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Emílio Lopez: Buscando entender as raízes do ódio contra os pobres


21/11/2010 - 14h16

por Emílio Carlos Rodriguez Lopez*

A Frei Caneca, brasileiro e americano que lutou contra os privilégios da nobreza brasileira.

Este artigo não se destina a atacar a classe média paulista ou carioca. Ao contrário. O objetivo é entender os motivos de setores da elite e da classe média terem votado contra o PT e concordarem com uma campanha de claros contornos de extrema direita, que se aproximou perigosamente de setores religiosos, como a Opus Dei e TFP, claramente influenciados pelo fascismo.

Creio que dois fatores podem ajudar a entender melhor o que Chico Buarque, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, chamou de o crescente ódio das elites e das classes médias contra os pobres.

O primeiro fator leva em consideração a formação do estado nacional brasileiro, quando se refaz o conceito de nobreza (diferente do sentido e das práticas sociais do antigo regime português) e que se articula com o que Modesto Florenzano, ao analisar a Revolução Francesa, chamou de nobreza do capital. Em suma, um grupo dirigente que se via como nobre,  detentor de privilégios que os plebeus não poderiam almejar. Chamarei isto de se “sentir nobre”, portanto apartado do mundo dos pobres.

Nesse processo de formação história ainda presente em nosso cotidiano,  todos os que acham que têm um pouco de poder querem ser chamados de “doutor”.  Basta lembrar da frase dos jovens pobres agredidos na Avenida Paulista por membros da classe média em 14 de novembro de 2010, que afirmou indignado com a libertação rápida dos seus  agressores:

Se fosse eu que tivesse batido em um grupo de “filhinhos de papai” estaria preso até agora. Mas eles têm dinheiro para pagar advogado. O dinheiro que eu tenho é para ajudar a minha mãe.

Mas valeria perguntar, pela ótica desta classe média, o que fazem os pobres na Avenida Paulista? Como ousam invadir esse território sagrado da classe média paulista?

Exatamente este é o ponto: a classe média percebe que a ascensão dos pobres ameaça o que ela via como espaços exclusivos para “a nobreza”. O mesmo se dá nos aeroportos e muitos outros locais. A ascensão dos pobres no governo Lula é vista por estes setores como uma nova invasão de bárbaros contra o Império Romano. Deste modo, a elite e a classe média  sentem cada vez mais ameaçadas a sua identidade  como “nobreza”, além dos seus privilégios. Devemos lembrar, por exemplo, que daqui a 20 anos os pobres que ingressaram na Universidade pelo PROUNI e ENEM irão concorrer em condições mais igualitárias com os filhos da classe média e da elite.

O segundo ponto leva em consideração que a elite e classe média atual são marcadas por concepções neoliberais e de valorização do modo de vida (norte) americano. Espalhou-se que o individualismo, o consumismo e a mercantilização desenfreados são os novos valores que devem reger a sociedade. Muitos brasileiros se recusam a ver que esse modelo fracassou. A crise ecológica não permite mais ele se perpetuar, visto que os recursos naturais são finitos. E as bolhas econômicas destruíram a economia norte americana.

O modelo neoliberal aumentou as distâncias entre ricos e pobres. Além disso, pretendia a exclusão de milhares de pessoas e se baseava na separação física entre as classes sociais, demarcando territórios. Um bom exemplo são os condomínios fechados em São Paulo.

Neste contexto, as práticas sociais da elite e da classe média tenderam a uma radicalização, pois cada vez mais percebem que os seus “privilégios” e “lugares sagrados” são atacados e invadidos por outros grupos sociais.

Ainda chamo a atenção que muitos setores da classe média preferem um Brasil com Z. Por exemplo, adoram comemorar o Hallowen e não o dia do Saci. Identificam-se como norte- americanos e babam pelos valores difundidos pela industria cultural deste país.

Ironicamente, a crise econômica e a recessão impulsionaram os Estados Unidos e a Europa para a direita do espectro político e favoreceram o crescimento de movimentos xenófobos e de extrema direita. Já no Brasil o governo Lula vence a crise e o Brasil vive tempos de prosperidade econômica. Nunca a classe média e as elites ganharam tanto dinheiro, consumiram e viajaram tanto. Daí a pergunta, por que esta ingratidão com o PT e Lula, visto que preferiram um projeto de país marcado pela exclusão social?

Lembro ainda que o voto espelha uma identidade cultural e uma visão de mundo, pois, 70% dos bairros da elite e da classe média paulista ao votarem em Serra, reafirmaram convicções e valores que devem reger a sociedade. Como se vê há um grupo que defende um Brasil para poucos privilegiados, que se sentem nobres e se recusam a tolerar os pobres.

