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Emir Sader: 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores e não do Trabalho


01/05/2011 - 13h50

Emir Sader, em seu blog

O homem se diferencia dos outros animais por vários aspectos, mas o essencial é a capacidade de trabalho. Os outros animais recolhem o que encontram na natureza, enquanto o homem tem a capacidade de transformar a natureza. Para produzir as condições da sua sobrevivência, o homem transforma o meio em que vive, pela sua capacidade de trabalho, gerando a dialética mediante a qual ele modifica o mundo e ao mesmo tempo se modifica, intermediado pela natureza.

Ao longo do tempo, a constante das sociedades humanas é a presença dos trabalhadores, sob distintas formas – escravos, servos, operários -, responsáveis pela produção dos bens da sociedade. A forma de exploração da força de trabalho é que variou, definindo o caráter diferenciado de cada sociedade.

Porém, a exploração do trabalho por outras classes sociais fez com que o trabalhador não controlasse sua força de trabalho, produzindo para a acumulação de riquezas dos outros. O trabalho foi sempre um trabalho alienado, em que os trabalhadores produzem, mas não são donos do produto do seu trabalho, nem decidem o que produzir, como produzir, para quem produzir, a que preço vender o que produzem. E tampouco são remunerados pela riqueza que produzem, recebendo apenas o indispensável para a reprodução da sua força de trabalho. Quem se apropria do fundamental da riqueza produzida é o capital, que assim acumula, se expande, se reproduz, enquanto os trabalhadores apenas sobrevivem.

Um dos fenômenos centrais para a instauração do capitalismo foi o término da servidão feudal, com os trabalhadores ficando disponíveis para vender sua força de trabalho para quem possui capital. Estes vivem do capital e da exploração da força de trabalho dos trabalhadores, enquanto estes, dispondo apenas dessa força tem que vendê-la, para poder acoplá-la a meios de produção, nas mãos dos capitalistas.

Essa imensa massa de trabalhadores que passou a produzir toda a riqueza das sociedades contemporâneas foi objeto de um processo de intensa exploração do seu trabalho, com condições brutais de trabalho, jornadas longas – de 14 ou até 16 horas. Na resistência a essas condições de exploração foi se organizando o movimento operário, tanto em sindicatos, como em partidos políticos, gerando um protagonista essencial na democratização das nossas sociedades.

A direita não perdoa os sindicatos.  Na última campanha eleitoral brasileira e  na velha mídia, os dirigentes sindicais não são tratados como representantes democráticos e legítimos dos trabalhadores, mas quase como gangsters, que se infiltram no governo para defender seus interesses contra os interesses da maioria. Faz parte do ódio que as velhas elites têm do povo brasileiro, que é trabalhador, que produz as riquezas do Brasil, que trabalha jornadas longuíssimas, é explorado pelas grandes empresas, mas não teve, até recentemente, possibilidade de fazer ouvir sua voz no país e no Estado.

Neste Primeiro de Maio, Dia dos Trabalhadores (e não do Trabalho, como insiste a velha mídia), é preciso recordar que a data vem de uma grande manifestação realizada em Chicago em 1886, pela diminuição da jornada de trabalho para 8 horas, duramente reprimida pela polícia, com a morte de vários trabalhadores.

Que a jornada é praticamente a mesma, embora as condições tecnológicas para explorá-la tenha avançado gigantescamente e, com ela, os lucros das grandes empresas que exploram os trabalhadores. Um momento propício para avançar no projeto de redução da jornada de trabalho, para fazer um mínimo de justiça ao esforço heróico e anônimo dos milhões de trabalhadores que constroem o progresso do Brasil.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



16 comentários

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LEONARDO CURVELLO DE CASTRO - ESCOLA SEEDUC

01 de maio de 2014 às 16h32

Pela diminuição da jornada de trabalho.
Pelo fim da escravidão por dívidas contraídas com o sistema de créditos bancários!
Por moradias. Pelo fim dos aluguéis.
Pelo término da servidão feudal nos Serviços Terceirizados pelo Estado nas esferas Municipais, Estaduais e Federal!

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1º de maio: Dia do Trabalhador, não do trabalho | Cão Uivador

18 de maio de 2012 às 23h44

[…] parte do dia pensando num texto para o dia de hoje, Dia do Trabalhador, mas a Cris Rodrigues e o Emir Sader (no Vi o Mundo) foram mais rápidos. Na lógica capitalista, fui um “vagabundo”: perdi tempo assistindo […]

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Fabio_Passos

02 de maio de 2011 às 00h23

Já passou da hora de reduzir a jornada de trabalho.

