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Fátima Oliveira: A Casa Branca continua preta e laica


14/11/2012 - 17h47

A etnia luo: o povo de Barack Obama em estilosa celebração
ENFIM, A CASA BRANCA CONTINUA PRETA E LAICA

Fátima Oliveira, no Jornal OTEMPO
Médica – [email protected]

Madrugada correndo, e eu acuada pelo “pinoquismo” midiático que, por meses, martelou um suposto empate técnico entre Obama e Mitt Romney. Um alívio sonolento a tuitada de Obama com sua foto abraçado a Michelle: “Quatro anos mais. Isso aconteceu por causa de vocês. Obrigado”.

Só dormi após o placar, que, hoje sabemos, dava vitória folgada, no voto popular e em delegados ao colégio eleitoral, com os resultados da Flórida: Obama, 332 delegados; e Mitt Romney, 206. Vitória suada, como disse Eliakim Araújo, em “Ricos contra pobres nos EUA”: “Obama é vidraça e Romney, atiradeira… Obama é o melhor, embora não seja nenhuma maravilha”.

Ao que adendo: um presidente dos Estados Unidos, seja quem for, jamais será uma maravilha, dada a natureza escorpiônica da prática imperialista, mas, para o mundo, é menos doentio quando quem preside os EUA é um democrata. Daí a torcida pró-Obama e contra o fundamentalismo do Tea Party (Partido do Chá).

Para as mulheres do mundo, uma perseguição a menos, pois “Romney se opõe à Roe v. Wade, decisão de 1973 da Suprema Corte que defende o direito da mulher ao aborto”, e é contra os subsídios federais para planejamento familiar. Obama mantém a opinião de que “as escolhas de uma mulher quanto à sua saúde são decisões pessoais, são tomadas da melhor forma com seu médico – sem a interferência de políticos”.

Quando acusado de baixo compromisso com a “questão racial”, tem uma frase pronta: “Não sou o presidente dos Estados Unidos dos Negros, sou o presidente dos Estados Unidos da América”. Tem de governar conforme a lei. Logo, nada de ilusões, além do dito em 2009 por sua filha Malia: “Ser o primeiro presidente negro vem com uma grande responsabilidade”. Para muitos, ele – que tem pai negro, um queniano da etnia luo; mãe branca, descendente de irlandeses da aldeia de Moneygall; e padrasto asiático – aprendeu a ser unificador, constatação implícita em célebre frase num programa de Oprah Winfrey ao falar que jantares de sua família “são sempre uma mini-ONU, com parentes de todas as etnias”.

De Kogelo, povoado nas proximidades do lago Vitória, no oeste do Quênia, Mama Sarah, 90 anos, avó de Obama, deu duas declarações. A primeira, antes das eleições: “Eu rezo por ele, para que Deus o ajude… É uma disputa dura. Se for a vez dele, Deus o deixará triunfar”. No dia seguinte à reeleição, ela, singela e altivamente, disse: “Venceu pela graça de Deus. E, também, porque sabe amar as pessoas, não gosta de divisões. Por isso ganhou”, e arrematou: “Tentou uma segunda vez e ganhou”. Ela expressou com fidelidade a filosofia do povo luo, o povo ancestral de Obama, que habita o Quênia há milhares de anos.

Para Mark Weisbrot, codiretor do Centro para Investigação Econômica e Política, a reeleição de Obama “estava prevista pelas pesquisas eleitorais do Princeton Electin Consortium e do Fivethirtyeight.com. Não foi uma surpresa, a não ser para a maioria dos meios de comunicação e os especialistas que fingiam que havia uma disputa acirrada” e que “a campanha democrata foi vitoriosa porque conseguiu convencer a maioria dos eleitores de que Romney e os republicanos se importam apenas com os ricos”.

Leila Cordeiro, em “A vitória de Obama e o racismo explícito” (8.11.2012), declarou que, “depois da reeleição de Obama”, começa “a pensar se, além da rivalidade, não existiu, latente e implícito nas atitudes dos conservadores, o velho e enferrujado preconceito, que, por séculos, tomou conta do país de Tio Sam…”.

Enfim, a Casa Branca continua preta e laica.

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14 comentários

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joão pedro

22 de novembro de 2012 às 06h43

Não tenho ilusões, pois em outros aspectos os Estados Unidos só se importam com o seu bem-estar. Sempre foi assim.A vitória de Obama e o racismo explícito”, declarou que, “depois da reeleição de Obama”,percebemos o velho e enferrujado preconceito, que, por séculos, tomou conta do país de Tio Sam…”Ser o primeiro presidente negro vem com uma grande responsabilidade”.Por isso os negros devem se orgulhar por tê-lo como simbolo de resistência.

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FrancoAtirador

16 de novembro de 2012 às 03h27

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Israel cometeu um erro que custará muitas vidas, diz pacifista
Líder militar do Hamas, Ahmed Jabari, foi assassinado em meio às conversações sobre uma trégua de longo prazo.

