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Diário da Resistência


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Doutor João Odilo: “Até quando iremos tolerar isso, meu Deus?”


12/10/2011 - 16h37

por João Odilo Gonçalves Pinto, enviado por e-mail Gustavo Feitosa

“Caros Colegas

Geralmente engulo desejos agudos de desabafar os problemas do mundo porque palavras não mudam nada mesmo, no outro dia a gente esquece e ainda fica com fama de rabugento. Ontem, no entanto, a sequência de eventos foi tal, que não vejo outra saída. Então aí vai!

Os eventos que ensejaram esse meu desabafo foram o somatório de, digamos, duas ocorrências no plantão de ontem durante minha aula. Primeiro, o fato de haverem três apendicites, duas obstruções intestinais, uma colangite e outras tantas amputações de urgência que estavam numa fila insana aguardando por uma cirurgia nos corredores do hospital. Havia casos de alguns dias de espera. Pasmem que isso é quase rotina por lá, mas ontem estava pior. No plantão, apenas um cirurgião pois o outro estava de férias e não foi substituído, um anestesista já ocupado e nenhuma vaga na sala de recuperação ou UTI, nenhuma sala de cirurgia livre.

Para completar a folia da insanidade, aparece nosso querido Patch Adams com uma comitiva enorme de palhaços onde já não cabia mais ninguém. Com safonas e brincadeiras diante do olhar sem graça daquela gente doente e dos saltitados das equipes de enfermagem. Ajudem-me, por favor, a entender porque justo eu, que sempre adorei aqueles palhaços na enfermaria, achei a presença deles na emergência uma falta de respeito sem tamanho. Provavelmente ele não sabia que aquela senhora com sonda nasogástrica e obstrução intestinal com quem ele conversava e de quem não recebia reação alguma, esperava há 2 dias por uma cirurgia que não seria realizada pelo menos nas próximas 24h.

Acho que não é preciso dizer que os serviços de emergência do país são ruins, superlotados, desumanos, em que vidas são perdidas por falta de atendimento adequado. Há momentos, entretanto, em que fico me perguntando se algumas pessoas não estão por dentro do assunto, ou se é só anestesia coletiva mesmo. Convivo com esse problema desde cedo na minha carreira e tenho visto como se agrava a cada dia. Frotinha, Frotão e HGF são os hospitais de emergência adulta de Fortaleza e frequentei a todos como estudante e depois como profissional. Aprendi com meu pai, com quem dei os primeiros plantões de minha vida, a tratar aquela gente com respeito. É esse respeito que nos permite reduzir nossas diferenças para que haja compreenssão, decência, humanidade no atendimento! Aprendi com meu velho uma coisa meio óbvia, mas que muitos se esquecem: que tratamos as doenças tratando as pessoas bem! Esses são valores que têm que ser cultivados nos médicos. Sempre tive a idéia de que a busca em ser um bom médico é indissociável da busca em ser uma boa pessoa!

Atualmente, como professor, sem o viés assistencialista, levo meus alunos a emergência do Hospital Geral com um olhar ainda mais sensível. Escutamos juntos inúmeras histórias de agonia e sofrimento. Muitos dos casos em que nos envolvemos, além de não serem resolvidos de imediato, como gostaríamos que fosse conosco, ainda são agravados pelo ambiente desumano em que ocorrem os atendimentos. Nos corredores e no hall do hospital, em macas improvisadas como enfermaria, quase ao chão, se amontoam pessoas numa quantidade que por vezes passa de 100. As equipes apelidam o local de piscinão para vocês terem uma idéia. Já pensei em fazer 365 fotografias diárias do mesmo local, para mostrar o pouco que se faz para mudar aquela situação. Ou talvez pôr uma webcam em tempo real daquele absurdo. Não sei. Apenas reportagens pontuais país afora, ou como a que acabo de ver no jornal local não parecem surtir efeito veja aqui).

Que inveja não deve sentir a medicina de emergência do SUS vendo outras áreas como os transplantes por exemplo. Com equipes bem pagas, leitos reservados, material cirúrgico exclusivo, oferta de equipes que geralmente dá conta dos poucos doadores que surgem. Orgulho para sociedade em cada procedimento, não é difícil de encontrar apoio em qualquer círculo social. Na emergência pública é o contrário: todo mundo é mal pago, não há leitos, não há material, a oferta é insuficiente e para sociedade é motivo vergonha! Talvez seja porque no SUS a lista de transplantes seja para ricos e pobres enquanto a lista da emergência é só para os pobres. Não tenho nada contra os transplantes, muito pelo contrário, também tenho orgulho, mas me aproprio desse exemplo em defesa dos esquecidos serviços de pronto- atendimento.

