VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

O império de Washington subiu no telhado


25/04/2011 - 13h37

“Em mundo multipolar de novas potências, com Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília”…

O ‘império’ dos EUA, de autocratas, aristocratas e ditadores militares, subiu no telhado

24/4/2011, Alfred W. McCoy e Brett Reilly, no TomDispatch

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

Num dos mais bem-vindos movimentos das forças da história, a justaposição de dois extraordinários eventos deixou a nu a arquitetura do poder global dos EUA, e todos afinal podem vê-la. Em novembro do ano passado, WikiLeaks fez chover sobre o mundo quantidades diluvianas de telegramas diplomáticos, recheados dos mais abusivos comentários formulados por diplomatas dos EUA sobre governantes de todo o planeta, da Argentina ao Zimbabwe,  e estampados nas primeiras páginas dos jornais. Em seguida, poucas semanas depois, o Oriente Médio explodiu em manifestações pró-democracia e contra ditadores, muitos dos quais aliados íntimos dos EUA, alianças sobre as quais os telegramas publicados por WikiLeaks não deixam dúvidas.

De repente, viu-se o esqueleto da ordem mundial construída pelos EUA e que depende significativamente de líderes nacionais que são “elites subordinadas” fiéis a Washington, mas que, de fato, não passam de bando sortido de autocratas, aristocratas e militares ditadores. Quando se viram os aliados, viu-se também a lógica mais ampla, que quem não visse jamais conseguiria explicar, que preside todas as decisões de política exterior dos EUA ao longo de meio século.

Por que a CIA se arriscaria, em 1965, no auge da Guerra Fria, em operações como derrubar líder prestigiado como Sukarno na Indonésia, ou por que encorajaria o assassinato do católico Ngo Dinh Diem em Saigon em 1963? A resposta – à qual afinal se chega agora, graças às publicações de WikiLeaks e ao “despertar árabe” – é que nos dois casos tratava-se de subordinados selecionados por Washington, os quais, de repente, se insubordinaram e tornaram-se descartáveis.

Por que, meio século depois, Washington trairia todos os seus princípios democráticos declarados e apoiaria o presidente do Egito Hosni Mubarak contra milhões de egípcios nas ruas, só para, quando já não havia como mantê-lo no comando, indicar para substituí-lo, pelo menos no primeiro momento, o seu chefe de segurança Omar Suleiman, conhecido como chefe dos serviços de tortura que eram arrendados aos serviços de tortura de Washington? A resposta é que os dois eram também subordinados selecionados por Washington, que serviam bem aos interesses dos EUA em estado considerado chave no Oriente Médio.

Em todo o Grande Oriente Médio, da Tunísia e Egito ao Bahrain e Iêmen, manifestantes democráticos, nas ruas ameaçam varrer do mapa todas as elites subordinadas, consideradas crucialmente necessárias para manter o poder dos EUA. Sempre foi assim: todos os impérios modernos dependeram de delegados que traduzissem o poder global em termos de controles locais. Mas, quando aquelas elites locais começaram a dar sinais de interesse em implantar agendas próprias, o colapso dos impérios começou a aparecer nas cartas.

Assim como as “revoluções de veludo” que varreram o leste europeu em 1989 tocaram as trombetas do fim do império soviético, assim também as “revoluções do jasmim” que se espalham pelo Oriente Médio podem bem estar sinalizando o começo do fim do poder global dos EUA.

Militares no comando

Para entender a importância das elites locais, é preciso considerar os primeiros dias da Guerra Fria, quando uma Casa Branca desesperada procurava alguma coisa, qualquer coisa, que tivesse qualquer mínima chance de deter o que Washington via como sentimento pró-comunistas e antiamericano no mundo. Em dezembro de 1954, o Conselho de Segurança Nacional reuniu-se na Casa Branca e traçou uma estratégia para domar todas as forças nacionalistas mais poderosas que se constituíam, naquele momento, em todo o mundo.

Na Ásia e na África, meia dúzia de impérios europeus que até então haviam garantido a estabilidade da ordem global por mais de um século estavam-se pulverizando, dando origem a cem novas nações, muitas das quais – do ponto de vista de Washington – suscetíveis de serem cooptadas pela “subversão comunista”. Na América Latina, o problema era o avanço da oposição de esquerda, entre as massas urbanas que não paravam de crescer e entre os camponeses sem terra.

Depois de examinar as “ameaças” que se formavam contra os EUA na América Latina, o influente Secretário do Tesouro George Humphrey declarou aos seus colegas do Conselho de Segurança Nacional que todos parassem “de falar tanto em democracia” e cuidassem, imediatamente, de “apoiar ditaduras de direita que tivessem políticas pró-EUA”. Foi quando, em momento de brilhante  insight estratégico, Dwight Eisenhower interrompeu, para observar que Humphrey dizia, de fato, que todos passassem a raciocinar em temos de “Tudo bem, se for o nosso filho da puta”.

É momento histórico para nunca esquecer, porque o presidente dos EUA acabava de articular, com clareza cristalina, o princípio constitutivo do sistema de dominação global que Washington implementaria daquele dia em diante e pelos 50 anos seguintes: trocar qualquer princípio democrático por uma dura realpolitik de apoiar qualquer líder que apoiasse os EUA. E assim se construiu uma rede planetária de líderes nacionais (muitas vezes também nacionalistas) dispostos a por as necessidades de Washington acima de qualquer necessidade local.