Por último, gostaria de lembrar a todos que depois de 300 anos de guerras religiosas e da Revolução Francesa não me parece cabível querer atacar um traço fundamental do Estado contemporâneo que está baseado na tolerância e no respeito à diferença de pensamentos e de modos de ser.

O Brasil necessita a radicalização da democracia e não do preconceito. A verdadeira radicalização democrática é ampliar os recursos, inclusive de mídia, para os trabalhadores e os mais pobres poderem democraticamente desfrutar das mesmas condições que a elite tem  para divulgar os seus pensamentos e sua visão de mundo.

* Emílio Carlos Rodriguez Lopez é mestre em História pela USP



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43 comentários

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Roberto

23 de novembro de 2010 às 19h04

Sou gaúcho e sinto muito que meu estado se afinou com SP nessas eleições acreditando na estrategia do PSDB contra o PT. Lixos principalmente da Soninha que cordenou a campanha pela internet foi jogado sobre as pessoas desemformadas. O governador do RGS ganhou no 1 turno e é do PT. Pelo menos a elite de lá parece dividida o PT ta sempre na prefeitura e no estado. Meus filhos são paulistas mas concordo que o foco da elite do PSDB usaram SP como o maior colégio eleitora mas se ferraram em MG.

Responder

    Liz

    24 de novembro de 2010 às 12h57

    Concordo com você, uma das coisas mais sérias que aconteceram na campanha foi o ódio extravasado pela internet, sob a coordenação da tal Soninha ( não tem sobrenome a moça?). Uma campanha imunda e irresponsável, que abriu a porteira para que a internet seja usada para uma livre expressão de preconceitos e grosserias, como vemos agora acontecer, em escala alarmante.

José A. de Souza Jr.

23 de novembro de 2010 às 10h28

É muito difícil começar a discutir racionalmente algo que tem por base a irracionalidade e a ignorância arraigadas. Melhor é iniciar tal abordagem através da sensibilidade artística:
http://www.culturabrasil.pro.br/classemedia_max.htm

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Jura

22 de novembro de 2010 às 23h36

Parque da Água Branca: como o dinheiro dos pobres foi parar no quintal dos ricos

Após a derrubada de árvores sadias e protegidas como patrimônio histórico e ambiental, a ameça aos mananciais contidos no parque e os maus tratos aos pavões, patos e pássaros abrigados no Parque, a mais nova surpresa promovida pelo governo do Estado no Parque da Água Branca é a demolição parcial do pergolado – estrutura de suporte a uma cobertura vegetal florida, contendo bancos de descanso à sombra em seu interior.

O pergolado deixará de ser um espaço belo, florido e sombreado aberto a todos para se transformar num auditório fechado, de gosto e qualidade duvidosos, aberto só quando, e para quem, o governo estadual quiser.

É evidente a intenção de elitização, tanto da aparência quanto da frequência do parque. Eliminação da vegetação cerrada por motivos de segurança, fechamento do pergolado, transformação do tattersal em auditório chique, colocação de "ombrellones" italianos na área de leitura, cujo cardápio de leitura privilegia as grandes editoras que apóiam o governo.

Ao contrário da Sala São Paulo – que transformou uma antiga estação ferroviária numa sala de concertos preservando sua arquitetura – onde a acústica foi considerada pelo arquiteto Nelson Dupré, autor do projeto, como a "esposa mandona" que não podia ser contrariada, o novo auditório previsto para ocupar o pergolado ser´precário em conforto acústico tanto do lado de fora quanto dentro. Próximo da rua, será invadido pelo barulho dos ônibus, e quem procura o parque para "ouvir o silêncio" será obrigado a ouvir o barulho que for produzido pelo auditório.

O Movimento SOS Parque da Água Branca – que congrega entidades ambientalistas e de defesa do patrimônio histórico – acionou o Ministério Público estadual para tentar impedir essas obras, por considerá-las ilegais até mesmo com a aprovação do Condephaat – conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado. Além dele, o parque é igualemtne tombado pelo órgão municipal de proteção ao patrimônio histórico – o Compresp – que também foi acionado.

Além de agredir os patrimônios ambiental e histórico da cidade e do estado de São Paulo, a reforma do Parque esbarra também em questões de gestão pública. As obras estão sendo conduzidas em conjunto pelo Fundo Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural pela Secretaria de Estado da Agricultura. O Fundo de Solidariedade deveria se dedicar à assistência social às camadas mais necessitadas da população. Sua atividade mais famoso é a promoção da Campanha do Agasalho, que todos os anos recolhe doações de roupas durante o inverno. A função da Secretaria da Agricultura é promover a pesquisa, a produção, a distribuição e comercialização de alimentos. Nenhuma das duas missões é compatível com a construção de auditórios de luxo – ainda que precários – promoção de audições e concertos em áreas nobres e, principalmente, com o desrespeito ao meio ambiente e à história da cidade e do estado.

