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Brian Winter: Bolsonaro prepara a sua própria invasão do Capitólio
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Brian Winter: Bolsonaro prepara a sua própria invasão do Capitólio


02/04/2021 - 19h07

Um inseguro Bolsonaro se prepara para o seu dia 6 de janeiro

POR BRIAN WINTER*, na revista Americas Quarterly

Na véspera da invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro, estava em Washington, se reunindo com Ivanka Trump e outros líderes de seu movimento conservador global.

Quando os desordeiros ficaram aquém do objetivo pretendido, e Joe Biden foi empossado com sucesso, Bolsonaro, que também é o chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados do Brasil, reagiu com consternação — com a aparente incompetência dos desordeiros.

“Se eles tivessem sido organizados, eles teriam tomado o Capitólio e feito exigências que teriam sido previamente estabelecidas pelo grupo invasor”, disse ele.

“Eles teriam um poder de guerra mínimo para que ninguém (do lado deles) morresse — matasse todos os policiais ou os congressistas que todos odeiam”.

A dramática remodelação do ministério do presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira parece destinada a evitar um destino semelhante — se organizar agora e evitar ser “ilegitimamente” afastado do cargo mais tarde.

Embora isso possa soar para alguns como uma conspiração, é uma reação lógica aos acontecimentos recentes no Brasil, incluindo o pior aumento mundial de mortes de COVID-19, uma nova ameaça de impeachment do Congresso e a emergência inesperada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pesadelo ambulante da direita brasileira, como um forte competidor na eleição de 2022.

Sob pressão, Bolsonaro está dobrando seus aliados mais próximos e, especialmente, tentando garantir que ele tenha o apoio de que precisa dos militares brasileiros — aqueles com o “poder de guerra”.

O antigo “Trump Tropical” está determinado a evitar os erros percebidos de seu ídolo.

Bolsonaro fez mudanças na segunda-feira em quase um terço de seu gabinete, incluindo áreas críticas como o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores.

Mas sua decisão mais importante foi demitir o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

General aposentado, Azevedo se distanciou publicamente do Bolsonaro durante um ataque anterior de instabilidade institucional em maio de 2020, quando o presidente declarou que não “permitiria mais interferência” do Supremo Tribunal Federal e que “as Forças Armadas estão do nosso lado”.

Em resposta, Azevedo publicou uma carta declarando que os militares estavam separados da política e pedindo “independência e harmonia” entre os três poderes do governo.

Embora o confronto tenha diminuído, Bolsonaro nunca o perdoou e decidiu que as tensões de 2021 exigiam uma figura mais leal que pudesse fornecer-lhe apoio militar incondicional.

Azevedo aludiu claramente ao motivo de sua demissão em uma carta na segunda-feira, dizendo que “preservou as Forças Armadas como instituições do Estado” sob o governo de Bolsonaro.

Não está claro se o jogo de poder do Bolsonaro funcionará — ou saiu pela culatra.

As Forças Armadas estão divididas entre um corpo de oficiais que atingiu a maioridade durante a desgraça que se seguiu à ditadura de 1964-85 (cujo “aniversário” é quarta-feira), e geralmente reluta ser visto como político, e uma geração mais jovem cujo ódio pela esquerda tende a superar essas dúvidas.

Por meio de intermediários e outros meios, o corpo de oficiais deixou claro em várias ocasiões em 2021 que, embora militares aposentados e na ativa ocupem dezenas de cargos importantes neste governo, seu apoio ao presidente não é incondicional.

Os chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea deixaram seus empregos na terça-feira, no que fontes disseram ter sido uma renúncia em massa em protesto contra a demissão de Azevedo.

“A notícia aqui é que as Forças Armadas SE RECUSAM a apoiar um projeto autoritário de um presidente isolado”, me disse uma pessoa próxima aos militares brasileiros.

Não estava claro se isso fortaleceria Bolsonaro, permitindo-lhe nomear oficiais mais leais, ou o deixaria mais fraco.

As razões da insegurança de Bolsonaro são mais fáceis de entender.

A COVID-19 vem ceifando mais de 2.500 vidas por dia, fazendo com que o Brasil seja responsável por um terço de todas as mortes globais nos últimos dias.

As elites políticas e empresariais do Brasil culpam a negação e desorganização do presidente por grande parte da carnificina — que também teve um novo impacto sobre a economia, com alguns agora esperando outra (pequena) recessão na primeira metade do ano.

Em 24 de março, Arthur Lira, o presidente da Câmara, efetivamente notificou o presidente — evitando a palavra “impeachment”, mas alertando que o Congresso tem “remédios” à sua disposição, “alguns deles fatais”.

Em um país onde dois presidentes sofreram impeachment desde a década de 1990, a ameaça era bastante clara.

A maioria das mudanças no ministério de Bolsonaro foram projetadas para fortalecer a aliança com o Centrão, a coalizão que se comporta de forma notoriamente desleal à qual Lira e outros líderes importantes do Congresso pertencem.

Mas se a jogada falhar — e a história mostra que pode — o plano de backup claro de Bolsonaro é ter tantos homens armados do seu lado quanto possível no caso de um impeachment ou um resultado adverso nas eleições de 2022.