Durante a Guerra Fria, os EUA favoreceram ditadores militares na América Latina, ditadores aristocráticos no Oriente Médio e uma mistura de democratas e ditadores na Ásia. Em 1958, golpes militares na Tailândia e no Iraque repentinamente viraram os holofotes para os militares do Terceiro Mundo, exibindo-os como forças às quais os EUA poderiam recorrer e com as quais poderiam contar.  Foi quando o governo Eisenhower decidiu trazer líderes militares estrangeiros para treiná-los nos EUA e, assim, facilitar “o gerenciamento” das forças de mudança geradas pelo desenvolvimento daquelas nações emergentes. Dali em diante, Washington faria jorrar ajuda militar para cultivar os exércitos dos aliados e possíveis aliados em todo o planeta, ao mesmo tempo em que “missões de treinamento” seriam usadas para construir laços cruciais entre militares dos EUA e oficiais dos exércitos em todo o mundo; e, onde as elites subordinadas não parecessem suficientemente subordinadas,  para ajudar a identificar líderes alternativos.

Nos casos em que presidentes civis se insubordinassem, entraria em ação a CIA, promovendo golpes que poriam no poder governos militares confiáveis  – substituindo o primeiro-ministro do Irã Mohammad Mossadeq, que tentou nacionalizar o petróleo iraniano, pelo general Fazlollah Zahedi (então o jovem Xá) em 1953; o presidente Sukarno, pelo general Suharto na Indonésia na década seguinte; e, claro, o presidente Salvador Allende pelo general Augusto Pinochet no Chile em 1973, para citar apenas esses três casos.

Nos primeiros anos do século 21, a confiança de Washington nos militares nos seus estados-clientes só aumentou. Os EUA entregavam 1,3 bilhões de dólares ao ano ao Egito, como ajuda militar, e investiam só 250 milhões de dólares em programas de desenvolvimento econômico do país. Resultado disso, quando as manifestações populares sacudiram as bases do regime no Cairo em janeiro passado, os EUA imediatamente pensaram em uma “transição pacífica” com troca de generais. Nas palavras do New York Times, “investimento de 30 anos que rendeu bons dividendos, quando generais dos EUA e agentes de inteligência conheciam todos os nomes cogitados para formar um novo governo, amigos e colegas com os quais trabalharam e serviram”.  “Transição pacífica”, no Egito, com apoio do exército, para manter a ditadura militar.

Em outros locais no Oriente Médio, Washington, desde os anos 1950s, sempre acompanhou a preferência britânica por aristocratas árabes, cultivando aliados como um Xá (no Irã), vários sultões (Abu Dhabi, Oman), vários emires (Bahrain, Kuwait, Qatar, Dubai), vários reis (Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos). Em toda essa região vasta e volátil, do Marrocos ao Irã, Washington cortejou regimes monárquicos aos quais ofereceu alianças militares, sistemas de armas norte-americanos, apoio da CIA para a segurança local, paraíso seguro nos EUA para o dinheiro daquelas monarquias, e favores especiais às elites locais, entre as quais estudo e formação acadêmicas para os príncipes e nobres, com livre acesso às universidades norte-americanas ou escolas de formação de militares do Departamento de Defesa em todo o planeta.

Em 2005, a secretária de Estado Condoleezza Rice fez patético resumo de todo esse trabalho: “Há 60 anos, os EUA procuram a estabilidade à custa da democracia no Oriente Médio. Não conseguimos nem uma, nem outra”.

Mas, antes, funcionava…

Os EUA não são a primeira potência a construir poder imperial baseado em laços pessoais com líderes locais. Nos séculos 18 e 19, a Grã-Bretanha reinou sobre os oceanos (como os EUA depois reinariam nos céus), mas, em terra, como todos os impérios passados, tudo sempre dependeu de alianças locais que servissem de representantes locais, para o controle direto, local, das sociedades humanas, sempre mais voláteis que céus e mares. Não fosse assim, como, em 1900, uma nação insular, de apenas 40 milhões de almas, com exército de apenas 99 mil soldados, comandaria um império global de 400 milhões de seres humanos, quase um quarto de toda a humanidade?

De 1850 a 1950, a Grã-Bretanha controlou suas colônias formais mediante uma extraordinária rede de aliados locais – dos chefes das ilhas Fiji e sultões da Malásia a maharajas indianos e emires africanos. Simultaneamente, mediante elites subordinadas, os britânicos controlavam um “império informal” ainda mais amplo, que incluía imperadores (de Pequim a Istanbul), reis (de Bangkok ao Cairo) e presidentes (de Buenos Aires a Caracas). No auge, em 1880, o império informal britânico na América Latina, Oriente Médio e China era maior, em população, que as colônias formalmente ligadas à ‘metrópole’ na Índia e na África. Todo esse gigantesco império global, sobre cerca de metade de todos os seres humanos sobre o planeta, dependeu, sempre, de frágeis laços de cooperação com as elites locais.