Para o pacifista israelense Gershon Baskin, que ajudou na mediação com o Hamas para a libertação do soldado Gilad Shalit, Israel cometeu um erro que custará as vidas de “pessoas inocentes de ambos os lados”.

Horas antes de ser assassinado, Jabari recebeu o rascunho de um acordo permanente de trégua com Israel, que incluía mecanismos para manter o cessar-fogo.

Nir Hasson – Haaretz, na Carta Maior (Tradução: Katarina Peixoto)

Tel Aviv – Horas antes de o homem forte do Hamas, Ahmed Jabari, ser assassinado, ele recebeu o rascunho de um acordo permanente de trégua com Israel, que incluía mecanismos para manter o cessar-fogo, em caso de uma escalada entre Israel e as facções da Faixa de Gaza. Isso é o que diz o militante pacifista israelense Gershon Baskin, que ajudou a mediar o acordo entre Israel e o Hamas para a libertação de Gilad Shalit e, desde então, mantém relações com líderes do Hamas.

Baskin disse ao Haaretz nesta quinta-feira que altos oficiais de Israel sabiam de suas relações com o Hamas e com a inteligência egípcia com vistas à formulação de uma trégua permanente, mas mesmo assim aprovaram o assassinato.

“Eu penso que eles cometerem um erro estratégico”, disse Baskin, um erro “que custará a vida de um número considerável de pessoas inocentes em ambos os lados”.

“Esse sangue poderia ter sido poupado. Quem tomou essa decisão deve ser julgado pelos eleitores, mas para o meu lamento, eles terão mais votos por causa disso”, acrescentou.

Baskin conheceu Jabari quando serviu como mediador entre David Meidin, o representante israelense das negociações pela libertação de Shalit e Jabari. “Jabari era o encarregado todo poderoso. Ele sempre recebeu as mensagens via uma terceira parte, Razi Hamad, do Hamas, que o chamava de Senhor J.”.

Por meses, Baskin enviou mensagens antes da formulação do acordo. Ele manteve um canal de comunicação aberto com Gaza até mesmo após o acordo de libertação de Shalit estar completo.

De acordo com Baskin, durante os últimos dois anos, Jabari internalizou o entendimento de que a rodada de hostilidades com Israel não beneficiaria nem o Hamas nem os habitantes da Faixa de Gaza e só causaria sofrimento, e muitas vezes intercedeu para evitar ataques do Hamas contra Israel.

Ele disse que até mesmo quando o Hamas foi levado a participar do lançamento de foguetes, os seus foguetes eram sempre dirigidos a áreas abertas. “E isso era intencional”, esclareceu Baskin.

Nos últimos meses, Baskin esteve em contato permanente com representantes do Hamas, com membros da inteligência egípcia e também com oficiais de Israel, cujos nomes ele se recusa a divulgar. Há alguns meses Baskin apresentou ao ministro da defesa Ehud Barak um rascunho de um acordo preparado para constituir uma base para uma trégua permanente entre Israel e o Hamas, que evitaria as repetidas trocas de tiros.

“Em Israel”, disse Baskin, “eles decidiram não decidir, e nos meses recentes eu tomei a iniciativa de fazer pressão de novo”. Nas últimas semanas ele retomou os contatos com o Hamas e com o Egito e só nesta semana ele esteve no Egito e se encontrou com altos dirigentes do aparelho de inteligência e com um representante do Hamas. Ele disse que ficou com a impressão de que a pressão dos egípcios sobre os palestinos para pararem de lançar foguetes era séria e sincera.

“Ele estava na linha de tiro, não era um anjo nem um homem justo da paz”, disse Baskin sobre Jabari e de seus sentimentos no começo da matança, “mas seu assassinato também matou a possibilidade de se chegar a uma trégua e com a capacidade dos mediadores egípcios funcionarem. Depois do seu assassinato eu falei com as pessoas em Israel iradamente e eles me disseram: ‘nós escutamos você e estamos ligando para perguntar se você escutou alguma coisa dos egípcios ou de Gaza”.

Desde o assassinato de Jabari, Baskin tem estado em contato com os egípcios, mas não com os palestinos. De acordo com ele, os egípcios estão de cabeça fria. Eles disseram que é necessário deixar o sangue acalmar. “As pessoas da inteligência egípcia estão fazendo o que estão fazendo com a permissão e a autorização do regime e aparentemente acreditam muito no seu trabalho”, diz ele.

“Eu estou sobretudo triste. Isso é triste para mim. Eu estou vendo gente ser assassinada e é isso o que me entristece. “Eu digo a mim mesmo que com cada pessoa que é morta estamos engendrando a próxima geração de odiadores e terroristas”, acrescentou Baskin.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21262

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Augusto

15 de novembro de 2012 às 16h15

Qualquer governo dos EUA governa para o próprio país.

