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Celso Vicenzi: A greve e a desinformação jornalística


16/08/2012 - 18h46

Operação-padrão de policiais federais no aeroporto de Brasília (Foto Fábio Rodrigues Pozzebom, Agência Brasil)

Mas, alguns jornalistas

por Celso Vicenzi*

A palavra “mas” é uma conjunção coordenada adversativa, utilizada, pelo que se lê nas boas gramáticas, em situações que indicam oposição, sentido contrário. Tem sido empregada, também, com muita insistência, por boa parte dos jornalistas, principalmente os mais conhecidos colunistas e comentaristas de jornais e tevês – nacionais e regionais –, para turvar a realidade. Virou quase um mantra jornalístico.

“A greve é um direito assegurado pela Constituição ao trabalhador brasileiro, mas…” não deveria prejudicar a população que necessita dos serviços da categoria, não deveria impedir o direito de ir e vir da população (muito comum quando ocorre no transporte coletivo); é justa, “mas” os alunos são os maiores prejudicados (e a culpa cai no colo do professor e nunca do prefeito, governador ou presidente). “Mas” a crise na Europa preocupa e não é hora de o governo brasileiro conceder reajuste de salário aos servidores. Esta a desculpa mais recente. Como se conclui, a greve é um direito do trabalhador, “mas” só poderá ser exercida se não ocasionar problema para ninguém, seja o empresário, seja o governo, seja o povo.

Mas a greve é um instrumento de pressão justamente pelos possíveis danos (financeiros) ou transtornos (à população e aos usuários dos serviços em questão) que é capaz de provocar. Infelizmente. Toda a tensão gerada, numa sociedade democrática e cidadã, deveria resultar em poder de pressão sobre os empregadores – privados ou públicos –, para que buscassem, o mais rápido possível, um acordo justo com os grevistas. “Mas”, com a ajuda determinante da mídia nacional, não é assim que ocorre. O ônus recai somente sobre o grevista.

A greve dos professores é justa, “mas” os governos e os municípios não têm como arcar com as despesas. A simples declaração de um presidente da República, de um governador ou de um prefeito é prova cabal dessa impossibilidade. Nenhum repórter se interessa em vasculhar os gastos do poder público, para conferir se existe mesmo essa impossibilidade.

Nenhum repórter parece se escandalizar quando o STJ determina que os servidores da Anvisa e do Ministério da Agricultura devem manter 70% do seu pessoal trabalhando. Mais um pouco e a Justiça brasileira há de determinar que, sim, podem fazer greve, “mas” que continuem trabalhando…

Ninguém discute que a própria lei de greve da iniciativa privada – depois estendida para o serviço público, por falta de uma regulamentação específica – prevê apenas 30% dos trabalhadores atuando em serviços essenciais. Esta ilegalidade flagrante não interessa à mídia discutir. Como também não interessa abordar a inconstitucionalidade de transferir atividades exclusivas do funcionalismo público federal para estados e municípios, como se fosse possível, de uma hora para outra, substituir profissionais com conhecimentos muito específicos sobre atividades em portos, aeroportos e fronteiras, sem pôr em risco a própria segurança da população.

Cabe aos trabalhadores lutar, sempre, para manter os direitos conquistados, entre eles, o poder de compra do salário, sob pena de vê-lo diminuir gradativamente, aumentando na outra ponta o “lucro” do empregador, seja ele governo ou iniciativa privada. No caso dos governos, dinheiro que geralmente é transferido, em boa parte, para a iniciativa privada, sob as mais variadas formas de concessões (empréstimos subsidiados, isenções fiscais etc.). Não precisa ser nenhum gênio em economia ou história para saber qual é o lado mais fraco nessa disputa e o quanto é legítimo lutar para mudar essa correlação de forças. E é exatamente nessa hora crucial que boa parte dos jornalistas, sobretudo colunistas e comentaristas, não têm dúvida em ficar do lado do mais forte.

Basta sacar do bolso um “mas” e não contextualizar informações que seriam fundamentais para saber se determinado pleito pode ou não ser atendido. Geralmente, é um festival de clichês, afirmações não comprovadas, que vão se legitimando e influenciando a opinião pública pela simples repetição. Não importa que o número de servidores públicos federais se mantenha praticamente o mesmo há 20 anos, a mídia sempre vai alertar para o aumento dos gastos públicos, como se não houvesse nenhuma relação entre número de servidores, salários, órgãos bem equipados e a qualidade no atendimento à população.

A forma mais comum de falsear a realidade é trabalhar com números absolutos. No caso recente da greve do serviço público federal, para citar um exemplo, diz o governo que, se fosse atender a tudo o que pedem os servidores, iria onerar o caixa do governo em cerca de R$ 92 bilhões. Números atirados a esmo, sem contextualizações, sempre parecem eloquentes e induzem à conclusão da impossibilidade de estender o benefício aos trabalhadores.

No entanto, esses mesmos jornalistas, colunistas, comentaristas não ousam perguntar para onde vai o dinheiro que o país produz, com o suor de todos os trabalhadores. Por que o governo abriu mão, desde 2008, de R$ 26 bilhões em impostos para a indústria automotiva? Que, por sua vez, enviou quase R$ 15 bilhões ao exterior, na forma de lucros e dividendos?

O “fator previdenciário” retirou mais de R$ 21 bilhões dos trabalhadores. Quem mais se beneficia, há séculos, é justamente a elite econômica e a classe política do país, que atuam em parceria. Se isso não fosse verdade, o Brasil não seria um dos países com a pior distribuição de renda do planeta.

Valores nominais, insisto, não explicam muita coisa. É preciso sempre comparar. Ao contrário do que diz a mídia, os gastos do governo federal com os servidores, em 2000, eram de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Doze anos depois, é menor ainda. A projeção é que feche o ano de 2012 em 4,15%. O país tem hoje praticamente o mesmo número de servidores do início do governo FHC, e a população que demanda por serviços cresceu. E há um agravante: quase 50% deve se aposentar nos próximos dez anos. Como manter serviços de qualidade com órgãos sucateados e sem profissionais treinados e motivados para o exercício da função? Se isso vale para a iniciativa privada, deve valer também para a administração pública.

Somente em isenção fiscal, nos últimos dois anos, o país concedeu mais de R$ 150 bilhões a pouco mais de uma dúzia de ramos industriais. E o cofre continua aberto, pois, nas palavras do próprio ministro da Fazenda Guido Mantega, “qualquer setor que estiver interessado na desoneração da folha, representado por sua entidade, deve entrar em contato conosco” (Agência Brasil).

Tudo em nome de boas causas: a manutenção de empregos e o aumento da competitividade industrial. Sobre lucros que tornam o Brasil um dos campeões da desigualdade na distribuição de renda, nenhuma linha, nenhuma palavra. Porque por trás do discurso das “dificuldades” sempre está a transferência de renda dos trabalhadores para os empregadores.

O mito de que se gasta demais com os servidores públicos federais também não resiste à observação correta dos números. Quaisquer que sejam os valores apresentados por quem tenta defender a tese de que o gasto é excessivo – diferente de se é bem aplicado, porque esta seria uma boa discussão –, não dá para se contrapor a uma evidência: a Receita Corrente Líquida, ou seja, o que o governo arrecada em impostos, comparado com o que o governo paga ao funcionalismo público federal, diminuiu de 56,2% em 1995 para 32,1% em 2011, conforme registra o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento.

A mídia, que bate forte na greve do funcionalismo público federal – como é de praxe em greves de quaisquer trabalhadores –, não demonstra nenhum interesse em trazer para a opinião pública do país o tema que é central para esclarecer um “rombo” nas finanças da União, que enriquece um grupo muito pequeno de investidores e amplia a desigualdade no país: a dívida pública, superior a R$ 2,1 bilhões por dia!

Em 2011 foram destinados R$ 708 bilhões para a dívida pública que, aliás, nunca foi auditada, apesar de vários indícios de ilegalidades e ilegitimidades desde os anos 70, conforme denuncia Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida.

