VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Santayana: Um rotundo não à política dos banqueiros


01/03/2013 - 00h34

Com o apoio explícito de Ângela Merkel,  o candidato Mário Monti, funcionário do Goldman Sachs, obteve escassos 10% dos votos

por Mauro Santayana, em seu blog

Houve um tempo, o do Renascimento, em que os principados italianos faziam da política uma obra de arte, como constatou o historiador Jacob Burckhardt em seu livro sobre a Civilização do Renascimento na Itália.

Violentos uns, astutos, outros, sábios alguns mais, aos príncipes italianos não faltava inteligência na escolha de seus conselheiros militares e políticos. A esses, confiavam as táticas e estratégias, na condução do poder interno e na defesa dos interesses externos. Eram homens que só se dedicavam a mandar e, mandando, conservar o poder. Um dos segredos da sobrevivência de tais estados era a autonomia de cada um deles, assegurada com a astúcia e com a força, posto que viviam em estado permanente de guerra.

A Itália viveu dias gloriosos na unificação da Península, há um século e meio, na repetição da aliança entre guerreiros e pensadores políticos (Garibaldi com a espada, Cavour e Mazzini com as letras). As vicissitudes históricas posteriores, entre elas uma monarquia tão ambiciosa quanto débil, levaram o estado unitário a capengar, desde o surgimento do fascismo, com Mussolini, até os nossos dias.

Garibaldi, ao partir de Roma para a campanha do Norte, disse aos membros do parlamento provisório, que nada podia prometer, senão “muito trabalho, sangue, suor e lágrimas”. A frase foi plagiada mais tarde por Theodore Roosevelt e passou a história como sendo de Churchill, que a repetiu em seu mais famoso discurso.

Croce, ao resumir o fascismo italiano, disse que Mussolini fora um palhaço que o Rei Vittorio Emmanuele III levara a sério. Ele, o mais lúcido pensador italiano daquele tempo, foi convidado pelos norte-americanos a chefiar um governo de transição, e sabiamente recusou, conforme seu diário político, datado de 25 de fevereiro de 1944. Talvez , como Ortega y Gasset, pensasse que o mal dos tempos modernos está em que os que pensam, ou acham que pensam – como Mário Monti – querem mandar, e os que mandam, querem pensar.

Os partidos de centro-esquerda, com Bersani, nem a coligação de direita de Berlusconi, conseguiram maioria, necessária ao sistema parlamentarista para governar. Um cômico de televisão, Beppe Grillo, com linguagem populista, tirou do centro-esquerda os votos que lhe dariam a maioria. Espera-se que ele os devolva, aceitando uma aliança com Bersani.

Mussolini se apoiara na Alemanha de Hitler; o atual presidente da Itália, Giorgio Napolitano, comunista “pentito”, vai “consultar” Ângela Merkel, a fim de buscar uma solução para a crise.

De qualquer forma, à esquerda e à direita, o povo italiano disse um não rotundo à política – exigida pelos banqueiros – de arrocho contra os trabalhadores, com o apoio da ditadora econômica do continente, a germaníssima Merkel. Seu candidato explícito, Mário Monti, funcionário do Goldman Sachs, obteve escassos 10% dos votos.

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21 comentários

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Arlindo Alves Aristo

03 de março de 2013 às 09h19

Durante seus dois governos, o presidente Lula costumava dizer que nunca na história republicana deste país os banqueiros – juntamente com a classe trabalhadora, principalmente – ganharam tanto. É verdade. Nunca o Bradesco, Itaú e os bancos internacionais registraram tantos lucros.
Esse foi um preço alto a se pagar para a manutenção de um governo popular no Brasil, governo este que visa, acima de tudo, o bem e a melhoria de vida do seu povo. Essa melhoria, que pode ser vista por todos, dentro e fora do país, aconteceu porque o PT soube fazer as escolhas certas. Quando foi para usar os bancos como instrumento para realizar as políticas que beneficiassem o tralhador, isto foi feito.

