VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Será que o reitor vai “eliminar” Antônio David depois deste artigo?


25/12/2011 - 10h01

Os alunos preferiram fazê-lo?!

por Antônio David, especial para o Viomundo

No dia 19 de dezembro de 2011, o Reitor da USP, João Grandino Rodas, concedeu entrevista à Folha de S. Paulo, a fim de justificar a expulsão de oito estudantes – expulsão essa que é decisão pessoal do Reitor, a quem compete “exercer o poder disciplinar” na USP (Estatuto da USP, Art. 42, VII), mais ou menos como o Papa na Igreja Católica. Não é demais também dizer que a Folha entrevistou o Reitor, mas não entrevistou nenhum dos estudantes penalizados.

Num determinado momento, o reporter pergunta ao Reitor: “Alunos dizem que a punição é autoritária e se baseia em regra do período do regime militar. Qual é sua avaliação?”.

O repórter referia-se ao Regime Disciplinar da USP, editado em 1972. Trata-se de uma pérola da ditadura, pelo qual se considera infração disciplinar “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares”.

Pois bem, em 1990, quando a USP aprovou seu novo Regimento Geral, ao invés de suprimir o Regime Disciplinar de 1972, o novo Regimento Geral da USP simplesmente o incorporou. Lê-se nas Disposições Transitórias do Regimento Geral da USP: “Enquanto não for aprovado o novo regime disciplinar /…/, permanecem em vigor as normas disciplinares estabelecidas no Regimento Geral da USP editado pelo Decreto 52.906, de 27 de Março de 1972” (Título X – Disposições Transitórias, Art.4)

Voltemos à entrevista. Rodas iniciou a resposta dizendo que “O exercício do poder disciplinar baseia-se em artigo da Constituição, de 1988, e em leis federais e estaduais, posteriores ao período ditatorial”. Até aí, nada de surpreendente. Na USP, estamos acostumados a ouvir esse discurso, que falseia e mascara a verdade.

No mesmo sentido, o jornalista José Nêumane Pinto publicou artigo no jornal O Estado de S. Paulo (21/12), no qual afirma, referindo-se ao movimento estudantil: “Agora o argumento mentiroso é que as expulsões foram baseadas num regimento introduzido por decreto durante o mesmo regime arbitrário. O regimento, na verdade, data de 1990, sob a égide da Constituição de 1988 e de um presidente eleito democraticamente”.

Note-se que o jornalista afirma de forma clara e contudente: “o regimento data de 1990”. Cabe indagar: isso é verdade ou é mentira? Não deveria me dar ao trabalho de argumentar.

No entanto, como tem gente que gosta de fazer malabarismo jurídico, e utilizam o argumento esdrúxulo de que “o Regime Disciplinar de 1972 foi incorporado ao Regimento Geral da USP de 1990, logo o Regime Disciplinar é de 1990”, eu afirmo: sim, incorpora; porém, seria mais honesto se a redação do artigo do Regimento Geral que incorpora o Regime Disciplinar de 1972 fosse: “Enquanto não for aprovado o novo regime disciplinar, permanecem em vigor as normas disciplinares estabelecidas pela Ditadura, afinal, estamos bastante contentes com elas, não vemos razão para mudar”. Se a redação fosse essa, continuaria sendo entulho da Ditadura, mas pelo menos seria sincero.

Voltemos novamente à entrevista. Se o Reitor inicia sua resposta com a ladainha de sempre, ele a conclui de forma inusitada e surpreendente. Afirma o Reitor: “O decreto de 1972 foi incorporado ao estatuto (sic) da universidade porque os alunos preferiram fazê-lo do que redigir novo texto”. Foi isso mesmo que eu li?! “Os alunos preferiram fazê-lo”?!

Ou seja: em 1990, no momento em que o Regimento Geral da USP estava sendo discutido no Conselho Universitário, havia várias possibilidades para o problema das normas disciplinares, e o que prevaleceu – manutenção das normas disciplinares da Ditadura – foi uma opção e uma decisão dos estudantes, sendo que os estudantes são subrepresentados no Conselho Universitário. É isso mesmo?!