Sim, isso pode soar “alarmista” ou “melodramático” — e não está claro se as Forças Armadas, ou o resto das instituições democráticas ainda resilientes do Brasil, permitiriam tal sequência de eventos.

Mas uma das principais lições de 6 de janeiro nos Estados Unidos foi que é preciso ouvir com atenção quando os aspirantes a autocratas dizem quem são e o que planejam fazer.

A nostalgia pela ditadura e o ódio pela esquerda “comunista” foram os únicos fios ideológicos consistentes da carreira política de 30 anos de Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o presidente alertou sobre uma possível fraude nas eleições de 2022, referiu-se ao Exército como “meu”, assinou decretos para permitir que seus apoiadores se armassem e disse a uma multidão de cadetes militares que “se dependesse de mim”, o Brasil estaria vivendo sob um sistema político diferente, presumivelmente autoritário.

Com exceção de Kim Jong Un da ​​Coreia do Norte, nenhum outro grande líder global esperou tanto para reconhecer a vitória eleitoral de Biden.

As razões podem ter menos a ver com afinidade ideológica e mais com o olhar para um futuro incerto.

*Brian Winter é editor-chefe da Americas Quarterly e vice-presidente de políticas públicas da Americas Society/Council of the Americas, um grupo que reúne empresários dos Estados Unidos com interesses econômicos na América Latina.





8 comentários

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Bíblia do Bolsonarismo

04 de abril de 2021 às 22h44

o fato da democracia ter falhado por lá, é antidemocrático querer que aqui também aconteça. A democracia é a obrigação do eleito fazer tudo que quer os seus eleitores. A maioria foi clara em votar pela volta da Gloriosona para fazer 20000% a mais tudo que a Gloriosa não fez

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Zé Maria

03 de abril de 2021 às 20h19

“Nunes Marques concede autorização
para igrejas acelerarem encontro
de fiéis com Deus”
https://twitter.com/Sensacionalista/status/1378485709271670788

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Kaio Nunes

03 de abril de 2021 às 19h24

O mundo tá globalizado, só Cuba e Coreia do Norte tá fora do “eixo”. Mas a Coreia tem bomba atômica já e míssil que alcança os EUA. Meio difícil mexerem com o coreano doido.
Se EUA já tem o nosso petróleo acho muito difícil eles apoiarem certas coisas aqui. Já conseguiram o que queriam. Petróleo. Outras coisas TB já tem daqui.
A estratégia da nao-vacina se mostra totalmente furada pq tira muitos votos. São votos que podem fazer falta.
Sei lá. Não acho o exército 100% fechado com o presidente não. Acho a coisa bem dividida. Nem entre os generais ele tem 100%.
Pode ser que o EB o apoie num golpe, mas acho meio difícil num mundo globalizado. O Brasil e muito grande. Chama a atenção no mundo.
Embora o exército controle as urnas eleitorais na eleição.
O pouco que vejo é um enorme descontentamento e decepção geral com uma política econômica tão miúda.
Fica difícil jogar a culpa em cima da pandemia sendo que todos países sofrem com a pandemia. No entanto, esse mês passado os EUA bateram recordes de geração de emprego mesmo com pandemia.
Fica claro que o problema não é só a PANDEMIA.
Com a estratégia de não vacinar ele perdeu muito terreno. Perde todo dia.
Não tem Lockdown em nenhum local do Brasil e nunca nessa pandemia teve, porém o país não cresce. Acaba sendo dias de trabalho com pouco lucro. No fim do ano vai representar muito pouco no PIB.
Essa política econômica de só vender se mostra num grande fracasso. É bom para a imprensa, minion, Mercado etc., mas tá tudo parado. O país cresce muito pouco. Quase não cresce pra dizer a verdade.
O que sobra ?
Bolsa família. Deve usar isso na eleição bastante. O que os nobres diziam que o PT fazia.

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Kaio Nunes

03 de abril de 2021 às 14h34

Estudam na AMAN ciências. Ciências Militares.
Negar a ciência é regredir na história uns 800 anos.
Só isso já desmonta a tese presidencial.
Ele vai perder a eleição para ele mesmo.
Se todo mundo que teve covid não votar nele, ele vai ter um problemão de 15 milhões de votos a menos.
E a vacina russa é um sucessão. E a chinesa tb e boa e todas as vacinas é o melhor que temos contra a covid.
Tem muita ciência nos hospitais, inclusive no hospital Albert Einstein que o mandatário da nação se trata.
Se com toda essa ciência muita gente morre imagine usando o achismo.
O que um atleta faz no EB ?

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Zé Maria

02 de abril de 2021 às 21h53

Por falar em Capitólio, Fascista Ensandecido
jogou um Carro no Congresso dos EUA e matou
um Guarda Legislativo, antes de ser Baleado.
Correspondente da Folha tranquilizou a População
afirmando que não foi um ‘Ato Terrorista’.
https://twitter.com/marinaadias/status/1378063385678471179
Ora, Brancos Ocidentais nunca são Terroristas.
https://twitter.com/eudeinis/status/1378063668093595649

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