O Hospital das Clínicas da UFC [Universidade Federal do Ceará] fechou as portas de sua emergência nos anos oitenta para nunca mais a reabrir. Em seu lugar, prédios para tratamentos do cancer, laboratorios, bloco cirurgico renovado, transplantes, novos serviços. Nada que não reflita o que vem acontecendo mundo a fora com a medicina, cada cada vez mais especializada. Isso é outra discussão, eu apenas menciono para tentar entender as raízes do nosso abandono da medicina de urgência, já que isso, meus caros, não aconteceu por aí mundo afora. Aconteceu conosco. E vivemos mais esse contraste de ter serviços e tratamentos sofisticados enquanto ainda se morre de apendicite ou de trauma sem conseguir uma cirurgia!

O que sinto neste momento é que, enquanto os problemas de saúde mais imediatos não puderem ser resolvidos, fica difícil comemorar qualquer conquista que seja no SUS. Resolver o problema das emergências deve ser encarado como uma questão de honra para quem está envolvido com a saúde. Enquanto esta situação persistir a impressão é ficamos todos com as mãos sujas. Basta! Até quando iremos tolerar isso meu Deus? O pior é que nunca vi uma greve de médicos por uma causa que não envolva reajuste salarial. Pede-se melhores condições de trabalho, mas a discussão acaba quando sai o aumento. E assim vamos tolerando trabalhar nesses ambientes insalubres e anestesiados perante o sofrimento alheio. Pior ainda, formando médicos que perambulam por esses lugares se contagiando com essa insensibilidade toda, correndo risco de concluir que isso é normal! Logo o tratamento de emergência minha gente! Logo a emergência! Campeã de seriados americanos, inspiradora de todo jovem que sonha ser médico. A medicina de urgência é bonita de se fazer. É heróica, é emocionante, é gratificante. O ato de oferecer alívio a uma dor, por exemplo, tem que ser visto como um momento mágico para qualquer médico! O contrário tem que ser visto como crueldade!

Isso tudo é muito triste meus amigos. Por isso conclamo a universidade a adotar a bandeira da luta pela resolução do problemas das Emergências do SUS. A solução passa por pressões políticas, que podem ser incômodas de se fazer, mas pode passar também por uma incansável divulgação dessa realidade. Algo tem de ser feito.

Emergência não pode esperar!”

João Odilo Gonçalves Pinto é cirurgião do aparelho digestivo em Fortaleza (CE)

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



22 comentários

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odilo joão ben

20 de agosto de 2015 às 10h58

E isso mesmo; Amigo;

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Liane e Nazareno

17 de julho de 2014 às 22h02

Lemos seu artigo äte quando iremos tolerar isso,meu Deus. Ficamos felizes em lhe encontrar e concordamos inteiramente com suas ideias, e uma grande verdade o que acabamos de ler. Parabens, abraços e ate breve.Liane e Nazareno Cavalcante

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Carlos Augusto

22 de outubro de 2011 às 19h39

Parabéns Dr. Odilo! O Sr. conseguiu expressar muito bem o sentimento de todos nós que vivenciamos o cotidiano da emergência do HGF e de outros hospitais em Fortaleza!

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Shirley

15 de outubro de 2011 às 10h29

Caro joão, eu tb. Fico angustiada com isso!!! Cade o ministério publico, a defensória publica que não vê isso!!!

Acho o ministério publico uma entidade seria, devemos denuciar.

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A RESSACA DOS CANSADOS DA VELHA MÍDIA « LIBERDADE AQUI!

14 de outubro de 2011 às 13h45

[…] Doutor João Odilo: “Até quando iremos tolerar isso, meu Deus?” Rate this: Like this:LikeBe the first to like this post. […]

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Luci

13 de outubro de 2011 às 15h11

Isto é democracia?

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Fátima Oliveira

13 de outubro de 2011 às 14h40

A carta do doutor João Odilo retrata a realidade. Infelizmente não apenas de Fortaleza, mas com certeza de todas as capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, que vendem a a ideia, mesmo no Ministério da Saúde, que é o sétimo céu, não é diferente… A pergunta é: QUEM VAI ENCARAR?
Foi a pergunta com a qual encerrei o artigo aqui publicado (A política e a rede nacional de atenção às urgências do SUS), em 26 de julho passado, com a chamada: "Fátima Oliveira: Portaria frustra quem peleja nas emergências". https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-oliveira-...

