VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

Carlos Marcondes: As pedras de R$ 3 milhões e o risco de acidentes


04/12/2012 - 15h58

Obra do DER cria um mergulho para o acidente

por Carlos Marcondes, via e-mail

Uma obra de proteção de taludes realizada pelo DER – Departamento de Estradas e Rodagens, na praia de Massaguaçu, Litoral Norte paulista poderá causar graves acidentes aos banhistas que forem passar o verão na cidade de Caraguatatuba. Em uma tentativa de conter o avanço do mar no Km 90 da rodovia SP 055, também conhecida como Rio-Santos, foram gastos quase R$ 3 milhões para aterrar e colocar pedras na areia da praia, junto ao acostamento da estrada.

Para realizar o projeto o DER contratou a empresa Compec Galasso, que arrancou coqueiros e palmeiras plantadas há décadas no local, para colocar pedras de diversos tamanhos, soltas sem nenhuma proteção de contenção. Segundo relatos de moradores, em apenas quatro meses, desde que a obra foi concluída, já há diversas pedras grandes que foram puxadas para dentro do mar após algumas ressacas no final do inverno, início desta primavera.

“Já têm diversas pedras grandes dentro do mar, bem na beira, escondidas pela água, onde o banhista não faz ideia do que poderá encontrar ao tentar mergulhar”, revela Moises da Silva Ferreira, morador do bairro de Massaguaçu há 12 anos. Moisés, que é zelador em um prédio na frente da rodovia, denúncia ainda, que mesmo durante a obra, os funcionários da Compec Galasso tiveram que retirar pedras de dentro da água, após uma forte ressaca ocorrida em julho passado. “Eles mesmos puxaram as pedras do mar, já sabendo que seria uma questão de tempo para que todas elas sejam engolidas nas próximas ressacas. É um absurdo gastarem milhões para acabar com a praia e ainda criarem um pesadelo para quem for entrar no mar”, desabafa.

Além dos riscos à segurança dos banhistas e do mau uso do dinheiro público, a obra também causou impactos ambientais ao retirar árvores, dificultando o acesso à praia e destruindo a paisagem turística do local. O médico Mauro Fortes Moraes, morador da Massaguaçu, alerta também para a retirada do espaço onde antes existia o ponto de ônibus na rodovia. “Para desembarcar as pessoas têm agora que saltar de uma vala que foi criada pela obra, causando um enorme risco de acidente para quem necessita de transporte público”, comenta Moraes.

Para o analista de sistemas Maurício Fontana, outro morador que acompanhou a obra de perto, o significado de Talude, segundo o dicionário, nada mais é que um muro de contenção, algo que não foi feito nesta intervenção na rodovia. “É uma vergonha terem deixado as pedras soltas. Todos que passam por ali têm a impressão de que a obra não acabou e que eles farão um muro correto e descente, que realmente atenda às necessidades de segurança e acessibilidade da comunidade”, explica.

O outro lado

Segundo o DER a obra foi concluída de acordo com o projeto. Em resposta enviada pela assessoria de imprensa do órgão, que também sofre um inquérito instaurado pelo Ministério Público de Caraguatatuba sobre licenças ambientais para executar a obra, tudo foi feito de acordo a necessidade de manter a segurança dos usuários da rodovia. Por telefone, o engenheiro Marcos Humberto da Compec Galasso, responsável pela obra, apenas disse que a obra foi realizada de acordo com o projeto do DER e que não tinha mais nada a declarar. Já a ouvidoria e a secretaria de obras da prefeitura de Caraguatatuba foram procuradas e não quiseram comentar o caso.

Abaixo a resposta oficial do DER

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informa que de acordo com a empresa responsável pelo projeto de obras para proteção de talude na SP-055, altura da Praia Massaguaçu, os serviços foram realizados em concordância com o previsto em projeto.

