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Juliana Cardoso: Às vésperas do 2º turno, Covas acelera desmonte da saúde e acaba com serviço pioneiro
Fotos: Divulgação e Cecília Figueiredo/Sindsep
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Juliana Cardoso: Às vésperas do 2º turno, Covas acelera desmonte da saúde e acaba com serviço pioneiro


25/11/2020 - 11h34

Terceirização da gestão Covas acaba com serviço de saúde

Primeiro serviço de hormonioterapia da cidade sofre ameaça de extinção

Por Juliana Cardoso*

Às vésperas do segundo turno da eleição e com a taxa de transmissão da COVID-19 em alta, a gestão Bruno Covas (PSDB) intensifica a terceirização da saúde na cidade de São Paulo, com a entrega de serviços especializados para as Organizações Sociais (OS).

O serviço de hormonioterapia da cidade, implantado pioneiramente na UBS Santa Cecília e que atende 900 pessoas transexuais e travestis, está ameaçado de acabar sob a gestão do IABAS (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde).

A entidade é responsável pelos equipamentos de saúde da região central.

O IABAS coleciona histórico de problemas no Rio de Janeiro. Na cidade de São Paulo, foi denunciado no ano passado por receber verba para administrar o CECCO (Centro de Convivência e Cooperativa) da região central, mas o equipamento tinha endereço desconhecido.

A hormonização no SUS (Sistema Único de Saúde) foi uma conquista do movimento de transexuais e travestis implementada na UBS Santa Cecília pela gestão Fernando Haddad.

Com ela, as pessoas transexuais e travestis passaram a ter acompanhamento médico interdisciplinar.

Esse serviço contava com três profissionais. A equipe acolhia os usuários em consultas ginecológicas e qualificadas, formando grupos de reflexão e de psicoterapia.

Por se tratar de profissionais com conhecimentos especializados, o serviço tornou-se referência na capacitação de médicos da Prefeitura, abrindo a possibilidade de expansão deste modelo de atendimento.

Mas, com a terceirização, esses profissionais foram realocados para outros equipamentos sem nenhuma justificativa.

A gestão das organizações sociais funciona sob a lógica mercantilista com metas a serem atingidas. O usuário é tratado como número e as consultas têm limites de duração para obter ganho de produtividade.

Com a terceirização os usuários estão sendo encaminhados para as regiões de origem, sem garantia de prosseguir com seus tratamentos, uma vez que a hormonização nos territórios ainda não existe. Além disso, o usuário deve enfentar mais preconceitos.

Um dos maiores desafios ao acesso à saúde por pessoas transexuais e travestis é a garantia de atendimento humanizado e especializado por parte dos profissionais de saúde.

E esse modelo exemplar de serviço público para as pessoas trans entrou na fila de extinção.

Por isso, junto com os usuários, o mandato defende que o serviço de hormonização permaneça na UBS Santa Cecília sob a gestão da Prefeitura. E com os mesmos profissionais.

A nossa luta em defesa do SUS, contra a terceirização dos serviços, é pelo acesso, garantia e ampliação do atendimento para a comunidade transexual e travesti.

*Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.





2 comentários

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Maria

26 de novembro de 2020 às 15h34

Fui verificar se é fake como disseram acima, mas infelizmente achei mais duas reportagem atestando a veracidade do que a vereado diz. Seguem: https://sindsep-sp.org.br/noticias/saude/governo-covas-quer-destruir-o-unico-servico-municipal-para-pessoas-trans e https://ponte.org/gestao-covas-esvazia-aparelho-de-saude-que-atende-quase-mil-pessoas-trans-em-sp/.

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Welbi Maia Brito

25 de novembro de 2020 às 13h11

É #FakeNews. Não há interrupção ou alteração nos atendimentos prestados na UBS à população Trans, assim como a nenhum outro atendimento. O serviço de harmonização continua e é da administração direta. É criminosa a atitude da vereadora petista de espalhar mentiras às vésperas das eleições para tentar prejudicar o prefeito e a atual gestão.

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