minha vida foi um inferno por conta disso, ainda bem que sou 'assim' com o capeta senão não teria sobrevivido. Durante alguns anos a terapia analítica ajudou e cheguei a ter alta, mas os piores sintomas tem voltado agora fortíssimos. Estou buscando tratamento e fazendo todos os exames necessários.
Agradeço ao Azenha por tratar de maneira séria aqui, um assunto levianamente explorado pela mídia comercial.

Responder

Florival Scheroki

17 de janeiro de 2011 às 16h22

Muito bom seu desabafo dra. Parabéns!!! Pena que incorre nas mesmas lacunas que os que objetos de suas críticas. Bem verdade que aqui não é forum acadêmico. Suas credenciais e sua construção verbal me levam a crer que se afirmar que Deus existe, ele deve existir. E se não existir, passará a existir. É só uma maneira de dizer que tem firmeza no que acredita.

Eu sugeriria que se fizesse um simposium com profissionais de diversas áreas – e não apenas biológicas – para se discutir o status dos transtornos mentais. Teria, necessariamente que incluir médicos que pensam de modo diferente – e olha que não devem ser poucos. E teria que incluir pacientes e pais de pacientes com experiências diferentes. Longe de mim achar que tenho a verdade, mesmo que fosse um profundo cientista. Aprendi que a ciência não é isenta de valores e interesses e que até mesmo as "doenças" podem mudar de status avaliativo. Não se trata de saber se uma coisa existe fisicamente apenas, mas, o mais importante que valor é dado à sua existência. Dra. gostaria que fizesse o exercício de escrever tudo o que escreu acima, mas ao invés de colocar TDAH, substituisse a palavra por homossexualidade. Eu tenho real curiosidade em saber como ficaria seu texto.

Vou apontar umas poucas coisas que não entendi em seu texto: diferenças entre transtornos (desordens) síndromes e doenças. Seja didática como foi no texto acima para que nós mortais possamos entender. Tenha paciência conosco.

Com relação à pesquisa da Dra. Andressem que a senhora colocou sob suspeita metodológica, podr=eria nos informar de fato qual foi a falta metodológica desta ao invés de sugerir. Somos leigos. Pode explicar com uma lingaugem simples que entendo.

Quanto ao equívoco sugerido de que a medicação altera o cérebro para sempre, poderia nos dizer quanto tempo demora para reverter eventuais modificações? O que a senhora poderia nos dizer sobre o processo de neuroadpatação, comum em usuários de quaisquer substâncias psicoativas e também, em pessoas que não usam e passam por prolongadas experiências adversas (como sou leigo leio isto em revistas de ciência popular).

Não vou comentar ponto a ponto para não cansá-la, mas um último ponto , antes de encerrar: A sra sugere que o autor quer induzir o leitor a pensar que as medicações para TDAH levam a outros transtornos, como bipolaridade. É isso mesmo que entendi? Bom, já li que há altíssima comorbidade entre Transtorno bipolar e TDAH e que inclusive é de difícil diferenciação para muitos profissionais psiquiatras. Mas, neste tocante, me interesse saber quem causa quem. Seria interessante se pudesse citar um estudo de caráter experimental e não correlacional. Pode aproveitar e explicar a diferença entre eles e como é que são anunciadas, na mídia as descobertas de estudos correlacionais, e inclusive anunciadas pelas farmacêuticas.
Dra., meu objetivo foi tão somente me desabafar também e colocar que em seu texto ficam , como apontei uma enormidade de lacunas, que não cabem neste espaço e que por motivos semelhantes aos citados pela sra, podem levar a que muitos dêem como verdade pedaços de textos mal interpretados por nós, sobre o seu texto.. Reconheço sua experiência e autoridade e tenho receio da escolástica. Ciência se faz com emoção, razão e debate aberto às contraposições.

Para encerrar quero usar um pedaço de sua fala:

"Outra questão grave é a citação de frases fora de seus contextos. Elas se prestam às mais variadas interpretações. Principalmente quando já se tem um caminho que queremos que o leitor siga."

Obrigado por sua contribuição ao me me fazer pensar. Precisamos de pessoas que pensem e tenham experiências diferentes para que haja evolução. A mesmice não tarda a aborrecer e se mostrar enganosa, em geral.

Responder

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 14h47

    Florival, o metilfinidato, que é a substância da Ritalina, é totalmente eliminado do organismo em +/- 5 h. E após esse tempo sua ação acaba. Não deixa nenhuma alteração permanente. Mesmo a preparações de longa ação, são eliminadas em 8 ou 12 h, também sem deixar alterações permanentes. É importante que antes de nos deixarmos assustar com certas afirmações, que procuremos informações corretas. Sem ideologias.
    Quanto a questão da bipolaridade, é um dos transtornos mais intensamente pesquisados atualmente. E até onde sabemos é realmente alta a comorbidade entre os 2 transtornos e realmente às vezes é difícil sua diferenciação.E muitas vezes não por falta de preparo do psiquiatra que esteja examinando a criança, mas porque muitos de seus sintomas se sobrepõem. E ainda não se sabe se é uma questão de quem causa quem, mas talvez de quem venha primeiro.