Mas repentinamente, depois de 400 anos de ininterrupta expansão imperial, os cinco maiores impérios europeus de ultramar foram varridos do mapa, em apenas 25 anos de descolonização. Entre 1947 e 1974, os impérios belga, britânico, holandês, francês e português sumiram da Ásia e da África, dando lugar a uma centena de novas nações, das quais mais de 50 são hoje estados soberanos. À caça de explicação para mudança tão rápida e tão radical, muitos especialistas concordam com Ronald Robinson, historiador do império britânico, autor de famosíssima frase: “quando somem os seus governantes indígenas, os impérios morrem”.

Durante a Guerra Fria que coincidiu com essa era de rápida descolonização, as duas superpotências globais voltaram aos mesmos métodos e usaram com regularidade suas respectivas agências de espionagem para manipular os governos dos novos estados independentes. A KGB da URSS e suas agências delegadas, como a Stasi na Alemanha Oriental e a Securitate na Romênia forçaram uma uniformidade política entre os 14 estados satélites soviéticos na Europa do Leste e desafiaram os EUA, em todos os estados leais aos norte-americanos no Terceiro Mundo. Simultaneamente, a CIA monitorou de perto a lealdade de seus presidentes, autocratas e ditadores nos quatro continentes, com golpes, suborno e penetração nos serviços de segurança nacionais e, sempre que necessário, derrubaram governos inconvenientes.

Numa era de sentimento nacionalista, contudo, a lealdade das elites locais mostrou-se assunto mais complexo do que se esperava. Muitas daquelas elites eram arrastadas por lealdades conflitivas e muitas vezes por sentimentos arraigados de nacionalismo, o que obrigava os EUA a vigiá-las de perto. Aquelas elites eram tão criticamente importantes e qualquer insubordinação implicava questões tão amplas, que a CIA passou a trabalhar rotineiramente em operações clandestinas para ‘mantê-las em rota’, operações que geraram algumas das maiores crises da Guerra Fria.

Ante o crescimento da crise em seu sistema global de controle no mundo de depois da II Guerra Mundial, restaram poucas alternativas a Washington, além de trabalhar com fantoches locais os quais – mesmo que em posições mais fracas – ainda tentavam maximizar o que viam como interesse nacional de suas nações (tanto quanto viam como seu interesse mais diretamente pessoal). Mesmo no auge do poder global dos EUA, nos anos 1950s, quando a dominação norte-americana ainda não enfrentava desafios graves, Washington foi forçada a barganhar com alguns líderes locais, como, por exemplo,  Raymond Magsaysay nas Filipinas, o ditador sul-coreano Syngman Rhee e com Ngo Dinh Diem no Vietnã do Sul.

Na Coreia do Sul, nos anos 1960s, por exemplo, o general Park Chung Hee, então presidente, condicionou o uso de tropas de seu país a bilhões de dólares para investimento – primeiro passo do que seria depois o “milagre” econômico sul-coreano. No processo, Washington pagou e obteve o que mais queria: 50 mil soldados e mercenários coreanos, para sua guerra no Vietnã, cada dia mais impopular.

No mundo pós-Guerra Fria

Depois de derrubado o Muro de Berlim em 1989, o que marcou o fim oficial da Guerra Fria, Moscou rapidamente perdeu seus estados-satélites, da Estônia ao Azerbaidjão, à medida que estados leais aos soviéticos saltavam do barco imperial que naufragava. Para Washington, que se sentiu “vitoriosa” e já se preparava para ocupar o lugar de “única superpotência” no planeta, começaria ali processo idêntico, mas um pouco mais lento.

Ao longo das duas décadas seguintes, a globalização gerou um sistema multipolar de potências emergentes em Pequim, Nova Delhi, Moscou, Ancara e Brasília – ao mesmo tempo em que um poder desnacionalizado e corporativo reduzia a dependência das economias em desenvolvimento, que deixavam cada dia mais de depender de um único estado, por mais ‘imperial’ que quisesse ser. Com sua capacidade para controlar elites pelo mundo cada dia menos efetiva, Washington teve, então de encarar a concorrência política e ideológica do fundamentalismo islâmico, dos sistemas de regulação da União Europeia, do capitalismo de Estado chinês e de uma onda crescente de nacionalismo econômico na América Latina.

Na medida em que o poder de influência dos EUA declinava, as tentativas de Washington para controlar suas elites subordinadas locais pelo mundo começaram a falhar, algumas vezes espetacularmente. O caso mais espetacular de fracasso desse tipo foi o golpe tentado para depor Hugo Chavez da Venezuela, fracasso, de fato, retumbante,  em 2002. Outro caso, a tentativa de tirar da órbita soviética a Georgia do aliado Mikheil Saakashvili em 2008. E, isso, sem falar na nêmesis de Washington, Mahmoud Ahmadinejad, que enfrentou tentativa de golpe nas eleições de 2009 no Irã e lá continua, até hoje.  Onde, antes, sempre bastaram os golpes da CIA ou muito dinheiro, foi necessário, no governo Bush, toda uma massiva invasão militar, com guerra, para tirar do posto um único adversário, ditador ex-aliado que, de repente, começara a criar problemas, Saddam Hussein.  E mesmo assim, os EUA viram bloqueados seus planos para “troca de regime” na Síria e no Irã, quando esses dois estados contribuíram para criar uma guerrilha devastadora contra as forças dos EUA, dentro do Iraque.

