VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Vladimir Safatle: A mídia mundial não tem direito à ambiguidade no caso Assange


18/08/2012 - 18h50

Cartaz em frente à embaixada do Equador em Londres, vigiada diuturnamente pela polícia

por Vladimir Safatle, em CartaCapital

O governo do Equador deu asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange. O Reino Unido, com seu conhecido respeito seletivo pela legislação internacional, desenterrou uma lei bisonha para afirmar que poderia invadir a embaixada do país latino-americano, a fim de capturar seu inimigo público.

Até onde consigo lembrar, esta será a primeira vez que uma embaixada é invadida pela polícia do país no qual ela está situada. Nem mesmo em ditaduras algo parecido ocorreu.

Há de se perguntar se todo esse zelo do Reino Unido pelo cumprimento de um pedido de extradição feito pela Suécia vem realmente do amor à lei. Ou será que devemos dizer que Assange é o protótipo claro de um perseguido político pela democracia liberal?Alguns tendem a defender a posição dos governos britânico e sueco com o argumento de que, enfim, ninguém está acima da lei.
Independentemente do que Assange represente, isso não lhe daria direito de “estuprar” duas garotas. É verdade que a definição de estupro pela legislação sueca é mais flexível do que a habitual. Ela engloba imagens como: um homem e uma mulher que estão na cama de comum acordo, sem nenhum tipo de coerção, mas que, em um dado momento, veem a situação modificada pelo fato de a garota dizer “não” e mesmo assim ser, de alguma forma, forçada.

Vale a pena lembrar que tal definição é juridicamente tão complicada que, quando a acusação contra Assange foi apresentada pela primeira vez à Justiça sueca, ela foi recusada por uma magistrada que entendeu ser muito difícil provar a veracidade da descrição. A acusação só foi aceita quando reapresentada uma segunda vez, não por acaso logo depois de o WikiLeaks começar a divulgar telegramas comprometedores da diplomacia internacional.

Mas não faltaram aqueles de bom coração que perguntaram: se a acusação é tão difícil de ser provada, então por que Assange não vai à Suécia e se defende? Porque a Suécia pode aceitar um pedido de extradição para os EUA, onde ele seria julgado por crime de espionagem e divulgação de segredos de Estado, o que lhe poderia valer até a pena de morte. Não seria a primeira vez que alguém enfrentaria a cadeira elétrica por “crimes” dessa natureza.

Nesse sentido, é possível montar um quebra-cabeça no qual descobrimos a imagem de uma verdadeira perseguição política. Persegue-se atualmente não de uma maneira explícita, mas utilizando algum tipo de acusação que visa desqualificar moralmente o perseguido. Assange não estaria sendo caçado por ter inaugurado um mundo onde nenhum segredo de Estado está seguramente distante da esfera da opinião pública. Um mundo de transparência radical, no qual os interesses inconfessáveis do poder são sistematicamente abertos. Ele estaria sendo caçado por ser um maníaco sexual. Seu problema não seria político, mas moral.

Desde há muito é assim que a democracia liberal tenta esconder seu totalitarismo. Ela procura desmoralizar seus perseguidos, isso em vez de simplesmente dar conta das questões que tais pessoas colocam. No caso de Assange, ele apenas colocou em prática dois princípios que todo político liberal diz respeitar: transparência e honestidade. Mostrar tudo o que se faz.

Sua perseguição evidencia como vivemos em um mundo em que todos sabem que os governos não fazem, na política internacional, aquilo que dizem. Há um acordo tácito a respeito desse cinismo. Mas, quando essa contradição é exposta de maneira absoluta, então ela torna-se insuportável.

Lembrem, por exemplo, das razões aventadas pelos governos dos países centrais para a não publicação dos telegramas: eles colocariam em risco a vida de funcionários e diplomatas. Na verdade, eles só colocaram em risco o emprego de analistas desastrados, ditadores como o tunisiano Ben-Ali (que teve seus casos de corrupção divulgados) e negociadores de paz mal-intencionados.

Por isso, a boa questão é: o mundo seria melhor ou pior com pessoas dispostas a fazer o que Julian Assange fez?

Por fim, vale dizer que aqueles que realmente se interessam por uma mídia livre precisam saudar a decisão do governo equatoriano. A mídia mundial não tem direito à ambiguidade neste caso. Nunca a liberdade de imprensa esteve tão ameaçada quanto agora, diante do problema do WikiLeaks. Pois o site de Assange é o modelo de um novo regime de divulgação de informações e de pressão contra os Estados. Ele é a aplicação da cultura hacker na revitalização do papel da mídia como quarto poder.