    Florival Scheroki

    20 de janeiro de 2011 às 23h02

    Não consigo me calar.
    Deixe-me ver se entendi, o que a senhora quis dizer com :

    "E até onde sabemos é realmente alta a comorbidade entre os 2 transtornos e realmente às vezes é difícil sua diferenciação.E muitas vezes não por falta de preparo do psiquiatra que esteja examinando a criança, mas porque muitos de seus sintomas se sobrepõem."

    Se bem entendi, quando a coisa é muito difícil de ser diagnosticada, diferenciada, não é por falta de preparo do profissional. É pela grau de dificuldade da coisa? E onde encontramos essa "coisa" para dizer a ela para que seja mais generosa com nossos conhecimentos e ideologias?

    Dra. Kátia, Se a discussão é exatamente em torno do preparo dos profissionais para diagnosticar, como pode a senhora nos dizer que quando a dificuldade se apresenta é por causa dela em si ( a doença) e não de quem se propõe a dignosticá-la. Este raciocínio me parece, no mínimo, tautológico, o que é muitíssimo comum em fora do domínio da ciência.

    Quer dizer que um dautônico pinta tua casa de verde quando deveria ser de vermelho e a culpa é da tinta e de seu daltonismo? Mas ele, para se manter pintor diz que a culpa é que as pessoas costumam pintar casas, que a culpa é da tinta que não tem um "marcador especial" para daltônicos ou então que ele não tem culpa de ser daltônico. Ou seria mais apropriado que ele reconhecesse seu daltonismo e dissesse: ocorre que sou daltônico. Perdoe-me por ter pintado de cor equivocada. Assim que lançarem tintas com marcadores especiais não errarei mais. Mas, fique tranquilo (a) (como? Dra) que sua casa está pintada como nova.

    Dra. , não entendi o que quer dizer com "ideologia". Está a senhora se referindo a um conjunto de ideias que, propositadamente mantido uma grupo (classe) de pessoas, visa escamotear relações de dominância de classes, falseando ou fraldando uma interpretação da "realidade" para que continue mantendo o domínio ideológico (político, científico, religioso, etc)?

[email protected]

17 de janeiro de 2011 às 15h09

Parabéns à Dra.Katia pelo artigo luminar e parabéns ao Azenha por publicá-lo aqui. O texto é esclarecedor e não deixa margens às falsas polêmicas.

Responder

    cronopio

    18 de janeiro de 2011 às 11h32

    Discordo totalmente, penso que o texto distorce completamente os termos do debate. Simplesmente porque ignora a realidade de diagnóstico e aplicação dos remédios. Não é a existência ou não da doença que precisa ser provada (a menos que acreditemos em teorias conspiratórias), mas a maneira como de fato é diagnosticada e tratada.

waleria

17 de janeiro de 2011 às 15h03

Eu só gostaria de lembrar a doutora uns poucos aspectos:

1. A pesquisa cientifica de mais de 5 anos atrás é extremamente importante e relevante na maioria das áreas das ciencias – caso contrário poderíamos eliminar os trabalhos seminais de Von Neumann na Mecanica Quantica e tudo de Einstein – na Teoria da Relatividade. Seria ótimo que ela se limitasse aos fator, e não generalizasse como generalizou.

2. A psiquiatria tem criado fantasmas como transtornos sim. Basta relembrar que pessos com orientação sexual menos comum – como homossexuais, eram patologizados pela psiquiatria até uns 20 a 30 anos atrás, e muita gente foi "tratada" dessa patologia, inclusive em sanatórios.

Só para complementar, não entendo nada de TDAH, mas entendo um pouquinho de ciencia – e conheço um pouquinho de história da psiquiatria.

Responder

    Dra. Katia Beatriz

    20 de janeiro de 2011 às 14h24

    Valéria, quando falo das pesquisas de anos atrás e que podem estar ultrapassadas, não é no sentido de serem desconsideradas, mas de que as ciencias, como vc mesma diz, todas elas, evoluem e à partir de novas descobertas os conhecimentos vão se modificando. Todos os verdadeiros cientistas estão abertos à reverem seus próprios achados. O dogmatismo é o oposto da verdadeira ciencia. E no estado atual do conhecimento, até onde as pesquisas antigas e atuais nos permitem chegar, o que se sabe de TDAH é que é um transtorno, ou doença ou desordem ( é uma questão de nomenclatura), que realmente causa prejuízo aos seus portadores.


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