Do mesmo modo, apesar dos bilhões de dólares consumidos em ajuda externa, Washington ainda não conseguiu controlar o presidente que os próprios norte-americanos puseram no poder no Afeganistão, Hamid Karzai, que, em resposta memorável aos enviados norte-americanos que não lhe davam sossego, disse que “Se querem um fantoche para chamar de parceiro, nada feito. Se querem um parceiro, sim, podemos conversar.”

Depois, no final de 2010, WikiLeaks começou a publicar aqueles milhares de telegramas diplomáticos dos EUA que abrem via ampla, sem qualquer controle ou censura, para que se veja, ‘ao vivo’, o enfraquecimento do poder de Washington, que já não domina o sistema de poder delegado que construiu e no qual muito investiu durante 50 anos. Ao ler aqueles documentos, o jornalista israelense Aluf Benn do jornal Haaretz, viu “a queda do império americano, o declínio de uma superpotência que comandou o mundo com seu exército e supremacia econômica.” Nunca mais, escreveu ele “os embaixadores dos EUA serão recebidos nas capitais do planeta como ‘altos comissários’. São vistos hoje como o que hoje são: burocratas cansados, que consomem seus dias ouvindo tediosamente o que não querem ouvir, cada interlocutor empenhado em seu discurso próprio, sem jamais conseguirem convencer os interlocutores locais sobre quem é a superpotência e quem é o estado-cliente.”

É verdade. O que os documentos publicados por WikiLeaks mostram é um Departamento de Estado que labuta para manter um sistema global indisciplinável, de elites locais cada dia mais insubordinadas; um Departamento de Estado que usa de todos os meios – que se serve da mais pura intriga tentando recolher informação e inteligência, de gestos de amizade para tentar obter alguma solidariedade, de ameaças para obrigar a cooperar e que desperdiça bilhões de dólares para comprar uma influência que nunca é suficiente. No início de 2009, por exemplo, o Departamento de Estado instruiu suas embaixadas em todo o mundo a agir como polícia imperial para recolher informação sobre líderes locais, inclusive “endereços de e-mail, números de telefones e faxes, impressões digitais, fotos, DNA e imagens SCAN da íris”.

Não há evidência mais clara de que, como qualquer subgovernador de colônia periférica, o Departamento de Estado depende hoje de informação de algibeira para incriminar adversários, do que a ordem, do Departamento de Estado à embaixada do Bahrain, para que reunisse detalhes sórdidos sobre os príncipes coroados do reino, que os comprometessem aos olhos de uma sociedade islâmica. Textualmente: “O que sabemos que incrimine os príncipes? Algum deles bebe álcool? Usa drogas?”

Com arrogância de quem foi enviado do império até anteontem, os diplomatas dos EUA ainda se autoconsideram senhores de todo o poder e descartam “os turcos neo-otomanos que aparecem pelo Oriente Médio e os Bálcãs”. Ou supõem que conheçam todas as fraquezas das elites subordinadas, como, por exemplo, “a loura voluptuosa que presta serviços de enfermagem ao coronel Muammar Gaddafi”, ou o “medo pânico” que os golpes militares inspiram ao presidente do Paquistão Asif Ali Zardari, ou sobre os 52 milhões de dólares “de fundos roubados” na conta do vice-presidente Ahmad Zia Massoud, do Afeganistão.

Mas, à medida que sua influência declina, Washington está descobrindo que muitos de seus aliados selecionados a dedo nas elites locais ou se tornam cada vez menos controláveis ou cada vez mais irrelevantes, sobretudo no estratégico Oriente Médio. Em meados de 2009, por exemplo, o embaixador dos EUA na Tunísia relata que “o presidente Ben Ali… e seu governo perderam qualquer contato com o povo tunisiano” e dependem “da polícia para controlar o povo”, ao mesmo tempo em que “a corrupção cresce nos círculos mais íntimos do poder” e “aumentam os riscos de instabilidade do regime, para o longo prazo”. Pois mesmo assim, o enviado dos EUA só recomenda que Washington “desconsidere a crítica popular” e passe a confiar “na sinceridade das informações que se obtêm nos altos círculos” – exatamente a mesma política que não produziu reforma alguma, até que as ruas derrubaram o ditador, apenas 18 meses depois dessa informação ‘de inteligência’.

Assim também , no final de 2008, a embaixada dos EUA no Cairo temia que “a democracia egípcia e os esforços de defesa dos direitos humanos estão sendo sufocados”. Mas, como disse a própria embaixada, “nada parece sugerir que se venha a assistir a complicações para os interesses regionais dos EUA, no caso de os laços entre EUA e Egito virem a ser gravemente enfraquecidos”. Quando, poucos meses depois, Mubarak visitou Washington, a Embaixada do Cairo insistiu para que a Casa Branca “restaure o senso de calorosa amizade que tradicionalmente caracterizou a parceria EUA-Egito”. E por isso, em junho de 2009, apenas 18 meses antes de Mubarak ser derrubado, o presidente Obama saudou seu ditador tão útil como “aliado confiável, um pilar de estabilidade e bonança na Região”.