Responder

Roberto Locatelli

03 de março de 2013 às 08h44

Você não verá na Globo: milhões saem às ruas em Portugal contra a “austeridade” do deus mercado – https://pbs.twimg.com/media/BEXqQAcCYAESFaS.jpg

Responder

    Mário SF Alves

    04 de março de 2013 às 00h06

    Locatelli,
    Se puder, mande o link pra acessar a notícia. Obrigado.

simas

02 de março de 2013 às 22h23

Complemento ao comentário do Franco:
Houve tempo, asseguro, q os bcos oficiais operavam com taxas nunca competitivas… Isso, mesmo. As taxas oferecidas, ofertadas ao mercado, eram sempre maiores q as praticadas pelos demais bcos. Isso, causava um grde constrangimento aos operadores, de diversas áreas… Contudo, mesmo assim, sabe gente, q o BB, operando em câmbio, com taxas desfavoráveis, dava banho nos demais bcos e conquistava lucros inimagináveis; tudo, pq detinha pessoal super especializado e trabalhando, ainda, com dedicação, integral.
Pois, bem. Qdo o Collor assumiu a presidência, um de seus primeiros atos foi atacar o BB, nessa sua atuação, de destaque. E bastaram os seus dois anos de exercício, pra desmantelar com a Carteira de Câmbio do Bco e jogar no lixo a sua capacidade funcional. Dessa época, nada sobrou; exceto q a velha CACEX era um ninho de gatos… e por isto, simplesmente extinta. Lembro, tbm, q à época, existia uma “trading”, nacional, relativamente bem conceituada no exterior e marcada pelo destino, por ser uma subsidiária da Petrobrás… Era a Interbrás; essa empresa foi extinta, numa penada, pela ministra da fazenda, cujo nome nem lembro, mais; só de sua acintosa figura. Ah!… Os negócios dessa empresa, dizem… foram passados pra, outra, assemelhada, em Sampa, cujos responsáveis eram desconhecidos… Pelo menos, dois, dos três deles.
Qdo vc, Franco, relacionou destinos finais de resultados, lembrei dessas tacadas do neoliberalismo, aplicado; e de como o capitalismo se renova, com o tempo, faceiramente.

Responder

    FrancoAtirador

    03 de março de 2013 às 04h06

    .
    .
    Pois é, meu caro simas.

    O desmantelamento do Estado Brasileiro

    começou exatamente ali, nos anos 90.

    O Brasil perdeu 20 anos com o neoliberalismo.

    Nos últimos 10 anos, houve um resgate estatal,

    mas falta outro tanto para o País se recuperar.

    Isso, se os gringos não meterem a mão no Pré-Sal.

    Um abraço camarada e libertário.
    .
    .

Moacir Moreira

02 de março de 2013 às 14h46

O dinheiro pertence ao povo porém é administrado por banqueiros privados que patrocinam o crime organizado internacional que visa, em última análise, roubar o dinheiro do povo.

Ou seja, a raposa cuida dos ovos e a cobra administra os pintos.

A dona Dilma deveria estatizar todo o sistema financeiro que passaria a ser considerado patrimônio público e meter os criminosos na cadeia.

Mas esse não parece ser o caminho escolhido pela nossa Presidenta.

Responder

Mário SF Alves

02 de março de 2013 às 12h59

“De qualquer forma, à esquerda e à direita, o povo italiano disse um não rotundo à política – exigida pelos banqueiros – de arrocho contra os trabalhadores, com o apoio da ditadora econômica do continente, a germaníssima Merkel. Seu candidato explícito, Mário Monti, funcionário do Goldman Sachs, obteve escassos 10% dos votos.”
_____________________________
É isso aí, e tome na lata PiG/mídia fora-da-Lei. Eis o porquê de a existência/projeção antipolítica de um certo Jaoquim. Nada mais claro do que isso.

Responder

Urbano

02 de março de 2013 às 12h37

Sempre ganharam fortunas com dinheiro que nunca possuíram.

Responder

simas

02 de março de 2013 às 00h11

O rotundo “não” à política dos bq’s, significa dizer q o eleitor italiano está sentindo, na carne, as dores q sempre sentimos, nós, aqui, com os governos passados… Antigamente, políticas desenvolvimentistas eram proibidas e consideradas, em última análise, responsáveis por inflação. Atualmente. podemos perceber, essa grde mentira imposta pelos sábios à serviço, não se sabe: se da elite, dominante, nacional ou do poder econômico-financeiro, transnacional. A verdade é q, sempre convivemos com arrocho salarial, desemprego, desigualdade social, violência, etc, etc… Houve, até, quem afirmasse, friamente, q o “bolo” deveria crescer, primeiro; pra, depois, os benefícios serem repartidos… Esse tempo, futuro, jamais chegou às mãos, do povo; ao contrário, apenas restrições aos direitos de educação e saúde, públicos… Vale dizer, tbm, q o eleitor italiano está se comportando da forma como sempre entendeu de política. Ou seja, erradamente… Mas, isso, é a praxe do povo italiano, mesmo; como a de começar uma guerra de um lado e a terminar, do outro lado… vencedor.
Qto ao nosso caso, político, q foi aventado, em comentário, diria q entendo difícil, pra um governo progressista, sem maioria confiável no Legislativo, sem respaldo no Poder Judiciário e, mesmo, na mídia, conservadora e mafiosa, promover Políticas de Governo em maior extensão, q vá afetar o desempenho da área rentista, nacional. O governo q atuar intensivamente contra os interesses da classe financeira, ou mssmo dos interesses da elite, não dura, mto; ou o Pres Jango não foi varrido por suas audácias?…

Responder

renato

01 de março de 2013 às 18h57

Gente, para onde vai o Lucro dos Bancos
do Brasil?