TRECHO: "A portaria frustra quem peleja na atenção à urgência e à emergência por não expressar em seus propósitos o calor escaldante das enfermarias superlotadas, o frio gelado dos corredores no inverno; nem o sofrimento de doentes amontoados em macas em corredores, como regra cotidiana, a mais perfeita tradução do inferno de Dante…
Dias e dias a fio numa maca e até nela morrer são retratos dolorosos de desrespeito aos direitos humanos. QUEM VAI ENCARAR?"

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Martinho

13 de outubro de 2011 às 14h21

À quem interessar possa.
Hoje, dia 13.10.2011, o Ministério da Saúde publica no DOU a Portaria GM/MS n° 2395, que organiza o componente hospitalar da rede de atenção às urgências no âmbito do SUS.
O que isso tem a ver com o post? Tudo…

O Ministério da Saúde em um esforço estratégico está modificando/aperfeiçoando todo o modelo lógico de atendimento às urgências e emergências…a conferir na página específica do sitio eletronico do MS, a saber: Portal Saúde Toda Hora >>> http://www.saude.gov.br/saudetodahora

No caso dessa última portaria, tem-se o financiamento de equipamentos, material permanente, leitos de UTI por meio de propostas de projetos encaminhadas ao MS. Destaca-se tambem a formalização dos Nucleos de Acesso e Qualidade Hospitalar.

Isso resolve o problema completamente??? Não…

Sem a ajuda diuturna dos governos estaduais e municipais, não adianta o MS formular e financiar politicas de saude…

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Jairo_Beraldo

13 de outubro de 2011 às 13h20

Há uma luz no fim do túnel. Estiveram reunidos em Goiania na semana passada, figuras ilibadas e imaculadas que elaboraram um memorando de gestão de saúde pública.

Foram eles:
– M. Perigo – reizinho de Goiás(responde à 38 processos por formação de quadrilha, má gestão do erário, dentre outros crimes contra o patrimonio público)
– G. Alckmin – sabichão paulista (abafador de CPI's na AL-SP)
– A. Gabriel – protetor de grileiros e madereiros
– A. Anastasia – poste de Aécio e violador dos direitos de educadores
– T. Vilella Fº – santo alagoano
– B. Richa – perseguidor de blogueiros sujos para abafar informações

Como se vê, Dr. João Odilo, é só questão de tempo para os hospitais públicos funcionarem com competencia e dignidade.

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beattrice

13 de outubro de 2011 às 14h01

Lamentavelmente o texto retrata a mais fiel realidade em todo o país, salvo uma ou outra exceção que apenas confirma a regra.
A medicina de emergência no Brasil se enquadraria numa especialidade negligenciada, em todas as esferas, tanto que apesar de reiterados esforços o grupo que lidera as poucas residencias e grupos de treinamento não conseguiu no governo Lula e não consegue com o sr. Padilha o reconhecimento sequer da área como especialidade médica, o que poderia institucionalizar a luta e o organizar o embate no SUS.
Não há sequer a conscientização politico-institucional de que uma boa, mesmo que não seja excelente, medicina de emergência, agilizaria a atenção hospitalar e administrativamente reduziria custos do SUS a médio e longo prazo.
Em tempo,
a simples presença de um grupo "Patch Adams" no ambiente de emergência, no contexto da realidade brasileira, só pode ser piada de péssimo gosto.

Responder

    Leopoldo Gurgel

    18 de outubro de 2011 às 01h06

    Beattrice, sou interno do hospital e queria deixar claro que não foi um grupo Patch Adams. FOI O PATCH ADAMS EM PESSOA e uma comitiva de palhaços brasileiros e estrangeiros. Imagine a situação…
    http://www.hgf.ce.gov.br/index.php?option=com_con

nina

13 de outubro de 2011 às 09h53

Dr. João, se o senhor que está do outro lado do atendimento médico se sente assim, imagine o que é estar como paciente e sendo tratado pelo sistema como "um nada".
aguardemos 2015, passada a euforia e gastança com a "copa do mundo no brasil", infelizmente as expectativas são cada vez mais sinistras.

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monge scéptico

13 de outubro de 2011 às 09h01

DR. É F…………………………………….!

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Fabio_Passos

12 de outubro de 2011 às 23h13

Excelente entrevista.

Porque o SUS é excelente p/ transplantes e péssimo p/ emergência?

Matou a charada:

"Talvez seja porque no SUS a lista de transplantes seja para ricos e pobres enquanto a lista da emergência é só para os pobres."

Privilégios para ricos e abandono para os pobres. Esta é a regra que precisamos mudar no Brasil.

Já passou da hora de tascar taxa na minoria branca e rica para financiar atendimento de saúde de qualidade para a população pobre.