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1º de maio: Dia do Trabalhador, não do trabalho « Cão Uivador

01 de maio de 2011 às 23h08

[…] parte do dia pensando num texto para o dia de hoje, Dia do Trabalhador, mas a Cris Rodrigues e o Emir Sader (no Vi o Mundo) foram mais rápidos. Na lógica capitalista, fui um “vagabundo”: perdi tempo assistindo […]

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José Ivan M Aquino

01 de maio de 2011 às 21h39

Uma boa possibilidade para o controle da prestação do trabalho e definição dos valores de cobrança está no cadastramento e atitudes do Empreendedor Individual, preferencialmente, auto-organizado em coletivos de produção. Ainda são boas oportunidades as cooperativas no campo da economia solidária apoiadas por instrumentos de crédito autogerido e de assentamentos rurais nessas bases.

José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida

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Ademar Silva

01 de maio de 2011 às 20h24

Trabalhar o banqueiro também trabalha. Aposto que mais que nós até.
Devia ser dia do operário.

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FrancoAtirador

01 de maio de 2011 às 16h06

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O que constitui a alienação do trabalho?

Primeiramente, ser o trabalho externo ao trabalhador, não fazer parte de sua natureza, e, por conseguinte, ele não se realizar em seu trabalho, mas negar a si mesmo, ter um sentimento de sofrimento em vez de bem-estar, não desenvolver livremente suas energias mentais e físicas, mas ficar fisicamente exausto e mentalmente deprimido. O trabalhador, portanto, só se sente à vontade em seu tempo de folga, enquanto no trabalho se sente contrafeito. Seu trabalho não é voluntário, porém imposto, é trabalho forçado. Ele não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades. Seu caráter alienado é claramente atestado pelo fato, de logo que não haja compulsão física ou outra qualquer, ser evitado como uma praga. O trabalho exteriorizado, trabalho em que o ser humano se aliena a si mesmo, é um trabalho de sacrifício próprio, de mortificação. Por fim, o caráter exteriorizado do trabalho para o trabalhador é demonstrado por não ser o trabalho dele mesmo, mas trabalho para outrem, por no trabalho ele não se pertencer a si mesmo, mas sim a outra pessoa.
Tal como na religião, a atividade espontânea da fantasia, do cérebro e do coração humanos, reage independentemente como uma atividade alheia de deuses ou demônios sobre o indivíduo, assim também a atividade do trabalhador não é sua própria atividade espontânea. É atividade de outrem e uma perda de sua própria espontaneidade.
Chegamos à conclusão de que o ser humano (o trabalhador) só se sente livremente ativo em suas funções animais – comer, beber e procriar, ou no máximo também em sua residência e no seu próprio embelezamento – enquanto que em suas funções humanas se reduz a um animal. O animal se torna humano e o humano se torna animal.

KARL MARX
MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS
PRIMEIRO MANUSCRITO
1844

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    Klaus

    01 de maio de 2011 às 19h21

    Talvez se você encontrar um trabalho que goste ele seja mais prazeiroso e sua vida mais feliz.

    FrancoAtirador

    01 de maio de 2011 às 20h19

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    Isso é o que todo patrão diz.
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FrancoAtirador

01 de maio de 2011 às 16h00

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A jornada de trabalho deve ser reduzida para 30 horas.
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Responder

Pedro

01 de maio de 2011 às 15h45

Reduzir a jornada de trabalho é vital para a sobrevivência do homem enquanto tal. O Emir acertou na mosca.

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ZePovinho

01 de maio de 2011 às 14h28

Como dizia a Dona Bela,"Ele só pensa naquilo!!!":

[youtube p6WUHoNuKAk http://www.youtube.com/watch?v=p6WUHoNuKAk youtube]

http://www.tijolaco.com/o-pensamento-unico-e-o-da

O “pensamento único” é o da “turma da bufunfa”

O economista Paulo Nogueira Batista Jr, publica um artigo hoje em que, delicadamente, chama de “pensamento grupal” o que mereceu o nome – fora de moda, hoje – de pensamento único.
Diz ele:

Nas últimas semanas, tivemos um exemplo extraordinário de pensamento grupal – a forte reação do mercado à decisão do Banco Central de aumentar em “apenas” 0,25 ponto percentual a taxa básica de juro. Se bem percebi daqui de longe, foi uma unanimidade ululante. O aumento foi considerado “insuficiente” para o controle da inflação, indício de fraqueza do BC e até mesmo da sua suposta subordinação ao “desenvolvimentismo” que domina o Ministério da Fazenda.Fantástico. Quem ouve esse coro de especialistas e financistas e não tem acesso a certas informações básicas pode ficar completamente desorientado. Na realidade, entre os bancos centrais de economias emergentes, o do Brasil está entre os que reagiram mais rapidamente, em termos de política de juros, ao risco de aquecimento. Desde abril de 2010, a meta para a taxa Selic passou de 8,75% para 10,75% no final do ano. No governo atual, os aumentos continuaram, com a taxa alcançando 12% depois da última decisão do Copom”.