Responder

Gabi

22 de novembro de 2010 às 20h53

Texto confuso, mal concatenado, mistura muitos conceitos, raciocina por generalizações e superficialidades e não aborda alguns pontos centrais do problema como a questão da sociedade como estrutura hierarquizada e luta por posições superiores, a questão do ponto de vista ideologico de classe (ou de grupo, se preferirem), a conservação de uma estrutura economica e politica aristocratica em todo o territorio, e a ilusão da meritocracia e da distinção social. Todo raciocinio que opõe bons e maus, ricos e pobres, opressores e oprimidos, justos e criminosos, em suma que apresenta o mundo sob uma otica maniqueista, tem o incoveniente de não enxergar que tudo se insere numa estrutura, da qual todos participam, dominantes e dominados. Com o Lula, os desfavorecidos ganharam mais oportunidades dentro da estrutura, mas a estrutura ainda não foi abalada. Também pudera, é algo que leva tempo, por vezes nem mesmo uma revolução resolve as coisas. A titulo de exemplo, lembremos que os valores do individualismo consumismo e mercantilização não são exclusividade da clase dominante, e que reações de intolerância ao diferente são uma atitude generalizada na sociedade brasileira qualquer que seja o segmento.

Mas o texto tem a virtude de trazer a discussão à baila.

Responder

    Wildner Arcanjo

    23 de novembro de 2010 às 19h52

    Não sei se é assim tão confuso. Fiquei com a seguinte opinião do texto, que pode ser expressada por uma frase bem simples: "Quem tem o osso, não o quer largar, de forma alguma."

    Simples assim…

    Júlio R.

    30 de novembro de 2010 às 08h20

    Gabi, parabéns!!

    O seu foi o texto mais sensato dessa página.

Gabi

22 de novembro de 2010 às 20h52

Texto confuso, mal concatenado, mistura muitos conceitos, raciocina por generalizações e superficialidades e não aborda alguns pontos centrais do problema como a questão da sociedade como estrutura hierarquizada e luta por posições superiores, a questão do ponto de vista ideologico de classe (ou de grupo, se preferirem), a conservação de uma estrutura economica e politica aristocratica em todo o territorio, e a ilusão da meritocracia e da distinção social. Todo raciocinio que opõe bons e maus, ricos e pobres, opressores e oprimidos, justos e criminosos, em suma que apresenta o mundo sob uma otica maniqueista, tem o incoveniente de não enxergar que tudo se insere numa estrutura, da qual todos participam, dominantes e dominados. Com o Lula, os desfavorecidos ganharam mais oportunidades dentro da estrutura, mas a estrutura ainda não foi abalada. Também pudera, é algo que leva tempo, por vezes nem mesmo uma revolução resolve as coisas. A titulo de exemplo, lembremos que os valores do individualismo consumismo e mercantilização não são exclusividade da clase dominante, e que reações de intolerância ao diferente são uma atitude generalizada na sociedade brasileira qualquer que seja o segmento.

Mas o texto tem a virtude de trazer o tema à baila.

Responder

Luisa

22 de novembro de 2010 às 19h01

Nossa, parabéns pelo artigo, viu? Excelente!

Responder

J,C,CAMARGO

22 de novembro de 2010 às 16h48

EMÍLIO: agora virou moda atacar as ELITES DE SÃO PAULO (principalmente) e Rio de Janeiro! Agóra, as perversas E-
lites do NE (principalmente) e NO ninguém quer criticar! E com isso vai se perpetuando a exploração nessas regiões!
Aliás, para quem não sabe, a mais perversa e nociva Elite que existe na América Latina, é a ELITE NORDESTINA, onde /
a exploração humana é revoltante! Os homens, explorados no trabalho, enquanto as mulheres são Bom-Bril ( tem 1001
utilidades)! Enquanto isso, contrata-se um bando de pistoleiros da imprensa para desviar o foco, atacando principalmen-
te a Sociedade Paulista, em geral, e a Paulistana, em particular! AH! Êsses paulistas exploradores, que só sabem tirar a
pele dos pobres, principalmente nordestinos!

Responder

    daniel

    22 de novembro de 2010 às 20h27

    Não há referência nenhuma no texto sobre nordestinos, apenas pobres. Todo os pobres são nordestinos? O texto também não critica especificamente apenas as elites de SP e RJ, ele trata das elites de todo o país, apenas usou um exemplo recente de SP.