O absurdo dessa declaração é tão grande, tão grande, tão grande… que faltam adjetivos para qualificá-la. Afinal, todo mundo sabe que na USP a opinião dos estudantes nunca foi levada em conta pra absolutamente nada. Mas o que faz essa declaração o suprasumo do absurdo é o fato de ter vindo de quem veio: o mais autoritário de todos os Reitores da história da USP. Acaso este Reitor fez ou deixou de fazer alguma coisa “porque os alunos preferiram”? Aliás, acaso este Reitor fez ou deixou de fazer alguma coisa porque alguém que não ele próprio preferiu?

Diante de tamanho absrudo, é preciso que se diga: não é verdade que o entulho da Ditadura foi incorporado ao Regimento Geral da USP “porque os estudantes preferiram”. A verdade é que o Regime Disciplinar de 1972 foi incorporado ao Regimento Geral da USP porque o Regimento Geral foi discutido e aprovado da mesma forma como tudo na USP é discutido e aprovado: em espaços de decisão fechados e controlados por um pequeno círculo de poder. Ora, todos sabemos que este pequeno círculo de poder encara o Regime Disciplinar com naturalidade, como algo adequado e conveniente à USP. E é essa, e não outra, a razão pela qual o entulho da Ditadura foi mantido.

Nunca é demais dizer que, se dependesse da preferência dos estudantes, este Reitor nem seria Reitor. Na consulta informal organizada pelas associações de docentes, trabalhadores e estudantes, os alunos elegeram como Reitor o professor Francisco Miraglia.

Para se ter dimensão da total falta de legitimidade deste Reitor, ele não foi eleito sequer na pseudo-eleição ocorrida em 2009, na qual menos de 1% dos professores da universidade vota. Ficou em segundo lugar. Rodas só é Reitor porque foi nomeado, imposto pelo então Governador José Serra. Não representa a comunidade universitária, mas um partido político. Em 2011, Rodas foi agraciado com o título inédito de persona non grata pela Congregação da Faculdade de Direito da USP pelos desserviços prestados quando diretor daquela unidade. E, também em 2011, num plebiscito organizado pelo Grêmio da Poli junto aos estudantes da Escola Politécnica, a maioria declarou não aprovar a gestão Rodas – ou seja, a gestão Rodas não merece aprovação nem mesmo onde não houve adesão à greve.

A verdade é que a USP é a universidade mais antidemocrática do Brasil. Tão antidemocrática que nela ainda vige a prática, própria de ditaduras, de vigilância dos Sindicatos e do movimento estudantil através de agentes infiltrados – agentes estes que, vale lembrar, são funcionários públicos, cujos salários são pagos pelo contribuinte –, e onde trabalhadores e estudantes respondem a processos não porque ocuparam ou depredaram o que quer que seja, mas por terem escrito panfletos!

Em tempos de gestão Rodas, não me surpreenderá se eu próprio for processado e “eliminado” da USP por causa deste artigo.

PS: A Folha entrevistou uma das estudantes expulsas, mas apenas na edição do dia 20/12.

Antônio David  é mestrando em filosofia na FFLCH/USP.

Leia também:

Mais de 70 entidades repudiam a repressão política exercida pelo reitor da USP





40 comentários

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che anhaguera

27 de dezembro de 2011 às 22h35

a usp tem que parar pois as rodos que impulsiona o progresso nao e a mesma que trava a usp joao pequnino rodas foi imformante do dops colaborador do doi codi, inimigo da democracia, ademocracia chegou no brasil mais ainda nao chegou na usp , tem ter uma greve geral para derubar rodas este amante da ditadura travestido reitor

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Arneiroz

27 de dezembro de 2011 às 15h34

O QUE SÃO PAULO TEM DE MELHOR

JOSÉ SERRA
PAULO MALUF
kASSAB
VERÕNICA SERRA
O "OPUS DEI"
O REITOR DA USP
O IMPOSTÕMETRO
A FOLHA DE SÃO PAULO
O ESTADÃO
EDUARDO SUPLICY
O DATENA
A TV BANDEIRANTES E CONGÊNERES
AS ENCHENTES
A POLUIÇÃO
OS CONGESTIONAMENTOS
O REITOR DA USP
O FASCISMO
TODOS OS PSDBistas E DEMistas (não tem nada a ver com os dentistas)
TODA A FAMÍLIA DO SERRA, INCLUINDO A VERÔNICA SERRA JÁ CITADA.

