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Marcos Martins: Sabesp pede economia de água, mas desperdiça 32%


05/06/2014 - 23h29

Fotos Caio Castor

Ato contra falta de água em São Paulo critica Alckmin por tentar esconder racionamento

Para lideranças sindicais, populares e estudantis a falta de investimento do governo tucano é o principal motivo da crise

Por Lúcia Rodrigues

Apesar da gravidade da crise da falta de água em São Paulo atingir milhares de pessoas, o protesto capitaneado pela CUT que ocorreu na manhã e início da tarde desta quinta-feira, 5, em frente à sede da Sabesp, em Pinheiros, região oeste da capital paulista, não conseguiu atrair um número expressivo de trabalhadores. Aproximadamente 400 pessoas participaram do protesto, que reuniu lideranças sindicais, populares e estudantis.

Marcada para ocorrer no Dia Mundial do Meio Ambiente, a manifestação acabou coincidindo também com a greve dos metroviários, que começou nesta madrugada. O trânsito caótico pode ter contribuído para o esvaziamento do protesto, que denunciou o descaso do governo do Estado de São Paulo com o fornecimento de água potável para a população e a farsa montada para encobrir o racionamento que atinge a periferia.

Antes de chegar à empresa, os manifestantes percorreram em passeata aproximadamente 700 metros da Marginal Pinheiros e ruas do entorno. A faixa que abria o protesto alertava: “Vai ter Copa sim, o que não vai ter é água em São Paulo”. O objetivo dos dirigentes cutistas era entregar uma carta ao secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, com sugestões para saída da crise, mas não conseguiram porque seu gabinete está localizado no centro da cidade.

Na agenda de Arce, a reunião com os trabalhadores está marcada apenas para o dia 2 de julho.

Falta de investimentos

Todas as lideranças entrevistadas pela reportagem de Viomundo — veja as fotos no álbum acima — foram categóricas, afirmando que o racionamento que atinge a periferia da região metropolitana de São Paulo foi motivado pela falta de investimentos do governo do Estado na construção de novos mananciais e novas estações de tratamento de água.

“É uma crise anunciada. Há algum tempo os índices mostravam que havia necessidade de investimentos, mas nada foi feito”, critica o presidente da CUT paulista, Adi dos Santos.

“Em 2004, o comitê de bacias já tinham alertado o governador que poderíamos ter uma crise, e que era preciso fazer investimentos na captação de água, em reservatórios e interligações. Praticamente nada disso foi feito”, completa o deputado estadual, Marcos Martins (PT-SP).

O parlamentar também ressalta que a Sabesp não investiu em campanhas de conscientização para a economia de água. “Não adianta fazer campanha só na hora do sufoco. A água precisa ser economizada, mas a Sabesp não dá o exemplo. O vazamento em sua rede chega a 32%”, frisa. “A culpa pela falta de água, não é de São Pedro nem da população. O governo tem de assumir a responsabilidade de não ter feito as obras necessárias”, arremata.

Tucanos jogaram água fora

O técnico em gestão da Sabesp e diretor do Sintaema, o sindicato que reúne profissionais da Companhia, Anderson Fernandes Guahy, enfatiza que há mais de 12 anos o governo do PSDB não constrói nenhuma estação de tratamento de água nem faz captação para evitar a crise hídrica.

“Há muito tempo a gente vem dizendo que não há reservatórios suficientes na região metropolitana de São Paulo, para atender à demanda da população. Só agora é que estão fazendo o primeiro reservatório novo (no Ipiranga), mas a obra só deve ficar pronta em um ano e meio.”

O técnico recorda que a falta de investimentos em reservatórios é outro dos motivos para o racionamento de água enfrentado pela população. “Lembra das chuvas de 2010, quando vários bairros (Pantanal, na zona leste, é um deles) foram alagados? Aquela água poderia ter sido reservada e tratada. Mas a Sabesp não fez isso, porque não tinha reservatório para guardar”, revela.