Enquanto a crise na praça Tahrir no Cairo só fazia crescer, um respeitado líder da oposição, Mohamed ElBaradei, reclamava amargamente que Washington “está empurrando todo o mundo árabe na direção da radicalização, com essa política inábil de apoiar a repressão”. Depois de 40 anos de domínio dos EUA, o Oriente Médio, disse ele, não passava de  “um punhado de estados fracassados que nada acrescentam à humanidade ou à ciência” porque “as pessoas são ensinadas a não pensar nem agir e, consistentemente, recebem educação inferior.”

Dado que não há guerra global capaz de simplesmente varrer do mundo um império, o declínio de uma grande potência sempre é lento, doloroso processo de esgotamento. Além das duas guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que se aproximam de alguma coisa que mais parece derrota que vitória, o capital do império vê-se atacado por grave crise fiscal, a moeda do reino perde valor de troca, e aliados de muito tempo constroem laços econômicos e até militares com a rival China. A tudo isso, impossível não acrescentar a possível perda de leais delegados em todo o Oriente Médio.

Há mais de 50 anos, Washington aproveita-se de um sistema global de poder baseado em elites locais subordinadas. Esse sistema facilitou a expansão da influência norte-americana por todo o mundo, com surpreendente eficácia e (em termos relativos) satisfatória economia de forças. Hoje, esses aliados leais já mais se parecem império desconexo, ou estados abertamente insubordinados. Make no mistake, como gosta de dizer o presidente Obama, que ninguém se engane: o fim de meio século de laços do velho tipo, indica, claramente, que Washington subiu no telhado.

Veja aqui um exemplo de tucanos que rastejaram diante de Washington

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



42 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Paulo Monteiro

27 de abril de 2011 às 10h15

Agora umas perguntas: E o povo americano, o que eles acham disso, o que pensam, quais as opiniões deles sobre essa politica crocodilesca, draconiana, traiçoeira..etc de seus governantes para com o mundo, será que nesse periodo não teve ou não tem niguem lá dentro que poderia ter alertado para o que estava por vir ou que digue; Olhe agente precisa reverter isso, não pode mais continuar.Sei lá algum tipo de resistencia pacifica que levasse ao conhecimento da opinião publica, de que os atos de seus governos estavam ceifando vidas e mais vidas principalmente de pobres necessitados pelo mundo afora.Porque penso, que povo por povo, todos querem a paz não só para si mas para seus semelhantes. Tenho certeza de que se eu fosse americano, consciente dos problemas que o país causou pelo quatro cantos mundo ao longo desses ultimos anos e que continua a causar, eu estaria muito envergonhado.

Responder

Fabian

27 de abril de 2011 às 09h05

Que o império tende a acabar é óbvio, basta conhecer um pouquinho de História. A questão é o tempo de sobrevida, obviamente eles não vão entregar o comando mundial de bandeija. Tampouco outros países como China, Índia ou Brasil tem condições de liderar algo de bom no mundo e substituir o domínio imperialista estadunidense por algo melhor. Mas não concordo que Washington tenha subido no telhado, na verdade há ainda muitissíssima água para rolar por debaixo dessa ponte. A única chance disto acontecer rapidamente seria uma terceira gerra mundial, que nesse caso talvez destruisse o planeta, diga-se de passagem. Logo, a derrocada será bastante lenta e talvez não estejamos aqui para vê-la completamente.

Responder

vinicius loreto

26 de abril de 2011 às 23h04

Essa conjuntura internacional ta f… de entender. Deve ter algo de "os imponderáveis da vida real". Alguma coisa vai acontecer e o olhar do tempo presente é muito angustiante. Recuando um pouco na história, da pra ver que grandes mudanças pra valer na correlação de forças só se deu com muito uso da força. Eu não vivia nos momentos tensos que antecederam às guerras mundiais, mas lendo os livros de história da pra perceber que existia um sentimento de que o pau ia quebrar. Não duvido que, se for realmente verdade, e parece ser, que os EUA estão mal das pernas, o mundo ficará mais violento. Mas ao mesmo tempo não consigo pensar em um mundo vivendo uma nova guerra mundial, o que não significa dizer que é logicamente impossível que isso aconteça, muito pelo contrário. Minha esperança é acreditar que o povo americano votou no Obama por achar que está saindo muito caro( e inútil) ser um Império. Por mais que Obama não tenha correspondido, o sinal dado pelo povo foi nítido. Reconheço a coragem do povo Vietnamita em resistir bravamente ao ataque americano mas o próprio Ho Chi Minh reconheceu que a única maneira de derrotar militarmente os Americanos de forma definitiva era sensibilizando sua opinião pública interna. A bandeira da PAZ parece ser a grande bandeira a ser levantado no século XXI

Responder

Regina Braga

26 de abril de 2011 às 20h42

Do Tio Sam…Não quero, nem o tio e nem o sam…

Responder

pap

26 de abril de 2011 às 20h09

O que vai restar para os ianques? Escolher entre as "celebridades" Sarah Palin ou o "tubarão" Donald Trump?
Será, que para manter sua insidiosa influencia, os ianques vão lançar mão da "vipcracia"?
Silvio Berlusconi,Carla Bruni, o futuro casal real ingles e a entrevista do Luciano Huck para a revista alfa não
são indícios da vipcracia? Os ianques, pensando até em futuras alianças, nao pensariam numa futura união com
o canada(plebiscito de incorporação de estados canadenses) a prevalencia de maioria latina da população ianque
e consequente maior influencia, a partir de latinos de miami, como Jennifer Lopes, a recriação da ALCA e por fim
um possivel futuro primeiro casal, com a gaucha-alemã giselle bundchen e talvez possivel eventual candidato
O astro do futebol americano e marido, Tom Brady.
Pensar num mundo governado por vips e mundo de celebridades, que horror!