O paaraíso é ali. Vá morar por lá.

Um Estado como este, cointemplado com tanta gente importante como esta , precisa eleger o futuro presidente da república. Eles só precisam combinar com o povo.

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Gerson Carneiro

27 de dezembro de 2011 às 14h56

O reitor João Grandino Rodas está precisando de uma aula de Democracia.

Alô professor Geraldo Alckmin!

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Ze Duarte

27 de dezembro de 2011 às 12h53

Engraçado, eu me lembro que quando derrubaram a lei de imprensa não faltou foi corporativista defendendo a lei dizendo que não era ruim só porque era feita na ditadura…

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Edson

27 de dezembro de 2011 às 10h32

Se o Reitor João Grandino ROTAS, quero dizer, Rotas estiver na banca de julgamento o Mestrado em Filosofia do Antonio David corre riscos. kkkkkkkk!

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marcio

27 de dezembro de 2011 às 01h56

independente deter usado uma lei da época da ditadura, os alunos em questão deveriam realmente ser expulsos. barbarizaram o campus.

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Roberval

26 de dezembro de 2011 às 13h04

Então eu poderia dizer que o pensamento e o comportamento do ditador da USP, João Grandino Rodas, ao qual recuso-me chamá-lo de reitor, pois não foi eleito pela comunidade uspiana e sim alçado bionicamente pelo então governador José Serra nos mesmos moldes da ditadura militar, poderia ser comparado ao de outros persanagens da história mundial, tais como:

Mussolini – na Itália;
Hitler – na Alemanhã;
Berlusconi – na Itália recente;
Salazar – em Portugal;
Bush – nos EUA
José Serra – em SP
Maluf – em SP
Fujimori – no Peru
Gal. Médici – na ditadura no Brasil

e tantos outros de uma lista interminável na história da (des)umanidade!

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Alírio Costa

26 de dezembro de 2011 às 11h24

O magnifíco Rodas, aro X9, representa bem o jeito Serra de governar. Na socapa, na mentira, sombrio.

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FrancoAtirador

26 de dezembro de 2011 às 02h12

[youtube YPUwwe93Idk http://www.youtube.com/watch?v=YPUwwe93Idk youtube]

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Cleverton_Silva

25 de dezembro de 2011 às 22h32

Desafio aos tucanos: se criticam tanto o PT por aparelhamento de Estado, por que o PSDB não faz um desaparelhamento da USP com eleições diretas para a Reitoria e desiste de criar CCs na secretaria da educação de SP?

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Paulo

25 de dezembro de 2011 às 22h20

Esse José Neumane é como uma espinha que vira abcesso. Desagradavel no começo e repulsivo daí para frente. Tem filhos para julgá-lo?

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darci Scavone

25 de dezembro de 2011 às 20h49

o trecho do texto citado vale a pena ser repetido. Repetido para mostrar a violência da USP. Incorporar significa recepcionar no novo porque queremos manter o velho. Por concordar e um dia usar ou por preguiça. Não sei qual a pior alternativa. Na verdade para ficar com Rodas e não sair do lugar. Só pergunto por que a Assembléia Legislativa que se diz tão democrática e é quem decide sobre a USP não se manifesta.