Para concluir: no Brasil, a greve é um direito do trabalhador, “mas” só pode ser exercida se não vier a causar nenhum tipo de prejuízo ou problema a quem quer que seja. E tem sido cada vez mais regulamentada – favoravelmente ao capital – pelo Judiciário. Uma espécie de ditadura da democracia, com jurisprudência legal. Não é sem razão que, historicamente, quando a justiça não mereceu este nome, grandes avanços sociais foram feitos, inicialmente, à margem da legalidade.

*Jornalista, assessor de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de SC (Sintrafesc)

PS do Viomundo: Este site não tem condições de considerar justas ou injustas as reivindicações destes ou daqueles servidores públicos, federais, estaduais ou municipais. Para efeito de publicação, consideramos que é nosso dever editorial dar espaço aos que não dispõem de espaço na mídia corporativa.





77 comentários

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Para limitar greves no serviço público, Kátia Abreu pede apoio ao governo « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de setembro de 2012 às 13h13

[…] Celso Vicenzi: A greve e a desinformação jornalística […]

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Greve: Quem não concordar com proposta do governo ficará sem aumento « Viomundo – O que você não vê na mídia

26 de agosto de 2012 às 21h53

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A divisão entre os professores grevistas e a “birra” do governo « Viomundo – O que você não vê na mídia

25 de agosto de 2012 às 11h49

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Confederação diz que corte total de salário afetará 30 mil servidores e é “um ato ilegal” « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de agosto de 2012 às 19h39

[…] Celso Vicenzi: A greve e a desinformação jornalística  […]

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“A greve e a desinformação jornalística” « Para ser piloto

22 de agosto de 2012 às 08h43

[…] Celso Vicenzi. (Obs.: O título deste post é o que foi utilizado para se referir ao artigo no blog Viomundo; o título original do texto é o que […]

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FrancoAtirador

18 de agosto de 2012 às 21h29

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QUE TAL RESTABELECERMOS O DIREITO À ESTABILIDADE

A TODOS OS TRABALHADORES NÃO OPTANTES PELO FGTS,

COMO PREVIA A CLT, ATÉ O ADVENTO DA CF DE 1988?
.
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Consolidação das Leis do Trabalho – CLT

Título IV
Do Contrato Individual de Trabalho

Capítulo VII
Da Estabilidade

Art. 492. O empregado que contar mais de dez anos de serviço na mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas.

Parágrafo único. Considera-se como de serviço todo o tempo em que o empregado esteja à disposição do empregador.

Art. 493. Constitui falta grave a prática de qualquer dos fatos a que se refere o Art. 482, quando por sua repetição ou natureza representem séria violação dos deveres e obrigações do emprego.

Art. 494. O empregado acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito em que se verifique a procedência da acusação.

Parágrafo único. A suspensão, no caso deste artigo, perdurará até a decisão final do processo.

Art. 495. Reconhecida a inexistência de falta grave praticada pelo empregado, fica o empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão.

http://www.dji.com.br/decretos_leis/1943-005452-clt/clt492a500.htm

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Fabio Passos

18 de agosto de 2012 às 18h32

Qualquer governante que roube dos trabalhadores para dar de mamar a “elite” branca e rica ganha a simpatia do PIG.

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    helio de souza oliveira

    18 de agosto de 2012 às 20h40

    concordo com voce José Djamar, a presidente da petrobras servindo de garota propaganda para o criança esperança. isto é uma vergonha, a rede globo vive metendo o pau na petrobras, e a petrobras esta sempre patricinando a globo.

Leonardo Meireles Câmara

17 de agosto de 2012 às 16h43

From: UFF – Superintendência de Comunicação Social (SCS)
Date: 2012/8/16
Subject: Nota dos dirigentes das Ifes do Rio de Janeiro sobre a greve dos servidores
To:

Nota dos dirigentes das Ifes do Rio de Janeiro sobre a greve dos servidores

Os dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior do Rio de Janeiro (Cefet-RJ, IFF, IFRJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e UNIRIO), preocupados com a atual situação de impasse nas negociações entre os seus servidores docentes e técnico-administrativos e os ministérios da Educação e do Planejamento, Orçamento e Gestão, reafirmam sua convicção na legitimidade das suas reivindicações e insistem na necessidade urgente de reabertura dos canais ativos de negociações. A crise estabelecida não interessa a ninguém, frustra expectativas de milhares de jovens que anseiam por uma formação qualificada e cidadã, e coloca em grave risco todo o esforço do desenvolvimento institucional que vem sendo construído por estas instituições.

As políticas governamentais instituídas, principalmente a partir do Programa de Reestruturação e Expansão das Ifes (Reuni), permitiram um aumento de oferta de vagas sem precedente na história da educação superior brasileira, sustentado por consistente política de contratação de docentes e técnico-administrativos e de expansão e recuperação da infraestrutura física, que acumulava um longo processo de sucateamento.

A consolidação e estabilidade deste ciclo virtuoso dependem também de carreiras estruturadas e quadros de remuneração compatíveis com a responsabilidade dos nossos servidores docentes e técnico-administrativos. A situação atual tem imposto perdas de importantes quadros docentes e técnicos, em função da impossibilidade de se poder competir com outros setores públicos e não públicos em termos de oferta salarial.

A atuação da Andifes e do Conif, neste momento, deve reafirmar mais uma vez seu papel de lideranças propositivas e reconhecida capacidade de mediação. Todos os esforços necessários à sensibilização dos ministérios envolvidos não devem ser poupados na busca da imediata reabertura de negociações com os sindicatos majoritários na representação dos interesses dos docentes e dos técnico-administrativos e na efetiva superação do presente impasse e breve retorno à normalidade institucional.

As instituições federais de ensino superior do Rio de Janeiro sempre estarão à disposição da Andifes, do Conif e mesmo dos ministérios da Educação e do Planejamento, Orçamento e Gestão para contribuir para a manutenção do diálogo constante, franco e produtivo com nossos servidores e empenhadas em encontrar soluções que não comprometam a estabilidade econômico-financeira do país, no atual cenário de crise internacional, mas que lhes garantam condições adequadas de trabalho e de qualidade de vida.

Como ensinou Paulo Freire, o diálogo deve ser o fundamento para entendimento. Para a educação ser o sonho possível de um país que se quer grande e desenvolvido, docentes e técnico-administrativos em educação merecem o nosso maior respeito e políticas públicas condizentes com o papel estratégico que exercem.

Em 14 de agosto de 2012.

Carlos Henrique Figueiredo Alves
Diretor-Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET-RJ

Luiz Augusto Caldas Pereira
Reitor do Instituto Federal Fluminense – IFF

Fernando Cesar Pimentel Gusmão
Reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ

Roberto de Souza Salles
Reitor da Universidade Federal Fluminense – UFF

Carlos Antônio Levi da Conceição
Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Ricardo Motta Miranda
Reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ

Luiz Pedro San Gil Jutuca
Reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO

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Bonifa

17 de agosto de 2012 às 15h31

Cláudio Humberto em sua coluna de hoje fala que o ministro Levandowsky parecia estar tentando deliberadamente fazer com que o Joaquim Barbosa aparecesse como um desequilibrado. Quem conhece o CH, sabe que esta foi a meneira dele expressar abertamente que o Barbosa é um desequilibrado.

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Marcos W.

17 de agosto de 2012 às 15h06

Qualquer greve, para que seja considerada, além de legal, legítima, precisa respeitar os direitos daqueles que pagam os salários dos grevistas. Se os capitalistas acumulam capital a partir do trabalho, o Estado nos cobra tributos, e por aí paga a remuneração dos servidores. O resto é conversa fiada!

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    Adilson

    17 de agosto de 2012 às 16h44

    Então os servidores são pagos com os tributos pagos pelos trabalhadores da iniciativa privada?…Balela…quem paga mais tributos no Brasil são os servidores públicos, haja vista que são tributados na fonte, enquanto na iniciativa privada o trabalhodor na maioria das vezes recebe na carteira um valor, no qual serve de base para tributação, e um complemento por fora que não é tributável.