Cabe ressaltar que as obras de proteção de talude, de aproximadamente 500 m, foram necessárias para manter a segurança de motoristas e usuários da rodovia, além de garantir boas condições de trafegabilidade no trecho, já que havia eminente risco de rompimento da pista, na ocasião de ressacas ou elevação da maré.

É importante também informar que o projeto não previa ações de paisagismo ou “promessa de urbanização”.

Quanto ao inquérito instaurado pelo Ministério Público de Caraguatatuba, para averiguação de aprovação dos órgãos ambientais, o DER esclarece que para a realização desta obra em específico não foi necessária a emissão de licenças ambientais, como prevê a Resolução SMA 81/98 – CETESB.

O DER informa ainda que manterá constante o trecho sob constante fiscalização.



Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


11 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Daniel

07 de dezembro de 2012 às 08h02

Deve ter ficado ululantemente óbvio que no nosso país, o carro é muito mais importante do que o pedestre.

Responder

Gilberto Maringoni e Verena Glass: A regulação da mídia na América Latina « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 10h11

[…] Carlos Marcondes: As pedras de R$ 3 milhões e o risco de acidentes […]

Responder

Mário SF Alves

05 de dezembro de 2012 às 21h26

Três milhões de R$?!! Bom… deixa ver o que pode fazer com três milhões.

Responder

Belmiro Machado Filho

05 de dezembro de 2012 às 16h02

Sou nascido e criado no vale do Paraíba. O “jornalista” Carlos Marcondes é um reaça assumido. O seu programa Diálogo Franco na tv Band Vale é um palanque político-ideológico do PSDB.O prefeito de Caraguatatuba é tucano. Creio que esse texto-denúncia seja para acobertar algum deslize do próprio prefeito.

Responder

    Lucas

    10 de dezembro de 2012 às 15h11

    @ Belmiro Machado Filho
    É outro Carlos Marcondes, são homonimos! Este sim é Jornalista, pode retirar as “aspas”

Leandro Fortes: A moral de velhas prostitutas « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de dezembro de 2012 às 12h49

[…] Carlos Marcondes: As pedras de R$ 3 milhões e o risco de acidentes […]

Responder

Mardones Ferreira

05 de dezembro de 2012 às 08h49

Vão conter o avanço do mar com aquela barreira de pedras?! Sendo que já há relatos de pedras levadas para dentro do mar.

Infelizmente, muitos desses projetos são apenas para favorecer empresas ligadas a políticos. E o interesse público que se dane.

Viva o Brasil!!!

Responder

Entidades criticam Alckmin: É boicote à redução da tarifa de luz « Viomundo – O que você não vê na mídia

04 de dezembro de 2012 às 20h20

[…] Carlos Marcondes: As pedras de R$ 3 milhões e o risco de acidentes […]

Responder

Orivaldo Guimarães de Paula Filho

04 de dezembro de 2012 às 19h30

Que lógica perversa, destruir a praia para proteger veículos automotores.

Responder

Apavorado por Vírus e Bactérias

04 de dezembro de 2012 às 19h21

R$ 3 milhões para jogar esse monte de pedras na praia até eu que sou mais imbecil que esses engenheiros faria e levaria para casa uns R$ 2,9 milhões. Só que eu seria multado, multilado enjaulado por fazer tamanha atrocidade no local. Agora o DER não.

Aliás, levei 8 multas do DER este ano. Os policiais da polícia rodoviária estadual de sp colocam o radar voltado para quem sobe a Via Anchieta e depois jogam a multa como se a gente estivesse descendo para o litoral, num local em que nunca passo. Vou me defender mostrando as diferenças nas fotos. Eu ainda não consegui entender porque da maracutaia, mas vou descobrir. E quem estiver lendo isto e se ferrou com a maracutaia, escreva aqui.

Parece que no DER é tudo torto. O que os caras têm que fazer lá é dar lucro a qualquer custo e a qualquer obra.

Responder

Miriam

04 de dezembro de 2012 às 17h47

O que é um projeto que não inclui urbanização?

Responder

Deixe uma resposta para Daniel

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!