Responder

Hell Back™

26 de abril de 2011 às 18h50

Caramba! Como eu era desinformado! E eu, muito ingenuamente acreditava que, pelo menos naquela época, o nosso "grande líder estudantil" lutava pela democracia brasileira.

Responder

ZePovinho

26 de abril de 2011 às 15h35

EUNÃOSABIA!!!!!!!!!!Os direitopatas,imersos em completa paranóia,podem ter destruído as imagens de um dos momentos da história do Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6

Maria do Rosário: onde estão as imagens de Geraldo Vandré?

No dia em que completou 75 anos (12 de setembro do ano passado), o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré sugeriu ao repórter Geneton Moraes Neto que procurasse, nos arquivos da Rede Globo, o VT (videotape) com a as imagens do imenso coro que acompanhou, no Maracanãzinho, os versos de Caminhando ou Prá Não Dizer Que Não Falei das Flores.

Por Maria do Rosário Caetano*, no Brasil de Fato

Responder

ZePovinho

26 de abril de 2011 às 14h31

E eram os comunistas que comiam criancinhas……………….
http://www.cubadebate.cu/noticias/2011/04/26/una-

Una epidemia oculta: Tráfico sexual infantil en EEUU

El horrible mundo del tráfico sexual infantil está floreciendo en la región Puget Sound en el estado de Washington. Niñas de 11 años son prostituidas en manos de hombres que prometieron cuidar de ellas. Bandas están cambiando vender drogas por vender sexo para mantener sus negocios. De 69 niñas rescatadas a nivel nacional el año pasado, 23 fueron encontradas en el área de Pudget Sound. ………………………………

Responder

André Paulo

26 de abril de 2011 às 14h30

Azenha/ equipe; sou leitr do site há muitos anos…
Sinceramente! Um dos melhores artigos já publicados.
Qualidades deste artigo: Claro, sintético, da uma visão panorâmica da história e principalmete, para as pessoas que já leram um pouquinho de história por mais de um ângulo, ele oferece um perfeito encaixe (os fatos fecham!) com as leituras prévias,
Acertaram na fonte, abraço

Responder

ZePovinho

26 de abril de 2011 às 14h29

http://www.cubadebate.cu/noticias/2011/04/26/pape

Noticias, Política »
Papeles de Guantánamo prueban catástrofe moral y legal de gobierno de EEUU, asegura The New York Times
26 Abr 2011 | Haga un comentario
Papeles de Guantánamo prueban catástrofe moral y legal de gobierno de EEUU, asegura The New York Times

Los documentos internos de la prisión de Guantánamo, Cuba, publicado en The Times el lunes fueron un escalofriante recordatorio de la catástrofe moral y legal que el presidente George W. Bush creó allí, afirma hoy en un editorial The New York Times. “Ellos describen el caos, la anarquía y la incompetencia en el sistema de su administración para decidir la culpabilidad de los detenidos o la inocencia y la evaluación de si serían una amenaza en caso de ser liberados”, añade el diario…………………….

Responder

ZePovinho

26 de abril de 2011 às 14h29

É a degeração total da ditadura corporativo-empresarial que é os EUA
http://www.cubadebate.cu/noticias/2011/04/26/horr

Noticias, Política »
Horror en la Base Naval de Guantánamo: Decenas de enfermos mentales sufrieron torturas
26 Abr 2011 | 1 Comentario

La mayoría de los presos acabaron siendo transferidos a otros países por su nulo valor para los interrogadores. Padecían paranoia, esquizofrenia y depresión. Hubo sucesivos intentos de suicidio, que se consumaron en tres casos.

Los documentos filtrados por Wikileaks a varios diarios, muestran a los interrogadores obsesionados por dar con el paradero de Osama Bin Laden y reflejan la violencia infligida por los guardianes a los prisioneros. Más información sobre el Manual del Interrogador que rige en la Base Naval de los EEUU en Guantánamo………………………………

Responder

    Mário SF Alves

    26 de abril de 2011 às 18h52

    "Padecían paranoia, esquizofrenia y depresión. Hubo sucesivos intentos de suicidio, que se consumaron en tres casos." Nem o Adolf I teria feito melhor! Malditos torturadores!!! Que o peso de um processo internacional lhes caia sobre os ombros!

O império de Washington subiu no telhado | Projeto ORBIS – [email protected]ório de Relações Internacionais

26 de abril de 2011 às 13h57

[…] Há mais de 50 anos, Washington aproveita-se de um sistema global de poder baseado em elites locais subordinadas. Esse sistema facilitou a expansão da influência norte-americana por todo o mundo, com surpreendente eficácia e (em termos relativos) satisfatória economia de forças. Hoje, esses aliados leais já mais se parecem império desconexo, ou estados abertamente insubordinados. Make no mistake, como gosta de dizer o presidente Obama, que ninguém se engane: o fim de meio século de laços do velho tipo, indica, claramente, que Washington subiu no telhado. Fonte: Viomundo […]

Responder

gilberto

26 de abril de 2011 às 08h05

Para Os EUA o mundo é seu quintal….