E essa, acrescenta ele, é uma taxa gorda, pra rentista nenhum botar defeito. Dá o triplo da taxa real de juros de qualquer país do mundo, mostra ele, assinalando que, de 40 grandes economias, hoje 36 praticam taxas negativas – isto é, os juros públicos são menores que a inflação.

Então, o que é a política financeira que o “pensamento único” defende para o Brasil, tão original quanto a jaboticaba, que só dá aqui?

Acho que se compõe de três fatores.

O primeiro, o crônico “subalternismo” de nossas elites e das camadas intelectuais que a elas aderem, porque reproduzem com elas o mesmo tipo de atitude. Quem não tem, nem digo a capacidade, mas ao menos o desejo de pensar por sua própria cabeça, repete o que ouve, com a genialidade do papagaio.

O segundo, o poder avassalador e a natureza homogênea de nossa mídia – um monolito que é apenas triscado pelas exceções na imprensa, como o próprio artigo de Nogueira Batista e a blogosfera independente – que trabalha exclusivamente sob a ótica do capital e, mais, sob a visão de que a prosperidade brasileira é a prosperidade colonial, que depende de sermos agradáveis, disponíveis e dóceis às metrópoles – e a metrópole é o capital, nem mesmo as economias centrais, que agem diferente do que suas lições nos apregoam.

E o terceiro é o fato – bom e ruim, ao mesmo tempo – de sermos um país tão vasto, tão rico e tão capaz que, mesmo sangrado impiedosamente, é capaz não apenas de sobreviver como de, mesmo com pequenas e pífias defesas, agigantar-se.

Então, o pensamento grupal a que se refere Nogueira Batista é mesmo, como ele próprio diz, o pensamento – e a defesa dos interesses – da “turma da bufunfa” e dos satélites tecnocráticos e midiáticos que gravitam em torno dela. E é difícil fugir do poder de atração deste “buraco negro” da inteligência econômica, que a tudo devora, como um vórtice.

As razões do lobo se autoconstróem e, se deixarmos nossos pensamentos e atos seguirem por sua lógica, seremos sempre a presa a ser devorada.

Não tenho muita esperança de que se forme, espontaneamente, uma corrente majoritária de pensamento econômico fora desta “ordem mundial”, que tem duas regras diferentes para os dois personagens da fábula.

A nossa sorte é que, de um lado, passamos a ter governos que, mesmo sem romperem com ela abruptamente, deixaram de balir como cordeiros e, já agora, procuram dizer que ela faliu em seus próprios pressupostos, pois o lobo mal dá conta de se manter de pé.

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kalango Bakunin

01 de maio de 2011 às 14h05

o prefeita eleito pelo cerra acabou de fazer o que o bdsuvaco pregou: pro povão nada!!!

proibiu de que conjuntos de habitações populares tenham espaço para garagens…

diz essa pessoa malemolente que é para que os pobres usem bicicletas

quantas ciclovias essa pessoa delicada construiu?

a demotukanagem não toma jeito mesmo

repetem a maria Antonieta que disse “Se os pobres não tem pão, por que não comem brioches?”

os demotukanos agora dizem:

SE NÃO TEM TRANSPORTE PÚBLICO DECENTE, POR QUE OS POBRES NÃO ANDAM DE BICICLETA?

Responder

    Carmem Leporace

    01 de maio de 2011 às 14h22

    Vão tomar mais uma surra.

    Antonia Vic

    01 de maio de 2011 às 16h24

    Sim, você e a seu turma PSdoMal, ou seja psdb (minúscula mesmo, porque você são assim) mais os demoníacos.

GilTeixeira

01 de maio de 2011 às 14h04

Com mestre Emir ninguém paga a aula.

Fora de pauta: alguém sabe o que aconteceu com o blog Mariafro? Desde ontem a noite não consigo acesso.

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