Ele aponta que o tratamento de esgoto é outra das saídas para se extrair água potável. “É caro, mas é possível. Em Campinas há um condomínio com essa tecnologia. As pessoas são abastecidas com a água tratada do esgoto. Essa (técnica) acontece através de membranas. Mas a Sabesp para dar lucro para os acionistas, não investe nessa tecnologia.”

A saída é viável, mas não é imediata. O funcionário explica que demoraria em torno de 10 anos para que esse sistema entrasse em funcionamento.

Outra forma de tentar amenizar a crise é evitar que as indústrias continuem utilizando água potável na produção. “Tem que utilizar água de reuso”, frisa Anderson. “As empresas não podem continuar usando água potável para resfriar peças. É preciso investimento em águas pluviais, em água de reuso. O governo precisa estimular as indústrias a fazerem isso”, reforça o presidente da CUT paulista.

Governo esconde

A negação do governador Geraldo Alckmin de que o racionamento está a todo vapor é criticada pelas lideranças populares.

Para Guilherme Boulos, dirigente do MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o racionamento é uma realidade e afeta a periferia. Ele coordena várias ocupações nas regiões mais pobres de São Paulo. O acampamento Copa do Povo, em Itaquera, na zona leste, é um deles.

“Em alguns bairros de Itaquera falta água dia sim, dia não. Na zona sul, no Jardim Angela, Capão Redondo não tem água à noite. Em Embu das Artes quando se abre a torneira, em alguns períodos do dia, a água sai marrom. Essa é situação. São Paulo vive um racionamento de água, mas o governo só vai anunciar isso em outubro, depois da eleição. Tá claro que o objetivo é empurrar com a barriga. É por isso que estamos aqui (na rua). O problema da falta de água em São Paulo não é da natureza. É político. É por causa da falta de investimento, de planejamento, da privatização. A Sabesp se voltou cada vez mais para o lucro e não para o atendimento da população”, sentencia.

O vice-presidente da UNE, a União Nacional dos Estudantes, Arthur Miranda, concorda com Boulos. “O governador Geraldo Alckmin não tem compromisso com a população e tenta esconder o problema que está cada dia mais evidente. Santo André está sem água, Mauá está sem água.”

Lira Alli, do Levante Popular da Juventude, habituada a liderar escrachos contra torturadores que atuaram durante a ditadura, também resolveu participar da manifestação. “Quem mais sofre com a falta de água é a periferia e o PSDB está no poder (praticamente) desde o fim da ditadura militar.”

Em um discurso, a estudante de Artes Cênicas da USP, fez uma crítica aos tucanos em ritmo de funk e pediu a saída deles do governo. “A água é direito, não é mercadoria. Fora tucanada que nos ferra todo dia”, cantou Lira em um dos trechos da letra.

Chega de tucanos

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, foi outro que bateu duro nos tucanos. “Alckmin está criando o caos na cidade. Não está faltando só água para beber. O que significa desenvolvimento sem água? Não tem crescimento econômico e industrial. Sem água vai ter falta de emprego. É por isso que temos de fazer a mudança. Chega de tucanos em São Paulo”, enfatiza.

“A CUT tem o firme propósito, único e exclusivo de dizer para a população que o governo Alckmin, é um governo que sucateia e arrebenta São Paulo e que nós vamos derrotá-lo na eleição de outubro. É para isso que nós estamos aqui”, conclui o sindicalista.

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5 comentários

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FrancoAtirador

08 de junho de 2014 às 02h39

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GOVERNOS DO PSDB SÃO ASSIM:

Quinta-feira, 05 de junho de 2014

Notícias STF

Rejeitado pedido de suspensão de ação por improbidade
contra ex-governadora Yeda Crusius [PSDB-RS]

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento (julgou inviável) à Ação Cautelar (AC) 3585, ajuizada pela ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius [PSDB], com o objetivo de suspender a ação civil por improbidade administrativa que tramita contra ela na Justiça Federal no RS.