    @matinta_perera

    22 de novembro de 2010 às 23h30

    Classe média é basicamente a mesma coisa em todo lugar. ao menos no Brasil, ou mesmo América Latina. Mas fala-se da elite paulista, por causa da discrepancia exposta nas eleições. Porque São Paulo há muito é o estado privilegiado em detrimento dos demais por sucessivos governos federais. E eu,como paulista, branca , descendente e filha de italianos, roceiros e proletários, que vivo, trabalho no meio dessa classe média, mal informada, que acredita piamente em emails boateiros e ao mesmo tempo se considera, que esclarecida, que cresci ouvindo coisas do tipo "precisa matar todos os pobres" ou o problema de SP são os nordestinos, baiano isso e aquilo, ou ridicularizando o sotaque nordestino e elogiando o do gaucho, enfim, esperei muito tempo para escutar essas merecidas criticas a nós

Maria Helena Correa

22 de novembro de 2010 às 14h34

Estou com o Leonardo Camara. Mais ensino de História do Brasil. Professores preparados para transmitir a verdadeira história. Vamos tentar formar uma geração mais cidadã. Valores que os pais descuidam de transmitir em casa. Prá ontem!

Responder

fatinha

22 de novembro de 2010 às 13h41

muuuito bom, emílio!!
claro, objetivo. várias reflexões e conexões interessantíssimas.

Responder

Jair de Souza

22 de novembro de 2010 às 13h14

O teor deste artigo me remete a um debate fraterno qe tivemos por aqui há poucos dias com nosso amigo Fábio Passos. Também penso que o ódio de boa parte das camadas médias contra o governo Lula não advém de questões econômicas. Elas melhoraram bem sua situação material durante este governo. Esta questão é muito mais cultural e política e, em vista disto, muito mais difícil de solucionar. A mera ampliação do sistema educacional não seria capaz de resolvê-la. Os professores, via de regra, são representantes típicos destas camadas médias. Entre o professorado também está muito presente este preconceito anti-pobre. É o que eles tendem a transmitir a seus alunos. O trabalho de conscientização das camadas médias é dos mais difíceis, haja vista que em quase nenhum lugar e momento da história ele teve bons resultados. O que não significa que devemos abandonar as tentativas, pelo contrário. Só que vamos precisar de mentes criativas que descubram as maneiras eficazes.

Responder

Gustavo Miranda

22 de novembro de 2010 às 13h01

Enquanto nosso país continuar destruindo a educação através da péssima qualificação, péssima ou inexistente supervisão do ensino, faculdades e cursos cada vez mais caros e nenhuma educação moral e cívica, vamos continuar a abastecer o mundo de pessoas carentes de humanidade e cada vez maior será distância entre o pobre e o rico.

É triste saber que quando se fala em melhorar o desenvovimento social e intelectual do povo, logo se pensa equivocadamente em comunismo ou socialismo. Isso mata no ninho qualquer iniciativa externa ou interna de se mudar o país. Ao invés de evoluirmos nesse quesito, estamos retrocedendo a passos largos… lamentável. Enquanto ficamos latindo denúncias de exploração da China para com seu povo, eles estão subindo, estão se desenvolvendo, de bico fechado, estão hoje capazes de peitar países ricos, e nós, com nosso discurso, estamos aí, pastando…

Responder

Marcia Costa

22 de novembro de 2010 às 11h31

O artigo desvela a infeliz frase do Prates: "esses miséráveis que nunca leram um livro, agora compram carros". Essa eleição vai ser tese de muitos mestrados e doutorados…

Responder

Donizeti

22 de novembro de 2010 às 11h14

Excelente artigo, pega os pontos fudamentais que embasam o preconceito entranhado na classe média e alta brasileira.

O problema maior é que os movimentos ideológicos e modelos políticos/economicos chegam sempre atrasados no
Brasil. Nossas elites dominantes sempre vão a reboque do que acontece na Europa e Estados Unidos.

Exemplo clássico é o neoliberalismo, que quando foi introduzido no Brasil, a partir de 1995 pelo Governo FHC/PSDB, já declinava nas suas pátrias de origem, EUA de Reagan e Inglaterra de Thatcher.

E por incrível que possa parecer, após a crise mundial de 2008, os postulados neoliberais foram sepultados no mundo inteiro e responsabilizados pela hecatombe economica mundial, que colocou de joelhos o gigante ianque e grande parte da Europa, mas no Brasil ainda é defendido com unhas e dentes pelo PSDB e pela mídia conservadora (!), espelhos e caixa de ressonância do pensamento e valores da classe média e elites brasileiras.