    A maioria dos servidores parados apresentaram propostas ao governo, para a recomposição salarial, desde de 2009 e o governo tratou com tremendo descaso até agora. Então, não venham a colocar a culpa da greve nas costas dos grevistas, onde, o único culpado é o GOVERNO.
    O único que ganha com o sucateamento do serviço público é o próprio governo, basta ver quem é o maior devedor (réu) da sociedade no judiciário.
    Lembre-se disso na próxima eleição, para não manter um governo omisso e leviano, uma vez que além do descaso com o serviço público em geral vivi lançando na mídia inverdades sobre a situação do país.

    henrique

    17 de agosto de 2012 às 16h54

    Devem ser respeitdados tb os direitos dos servidores, que pagam impostos como qualquer cidadão.

    izabel

    27 de agosto de 2012 às 09h43

    Acontece que o próprio servidor paga o salário dele, também, por meio de tributos. Na realidade, todos nós pagamos tributos que vão para o Estado suprir a necessidade pública. Então não venham com este discurso de que outros pagam para que o servidor trabalhe. Todos nós pagamos!!

Eduardo

17 de agosto de 2012 às 14h43

Quem mais perde com a greve nao são os servidores e nem a sociedade, mas o governo. Esta claro que o governo nao conta com os servidores para prestar melhores serviços para a sociedade. Os números nao mentem a respeito dos investimentos do governo no setor publico quando de 2002 a 2012 o gasto do PIB com o setor decresceu e que o numero de servidores diminuiu. Quase tudo que se arrecada nesse pais vai pra remunerar os banqueiros da ciranda financeira. O governo mente, descaradamente, quando diz que todas as categorias tiveram reajustes iguais ou acima da inflação, numa atitude explicita de jogar a população contra os servidores em greve por reajustes e outras que pleiteiam REENQUADRAMENTO de carreiras, oriundos de injustiças praticadas por sucessivos governos. Algumas categorias, como a PF, foram esquecidas pelo governo desde 2006, enquanto que outras categorias receberam a devida atenção e tiveram suas carreiras reestruturadas com salários compatíveis com os seus iguais. A PF negocia com o governo desde 2009 e cumpriu com todos os requisitos, formulando propostas e apresentando soluções. Até agora, em momento algum, houve qualquer proposta do governo, nem de reajuste zero e nem tampouco da reestruturação. Atitude desrespeitosa e agora, vem a publico para MENTIR e dizer que os federais recusaram a proposta. Mas que proposta? Quem do governo fez alguma proposta, ainda que indecorosa? Se o governo MENTE em situações comezinhas com esta, o que nao faz com situações muito mais complexas. A Dilma perde o respeito dos servidores na medida em que desrespeita aqueles que fazem o governo “dela” funcionar e que lhe emprestaram apoio, e VOTOS, quando buscou apoio nas eleições. Ao menos na PF nao se pleiteia absurdos remuneraríeis, mas apenas que os cargos operacionais, percebam os mesmos salários daqueles que, por meio de concurso e para carreiras típicas de ESTADO, portanto, indelegaveis a iniciativa privada. Vejam que algumas carreiras do poder executivo, que exigem nível superior, tais como Rceita Federal, ABIN, Banco Central, entre outros, tiveram suas carreiras reestruturadas com a consequente reestruturação de tabelas de vencimentos e hoje, eles estão em greve por REAJUSTES, enquanto nos reivindicamos REEQUADRAMENTO. Quem criou e mantém essas discrepancias eh o próprio governo e seus representantes mentem de forma criminosa. O que pedimos eh respeito e reconhecimento e nao esmola. O que foi concedido a alguns, por insonomia e reconhecimento, deveria ser estendido aos policiais federais em greve. A Dilma age como uma mãe que tendo muitos filhos, escolhe alguns deles para agradar, em detrimento dos demais. Mãe ou madrasta? Quem perde com a greve? Os servidores? A sociedade? Ou o próprio governo?

Responder

    servidor

    18 de agosto de 2012 às 21h05

    O Ministério do Planejamento já reconheceu que Agentes, Escrivães e Papiloscopistas da PF são profissionais de nível superior, “MAS” a remuneração deles ainda é de nível médio. A greve não é por aumento, é por REENQUADRAMENTO. Conforme O ESTADÃO, os Agentes têm uma defasagem de 62,5% com relação à inflação.

assalariado.

17 de agosto de 2012 às 12h12

Já é hora dos funcionários publicos se identificarem ideologicamente e, começarem a perceber qual é sua classe social, e sua condição, enquanto sobrevivente dentro desta sociedade comandada pelo capital. Não importa a casa grande onde voce é explorado, seja na empresa privada, estatal/ publica, esteja voce em traje civil ou fardado. Diante de tantos argumentos, achei que posso, e devo, como explorado em empresa privada, contribuir. Ou seja, estamos separados no quesito senzala (MAS), somos explorados pelos donos do capital (MAS), com Roupagens diferentes.

Marx, explica o psicologico deste (MAS), e afirmou: “Vivemos numa sociedade de luta de classes”, e pergunta: O que é porém, o Estado e suas instâncias?

“Longe de diferenciar-se da sociedade civil e de separar-se dela, longe de ser a expressão da vontade geral e do interesse geral, o Estado é a expressão legal – jurídica e policial – dos interesses de uma classe social particular, a classe dos proprietários privados dos meios de produção ou classe dominante. E o Estado não é uma imposição divina aos homens, nem é o resultado de um pacto ou contrato social, mas é a maneira pela qual a classe dominante de uma época e de uma sociedade determinadas garante seus interesses e sua dominação sobre o todo social.”

“O Estado é a expressão política da luta econômico-social das classes, amortecida pelo aparato da ordem (jurídica) e da força pública (policial e militar). Não é, mas aparece como um poder público distante e separado da sociedade civil. Não por acaso, o liberalismo define o Estado como garantidor do direito de propriedade privada e, não por acaso, reduz a cidadania aos direitos dos proprietários privados (a ampliação da cidadania foi fruto de lutas populares contra as idéias e práticas liberais).”

Saudações Socialistas.

Responder

    Wagner

    17 de agosto de 2012 às 17h41

    Assalariado

    Na sua opinião, e no quadro político de hoje, qual partido se mostra mais tendente a apoiar o trabalhador contra a exploração?

    PSDB/DEM/PMDB/PP/PPS não contam. O PT patrão se mostrou um traidor da classe trabalhadora.

    O que sobra, na sua opinião que muito respeito?

Nelson

17 de agosto de 2012 às 12h06

“O intelectual é a empregada doméstica do regime”, dizia o genial Millôr Fernandes, certamente, se referindo àquelas domésticas que empurram a sujeira para debaixo do tapete.

O linguista e filósofo estadunidense, Noam Chomsky, tem um termo para a postura dos intelectuais, notadamente de seu próprio país, que, sabendo ou tendo condições de saber de tudo, de toda a podridão que permeia os círculos do poder, preferem fechar os olhos ou olhar para o lado, ficando impassíveis diante dela ou até mesmo defendo esse poder. O termo cunhado por Chomsky é “cegueira intencional”.

Há comentaristas que passeiam por este blog que, diante das evidências, resolveram, preferiram, adotar essa postura, de “cegueira intencional”.