"Enquanto não for aprovado o novo regime disciplinar /…/, permanecem em vigor as normas disciplinares estabelecidas no Regimento Geral da USP editado pelo Decreto 52.906, de 27 de Março de 1972” (Título X – Disposições Transitórias, Art.4)"

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Jair Almansur

25 de dezembro de 2011 às 20h19

Esta questão de regime disciplinar da ditadura não é relevante. Inúmeras leis foram editadas durante a ditadura e nos as obedecemos sem qualquer constrangimento. O próprio Código de Processo Civil foi editado durante a ditadura. No entanto ele está ai em pleno vigor. E ninguem contesta, do contrário teríamos que fechar o forum até que se faça novo código. O SUS Sistema Único de Saude. Foi editado durante a ditadura, pelo regime militar. Parece que todos gostamos do SUS. Ou não? Ou alguem iria a um hospital e não seria atendido porque o SUS é da ditadura? Se um estudante assassinar outrem em sala de aula devemos mante-lo na universidade porque não temos código pós ditadura para mandá-lo embora. Essa conversa é falaciosa.
Quanto à nomeação do reitor cabe apenas lembar que a universidade não pertence aos alunos e professores que a frequentam, pelo contrário, vive do dinheiro público e deve ser administrada pelo poder público e não por seus frequentadores. Por fim, cabe lembrar que pesquisas eleitorais demonstram que o eleitor uspiano vota com a direita e não com a esquerda (infelizmente). OK infelizmente, mas uma duríssima verdade.

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    Luciana Fröhlich

    26 de dezembro de 2011 às 03h10

    Jair, não há problema em leis feitas DURANTE a ditadura, como você citou, o problema são as leis COM VIÉS antidemocrático, o que era comum na ditadura.

    Quanto ao reitor, no mundo democrático, os órgãos/entidades-chaves são autônomos, em Portugal e Espanha nas universidades autónomas que eu fui, os reitores foram eleitos pelos professores, com mais peso, e alunos.

    A gente deve é desejar que a PF, a Receita e outros sejam também independentes. No governo Lula, a PF realizou 1.119 operações, inclusive contra petistas. Mas imagine que volta outro como FHC, que sob sua tutela a PF só realizou 28 (!!!) operações em 8 anos.

    luiz pinheiro

    26 de dezembro de 2011 às 11h01

    O eleitor uspiano não vota, não elege, essa é a durissima verdade. O governo tucano pega a lista sextupla e escolhe arbitrariamente o reitor que prefere..

    Arthemísia

    26 de dezembro de 2011 às 11h07

    O SUS foi criado pela Constituição de 1988, ou seja, após a ditadura e foi fruto do movimento organizado por trabalhadores, usuários da saúde e universidade denominado Movimento da Reforma Sanitária. O que existia antes era o INAMPS que atendia apenas os trabalhadores de carteira assinada, isto é, os contribuintes.

    Tiago Tozzi

    26 de dezembro de 2011 às 12h22

    Jair, como assim não é relevante?
    Obedecemos, porém desde a Constituição de 1988 buscamos reformá-los. Por exemplo(já que você falor dele), o Código de Processo Civil que data de 1973 já está em vias de ser substituído uma vez que o projeto do novo Código já foi aprovado no Senado e está tramitando na Câmara. Ou seja, a sociedade está buscando, desde o fim da Ditadura, reformar as instituições e leis de forma a tornar o Estado mais democrático (apesar de, talvez, o sr. não concordar com isso). Por que as universidades ficariam fora disso? (Quanto ao SUS, o comentário já foi feito.)

    Marcia

    26 de dezembro de 2011 às 13h42

    Falaciosa é a sua conversa caríssimo!

    Marcos

    27 de dezembro de 2011 às 13h44

    Cadê o argumento, caríssima?

João-PR

25 de dezembro de 2011 às 20h10

E pensar que o Rodas é reitor da USP, uma das melhores (senão a melhor) Universidade do país.
Aonde pararemos? Se uma Universidade do porte da USP tem um reitor como o Rodas…jisuis!