Responder

    Elton

    22 de novembro de 2010 às 12h40

    Na verdade a aplicação do neoliberalismo ocorreu nos anos 1990 não apenas no Brasil mas sim em quase TODA a América do Sul de modo simultâneo, e isso é fruto dos "acordos" que estes países fizeram com o grande capital internacional (credores) após a crise da dívida externa dos anos 1980 – 1990.

    Jair de Souza

    22 de novembro de 2010 às 13h53

    Embora eu me simpatize com sua visão contrária ao neoliberalismo, tenho de discordar com sua afirmação de que o mesmo tenha chegado por aqui depois de já ter entrado em declínio nos países do norte. Isto não é certo. O neoliberalismo continua causando grandes estragos aos povos da Europa neste exato momento. Os EUA só deixaram de agir dentro dos parâmetros do neoliberalismo agora, com a crise do sistema financeiro (a socialização do prejuízo causado pela estafa bancária). O rompimento com o neoliberalismo é pionerismo da América Latina. Foi com Hugo Chávez que o processo começou a se reverter. Depois vieram os outros, dentre os quais o Brasil.

Elton

22 de novembro de 2010 às 11h13

É o tal do negócio………trabalho em escolas particulares há 28 anos e em pleno século XXI ainda ouço de MUITOS jovens de classe média (ou PRETENSAMENTE média!!!) que "pobre é pobre porque só faz filho…." ou "pobre é pobre porque não trabalha…". Nossa meninada aprende isso EM CASA e é extremamente difícil demolir esse muro cultural, nós como professores progressistas ainda podemos é ser abordados por pais de alunos ou até mesmo pela direção da escola sobre o porquê de "sermos comunistas" e tentarmos ensinar "ideologias ultrapassadas" a seus filhos.
Não é fácil!!!
É trabalho para GERAÇÕES.

Responder

    Eneida Melo

    22 de novembro de 2010 às 17h22

    Eu diria o contrário, pobre tem muito filho porque é pobre. Se não lhes morressem tantos filhos, não ficariam com receio de ficar sem ter quem os ampare na velhice.

    É a alta mortalidade (principalmente a infantil) entre os pobres e a falta de amparo governamental adequado na velhice que faz com que os pobres tenham muitos filhos, e não o contrário.

Flavio Lima

22 de novembro de 2010 às 11h11

Artigo lucido.__Se tem um pessoal totalmente despolitizado pelo preconceito social, racial e cujo vies escravagista é um aleijão, é essa classe media anti-petista que temos no Brasil (e alias, no mundo, anti-progressista). Não adianta termos argumentos. É como a estoria do lobo e do cordeiro: se voce é petista, é radical e não enxerga o fato de o PT ser ruim. Se declara voto na Dilma, é a favor do "sistema arcaico e falido". Qual sistem arcaico e falido? O sovietico? Quem defende o sistema sovietico? Nós petistas é que não, nem quando estava de pé. Ou é o sistema chines? Tambem não defendemos, mas ta longe de ser falido.__Enfim, velhos fantasmas e preconceitos que se arraigaram nessas pobres almas, e as levaram a perdição da cegueira, do preconceito e da vontade de continuar se sentindo superiores por ter gente com pior condição socio-economica ao lado. É como se a felicidade dessa gente estivesse na comparação com os semelhantes sempre, e ver uma multidão de pessoas (que elas não enxergam como semelhantes) em situação social pior que a delas lhes desse algum alivio ao vazio doloroso dos seus corações.

Responder

Augusto Vilela

22 de novembro de 2010 às 10h54

Parabéns pelo artigo. Estou de acordo.

Responder

João Carlos

22 de novembro de 2010 às 10h40

Parabéns, Emílio, por texto tão preciso. Realmente, é uma grande incoerência esta ingratidão das classes média e alta com o governo do PT expressa pelo voto no opositor se olharmos sob o ponto de vista da prosperidade econômica destas classes neste governo. Assim, a justificativa deve-se, como você falou, ao ódio aos pobres, ao sentimento de superioridade, sentimentos inferiores e, curiosamente, combatidos pelo próprio cristianismo destas mesmas classes! Este sentimento poderá ser atenuado se houver a compreensão de que os pobres com melhores condições de saúde e educação tornarão o mundo menos violento para a própria "elite" que teme que ocupem seu espaço…

Responder

Mc_SimplesAssim

22 de novembro de 2010 às 10h03

Olá, Azenha e demais amigos leitores e comentaristas.

Em primeiro lugar é importante ressaltar que a burguesia também votou no PT e não apenas votou mas patrocinou tanto um quanto outro candidato.

