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Comissão Arns repudia exaltação de Mourão a Ustra: ”Ao reverenciar o carrasco, fere o decoro do cargo; tortura é crime inafiançável”
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Comissão Arns repudia exaltação de Mourão a Ustra: ”Ao reverenciar o carrasco, fere o decoro do cargo; tortura é crime inafiançável”


09/10/2020 - 23h58

Nota Pública # 27 – Em repúdio à manifestação de Mourão exaltando Ustra

Comissão Arns

Em nota pública, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns manifesta seu mais veemente repúdio à declaração do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em entrevista para uma rede alemã Deutsche Welle, de que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra foi “um homem de honra, que respeitou os direitos humanos dos seus subordinados”.

As palavras do vice-presidente, que é um reformado geral do Exército, não apenas desonram as Forças Armadas, como agridem a dignidade dos que padeceram nas mãos desse torturador já condenado pela Justiça.

Não é de hoje que autoridades do atual governo exaltam a figura macabra do ex-chefe do DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, de porões emergiram inesquecíveis relatos de terror e sadismo contra cidadãos brasileiros.

Para se ter ideia da barbárie autorizada como política do Estado, entre 1970 e 1974, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, liderada por Dom Paulo Evaristo Arns, patrono da Comissão Arns, reuniu mais de 500 denúncias de tortura no DOI -Codi comandado por Ustra.

Passaram-se mais de 30 anos para que, finalmente em 2008, Ustra fosse reconhecido como autor de sequestro e tortura, em ação declaratória movida pela família Telles, membros puderam sobreviver para testemunhar como crueldades perpetradas por esse militar e seus “subordinados”, nos porões da ditadura.

Hoje e sempre, serão inaceitáveis ​​homenagens a esse violador da Carta Constitucional de 1967/9, do Código Penal Militar de 1969 e das Convenções de Genebra de 1949, como documentado no Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Ao proferir tais elogios, Hamilton Mourão conspurca, de saída, uma honra dos militares brasileiros.

Ao fazê-lo na condição de vice-presidente, constrange a Nação e desrespeita a memória dos que tombaram sob Ustra.

E, ao insistir em reverenciar o carrasco, fere mais uma vez o decoro do cargo em que foi investido sob juramento de conformidade constitucional. 

É ela que nos ensina: “Tortura é crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia”.

São Paulo, 9 de outubro de 2020

Margarida Genevois , presidente de honra da Comissão Arns

José Carlos Dias , presidente da Comissão Arns, ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade

Paulo Sérgio Pinheiro , ex-presidente e membro da Comissão Arns, ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade

Ailton Krenak, líder indígena e ambientalista

André Singer, cientista político e jornalista

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado, ex – presidente da OAB-SP

Belisário dos Santos Jr., advogado, membro da Comissão Internacional de Juristas

Cláudia Costin, professora universitária, ex-ministra da Administração

Dalmo de Abreu Dalari, advogado, professor emérito e ex-diretor da Faculdade de Direito da USP

Fábio Konder Comparato, advogado, doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra, professor titular da Faculdade de Direito da USP

José Gregori, advogado, ex-ministro da Justiça

Laura Greenhalgh, jornalista

Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, ex-ministro da Fazenda, da Administração e da Reforma do Estado

Luiz Felipe de Alencastro, historiador, professor da Escola de Economia da FGV-SP e professor emérito da Sorbonne Université

Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, professora da USP e da Universidade de Chicago, ex-presidente da Ass. Bras. De Antropologia

Maria Hermínia Tavares de Almeida, cientista de política, professora titular da Universidade de São Paulo

Maria Victoria Benevides, socióloga e cientista política, professora titular da Faculdade de Educação da USP

Oscar Vilhena Vieira, jurista, professor da Faculdade de Direito da FGV-SP

Paulo Vannuchi, jornalista, cientista político, ex-ministro de Direitos Humanos

Sueli Carneiro, filósofa, feminista, ativista antirracista e diretora do Geledés



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5 comentários

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Jose Gomes dA sIVA

12 de outubro de 2020 às 15h31

Os militares se tornaram uma das maiores vergonhas do Brasil, junto com o “Pátria queimada, Brasil”, ou seja, o genocida, chege da milícia e “presidente” do Brasil, digo, EUA.

Responder

Schell

10 de outubro de 2020 às 21h38

Quem defende crimes hediondos e os criminosos idem, tão criminosos hediondamente são. Portanto, esse tal mourão-de-banhado é tão ou mais criminoso do que os opacos ustras. Além do que, defender criminosos hediondos, em si, é crime elencado pela legislação. E o MPF, hein, nem nem? Bando é muito pouco: batalhão.

Responder

Zé Maria

10 de outubro de 2020 às 19h22

Excerto:

“Ao proferir tais elogios [Brilhante Ustra],
Hamilton Mourão CONSPURCA, de saída,
a honra dos militares brasileiros.
Ao fazê-lo na condição de vice-presidente,
CONSTRANGE a Nação e DESREIPEITA
a memória dos que tombaram sob Ustra.
E, ao insistir em reverenciar o carrasco,
fere mais uma vez o decoro do cargo
em que foi investido sob juramento
de respeitar a Constituição.

É ela que nos ensina:

“Tortura é crime inafiançável,
insuscetível de graça ou anistia”.

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