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Diário da Resistência


Lelê Teles: Bolsonaro não merece nem a comparação com o Judas
Reprodução de imagem divulgada pelo blog do Esmael.
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Lelê Teles: Bolsonaro não merece nem a comparação com o Judas


11/04/2020 - 15h02

A MALHAÇÃO DE JUDAS

Por Lelê Teles

Pegaram judas pra cristo, e continuam a torturá-lo — simbólica, porém impiedosamente —  desde que os colonizadores portugueses e espanhóis trouxeram essa prática abjeta para este continente.

A atrocidade consiste em pendurar um boneco em um poste, em um galho de árvore ou na porteira de uma fazenda; aí, um camarada qualquer lê uma sentença condenatória fajuta e rabulesca e a multidão se põe a espancar, cuspir e xingar o molambo, depois ateiam fogo nos andrajos. 

Em seguida, vão à missa aprender a amar uns aos outros.

Com o tempo, as pessoas passaram a fazer certas interpretações da pantomima, geralmente colocando um político no lugar do apóstolo.

Leio que neste sábado de aleluia, com vírus sendo ejetados por tosses e espirros, judas foi substituído pelo palhaço do planalto, o ecocida e genocida que nos preside, o garoto-propaganda da cloroquina.

Nada mais inadequado.

Judas, o homem de kerioth (único discípulo nascido na judeia), era um sicário nacionalista, e qual o seu homônimo (o macabeo) descrito pelo historiador flávio josefo, defendia seu território e queria a expulsão dos invasores imperialistas.

Nada menos parecido com esse capacho do império.

É bom lembrar que o livro nos conta que, na noite em que jesus foi levado em prisão coercitiva, judas, osculando a face do amigo, teria feito a primeira delação premiada da história, entregando o chefão e saindo com uma sacola cheia de moedas, como se judas fosse um funcionário da odebrecht.

Ora, ora, ora. por que diabos alguém teria que entregar um sujeito conhecido por todos, que andava pra lá e pra cá, feito um carteiro, e que já havia produzido um espetáculo público expulsando os camelôs da porta do templo, como se fosse um funcionário da prefeitura? 

Não faz sentido.

Outra, o judas descrito nas escrituras nada tem a ver com esse proscrito desprezado pelos sabichões de púlpito com problemas de interpretação de texto, quando não movidos por pura má fé. 

Judas foi um dos primeiros discípulos e era um dos poucos que tinham instrução, sabia ler, escrever e contar, não é a toa que a ele foi dado um altíssimo cargo de confiança, o cabra era o tesoureiro que segurava a sacola de espórtulas.

Jesus, segundo nos conta o livro, sabia das maquinações do discípulo — quiçá tivesse com ele combinado a cena cênica — uma vez que, sabendo do que ocorreria, não tentou demovê-lo.

É como disse o padre antônio vieira, puxando a orelha de pedro: se jesus não morre, não morrem os pecados de pedro e de todos nós.

Morrendo aquele, morrem estes, embora nossos pecados teimem em se renovar a cada minuto; veja esse escarrador nojento que nos preside e que anda a limpar o nariz e apertar a mão de senhorinhas.

Peca às pencas.

Mas o que quero dizer, e direi logo e de uma vez por todas, é que a malhação de judas é mais uma das tantas incoerências da cristandade, além de ser um grotesco espetáculo.

Malhar judas é negar o perdão, fazer apologia da vingança e dar vazão ao ódio furibúndico.

Portanto, nada menos cristão, nada menos crístico.

Palavra da salvação.





1 comentário

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Zé Maria

12 de abril de 2020 às 18h23

O Genocida do Cercadinho do Alvorada
[que injustiça com o nome do Palácio]
nem cobrou nada para entregar o Brasil
aos Estrangeiros do Hemisfério Norte.
O Mito Facínora traiu o País de graça.

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