Precisamos acabar logo com esse patrulhamento que consiste em taxar de pequeno-burguês e anti-povo quem ousa criticar o PT e suas estratégias eleitorais.

Pois bem.

O projeto petista promete levar o povão para a classe média, endividada e sem projeto de vida que não seja consumir.

Promete acabar com a pobreza endividando o povo e incutindo-lhes a idéia de que vida boa é ter acesso a uma vida fútil.

Ótimo, mas acontece que para entrar no "maravilhoso" mundo da classe média é preciso pedir licença.

Não é tão simples assim ascender à elite decadente, ou gente rica, como se diz.

A elite que faz beicinho não aceita em seu meio, a não ser para serviços braçais, pobres com má aparência, sujos, escuros, fedidos e que provavelmente transmitem doenças.

Aliás, a esse propósito está sendo divulgado no youtube um vídeo onde um ignorante televisivo qualquer se indigna com o fato de que hoje em dia qualquer miserável que nunca leu um livro está podendo comprar um carro.

Nada contra os pobres terem carro e cartão de crédito, mas acho que seria mais útil para qualquer um ter acesso a um transporte público de qualidade e suas necessidades básicas atendidas, antes de endividar-se para comprar uma TV de plasma ou uma máquina de lavar louças financiadas pelas Casas Bahia ou Baú da Felicidade.

O que pretendemos é formar cidadãos ou meros consumidores?

Este tema é preciso ser debatido ao lado da dificuldade de aceitação dos ex-pobres no mundo maravilhoso da classe média brasileira.

Abraços

Responder

    Lukas

    22 de novembro de 2010 às 14h11

    Mc_SimplesAssim,

    Eu compreendo que endividar-se não é das coisas mais saborosas do mundo, mas o problema é que as pessoas não tem dinheiro para realizar seus sonhos de consumo pagando a vista.

    Eu não acho que seja futilidade querer ter um carro, querer ter uma máquina de lavar, querer ter uma televisão de plasma. São objetos que estão aí para ajudar e dar conforto às pessoas. Pense na situação de uma família pobre cujo filho de cinco anos tenha uma crise de bronquite às 3 horas da manhã e não possa levá-lo ao pronto-socorro porque não tem carro e o transporte público ainda não recomeçou. Pense numa outra família cujos parentes moram no interior e não podem ir visitá-los porque a viagem de ônibus é demasiadamente longa e não alcança o rincão específico em que desejam chegar. Ou ainda na mãe-de-família que trabalha fora para contribuir com o sustento de sua família e ao chegar em casa ainda tem que lavar a louça. Com certeza essa mulher não acha que ter uma máquina de lavar louças é uma futilidade.

    É preciso parar com esse preconceito de achar que televisão, computador, carro e lazer são coisas fúteis e que não contribuem com a felicidade das famílias. Futilidade é o que eu vejo todos os dias em Alphaville quando madames trazem seus cães para "escolinha de cães", ou quando vão às compras para se distrairem, ou frequentam lojas de grifes caríssimas chegando a pagar mais de 5000 reais por uma bolsa de couro animal.

    É evidente que paralelamente a isso, transporte, educação e saúde públicas tem que evoluir. Mas o governo não está fazendo isso também? As obras de infra-estrutura estão caminhando e para serem financiadas pelo governo requerem dinheiro. Esse dinheiro só pode ser conseguido por meio do estímulo à economia.

Ceiça Araújo

22 de novembro de 2010 às 09h19

Os muros (in)visíveis do preconceito no Brasil e as eleições de 2010. Esse foi o tema desenvolvido pelos meus alunos vestibulandos, no último simulado, quinta-feria passada. Por sinal, estou corrigindo suas redações nesta manhã de segunda-feira.
Vou imprimir esse texto do senhor Emílio Lopez e entregar a cada um dos alunos. Muito bem explicadas as raízes do preconceito em nosso país. Se meus alunos o tivessem lido antes do simulado, estariam bem munidos de ideias para construir seus argumentos.
Parabéns, professor. Precisamos de mentes pensantes das quais o discernimento não se afaste.