Leia também:

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A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



32 comentários

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John Pilger: A perseguição a Assange é um insulto ao jornalismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de agosto de 2012 às 02h11

[…] Vladimir Safatle: A mídia mundial não tem direito à ambiguidade no caso Assange […]

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Jose Mario HRP

21 de agosto de 2012 às 06h57

Cedo ou tarde o salvo conduto chega!

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augusto2

20 de agosto de 2012 às 19h42

nao é nda nao, sabe sr wladimir,porem se eu fosse o embaixador equatoriano nesse lugar, eu revistava,mandava tirar a roupa e ainda passava um sensor em qualquer pessoa que entrasse na embaixada londrina para efetuar qualquer serviço…
E qualquer tonto vai entender os motivos. Nem sempre o culpado é só o mordomo.

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abolicionista

20 de agosto de 2012 às 19h20

Pessoal, sei que foge ao assunto, mas vou usar o espaço para divulgar esse absurdo. Azenha, Conceição, ajudem a divulga, por favor!

“Nós vamos partir pra guerra, e vai ser na semana que vem. Esses índios aí, alguns perigam sobrar. O que não sobrar, nós vamos dar para os porcos comerem”.

Fazendeiro ameaça índios em Mato Grosso do Sul

http://funaipontapora.wordpress.com/2012/08/20/fazendeiros-ameacam-indios-em-mato-grosso-do-sul/

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Urbano

20 de agosto de 2012 às 15h36

Houve um tempo em que eu torci pelos bandidos, que eram mostrados como mocinhos, contra os índios. Eram as sessões de cinema, quando criança. Na puberdade eu já sabia perfeitamente quem eram os verdadeiros bandidos e não só dos cinemas. Hoje a coisa é bem mais triste, pois o que era ‘cinema’ de um tempo longinquo, agora é uma realidade sempre perene e contra todos nós os índios apontados por eles, os caras pálidas. Ajudar o Assange nesse instante é uma preparação para o que virá amanhã em nossa direção.

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Raimundo

20 de agosto de 2012 às 14h10

Qual posição da revista veja e rede globo sobre o caso Assange. Elas estão do lado dos EUA ou do dono da WikiLeaks.

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    Raimundo

    20 de agosto de 2012 às 14h12

    Qual posição da revista veja e rede globo sobre o caso Assange. Elas estão do lado dos EUA ou do dono da WikiLeaks?

assalariado.

20 de agosto de 2012 às 13h10

A crise do capital e seu modo de produção capitalista a qual as elites tem como sinônimo a palavra democracia, quanto mais se estagna mais se revela, como ditadura de classe. O caso Assange nos revela uma das faces ocultas que, na ideologia burguesa é tida como pecado, segredo de Estado. Ora, como está cada vez mais claro, o Estado burgues é, sempre foi, sempre será, o refúgio e o disfarce desta ditadura, travestida de democracia. Assim como acontece com o Estado, a ideologia burguesa de dominação não se mostra com ela é. Pelo contrário, as idéias (ideologia) características de uma sociedade de classes costumam se apresentar como NEUTRAS(?!).

Em posse do (SEU) Estado e, como classe conservadora, o capital luta pela permanência de seu poder e privilégios, e a burguesia procura difundir que somos todos cidadãos, com iguais direitos e deveres. Pois, sem consciencia da exploração e dominação, os assalariados e os explorados da nação, não tem condições de se organizar para contestar a (HEGEMONIA BURGUESA). Desta forma, a ideologia dominante precisa esconder que está escondendo, sua face oculta e organizada dentro Estado, que é seu cavalo de troia. Sim, o PIG e o Estado se completam, são e defendem a mesma ideologia, são as mesmas pessoas.

Abraços Fraternos.

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Ricardo Oliveira

20 de agosto de 2012 às 12h54

Invadir uma embaixada, como desejam os terroristas britânicos, seria decretar o fim da diplomacia. Significaria a consolidação do estado de barbárie que domina o mundo. Caso a invasão aconteça, os países da UNASUL e ALBA, que já rejeitaram tal possibilidade, devem expulsar os embaixadores britâncios de seus países. Caso a invasão aconteça a diplomacia mundial não será mais a mesma, assim como a grande imprensa não é mais a mesma depois da internete e do wikileaks, assim como a democracia não é a mais a mesma depois do neoliberalismo do pensamento único, assim como a revista veja não é mais a mesma depois do cachoeira, assim como deus não foi mais o mesmo depois de Galileu, assim como o diabo que não mais vive apenas no inferno depois da “vitória” do capitalismo.

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carlos.costa

20 de agosto de 2012 às 12h35

os ingleses sabem que nao vao invadir; tenteram ganhar no grito; a tipica arrogancia dos paises do norte.