A ex-governadora alegava estar sujeita à Lei 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade de agentes políticos, e não à Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa).

Em sua decisão, o relator destacou que o acolhimento do pedido formulado na ação implicaria conferir à ex-governadora imunidade a qualquer responsabilização de ordem jurídica.

Por não mais ocupar a chefia do Poder Executivo estadual, explicou o ministro, não seria possível instaurar contra ela processo de impeachment. Dessa forma, Yeda Crusius não se submete ao regime da Lei 1.079/1950, “o que a torna unicamente passível de responsabilização por improbidade administrativa, nos termos da Lei 8.429/1992”.

O ministro citou diversos precedentes do STF e lembrou que, na análise de questão de ordem na Petição (PET) 3923, o Plenário, por unanimidade, assentou o entendimento de que agentes políticos estão sujeitos a uma “dupla normatividade em matéria de improbidade, com objetivos distintos”, tanto a fundada na Lei de Improbidade Administrativa, quanto a decorrente da Lei 1.079/1950.

Para o relator, a submissão dos agentes públicos às consequências jurídicas de seu comportamento “é inerente e consubstancial ao regime republicano, que constitui, no plano de nosso ordenamento jurídico positivo, uma das mais relevantes decisões políticas fundamentais adotadas pelos legislador constituinte brasileiro”.

O ministro Celso de Mello ressaltou ainda a Lei 8.429/1992 é um “poderosíssimo” instrumento de efetivação do principio da moralidade administrativa e esse, por sua vez, qualifica-se como valor constitucional “impregnado de substrato ético”, elevado à condição de vetor fundamental que rege as atividades do Poder Público.

Caso
Segundo os autos, a chamada Operação Rodin, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2007, deu origem a 10 ações penais e quatro ações de improbidade administrativa que tramitam na 3ª Vara Federal de Santa Maria.

Os processos apuram suposta fraude na contratação de empresas para a prestação de serviços para o Detran/RS.

Leia a íntegra da decisão: (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/AC3585.pdf)

Processos relacionados: AC 3585
(http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=3585&classe=AC&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M)
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Responder

Urbano

07 de junho de 2014 às 21h30

Aí sim, que é sindicalismo de vergonha; trabalhando pela categoria, pelo Brasil e seu povo. Na CUT não há farsa sindical, não…

Responder

Edna Lula

07 de junho de 2014 às 13h42

Que beleza de manifestação. ÉW assim que eu gosto, companheiros. Tudo organizado. Muito bem!

Responder

ANDRE

06 de junho de 2014 às 18h45

Precisa-se de um governador, urgente!
Por Igor Carvalho, no site SPressoSP:

O estado de São Paulo se afundou em uma profunda crise. Greves eclodiram após a inércia do governo durante os processos de negociação, até mesmo quem reprime em nome do Estado [PM], decidiu protestar contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A água já tem data para acabar, expondo a falta de planejamento da Sabesp. E o maior escândalo de corrupção da história de São Paulo se torna cada vez mais evidente com as falhas em trens reformados, mas completará 10 meses sem que seja investigado na Alesp.

Policiais militares saíram às ruas na tarde da última quarta-feira (04). Cerca de dois mil agentes se transformaram em manifestantes e caminharam até o Itaquerão, ocupando a Radial Leste no sentindo bairro e interrompendo o trânsito.

Curiosamente, nesta manifestação, não houve registro de manifestante que tenha sido alvo de bala de borracha ou bomba de gás lacrimogêneo. Sem feridos, a corporação que foi alvo de pedido de extinção da ONU e da Anistia Internacional seguiu com seu protesto “pacífico” por melhorias salariais. Pelo visto, a PM considera que seus protestos são legítimos, mas os demais devem terminar em menos de 20 minutos, se possível.

Embora já seja cantado e decantado a existência de grupos de extermínio nas periferias paulistas na década de 70 e 80, é durante os 20 anos de PSDB que se intensifica o extermínio de pretos e pobres nas periferias paulistas. De José e Douglas, e tantos “maios” se faz a fama de uma polícia branca que mata negros.