Responder

    Romero

    13 de outubro de 2011 às 02h19

    Na verdade a tabela de transplante remunera o hospital muito bem, enquanto a emergência só dá prejuízo. O transplante ajuda a manter a emergência aberta.

    Fabio_Passos

    13 de outubro de 2011 às 12h45

    Então.

    A percepção do médico é que transplante remunera bem o hospital porque atende demanda dos ricos. Consequentemente são bons os serviços prestados.
    Já a emergência remunera mal porque atende os pobres. E aí está o caos.

zeca

12 de outubro de 2011 às 21h35

Sempre digo: O problema da saúde do Brasil não é qualidade e sim distribuição.
Vejam se somarem tudo o que é feito de graça neste pais pelo SUS, NENHUM país do mundo se iguala (transplantes, medicações alto custo – HIV, tumores, doenças geneticas raras-, cirurgias complexas e ate plásticas, tratamento de cancer, etc). Porem, quanto mais periferico e emergencial o serviço, mais deficitário ele é.
Talvez o problema de ser quase exclusivo para classe mais pobre (os serviços de urgencia do SUS) pese no fato dos gestores desses locais possam desviar recursos mais facilmente ou desleixarem na administração (já que os mais carentes pouco sabem reclamar ou fazer pressão politica)
De qualquer forma tem muita coisa errada, pois geralmente os que conseguem medicações caras (e na maioria fora das listas do governo) são os mais ricos (e que poderiam pagar). Lembro bem do inicio da AIDS, a pressão para a liberação dos caros retrovirais devido ao fato de muitos dos acometidos eram ricos e famosidades(lembro bem quando no estagio de infectologia, via pessoas chegando de carro importado para pegar medicamentos de graça do SUS). Enquanto isso em varios rincoes faltava medicamentos para vermes (os mais baratos) fazendo milhares de crianças morrerem de desidrataçao. VOCES CONSIDERAM ESSE PESO?>
Em todos os paises se adotam listas de medicamentos que podem ser usados (excetuam-se os experimentais e os muito caros com simililares), mas só no Brasil a justiça da direito para que o paciente (as vezes com interesses de raros medicos e varios advogados que visam uma comissao) se consegue qualquer medicação (e que as vezes nem é usada), baseando-se no preceito de que Saude é dever do Estado (Vai nos EUA pra ver se eles te dão sequer uma Aspirina…vai lá pra ver..é tudo pago! Pra gqnahr atendimento tem de entrar numa fila para ganahr o medicalcare e depois escolher varias filas..). Esse dever deveria sempre ser avaliado por uma comissão. Tudo tem de ser pensado, senao vira a casa da mae joana (só para os ricos é claro).
Tem muito mais coisas que eu sei, e que abalam nossa classe social, mas que eu não compatibilizo. Mas não dá pra falar tudo.

Responder

    beattrice

    13 de outubro de 2011 às 12h51

    Prefiro considerar um bom modelo de distribuição de medicamentos o do Canadá, onde vc não tem que entrar na justiça para ameaçar com prisão as "autoridades" da saúde por descumprimento constitucional.

Ricardo

12 de outubro de 2011 às 19h10

Esses governos corruptos que sugam nosso dinheiro nao investem o dinheiro como deveriam.

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O_Brasileiro

12 de outubro de 2011 às 17h16

Algo já pode ser feito: Denunciar os diretores clínicos e técnicos dos hospitais onde as emergências estão funcionando dessa maneira no Conselho Regional de Medicina e nos Ministérios Públicos Estadual e Federal! Os médicos plantonistas não podem se recusar a trabalhar, pois é serviço de emergência, mas também podem pedir ao Sindicato dos Médicos para fazer uma vistoria no local, e processar os hospitais que não apresentem condições adequadas de trabalho.
Ainda mais pode ser feito, estruturar os serviços de pronto-atendimento, para desafogar os grandes pronto-socorros de referência.
E, se ainda não estiverem satisfeitos, podem ampliar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, que estão abandonadas, contratando mais equipes, o que diminuiria consideravelmente as filas nas urgências.
E faço um "mea culpa" aqui, pois escolhi uma especialidade em que não preciso trabalhar em emergências justamente para não ter que conviver com a vergonha em que elas se encontram, tanto as públicas quanto as privadas, com exceções, nos dois casos, mas raras.

Responder

    Klaus

    12 de outubro de 2011 às 20h34

    Pelo que vc diz, os governos dão todas as condições de trabalho e eles não trabalham porque não querem, né?

    O_Brasileiro

    13 de outubro de 2011 às 12h52

    Eu estou entre "eles", Klaus…


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