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Mr. Chance

20 de agosto de 2012 às 12h35

Mas de que mídia mundial estamos falando? A que controla o mainstream internacional? Ora… esta mídia é inteiramente controlada (e financiada) pelos interesses americanos. Só para ficarmos aqui, Folha, Estadão, Abril e suas drogas e principalmente Rede Globo, estão inteiramente subordinadas aos ditames de Washington. E não se fala mais nisso…

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Mardones Ferreira

20 de agosto de 2012 às 10h05

A nova realidade da América do Sul é, sem dúvida, um motivo de grande orgulho e combustível para todos aqueles que seguem na busca por um mundo mais justo. Ainda que isso envolva uma queda de braços com governos e corporações com um poder de corrupção inimaginável.

A liberdade é dia a dia ameaçada por mentiroso que se dizem seus defensores, quando na verdade defendem seus agressores. É uma vergonha o papel do Miro Teixeira – PDT-RJ e do PMDB do vice-presidente Temer na CPMI da Veja-Cachoeira na defesa do Policarpo e do Civitta.

Infelizmente, a ação do governo brasileiro tem quase se restringido a área econômica para responder às pressões das crises. Não se faz outra coisa a não ser lançar pacotes econômicos para ajudar esse ou aquele setor.

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Eduardo Guimarães

20 de agosto de 2012 às 09h18

O mundo permitiu que as grandes potências militares se armassem a um ponto que podem cometer atos que qualquer outra nação de fora do clube dos que tudo podem que cometesse seria triturada pela comunidade internacional. Aí está o preço que a humanidade pega: nações que pisoteiam o direito internacional como bem entendem sem que um desses mentecaptos que vivem denunciando países como Cuba manifestem um pingo de discordância. Invadir uma embaixada, acho que nem Hitler – ou só ele

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Assange: EUA precisam parar de perseguir aqueles que revelam os seus crimes secretos « Ficha Corrida

19 de agosto de 2012 às 21h14

[…] Vladimir Safatle: A mídia mundial não tem direito à ambiguidade no caso Assange […]

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Ceiça Araújo

19 de agosto de 2012 às 21h08

Estados Unidos, Inglaterra, Itália (e comparsas) podem ser democráticos para seus respectivos povos (e ainda tenho dúvida) mas, para os outros, são ditadores e prepotentes mesmo! Para eles o mundo deve girar segundo suas ordens.Só que “não existe pecado do lado de baixo do Equador” Viva a América Latina unida!

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Unasul se solidariza com Equador e rechaça ameaças do Reino Unido « Viomundo – O que você não vê na mídia

19 de agosto de 2012 às 20h19

[…] Vladimir Safatle: A mídia mundial não tem direito à ambiguidade no caso Assange […]

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Fabio Passos

19 de agosto de 2012 às 19h45

A mídia-lixo-corporativa é instrumento do establishment para perpetuar seus interesses. Uma máquina de propaganda a serviço da plutocracia inescrupulosa que governa o mundo.

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Leo V

19 de agosto de 2012 às 16h38

Interessante é que o artigo sai na Carta Capital, revista que mais perseguiu Cesare Battisti, outro perseguido pela democracia liberal, que como vem colocou o autor, “la procura desmoralizar seus perseguidos, isso em vez de simplesmente dar conta das questões que tais pessoas colocam.”

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    lu

    19 de agosto de 2012 às 21h08

    Tenho de concordar. O caso Battisti é uma mancha na história dessa revista.

    MARCELO

    20 de agosto de 2012 às 10h55

    A Itália do Battisti nos anos 70 era uma democracia.
    Diferente do Brasil que tinha uma ditadura.

    Leo V

    20 de agosto de 2012 às 12h39

    Marcelo, exatamente! Assange e Battisti ambos perseguidos por democracias liberais! E sempre as democracias liberais procuram desmoralizar seus perseguidos, como bem expõe o Safatle. Sempre perseguem sob a desculpa de forjados ‘crimes comuns’.

Assange: EUA precisam parar de perseguir aqueles que revelam os seus crimes secretos « Viomundo – O que você não vê na mídia

19 de agosto de 2012 às 16h09

[…] Vladimir Safatle: A mídia mundial não tem direito à ambiguidade no caso Assange […]

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Julio Silveira

19 de agosto de 2012 às 15h11

A muito tempo já se sabe que, mesmo democracias podem ser utilizadas para manobrar e esconder facetas autoritárias. Isso, dependendo do grupo que dela emerge e de sua força financeira. Aliás a força financeira no mundo consegue corromper principios em todas a matizes ideológicas. E o Brasil é o exemplo mais vivo disso, de como se subverte e corrompe, justificando de forma simples utilizando apenas o marqueting com o apoio de linguagens semânticas.