Responder

SILOÉ

25 de abril de 2011 às 23h32

TELHADO DE VIDRO
E foram pelo mundo afora… décadas e mais décadas destruindo os telhados mais frágeis que lhes interessavam, fixavam neles suas antenas e sugavam tudo que queriam…
Até encontrar alguns telhados como o nosso, mais fortes, reforçados com laje de concreto SOCIAL INVIOLÁVEL.
Mais como??? Como eu não consigo derrubar esse telhadinho de merda e aparentemente frágil???
Por baixo, uma turma de jovens guerreiros patriotas, utilizando três armas silenciosas e poderosíssimas:
A INTELIGÊNCIA -O CARÁTER – E A INTERNET.

Responder

    Mário SF Alves

    26 de abril de 2011 às 18h57

    Siloé,
    É o paradoxo David-Golias! Forte e fraco a um só tempo; porém imensamente forte naquele recentíssimo tempo.

Marcos C. Campos

25 de abril de 2011 às 22h57

Vasto e denso o artigo , dificil ateh de comentar . Deve ser guardado para "sacah-lo" nas proximas eleicoes.

Responder

Antonio Silva

25 de abril de 2011 às 21h36

E ainda temos uma degenerada e preconceituosa mídia que germina este tipo de gente :
————x————– ——————x—————-
Jornal O Dia – 25/04/2012 – às 16h29
Justiça condena ex-delegado por insultos à mulçumana no Recreio
Rio – O Tribunal de Justiça (TJ-RJ) condenou nesta segunda-feira um ex-delegado a um ano e 11 meses de detenção por insultos direcionados a uma muçulmana. Raul Oliveira Dias Alves ofendeu e humilhou uma mulher vestida com uma burka dentro de uma padaria no Recreio, Zona Oeste. Ele usou uma toalha de mesa, colocando-a sobre a cabeça, para imitar a vestimenta Grasiela Panizzon.

O acusado fez uma série de comentários preconceituosos sobre religião e raça quando reparou que Grasiela vestia a indumentária tradicional das mulçumanas. Quando ela foi abordá-lo, ele começou a ofendê-la, dizendo em altos brados, que na religião islâmica seria comum pais se relacionarem sexualmente com suas filhas, que era um absurdo a forma como as islâmicas se vestiam, bem como, deveria ser investigado o motivo pelo qual pessoas daquela religião poderiam residir no Brasil.
Alves chegou a chamar a vítima de palhaça por estar vestida daquela forma. Ele disse, ainda, em tom de deboche, que ela deveria ser um braço do Iraque no país. Em sua defesa, o ex-delegado, que durante o episódio apresentava sinais de embriaguez, disse que tem certa aversão ao Irã e ao Iraque porque perdeu um parente que serviu pelos EUA na guerra do Golfo.
Na sentença, a magistrada disse que a vítima é brasileira e encontrava-se legalmente em seu país natal, com liberdade de expressão e religião, não podendo jamais ser submetida a qualquer tipo de constrangimento pelo fato de sua vestimenta revelar sua opção religiosa. Ela ressaltou, ainda, que o acusado tentou apresentar justificativas para a sua conduta que demonstram o seu desprezo e total ausência de respeito pela religião mulçumana.
A juíza substituiu a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direito, consistentes na prestação de serviços à comunidade, a uma entidade assistencial, hospitalar ou escolar, e limitação de fim de semana, conforme determinação do Juízo da Execução. Não cabe mais recurso à decisão.

Responder

    Bonifa

    26 de abril de 2011 às 20h50

    É preciso cuidado especial na formação dos militares e policiais. Principalmente, evitar qualquer contato de formação educacional ou profissional entre eles e empresas, sociedades ou países que preguem de alguma maneira o racismo e a intolerância religiosa.

ZePovinho

25 de abril de 2011 às 21h00

"Um político brasileiro de esquerda, presidente da UNE, que combateu dois golpes militares na América Latina, ambos patrocinados pelos EUA, nos anos 70 e em plena Guerra Fria, é recebido pelo governo do mesmo EUA com todo apoio financeiro. Depois volta ao Brasil, e muda sua história, passando a ser um dos maiores líderes neo-liberais que este país já viu, apoiando com privatizações e subserviência o governo norte-americano. Muito estranho"…

[youtube aNS42Yn22Xo http://www.youtube.com/watch?v=aNS42Yn22Xo youtube]

Responder

    SILOÉ

    26 de abril de 2011 às 01h00

    Só uma palavra explica: SUBORNO.

    gilberto

    26 de abril de 2011 às 08h03

    kkkk, ele foi lá pra curar um aborto mal feito no chile…kkkk

    André Paulo

    26 de abril de 2011 às 14h21

    O José Sera já era!!!!, este mal já é menor!
    A preocupação agora é quem são os futuros "José Serra" que devem estar se preparando hoje lá nos Eua?

Antonio Ferreira

25 de abril de 2011 às 20h19

Excelente análise. Gostei muito. Uma aula.

Responder

EUNAOSABIA

25 de abril de 2011 às 19h46

Esse maulcos que querem ver a suposta derrocada do império dizem isso desde 1945.