Responder

Horridus Bendegó

17 de agosto de 2012 às 12h02

Parabéns, Luiz Carlos Azenha, pelo espaço democrático!
O melhor Blog independente do Brasil

Luiz Carlos de Moraes e Silva
Ribeirão Preto/SP

Responder

walter junior

17 de agosto de 2012 às 10h29

Sou servidor , não estou em greve em função de ser de cargo estratégico MAS,
no tocante ao judiciário, onde trabalho, são 7 anos sem sequer reposição da inflação.
Nós pagamos impostos como todo cidadão.Quando nos mandam fazer um treinamento em cidades como Brasília ou São Paulo , para o bem do serviço público, estamos chegando ao cúmulo de custear nossa estadia.A diária de um supervisor FC5 é 170 reais. Não paga nem o hotel. Se o curso é de 5 dias o cara tem que tirar quase 700 reais do bolso.
Meu condomínio aumentou 160% nos últimos 7 anos.
A escola do meu filho aumentou 80%. Meu IPVA aumentou 45%. Eu votei e fiz campanha pela Presidenta Dilma.Como disse um comentarista, votamos no mal menor. O governo do PT é entreguista, se locupleta com o salafrariado nacional na dilapidação do patrimônio público. São os novos ricos da política. No Piauí, o ex-governador do PT, após 8 anos de mandato, saiu de caixa de banco da Caixa Econômica para uma das maiores fortunas do estado.Meu salário é público, 4500 reais líquidos. Se vc acha que é muito para quem exerce uma gerência de T.I. vai fazer uma consulta no mercado.
Os invejosos que nao conseguem passar num concurso costumam argumentar: então sai, vem para a iniciativa privada para ver o que é bom etc…
Eu vim da iniciativa privada e sairia, se após 8 anos dando meu sangue, tivesse direito a FGTS, salário desemprego etc… para procurar um emprego melhor, posto que tenho qualificação. Mas sinceramente, sair com uma mão na frente outra atrás?Servidor público só sai para outro concurso melhor. E o mesmo se aplicaria ao empregado privado se não tivesse tantas garantias, tantas formas de sonegar, de ser contratado como empresa, indenizações quando é demitido etc… etc…
Hora extra no setor público não é paga. Recebi agora, 36 horas extras , de 3 anos e meio atrás. Fui requisitado pela administração , para fazer um serviço para a administração e não recebi.Na iniciativa privada você iria na Justiça do Trabalho, no setor público você fica a ver navios.
Isso para não falar no assédio moral, na pressão por metas inexequíveis, na falta de servidores que está sendo coberta indecentemente por terceirizados e estagiários , o que faz cair mais ainda a qualidade do serviço de uma classe desmotivada, mal remunerada,e em sua grande maioria , pendurada nos empréstimos consignados, não para ter luxos, para SOBREVIVER.
Não tem database, não tem direito de greve, não tem FGTS, não tem seguro desemprego e os menos avisados agora pedem que se acabe com a estabilidade , também!!!!!
Sinceramente. Um técnico do judiciario federal ganha inicial de 3993,00 um do executivo ganha inicial de 7.800,00 , um do legislativo ganha inicial de 14.000,00.Como se pode ver, não tem como jogar os funcionários públicos em um mesmo balaio. Existem porcos mais iguais que os outros, parafraseando George Orwell.
Pense nisso antes de criticar a greve dos seus funcionários. Pessoas como você, que fizeram um concurso muito difícil e são capacitadas para prestar um bom serviço para você.
Critique os mais de 20 mil cargos sem concurso que o PT mantém para si nas diversas áreas da administração federal. Critique os 70% dos cargos do Senado e da Câmara que são preenchidos sem concurso. Mas não venha arrotar de esquerdista, de trabalhista ou qualquer outra coisa do gênero defendendo posições contra os direitos dos trabalhadores, especialmente, trabalhadores concursados.
Quem faz isso é acima de tudo INDIVIDUALISTA E EGOÍSTA. Eu e minha família comemos e vestimos como você!

Responder

    L.F.

    17 de agosto de 2012 às 11h24

    Complementando – e já que a grande mídia ataca “a la Goebbels” e os “alternativos” continuam em torpor induzido:

    Servidor público tem diversas restrições e também paga impostos, contribuições socais, taxas e tarifas como todos os outros brasileiros.

    Servidor Público – Limitações constitucionais, estatutárias, regulamentares e regimentais:

    – Não tem liberdade para atuar em outros empregos, como na iniciativa privada;
    – Não tem liberdade para conquistar quaisquer outros empregos públicos, em caso de demissão, o que não ocorre na iniciativa privada;
    – Não tem regulamentação para o livre exercício do direito de greve, como na iniciativa privada;
    – Não é julgado em tribunal próprio do Trabalho, como na iniciativa privada;
    – Não tem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como na iniciativa privada;
    – Não tem Auxílio Emprego, como na iniciativa privada;
    – Não tem reajustes salariais garantidos anualmente através de acordos específicos, como na iniciativa privada;
    – Não tem liberdade salarial, como na iniciativa privada, onde não existe teto remuneratório;
    – Não tem liberdade para ascender a quaisquer outros cargos e funções, como na iniciativa privada;
    – Não tem direito a recebimento de horas-extras, adicional noturno, periculosidade e insalubridade, da mesma forma como é garantido na iniciativa privada;
    – Não tem liberdade para contratar serviços de familiares e amigos, como na iniciativa privada;
    – Não tem liberdade para comprar produtos de familiares e amigos, como na iniciativa privada;
    – Não tem liberdade de participar de gerência ou administração de sociedade privada, como qualquer pessoa da iniciativa privada;
    – Não tem liberdade de exercer o comércio, como qualquer pessoa na inciativa privada;

    Além de tudo, para os ingressados antes da aprovação do Funpresp (PL 1.992), não há liberdade para aplicar como bem entender a parcela salarial dos 11% que superar o teto do INSS, ou seja, tem aposentadoria superior ao teto do INSS devido à obrigação de pagar a mais para a Previdência, o que não ocorre na iniciativa privada.

    Não insistem em comparar o que não se compara? Pois então.

    Querem ir na idéia do Estado mínimo? Pra que pagar de R$ 13 a R$ 19 mil para auditores fiscais da Receita Federal, os mesmos que autuaram a Vale em R$ 30 BILHÕES? Por que pagar tudo isso a quem autua em R$ 11,8 BILHÕES empresas como Gerdau, Camargo Corrêa, Santander, Camil e Telemar? Por que pagar tudo isso a quem autua os senadores pelo IR não recolhido sobre o 14º e 15º salário? Não faz sentido algum, não é?! Os auditores poderiam muito bem ganhar uns R$ 3.500 e ainda assim autuar da mesma forma, confrontando bancadas de advogados que recebem milhões em direitos advocatícios. A mesma coisa pode se dizer sobre os delegados da Polícia Federal, por que ganhar de R$ 13 mil a R$ 19 só para combater a corrupção generalizada no Executivo Federal e nas casas legislativas? Os delegados da PF poderiam muito bem se virar com uns R$ 3 mil ou R$ 4 mil, no máximo, para ir atrás de Cachoeira e cia, para confrontar o mesmo advogado do homem mais rico do Brasil. É muita discrepância! Eles são funcionários públicos e por isso tem que se contentar com o salário que a opinião pública bem entender, seja ela bem informada ou não! Estado Mínimo já! Mas depois não reclamem quando crianças morrerem intoxicadas por brinquedos “inofensivos”, quando adolescentes morrerem por terem consumidos suplementos alimentares “insuspeitos”, quando casos de câncer pipocarem país afora por causa de uso indiscriminado de agrotóxicos ditos “eficazes” vendidos por grandes empresas lucrativas detentoras de ISO 14000, quando empresas fizerem propagandas enganosas nos rótulos de seus produtos, etc. etc.

    Estes que defendem Estado mínimo devem ter como livro de cabeceira algum com o título “depósito compulsório zero”, creem em um partido político “salvador da pátria” ou em alguma empresa que liderará o mundo em uma “Nova Ordem Social”, ou qualquer baboseira do tipo.

Paulo

17 de agosto de 2012 às 09h37

Ficamos assim – todo mundo pagando imposto para pagar salários federais. O corporativismo não é de esquerda, é fascista!

Responder

    laura

    17 de agosto de 2012 às 13h35

    Que qui é isso?
    A maior parte do seu, do meu , do nosso imposto vai para os juros da dívida pública, DEAR. BATA SEUS PEZINHOS- não contra o funcionalismo, mas PARA OS JUROS BAIXAREM NESTE PAÍS, DEAR.

    Paulo

    18 de agosto de 2012 às 09h31

    Dívida que não foi feita por governo de esquerda. Os juros não estão baixando, Dear?

    Larissa

    24 de agosto de 2012 às 09h31

    De novo: funcionário público não é marajá, há uns que ganham bem e outros que vivem miseravelmente. Não coloque todos no mesmo saco. Se vc quer ver o dinheiro do seu imposto indo para o lugar certo, porque não observa o caso de deputados e senadores, que podem facilmente aumentar o próprio salário (e sempre o fazem), além de aumentar seus próprios benefícios? Nunca vi uma única voz se levantando contra essa pouca vergonha.