Responder

sonia amorim

22 de novembro de 2010 às 08h13

Parabéns pelo artigo, Professor Emílio. Precisamos, mesmo, divulgar esclarecimentos, promover o entendimento destas questões mais profundas que explicam o ódio e o preconceito contra os menos favorecidos economicamente. Dilma dá sinais de que seu governo avançará neste aspecto apontado pelo senhor: ampliação dos recursos de mídia para que os mais pobres possam divulgar suas idéias e visões de mundo. Ou seja: banda larga para todos. Inclusão digital. E regulação da mídia tradicional, que fomenta o preconceito e a intolerância, como vimos na guerra suja da recente campanha eleitoral.
http://www.abraabocacidadao.blogspot.com

Responder

Bertold

22 de novembro de 2010 às 02h00

A questão é bem mais complexa do que supomos teoricamente. A maior parte da classe média brasileira é letrada (não ilustrada, entendo, pois isso requer muito mais que o reles "canudo de papel"), logo isso nos coloca a questão do conteúdo que nossas universidades ensinam, como ensinam e quem ensina, sejam públicas ou privadas. Não defendo a excentricidade comportamental de nehum mestre ou educador, nem mesmo o distanciamento de valores fluidos na cultura geral da sociedade, mas vamos ser sinceros: há uma fossa marítima do pacífico entre a pratica e os discurso de educadores em relação a valores humanos universais, não importa o grau. O mesmo professor que na sala de aula fala do fetiche e da coisificação do indivíduo e coisa e tal, ao mesmo tempo que o aluno lá no fundo da sala vê ele ostentando os objetos do desejo mitificados pela industria cultural. Gerações e gerações passando pelo mesmo processo de formação dos seus valores sociais resulta numa parte maior alienada da sua própria condição.

Responder

Wildner Arcanjo

22 de novembro de 2010 às 01h20

O problema é que a classe média, alguns políticos e ricos do Brazil, esqueceram que, pela nossa legislação eleitoral, um voto de rico tem o mesmo valor de um voto de pobre. E os pobres ainda são maioria neste país!

Como a retórica é igual, se pensarmos de forma oposta: quem também conquistou espaços que até então não tinha, não ia querer vê-lo se perder, nos próximos quatro anos. Como os pobres, ou aqueles que eram pobres, e agora não são tão pobres, são imensa maioria, deu no que deu.

A classe média brasileira precisa repensar os seus conceitos, senão, somente o caminho da intolerância é o que resta a eles. O caminho da truculência, o único que resta aos seres orgânicos desprovidos de senso crítico .

E nós, que podemos ser até pobres, mas nunca anti-democráticos(ou será que a democracia não é o governo pelo povo e para o povo?), não devemos aceitar estes comportamentos, sob pena de ver tudo aquilo que conquistamos nos ser tomados à força.

(ps. Para mim, ser pobre, como muitos ricos e pseudo ricos preconizam, não é só um estado social. Engloba muitos outros fatores que só se encontra na pobreza e talvéz, a solidariedade seja um dos seus mais marcantes. Nos termos que alguns ricos e pseudo-ricos preconizam, enfim, ser pobre para mim é uma opção social da qual não me arrependo de ter nascido e tenho imenso orgulho!)

Responder

V

21 de novembro de 2010 às 23h56

Sou discriminado pq pago minha empregada um pouco mais justo. Limpar minha bagunça por R$25,00 a manhã, era muito pouco, tinha vergonha de pagar. Inflacionei o mercado.

E tem mais, tenho vergonha de todas as vezes que pechinchei para comprar aquelas redes (maravilhosas) que os ambulantes vendem nas ruas. Dá um trabalho, dura uma vida e custa barato.

Responder

Francisco

21 de novembro de 2010 às 22h25

Você foi no alvo : "Nunca a classe média e as elites ganharam tanto dinheiro…." .
Fica claro,claríssimo,que não há razão econômica para esse veto(fui suave!) ao projeto liderado pelo Lula.
É medo de que os de baixo fiquem iguais.Isso os apavora!

Responder

easonnascimento

21 de novembro de 2010 às 22h22

A grande explicação deste ódio latente em integrantes da classe média contra os menos favorecidos é exatamente como disse neste artigo o Emílio Lopez, é a chegada das classes abaixo, ao consumo e aos espaços antes específicos. Acabou a "reserva de mercado" e isso não agradou a muitos. Lembro-me do Jabor e de sua não disfarçada objeção ao fato dos aeroportos estarem cheios de "ex pobres". isso desagrada a muita gente. Nas ruas se repete o mesmo. Muitos adquiriram um bem, o automóvel, que era objeto de uso tão unica e exclusivamente das classes mais abastadas e aí a competição por espaço. Nesse sentido esta classe votou no Serra. Felizmente perdeu.
http://easonfn.wordpress.com

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Wendel

21 de novembro de 2010 às 20h40

Parabéns Emilio, com seu artigo, vc colocou o dedo na ferida!
É a classe "merdia", que se ufana de possuir alguns trocados a mais, e acha que pode se considerar donos exclusivos do País! Graças a eus, este estado está mudando, e acrdito que dentro de mais 10 ou 15 anos, já teremos conseguido uma nova visão de País, com eles ou sem eles! Que a Dilma continue com a inclusão tanto digital quanto educacional em níveis superiores, e aí teremos uma verdadeira mudança de mentalidades! Tomara que os que lá chegarem, não se deixem contaminar por este "peste" chamada preconceito. É o que espero sinceramente, mas só o tempo dirá!