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FrancoAtirador

19 de agosto de 2012 às 14h13

.
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O Departamento de Estado dos EUA mantém a maior rede de espionagem internacional, com infiltrações nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todos os países do Planeta.

Com a publicação, pelo WikiLeaks, de documentos diplomáticos secretos ficou mais que evidente que as embaixadas norte-americanas são os centros das operações estratégicas em territórios alheios aos Estados Unidos, com a prestimosa colaboração, inclusive, de bandidos-de-mídia mercenários e apátridas.

Não se admirem se no curso das investigações dos crimes praticados pela quadrilha Cachoeira/Veja/Demóstenes/Perillo aparecer o envolvimento da Embaixada dos EUA em Brasília.
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Responder

Gerson Carneiro

19 de agosto de 2012 às 12h05

Recentemente a CIA usou a mesma estorinha de estupro contra o rival do Nicolas Sarkozy.

Responder

    Lukas

    19 de agosto de 2012 às 19h09

    Não foi a CIA, foi a camareira bandida.

Gerson Carneiro

19 de agosto de 2012 às 11h39

e aqui no Brasil, um grupelho de políticos a mando do Michel Temer (braço direito do PIG no Governo Dilma Roussef), com a falácia manjada de “liberdade de imprensa”, defendem um jornalista sem moral, e ignoram o caso Julian Assange.

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Orivaldo Guimarães de Paula Filho

19 de agosto de 2012 às 10h57

A mídia nacional e internacional não tem o direito de ficar a favor desses estados terroristas e contra os que lutam por liberdade e justiça. Liberdade para Assange! Free Assange Now!

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Alienado

19 de agosto de 2012 às 10h07

A hipocrisia anglo-saxã é digna de estudos médicos no ramo da psiquiatria forense e da medicina legal. Recentemente, populares no Irã ameaçaram invadir a embaixada do Reino Unido e foi aquele chilique todo. E com razão, diga-se de passagem, porque embaixada é território de país estrangeiro. No caso do ditador Pinochet, que cometeu crimes contra a humanidade (além de um mensalão oculto em paraísos fiscais, frize-se), o tratamento foi diverso, apesar da ordem judicial de prisão, pelo Judiciário da Espanha, integrante da mesma União Europeia. E não se esqueça que a suposta “vítima” do suposto “estupro” é ligada às mulheres de branco, movimento suportado pela CIA em Cuba, tendo ela relações políticas com a extrema-direita neoliberal. O que falta para o reino inglês conceder o salvo conduto? O Reino Unido envergonha as democracias da comunidade internacional e do mundo civilizado.

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Paciente

19 de agosto de 2012 às 01h39

Fico me perguntando se Rafael Correa ameaçasse invadir uma embaixada britânica o “priquifófó” que não ia ser…

O asilo é perfeitamente cabível. Até o Brasil seria forçado a aceitar um pedido de asilo dele. Trata-se de um jornalista que, em virtude do exercício da liberdade de imprensa, pode vir a ser encarcerado ou morto por potência estrangeira. Claro, solar, irretocável. Assange nem precisaria mencionar a (real) possibilidade de ser mandado para Guantánamo e esperar décadas por um julgamento militar (!).

Bizarro.

Eu ele tinha buscado asilo na embaixada da Coréia do Norte…

Responder

João-PR

18 de agosto de 2012 às 23h58

Toda a liberdade do mundo para Assange.
Os EUA, Inglaterra e outros ditos “defensores da democracia, e das liberdes” deveria se envergonhar do que estão fazendo. O que Assange, e o wikileaks, fazem nada mais é do que tornar público negócios de Estado. Essa informação é um direito do cidadão que, em última instância, é quem manda no estado. Afinal, “todo poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido”.
Prender Assange é dar um atestado de que a “democracia” está cada vez mais sendo um produto do quarto poder (a mídia), do que um regime político.

Responder

    Nelson

    19 de agosto de 2012 às 14h35

    Meu caro João-PR. A perseguição a Assange já denota a qualidade da democracia nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. A reação à concessão do asilo ao jornalista pelo governo equatoriano, então, desvela de uma vez por todas a ditadura que se esconde sob a capa de democracia.
    Graças a um infernal aparato de propaganda ideológica, nunca dantes visto na história humana, governos assassinos como os dos EUA, da França, da Inglaterra, da Itália, e outros, são tidos como democráticos e conseguem até desfrutar de grande dose de credibilidade. É tão alta esta credibilidade que chega a lhes permitir apontar como ditatorial – com quase nenhum questionamento – este ou aquele governo que não se submeta a seus intentos de domínio do planeta.


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