O fim da água e a universidade

Na última segunda-feira (2), a Sabesp anunciou que no próximo dia 27 de outubro a água deve acabar em São Paulo. Isso porque, os recursos do chamado “volume morto”, do sistema Cantareira, vão se esgotar.

Desde o dia 27 de maio, professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão em greve. O motivo é o congelamento dos salários nas universidades estaduais.

Em especial a USP, vive uma profunda crise financeira pós-gestão do extravagante ex-reitor João Grandino Rodas, que foi indicado pelo ex-governador José Serra (PSDB), após perder a eleição interna e terminar em segundo na lista tríplice.

Metrô e seus milhões [de problemas]

No próximo dia 8 de junho vence o prazo de 30 dias, dado por operadores de trens da Linha 3-Vermelha ao governador Alckmin, para que a Frota K seja retirada de circulação.

Em agosto de 2013, um trem da Frota K descarrilou próximo da estação Barra Funda, após os truques (sistema de rodas, tração, rolamentos e frenagem) falharem. A composição chegou a sair dos trilhos e arrastar por 800 metros. Ninguém se feriu. Em outubro, na estação Santa Cecília, por volta das 18h30, todas as portas de um trem abriram, com a composição em movimento. À época, funcionários relataram que caso o trem estivesse lotado seria uma “tragédia.

A Frota K foi, recentemente, reformada pelo consórcio MTTrens, formado pelas empresas Temoinsa, MPE e TTrans. Essa última, está envolvida no esquema de licitações dos trens, conhecido como “trensalão tucano” ou “cartel”, de acordo com documentos apresentados pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O “trensalão tucano” é motivo de um pedido de CPI elaborado em agosto de 2013 pelo PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) pelo PT. Completados 10 meses, os petistas conseguiram 29 das 32 assinaturas necessárias para formar a CPI e investigar o caso, que o PSDB parece ter medo que seja discutido, e segue a “blindagem do governo Alckmin pela grande mídia.”

Fundação Casa

Seguem as denúncias de tortura dentro da Fundação Casa. Fugas em massa e mortes de internos. Agora, com todas as suas mazelas, a ex-Febem será entregue às Organizações Sociais após aprovação de um Projeto de Lei Complementar elaborado pelo próprio Alckmin.

Dessa forma, todas as unidades terão administrações independentes, que segundo o cientista político e professor de Administração Pública e Governo da FGV-SP, Francisco Fonseca, nos aproxima mais de um processo de privatização do que terceirização.

Responder

FrancoAtirador

06 de junho de 2014 às 00h06

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12/03/2014 14:12
Rede Brasil Atual (RBA), via Rede Nossa São Paulo

Desperdício de água da Sabesp atinge 32%

Em 2012, Japão investiu US$ 440 milhões
em projetos de redução de perda de água
a serem executados pela empresa paulista,
que deveria reduzir perdas a 15% até 2019.

São Paulo – O desperdício de água tratada em São Paulo chegou a 32% em fevereiro, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

No entanto, em 2012, o governo japonês investiu US$ 440 milhões na empresa paulista para que realizasse projetos de redução de perda de água em vazamentos e ligações clandestinas.

A corporação deveria reduzir o desperdício de 25,6% para 15% até 2019, mas, em vez disso, piorou o quadro.

A Rede Nossa São Paulo encaminhou uma carta à Sabesp, no início do mês, questionando o andamento do programa de combate às perdas, mas ainda não obteve resposta.

De acordo com o coordenador-executivo da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, a perda de água ocorre por “falta de manutenção e monitoramento adequado” no sistema da companhia.

Veja a reportagem completa da TVT: (http://www.youtube.com/watch?v=DGxdUpm-c3s)

(http://www.nossasaopaulo.org.br/noticias/desperdicio-de-agua-da-sabesp-atinge-32-mesmo-com-investimentos-para-reduzir-perda)

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