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O_Brasileiro

25 de dezembro de 2011 às 17h45

Os critérios de mérito aos quais a USP se submete são meramente econômicos, ao invés de sociais. Por isso a pós-graduação têm sobrepujado a graduação. Mas não se enganem, não é na "inovação", mas sim na renovação das demandas das empresas e entidades que se beneficiam dessa "corrida" por "produção científica".
O que os contribuintes de SP, assim como de todo o país têm que se perguntar é: as Universidades que sustentamos com nossos impostos estão dando o retorno que nós, cidadãos, esperamos dela? Ou apenas estamos pagando pela formação, e às vezes deformação, de uma "elite" intelectual descompromissada conosco?

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    luiz pinheiro

    26 de dezembro de 2011 às 11h03

    Esse é o ponto.

Ricardo Maciel

25 de dezembro de 2011 às 17h18

Acertada a crítica e as observações do Antônio Davi, que têm sido frequentes por muitos que conhecem a estrutura da USP. No entanto, igualmente frequente é olvidar algo que todos sabemos existir, mas até hoje não nos debruçamos a esquadrinhar e expor adequadamente. Falo das pessoas e grupos de interesses que integram a estrutura de poder da Universidade de São Paulo. Afinal de contas, desde que as crises da USP ganharam dimensões alargadas, via de regra o alvo mais visível são os reitores, ficando para o arcabouço que os sustentam menções genéricas sobre o “1% por cento” ou menos de “1% por cento” que decidem os rumos da USP.
No fim das contas, os reitores atuam como para-raios, ficando o CO e demais instâncias decisórias na opacidade. Na ocupação de 2007, invasão da PM de 2009 e no recente ocupação militar do campus o CO se omitiu solene, covarde e oportunamente, sem se reunir uma única vez para debater e deliberar sobre o que acontecia. Claro que não quero negar a concentração de poder existente nas mãos do reitor, mas os que o apoiam e lhe dão solo para administrar autocraticamente são tão responsáveis quanto. Lembro-me de um debate em 2007 onde se questionava alterações na grade curricular da Faculdade de Letras, que dentro da tradição autoritária da USP apareceram do nada. Uma professora, chefe de departamento, tomou a palavra e disse que não se podia criticar essas modificações tout cout, posto elas terem sido fruto do trabalho de pessoas sérias. Questionei, então, a professora sobre quem eram essas pessoas sérias, uma vez que se assim o fossem não havia motivo para ficarem envoltas no anonimato. A professora fez todo um torneio verbal, tergiversou e não respondeu. E assim é com todos os projetos importantes que são levados a termo na USP. Aparecem como se nascidos de geração espontânea; nunca se sabe quem, quando, como e onde foram gestados, mas sempre se diz que foram longa e amplamente debatidos, e atendem a necessidades fundamentais à comunidade universitária e à modernização da instituição.
A USP está em crise, mas o estão todas as universidades públicas, e isso advém, em especial , ao que se refere ao padrão de financiamento e o produto que ofertam à sociedade; tendo elas que se definir entre o caráter estatal ou de traços neoliberais. Lamentavelmente o segundo tem ganhado mais espaço, corroendo o que é mais caro a uma universidade: sua autonomia. Assim, a USP reflete essa crise, mas me parece que nela há um ingrediente idiossincrático. Qual seja, ela foi apropriada de forma privada em todos os níveis, sendo que a oligarquia uspiana ou, se preferirmos, o “menos de 1%” ficou com a maior parte do latifúndio, sendo secundada por outros tantos pequenos latifundiários. E tanto o poder de cima quanto o de baixo vai se mantendo numa constante troca de favores e vistas grossas às pequenas e grandes barbaridades que se dão desde o gabinete de um chefe de departamento até a sala do reitor com seus tapetes de mais de trinta mil reais. Não estou dizendo que tais práticas se espraiam para o todo da Universidade, mas em larga medida está consolidada, afinal, como explicar a ideologia autoritária que viceja nos mais diferentes níveis da USP? São as práticas materiais que produzem a ideologia.
Dessa forma, é fundamental mapear pessoas e grupos de poder na USP, expô-los e chamá-los ao debate, tudo bem que é um debate que não lhes interessas travar, mas precisam ser instados a ele. Para fazê-lo cumpre-se dizer quem são, se estão ligados ao CO, fundações, empresas, partidos; de que faculdades são, que papel desempenham nelas. Se é certo que essas pessoas e grupos são poucos, é quase certo que se descobrirá ser os mesmos nomes, há no mínimo duas décadas, ditando os rumos da universidade.
Há mais que justeza no slogan “Fora Rodas”. Mas certamente há uma fila de outros tantos Rodas para substituí-lo. O que precisamos é ter em conta que não basta questionar o reitor, é preciso, sobretudo, a democratização radical da USP, por mais complexo que seja o tema da democracia universitária. Cujo debate efetivo até hoje postergado dá vazão para sentarmos mamona no alvo que a merece, mas que não é precisamente certeiro.

