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Adilson Filho: Goste-se ou não da seleção de Tite, a lista está nos conformes
Agência Brasil
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Adilson Filho: Goste-se ou não da seleção de Tite, a lista está nos conformes


17/05/2018 - 12h00

Agência Brasil

por Adilson Filho, especial para o Viomundo

A lista de Tite deveria ser incontestável porque formar uma seleção, hoje em dia, obedece a uma lógica bem diferente.

Os 23 agraciados são jogadores de extrema eficiência técnica, altíssima disciplina tática e, acima de tudo, respondem ao comando do treinador.

Quem ainda pensa escalação de seleção brasileira com a cabeça nos “melhores”, sinto dizer, está desatualizado.

Primeiro, por conta da escassez de craques. Segundo, por conta do enquadramento definitivo do jogador brasileiro ao modelo europeu.

Dunga, em 2006, pegou o fim da geração pentacampeã e teve que, praticamente, reinventar o futebol por aqui.

Olhou pro lado e não viu Zico, Romário, Cerezo, Rivaldo, Ronaldo, etc, esgarçou os coletes até encontrar um grupo, acertar as peças e botar o jogo pra rodar.

Coisa que Parreira e Felipão demonstraram não terem competência para fazer em 2014, protagonizando, dentro da própria casa, o maior vexame da história dos mundiais – que, se teve algo de “positivo” foi a redenção do nome do goleiro Barbosa, escolhido a dedo por uma sociedade racista pra ser o grande culpado pela derrota de 1950.

Tite até aqui, tem mostrado ser de outro nível desses ultrapassados treinadores, que fizeram algum sucesso numa época onde falava-se muito, fazia-se todo tipo de fanfarronada na beira do campo, besteirada de vestiário e, mesmo assim, era possível faturar títulos em cima do talento dos nossos grandes craques.

Por isso, a lista da Copa da Rússia, ao meu ver, não deve ser contestada: ela está dentro dos conformes, goste-se deles ou não.

Se for pra contestar mesmo, a gente volta pra 1994, onde Rivaldo e Mauro Galvão ficaram de fora e Romário só entrou porque foi lá e “se convocou” contra o Uruguai, no Maracanã.

E se for pra contestar de verdade, escovar a história a contrapelo, a gente vai até 1982, onde uma geração espetacular de craques que jogavam por música, foi mal comandada por Telê Santana que, além de deixar Leão com três Copas do mundo e no auge da carreira de fora, preteriu um gênio da bola como Reinaldo por conta de preconceito, como hoje é de conhecimento geral da nação.

Existem treinadores que lançam jogadores no meio do deserto – Casemiro, Firmino, Alisson são apostas que provam isso – e os colocam lá no topo, que trabalham duro e botam o time pra render no máximo, dando padrão à equipe e arrancando vitórias expressivas, esses merecem sempre o reconhecimento.

Mas existem aqueles que, por conta da teimosia, da arrogância e até do reacionarismo mais tacanho, contribuem para tirar títulos de “gerações de ouro” ou fazer novas gerações menos talentosas passarem por vexames inimagináveis para o futebol brasileiro.

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1 comentário

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Lukas

20 de maio de 2018 às 12h55

Durante a ditadura, até o cara dependurado no pau de arara levando choque elétrico torcia pela seleção. Hoje, os guerrilheiros do computador enchem a boca pra dizer que não torcerão pela seleção na Copa.

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