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Luciano Martins Costa: Imprensa perdeu boa oportunidade de discutir falta de planejamento urbano


14/05/2011 - 11h34

PLANEJAMENTO URBANO
Metrô vetado e churrasco no shopping

por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa

Um abaixo-assinado que não chegou a 3.500 adesões fez a Companhia do Metrô de São Paulo rever o projeto da Linha 6-Laranja, do metrô da capital, e provoca uma controversa manifestação que pode levar a confronto moradores do bairro de Higienópolis e grupos que defendem a convivência democrática em todos os espaços da cidade.

A questão circulou por duas semanas nas redes sociais da internet antes de ganhar espaço nos jornais e obrigar as autoridades a virem a público explicar por que o desagrado de meia dúzia de moradores de um bairro nobre pode provocar mudanças em critérios técnicos para a localização de uma estação do metrô.

No projeto original, a estação Higienópolis deveria ser construida na esquina da Avenida Angélica com a rua Sergipe, local onde atenderia ao maior número de usuários. Mas alguns moradores decidiram não aceitar a obra na área, e expuseram suas razões em abaixo-assinado.

Gente diferenciada

Entre as preocupações manifestadas, ganhou repercussão o temor com a chegada ao bairro de “gente diferenciada” ou de uma “população flutuante” que poderia representar risco de criminalidade, conforme destacou a representante do bairro no conselho comunitário de segurança.

Um movimento de protesto contra o que foi considerado manifestação de elitismo e preconceito cresceu no Facebook e acabou por levar à organização de um “happening” em frente ao Shoping Higienópolis, marcado para este sábado.

Mas aquilo que começou com uma expressão de intolerância acabou ganhando tanta repercussão que chegou a preocupar as autoridades.

O presidente da Companhia do Metrô tentou se explicar, mas, segundo os jornais, não sabia até quinta-feira, 12, onde seria a estação. Enquanto isso, as obras se arrastam e os problemas no trânsito evoluem na direção da paralisação total da maior cidade do país.

Nesta sexta-feira, dia 13, os jornais informam que pelo menos um dos lados envolvidos na polêmica está demonstrando bom senso. Os organizadores da manifestação contra o preconceito decidiram cancelar o churrasco que havia sido marcado em frente ao shoping e realizar apenas uma concentração festiva e beneficente, com ajuda de policiais de trânsito e da PM.

E a imprensa?

Bom, os jornais perderam uma boa oportunidade para discutir a falta de planejamento urbano e a equivocada estratégia de estimular o surgimento de guetos na cidade.





8 comentários

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Bonifa

15 de maio de 2011 às 11h53

É uma lástima. As cidades brasileiras foram vítimas indefesas de rapinagem durante todo o tempo de predominância dos governos neoliberaiis. O planejamento era visto como um obstáculo à mais perversa especulação imobiliária, que grassava. E como os mais ricos burlavam, à custa de propinas sobre a fiscalização em ambiente de franca degradação do serviço público, onde o funcionalismo era impiedosamente atacado como heresia anti-neoliberal, também não se podia moralmente exigir que os mais pobres respeitassem as frágeis leis urbanas. As invasões proliferaram por todos os lados em áreas de risco. E o pior é que o país ainda não acordou deste pesadelo. O primado do necessário planejamento urbano, que teve alguns bons momentos nas décadas de 40 e 70, ainda não foi nem de longe retomado.

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SILOÉ -RJ

14 de maio de 2011 às 23h43

Chegou a hora dessa gente diferenciada mostrar seu valor, Ô… Ô!!!
É só botar o bloco na rua…

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Ventura

14 de maio de 2011 às 21h30

Curioso que todo problema nos aeroportos, desde vagas de estacionamento, até atrasos causados por greves internacionais, são usadas pela mídia lançar uma enxurrada de críticas ao governo federal, entretanto pouco ou nada se fala do verdadeiro caos urbano que se instala a cada dia em São Paulo.
Qualquer argumento apresentado pelo governo atual, em relação aos problemas de transporte público é facilmente refutado, por exemplo, no poder há 16 anos o PSDB entregou pouco mais de 20 estações de metrô, muitas delas já iniciadas quando esse partido assumiu o governo, enquanto todos os outros partidos que governaram por não mais de 20 anos anteriores entregaram mais de 40 estações de metrô, fora os corredores de ônibus da EMTU, que após a entrada dos tucanos no governo jamais foram ampliados, e com isso a população como um todo sofre.
Sofrem aqueles que dependem de transporte público, que está à beira do colapso total, e aqueles que optam pelo automóvel, sangrando seus bolsos por um bem de consumo que somente desvaloriza após adquirido, e os obriga a outros gastos como seguro, manutenção e impostos.
É digno de nota que a mídia em geral faz ouvidos de mercador ao total descaso da Prefeitura, que desde Maluf, desmontou a CMTC, entregando a empresários que se comportam mais como mafiosos as linhas, os governos Pitta e Kassab fizeram o máximo para não fazerem nada, apenas o governo de Marta assumiu sua função ao colocar um pouco de ordem no caos das lotações, organizando as cooperativas e reestruturando as linhas, criando em seguida o bilhete único, entretanto o processo com Serra e Kassab foi apenas tocado, de uma forma pior, nada de inovador sendo feito para a melhoria do transporte público municipal.

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Ricardo

14 de maio de 2011 às 15h29

"gente diferenciada" = tucanaram a pobreza

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Paulo

14 de maio de 2011 às 13h18

Concordo com o franco atirador. Há alguém ainda, em contato com qualquer resquício de sanidade mental, que acredita que a nossa grande imprensa tem algum interesse público?

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    Leider_Lincoln

    14 de maio de 2011 às 14h41

    Nem os trols, Paulo, nem os trols…

FrancoAtirador

14 de maio de 2011 às 12h23

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Desde quando a imprensa e os meios de comunicação, em geral,

tiveram intenção em discutir problemas de interesse público ?
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Responder

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