Ricardo Maciel

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CHE ANHAGUERA

25 de dezembro de 2011 às 17h04

caros aluno da usp se voce nao pocisionar contra o proximo pode ser vc e psdb fizer um presidente eu tambem posso entrar no embrulho. FHC FILHO DE GENERAL , ALUISIO NUNES homen que traiu mariguella, geraldo alckim medico mutilador, rodas x9 da ditadura e caros alunos vc sao como ovelha indo para o abate MANSA E ORDEIRAS ASS: CCHE ANHAGUERA

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zé roberto

25 de dezembro de 2011 às 15h30

O prolixo Magnífico reitera sua incapacidade de governar, pois sempre se presta às enfadonhas e imprecisas explicações midiáticas. Desta vez prestou-se a criar seis mártires, com justificativas que transbordam a violência de seu ato administrativo, além de apresentar-se num momento inadequado em que a inédita fotografia da Presidente Dilma, no vigor dos 22 anos, foi divulgada. Ninguém que autorizamos o poder poderá usá-lo de maneira tão inadequada como este senhor vem perpetuando seus atos. Geraldinho está sendo torrado pelo falastrão Numerário de sua Seita.

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Pedro Camargo

25 de dezembro de 2011 às 15h11

Simplesmente pedir para o Governador tirar o Rodas para colocar outro palhaço no lugar não adiantaria de nada. O problema da universidade é estrutural. A corrupção começa no palácio dos bandeirantes, o que acontece na USP é apenas decorrência disso. Eleições diretas para Reitor já!

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Gilberto S. Freitas

25 de dezembro de 2011 às 14h46

Achei sensacional. Interessante que muitos que hoje estudam na USP não vivenciaram os tempos da ditadura militar; portando, salvo melhor juízo, não têm noção do que foi esse período!

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lucio PB

25 de dezembro de 2011 às 14h24

O que me impressiona e me preocupa é que há muita gente achando que o Alckiminsta e o Aecim são diferentes do Cerra.

Responder

Moyses Nunes

25 de dezembro de 2011 às 12h29

Sou paulista, mas envergonho-me de certas situações. Luciano você está certo!! Mas há de ser considerado que quem MANTEM O PSDB no comando são os "paulistas e paulistanos".
Não moro mais no Estado, nunca votei nestes fdp, mas infelizmente o povo esta colhendo o que plantou. É muito difícil compreender que apesar de todos os desfeitos destes imbecis a preferencia dos votos ainda é deles…
Feliz Natal a todos e quem sabe mais coerência nas próxima eleição.

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    herivelto canales

    25 de dezembro de 2011 às 13h58

    Paulista e paulistano são povos sofridos, mas infelizmente dominado por Mídias e Governantes sem escrúpulos, que se associam para enganar a maioria da população.
    Por isso a grande maioria dos paulistas e paulistanos, ao baterem no peito, imaginando-se o mais bem informado, na verdade está sendo o mais bem manipulado. Manipulação através de informações com conotação de verdade, mas que no fundo não passam de "novelinhas políticas" para enganar a população que só tem tempo para trabalhar. Como o tempo é curto para leituras, obtém se o que vem à mão. E quando todos os meios de comunicação estão orquestrados, mantém-se um padrão das informações obtidas. A maioria saberá das mesmas coisas: política, futebol(argh), novelas, etc, e poderão debater em suas vidas normais, no dia-a-dia, sem se dar conta que estão discutindo invencionices (dólar na cueca, mensalão, final de novelas, etc).