Responder

lulipe

01 de março de 2013 às 07h52

Já aqui no Brasil, nos governos petistas, os bancos têm os maiores lucros da história ano após ano.

Responder

    Marcos

    01 de março de 2013 às 10h55

    É vero, mas o juros já estão na metade do praticado pelos Governos Tucanos. O Itaú, como você, também está reclamando.

    lulipe

    01 de março de 2013 às 13h01

    Eles estão reclamando porque lucraram “apenas” 13 bilhões em 2012, eu apenas mostrei a hipocrisia do governo do PT que quando era oposição tinha os bancos como o satanás da economia e agora andam de braços dados com direito a todo tipo de “promiscuidade”.

    ma.rosa

    01 de março de 2013 às 14h56

    Boa Marcos. lulipe vc. podia ir dormir sem esta!!!!! KKKKKK

    H.92

    01 de março de 2013 às 12h48

    Mas chiam da mesma forma e tentam a todo custo derrubar a equipe econômica, tudo isso pela queda de juros que a Dilma fez, desculpe tucaninho enrustido…

    RicardãoCarioca

    01 de março de 2013 às 14h44

    Por um lado, é porque a nossa economia vai muito bem e de outro, por causa da herança maldita dos tucanos que os governos petistas começam a mudar, vide a redução das taxas de juros.

    Luís Carlos

    01 de março de 2013 às 18h40

    De fato. Banqueiros não merecem confiança, em qualquer lugar do mundo. São inimigos oportunistas do governo de Dilma, como foram de Lula. Tramam em conjunto com a grande mídia ataques a Dilma. A política dos governos do PT, ao contrário do que afirma, desagradam os banqueiros que tentam pela mídia nativa e externa derrubar Mantega e Dilma, e fortaleçem a renda dos trabalhadores. Os banqueiros rezam pela volta do PSDB, seu parceiro eterno de juros estratosféricos e rendimentos gordos, mas felizmente para o país, os tucanos não voltarão.

    renato

    01 de março de 2013 às 18h56

    Lulipe, para onde vai o lucro de 13 bilhôes
    dos Bancos aqui no Brasil?

    FrancoAtirador

    02 de março de 2013 às 14h53

    .
    .
    Uma boa pergunta, renato.

    Vou te responder:

    Os lucros do banco britânico HSBC vão para Londres.

    Os lucros do banco espanhol Santander vão para Madri.

    Os lucros do Agiota Bradesco vão para as Ilhas Caimã.

    Os do Agiota Itaú para as Ilhas Virgens Britânicas.

    Já os lucros do Brasileiro Banco do Brasil

    são para financiar a agricultura e a pecuária,

    e as micro, pequenas e médias empresas nacionais.

    E os da Brasileiríssima Caixa Econômica Federal

    são para os brasileiros financiarem a casa própria,

    e obterem empréstimos com as taxas mais baixas do País.
    .
    .

    FrancoAtirador

    02 de março de 2013 às 14h58

    .
    .
    CARÍ[email protected] [email protected],

    UTILIZEM A PORTABILIDADE DISPONÍVEL NO SISTEMA BANCÁRIO

    E TRANSFIRAM AS CONTAS DOS BANCOS PRIVADOS AGIOTAS APÁTRIDAS

    PARA OS BRASILEIROS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E BANCO DO BRASIL.
    .
    .

    Luís Carlos

    03 de março de 2013 às 09h52

    Realmente! Ainda tem gente que tem conta em bancos privados. Não dou minha renda para agiota administrar e cobrar por isso, e mandar os lucros para paraísos fiscais. Só uso bancos públicos e nacionais para contribuir com o desenvolvimento e crédito fácil. Em momentos de crise, os “maravilhosos” banco privados somem com seu dinheiro, e não liberam crédito. BB e Caixa foram fundamentais para enfrentarmos a crise de 2008 que ainda se arrasta em todo mundo, além de terem forçado a queda dos juros bancários, pela concorrência. Pelo PSDB eles teriam sido privatizados, ou melhor, doados a amigos, como fizeram com outras empresas públicas.


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