L.F.

17 de agosto de 2012 às 09h36

Prezado Celso, as perguntas que devem que ser feitas é: a quem interessa o enfraquecimento do Estado? A quem interessa retirar atribuições, desqualificar e desmotivar servidores de órgãos fiscalizadores e investigativos? Tão pior é atacar a Educação, pois o objetivo da Educação há séculos atrás era justamente informar o povo sobre as leis, sobre direitos e obrigações. Hoje, os grandes detentores de capital sabem que a alienação lhes favorecem, pois as políticas públicas podem ser mais facilmente manipuladas. A história prova que a evolução da sociedade e seus governos sempre estão ocorrendo, a Ciência Política não é como a Lei da Gravidade, imutável. Acontece que a alienação tem que dar lugar à dominação, não aquela dominação da força, mas aquela consentida, onde quem detém o Poder o detém por consensualismo da sociedade, aquela onde as pessoas são conscientes sobre os fatos e concordam com o direcionamento dado pelo Governo. O que estamos passando não pode ser ignorado, como se fosse algo passageiro. A alienação atual é gritante! Estado de Direito já!

Responder

Mardones Ferreira

17 de agosto de 2012 às 09h24

Esse é mais um texto que pode ser direcionado a muitos jornalistas que se dizem democráticos e não dão espaços ao contraditório, que tanto exigem do PIG.

Diferente de blog que admirava, como o COnversa Afiada, o Vi o mundo vem sempre mostrando que oferece espaço a críticas às ações do governo. Isso é muito importante para manter o papel de um jornalismo decente.

Para muitas pessoas que estudam economia e conhecem um pouco da história econômica do Brasil (e nesse sentido eu gosto de citar o Paulo Kliass – articulista do site Carta Maior), o governo Dilma se viu pressionado pelos reflexos dos números ruins da economia e vem tomando a direção de sempre no Brasil, qual seja, a de favorecer os mais ricos e não tentar ao menos atingir a raiz do problema: a falta de reformas estruturais.

Há base de sustentação para as reformas? Talvez não haja, pois nem mesmo o PT tem mostrado ânimo para propor reformas necessárias a tirar o Brasil dessa ciranda, que sempre sofre por falta desvio de foco.

O artigo mostra o problema a ser enfrentado: temos uma despesa, um gasto, como quer que queiram chamar a dívida pública brasileira. Que era externa e por um arranjo foi transformada em interna, que consome os bilhões de reais que faltam para os investimentos públicos, inclusive aumento de salário de servidores.

Não custa lembrar, claro, que o doutor henriquinho, príncipe da sociologia brasileira da depedência, conseguiu entrar no governo com uma dívida externa de U$ 60 bi e deixou o governo com uma dívida de U$ 700 bi.

A rolagem da dívida – pagamento dos juros – sem a devida auditoria (o governo foge desse tema como o diabo foge da cruz!!) vai seguir comprometendo o nosso desenvolvimento e levando, inclusive a trabalhadores assalariados pensar que a culpa da greve é dos servidores.

É compreensível, pois é preciso ter estômago para ler sobre economia, antes de tomar parte nessas discussões.

Uma vez mais, parabéns ao Vi o Mundo por colocar o dedo na ferida. A auditoria da dívida é um tema que precisa ter a atenção dos brasileiros. Pois disso depende boa parte de nosso desvio de recursos de investimentos para pagamento (amortização) de dívida ETERNA.

Responder

Pedro luiz

17 de agosto de 2012 às 09h22

Mandem essa matéria para o Alexandre “gracinha”, notório especialista da Rede “bobo”, que acabou de descer o cacete na greve dos federais.Quanto ao comentário do leitor Henrique Miranda, só uma obs: os aumentos reais do governo do PT, não representam quase nada se compararmos com os aumentos “reais dados pelos oito anos do governo tucano.

Responder

L.F.

17 de agosto de 2012 às 09h20

E outra coisa: quando os sindicalistas do ABC paravam toda a Rodovia Anchieta em São Bernardo do Campo, quando ocupavam o centro de São Bernardo do Campo, fechando as ruas com as passeatas, aquilo lá também não impedia o direito de ir e vir? Não atrapalhava tudo lá em SBC? Dilma talvez não chegou a participar, mas Lula com certeza!

Responder

L.F.

17 de agosto de 2012 às 09h14

É engraçado citarem os 30%, aplicados da iniciativa privada para o funcionalismo público. É clara a omissão legal sobre o tema. MAAAASSSS então vem o STJ e produz algumas pérolas: 1. STJ determina volta de 60% dos servidores da Justiça do Trabalho (08/06/2010); 2. STJ determina que sejam mantidos 80% dos servidores da Justiça Eleitoral (06/07/2012); 3. STJ determina que fiscais da Agricultura mantenham ao menos 70% trabalhando (10/08/2012); 4. STJ proíbe operação padrão de policiais federais (16/08/2012). Como se vê, há um estado de coação do Governo em relação a servidores de Estado, e é disso que se trata: SERVIDORES DE ESTADO! Não são servidores de Governo. E os exemplos não param por aí. Dilminha editou o inconstitucional, ilegal e imoral Decreto 7.777/2012, a fim de evitar o movimento paredista em relação à aduana e órgãos relacionados como a Anvisa. Pois bem, o Ministro Mauro Campbell já indeferiu o pedido de mandado de segurança impetrado contra o decreto. Agora, entidades representantes dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil entraram com Ação Direta de Inconstitucionalidade, que provavelmente não terá sucesso. Leiam a “Carta aos Brasileiros” de Goffredo Telles Junior, escrita em plena ditadura militar, em agosto de 1977 e vão se assustar ao notar o quanto ela está atual. Enquanto o Governo dorme na mesma cama de grandes empresas (na condição de passivo?), vemos a carta constitucional sendo vilipendiada constantemente. Escreveu Goffredo: “Com as tenebrosas experiências dos Estados Totalitários euro­­peus, nos quais o lema é, e sempre foi, “Segurança e Desenvolvimento”, aprendemos uma dura lição. Aprendemos que a Dita­dura é o regime, por excelência, da Segurança Nacional e do Desenvolvimento Econômico. O Nazismo, por exemplo, tinha por meta o binômio Segurança e Desenvolvimento. Nele ainda se inspira a ditadura soviética…Nenhum País deve esperar por seu desenvolvimento econômico, para depois implantar o Estado de Direito. Advertimos que os Sistemas, nos Estados de Fato, ficarão permanentemente à espe­ra de um maior desenvolvimento econômico, para nunca implantar o Estado de Direito…Chamamos de Ditadura o regime em que o Governo está separado da Sociedade Civil. Ditadura é o regime em que a ­Sociedade Civil não elege seus Governantes e não participa do Governo. Ditadura é o regime em que o Governo governa sem o Povo. Ditadura é o regime em que o Poder não vem do Povo. Ditadura é o regime que castiga seus adversários e proíbe a contes­tação das razões em que ela se procura fundar.” Estado de Direito já!!!

Responder

Mr. Chance

17 de agosto de 2012 às 08h55

Francamente… Só mesmo um demente para tentar manter-se informado pela Imprensa brasileira; o único tipo de leitura permitida é com chave invertida. Nada pode ser o que parece se o que parece pode ser bom para o Governo Federal. Já em São Paulo, é o oposto…

Responder

O_Brasileiro

17 de agosto de 2012 às 08h48

A esquerda está órfã de representatividade!
Politicamente, o Brasil está caminhando para ficar igual aos EUA: extrema direita versus direita.
Tudo indica que este século descambará em revoluções no mundo… globalizado.
Os árabes saíram na dianteira.
E os imigrantes nas periferias das grandes cidades estão começando a se mobilizar também.
Estadunidenses e gregos costumam ser muito combativos na defesa de seus direitos. Nos deles!
Os líderes não terão outra saída a não ser criar inimigos externos para calar os trabalhadores.
Guerras desnecessárias à vista. Qualquer pretexto será usado pela mídia, que majoritariamente é governista: falsas armas, asilos políticos, e se duvidar, até descumprimento de contratos.
A mídia quer sangue… pois lucra mais com isso!
Logo, logo, o rei vai estar nu.