Envergonha-me vendo muitas pessoas torcendo este ou para aquele, como se fossem a salvação do mundo, mas não é.

Obama foi medíocre na política internacional, não fechou Guantámano, criou (mais) bases militares na América Latina e ainda o acham moderado?!

Obama é tão direita quanto o Mitt – por isso “preto e laico” no caso é igual a “branco e protestante”, pois lá no Norte quem manda são os que vêm de Israel…

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    Juliano

    15 de novembro de 2012 às 23h15

    Augusto, a pior cegueira é a de que tem olhos para ver e se recusa a enxergar. Considerada a conjuntura mundial, o papel do imperialismo e a situação interna dos Estados Unidos, é impossível alguém em sã consciência achar que para o mundo não faz diferença que o presidente seja democrata ou republicano. A pergunta é: Obama e Mitt Romney, podem não prestar, mas eles são iguais para o mundo? Torci por Obama porque ainda penso.

Fernando

15 de novembro de 2012 às 10h02

Recuso-me a saudar um genocida.

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    Mari

    15 de novembro de 2012 às 10h56

    Respeito a sua, mas devo dizer que sua opção por Mitt Romney tem um significado de absoluta crueldade em todos os sentidos. Ou não? Entre os dois, o mundo torcia por Obama por sensatez. Democratas e Republicanos defendem o status quo estadunidense, egoísta e imperialista, sem dúvida, mas republicanos, desde Bush filho optaram pelo fundamentalismo religioso, pelo desrespeito total até aos direitos reprodutivos e os corpos das mulheres, em tal cenário é melhor para o povo e para o mundo, um democrata. É disso que trata o artigo. Se não entendeu releia. Mitt Romney causava pesadelo ao mundo. Mesmo assim há gente, como você que o defende. Perderam.

    Gui

    15 de novembro de 2012 às 15h29

    Concordo! Vamos comemorar a vitória do SEIS sobre o MEIA DÚZIA! Antes que os social democratas caiam matando, deixem-me esclarecer: Romney e Obama não são iguais. Contudo, estão totalmente de pernas abertas ao poder dos grandes empresários. Obama autorizou matanças, declarou guerras, ataca países por motivos econômicos. Como alguém que se diz de esquerda tem coragem de comemorar a vitória de uma pessoa que, direta ou indiretamente, mata mais que AIDS?

    Cibele

    15 de novembro de 2012 às 22h22

    Gui, é fácil. Ninguém está comemorando. Sentimo-nos aliviados. Pelo menos assim entendi o texto. No mais, outro imperador, qual a novidade?

    Cibele

    15 de novembro de 2012 às 22h25

    Ou melhor, o mesmo imperador, outra vez.
    Enquanto não houver uma mudança profunda na consciência humana, impérios existirão e a história não mudará.

Mari

15 de novembro de 2012 às 09h14

Gostei do artigo, pois a visão nele exposta confere com o que pensa a maioria do mundo, por ser a realidade. Um republicano na Casa Branca hoje em dia é sinal que o fundamentalismo religioso dá as cartas até sobre os corpos das mulheres do mundo. Sendo assim Obama não é apenas o menos pior, mas o melhor que poderia chegar lá. Também não tenho ilusões, pois em outros aspectos os Estados Unidos só se importam com o seu bem-estar. Sempre foi assim

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Gerson Carneiro

15 de novembro de 2012 às 06h25

The People´s voice is God´s voice!

E viva o povo!
(lá e aqui)

“Diga não pra qualquer controle
Diga não pra qualquer descaso
Diga não pra quem não te ouve
Diga não!

Diga não pra quem destrói o mundo
Diga não pra quem constrói demais
Diga não pra falta de visão
Diga não!

Diga não pro prepotente
Diga não pro submisso
Diga não pra tudo isso
Diga não!

Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não!

Diga não pra quem faz a guerra
Diga não pra quem foge à luta
Diga não pra ter paz na terra
Diga não!

Diga não pra quem engole tudo
Diga não pra falta de apetite
Diga não pra quem não tem limites
Diga não!

Diga não pra tantas leis
Diga não pra tantos crimes
Diga não pra ficar livre
Diga não!

Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não!

Diga não pra quem tem demais
Diga não pra quem se deixa usar
Diga não pra desabafar
Diga não!

Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não pra ser ouvido, seja positivo
Diga não!”

Diga Não – Heróis da Resistência

Responder

Alberto

15 de novembro de 2012 às 04h48

Sem dúvida que as ideias expostas no artigo são corretas, considerando-se as ressalvas do paágrafo 3: “Ao que adendo: um presidente dos Estados Unidos, seja quem for, jamais será uma maravilha, dada a natureza escorpiônica da prática imperialista, mas, para o mundo, é menos doentio quando quem preside os EUA é um democrata. Daí a torcida pró-Obama e contra o fundamentalismo do Tea Party (Partido do Chá)”.

Responder

[email protected]_2

14 de novembro de 2012 às 22h57

mal menor…

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