Adalberto Ribeiro

25 de dezembro de 2011 às 12h27

Olá
Como diz meu pai, 'cada enxadada uma minhoca'! Onde tem a mão do çerra tem essas pérolas.

Pois é mas "vai dar tudo certo", se depender da fé: http://www.youtube.com/watch?v=xnpVwqDyHkQ&fe… (Serra na igreja, "fervoroso", prevendo as atribulações de 2012 rsrsrsrs)

Ao menos, que estes tristes episódios sirvam para mostrar ao povo de São Paulo (sua elite) que "o coiso não é bem assim" e os alunos da USP tenha neste 'currículo oculto', uma lição de democracia ainda que pelo forma mais inadequada: o mal exemplo.
Vai passar…….. e de tudo fica um pouco.

Fraterno [email protected]ço;

Responder

Patricio

25 de dezembro de 2011 às 12h09

Se o que vige na USP é uma ditadura, portanto um desrespeito ao regime de direito, devemos dizer io que deve ser dito: ABAIXO A DITADURA!
No combate à ditaduras, todos os meios são lícitos. E essa tarefa não cabe apenas aos estudantes, pois a ditadura, como todo câncer, se esparrama por todo o corpo social. Lutar hoje pela democracia na USP é impedir que amanhã uma ditadura qualquer se instale na cidade, no estado, no país.
Ou será que já estamos vivendo sob um tacão fascista e não nos demos conta?

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Sergio Saraiva

25 de dezembro de 2011 às 12h08

Está passando da hora do Alckmin se livrar desse senhor. Ele é herança maldita do Serra e continuará a criar problemas.

Responder

    Alvaro Tadeu Silva

    26 de dezembro de 2011 às 08h50

    O Magníifico Rodas Presas não pode ser deposto pelo governador, apenas pelo Conselho Universitário, que chamam de CO por não poderem chamá-lo de CU, o que ele é na verdade. Pelos votos de Rodas como representante do PSDB numa comissão de Direitos Humanos no governo FHC, vê-se quão fascista ele é. Mas mesmo assim foi eleito diretor da Faculdade de Direito. Gama e Silva, Ministro da Justiça na Ditadura Militar, também saiu da Faculdade de Direito. E o PSDB, que saiu da costela do PMDB contra práticas fisiológicas deste partido, incorporou o que havia de mais podre na Ditadura Militar, sob aplauso e incentivo da Imprensa Empresarial Vendida.

    luiz pinheiro

    26 de dezembro de 2011 às 10h58

    Ele não é apenas herança maldita do Çerra. Ele é da estrutura tucana, o que envolve o Alckmin.

mariazinha

25 de dezembro de 2011 às 12h08

O magno MESTRANDO, Antônio David, tem toda razão. Certa vez, fiquei chocada ao constatar a politicagem dentro da USP. Ao postar um artigo da Comunidade USP um um blog sujo, fui violentamente atacada em meu comentário. Sinal de que os espiões cerristas estão entranhados e vigilantes; a qqer. custo, querem conservar o poder, lá dentro. Como um mossad, eles vigiam toda e qqer. informação, um verdadeiro sistema ditatorial.. http://www.brasildefato.com.br/content/em-ato-com

Responder

Luiz Fortaleza

25 de dezembro de 2011 às 11h35

MINHA MENSAGEM DE NATAL PARA TODOS: NÃO DEIXEMOS O PENSAMENTO MOFAR… FELIZ 2012

Responder

Luciano Prado

25 de dezembro de 2011 às 10h58

É o PSDB pondo em prática o que decidido nos últimos seminários do partido:

"O PSDB precisa se aproximar do povo".

Responder

    herivelto canales

    25 de dezembro de 2011 às 14h24

    O PSDB precisa ser extinto e seus comandantes encarcerados.


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