Somente esquerdopatas auto engandados ainda se dão ao trabalho de ler isso.

Pobres diabos.

Responder

    Leider_Lincoln

    26 de abril de 2011 às 06h35

    Um filhote do Tio Rei com esquizofrenia… Procure tratamento meu chapa, você não precisa ter o mesmo destino do Wellington!

    Janah

    26 de abril de 2011 às 11h43

    Na história do mundo todos os impérios caíram
    Como tudo na vida: nasce; cresce e morre

operantelivre

25 de abril de 2011 às 18h17

Será que os americanos, no desesperado estertor, se tornarão uma nação-bomba? Só um devaneio.

Responder

    Bonifa

    26 de abril de 2011 às 21h10

    É isso que o mundo começa a temer cada vez mais. A União Soviética conseguiu dissolver-se sem explodir o mundo. Os Estados Unidos conseguirão?

FrancoAtirador

25 de abril de 2011 às 17h07

.
.
Podem me chamar de Calabar,

mas ainda espero ver

a China comprar os EUA.
.
.

Responder

Hans Bintje

25 de abril de 2011 às 17h06

Complemento necessário para esse artigo: gráfico mostrando o crescimento da população mundial no período.

É gente demais para alimentar, para vestir, para morar, para transportar, para divertir.

Bobagem pensar que o discurso único seria suficiente para atender as necessidades desse povo todo, por mais poderoso que fosse um império global.

Eu vi isso em Bollywood. A wikipedia explica: "a maior indústria de cinema indiana, em termos de lucros e popularidade a nível nacional e internacional. O nome Bollywood surge da fusão de Bombaim (antigo nome de Mumbai, cidade onde se concentra esta indústria), e de Hollywood (nome dado à indústria cinematográfica americana)".

É um mundo à parte, gigantesco, virtualmente incontrolável.

A experiência "bollywoodiana" me ajudou a entender que a lógica da dominação perdeu o sentido, como se fosse um "Gregorio de Matos" planetário:

"A cada canto um grande conselheiro
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro."

Mas não podem e não conseguem. O artigo é muito preciso ao descrever a rotina dos "burocratas cansados, que consomem seus dias ouvindo tediosamente o que não querem ouvir".

O império dos EUA não está caindo e acredito que nem vá cair num futuro previsível. Mas é chato, terrivelmente chato de manter.

Bertolt Brecht descreveu essa situação em "A Máscara Do Mau":

"Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mau"

Responder

    Mário SF Alves

    26 de abril de 2011 às 19h01

    Pois é, Hans, nem tudo que reluz é ouro!

    Bonifa

    26 de abril de 2011 às 21h16

    O Império poderá acabar, mas os Estados Unidos não vão se acabar. Vão sofrer grande transformação interna a partir de incontrolável onda migratória. Será a salvação do país.

augusto

25 de abril de 2011 às 16h38

Os sinais sao multiplos.
as decisões vindas do desespero incredulo virão
em quanto tempo? dez , quinze anos?
Baterão o pé. apertarão o gatilho, entao sai de baixo.

Responder

Ronaldo

25 de abril de 2011 às 15h48

E pensar que estivemos próximo de nos tornarmos um governo fantoche!

Quantas vezes por mês o embaixador americano visita o Planalto? A preparação para a vinda do Obama não conta.

Já saiu algum leek sobre o Brasil depois da posse da Dilma?

Vamos lá moçada – jornalismo investigativo, geração de conteudo!

Responder

O Império dos Estados Unidos está se desmanchando | ESTADO ANARQUISTA

25 de abril de 2011 às 15h25

[…] Alfred W. McCoy e Brett Reilly, no TomDispatch , tradução do Coletivo da Vila Vudu originalmente para o Viomundo […]

Responder

Leider_Lincoln

25 de abril de 2011 às 15h17

Elite local subordinada? Algo como Collor/FHC/Serra? Isso explica por que está tão dura a vida destes subordinados. Mas faltou destacar o papel da mídia [israelófila/etnojudaica] neste papel.
Aliás, nesta simbiose com mídia, banqueiros e Estado de Israel, já não dá para se saber mais quem é o ventríloquo e quem é o boneco.
Internamente, nossa elite e os partidos de oposição precisam de um discurso _e de uma práxis_ orientados aos interesses brasileiros, e não mais estadunidenses. Não dá mais para simplesmente atender aos interesses de Washington.

Responder

    Mário SF Alves

    26 de abril de 2011 às 19h06

    Olha, Leider, cada dia entendo mais o real significado do "está tudo dominado". Valei-me Ivan Lins: "futucou com jeito do de cima cai". E deixa a luz resplandecer o cenário.

Karlos o Chacal

25 de abril de 2011 às 14h48

Qando o império finalmente desabar, quero ver para onde vai a arrogância sionista.
Espero estar vivo para assistir de camarote a derrocada de ambos.

Responder

    Roberto Locatelli

    25 de abril de 2011 às 17h15

    É verdade, Karlos, o estado-militar de Israel está totalmente ancorado, escorado e encostado no Império. Cai o Império, cai Israel.

Zepel

25 de abril de 2011 às 14h08

Viu, Serra.? Viu, PSDB?.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.