P.S.: Se houver alguma revolução, avisa pro pessoal que o lugar mais importante que devem retomar para o povo são os meios de comunicação. Devem retomar as redes de tv, rádio e jornais para o povo!
Nostalgia. Lembrei-me de quando o “NostraDilmus” fazia “previsões” no intense debate.

Responder

RicardãoCarioca

17 de agosto de 2012 às 08h39 Responder

barreto

17 de agosto de 2012 às 08h29

Primeiro, não existe greve com pagamento de salário. Na greve há uma suspensão temporária do contrato de trabalho e de quase todas as obrigações, de ambas as partes.
Ocorre que o funcionalismo público se acostumou com estas greves fajutas e pontuais, onde o poder de pressão é mínimo. Há uma espécie de conformismo no seio do funcionalismo, parte porque os sindicatos foram cooptados, parte porque o governo soube dividir os trabalhadores em classe, negociando separadamente como cada uma, e enfraquecer todas elas.

Responder

LEANDRO

17 de agosto de 2012 às 08h22

Nessa greve quem paga o pato, como sempre, é o povão. Sempre servindo de bucha de canhão, pagamos um dos impostos mais caros do mundo, não temos serviços públicos de qualidade e ainda temos que aguentar greves que só punem o cidadão. Ficamos sem aula, temos operações padrão nos aeroportos… Greve sem riscos para o trabalhador? Sem corte de ponto? E o contribuinte que paga o pato?

Responder

    Nelson

    17 de agosto de 2012 às 10h25

    “Somente em isenção fiscal, nos últimos dois anos, o país concedeu mais de R$ 150 bilhões a pouco mais de uma dúzia de ramos industriais.”
    “Por que o governo abriu mão, desde 2008, de R$ 26 bilhões em impostos para a indústria automotiva? Que, por sua vez, enviou quase R$ 15 bilhões ao exterior, na forma de lucros e dividendos?”
    “Em 2011 foram destinados R$ 708 bilhões para a dívida pública que, aliás, nunca foi auditada, apesar de vários indícios de ilegalidades e ilegitimidades desde os anos 70, conforme denuncia Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida.”

    Os dados acima, e vários outros, estão ali, expostos limpidamente, claramente para qualquer um ver. Eles expõem com a maior parte da riqueza produzida pelos trabalhadores brasileiros segue fluindo para poucas mãos e o Sr Leandro prefere bater nos… trabalhadores. Ou ele não leu o texto, ou leu e não entender, ou não quer entendê-lo.

    E, ao mesmo tempo em que reclama que “pagamos um dos impostos mais caros do mundo não temos serviços públicos de qualidade”, o Sr Leandro se coloca frontalmente contra os trabalhadores que lutam justamente por isso, dignidade e condições de trabalho para, com isso, oferecer à população serviço público de qualidade, honrando, assim, os altos impostos que pagamos.

    LEANDRO

    17 de agosto de 2012 às 10h36

    Que preocupação com o bom serviço prestado nada, só estão olhando o salário. O governo deu isenção fiscal por correr risco de demissões em massa de trabalhadores que não tem estabilidade e para manter a atividade econômica num período de crise mundial. Todos os países, até a Espanha que elegeu um socialista e já está enfrentando protestos pelos cortes que terá que fazer nos gastos, estão cortando despesas de custeio. Será que vivemos numa ilha imune a tudo isso? Não, o PIB não decola, então o governo tem que investir e desonerar para aumentar a competitividade do país frente ao risco real de desindustrialização. Péssima hora para esses tipos de greves e não se iludam, o povo tá contra vocês.

    L.F.

    17 de agosto de 2012 às 11h06

    Eu também acho que deveríamos encurtar logo a história, fazer como a Espanha (primeiro mundo!): corte geral no funcionalismo público, inclusive 13º e destinar 100 BILHÕES DE EUROS ao sistema financeiro, para depois ouvir os bancos pedindo mais outros 300 BILHÕES DE EUROS.

LEANDRO

17 de agosto de 2012 às 08h15

“Doaremos os 15% de reajuste ao Criança Esperança, afirma sindicalista.”

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1138699-doaremos-os-15-de-reajuste-ao-crianca-esperanca-afirma-sindicalista.shtml

Responder

Marcos W.

17 de agosto de 2012 às 08h05

Quem busca desinformar é o articulista! Quem diz que as coisas devem ser colocadas dessa forma, isenções de um lado, reajustes salariais (que durante os governos Lula foram polpudos) de outro é ele! De uma vez por todas, conforme a Constituição e as leis, os interesses públicos devem ficar acima dos interesses de quem quer que seja, inclusive das corporações de servidores públicos! Vão interromper rodovias na China!

Responder

    laura

    17 de agosto de 2012 às 13h40

    Que corporações? há trabalhadores. O resto é ideologia.

    Marcos W.

    17 de agosto de 2012 às 15h10

    Ideologia é usar de maniqueísmo!

Elton

17 de agosto de 2012 às 07h18

A verdade não vende os produtos das industrias patrocinadoras dos jornais e TV. Ninguém quer saber de sindicalização. Infelizmente o povo brasileiro esta mais interessado em fofoca, futebol e novela.
Viva o Brasil.

Responder

    L.F.

    17 de agosto de 2012 às 09h53

    É isso aí, resumiu tudo. Viva a alienação!

Paciente

17 de agosto de 2012 às 03h52

Os professores universitários estão recebendo um salário que poucos brasileiros com a mesma titulação acadêmica recebem religiosamente todo o mês, MAS…

MAS estão estão de sem trabalhar.

O problema não é, como se vê, o “mas”…

O problema, problema mesmo é que a Europa esta até a tampa de professores universitários laureados doidinhos para sair da crise e vir ensinar num país tropical com expansão fulgurante do setor, estabilidade no emprego e francas possibilidades (é terra “de cego”).

Cuidado!

Responder

ricardo silveira

17 de agosto de 2012 às 02h07

A nota do Viamundo é digna de aplauso. Mas, não precisava, quem visita sempre esse blog sabe que ele tem acolhido causas importantes, que não tem o espaço para se manifestar a um público maior. Não há dúvida que essa democratização da manifestação das posições políticas é sempre necessária, ainda mais agora que essa disputa entre o governo petista e o atraso da governo neoliberal parece ter reduzido tudo a bandidos e mocinhos.

Responder

Moacir Moreira

17 de agosto de 2012 às 01h58

O crédulo público consumidor acabou votando no coisa-ruim para impedir a eleição do capeta.

A única provável diferença entre o PT e o PSDB é que este último já teria mandado a polícia e o exército reprimir os trabalhadores grevistas na base do porrete.

Mas até quando essa possível diferença continuará válida caso as greves se prolonguem indefinidamente?

Responder

FrancoAtirador

17 de agosto de 2012 às 00h03

.
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STJ
DECISÃO

INQUÉRITO 787

Relator manda publicar decisão que iniciou inquérito sobre Perillo e Cachoeira

O ministro Humberto Martins determinou nesta quarta-feira (15) a publicação da decisão relativa à abertura de inquérito sobre o governador de Goiás, Marconi Perillo.

Para o relator, apesar de a investigação trazer elementos que devem ser mantidos em sigilo, como dados fiscais e bancários e interceptações telefônicas, o interesse público precisa ser atendido com a garantia do acesso de terceiros a informações essenciais sobre os fatos em apuração.

Inquérito

A instauração do inquérito foi requerida pelo Ministério Público Federal (MPF) para apuração de supostos delitos cometidos por Perillo em ligação com Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O governador foi citado por Cachoeira em telefonemas gravados durante investigações relacionadas à exploração ilícita de jogos de azar em Goiás.

Identificado o potencial envolvimento do governador no caso, quando da transcrição das escutas, a investigação foi remetida pelo juiz federal que presidia o inquérito inicial para a Procuradoria Geral da República.