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Luci

21 de novembro de 2010 às 18h39

O preconceito racial e social o machismo, a xeofobia vão dividindo a sociedade brasileira tão intensamente alicerçada por políticas e planejamento equivocados de líderes políticos, que está ocorrendo um fenômeno perigoso que enfraquece a Nação. Ser agredido com lâmpada fluorescente no rosto ver os agressores soltos pelo Judiciário, ver o crescimento do racismo impunemente é temeroso. Irmãos desunidos os de fora os devoram.

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Leonardo Câmara

21 de novembro de 2010 às 18h13

Resumindo: vastos setores a classe média votam com o umbigo e não com a cabeça, muito menos com o coração (se é que o tem…).

A única forma de fazer frente a este pensamento retrógrado, que muitas vezes vem de dentro de casa, é apostar em professores bem remunerados e bem qualificados. Só eles são capazes de desmontar esta bomba relógio.

Há jovens que só admitem absorver valores distintos dos da família se vier por intermédio dos professores.

É preciso atacar o problema de frente, sem peias, sem amarras, sem hipocrisia. Serra foi bem aonde o integralismo não foi plenamente derrotado.

É imperativo derrotar o que sobrou dos fascistas no Brasil!

É preciso ensinar aos jovens o que significa a TFP, a Opus Dei, o movimento de Plínio Salgado e quais foram os movimentos anti-democráticos por eles executados. Também se mostra necessário apresentar seu papel cotidiano e seu legado hediondo.

Isso só com educação de qualidade.

Exame nacional de proficiência em História da República, já!

E como condição obrigatória para admissão ao ensino médio.

Vamos fazer com que nosso historiadores, geógrafos, filósofos e sociólogos ensinem cidadania aos jovens.

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    Marcio H Silva

    22 de novembro de 2010 às 02h03

    Quem, também, tem que passar estes valores, que herdamos de nossos pais, somos nós, a FAMÍLIA. O Professor é complemento da educação, não devemos delegar toda a educação de nossos filhos aos professores. tenho tres filhos e desde novinhos, venho ensinando estes valores morais, ética, respeito, honestidade, retidão para eles. Hoje mais crescidos vejo neles homens com boa formação moral e intelectual. São liberais, não agressivos e felizes. Nunca tive problemas GRAVES com eles, a não ser os problemas de quaisquer garoto ( briga de rua, no futebol , na escola ) que não são de conotação racista ou homofobica. Educação vem de berço, intolerância também.

Angela Mara

21 de novembro de 2010 às 16h54

Pois não precimos mais do que o exemplo do que aconteceu com Geyse Arruda na UNICAMP.

Esse episódio fala por si e por todos os outros.

Geyse, uma moça pobre da favela de Diadema e filha de nordestino ( que horror!!! ) ousando frequentar uma faculdade de filhinhos de papai.

Não deu outra, fizeram com ela o que eles têm vontade de fazer com todos que OUSAM INVADIR o espaço antes ocupados somente pelos previlegiados. Criaram um motivo para expulsá-la do lugar que ela não MERECIA ocupar.

Bom, esse episódio é o retrato fiel do que está acontecendo no Brasil desde que Lula chegou a presidência.

E assim vão queimando as "Joanas" e apedrejando as "Genis" e queimando mendigos nas ruas, até que algo seja feito e esses burguesinhos apodreçam nas cadeias.

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    Conceição Lemes

    21 de novembro de 2010 às 17h11

    Angela, foi na Uniban. abs

    Angela Mara

    21 de novembro de 2010 às 17h49

    Ok, desculpe, me confundi.

    Hehehe.

    Esqueci de falar do "rodeio das gordas", ah, tem tantas coisas negativas acontecendo com a juventude que fico desanimada. Principalmente em São Paulo as coisas estão saindo do controle.

    Jairo_Beraldo

    21 de novembro de 2010 às 21h23

    Em todo lugar, Angela…em qualquer lugar. Que mundo ruim esta juventude está moldando para estar na sua velhice.

    Jairo_Beraldo

    21 de novembro de 2010 às 21h25

    Conceição, porque não saiu nada sobre o ENADE, que foi aplicado hoje para academicos de todas as faculdades e universidades no Brasil?


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