Para o MPF, os elementos apurados até o momento demonstram a existência de proximidade entre Perillo e Cachoeira. A relação estaria indicada pelas conversas de Cachoeira com interlocutores como o ex-senador Demóstenes Torres e Wladimir Garcez, ex-vereador de Goiânia, “muitas relacionadas a decisões de governo”, e referências a encontros entre os dois.

Haveria certeza de pelo menos um jantar, ocorrido em maio de 2011, na casa do ex-senador. O MPF também entende haver influência demonstrada de Cachoeira na nomeação de pessoas para cargos de confiança em órgãos estatais, principalmente no Detran goiano.

Crimes potenciais

Ainda conforme o MPF, além da relação de proximidade entre Cachoeira e Perillo, haveria indícios de prática de possíveis infrações penais pelo governador. Segundo o MPF, Perillo seria não só conivente como avalizaria negócios patrocinados por Cachoeira em favor de interesses da Delta Construções.

Documentos apreendidos na casa de um dos investigados apontariam a existência de contas bancárias em nome de Perillo no exterior, além de uma empresa denominada Aztec Group S/A, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, cujo representante legal teria outorgado procuração ao governador para negociar e firmar contratos com instituições financeiras estrangeiras.

Para o MPF, os diálogos indicariam ainda que Cachoeira tentou entregar dinheiro na sede do governo goiano a um assessor especial do governador. O numerário teria Perillo como destinatário final, já que uma ligação de Cachoeira trataria de mensagem enviada pelo governador a Cláudio Abreu, diretor regional da Delta, relativa a uma “parcela de 500” que deveria ser entregue até aquela sexta-feira. Cachoeira viveria em casa adquirida do governador.

Indícios suficientes

Ao autorizar a instauração do inquérito, o ministro Humberto Martins destacou que basta que os elementos colhidos indiquem a possibilidade de ocorrência de infração penal para que a investigação seja iniciada. “Ademais, o inquérito é o instrumento de que se vale o estado para prevenir-se contra a possibilidade do exercício de uma acusação penal infundada”, esclareceu.

Ele citou ainda que o próprio governador solicitou a apuração dos fatos. “O próprio governador Marconi Perillo concorda com a necessidade da instauração da presente investigação, em face da enorme projeção que os fatos ganharam na mídia nacional”, ressaltou .

Em petição ao MPF, o governador afirma:

“Diante da situação rumorosa que se instalou, o requerente, consciente de sua mais absoluta inocência, busca ser investigado com isenção e seriedade. A investigação deve se dar não por tiras hermeneutas ou pela imprensa sensacionalista, mas por essa prestigiosa casa e sob a supervisão do Superior Tribunal de Justiça. Ressalte-se que o requerente não visualiza nenhum demérito em figurar aqui como ser investigado, firme em sua inocência e ciente das prerrogativas que lhe assistem. Ao contrário, a investigação das autoridades é marca indiscutível do estado democrático de direito e, por isso, confere legitimidade aos governos.”

O ministro atendeu ainda a uma série de medidas requeridas pelo MPF, inclusive o acesso a dados cadastrais de interlocutores de pessoas já interceptadas em escutas telefônicas e a audiência de testemunhas.

Foi garantido, por fim, acesso integral da defesa aos autos, por meio digital.

STJ – Coordenadoria de Editoria e Imprensa

http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=106665

http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=201201161864

Responder

Marcio H Silva

16 de agosto de 2012 às 23h45

21 bilhões retirados do trabalhador pelo fator previdenciário. E eu, aposentado, não posso fazer greve…………PQP ( desculpe o PQP ).

Responder

jaime

16 de agosto de 2012 às 22h19

Num dia dá-se o kit felicidade, mas no outro dá-se o kit reajuste fictício;
Num dia dá-se isenção de impostos, mas no outro dá-se contenção de despesas;
Num dia dá-se o patrimônio público, mas no outro diz-se que é concessão;
Num dia aprova-se o direito de greve, mas no outro proíbe-se operação padrão;
Num dia você posa de esquerda, mas no outro está sendo elogiado pela direita…

Responder

    E.

    17 de agosto de 2012 às 14h48

    É um belo resumo de como era o governo antes da Era Lula.

Rodrigo Leme

16 de agosto de 2012 às 21h03

A culpa é da imprensa até qdo é do PT. Medalha de ouro pro site do Azenha.

Responder

    Lucas Gordon

    16 de agosto de 2012 às 23h03

    Se você conseguiu ler nesse texto algo sobre a CULPA da greve, ou culpa de qualquer coisa, ser da imprensa você merece o prêmio Interpretação de Texto Criativa.

Atila

16 de agosto de 2012 às 20h58

Mas destinar 30% daRCL para 1,5% da população êh uma lastima!

Responder

    Euler

    16 de agosto de 2012 às 23h29

    Uma lástima é destinar 70% da RCL para 0,001% da população. Além disso, o serviço público (não somente o federal) está voltado para toda a população, especialmente para a maioria pobre, que depende dos serviços de saúde, educação, etc. Uma lástima, sem “mas” algum, é a miopia de parcela da população brasileira, que acha normal destinar somente 10 ou 15 bilhões de reais para o programa Bolsa Família – 10 milhões de famílias -, enquanto os banqueiros, empreiteiros e outros tipos abocanham um trilhão de reais, ou mais. Uma lástima, finalmente, é ver um professor do ensino básico – como os de Minas Gerais – receber R$ 1.380,00 de salário total, enquanto os desembargadores que votam sempre a favor do governo abocanham entre R$ 40 mil R$ 170 mil – vide portal transparência.

    Atila

    17 de agosto de 2012 às 14h06

    Não entrei no mérito dos demais fins. Mas Destinaria 15% para educação, saúde, para segurança publica, infra estrutura e tecnologia.Zero para pagamento das dividas. E não mais que 5% para os parasitas dos funcionários públicos. Ok?

Pitagoras

16 de agosto de 2012 às 20h52

Excelente artigo, oportuno e instigante. Enquanto a mídia porcorativa induz a letargia e a aceitação automática do que expressa e ideologicamente impõe na cabeça do desavisado, artigos como este e neste espaço cidadão arejam o ambiente de idéias poluídas em que penamos.
Bravo, JORNALISTA Celso Vicenzi! (com letras maiúsculas!)

Responder

    Pimon

    16 de agosto de 2012 às 23h59

    Péssimo.

    Leigo!

    “No entanto, esses mesmos jornalistas, colunistas, comentaristas não ousam perguntar para onde vai o dinheiro que o país produz, com o suor de todos os trabalhadores. Por que o governo abriu mão, desde 2008, de R$ 26 bilhões em impostos para a indústria automotiva? Que, por sua vez, enviou quase R$ 15 bilhões ao exterior, na forma de lucros e dividendos?”

    ————–
    O governo não deu 26 bi em IPI para a ind. aut., mas para o consumidor final.

    E a arrecadação cresceu!

    A índústria aut. tem lucros, remete-os.

    A Vale fez pior!

    Triste gente ignorante…. mas é ignorante?

    L.F.

    17 de agosto de 2012 às 10h00

    Bom, vejamos como funciona esses benefícios:

    Do Valor – 14/08/2012

    Multa contra fabricante de motores é suspensa

    “A Tritec Motors, joint venture formada originariamente pela BMW e Chrysler, conseguiu cancelar uma autuação de R$ 124 milhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A companhia conseguiu provar que cumpriu o índice mínimo de conteúdo nacional exigido em regime automotivo de 1996, em troca de benefícios fiscais. Segundo advogados, essa é a primeira decisão da Câmara Superior do Carf – última instância do órgão – sobre o assunto.

    Os conselheiros mantiveram decisão de 2007 da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes (hoje Carf). Na ocasião, eles entenderam que a Receita Federal não poderia considerar apenas as peças para definir o índice de nacionalização. Deveria também entrar no cálculo o projeto de engenharia, o desenho gráfico do motor e a mão de obra utilizada, além da própria linha de produção. “Nossa tese, que foi aceita, é de que o laudo pericial não poderia se basear apenas no critério ferro contra ferro, mas também no custo do processo produtivo”, afirma Tarcísio Kroetz, do escritório Hapner Kroetz Advogados, que representou a Tritec no processo.

    A fabricante de motores – hoje de propriedade da Fiat – aderiu ao regime automotivo do governo Fernando Henrique Cardoso para obter redução de 90% no Imposto de Importação sobre compras de matérias-primas. Em troca, comprometeu-se a ter produtos com conteúdo nacional mínimo de 27% em 1999, primeiro ano de funcionamento de sua fábrica em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Até 2002, o índice de nacionalização teria que alcançar 35%. O acordo em relação aos percentuais foi firmado com o então Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) e com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Mas uma perícia exigida pela Receita Federal apontou que 90% das peças dos motores produzidos pela Tritec eram importadas. Com isso, a companhia foi autuada em 2003, e obrigada a pagar R$ 19 milhões de imposto com multa de 75% de juros que, na época, somavam R$ 15 milhões….”

    Ainda do Valor:

    “Cálculo da Receita será incluído em novo regime automotivo

    …Na regra atual, porém, a indústria automotiva tem permissão para incluir na conta outras despesas relacionadas com a produção e a venda de seus produtos, incluindo gastos com publicidade.

    Foi dessa forma também que os incentivos fiscais que beneficiaram as montadoras ao longo dos anos foram calculados. As empresas que concentravam as compras no Brasil sempre levaram mais vantagens….”

josaphat

16 de agosto de 2012 às 20h34

Grande Azenha! A gente não está conseguindo ver este espaço aberto em outros sites ditos de esquerda, que estão mais interessados em eleger alguns candidatos, favoritos de alguns medalhões da política. Pena que uma parte significativa de uma esquerda recente, iludida pelas últimas vitórias nas urnas e pelo brilho do poder, deixou de amar o povo e passou a amar uma sigla, um partido.
O texto é muito bom e seria interessante que aparecessem outros que aprofundassem esta relação perversa entre o investimento que o estado faz na população trabalhadora e na velha burguesia, que com advento da “esquerda” ao poder, se mantém como nunca com as piscinas cheias de ratos.

Responder

Paulo

16 de agosto de 2012 às 20h32

MAS, é um “cara-de pau, esse Alceu, primeiro o meu!

Responder

Fabio Passos

16 de agosto de 2012 às 20h22

Bem remunerar o trabalho é um “crime” que o PIG não tolera…

Responder

Jair Orichio

16 de agosto de 2012 às 20h03

Alguém ai já disse e vou repetir. O Lula sempre falava que: Greve onde o peão não fica sem receber o salário, não é greve…, logo, tem sido muito fácil para os servidores fazerem isso… continuam recebendo… até parece férias… Em tempo, trabalho numa estatal, concursado em 2002.

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    Cesar

    16 de agosto de 2012 às 22h30

    Onde o Lula disse isso? tem registro? Cita a fonte!
    A OIT (Organização Internacional do Trabalho) definiu que o corte de ponto é facultativo a cada empresa em caso de greve, mas a própria OIT recomenda não cortar o ponto, pois o salário é o que mantém a sobrevivência do trabalhador e de sua família Ou seja, o corte de salário é algo muito mias brutal do que a cessão temporária de lucro! De mais a mias, este teu argumento é pra lá de conservador e reacionário, e apenas desvia o foco do que realmente nteressa: a remuneração de capital especulativo e o perdão de dívidas das empresas são um custo muito maior para a sociedade brasileira do que a greev de funcionários públicos. Se vc não conseguiu até hoje passar num concurso público, não desconte suas frustrações nos outros!

Henrique Miranda

16 de agosto de 2012 às 19h45

Meu prezado Alceu. Até que vc argumentou bem, MAS esqueceu de comentar dois aspectos da questão: o aumento real dos funcionários públicos nos últimos anos (acima da inflação) e o descalabro destes funcionários fazerem greve sem deixar de receber salários. Porque ignorou estes Mas? Entendo, vc está no seu papel de assessor sindical. Nada mais justo…
Em tempo: sou funcionário público e de esquerda, mas não sou corporativista.
Abraço.

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    João Vargas

    16 de agosto de 2012 às 21h00

    Não sei qual setor do serviço público você pertence, mas a maioria dos servidores que estão em greve não recebeu um real de aumento nos últimos 4,5 ou 6 anos. Aí incluídos os funcionários do judiciário que tiveram o último reajuste em 2006 parcelado até 2008. Aonde está o aumento real? Quanto a você ser de esquerda só se for da mesma esquerda do seu xará. E corporativista você é, faz parte do corporativismo dos patrões. Abraço.

    Wagner

    16 de agosto de 2012 às 21h09

    Aumento real????

    Acima da Inflação??????

    Isso é piada né?

    CarmenLya

    16 de agosto de 2012 às 21h31

    Eu sou também do judiciário federal e só recebi um aumento, dividido em quatro parcelas, durante o governo Lula. Não me surpreendo com assalariados contra assalariados…afinal, a esquerda não é solidária nem no câncer. Nunca vi um empreiteiro, um banqueiro ou grande empresário combater seus iguais e dizer que o governo está dando demais para sua classe. É mesmo uma dúvida cruel…será justo ou injusto o KIT felicidade para a elite????? Será justo ou injusto repor o salario de funcionários publicos depois de 6 anos?????
    Henrique, durante a escravidão os “escravos da casa grande” tinham solene desprezo pelos “escravos da senzala”…inclusive denunciavam qualquer tentativa de fuga destes. Ficavam felizes com qualquer migalha que sinhôzinho ou sinházinha lhes atirasse. Se você é assalariado pense bem nisso. E você “pensa” que é de esquerda. Talvez seja canhoto!!!!!!
    Bem, vou assistir meu time jogar…futebol está mais intelectual do que certas postagens.

    Mário SF Alves

    19 de agosto de 2012 às 14h52

    Brilhante CarmenLyra. Esse “durante a escravidão os “escravos da casa grande” tinham solene desprezo pelos “escravos da senzala”…inclusive denunciavam qualquer tentativa de fuga destes. Ficavam felizes com qualquer migalha que sinhôzinho ou sinházinha lhes atirasse.” é formidável. Isso sim é que é fechar com chave de ouro. Pois é essa classe média “escavos da casa grande” jamais se solidarizaria com os “escravos da senzala”. Cada dia me convenço mais disso; haja vista o ódio que a maioria deles nutre pelo PT e pelo Lula.

Sr. Indignado

16 de agosto de 2012 às 19h08

Tem coisas absurdas. Algumas categorias instaladas até 100km da fronteira ganham o adicional de fronteira (GEL), enquanto a PF NA fronteira, na linha divisória, alí no limite do Brasil, não ganha.

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Sr. Indignado

16 de agosto de 2012 às 19h07

Meu salário tá internet, para quem quizer ver e “chorar”, pois há uma crença que todo servidor público é marajá e trabalha pouco.
A realidade é que a maioria trabalha em excesso, ganha pouco e é muito qualificado, pois passou em concursos concorridos.

Movimentos sociais dificilmente tem voz na imprensa.
Obrigado Viomundo.

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    Julio Silveira

    16 de agosto de 2012 às 20h34

    Faço minha suas palavras, e acrescento que este se firma como uma excessão, mesmo entre os Blogs sujos. Esses estão cada vez mais parecidos com seus congeneres da direita, só que imbuidos da busca pela lavagem cerebral com viés a esquerda.

lulipe

16 de agosto de 2012 às 19h01

Parabéns pelo texto.O governo do PT mostra a cada dia que passa que é mais do mesmo na política brasileira, só mudam os protagonistas!!!

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    Mário SF Alves

    19 de agosto de 2012 às 14h46

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Quem dera! Só assim teríamos um Lulipe menos arrogante, menos tendencioso, menos inocente útil (será?!!) e bem mais comportado.

José Djamar

16 de agosto de 2012 às 18h59

Esse “mas” é usado habitualmente pela “grande imprensa” com o objetivo de desqualificar qualquer resultado positivo do governo federal atual.

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